Exclusivo: a transcrição do áudio-bomba que detonou a Lava Jato

Dando seguimento ao furo dado pelo Duplo Expresso com a publicação do áudio-bomba de fonte de dentro da Odebrecht desmascarando a farsa da “investigação” – combinada! – Lava Jato/ Odebrecht, publicamos hoje a transcrição do mesmo, preparada por historiador amigo do site, experiente justamente na transcrição e análise de registros audiovisuais.

O resumo com pontos chave e análise das suas implicações encontram-se no primeiro artigo da série: “Exclusivo: áudio bomba – das entranhas da Odebrecht – detona de vez a Lava Jato!” (22/1/2018).

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Parte 1 – “A nulidade das delações/acordo de leniência: lacunas deliberadas nos documentos entregues pela Odebrecht à PF. ‘Negligência” (apenas?) dos investigadores”?

Fonte: … é, mas as informações maiores estavam nos servidores estavam esparramados aqui mesmo pelas Américas, tá?! E alguns na República Dominicana. Porém, eles logaram justamente, se não me engano, acho que é Moçambique. Acho que foi de Moçambique ou… depois eu te falo direitinho. Eles logaram com o servidor justamente dessa região porque tava bem desatualizado, lá era só um escritório, uma coisa assim entendeu? Aí pegaram essas informações… como eu disse né, ah! Se pegasse mesmo tem muito mais coisa, tem mais coisa do Peru, tem mais coisa do Panamá, das offshores. Porque é uma offshore atrás da outra, é uma pirâmide de offshores, entendeu? Pelo que a gente tinha, trabalhando com um sistema financeiro (inaudível), eles vão ter … (trecho inaudível) Assim… o quê que acontece, eu parei no ponto dos servidores, as informações, desviando todo o serviço de infraestrutura de TI na época, porque um erro da Polícia Federal na minha concepção, foi pegar gente da própria empresa pra extrair os dados. Então o que foi que aconteceu, o (inaudível) entrou no meio, tá?! E incumbiu algumas pessoas pra pegar essas informações num banco de dados pra passar para a Polícia Federal. Essas pessoas automaticamente, certo… como se fala, em comum acordo com o pessoa da área de infraestrutura, pegar a informação num servidor que tinha a informação, mas já estava muito desatualizadas. E foi essas informações que a Polícia Federal tem até hoje. Os servidores que estão atualizados eu sei que tem mais contas, tem mais informações… prejudicial. Porque eu lembro que as pessoas até comentavam nos corredores que se pegassem essas informações a empresa literalmente fechava a nível mundial. E eu sei, até onde eu sei, aonde eu já trabalhei com projetos da empresa, realmente os números não batem, nunca bateu e até hoje não bate. As contas que eu sei que foram rastreadas até hoje, não são todas. O dinheiro que foi recuperado também não foi pouca… o que eu testemunhei foram as duas vezes que a Polícia Federal foi no escritório…

DEx: Escritório em São Paulo, a sede?

Fonte: Em São Paulo, isso, justamente. Uma vez a gente tava no prédio, dentro do escritório… que é o (…) o escritório mesmo da Ondebrecht, a gente tava noutro prédio ao lado da Marginal, ou ao contrário. Porque a gente já tinha saído do prédio pra ficar aberto por questões estratégicas deles… aí a Polícia Federal encostou nesse prédio novo, que a gente tava, pra… eles proibiram a gente de subir… na verdade não foi a Polícia Federal que proibiu, foi a empresa; eles deram um jeito de avisar todo mundo: “não sobe, não sobe. Se não vocês vão subir lá e não vão sair”. Mas, na realidade é essa a Polícia Federal liberou, tava deixando as pessoas entrar, tava simplesmente indagando só o quê? “Você é o quê? Você faz o quê”? Então dependendo do que você falava eles “vem cá que você vai passar informação”. Cê entendeu?! Então eles não deixavam a gente subir, o pessoal da empresa. Então numa dessas vezes eu fiquei do lado de fora, mas acompanhei. A outra vez eu tava nesse prédio, só que eles foram no prédio que é o escritório da Odebrecht, enfim é onde está o pessoal aqui. E o outro, a gente logo em seguida dessa operação da Polícia Federal, mais dois meses, a gente voltou pra lá, pro escritório mesmo. Levou toda a TI pra lá porque eles falaram “não a TI tem que ficar com o pessoal da diretoria, porque o que eles decidirem, o que eles quiserem, tem que ficar próxima”. Eles faziam uma insinuação que eu acho até engraçada… isso é escutei da boca do Sidnei, tá?! Ele… ele tava pegando o celular pra (inaudível) pessoal, pra fazer os desvios de servidores tudo, só que vinha um cara pra montar o equipamento e a Polícia Federal encontrava. Aí ele ficou envolta do cara ali, né?! O cara… meio que olhando pra ele, desconfiado… aí ele começou a conversar com esse cara da Polícia Federal, um técnico, e aí o cara abriu o bico pra ele: “Olha, esse aparelho que eu tô colocando monitora tudo que cês fazem por celular, mensagens de texto, ligações, tudo. E eu fico aqui monitorando, se eu vejo você falando alguma coisa que não deve eu já mando prender”, falou assim pra ele. Nisso o senhor, chamou deu uma disfarçada, saiu… chamou algumas pessoas que poderiam sair dali uma hora e disse que ia tomar celular, palavras dele, eu tô te repetindo exatamente. E a nossa comunicação se encerra, usa o whatsapp, mandou as pessoas passarem…

