Como o neoliberalismo destruiu a economia norte-americana (parte 2)

A quebra da economia norteamericana

 

Como vimos no texto anterior, a economia real norte americana se enfraquece a cada dia e tem suas bases fundamentais atingidas, principalmente o mercado de consumo gigantesco criado desde a década de 30.

Com a redução do poder de compra dos salários, o crescente endividamento das famílias americanas, o aumento dos custos médicos e a insustentabilidade das hipotecas de imóveis, drena-se cada vez mais recursos, que caso contrário seriam destinados ao consumo e a poupança interna.

Operações financeiras que beiram ao estelionato são feitas a luz do dia. A poupança de uma vida inteira dos trabalhadores americanos encontra-se colocada em risco.

Enquanto isso, acompanhamos um crescimento na concentração de renda, e uma volatilidade jamais vista, tudo isto camuflado cuidadosamente. 

Por isso, faz-se necessário que eles construam e aprofundem os mecanismos de rapina sobre os países da América Latina e suas populações.

Sabem que a única forma de garantir a saída desta crise está em aprofundar a exploração, de dinheiro e de recursos, e que os setores médios da população latino americana não poderão ser poupados.

 

O rombo do déficit público

Uma das medidas aprovadas por Trump como salvação para as empresas norte americanas foi a de um pacote de medidas que visavam a redução de impostos para as empresas e em favor dos mais ricos. Redução esta que impactou profundamente o déficit público americano.

 

Um dos fatores chaves para entendermos o buraco da dívida americana está em entender o crescimento das despesas federais obrigatórias dos Estados Unidos em relação  a arrecadação federal. Traduzindo, se a arrecadação vai dar para pagar as contas.

Considerando esta questão, há que se focar nas projeções de arrecadação e gastos dos Estados Unidos feitas pelo escritório de orçamento do Congresso Americano de 2018 a 2029.

 

Despesas

 

Fonte:http://viewfromthewilds.blogspot.com/2019/05/a-closer-look-at-us-budget-forecasts.html

Observando a tabela, vemos que as despesas partem de $4,152 trilões em 2018 e chegam a $57,818 trilhoes em 2029. Em comparação a arrecadação parte-se de $3,329 trilhões e chega a $46,170 trilhões.

Receitas

Fonte:http://viewfromthewilds.blogspot.com/2019/05/a-closer-look-at-us-budget-forecasts.html

Por outro lado, temos a parte interessante ao verificar que este orçamento não leva em conta as chamadas despesas discricionárias(marcadas em vermelho na tabela), ou seja, as despesas em que o agente político, que representa o estado, exerce sua liberdade de escolha sobre os gastos.

Isso nos leva a crer que o estado americano fica cada vez mais engessado, sem ter dinheiro para fazer despesas a sua escolha.

Só para termos a ideia do impacto disso, temos as despesas militares nesta categoria de despesas. 

Na prática a partir de 2021 o governo americano não poderá arcar com as despesas obrigatórias com a receita dos tributos. Ou seja o Estado americano entra na chamada armadilha da dívida, isto é, a dívida através dos juros passa a consumir cada vez mais recursos em um processo de bola de neve.

Para resolver este problema os EUA só tem uma saída, o CALOTE. Ou deixa de pagar a dívida ou deixa de realizar gastos sociais.

Vamos verificar o porque desta tendência. Se checarmos quem são os portadores dos títulos da dívida americana, e como variou a posse destes títulos, para conseguirmos entender esta limitação da economia dos EUA.

Um dos principais problemas da dívida americana está manifestado em que os países estrangeiros estão deixando de utilizar os títulos americanos como reservas nacionais.

Após ter atingido seu ápice de venda nesta década, este uso externo de papéis americanos encontrava-se abaixo de 40% no final de 2018.

IMPORTANTE! Os dois principais credores da dívida norte americana China e Japão vem se desfazendo de seus títulos americanos.

 

Fonte:https://wolfstreet.com/2019/01/31/who-bought-the-gigantic-1-5-trillion-of-new-us-government-debt-over-the-past-12-months/

Como observamos no gráfico abaixo, houve uma inversão do tipo de portadores de títulos da dívida americano, sendo atualmente o próprio mercado interno americano, o maior detentor da dívida do país.

fonte:https://www.zerohedge.com/news/2018-12-12/us-households-now-own-more-treasuries-fed

 

Mas afinal qual é o problema de os títulos da dívida americana estarem sendo primariamente negociados no mercado americano?

