“Preto no branco”: D.E. “racista”? “Não, Iracema! Eu NÃO perdi o seu retrato”!

Publicado 6/fev/2020 — 11:14
Atualizado 7/fev/2020 — 15:32 — “correções” (?) no final

Há uma enorme imprecisão neste texto. Dramática. Da família pobre saiu outra pessoa para sucesso profissional e social. Na verdade, em trajetória muito mais fantástica – e excepcional – que a do meu pai. Isso porque não se chama… “Brillo”. E não tem tampouco mãe de olhos azuis. Na verdade, muito longe disso: é preto. Preto retinto. Assim como a (nossa) “Tia Benedita”, comum. Aquela que, até no nome, era… preta (como sempre ouvi). Mostrando o quão falso, odioso, injusto, são todos os estereótipos alimentados para reforçar o racismo – estrutural – do Brasil, como 99,999…% dos pretos (e pardos) do nosso país, nem Tia Benedita nem tampouco o “Primo Jorge” nunca foram… “malandros”. E, no entanto, certamente a sociedade brasileira sempre os terá – majoritariamente – tratado assim. I.e., até “Primo Jorge” ter ficado – por mérito artístico excepcional – rico e famoso. Até em nível internacional!
A sacanagem, a ajudar os racistas do Brasil, é que sempre haverá a tal da “exceção que confirma a regra”. A laranja podre do cesto. Na semana passada, lamentavelmente travei contato com a mesma. E, (muito!) contrafeito, ora sou forçado a expô-la enquanto tal. Na qualidade de (autointitulado) “Cacique Juruna do Séc. XXI”. Ou seja, com áudio e vídeo. Tudo gravado.

 

Por “Romulus Maya”
(pseudônimo do oriundi Romulo ~Brillo~)

 

Minha avó “italiana”, foi a filha – nascida no Brasil – de um casal de “finos” europeus…

Um, Giovanni Brillo, ~ajudante~ de pedreiro, analfabeto, sem uma perna, perdida na linha do trem, atravessada de forma irresponsável, no subúrbio do RJ. Fugira da fome na “conservadora e rural” Umbria, com mais pai e penca de irmãos. A outra, sua mulher, também desde sempre marcada pelo signo da pobreza. Do berço ao caixão: também analfabeta, da mesma forma fugira da fome na Itália. Mas, dessa vez, daquela que assolava a “vermelha, intelectualizada e cultivada” Bolonha. Sim, a orgulhosa cidade (eurocêntrica) que se promove como lar da “primeira universidade do mundo” (?). Afinal, “Professor universitário”, mesmo “vermelho”, certamente haveria de recorrer a servos desde o seu surgimento enquanto ~estamento~ social, ainda no Séc. IX, não?

Como disse, minha antepassada italiana foi pobre literalmente do (frio) berço europeu ao (quente e úmido) caixão carioca: para meu enorme choque, descubro em 2007, ao fazer o périplo para “virar gente” no mundo, tirando o (cobiçado) “passaporte vinho”, europeu, da (nada) “Serenissima” Repubblica Italiana, que a certidão de óbito de Olinda Brillo (née Palotti) registra ter morrido em 1970 em consequência de complicações de negligência no “tratamento” (sic) de ~lepra~, numa colônia de leprosos no distrito ~rural~ da ~Cidade~ do Rio de Janeiro, na (até hoje marginalizada) Zona Oeste.

Abandonada pela família.

(e pelo Estado)

Para morrer.

(o quanto antes?
Bem… lá ficaria mais de uma década!)

Chocado, e extremamente envergonhado pelo fim literalmente indigente da “bisa”, nunca tive coragem de contar isso ao meu pai. Comentei, desde então, apenas com a minha mãe. Acho que, inconscientemente, porque essa não carrega — diferentemente de mim, do meu pai e da minha irmã, os outros “interessados” na revelação — o seu sangue. “Sofreria menos vergonha” (por toda a vida)? Sei lá… a mente humana não faz lá muito sentido, não…

Pois bem: muitos anos antes, certamente (ainda) sorrindo, rezara para “San Gennaro” – e gritara auguri! – ao ter a filha, ~brasileira~.

Ora, como não homenagear a terra que salvara a sua vida da fome?

Minha avó chama-se, vejam só…

(ou melhor, “chamava”-se… ?)

— … “IRACEMA”!

Ignorantes, seus pais assim criam “prestar tributo” (sic) ao povo que generosamente os acolheu, dando à criança “um nome indígena” (sic). Afinal, à diferença deles, essa era ~brasileira~. E disso se orgulhavam.

(como as coisas mudam…
Não corri eu, justamente, a tentar fazer o caminho inverso?)

Afortunadamente, nunca souberam que “Iracema” é, na realidade, um anagrama de “América” criado pelo – branquíssimo e nada indígena – escritor romântico José de Alencar, apenas no Séc. XIX.

(quando os indígenas já haviam sido quase todos trucidados)

Bem, saio em defesa do equívoco: analfabetos, como registrado acima, que assinavam seus “nomes” com o dedão (vi isso em todos os seus documentos, também me chocando enquanto “burguesinho” à mesma época), sequer o romance homônimo – “Iracema” – haverão de ter “lido”, não é mesmo?

