O.V.O.N.I. – Oligarquias Velhas Onerando Novos Incautos

Por Piero Leirner, Paulo Follador e Carlos Krebs, para o Duplo Expresso:

Trata-se de uma história real, mas os nomes foram parcialmente alterados para preservar a memória das (futuras) vítimas…

* * *

O Brasil exerce uma atração absurda a exploradores gananciosos e, volta e meia, é alvo da cobiça de povos e mentes pouco preocupados com o desenvolvimento local. Uns dizem que os vikings seriam os primeiros a nos explorar, por volta do século X, mas parece que Erik não conseguiu levar aos nórdicos o sol que aqui encontrara. Outros idealizam os longos navios chineses serpenteando em nossa costa, décadas antes de Cabral e suas naus.

O que é certo é que quem aqui estava, parecia ser explorado antes mesmo de ser “descoberto”. Depois de Portugal fincar bandeira, os degradados e uma elite instalada não pouparam esforços em administrar a miséria da patuleia, maximizando a posse das riquezas para si e oferecendo o mínimo para quem aqui vivia. Não satisfeitos com o ritmo da produção, trataram de importar mais matéria-prima para lhes fornecer riquezas.

Quando os escravos vindos ameaçavam transformarem-se em uma população livre de um país vasto, trataram de importar novos miseráveis. Agora, vindo oferecer preenchimento do território, segurança dos limites geográficos do pirão de quem pagava e uma expertise de produção baseada na sobrevivência contra a fome. Contra os piores prognósticos, crescemos e melhoramos ao longo de nossos quase dois séculos de “independência”, embora continuemos servindo de paraíso da rapina para essa elite que controla a população e trabalha…, quer dizer…, gerencia os interesses de quem pagar a melhor comissão. O importante é seguir a vocação de servir ao lucro!

Mas esse povo daqui é indolente. Criou vícios. Tem preguiça em servir aos mesmos de sempre. Há uma malemolência que chicote algum é capaz de curar. Haja fé e escritura para dizer o que fazer aos cordeirinhos, para que sigam ruminando e engordando e indo para o abatedouro. É dada a hora de dobrar de vez esses insolentes… Para que se faça o butim completo será necessário utilizar a velha fórmula secreta: o fato novo! Para impedir que essa ameaça vermelha personificada em um encarcerado possa servir de pólvora à população, apenas a força de algo extraordinário…

Imagem esq: “Ovni na Ilha de Trindade – RJ” por CC Almiro Baruna (1958) | imagem central: “A Noite dos OVNIS”, recorte de matéria do Jornal Folha de São Paulo (1986) | Logotipia do Partido OVONI (2018)

A salvação do continuísmo inaugurado no colonialismo, e que passou por Império, velha e nova Repúblicas, e o imperialismo atemporal virá de fora. Realmente de fora. Da boca para fora, para ser mais preciso.

Aos daqui, parecerá algo do espaço sideral. Algo fora dos padrões. Um novo esporão oferecido como um acordo espontâneo. Talvez você que esteja lendo nem se lembre, mas isso já foi apresentado na televisão. E já fizeram até uma refilmagem desta história. A ideia do lobo em pele de cordeiro que chega para ajudar-nos a fazer o que nunca conseguimos antes: o ovo estrelado com a gema mole e a união entre os povos.

Montagem da logotipia do partido OVONI com o elenco da série original estadunidense “V: The Final Battle” (V – A Batalha Final), de 1984.

Algo tão ousado e que nunca ninguém antes na história desse país teve o oportunismo de empreender. Não o empreendedorismo tido e havido como a melhor opção da sociedade capitalista. Na verdade, estamos assistindo o empreendedorismo dentro do Estado: Por que não eliminar os intermediários entre quem manda e quem cumpre? Por que não parar com esta estratificação entre poderes e passar a uma república de um só poder – o econômico?

Al-Moeda é o “plano B” para Bozonazi?

