Resposta à carta de Celso Amorim publicada pela Carta Capital

Da Redação do Duplo Expresso,

Alguns políticos brasileiros (com ou sem cargo) não têm a menor noção do esforço que os brasileiros no exterior fazem para que encontros, eventos, etc. em defesa da democracia sejam realizados. Como não poderia deixar de ser, sempre é mais fácil, e sempre sobra dinheiro, para eventos de entreguistas e vendilhões.

Como demonstração de que não trabalhamos como assessoria de imprensa de políticos ou partidos nas nossas publicações, o Duplo Expresso divulga este texto em que membros do Comitê Parisiense de Solidariedade ao Lula e a Democracia brasileira “dão um ‘pito” no ex-chanceler brasileiro Celso Amorim.

“É com imensa satisfação que lemos na Carta Capital a carta que o Sr. Celso Amorim escreveu ao Lula, tornando público o quanto foi produtiva a recente viagem pela França.

Incontestável o valor de ter encontrado personalidades com os chanceleres Dominique de Villepin e Hubert Védrine, para não citar mais que dois; além de contatos com partidos amigos do PT, do qual temos relações formais.

Lamento somente o fato que o Comitê parisiense de Solidariedade ao Lula e a Democracia brasileira não foi citado no rol dos encontros, tendo em vista que seria importante destacar o papel da militância organizada, e que neste caso é encabeçada pela militância petista.”

Leia a seguir a íntegra do manifesto:

Por Carla Sanfelici e Patrícia Vauquier

É com imensa satisfação que lemos na Carta Capital a carta que o Sr. Celso Amorim escreveu ao Lula, tornando público o quanto foi produtiva a recente viagem pela França.

Incontestável o valor de ter encontrado personalidades com os chanceleres Dominique de Villepin e Hubert Védrine, para não citar mais que dois; além de contatos com partidos amigos do PT, do qual temos relações formais.

Lamento somente o fato que o Comitê parisiense de Solidariedade ao Lula e a Democracia brasileira não foi citado no rol dos encontros, tendo em vista que seria importante destacar o papel da militância organizada, e que neste caso é encabeçada pela militância petista.

O comitê foi impulsionado pelo núcleo do PT, no dia 6 de abril de 2018 com a presença do companheiro Luiz Dulci, e desde então temos programado um evento atrás do outro.

O comitê parisiense de solidariedade ao Lula, além de ser extremamente ativo logrou juntar forças políticas francesas, associativas e também latino-americanas.

Na origem temos o núcleos do PT, seguida da adesão do PCF, da França Insubmissa, do Partido Operário Independente, da Fundação Jean Jaurès, do Coletivo Alerta França Brasil, do Comitê Internacional pela Anulação do Impeachment, da Associação França-Cuba, da Associação France América Latina, da Associação ACAF ( Assembleia dos Cidadãos Argentinos residentes na França), do Coletivo de Equatorianos Revolucionários ( próximos de Rafael Correa, com o qual estamos organizando a vinda do mesmo, a Paris, no mês de agosto, conferência para tratar do caso de Glass, do próprio Correa e do Lula), do Comitê de Eleições de Petro e de MORENA Francia.

Desde a fundação do comitê parisiense, no dia 6 de abril, com sala cheia, temos seguido uma agenda intensa e com publico cativo. Dia 8 de abril organizamos uma manifestação na praça da República com mais de 200 pessoas (o atlântico no separa do Brasil e esta quantidade de participantes é mais do que louvável); dia 16 um debate com a presença do Embaixador da Venezuela na França, para tratar da questão geopolítica do golpe brasileiro e a relação que existe com este pais; dia 23 uma manifestação nas imediações da Embaixada brasileira, com a intervenção dos Responsáveis de Relações Internacionais dos partidos franceses que integram o comitê; Dia 1 de maio desfilamos no tradicional cortejo do dia do trabalho, junto com latino-americanos, dia 2 de maio houve um encontro com um ex-ministro próximo de François Hollande e atualmente deputado, Sthephane Le Foll, (que desde então tem intervindo junto ao PSF e partidos socialistas europeus); dia 3 de maio debate com o Markus Sokol; dia 12 de maio debate com Fréderic Boccara, do grupo de Economistes Atterrés e Jean Jacques Kourliandsky da fundação Jean Jaurès, sobre os limites que existe entre o neoliberalismo e a democracia; dia 1 de junho um debate com Rui Costa Pimenta; dia 13 de junho debate com Eric Fassin e Roxane Otro Correo para tratar da questão de gênero sob um Estado de exceção com o avanço neoliberal. Além desses eventos e encontros, foram dadas entrevistas, para a imprensa escrita e radiofônica , além de ter sido criado um site https://liberezlula.org

Convém destacar que desde o dia 24 de junho obtivemos a adesão de Jean Ziegler, vice-presidente do Conselho Consultivo de Direitos Humanos da ONU, que não somente integra o comitê, mas de passagem por Paris para o lançamento de um filme autobiográfico, por duas oportunidades deu espaço a militância para apresentar o Comitê parisiense, para em seguida acrescentar junto ao público presente a importância de tal iniciativa, os incitando a participar.

O encadeamento de ações é incessante, temos na pauta uma manifestação no próximo dia 9 de julho par questionar o judiciário brasileiro e incitar o judiciário francês a se unir a nossa causa, e no dia 11 de julho um concerto “Lula Libre” na prestigiosa sala de espetáculos, de 460 lugares, o Cabaret Sauvage.

Sem querer ser exaustiva, acho importante enumerar estas ações e atividades, tendo em vista que a militância não dispõe de nenhum recurso financeiro. Um simples cartaz, faixa, bandeirola, broches, espaço para eventos (em Paris, em geral nenhum espaço, mesmo quando pago, se consegue sem muita antecedência), confecção de um logotipo ou site, material a ser distribuído, panfletos, contamos somente com a força de convicção e a abnegação da militância para que tudo se torne realidade.

Então, por tudo isto me permito chamar a atenção que seria importante destacar o papel da militância organizada, tanto quanto ao de personalidades e dos encontros com partidos, pois ao meu entender a médio e longo prazo será visível que constituímos a espinha dorsal da mobilização. E se não formos reconhecidos corre-se o risco do abandono da luta.

A gravidade da situação brasileira demonstra o quanto é imperioso o espaço dos movimentos organizados, tendo em vista que já entendemos que a resposta não virá do judiciário ou do parlamento que estão comprometidos com o golpe desde 2016.

Saúdo a disponibilidade do Embaixador Amorim , que no último dia 15 de junho, nos jardins do Museu Rodin, encontrou representantes das forças do Comitê parisiense . Encontro bucólico e produtivo que veio legitimar através das trocas e fotos, pela força do simbolismo de sua presença por ser o presidente de Honra dos Comitês Internacionais, que a nossa caminhada avança no bom sentido. E termino reiterando o nosso total comprometimento e mobilização para que seja audível na França que o Lula além de ser inocente, deve ser liberado e ser nosso candidato a presidência da República.

Carla Orlandina Sanfelici e Patrícia Vauquier, membros do Comitê Parisiense de Solidariedade a Lula e à Democracia no Brasil

 

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