Bem, talvez tenham “lido” a ilustração, de uma capa (!), e isso bastasse. Que loucura: por gratidão à terra que os salvou, a filha loura de olhos azuis, de pele alvíssima, acabou com o nome da “morena, virgem dos lábios de mel”, dos tais — célebres — “cabelos mais negros que a asa da graúna” (!)

No escuro de tal ignorância, miraram na gente originária – i.e., os “indígenas” – mas acertaram na terra que desses (outros brancos, como eles) antes tomaram: a tal “América”.

Haja “homenagem”…

Num clichê absoluto – brasileiríssimo –, conheceram-se em lavouras de café de SP, onde eram explorados em substituição a ex-escravizados ~negros~, já em processo de marginalização (também e até aqui) pela “Primeira República”.

Sim, como disse, nenhum dos dois sabia ler…

Não tinham sequer os dentes (da frente!) já quando juntaram seus respectivos trapos…

Mas…

(e aqui o “mas” é fundamental, angular, nesta história…)

— … “eram brancos” (!)

“Brancos”?

Eram louros!

De olhos azuis!

Assim, atendiam à política, ~oficial~, de “melhoramento racial” do “novo” (?) Brasil.

Casados, foram tentar a vida na (então) “Capital”.

Muitos anos depois, já velhos, como tantos outros talvez não viessem sequer a ter onde dormir…

I.e., ~não~ fosse um programa de habitação popular, no subúrbio do RJ, de um certo “Dr. Getúlio”, como minha avó, a tal ~Iracema~, sempre – respeitosamente – o chamou.

Na verdade, a família nunca saiu dali.

(nem da pobreza)

O terreno até hoje abriga familiares meus.

(mais de um núcleo, ~dividindo~o)

Ou seja, literalmente, a família aferra-se, até hoje, por questão de sobrevivência, ao legado do “assistencialismo populista do ditador fascista Vargas” (sic).

(ora, como sabemos, mais uma vez na História do Brasil sob pesado ataque…
Material e simbólico.
Ah, USP…
Ah, Guedes…)

A casa original, que cheguei a conhecer – sempre infestada de ratos (para horror de um “menino fresco”), que teimavam em arrancar e comer as cabeças dos canários (de briga!) do meu avô – fora construída em apenas um fim de semana (!), num mutirão de gente (como eles) toda pobre.

Mas unida.

E solidária.

Mesmo nunca logrando sair da pobreza…

*

Quer dizer…

Um saiu dali, sim, ainda jovem.

Na verdade, recém-casado.

Saiu do bairro e também da pobreza.

Não apenas material mas também “cultural” (sic).

Alguém que conheço muuuito bem… e que amo profundamente…

(apesar de muitas – e fortes – divergências.
Sobretudo políticas…
Ontem, hoje e certamente até ambos finalmente deixarmos este plano!
Certo, papai? (rs))

Extraordinário: em apenas uma geração, esse (“joveníssimo”, ok?) senhor foi do andar (mais que) de baixo para o próprio topo: a mais nobre área da Zona Sul carioca!

Ora, mas como?

“Loteria”?

(como certos políticos?)

Não.

(e contudo “sim”…)

“Graças à meritocracia” (sic), responderá ele – cheio de orgulho e sinceramente crendo-o – caso perguntado por você.

Mas, não muito reverente à autoridade paterna, sou aqui um pouco mais “factual” (rs) que o “velho”:

– Esse neto do tal peão analfabeto italiano, “perneta” (sic), e da “leprosa”, filho único da ~brasileira~ Iracema, foi batizado “João Brillo”. Em homenagem-síntese a (1) o avô Giovanni, (2) o Brasil (na “nova” grafia do “mesmo” prenome) e ainda (3) o Santo que garantiu (depois de anos…) o sucesso da (única) gravidez de ~Iracema~ que foi a termo. Promessa!

Ora, papai nasceu justo em 24 de junho!

Dia de quem?

— São João!

Com fogueira e tudo!

(e um “comunista ateu” teimará em afirmar que tudo isso é 100% aleatório, certamente… rs)

Com pais analfabetos, ~Iracema~ por sua vez não chegou a concluir o Primário, tendo ido apenas à 3a série.

Como seus pais, quando a conheci tampouco tinha os dentes da frente.

(para choque de um certo “menino fresco”, que vinha lhe visitar no Subúrbio, de tempos em tempos, carregado pelo pai, desde a nobre Zona Sul carioca…)

Mas, ao menos, ~Iracema~ já podia ostentar – quando saía à rua – dentadura móvel!

(para alívio do “menino fresco”…)

Orgulho da mãe (“italiana”, afinal…), papai já era arrimo de família desde os 8 anos (!) de idade. Isso porque ~Iracema~ nunca teve renda: era “do lar”. Já seu marido, meu avô, era alcoólatra. Depois de um acidente inebriado, fora reformado pela Marinha do Brasil com soldo de (quase) indigente, como “vagabundo” precocemente “invalidado”. Primeiro, papai fazia e vendia pipas na rua. E nunca esqueceu tal ofício, que – ainda orgulhoso – me ensinou quando já eu tinha os tais “8 anos”. Três décadas depois, não me resta a mais vaga ideia. Só lembro que a cola – para ser barata – tinha que ser feita com uma receita caseira, usando farinha de trigo. O cheiro, quando essa cozia, dava-me em realidade era fome!