Bom esta inversão sinaliza um alerta e aponta para um problema.

O alerta é de que se os mercados externos (principalmente Bancos centrais) estão se livrando de títulos da dívida americana, isso significa que tais ativos estão sendo vistos como investimento dos mais arriscados, ou seja os bancos centrais estão encarando a dívida americana como um investimento menos seguro.

O Problema que isto aponta é de que o tesouro americano passa a competir com o investimento privado (Basicamente mercado de ações) o que indica que em algum momento, terão que trabalhar com taxas de juros mais altas.

 

A inversão do mercado de títulos e o risco de uma recessão

Fica claro, como vimos, que os títulos do tesouro americano já não são considerados como o ativo mais seguro para os bancos centrais mundo afora, e que os EUA tem que disputar com o mercado privado norte americano, por recursos para financiar seus gastos.

Tal fenômeno se reflete na chamada Bond Yield Curve Inversion. Definindo de maneira simples, Bond Yeld é o retorno que um investidor tem sobre um título após determinado período, em situações normais, títulos de curto prazo tem um rendimento inferior a títulos de longo prazo.

A inversão da curva “Curve Inversion” é a situação em que os títulos de curto prazo passam a render mais do que os de longo prazo, ou seja, quando o mercado passa a prever que as taxas de juros vão estar mais baixas no futuro, o que para um mercado maduro como o americano é sinal de uma recessão pela frente.

E recessão por quê? Em uma situação em que o país está financiando seu déficit público em competição com o mercado de ações, a única possibilidade disso acontecer  é quando há uma queda na bolsa. Nos últimos 70 anos a inversão da curva entre os títulos de 3 meses e os de 10 anos prenunciou uma recessão.

Fonte:https://www.bloomberg.com/graphics/2019-yield-curve-inversions/

 

Repo Market – Um termômetro da instabilidade

Outro sinal tenebroso que vem das terras do norte é o chamado Repo Market. Acompanhar tal mercado permite entender como anda a liquidez do mercado financeiro dos EUA.

Liquidez significa em termos simples a capacidade de um ativo econômico (bens, investimento, contratos, etc) de ser convertido em dinheiro, quanto menor o tempo para converter um ativo em dinheiro vivo, menor a liquidez.

A liquidez de um mercado significa então a sua capacidade de honrar compromissos em dinheiro vivo.

Aí entra o problema, o chamado Repo Market , termo que é uma contração de Repurchase Agreements (acordos de recompra) funciona como uma estrutura de garantia de liquidez ao mercado em que possuidores de grandes somas de dinheiro vivo emprestam tal dinheiro a grandes investidores tendo como garantia títulos, ações e outras formas de garantias com o compromisso de recompra no dia seguinte.

Ou seja, tem um ganho sobre um dinheiro que de outra maneira ficaria parado e permitem grandes investidores cumprirem seus compromissos de pagamento.

Em condições normais este mercado flui sem problemas, porém nos últimos tempos o FED teve que intervir e injetar dinheiro, indicando uma falta de liquidez global no mercado.

Ou seja a maioria dos bancos e grandes investidores não dispunham de dinheiro vivo para manter o sistema funcional, isto causou um pico nas taxas de juros atingindo 10% em 19 de setembro, fato inédito neste mercado.

Para sanar o problema, o FED teve que intervir e injetar dinheiro. Foram centenas de BILHÕES de dólares injetados desde setembro, pela primeira vez desde a crise de 2008.

Referências:

https://markets.businessinsider.com/news/stocks/fed-repo-operations-explained-what-they-are-and-used-for-2019-9-1028557683?utm_source=markets&utm_medium=ingest#what-are-repos-1

https://markets.businessinsider.com/news/stocks/fed-repo-market-standing-facility-under-consideration-john-williams-2019-9-1028563712

No último dia 19 de outubro o FED fez outra injeção recorde, totalizando $ 205.7 Bilhões de Dólares.

Segundo alguns analistas esta tendência pode levar a um “Crash” no mercado mundial de dólares e em outros mercados.

https://www.en24.news/2019/10/crash-on-the-us-repo-market-new-record-intervention-by-the-fed.html

Traduzindo

O mercado norte americano está fortemente financeirizado, com baixa liquidez e sujeito aos humores do mercado, o sistema já não se sustenta mais em seus níveis de equilíbrio, e pode estourar a qualquer momento. E todas as tentativas de segurar este estouro só vai tornar o problema mais grave.