DEx: Qual que é o nome desse CIO eu não conheço?

Fonte: Cara… ele se chama Alessandro Tomazela, ele mora em (…), tá?! Aí acima dele ainda tem um cara, chama Marcos Rabelo. A informação que a gente tinha dentro da empresa é que esse cara era o responsável por toda a área financeira do Grupo. Que esse cara reporta direto a Marcelo (Odebrecht), a Emílio… Cara, assim: pelo sistema fica difícil de falar agora se os movimentos foram bons (trecho inaudível) que foi pego era uma outra versão , tá?! Existe uma outra versão dentro da empresa. Eles pegaram uma versão, com um certo número de informações, isso é outra questão.

DEx: Como que você… na verdade é o mesmo programa né?!

Fonte: É que é assim: dentro desse sistema (trecho inaudível), tá!? Não foi desenvolvido na realidade com a intenção de ser usado pra isso. Isso eu sei pelos projetistas, eu conheci todos eles, os desenvolvedores tudo. Mas, enfim acabava usando. Como era um sistema que literalmente quase tudo você entra na mão, eles acharam essa facilidade de usar pra burlar essas questões. Porque o MyWebDay ele fazia, por exemplo, os cálculos com dados e outras coisas, em cima daquilo que você informava pra ele. Justamente, só que tem uma telinha diferente do excel só pra você digitar os campos. Então ele funcionava dessa forma, era um disfarce mesmo do excel, e fazia mais algumas coisas, contratos de obra, folha de pagamento, mas era um sistema só. Só que ele era diversificado, às vezes tinha uma obra tinha uma versão porque acessava uma determinada base. Tinha escritório que tinha uma versão que acessava outra base.

DEx: Não era um sistema integrado, não era uma coisa só, perfeito.

Fonte: Atualmente não. Teria como você usar esse sistema para acessar várias bases, mas não é que ele era totalmente integrado, cê entendeu?! Tinha um comando dentro dele você abria uma telinha e você selecionava a base que você queria acessar.

DEx: Entendi, é por isso que você tá falando: “quando eles acessaram isso”… eles pegaram…

Fonte: Pegaram uma determinada informações.

DEx: Então, eu tava pensando com se fosse uma “cebola” mas seria como se fosse intercessões. Assim, salve engano o pessoal que trabalha no Brasil com o que eles receberam da Justiça suíça, aqui da Suíça.

Fonte: Justamente.

DEx: Então, assim… eles pegaram o que é acessível aqui da Suíça e eles tem esse MyWebDay que você diz que não era possível acessar remotamente daqui.

Fonte: Justamente. Foi um desses sistemas, quer dizer, foi esse sistema que eu te falei que quando a Polícia Federal corria aqui no escritório, eles desviaram através dessa função que eu te falei, pra um determinado servidor e buscavam as informações pra eles, cê entendeu?! Então, assim… a Polícia Federal, acho que até hoje… ou não quis ver, porque é um negócio óbvio. Você pegar mesmo um analista de sistema pra debulhar o sistema vai encontrar isso, esse mecanismo, sabe?! Aí entra aquela questão que eu falei dos outros dois: será que não viram? Você entendeu? Porque se pegassem a informação do servido que tá muito desatualizado passava pra eles. Então através dessa artimanha aí eles fizeram esse desvio.