De forma sutil (mas muito bem coordenada), esse ser infinitesimal chamado João Al-Moeda começou a aparecer de forma mais constante nas redes sociais. A favor e contra; e isso não vem do nada. Com a inscrição efetivada no Tribunal Superior Eleitoral – TSE, e a campanha liberada, ele começou a fazer o seu meio bilhão azeitar a propaganda. Sua estratégia é igualzinha a daquele outro candidato – Bozonazi: atuar via Facebook e WhatsApp. A partir de sondagens e pesquisas, sua campanha detectou que ele “poderia vir a ser” a primeira opção de uma fatia considerável dos eleitores do mitômano “se” ele tivesse chance. Além disso, Al-Moeda abocanha uma outra fatia do eleitorado, que ama o programa do Bozonazi, mas não vota nele justamente pelas suas características, digamos, “pessoais”. Há gente também que votaria nele como uma alternativa ao candidato do PSDB – visto como um “espelho da direita” do petismo.

Observando-se a plataforma do OVONI vê-se um conjunto de platitudes que promete a transformação do país em uma nação liberal europeia em quatro anos. Nossa alma vai mudar. Mas é construído em um tom não-provocativo, soft.

A palavra “política” não faz o menor sentido ali, pois ele não mostra, enfim, como devemos negociar com o Brasil real, com o Congresso, com os poderes locais. Por isso mesmo fui procurar outra fonte, e saber como o Al-Moeda responde de bate-pronto às questões que são colocadas em seu programa de governo. Sua entrevista ao jornal Ó País, Ó é um corolário de pérolas… A começar pelo seu PROJETO (não se chama mais “programa de governo”; é “projeto de país”), praticamente idêntico ao de Bozonazi, como poderão ler neste breve resumo:

Capa da entrevista analisada, com destaque para a postura antológica do candidato do OVONI.

Nove pérolas de Al-Moeda e uma observação

1) Sobre como vai lidar com o (velho) Congresso:
– “Vamos usar o ativismo das pessoas, que está muito mais presente, seja indo pra rua ou nas redes sociais.”
Ou seja, vai fazer pressão através do Facebook e WhatsApp. Isto é um desdobramento direto de suas deficiências, e resultado do modo como ele pretende articular sua campanha. Podem esperar que ele vai invadir o território ocupado por Bozonazi nesse quesito.

2) Sobre diminuir o poder de oligopólios:
– “Pregamos a concorrência. Eu sou a favor da privatização do Banco do Brasil e da Caixa, mas não quero que sejam vendidos para os grandes bancos que estão aí.”
Não é lindo imaginar que até mesmo a quitanda da esquina vai poder comprar o BB? Ele provavelmente vai pulverizar as ações desses bancos, mas direcionar quem o controlará. Não espere aqui qualquer uso dessas instituições para aumentar a concorrência e diminuir o spread, responsável direto pelos “63 milhões de endividados” que se tornaram o mote do Cinco Gomes.

3) Então, sobre os juros e spread bancário:
– “Agora, o próprio consumidor deve tentar pegar menos dinheiro emprestado.”
Ele acha que diminuindo o imposto da cachaça vai sobrar dinheiro e ninguém precisará ir aos bancos. Mas ele sabe que quanto mais se tem, maior é a dívida, certo? Qualquer banqueiro sabe disso. Por isso mesmo ele não fala uma linha em forçar a redução do spread. Esse é o sinal para o “mercado” que nada mudará. Ele diz que não tem nada a ver com bancos (alega até que isso é uma questão de caráter, mas não deixa claro se é por ter ou não). Só que o dinheiro da sua campanha vem, direta ou indiretamente de lá. Que fique claro que o liberalismo pregado por essa gente é bem diferente daquele dos Estados Unidos, a começar pelo papel do crédito. Diga-se de passagem, essas propostas em nada diferem das do economista do Bozonazi.

