#LulaVivo – por que devemos seguir lutando pelo “cara”

“Minha percepção do governo Lula”

Por Patrícia Vauquier*, para o Duplo Expresso

No final de 2002, o presidente Lula foi eleito pelos brasileiros em meio a uma enorme crise que o país mergulhara durante os 8 anos do regime do PSDB. Lembro muito bem dessa época. Para pegar ônibus era necessário toda uma logística: não sair com relógio no pulso, o dinheiro do ladrão num bolso, cópia autenticada de documentos e uma mochila velha sem nada de valor dentro. Proibido sair com tênis de marca, anel, pulseira, colar ou brinco dourado, qualquer coisa que parecesse valiosa. Fui roubada toda vez que esqueci de tirar o relógio, impossível andar de bicicleta de marcha Aluminum na rua, ou ainda andar por rua deserta principalmente depois de uma determinada hora.

Na faculdade, o pessoal da engenharia ia fazer estágio nas consultorias ou ia trabalhar no mercado financeiro, já que o mercado de trabalho era meio limitado na construção civil. Para a arquitetura era bem mais difícil. Quando o estágio era remunerado, a remuneração variava entre 0,50 centavos a 2 reais a hora de maneira completamente informal. Para trabalhar num grande escritório de arquitetura, era preciso ter pai e mãe que pudessem arcar com as despesas de transporte e alimentação.

Durante todo o período da faculdade trabalhei em tudo menos com projetos de construção. Engraçado que, junto com a eleição do presidente Lula, veio meu primeiro trabalho como gerenciadora de obras. Era arquiteta autônoma, uma prestadora de serviços disfarçada de assalariada para os clientes; mesmo a situação sendo precária, era o setor que queria.

Aos poucos o mercado da construção conhecia um crescimento que há muito não se via. Aliás, essa foi uma das razões da minha contratação como gerenciadora de obras: faltava mão de obra especializada no mercado, o que abriu as portas para as mulheres nos canteiros, meio essencialmente masculino até então.

Além desse crescimento do mercado da construção civil, a vida nos transportes públicos ficava mais tranquila: era possível se arriscar com alguma bijuteria, o relógio, tênis, sem deixar os reflexos de vigilância que a gente adquire pra toda vida… Mas, no geral, era permitido andar com uma certa liberdade na rua, sem ser sistematicamente assaltado.

A vida nas universidades melhorava também. Ingressei no mestrado no final do primeiro mandato do presidente Lula, e as bolsas de estudo que antes eram disputadas a tapa tornavam-se disponíveis para todos. Todos os meus colegas de pós-graduação foram aprovados nos concursos para professores nas várias universidades federais criadas Brasil afora pelo presidente Lula, que também viabilizou vários programas de mestrado ou doutorado pleno ou sanduíche no exterior, além da verba para divulgação de pesquisas e participação em congressos internacionais.

A construção crescia em todas as frentes: várias obras de infraestrutura por todo território nacional, diversos empreendimentos habitacionais, comerciais e industriais. Sem contar a preparação da infraestrutura para receber os grandes eventos esportivos. Em 2007 o Brasil sediou os Jogos Panamericanos, em 2014, a Copa do Mundo e, em 2016, as Olimpíadas. Nenhum outro país do mundo conseguiu uma sequência de eventos esportivos desse tipo.

Um dos fatos mais marcantes aconteceu em 2008 quando a Petrobras anunciou a descoberta do Pré-sal, a maior reserva de petróleo já descoberta nas últimas décadas. O Brasil estava no caminho que lhe pertence: uma grande nação.

Ainda houve a política externa “altiva e ativa” consagrada pelo chanceler Celso Amorim e pelo Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, ambos sob a batuta da “diplomacia presidencial” daquele chamado até mesmo pelo então representante do Império de “o cara”. Exportaram o softpower brasileiro no mundo todo.

Na área cultural, uma infinidade de filmes de excelente qualidade jamais vista, saindo do circuito tradicional das grandes produtoras. E mais democratização, com critérios de diversificação sócio-temática e regional em editais do MinC/ ANCine e os “pontos de cultura” espalhando-se pelas periferias, por exemplo.

Tenho plena consciência das melhoras sociais e econômicas que testemunhei na sociedade como um todo durante o período de governo dos presidentes Lula e Dilma. Também sei que mais de 60% da população brasileira pensa como eu e queria o presidente Lula de volta em 2018. E por isso temos que lutar pela vida e pela libertação do presidente Lula, pois é ele quem representa os anseios de todos nós, brasileiros.

Liberdade a Lula, preso político.

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*Patrícia Vauquier é arquiteta brasileira residente na França, mestra em Engenharia Civil, doutora em Administração de Empresas e comentarista de infraestrutura do Duplo Expresso às quartas-feiras.

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