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Parte 2 – A farsa da vitimização da Odebrecht diante de um suposto “achaque” dos políticos/cultura corporativa de corrupção/ocultação de provas/testemunhas/descentralização dos centros de custo/omissão da Brasken.

Fonte: Eles sempre pregaram uma postura, não é só eu que tô assim com essa sensação que eu vou te falar. Eles sempre pregaram uma postura pra gente lá dentro, que eles não estavam errados, que eles foram forçados, pra salvar a imagem da empresa…

DEx: Sim, como se ela fosse achacada pelos políticos e tal.

Fonte: Isso, e vieram pregando isso pra gente, pregando, pregando, pregando. Aí que de repente, você ver algumas coisas acontecer dentro da empresa e você começa a questionar. Oh gente, mas, vocês falaram isso, que devia tomar essa postura, mas tá acontecendo isso ainda, tal, tal, tal… aí de repente: “oh! Você vai embora”. Então assim, muita gente se revoltou, é… a minha indignação.. é que é assim, eu vou ser bem sincero pra você, eu me sinto um lixo cara, de trabalhar ali dentro. E ver tanta coisa errada e no final, e tudo aquilo que eles pregaram, aquela lavagem cerebral que eles fazem nos funcionários que estão lá dentro, continuam fazendo. Enfim cara, você ver que é tudo mentira, é tudo mentira. É tudo uma maneira, uma estrutura que eles montaram de fazer isso na cabeça das pessoas que tão lá dentro já pra evitar delas, quando elas saírem, não falarem muita coisa. Cê entendeu?! E isso pra algumas pessoas que começaram a enxergar… eu infelizmente enxerguei tarde isso. Antes de ser mandado embora eu já tinha enxergado isso… tô lá há um ano nessa situação, aguentando e me sentindo mal, de certa forma… eu falei pros outros dois, eu falei assim: olha, apesar de tá chateado, só tem uma coisa que aconteceu… (trecho inaudível) antipatia por todos lá…

DEx: Pelos políticos em geral.

Fonte: Em geral, ele não… na realidade é assim, ele é um cara… eu falei pra eles: vocês não fazem ideia de como é essa pessoa. Ele é muito prepotente, muito antipático, ele é um muito… o Marcelo é muito cheio de si… e ele não gostava de tá meio acuado com as pessoas ou sentir que chegassem nele e exigeissem as coisas (trecho inaudível) ele gostava dele mandar, dele dá a ordem de (inaudível)… e nisso gerava uma revolta muito grande com ele. O pai dele eu sei que sempre pedia paciência pra ele. Tanto que ele não conversa com mais ninguém da família dele a não ser a esposa e os filhos, tava brigado com todo mundo.

DEx: Até por isso, a gente vê uma imprensa faz uns dias, com a expectativa na Odebrecht e na saída dele. Eles tão temerosos, o quê que você acha disso, qual a sua avaliação?

Fonte: Eu acho que é encenação! Encenação, encenação, tá?! Porque não vai acontecer o que todo mundo fala: “ah! o Marcelo não manda mais na empresa”. Ele pode ficar na casa dele, mas ele vai continuar usando os testas-de-ferro pra dá ordem dentro da empresa.

DEx: (inaudível) hoje em dia (Marcelo Odebrecht) não manda mais?

Fonte: Não. Até a algum tempo preso ele tava mandando, tá. Até o momento que o pai dele, o pai dele que é o Emílio se afastou. Até aquele momento ele ainda mandava. Aí o que o pai dele fez: o pai dele se afastou já pra impedir dele continuar dando ordem lá dentro, entendeu?! Porque a divergência dele com o pai dele foi justamente isso, o pai dele queria que ele se afastasse totalmente, deixasse as coisas andarem naturalmente, e principalmente, foi o que ele fez, falar demais. Que foi o que ele fez falar de coisas internacional e o pai dele e o jurídico que pegou o caso na época não estavam de acordo com isso.

DEx: Você diz nos depoimentos dele, né?!

Fonte: Isso nos depoimentos.

DEx: Na verdade as pessoas queriam que ele ficasse restrito as questões do Brasil.

Fonte: Justamente.