4) Sobre a questão da segurança:
– “O último ponto, que não vai resolver o problema da segurança como um todo, mas que é importante dentro do critério das liberdades com responsabilidades, é liberar o porte de arma, indo contra o Estatuto de Desarmamento.”
Lembra alguém? Aliás, nesse quesito ele manda especial recado ao setor ruralista, principal base de apoio do mitômano. Armar o campo (e se possível produzir uma guerra civil lá) é sua prioridade número 1.

5) Pergunta: o Brasil tributa muito o consumo e o setor produtivo, mas taxa pouco a renda, patrimônio e herança. Mudaria esta lógica, aumentando impostos para os mais ricos?
– “Eu iria então na linha de tributar um pouco mais a renda e menos o consumo e quem está investindo.”
O meteoro cairá em cima de quem? Do assalariado, que no Brasil entende-se por “renda”. Note-se que ele vem do setor em que investimento é papel, e esse continuará sem tributação (leiam no projeto de país do OVONI). O ponto é que esse sujeito não se refere àquela parcela do PIB que se chama de “investimentos”: infraestrutura e bens de capital. Como todo (ex-)banqueiro, ele acha que “investimento” é atrair dólares da Ilhas Maurício para fundos de capital geridos por corretoras. Quando ele fala de infraestrutura, ele fala em “parcerias”. Mas se ao mesmo tempo ele não quer mais “as campeãs nacionais” (assinala que terminará o serviço de Curitiba e acabará com elas), então cabe a pergunta: Quais empresas teriam capital suficiente para levar a cabo um projeto “chinês” de modernização? A resposta está na própria pergunta…

6) No desdobramento da pergunta anterior, Al-Moeda foi questionado se aumentaria a alíquota do Imposto de Renda. Lembram do Mário Amato, que afirmou em 1989 “800 mil empresários vão embora se o Lula ganhar”? Ganhou versão “nova”:
– “O que a gente já viu (foi) o seguinte, países que fizeram um aumento muito forte dos imposto para patrimônio acabaram expulsando aqueles que poderiam estar gerando riqueza”.
Alô classe média: A conta vai para você. Do pobre não tem mais o que tirar. Sua função justamente é a de apavorar quem ainda tem um pouco.

7) Numa pergunta sobre serviços públicos, ele afirma:
– “Mais do que o Estado mínimo, a gente prega o cidadão máximo (…). Agora, ele não precisa estar entregando correspondência, administrando instituição financeira ou cuidando da nossa poupança. E o Estado pode prover esse serviço mas não necessariamente administrá-lo”.
Assim, ao invés de formar quadros próprios, abre-se a oportunidade para usar o famoso “banco de talentos” e as “consultorias privadas”, tão em voga em algumas administrações do país pós-2016.

Na sequência, ele responde:
– “Para resolver o problema de alimentação, o governo poderia ter feito uma rede de supermercados públicos, a licitação da empreiteira e para compra de material, um concurso público para contratar os caixas…”.
Por favor, tem que escolher meu caro: Correio ou Supermercado?

8) Sobre políticas públicas no que tange a segurança por igualdade/liberdade de gênero, em especial para as mulheres:
– “Se uma mulher foi agredida na rua, ela tem que ter o mesmo direito do homem que foi agredido. Não cabe ao Estado separar a sociedade em grupos pelas preferências sexuais, cor da pele… Se as empresas estão pagando salários diferentes, não cabe ao Estado interferir nisso. Algum motivo deve ter, cabe entender essa dinâmica. Mas o risco de aprovar uma lei que determina salários iguais é que algumas mulheres acabem desempregadas”.
É igualzinho ao ponto no qual Bozonazi polemizou. Não precisa-se repetir um problema de premissa aqui: não é o Estado que separa quando reconhece; o Estado reconhece justamente porque está separado. É ele que tem que garantir a “igualdade” compensando o que de partida é desigual. Qualquer liberalismo europeu reconheceu isso desde o século passado. Seja como for, por enquanto, as mulheres ainda não perceberam isso.