Somado a isso, o governo americano através do FED está “criando dinheiro virtual” o que leva a queda de confiança no mercado norte americano.

Risco de inadimplências dos fundos estaduais de pensões

Agora entramos em um território perigoso, de acordo com este artigo, a soma dos compromissos de pagamento, passivos, não cobertos pelos fundos de pensão dos funcionários estaduais é de $5 trilhões de Dólares(dados de junho de 2018) , a maioria destes fundos é atrelada ao mercado de ações e mesmo que o mercado continue crescendo, o passivo não tende a diminuir, caso o mercado apenas estabilize, é projetado um aumento de 59% do passivo.

Este cenário ocorre em meio ao maior período de crescimento contínuo da história americana, quando a inevitável contração vier as consequências vão ser duras.

Isto serve de alerta para nós brasileiros dos riscos da chamada “capitalização” das aposentadorias.

Deficits e passivos dos fundos de pensões estaduais

Fonte:http://us.milliman.com/ppfs/

O que levou a esta situação foi a estimativa de que estes fundos de pensão teriam um retorno de 7 a 8% anuais nas suas carteiras de investimento baseadas em títulos e ações.

O impacto de uma quebra destes mercados teriam um efeito devastador sobre a economia americana, tanto devido a perda de renda por milhões de aposentados norte americanos, quanto pelo desequilíbrio provocado, nas contas públicas dos estados americanos.

E não são só as pensões públicas, também as privadas correm riscos, vide caso da GE.

Uma das causas é a lucratividade das ações, como veremos abaixo.

Referências:

http://us.milliman.com/ppfs/

A armadilha do Preço/Ganho das ações

Muitas empresas norte americanas têm-se utilizado da chamada “contabilidade criativa” para manipular o seu verdadeiro valor de mercado: distribuição de dividendos baseados em “mágicas financeiras”, passivos ocultos, mudanças de regime fiscal, custos ocultos de capital e outros truque tem sido utilizados para a demonstração de ganhos elevados e consequente valoração das ações.

Na prática, se levarmos em conta o ano de 2018 podemos ver que o ganho real por ações foi negativo. Estes três artigos demonstram como funciona este sistema:

https://www.forbes.com/sites/greatspeculations/2018/11/19/pe-ratios-are-misleading-especially-right-now/#2a71a80f2281

https://www.newconstructs.com/can-the-market-grow-into-its-valuation/

https://www.newconstructs.com/danger-zone-value-stocks-that-are-actually-expensive/

 

Regras contábeis podem mudar, mudando os ganhos informados sem nenhuma mudança de fato nos ganhos do negócio.

 

O grande número de manobras contábeis tornam fácil para os executivos enganar os investidores.

As taxas de Preço/Ganho das ações negligenciam ativos e passivos que têm impacto material na valorização das ações.

Então não se torna surpresa nenhuma que os ganhos contábeis não tem nenhum impacto na valorização das ações no longo prazo.

Esta tendência continua em 2019, facilitada principalmente pela abundância de capital proporcionada pelo juro zero na região do Euro.

Na parte em que trataremos sobre os chamados “unicórnios” daremos um panorama complementar que deixará claro como a valorização da bolsa norte americana está construindo uma das maiores bolhas de todos os tempos e como isto poderá impactar a economia mundial.

A bomba do Fracking

As empresas que exploram petróleo nos Estados Unidos utilizando tecnologia chamada de Fracking, são um outro ponto de tensão no cenário econômico norte americano.

A crise econômica de 2008 levou a implementação de políticas de juro zero que atrelado aos altos preços do petróleo ajudou a criar esta indústria.

Com o recuo dos preços do petróleo a partir de 2014, a situação começa a ficar insustentável, aí entra o mercado financeiro.

As 60 maiores empresas de exploração e produção nesta área tiveram em conjunto uma perda de $3 bilhões de Dólares por mês entre 2012 e 2017, o que totaliza $180 bilhões de prejuízo.