DEx: Na questão do Brasil você acha que ele falou tudo ou não?!

Fonte: Cara eu acho que ele ainda detém muita informação, viu?! Assim, pelos números que eu vi, pelas coisas no sistema, tem muita coisa cara, tem muita coisa. Então assim, ele vai tentar de alguma forma manipular isso daí. É… eu sei que tem um auditor brasileiro lá dentro, independente e um americano. Por exigência da leniência tá?! E todas as informações que tão indo pra essas pessoas, também são… passa pelo crivo dos cara da TI, dos cabeças, que tão recebendo ordem e aí eles dão um jeitinho e entregam para os auditores.

DEx: Esses auditores não tem a expertise em informática, de serem bem… é o quê… são advogados? É o quê?

Fonte: Até onde eu sei eles são mais nível jurídico mesmo. Então assim, a expertise pra entender, pra pegar eu acho que não, na área de TI não. Eu acho que falta uma pessoa, sabe, tinha que ter uma pessoa assim lá dentro, que tenha conhecimento da área técnica de sistemas pra poder pegar essas coisas. Tanto, que eles montaram uma sala específica pra esses caras ficarem, meio que estratégico, lá perto da TI, pra eles ficarem de olho nesses caras, cê entendeu?! Tipo assim, o cara gritar alguma coisa… e algumas pessoas que foram mandadas embora, foram manda embora, pessoas de anos de empresa, foram mandados embora justamente pra não ter contato com essas pessoas.

DEx: Entendi, mas essas pessoas saíram bem, assim com um pacote de…

Fonte: Saíram. Mas, eu tenho como falar: oh! O servidor tal, o servidor tal, o servidor tal tem informações disso, disso, disso.

DEx.: Pra eu entender, ? identifica data, valor é… o número da conta e o titular da conta que seria o nome da offshore?

Fonte: É isso aí.

DEx: Isso ele identificava também qual o projeto, ou não?

Fonte: É que é assim, como a base era muito bagunçado nesse sentido, pode ser que eu tenha coisa de vários outros lugares também, você entendeu?!

DEx. Eu entendi, mas eu digo assim: no geral tinha uma coluna pra lançar sobre que projeto aquilo era, país etc.?

Fonte: Não, não, tinha obra, contrato.

DEx.: Era uma coluna que tinha ali pra qualificação, como por exemplo, entendi.

Fonte: (…) em algumas coisas ele alega, isso o que escutei dentro da empresa, ele alega que pessoas que depuseram lá não tinham capacidade de falar sobre aquilo, porque não estavam envolvidas diretamente com aquilo. Então, ele quer tirar quem está falando, que ele tava querendo tirar essas pessoas, anular esses depoimentos. Ele vai mexer numa questão acho que jurídica tudo, pra ver isso aí.

DEx: É isso que eu não entendo,  eu entendo o que você tá falando, assim, que ele é uma pessoa orgulhosa, obviamente, uma pessoa prepotente, foi criando como um príncipe, evidente, então não está acostumado a de repente a gangorra virar e ele ficar por baixo, é evidente isso. Mas, assim, o quê que ele ganharia fazendo isso?! Porque a questão é… que não é ele que manda no processo, quem manda no processo é o judiciário e o Ministério Público que tão no acordo (…) então, não depende dele. Ele pode falar o que ele quiser, se o Ministério Público não quiser aceitar, não tem como ele forçar, entendeu?

Fonte: Eu sei, mas o que ele quer… é mostrar assim que ele foi julgado incorreto em alguma coisa pra questão de redução de pena. Que ele não tá aceitando essa condenação, essa condenação domiciliar, ele não tá aceitando isso. Ele… já vem de muito tempo essa discussão, você entendeu?! Então assim ele quer jogar a culpa em outras pessoas, porque vem tudo pra cima dele e ele acha que não deveria ter sido assim. […] eu acho que ele foi muito orgulhoso, ele achou que nunca ninguém ia conseguir pegar informações concretas ou rastrear totalmente a coisa. Então ele demorou muito pra falar, ele demorou muito. E quando ele começou a falar, eu escutei uma vez dentro da empresa que muita coisa que ele falou, o Ministério Público falou: “cara, isso aí que você falou, fulano, beltrano e sicrano já… já passou, de outras empresas, não da própria empresa. Então assim, ele acabou se complicando numa situação… e algumas pessoas da própria empresa, na hora que viram aquela questão de leniência, fazer acordo e ser libertado… assim… eu não vou dizer que aconteceu isso, mas podem ter feito… e jogar toda a culpa em cima dele. Porque é assim, a empresa, vou ser sincero, a mídia às vezes fala assim: não, não é… a empresa é toda centralizada. Não era, a Odebrecht não era centralizada, nunca foi. Realmente, eu vim lá de dentro, o problema que a gente tem de sistema lá é justamente isso. Cada – chamava líder empresarial – cada líder empresarial, que seria o gerente daquele escritório tinha anuência do Marcelo pra tocar o negócio do jeito que quisesse. Então eu acho que na cabeça dele justamente assim: “eu te dou carta branca, você faz o que cê quer. Mas na hora da delação o cara falou: “Quem mandou foi o Marcelo”. Então eu acho que na cabeça dele ele não aceita isso.