9) Ele deve ser filho ou neto de imigrantes em algum ponto de sua genealogia, mas pelo visto, esqueceu:
– “Como o Brasil é um país pobre, provavelmente alguns brasileiros ficarão sem comer para pagar a conta de algum venezuelano que está entrando. Não podemos perder isso de vista. O Estado não gera recursos de graça”.
Quantos brasileiros ficaram sem comer com a chegada de italianos, alemães, poloneses, japoneses, etc? Vamos lembrar que nessa época eles eram os desdentados da vez. E, dentro da mesma lógica, poderíamos questioná-lo também que, com o número de brasileiros vivendo na Venezuela, quantos venezuelanos deixam de se alimentar por causa de nossos cidadãos por lá.

A observação, para constar: Todas essas pérolas propostas são defendidas pelo Bozonazi. Ou seja, se é assim, que se vote no original. Mas não será isso o que virá. O tal “mercado” sabe que Bozonazi é “biruta”, no duplo sentido da palavra. No literal, se der muita pressão de um lado, ele vira para o outro. No figurado, sabem que na menor mudança de humor, ele pode defender-se soltando veneno, e que fará um governo sustentado só por três setores, o Exército, boa parte do judiciário e o agronegócio (aquele que quer transformar o PT nas FARC). Ele aposta que, com essa coalizão, ele não precisará de Congresso. E que vai jogar numa chave de maior pressão ainda do jurídico em cima dos políticos.

Por isso essa ideia de aumentar o supremo para 23 togados. É a real “bancada da Lava-Jato”. Aquela que começará a “colher” as “provas plantadas” (apud Sergio Moro) sobre 2/3 do Congresso. Nem o senador improvável conhecido como Harry Potter do Congresso será capaz de uma magia para escapar. Quem ainda acredita que Brasília já não detectou isso? Por que será que nenhum político quis pegar a vice?

Nesse sentido, alerta-se: Ao menor sinal de “valorização” de Al-Moeda nas pesquisas, veremos o ataque especulativo acontecer. É pouco seguro, mas se der brecha será por aí que o “mercado” desidratará Bolsonaro e porá seu garoto lá.

É notório que com O candidato pessedebista, embora tenha tempo de televisão, não vai ter ninguém no palanque. Já precificaram isso semana passada rompendo a barreira de R$4,00 por dólar. É um equilíbrio instável, um jogo arriscado. Muito melhor para o tal “centão” fazer um jogo de ganha-ganha, e usar a tática da “pinça” (apud Romulus Maya): Vai ao mesmo tempo subir nos palanques do PT (no Nordeste) e do OVONI (no resto do país). É o esforço desse deputado, desse prefeito, que se converte em voto. Enfim, os analistas de cenários econômicos devem estar quebrando a cabeça nesse momento: Será que Al-Moeda desidrata Bozonazi a ponto de deixar o candidato pessedebista levar vantagem? Vejam o que seria, por exemplo, um cenário com Picolé de Chuchu 13%, Al-Moeda 12%, Bozonazi 11%. Aposta-se que esse seria o mais anil céu de brigadeiro do “mercado”…

Candidato do OVONI apresentando seu “Projeto de País” e a plataforma do partido.

 

Breve Genealogia Familiar (compilação do sociólogo Profº Ricardo Costa de Oliveira – UFPR)

Genealogia política dentro do Estado do candidato neoliberal João Al-Moeda, filho de Armando Rocha Al-Moeda, médico radiologista pediátrico e funcionário público federal do Pará, mas radicado no Rio de Janeiro, e de Maria Elisa Souto Filgueira Barreto Al-Moeda, cuja família é citada nas conexões plutocráticas do Panama Papers e faz parte das principais oligarquias políticas familiares do Rio Grande do Norte. O casamento de Armando Rocha e de Maria Elisa foi no Mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro em 1961, tendo o ex-presidente e senador Juscelino Kubitschek de Oliveira e sua esposa, como padrinhos da noiva.