Uma análise feita pelo gestor de fundos de hedge David Einhorn mostra que 16 empresas desta área, entre 2006 e 2014, gastaram $80 bilhões a mais do que receberam com a venda de óleo.

https://www.nytimes.com/2018/09/01/opinion/the-next-financial-crisis-lurks-underground.html

Boa parte dos financiamentos desta indústria vem dos chamados fundo privados, que na maioria das vezes, não fazem dinheiro em cima dos lucros das companhias, mas sim com transações de compra e venda de empresas e quando ações destas empresas são colocadas na bolsa.

Neste artigo de 2018 https://www.wsj.com/articles/oils-at-70-but-frackers-still-struggling-to-make-money-1526549401

 é claramente demonstrado que estas empresas mesmo com o preço do petróleo a $70 dólares o barril. lutavam para conseguir dar lucro, e apesar disso continuavam a se valorizar em bolsa e conseguir empréstimos.

Cabe destacar que para manter sua soberania energética e influenciar o mercado mundial do petróleo, o governo americano se utiliza de inúmeras manobras que permitem que estas empresas sobrevivam, a despeito de serem inviáveis economicamente.

No caso de uma crise na bolsa, e de uma situação de financiamentos mais escassos, estas empresas tendem a quebrar, impactando a produção de petróleo e gás americana e consequentemente, alterando o balanço das reservas de petróleo economicamente viáveis mundo afora.

A bolha dos Unicórnios – entendendo o problema

Falando em prejuízos e valorização fictícia, vamos para as empresas que segundo nossa análise, são as rainhas absolutas desta tendência, os chamados “Unicórnios” Startups com valor de mercado estimado acima de $1 bilhões de dólares

Desde a crise financeira de 2008, o mercado americano tem sido invadido por dinheiro “barato”, com as taxas de juros tendendo a zero.

Para entender como estas empresas conseguem dinheiro para se financiar é fundamental entender o mercado dos fundos de investimento por trás delas.

Pirâmide??

A maioria das “startups” visa primeiramente crescimento, e não lucro. Nos modelos mais recentes de startups, verifica-se que mais que crescimento, estas buscam a dominância do mercado, visando transformar-se em monopolistas do setor que inauguram.

Para isso necessitam de enormes somas de capital e de investidores dispostos a assumir os riscos, uma vez que vão ficar anos gerando prejuízos. Hoje existem diversos fundos especializados em investir nestes modelos de negócio, um dos maiores é o Vision Fund , ligado ao SoftBank .

A cada rodada de financiamento e conforme o negócio vai se tornando maior e mais dominante no mercado surgem novos investidores, pois a cada rodada de captação a empresa passa a ser avaliada por um valor maior.

Muitos investidores revendem suas cotas iniciais para os que chegam depois, realizando o lucro imediatamente, enquanto outros aguardam o chamado IPO (primeira oferta pública de ações).

Caso seja um sucesso realizam o lucro, caso contrário, tem prejuízo na certa. Há aqueles, porém, que investem logo que o IPO é realizado comprando as ações, no caso do Uber por exemplo quem optou por este caminho perdeu 34% do valor investido.

Para complicar um pouco mais ainda temos a possibilidade de compra antecipada de opções de ações a que tem direito os funcionários destas empresas. Tudo isto gera um mercado complexo e nada sujeito a regulamentações.

Muitas vezes são utilizados por parte dos fundos de investimentos os chamados SPV (Special purpose Vehicles), que tornam a responsabilização e a recuperação de débitos praticamente impossíveis.

O escândalo da Enron em 2001 é a prova que este tipo de veículo pode ser devastador.

Por que o grande capital investe neste modelo

Depois da crise de 2008, o que ocorreu foi uma forte concentração de capital que ela desencadeou. Fundos privados de investimento como o Vision Fund com uma capitalização de $100 bilhões, majoritariamente com dinheiro saudita, somados a um período de taxas de juros baixíssimas, quando não negativas, levou a que este fundos passassem a investir pesadamente no mercado de startups.

Afinal nada mais atraente para o capital internacional do que empresas que vinham atreladas a promessa de virtual monopólio de determinados mercados.

É o chamado Blitzscaling que visa criar monopólios e dominar determinados setores econômicos, com investimentos bilionários e um nível de concentração de renda e poder de mercado impensáveis, nem que para isto seja necessário torrar alguns bilhões no processo.

Estas dinâmicas levaram a inversão do mercado. Antes as Startups competiam pelos investidores, na dinâmica que se estabeleceu, os investidores passaram a competir por elas.