Bem, tragicamente, à diferença do meu pai, não lembro de mais nada de como fazer uma pipa.

Também pudera: nunca dependi daquilo para… comer (!)

Aos 14 anos (em 1969), a Lei permitiu a “João Brillo” (papai), depois de tantos bicos, o primeiro trabalho formal, “bem pago”: office-boy de uma multinacional do petróleo (a Shell “Brasil” (sic) S.A.).

Eis a sorte geracional do (então) rapaz: chega ao mercado de trabalho quando o país caminhava para entrar no (chamado) “Milagre Econômico Brasileiro”. Trabalhando de dia, formou-se em faculdade particular (de terceira linha…), não do Rio mas de Niterói. Uma que, evidentemente, disponibilizava curso noturno. No caso, em ciências contábeis.

“Pública”?

Impossível: cursos só de manhã – para quem não precisava trabalhar e sustentar família, evidentemente. “Filhinhos de papai”.

(como hoje, com justeza, muitos me chamam)

Com pena desse rapaz, sim, esforçado (concedamos) – mas também, fundamentalmente, (muito!) ~bonito~, apelidado até mesmo de “Romeuzinho” no Colégio Pedro II (ler sobre “efeito halo“), extrovertido, carismático, futebolista razoável e bom de papo (todos esses, atributos que resultam, apenas!, da ~loteria~ da Natureza) – contudo financeiramente ferradíssimo (como estamos a ver), os executivos da empresa gringa, “bacanas” (em mais de um sentido), cotizavam-se para ajuda-lo a pagar o curso particular de graduação. Até o seu primeiro terno — “uniforme de trabalho” ali — presentearam-lhe numa vaquinha!

E faziam, evidentemente, vista grossa quando ele precisava sair mais cedo.

Ah, o carisma…

Ah, a beleza…

Ah, aquele sobrenome estrangeiro…

Uma vez formado, mobilizaram-se ainda para (burlar a barreira de classe e de berço e…) contratá-lo no escritório, na (belíssima) enseada de Botafogo.

Foi lá que este filho que ora escreve, menino, conheceu – orgulhoso – “o (chique) trabalho do pai”. A primeira vez também que, aos 5 anos, me serviram – à guisa de “gentileza” da (sua) secretária – café com um tal “adocyl”, nos anos 1980.

Bem, primeira e última vez, evidentemente…

*

A vida sorria para o “Brillo” – como sempre foi conhecido.

(assim como eu, até chegar – “disfarçado” com o pseudônimo “Romulus Maya” – à internet, em 2016.
Por que será que os outros nos viam como “Brillo” — apesar de todos ostentarmos outros sobrenomes, lusófonos?
Mais que isso: por que será que nós próprios, não masoquistas, sempre nos apresentamos (apenas) como… “Brillo”??)

Sim, a vida sempre sorriu de forma NADA aleatória ou “meritocrática” – para si, Sr. papai…

Assim, o antigo office-boy aposenta-se, já no Século XXI, como…

– … diretor de multinacional!

Não sem antes ter completado alguns ~requisitos~, para ele invisíveis na explicação do “seu” – objetivamente retumbante – sucesso, numa meteórica ascensão profissional.

(e social!)

Ao menos, racionalmente invisíveis, em vista dos chamados “vieses (ou defeitos) cognitivos”. No caso, em particular os de “representatividade” e do “sobrevivente”. Em síntese, ele acredita que a “meritocracia” funciona (ou pune…) em “100% dos casos” porque o campo amostral que a sua mente – defeituosamente – usa para o cálculo das probabilidades (“de todos”) é de… um (!): o seu próprio caso, de sucesso. “Ele se esforçou e (apenas) por isso chegou lá”.

Mas a história – i.e., a real – não é bem assim…

(1) Para além dos atributos físicos e de personalidade, fundamentalmente, era… branco. E, mais que isso, tinha até “nome estrangeiro”. O tal “Brillo”, evidentemente. Palavra que significa, em italiano, “brilhante”. Ou “falso diamante”, dizem alguns (!). Vejam só a (quase) “predestinação” do rapaz! Ora, quem haveria de reparar no diploma – da faculdade de terceira linha! –, particular, diante daquele sorriso… brilhante?

(2) Mais: não sem alguma dose de cálculo (atenção ao trocadilho), começa a namorar aos 14 anos com a menina mais inteligente que ele – e eu – conhecemos em nossas vidas. Uma verdadeira superdotada. Não fosse isso, teria sido reprovado pelo celebríssimo – e folclórico – “Carrasco da Matemática” do Colégio Pedro II, Unidade Centro-RJ, nos anos 1960. Um tal “Professor Araquém” — a quem devo a minha própria existência, como sempre ouvi de ambos. Ao mesmo tempo rindo e falando sério!