João Al-Moeda é neto materno de Ciro Barreto de Paiva, advogado, grande empresário nos ramos da hotelaria, construção civil e investimentos no RN e no RJ e de Maria Luiza Souto Filgueira Barreto. Ciro Barreto também foi funcionário público e começou a sua escalada quando foi presidente da Caixa de Aposentadoria e Pensões dos Servidores Públicos no Rio Grande do Norte. Ciro Barreto de Paiva era filho do desembargador Horácio Barreto de Paiva Cavalcanti, presidente do Tribunal de Justiça do RN e de Ubaldina Diógenes Barreto, neto do cel. João Bernardino de Paiva Cavalcanti, deputado estadual e de Inácia de Albuquerque Barreto de Paiva, das mais antigas oligarquias familiares do Nordeste.

O candidato presidencial João Al-Moeda é bisneto (o pai da avó materna) do também desembargador João Dionísio Filgueira, de quem herda o nome, ex-presidente do Tribunal de Justiça do RN, ex-deputado estadual, vice-governador do RN, e que assumiu o governo várias vezes e de Eliza Souto, ambos também das antigas oligarquias políticas da região.

Os irmãos da mãe (seus tios maternos) são todos importantes na política regional: Luiz Sérgio Souto Filgueira Barreto foi presidente da CIDA (Companhia integrada de Desenvolvimento Agropecuário) e casou com Aldanira Ramalho Pereira, filha do governador do RN, Radir Pereira. Alvaro Alberto Souto Filgueira Barreto foi presidente da Associação Brasileira de Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança, suplente do senador Agripino Maia. Depois, ainda, esteve na Companhia Hipotecária Brasileira. Elias Antonio Souto Filgueira Barreto casou com Luciana Pessoa Queiroz, da família do ex-presidente da República Velha, Epitácio Pessoa. Uma das lojas mais luxuosas e caras em Natal é de Tereza e de Maria Isabel Tinoco Souto Filgueira Barreto, a Bebel, da loja Espaço Tereza Tinoco, esposa de Mario Roberto Souto Filgueira Barreto.

Como podemos constatar por esta breve análise genealógico-política, trata-se de mais uma das típicas famílias brasileiras do poder regional incrustadas historicamente no Estado ao longo dos séculos. Desde antepassados na grande propriedade rural escravista do Antigo Regime, fazendo política o tempo todo dentro do extrativismo estatal, sempre usando o Estado e os cargos públicos ao máximo para enriquecerem e concentrarem renda. Assim. estes próceres estão cada vez mais ricos. No caso de João Al-Moeda, este declarou patrimônio de R$425 milhões, com aproximadamente R$220 milhões em aplicações ou fundos de renda fixa.

Não é irônico? Para quem acredita na força do “mercado” e na sua capacidade de regular-se, parece estranho a opção de preterir o investimento em títulos mobiliários (ações, opções de ações, fundos imobiliários, etc.) e lastrear seu patrimônio monetário em fundos públicos ligados ao mesmo Estado que querem diminuir para os outros. Tudo para apregoar o (Estado) mínimo para os trabalhadores pobres e as maiorias historicamente excluídas da cidadania – os sem educação, saúde, segurança, justamente pela ação dessas oligarquias políticas familiares do atraso político e do neoliberalismo promotor de desigualdades sociais.

Capa da revista “O Malho”, edição alusiva ao aniversário de quinze anos da Proclamação da República, nº 113 (1904).

Breve Genealogia Financeira

Esta genealogia começa com Fernão Carlos Botelho Bracher. De diretor da estatal Banco da Bahia, ele passou a vice-presidência do Grupo Atlântica-Boavista de Seguros (famosa patrocinadora da Geração de Prata do Voleibol Masculino Brasileiro), depois foi vice-presidente do Banco Bradesco, até ser guindado à condição de diretor do Banco Central do Brasil. Na reabertura democrática experimentada durante o governo José Sarney (Nova República), foi nomeado presidente da instituição em 1985, sendo um dos responsáveis pela idealização do Plano de Privatizaçao das Empresas Estatais Brasileiras. Ao deixar o governo, criou o próprio banco com Antônio Beltran Martinez – o BBA, em parceria com o banco austríaco Creditanstalt. Na sua equipe, desde 1988, estava o atual presidenciável João Al-Moeda.