DEx: Mas, assim. Essas pessoas, por exemplo, essas pessoas de cada centro que você tá falando. Essas pessoas elas tinham autonomia pra fazer esse tipo de remessa? Num é centralizado isso?

Fonte: Não. Isso era descentralizado. Isso é uma coisa que a Polícia Federal não conseguiu… sabe, eles sempre foram na linha de centralização.

DEx. Não, porque realmente assim, se você pensar do ponto de vista corporativo é meio caótico isso, entendeu?!

Fonte: (…) é caótico. Assim, cada escritório, vamos dizer assim, cada negócio da empresa…

DEx: Escritório que você diz é não é nem em nível nacional? (ex: “Brasil”, “Peru”, Panamá”, “Angola”…)

Fonte: Não, não. Hoje (por exemplo) a “Odebrecht Oil & Gas” no Rio de Janeiro… Então, ela tocava com carta branca do Marcelo. O cabeça lá tocava do jeito que ele queria. Se ele quisesse dá dinheiro pra político, o Marcelo tava cagando e andando. Ele sabia, ele era informado, você entendeu?! Da negociação, do trâmite, qual a pessoa que tinha sido liberado.

DEx: É, mas aí fica meio complicado pra ele porque teoricamente ele tem ascendência hierárquica. Então se ele fosse contra ele diria não! Então assim, eu entendo que é errado a pessoa a pessoa dizer que foi ele que mandou, mas assim…

Fonte: Então, é isso que eu quero chegar num ponto pra ver se você consegue entender o pensamento dele. Na cabeça dele ele não aceita aquele cara, por exemplo, o diretor do Rio de Janeiro, ter falado que foi ele que mandou. Porque é assim: eu sabia, mas não fui eu que mandei. Então, na cabeça dele é isso a briga dele. A raiva dele com o próprio pessoal da empresa, a briga é justamente essa. Mas, assim, querendo ou não, analisando puramente, se ele sabia e deu carta branca, ele tarimbou.

DEx: Não, não adianta. Ele tá envolvido, ele sabia, assim, não só ele era o presidente da empresa, o diretor-presidente, como também ele é da família que é acionista controladora. Então assim, muito difícil ele…

Fonte: Justamente. É difícil não se envolver…

DEx: Eu não digo nem se envolver, se eles tem como provar que ele sabia e ele não impediu ou não falou nada, é evidente que… pelo menos para quem olha. Pode ser até que ele esteja certo. Pode ser que o que ele esteja dizendo esteja certo, mas assim, a dúvida é grande demais pra você dizer que não. Então assim, o cara com a ascendência hierárquica, o cara era informado, dizer que… é muito fácil pra quem tá embaixo dizer: “Não, foi ele quem mandou”, tanto é que eu já fiz isso, tá. Então é muito, mesmo que ele esteja falando a verdade, é muito difícil pra ele provar.

Fonte: O negócio é assim, por exemplo, é como eu tô te falando. Você tem um escritório em São Paulo ele entende isso como um “negócio”, você entendeu?! Aí tinha um escritório no Rio de Janeiro, é outro negócio, tinha um escritório no…

DEx: Sim, mas por exemplo, no Rio de Janeiro o escritório era da Odebrecht, era da Odebrecht Oil & Gas, entendeu? Por exemplo: os escritório do Rio, todas as empresas Odebrecht no Rio era um centro de construções, é nisso que eu tô falando, mesmo com pessoas jurídicas diferentes.