Além de inteligente, a menina tinha berço. Senão “de ouro”, mas sim de “latão” (no lugar do “de madeira”, “de segunda (terceira? Quarta?…) mão”, dado por vizinho, como o dele), vinha de família ilustrada. Em sua casa, que ele passou a frequentar para estudar a tal da “Matemática do carrasco Araquém”, esbanjava-se além de tais facilidades acadêmicas (e também a “cara” manteiga em vez da margarina com que “Brillo” crescera) também o tal do “capital cultural”, de que nos fala Bordieu. Ou seja, aquilo que faltava, em absoluto, àquele “neto de carcamanos” ferrados, suburbanos, analfabetos e desdentados.

Aliás, nesse quesito, a menina também chegava a ser hard: não raro o levava para ver até mesmo filmes europeus.

“Europeus” apenas?

Tipo neorrealismo italiano?

Não, muito além disso: Jean-Luc Goddard e Luis Buñuel, p.e.!

(“chatos pra caramba, meu filho, 3 horas de diálogo entre um homem e uma mulher, uma única cena, em um único cenário (um quarto fechado) e só uma câmera, virando de um pro outro! Filho, vou te contar…” – trairia ele a mim certa vez. rs
Gente, que filme-tortura será esse? rs
Acho que ele deve ter soltado fogos quando ela, nos anos 1980, “evoluiu” pra “movimentadíssima” cinematografia iraniana (!)
Filmes chineses de Wong Kar-Wai e Zhang Yimou deviam ser, aos seus olhos, quase “Rambo” já (!)
Novos fogos (!) rs)

E chegamos, aqui, ao momento de uma (cruelíssima) honestidade: já uma vez acabado o amor entre ambos, muitas décadas depois, ele finalmente confessaria: o fator determinante para “escolhê-la” como “sócia” – de vida – fora poder ela “dar-lhe” filhos “inteligentes”, “com bons modos” e “culturalmente sofisticados” (como a mãe). Justamente tudo o que sempre fora o seu handicap social!

Quando soube disso, lembrei-me imediatamente do início do romance “O Alienista”, de Machado de Assis, em que o protagonista escolhe a mulher com quem vem a se casar porque, fundamentalmente, ela tinha “boa digestão” (!), a ser repassada aos filhos de ambos (!).

Lembra que disse, acima, que o namoro começara com uma boa dose de… “cálculo”?

Pois.

Mais que Machado, algo meio “Vanity Fair”, diriam os mais maldosos…

Muito antes dos filhos – como este “inteligente”, “com bons modos” (i.e., quando quer… rs) e “culturalmente sofisticado” que ora se dirige, leitor, a si (a moça, veja só, mesmo sem saber entregou a sua parte da “barganha”!) –, o “papo cabeça” da “mina” deu-lhe os códigos para, simplesmente, passar a poder abrir a boca em small talk entre executivos. Seja antes e depois de reuniões de negócios, no happy hour ou no clube social em que passou a… “jogar tênis” (!) e não mais (apenas) futebol. Quem despreza a importância disso para a determinação do status profissional-social do indivíduo tem que ler o tal (sociólogo) Bordieu urgentemente!

Fundamentalmente, até o Português do rapaz ela consertou, p.e. E ensinou-lhe até inglês, imagine (!)

Simbolica – mas também muito concretamente –, a mina “batia” em sua mão nos coquetéis com os colegas do trabalho, exigindo que parasse imediatamente de engolir, para além do tronco, também cabeças e rabos de camarões e lagostins. E que passasse, ao contrário, a devolve-los ao garçom, que antes “estranhamente” ficava parado diante dele, mirando com os olhos, como que indicando, uma segunda bandeja, vazia, à sua frente. Ora, depois de ele “já ter” se servido na primeira, “a que efetivamente trazia os animais a comer”? “Mas que raio de festa estranha com gente esquisita” (apud Russo) era aquela, antes perguntava-se o (quase) “pós-carcamano”?

*

Fala sério: olhando este gato, elegantíssimo, SEMPRE em boa forma, de nome “Brillo”, retórica impecável, Mestre e PhD pela COPPE-UFRJ, professor dos MBAs de FGV e IBEMEC, fazendo a promoção de uma universidade europeia, referência internacional no campo de business, já na qualidade de Pós-Doc/ Professor visitante na mesma, o ESADE, em Barcelona, onde dava aulas e publicou inúmeros papers, em inglês (!)…

— … você dar-lhe-ia o crédito de ter escapado de…

— … ratos arrancando cabeças de canários no Subúrbio do Rio??

 

Pois aconteceu.

Eu vi.

Ou melhor, eu vi-vi!

*

Nada de novo, portanto, para mim nas inúmeras adaptações de “Pygmalion” ou “Vanity Fair”, ao longo dos séculos…

Menino!

Ora, como?

Eu vi o… original!

Sem roteiro!

Só no improviso!

Muuuito melhor!

 

— “Audrey” quem, hein?

— Ela sabe, por acaso, onde fica o Morro Agudo, na Baixada Fluminense??

— Canastrooona!

— O Morro Agudo é só pros fortes!

— Te mete…

*

*

*

Pois eis que chegamos, agora, literalmente, a 6/fev/2020.

Um longo caminho de “ontem” até “hoje”.

Notar: “ontem” e “hoje” figurados e literais.

Ontem, i.e., o “literal”, deu “adeus” à “aventura” (Programa) “Duplo Expresso”:

 

E “hoje”, i.e., o literal, parti a revisitar o “ontem”.