Com isso criou-se um círculo vicioso em que a despeito de práticas de governança corporativa frouxas para dizer o mínimo, e de planos de negócios mirabolantes, estas empresas passaram a ter índices de valorização absurdos, o que atrai mais investidores criando a dinâmica de bolha.

Entendendo o caso WeWork e seus efeitos

A WeWork é uma companhia que foi fundada em 2010 e atua no ramo de locação de escritórios compartilhados para startups de tecnologia e serviços para outras empresas. Hoje é o maior locatário individual de imóveis em Nova York e o segundo em Londres.

As estimativas iniciais do IPO (Oferta inicial das ações na bolsa) eram de $47 bilhões, tendo a Goldman e Sachs falando com alguns clientes que poderia chegar a $65 bilhões.

https://www.latimes.com/business/story/2019-09-11/wework-governance-changes-ipo

A exposição da péssima administração, jogadas que beiravam ao golpismo por parte do CEO (Executivo chefe) Adam Neumann, um plano de negócios irreal, foram fundamentais para a volta atrás em relação ao IPO da WeWork.

http://nymag.com/intelligencer/2019/10/marketing-expert-scott-galloway-on-wework-and-adam-neumann.html

Todos estes escândalos e falta de contato com a realidade faz este mercado parecer com um mero jogo de espelhos e fumaça.

Muitos analistas apostam que após este caso não vão acontecer mais casos como o da WeWork.

https://www.forbes.com/sites/greatspeculations/2019/10/07/the-unicorn-bubble-is-bursting/#47a5dd7a8819

Porém outros apostam que para 2020 haverá grandes IPO’s de startups e que vão render muito dinheiro.

https://www.wsj.com/articles/fear-overtakes-greed-in-ipo-market-after-wework-debacle-11570354200

A grande lição que se tira deste tipo de episódio é de que o capitalismo continua sendo regido pela máxima quanto maior o risco maior o lucro, e que em mercados com cada vez mais capital concentrado, veremos outras aventuras destas acontecerem.

Podem não ser no mercado de tecnologia ou nas chamadas empresas “disruptivas” (que vem para transformar totalmente um segmento da economia), porém veremos acontecer novamente.

Empresas como o Uber, estão no mercado perdendo alguns bilhões por ano e sendo apregoadas como o futuro da economia e da sociedade moderna: https://www.newconstructs.com/uber-gives-investors-the-worst-of-both-worlds/ . Mas a verdade é que a maioria das empresas na bolsa americana estão sobrevalorizadas, em uma economia que basicamente se sustenta pela fé.

Nota importante sobre as estatísticas utilizadas.

Neste texto e no anterior, só levei em conta as estatísticas oficiais do governo americano, se levarmos em conta fontes extraoficiais que levam em conta as distorções induzidas por mudanças metodológicas e outras modificações utilizadas pelo governo americano para maquiar os dados a situação é pior.

Para o PIB teríamos uma recessão contínua desde os anos 2000.

Fonte:

http://www.shadowstats.com/alternate_data/gross-domestic-product-charts

Fonte :http://www.shadowstats.com/alternate_data/unemployment-charts

E para o desemprego teríamos uma taxa de 20,9% em 2019.

Tais variações estatísticas em parte explicam a piora da situação de vida do americano médio, a instabilidade da economia mundial e a necessidade dos EUA de imporem uma financeirização e a criação de uma enorme quantidade de capital fictício.

Também não levei em conta o chamado Shadow Banking (transações financeiras não regulamentadas e que foram uma das causas da crise de 2008), bem como a influência dos mercados ilegais que hoje respondem por uma fatia do PIB global acima de $3 Trilhões de dólares. Considero que estes fatores merecem um texto em separado.

Quando afirmamos que a economia mundial caminha para uma crise, e que esta crise pode desencadear mudanças profundas na história da humanidade, fazemos baseados na perspectiva apontada por dezenas de analistas das mais variadas tendências e não nas “vozes do mercado”, tão comumente ouvidas pelos veículos de imprensa do Brasil e que fazem a cabeça de gente descolada da direita a esquerda da classe média. Pois sabemos que economistas de corretoras tem profundo interesse de que suas profecias se auto realizem. Mas é certo também, que vão se declarar “surpresos” quando acontecer uma quebra da economia brasileira. Declaro sem medo de errar que estas pessoas não estarão entre os perdedores da crise.

Por “Caos Soberano“, analista de cibersegurança e tecnologia

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