Com a posse de Fernando Collor em 1990, é promulgada a lei que institui oficialmente o Programa Nacional de Desestatizações delineado no governo anterior. No ano seguinte, Armínio Fraga é designado para a Diretoria de Operações Internacionais do Banco Central e, coincidentemente, autoriza apenas o BBA a abrir uma filial nas Bahamas que coordenasse a criação de um consórcio transnacional de bancos e investidores que investiriam na compra das estatais brasileiras a serem privatizadas. O processo de impeachment do presidente Fernando Collor freia o processo em 1992, que é retomado em 1993. O vice-presidente Itamar Franco toma posse e nomeia Fernando Henrique Cardoso como ministro da Fazenda, e este nomeia Gustavo Franco primeiramente secretário da Política Econômica e, posteriormente, presidente do Banco Central do Brasil.

Com a eleição de Fernando Henrique Cardoso à presidência e sua posse em 1995, Pedro Malan como ministro da Fazenda capitaneia a privatização em massa das empresas brasileiras, operacionalizado pelo BBA de Fernão Bracher e João Al-Moeda. isso alavancou quase R$80 bilhões aos cofres públicos do país durante os dois mandatos de FFHH, embora a dívida pública tenha saltado de U$269 bi em 1996 para U$881 bi em 2002. Nesse mesmo ano, João Al-Moeda, que passara de gerente comercial do BBA ao posto de gestor da financeira do BBA, a Fináustria (e tendo quase um quarto de suas ações), vendia a empresa por quatro vezes seu valor patrimonial ao… Banco Itaú.

Como o mundo financeiro é muito pequeno, coincidentemente o Itaú fora a instituição responsável pelo maior número de aquisições de bancos públicos: Banestado (PR), BANERJ (RJ), BEMGE (MG) e BEG (GO).

A dobradinha Bracher | Al-Moeda segue firme, com o primeiro na vice-presidência do Conselho Diretor do Itaú, enquanto o segundo era nomeado como vice-presidente do Unibanco. Em 2005 o Unibanco também é adquirido pelo… Banco Itaú. Em 2008, João Al-Moeda assume a direção do Conselho Diretor do Itaú e Fernão Bracher a vice-presidência da instituição. Em 2015, João Al-Moeda deixa o cargo administrativo no Itaú e assume uma nova função corporativa: a busca pela eliminação dos intermediários no poder do país, assumindo a presidência do OVONI, e mirando a presidência da República.

Este partido político, segundo dados do TSE, tem na sua fundação uma participação societária entre Al-Moeda, Fernão Bracher, Jayme Garfinkel, Carlos Alberto Veiga Sicupira, Pedro Sales e Eduardo Mazzilli, todos executivos do Banco Itaú. Além destes, o homem considerado por muitos um funcionário preposto de George SorosArmínio Fraga.

Em 2018, Al-Moeda deixa a presidência do partido para candidatar-se à presidente da República. Quem assume em seu lugar é Moisés dos Santos Jardim, que também é o atual diretor-executivo do Setor de Financiamentos e Hipotecas do… Banco Itaú.

 

Um lembrete…

Cuidado com os candidatos que assumem o discurso de como o Estado brasileiro onera (sic) o povo. Talvez, como já alertou a economista e doutora em Políticas Públicas – Ceci Juruá –, ele seja uma das bocarras de quase metade do que o governo arrecada e transfere diretamente para o pagamento do mercado especulativo de juros no país. Na verdade, seus impostos sustentam mesmo é esse monstro faminto que nunca está saciado. Quantos cordeirinhos ele terá de devorar até darmos um basta?

 

 

 

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