Agora, o figurado.

Confuso, não?

Na verdade, não…

É, isso sim, claríssimo:

— Saí fora!

Saí fora e fui visitar justamente…

— “Iracema”!

Graças a quem?

Quem foi que me deu uma – mágica – passagem?

Não para a carne?

Mas para o espírito?

(um tanto atormentado ontem, não é mesmo?)

Pois foi o (ex) “expressonauta”!

Justamente, na despedida de ontem, veja só…

Na verdade, uma (ex) “expressonauta”: uma baiana que, pela “álea da vida” (incrível!), escolheu como pseudônimo na internet, para proteger a sua militância política nestes tempos bicudos, justamente o nome…

— … “Iracema” (!)

— PÁÁÁÁÁÁÁÁÁ!

*

É demasiado?

Pois aguente porque aumenta!

“Iracema”, i.e., a militante baiana, deu-me a passagem sem querer!

Veja que coisa: ontem, na “despedida da despedida”, citei aquele que para mim deveria ser o hino brasileiro – e não importado – da luta pela igualdade social: “Saudosa maloca”, de Adoniran Barbosa.

Não qualquer versão, mas a de Elis Regina, interpretando ao lado do próprio compositor.

Ele também “carcamano”, afinal…

E no Bixiga!

O bairro, por excelência, dos “carcamanos” italo-brasileiros, não?

 

Já saudosa, e comovida pelas minhas palavras da despedida de ontem, “Iracema” – i.e., a baiana – disse adeus ao D.E. mandando-me o link dessa gravação histórica – Adoniran/ Elis –, pelo Twitter.

Pois eis que, antes de “Saudosa maloca”, Elis Regina canta outra composição – de forma tão lacerante que arranca o mais sincero elogio já gravado de Adoniran Barbosa!

Qual composição, pergunta você?

Segure-se:

— “I-RA-CE-MA” (!) (2)

— PÁÁÁÁÁÁÁÁÁ! (2)

Outra “Iracema”… de (duas vezes) pobre destino, na crueldade da letra daquele samba magistral…

 

 

Pois, neste momento, só posso agradecer:

— Muito obrigado por tudo, Iracema’s!

*

*

*

Nota “Vermelha” (1): Sim, obrigado, “Iracema’s”… ou apenas “Cema(s)”, como cresci ouvindo meu avô chamar, carinhosamente, minha avó…

(amiga de infância conjunta suburbana, na pobreza)

Literalmente, partindo o meu coração, fez isso até o caixão: foi chamando por “Cema” que jogou terra no seu túmulo, no “Jardim da… Saudade”, para onde o câncer de mama a levou, no ano 2000, assim que completei meus 18 anos.

Sim, choramos todos… copiosamente…

Mas, ao menos, foi enterrada “onde sempre quis”, com meu pai pagando sem hesitar, a toque de caixa, o preço de um bom carro zero km para fazer aquela sua “última vontade” (literal).

Condições, certamente, bem diferentes do paupérrimo caixão de sua miserável mãe italiana…

Aliás, “caixão”?

Ou terá sido enterrada em vala coletiva, coberta apenas por uma pobre mortalha, direto na terra de “Santa Cruz” (!), Zona Oeste da Cidade do RJ?

Já que sequer a lápide havia direito naquela colônia de “leprosos”?

“Leprosos” literais (enfermos) e também figurados (sociais)?

Segurando aqui (meio que sem sucesso…) as lágrimas, registro a última vez em que “conversei” com a minha “primeira” e mais importante “Cema”, já num CTI com metástases ósseas e, principalmente, cerebrais, totalmente seqüelada. Papai colocava o telefone no seu ouvido e eu repetia incessantemente a resposta àquilo que ela, usando ou não seus (falsos) “dentes” da frente, sempre me perguntava assim que me via durante TODA a minha vida:

— Tá estudando, meu filho?

— Sim, estou estudando… muito, vovó!

Bem, era uma “mentira”, já que nunca precisei estudar, para nada, na minha vida. Ela, apenas com a terceira série primária, nunca entenderia. Aliás, o último compromisso social da (minha) “Cema” foi, orgulhosa que não se continha (usando seus falsos “dentes”, é claro), e também vestindo roupa (literalmente) “de domingo” (ou seja, sua melhor, reservada apenas para ir à Missa, no seu catolicismo popular, “italiano”), para ver o neto, seu novo “Brillo”, o “Jr.”, receber o Prêmio Américo Piquet Carneiro (título e até mesmo dinheiro!) no Teatro Odilo Costa Filho, da UERJ, das mãos de Nilceia Freire (então Reitora, depois Ministra de Lula e, recentemente, falecida, aliás). Passara em primeiro lugar no Vestibular. Não só na minha carreira – Direito – mas geral, com (muito) mais pontuação que qualquer outro candidato. Que eu saiba, nunca aconteceu novamente. Nem antes, nem depois. Afinal, são sempre os de Medicina aqueles que mais se batem por (escassas) vagas Brasil afora, não sendo diferente na UERJ.