Fonte: Isso. Quê que acontece, no Rio de Janeiro ele tinha a nomenclatura do MyWebDay. Aí ela puxava pra baixo pra todo mundo daquela região do Rio.

DEx: E normalmente seria por, por sede, assim, p.e., “a sede do Rio”. Ou tipo, o escritório do Rio, você acha que é um coisa geográfica?

Fonte: É uma coisa geográfica mesmo, mas… cada vez que ele abriam um escritório por exemplo, uma obra nova, um contrato novo, eles iam lá e implantavam um centro de curso para aquela proposta.

DEx: Eu já trabalhei em muitos escritório grandes (de advocacia), então eu entendo… essa coisa que você tá falando da Polícia Federal quando chegou lá em São Paulo e acessou, evidentemente tinha projetos, empresa grande é assim, que se cruzam. Então, por exemplo, num grande projeto que era assim, partes em São Paulo, partes no Rio, por isso que você tá falando que a pessoa que acessou em São Paulo, tinham pontos que tangenciavam os outros centros de custos em outros lugares que eles conseguiram puxar. Mas, isso não quer dizer, por exemplo, tudo que tinha no Rio foi puxado de São Paulo, algumas coisas, é isso?

Fonte: Justamente. É esse o raciocínio, você entendeu?! Assim, foram lá na área de TI pegar CPU, foram até na cidade que o senhor mora, que é em Itatiba. Trouxeram ele duas vezes de viatura, aqui pra São Paulo. Pra ele, tipo assim, aonde tá as suas informações, então ele tinha que apontar. Mas, ele apontava do jeito que lhe era conveniente.

DEx: Você não tem conhecimento do que eles tem lido em cada centro de custo da Odebrecht no Brasil?

Fonte: Não.

DEx: No seu conhecimento eles só foram em Rio e em São Paulo?

Fonte: No meu conhecimento eles pegaram coisas tipo, do escritório São Paulo, do escritório Bahia e algumas coisas do Panamá. Você entendeu?! Eles não pegaram tudo, tem muita coisa aí no meio. Até uma questão agora que eu falei dos andares eu lembrei: a Braskem. Tem muita coisa envolvendo a Brasken que não foi… não apareceu, cara. No sistema a gente via que tem. Porque a Brasken ela é uma participação mista, né. Uma parte da Petrobrás e outra da Odebrecht. E a Odebrecht tava dentro, ela tá no mesmo prédio do escritório de São Paulo, um andar ou dois andares acima da TI e… cara, tudo manipulado do mesmo jeito. Ah! Mas é outro sistema. Não, mas era tudo, a TI alí, as TI’s se conversavam e faziam as manipulações que tinha que fazer.

DEx: Pra você ficar monitorando. É… mas, nesse caso, como eles usavam lá aquele banco no exterior, acho que era Antígua e tal. Provavelmente esse banco que fazia essas transferências, que mandavam os extratos bancários pra alguém daqui administrar. Mas, até o Tacla Duran diz que esse próprio sistema do banco também foi manipulado, também foi fraudado, né?!

Fonte: Sim. Até essa denúncia dele aí eu lembro. Quando ele falou, já vinha batendo muito nisso.

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3 Parte – Ocultação de nomes do PSDB no geral e, em particular, de Alckmin e de Aéco/falas imputações a Lula/PT.

Fonte: Ouvi muito, muito. O Aécio tá em todas literalmente, é incrível. Sim. O partido dele também tá muito envolvido. É assim cara, eu vou ser sincero pra você no meu modo de pensar, viu?! Eu acho que não tem partido, político santo nenhum! Num tô culpando o Lula de nada não. Mas o que o Lula, pra mim, o que o Lula levou, se ele levou, foi café pequeno perto do que os outros levaram. O Lula pra mim ele tá sendo usado, hoje tá bem claro na minha cabeça assim: olhando todo o cenário, olhando tudo o que eu vivenciei. O Lula hoje pra mim é… é uma caça as bruxas, tão usando ele como bode-expiatório. Precisamos queimar alguém, vai ser ele. Não queremos essa partido, ou esse tipo de política no governo, no poder. Então é ele que a gente vai ter que pegar.

