Revolução democrática para vencermos a guerra híbrida

Por Wellington Calasans, para o Duplo Expresso

Os primeiros efeitos visíveis da guerra híbrida contra o Brasil, com maior intensidade dos ataques nos últimos quinze anos, nos permitem refletir sobre os caminhos a seguir. Como os objetivos maiores dos piratas das nossas riquezas ainda não estão consumados na sua totalidade, mas já sabemos quem são eles e o que querem, chega o momento de convocarmos os brasileiros (dentro e fora do país) e também cidadãos com empatia com o nosso povo e preocupados com os rumos da nação para que possamos vencer esta guerra.

Ultrapassada a fase de ser rotulada de “teoria da conspiração” toda e qualquer menção à interferência dos EUA e do capital financeiro no nosso país, tendo como exemplos recentes a falsa preocupação com as democracias no Iraque, Líbia, Síria, Venezuela, etc. e a blindagem da Arábia Saudita, nasce uma consciência política respaldada em histórias reais e é invocado o nosso papel de nacionalista para a cobrança de uma postura semelhante a partir dos representantes que atualmente ocupam os poderes constituídos brasileiros.

A cooptação de células brasileiras (por diferentes razões e de diferentes maneiras) foi parte da estratégia traçada pelos invasores. É inquestionável que os poderes executivo, legislativo, judiciário e instituições diversas, sobretudo as Forças Armadas, estão infestados de traidores lesa-pátria, cooptados e treinados para dar ares de normalidade à espoliação das nossas riquezas e destruição do estado social. Esta constatação é suficientemente forte para respaldar e empoderar, individualmente e coletivamente, todo cidadão que luta pelas soberanias nacional e popular.

Por mais que esteja a ocupar cargos e postos estratégicos, o criminoso lesa-pátria é um criminoso que está a violar o pacto social, firmado através da nossa Constituição Cidadã de 1988. Por isso, no lugar de escrever uma nova Constituição, neste ambiente de ocupação, precisamos lutar para que a atual Constituição seja respeitada. Há nela, inclusive, impedimento às práticas daqueles que atuam contra os interesses do Brasil e dos brasileiros.

Após inúmeras conversas, leituras e debates com e sobre nacionalistas e amantes da democracia (dentro e fora do Brasil), percebi que temos sido induzidos ao erro de criticar a nossa Constituição. Frases como “a nossa Constituição foi rasgada” ou “Constituição? Que Constituição?” têm sido repetidas como desabafo, mas sem nenhuma reflexão sobre as consequências por praticamente todos nós. Identificar o nosso erro é importante passo para a reversão do êxito já atingido pelos feitores da guerra híbrida contra o Brasil.

Se para muitos o Brasil é hoje uma ditadura (e – em certa medida – esta afirmação é correta), voltemos ao final da última ditadura e veremos que o marco da democracia é exatamente o surgimento da Constituição. Ora, se a foi ela (a Constituição) que conseguiu fazer adormecer um regime que o brasileiro repudiou por décadas, está aí a razão que motiva os invasores (através da cooptação de quadros nacionais) a atacá-la e nos convencer de que a nossa Constituição não serve para mais nada.

Numa viagem um pouco mais distante, vamos ao 10 de Dezembro de 1948. Naquela data, na cidade de Paris, estavam abertas as feridas de uma guerra que impactou todo o planeta. Naquela época o que entendíamos como guerra era inovado pelos métodos: novas armas, novas práticas genocidas, oportunismo comercial, etc. Foi naquele ambiente de escombros, onde nações e povos estavam devastados, que foi pensado um novo caminho que culminasse com a consolidação de garantias à dignidade humana, indiscriminadamente.

De volta ao Brasil, como parte da minha análise sobre as primeiras sequelas desta guerra híbrida em curso, devemos recordar que através das telas da TV, reportagens de jornais, rádios e nos atos de banalização do outro, expressões como “bandido bom é bandido morto!” foram aos poucos ganhando espaço. Os cidadãos sequer davam conta de que esta reação era algo plantado contra eles mesmos, na medida em que o debate sobre “o que leva alguém à criminalidade” era abandonado.

Com isso, os direitos humanos – para o deleite do capital internacional – passaram a ser vistos como um “prêmio de bom comportamento” concedido aos assimilados. Temos que admitir que foi uma estratégia inteligente dos invasores, pois eles tiraram o nosso conceito de conquista democrática (obediência ao pacto cidadão pela via da Constituição) e nos levaram a pensar que a nossa liberdade era através do sentimento de vingança ao outro. Daí a necessidade de lembramos que a nossa Constituição é chamada de “Cidadã”, exatamente porque já havíamos percebido que a empatia é o maior obstáculo às mazelas introduzidas pelos invasores.

Uma reflexão isenta permite que cheguemos a um quadro de alerta sobre o modus operandi de alguns brasileiros nas duas últimas décadas. Tarso Genro, Dilma Rousseff, José Cardozo, Rui Falcão, Wagner Freitas, Sérgio Moro, Deltan Dallagnol, Michel Temer, Randolfe Rodrigues, José Serra, FHC, Pedro Parente, Jair Bolsonaro e o seu vice Mourão são apenas alguns nomes nesta lista (composta por centenas de nomes) de brasileiros que atuam em oposição aos interesses do Brasil e do nosso povo.

A Constituição do Brasil é um documento que consolida os Direitos Humanos e a dignidade da pessoa humana, e apresenta estes direitos como fundamentos do Estado Democrático de Direito. É fruto de uma verdadeira luta contra o autoritarismo do Regime Militar iniciado em 1964. Por isso, a defesa dos princípios democráticos deve ser a luta de todo brasileiro. Esta é a verdadeira “pedra no sapato” dos artífices da atual guerra híbrida. Por parecer simples, esta iniciativa é – do ponto de vista estratégico – a mais plausível.

 

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Wellington Calasans

Jornalista, Radialista, Ativista Político, Sonha com um Brasil parecido com a Suécia e uma Suécia com o sol do Brasil, o sonho é livre.