Bom, no mesmo embalo ela foi — com o mesmo vestido! — ao Palácio (!) da Cidade, sede — de gala — da Prefeitura do Rio de Janeiro (!), para ver seu neto, este “Brillo Jr.” que ora lembra do seu sorriso, ser novamente louvado pela sua “mente”, recebendo das mãos do (falecido) ex-Prefeito Luiz Paulo Conde (PMDB-RJ) o “Prêmio Orgulho Carioca”. Sim, porque naquele ano não teve para mais ninguém: UFRJ, UFF, Uni-Rio… todas as públicas… you name it!

Aliás, única exceção ao Direito como carreira, na PUC-Rio foi Economia — justo no antro do monetarismo financista, Jesus! E, literalmente, a apenas 40m (!) da minha casa, no nobilíssimo bairro da Gávea. E aí? Como terá ido o menino? Ora, lá… bolsa integral por desempenho acadêmico, claro. Aliás, não pagar não bastou, não… tinham eles — Gustavo Franco, Pedro Malan e “CIA” — é que ~me~ pagar para ouvi-los, óbvio! Desde o primeiro dia (!), já botavam grana da CAPES nas mãos do guri, “nova promessa” de apenas 17 anos. O equivalente a um salário-mínimo (!), como parte do Programa ~Especial~ de Treinamento – PET.

Imagina!

A mãe (minha bisa), italiana, enterrada como indigente pelo (não!) “Estado”…

— I.e., literalmente, depois de — escondida por e de todos — apodrecer, pouco a pouco, ainda em “vida” (!)

“Vida”… que “vida”!

— Por mais de uma década!

Enquanto isso, exatamente 30 anos depois, a filha, (minha avó) brasileira — mesmo com dentes “falsos”, é verdade — era convidada de honra do Exmo. Sr. Prefeito para solenidade do mesmo Poder Público!

Literalmente, sendo honrada em um… “Palácio” (!)

Pois veja que acertado o “investimento” do “Brillo Sênior” na vida: herdando (apenas parte!) da inteligência da esposa que ele elegera, sobretudo por essa razão (como vimos), “Brillo Jr.”, seu filho, deu a maior alegria da vida de sua mãe, “Cema”!

E justo antes de ela morrer!

Mais: sem estudar NADA!

(mas sempre dizendo para a avó que sim… rs)

*

Nota “vermelha” (2): obviamente, apesar de papai ter “escolhido” ter filhos inteligentes, como relatado, eu — titular de tal “inteligência”, digamos — sei perfeitamente que nunca tive nenhum mérito em (apenas) ter a sua posse, uso e gozo, “operando-a”.

Pura “loteria da Natureza”, afinal!

Exatamente como o “carisma” e a “beleza” do “Brillo Sr.”, por exemplo, que tantas portas lhe abriram.

E, precisamente por isso, socialista desde sempre. I.e., o filho, bem entendido. Mesmo em criança, antes de sequer ouvir tal expressão, pois — “fresco”, já diziam do menino… (rs) — ficava chorando ao ver qualquer mendiga no Centro do Rio com (outra) criança no seu colo. Acabei convicto de que esse “capital” (humano) que a Natureza esbanjara em mim, por Graça, que é favor imerecido (tal qual a salvação pela fé segundo o Evangelho), carecia de ser “socializado” na sua “reprodução”, digamos.

E não “apropriado” (apenas) individualmente, por mim mesmo. Ou seja, (apenas) para meu benefício e gozo próprio.

E foi exatamente isso o Duplo Expresso.

Obrigado!

*

Repare: já papai… direitista…

Sempre vai achar que foi a sua (pseudo) “meritocracia” que permitiu que, p.e., pagasse uma fortuna pela vala onde, conforme a sua derradeira vontade, descansa (nossa) “Cema”.

Visões — para sempre — irreconciliáveis.

(mas, no entanto, nem por isso cessarei de tentar “convencê-lo”.
Bem, sejamos honestos: mais próximo efetivamente da verdade sobre o que faço com ele, trollo o meu tucaninho favorito no Whatsapp!
Todos os dias.
Os (ex) expressonautas bem o sabem… rs)

*

*

*

Em tempo (1):

Quem que sempre me embalou, voz e violão, desde antes de eu aprender a falar?

Mais com Noel Rosa mas também, direto do (suposto!) “Túmulo do Samba”, com Adoniran num próximo segundo lugar?

E com preferência, óbvio, justamente por, dentre todas, “Iracema”?

(que sempre me partiu o coração!)

Ele mesmo: o meu direitista (pseudo) “meritocrático” do coração:

— João Brillo.

Amo você, pai.

*

(embora nunca vá entender como você toca e canta — maravilhosamente, com emoção genuína — “Saudosa maloca”, ainda por cima tendo visto e vivido histórias idênticas (mas reais!), na enorme pobreza da sua largada na vida, e segue sendo… tucaninho (!)
Ainda que o “meu” tucaninho querido do coração, vai, papai?
Tire a prova: ouça de novo!)

