Exclusivo! Presidente da AFBNDES denuncia estratégia de desmonte do BNDES

Por Wellington Calasans, Colunista do Cafezinho

Wellington Calasans, Colunista do blog O Cafezinho, falou ao telefone com o presidente da AFBNDES – Associação dos Funcionários do BNDES, Thiago Mitidieri, que assumiu o comando desta associação no dia 1° de Julho do ano passado, um mês após a chegada da, agora ex-presidenta Maria Sílvia, ligada à Rede Globo, ter sido nomeada por Temer para iniciar o processo de desmonte do BNDES.

Thiago, entre outras coisas importantes, fala nesta entrevista sobre as medidas que foram tomadas sob a liderança da “atriz global” que não apenas visaram facilitar a extinção deste importante banco de fomento, mas principalmente entregar ao setor financeiro o destino dos empresários e dos investimentos no Brasil.

A devolução ao tesouro dos 100 bilhões de reais em liquidação antecipada, que segundo a AFBNDES e quadros de carreira do BNDES fere a Lei de Responsabilidade Fiscal, foi a primeira medida tomada por Sílvia para “reduzir o tamanho do BNDES”.

Paralelamente ao desmonte, Thiago cita a luta da AFBNDES contra a “frente de criminalização do BNDES”, uma campanha de destruição da reputação do banco – que foi aplicada sob a gestão Maria Sílvia – para enfraquecer a imagem da instituição perante a sociedade.

Thiago lembra que “eram ataques feitos de diversas partes. Desde o governo, que atacava o BNDES, até os jornais, colunistas e a imprensa de um modo hegemônico seguia essa linha de atacar o banco, de desqualificar o banco…”. Tudo isso feito para entregar ao setor financeiro as atividades do BNDES.

A luta atual da AFBNDES é a que vai contra a MP 777, que acaba com a TJLP – Taxa de Juros de Longo Prazo. Na avaliação de Thiago Miditieri, “a TJLP é mais próxima das taxas internacionais, embora esteja entre as cinco maiores taxas do mundo (para nível internacional é uma taxa alta), mas para o Brasil ela é considerada uma taxa baixa porque a SELIC é muito alta. Então, a SELIC é uma anomalia da economia brasileira.

O interessante desta entrevista é que além de escancarar o fim do investimento público como como algo estratégico para a “saúde da economia”, inclusive a soberania nacional e os aspectos sociais da geração do emprego, Thiago Mitidieri mostra que o fracasso da atual política econômica de Meirelles que não cumpriu absolutamente nenhuma das promessas da famigerada “ponte para o futuro”.

Veja aqui alguns pontos importantes da entrevista e assista ao vídeo/montagem produzido para facilitar o compartilhamento destas importantes informações:

– A MP 777 foi feita sem que os funcionários do BNDES fossem ouvidos pelo então Diretor da Área de Planejamento e Pesquisa do BNDES, Vinícius Carrasco, que foi colocado por Maria Sílvia.

– Não houve a elaboração de estudos técnicos, estudos de impacto, desta mudança para a economia real. É um salto no escuro.

– A equipe econômica (de Temer) não teve competência para entregar o que prometeu: ajuste fiscal e crescimento.

– A MP 777 representa uma inversão de prioridade da política econômica, porque o problema maior da economia brasileira hoje é a falta de emprego. E esta proposta em nada contribui para a geração de empregos e crescimento da economia.

– A verdadeira anomalia da economia brasileira é a SELIC, não é a TJLP. A SELIC sepulta a máxima de “não existe almoço grátis”, pois ela é o café, o almoço e o jantar grátis.

– As características dessa nova taxa TLP são incompatíveis com as características necessárias para financiar os investimentos de longo prazo. Por isso que essa taxa mata o BNDES.

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Romulus Maya

Advogado internacionalista. 10 anos exilado do Brasil. Conta na SUÍÇA, sim, mas não numerada e sem numerário! Co-apresentador do @duploexpresso e blogueiro.