(em sua defesa (e minha!): desde Jesus Cristo na Terra sabemos que “ninguém — nem Ele, pô! — é profeta na sua terra.
Nem eu, nem você e nem…
… o Adoniran!
“Intimidade é uma merda”…
A filha do sambista que compôs “Saudosa Maloca” e “Iracema” saiu reacionária…
Lacerdista!
Na verdade, mais que isso, usa a carteirada “filha do Adoniran” (mas usando o nome ITALIANO, né, fofa?) para publicar textos, reacionários!, no PIG!
Argh…)

*

*

*

Em tempo (2):

Há uma enorme imprecisão no texto acima. Dramática. Da família pobre saiu outra pessoa para sucesso profissional e social. Na verdade, em trajetória muito mais fantástica – e excepcional – que a do meu pai. Isso porque não se chama… “Brillo”. E não tem tampouco mãe de olhos azuis (como a minha ~Iracema~, tia dele). Na verdade, muito longe disso: é preto. Preto retinto. Assim como a (nossa) “Tia Benedita”, comum. Aquela que, até no nome, era… preta (como sempre ouvi). Mostrando o quão falso, odioso, injusto, são todos os estereótipos alimentados para reforçar o racismo – estrutural – do Brasil, como 99,999…% dos pretos (e pardos) do nosso país, nem Tia Benedita nem tampouco o “Primo Jorge” nunca foram… “malandros”. E, no entanto, certamente a sociedade brasileira sempre os terá – majoritariamente – tratado assim. I.e., até “Primo Jorge” ter ficado – por mérito artístico excepcional – rico e famoso. Até em nível internacional!

Salve, (Primo) Jorge!

(Ben Jor!)

 

A sacanagem, a ajudar os racistas do Brasil, é que sempre haverá a tal da “exceção que confirma a regra”. A laranja podre do cesto. Na semana passada, lamentavelmente travei contato com a mesma. E, (muito!) contrafeito, ora sou forçado a expô-la enquanto tal. Na qualidade de (autointitulado) “Cacique Juruna do Séc. XXI”. Ou seja, com áudio e vídeo. Tudo gravado. E isso, para prejuízo (mínimo, rezo, mas já culpado diante de Deus e de mim mesmo) dos 99,999…%, injustiçados com estereótipo racista odioso e odiento, que visa a aviltar nossa negritude, nacional, coletiva, e também individual.

Por isso, peço perdão.

I.e., no que raios isso valha de alguma coisa para quem sai prejudicado pelo meu ato.

Que não serei, decerto, eu: o “filhinho de papai, branco, de nome ‘Brillo’, ostentando passaporte italiano e morando na Suíça”!

(Um pouco) menos “perdão” peço ao (famoso e rico) Primo Jorge – ainda morará ele no Morumbi-SP? –, blindado que é (i.e., para todo sempre apenas até certo ponto!) dos efeitos perversos do racismo estrutural do Brasil.

Por que blindado?

Simples: porque tem grana e fama, dentro e fora do Brasil, ora!

Sempre sucesso — absoluto — aqui do meu lado, no — sofisticadíssimo! Finérrimo! Coolísimo!— Festival de Jazz de Montreux (p.e., apenas, hein?). Vejam só a tal da “álea da vida”: literalmente do meu lado! Se bobear, naquela plateia, só haveria eu — e Primo Jorge, claro — como conhecedores de o que é algo como Subúrbio do Rio. Mesmo que apenas como “visitante eventual”, em espécies — tragicamente! — de “safaris” antropológico-familiares (!), em datas festivas. Apresentado, e lembrado duas ou três vezes por ano, do “exotismo” da pobreza, fazendo anotações etnográficas mentais (!). Exagerando, quase vivendo, na vida real, esquetes do velho quadro humorístico “Primo Rico/ Primo Pobre”. “Exagerando” mesmo? Será?

Bem, o que mais me marcava era a — extrema vergonha — ao ver meu pai distribuindo frequentemente maços de dinheiro ali. In cash! Ora, quando eu era criança pobre não tinha conta em banco, não…

Papai sempre fez isso.

Acredite: meu tucaninho tem, sim, coração. Não é nada avarento. Só que bate no lado direito do peito… (rs)

Para ele, zero constrangimento: ora, ele literalmente faz isso desde os 8 anos de idade!

E para mim?

Simplesmente o horror. Corria, sempre, para o (modesto) banheiro. Ficava eu, neurótico, com “culpa de classe” (existe isso?). E profundamente perturbado com uma espécie de “culpa católica” de ver dinheiro, “profano”, “sujo”, misturado com família, limpa, “sacra”. O pior de tudo era eventualmente o constrangimento de cruzar o olhar com quem precisava pegar o dinheiro dele, quase que o “meu dinheiro”, quando essa pessoa estava propriamente no ato de pegar o maço. Ai…

Por isso, porque “conheço” (sic) alguma(s) pobreza(s) (brancas), mas não a pobreza preta ou parda, mais perdão tenho de pedir ao 99,999…% preto e pardo. Aquele que, diferentemente do Primo Jorge – e até mesmo do meu pai –, não ganhou (quase) sozinho na loteria…

— … da vida!

Esses são não a tal “exceção que confirma a regra” – tais quais, para o bem, Primo Jorge; e, para o mal, certo malandro, que vive justamente de explorar (política e fisiologicamente) o próprio combate ao racismo no Brasil (!).

Não….

O 99,999…% preto – e pobre – é o contrário:

— “A REGRA que confirma a EXCEÇÃO” do falso estereótipo da… “malandragem”.

— E também, é claro, dos estereótipos de sucesso, no verso da moeda: o “pagodeiro”, o “jogador de futebol” e, já agora, o “funkeiro os-ten-ta-ção”, ora pois!

De novo: perdão!

Foi – como provado nos diálogos, gravados – alheio à minha vontade.

O que não me escusa diante deles.

Nem de Deus.

Muito menos – pior de tudo – de mim mesmo.

E do meu travesseiro.

Afinal, esse está muuuito mais perto de mim do que o distante “Céu”…

Sem escapatória: temos encontro marcado não num “derradeiro dia”, mas…

— … TODA noite!

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Em tempo (3): pule para o (4)! Porque agora é conversa par-ti-cu-lar, ok? Por favor!

Já com o “Céu”, posso ir pendurando a conta…

I.e., até o tal “derradeiro dia”, não é mesmo?

Mas espera aí…

— “Derradeiro dia”?

— “Céu”?

— Não foi lá que Elis & Adoniran contaram que fica justamente… “IRACEMA”??

— Pois sim!

— Mais: segundo eles, “bem juntinho de Nosso Senhor”!

Ah, IRACEMA…

Os dois, tanto Elis como Adoniran — também já “daí do Céu”, veja você! — sabem agora toda a… VERDADE!

E, corrigindo erro quase, quase, quase, imperdoável!, agora cantam a letra correta:

— POXA, IRACEMA!

— EU — JAMAIS! JAMAIS! JAMAIS! — PERDI O TEU RETRATO!

— Endoidou na subida, foi?

— Foi, vó?!

— Teu neto é e sempre foi “fresco”, sim, todos — e agora toda a internet! — beeem já sabem… (rs)

(depois, aí, eu te explico…
Chama “iútúbi” o negócio…
Bem… e também “viadagem”, claro!
Pô, vó…
Você já bem desconfiava, vai? rs)

Mas…

Apesar de — inúmeros — intrigueiros, “malandros”, plantando o contrário por aí…

— Teu neto AINDA não endoidou!

— Portanto, “paciência, Nega, paciência!”. Aliás, como te fala — toda a hora — o Adoniran aí, pô!

— Prometo: um dia hemos de voltar, sim, a tocar nossos “Sambas no Bixiga”, Iracema!

— Bem… não mais na “Casa do Nicola” talvez…

(e sem ratazanas, por favor!
Já “aladas”, as bichas?!
Deus, Deus…
Tu és Pai!
E não Padrasto, hein?
“Ratazanas aladas”??
Por favor!
Pelo amor!
Pelo amor, afinal, de ‘Si Mesmo’, vai… ? rs))

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Shhhhhhhhh ?

— Iracema, por favor não conta — toda a verdade — pra Elis e pro Adoniran ainda, não…

— Como acabei de te dizer, jamais perderia o teu retrato, pô!

— Ironia das ironias, o que sumiu foi justamente o raio das “suas meias (poídas, poídas…) e o seu (surrado… surrado…) sapato” (!)

— Ratos, de novo… viraram ninhos! ?

— Olha, maldoso, vou acabar dizendo que Adoniran bebeu!

— E até que Elis cheirou!

— E, assim, acabaram trocando as bolas…

— Shhhhh ?, Iracema… fica quieta…

— Na verdade…

— Só pra você ir matando, um pouco, a saudade… discretamente…

— Canta — baixinho — comigo, agora, vai, vó:

? Iracema, eu ~postei~ nosso retrato! ?

 

— Tirado onde?

— Na GÁ-VEA!

— Ora! Onde mais?

— No Morro Agudo, na Baixada Fluminense??

— Eu, hein…

— E alguém por lá tem grana pra bancar uma Harley Davidson? Cromada? Zerinho?

— Sai pra lá, suburbano!

— Olha que, na Gávea, dizem que “pobreza pega”, hein!

— Que pega que nem… bem… que nem…

— … (lepra).

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Em tempo (4):

O lamento (coletivo): sim, bem “malandro”, sim…

  • De um amigo de longa data. Um antropólogo “grau 7 da CAPES”, digamos. Com linha de pesquisa em populações quilombolas. Sujeito profundamente engajado na luta pela nacionalização da política de cotas raciais — i.e., militantemente, para além das cotas “sociais” — nas universidades públicas, nos anos Lula.
    Luta (felizmente) vitoriosa.
    Aliás, conquista essa ameaçada hoje, como sabemos todos.
    (como tudo, ademais, neste Brasil do Golpe transnacional “PPP” Finança transnacional + USA Deep State + proto-“Deep State” à brasileira)

Adivinha o nominho embaixo da tarja??

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Em tempo (5): #Juruna2.1

 

 

 

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Atualização 7/fev/2020 — 15:32: “correções” (?) no final

“APODRECER… ‘VIVA’. POR MAIS DE UMA DÉCADA! Ah, que orgulho dessa sobrevivente!”

 

 

 

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Romulus Maya

Advogado internacionalista. 10 anos exilado do Brasil. Conta na SUÍÇA, sim, mas não numerada e sem numerário! Co-apresentador do @duploexpresso e blogueiro.