DEx: Eu vou te ser bem sincero, assim, agente é um programa, se você já assistiu você sabe, a gente tem lado, a gente é engajado e a gente deixa isso muito claro, é até parte da honestidade jornalística. Mas assim, como advogado, como analista tentando ser o mais isento possível, eu te digo assim: é porque hoje em dia no Brasil o Direito não quer dizer nada. Mas assim, (Fonte: é mesma coisa que nada.) é… o que eles fizeram ao longo desses três anos foi passar o maior atestado de honestidade pro Lula possível. Eu juro pra você, eu vou ser sincero: eu não achava… como você falou: político a gente tem aquela, corrupção não, mas aquela confusão ética, entendeu? De aceitar favores… assim, eu achava que haveria mais coisa do Lula, que não necessariamente seria de corrupção, mas assim, ou o Lula é um gênio, além de gênio político, seria um gênio do crime e conseguiu fazer estruturas que ninguém consegue ver, assim maravilhosas. Ou, também, os caras são muito incompetentes, não conseguem achar nada, entendeu? Porque só confiam na pessoa chegar lá nessa delação e entregar tudo.

Fonte: É, eu acho até que demoraram mesmo pra acordar, porque se você parar pra ver o cenário, eles nunca… a intenção deles era mesmo acabar com esse time. Pegar aqui e nós vamos acabar com o time do Lula inteiro.

DEx: Um por vez, é, exatamente. Um por vez!

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Parte 4 – Confirmação do que disse Tacla Duran.

DEx.: Pelo o que você ouvia dentro você acha… que as informações tendem a ser verdadeiras?

Fonte: Sim! Eu não duvido não. Eu tenho certeza de que o que ele soltou, seja fato. Pelas informações que já passaram em minha lista na área de TI. É que nem eu falei, eu trabalhei em projeto então eu tinha acesso a todas as informações do servidor. Mesmo para o que precisasse ele era referência pra questão jurídica, alguma coisa, tanto a UTC quando a Odebrecht já consultava ele bem antes.

DEx: Então na verdade, essa história que o pessoal de Curitiba fica tentando dizer que ele operava na verdade como doleiro, não é verdade. Opera fazendo mesmo fazendo estruturas jurídicas pra esses negócios, né?

Fonte: Então, assim… segundo as informações que chegavam pra mim dentro da empresa, do que eu ouvia falar, é que ele era o cara que estruturava parte jurídicas dessas coisas, entendeu?! Fazia viabilizar. Mas, assim… que ele era o cara que fazia… como doleiro, com alguma coisa, não eu nunca ouvi falar isso não. Isso eu posso até te afirmar porque eu ouvi de gente da diretoria comentando: “Não, ele… qualquer coisa da questão jurídica a gente já joga na mão dele e viabiliza pra gente”.

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Parte 5 – Alerta: destruição definitiva das provas com a migração da Oracle para a SAP.

Fonte: O motivo, a empresa tá saindo agora dos ambientes da Oracle, dos bancos de dados da Oracle e indo pro sistema da SAP. Até um negócio que eu esqueci de falar e agora eu lembrei também, que é isso aí. É… porque a motivação deles, eles falam que a Oracle não tá dando suporte, que o custo tá alto. Na realidade a situação não é essa, a motivação é que eles querem trocar de sistema pra eliminar de vez as coisas que estão no outro ambiente, você entendeu?!

DEx: Obviamente as coisas foram apagadas. Você tá falando que é assim, como era …

Fonte: Não, eles não conseguiram apagar, cara. Eles não conseguiram. Eles tão com medo de acessar essas informações e tem alguém rastreando.

DEx: Tô entendendo. Mas assim… eu penso assim: que eles trocando de sistema, obviamente ninguém vai destruir os HDs lá da Oracle, então eles acham que o pessoal vai reescrever coisa em cima, não é isso?

Fonte: Justamente isso aí. E essa troca, esse projeto novo que eles vão… a previsão como eu tava falando em setembro, que eles vão (migrar) é pra junho e julho desse ano. Então o quê que acontece, a ideia dele, eles vão mudar de fornecedor (…) e de tudo, tá?! Pra eles falarem, eu posso justificar o acesso a essas informações, se alguém indagar “por que vocês tão acessando o servidor, tal informação”? – “Ah! Por causa do projeto, a gente tá migrando, aí eles conseguem limpar. O medo deles hoje é alguém chegar: “Opa! Quê que vocês tão acessando em tal país? Quê que vocês querem lá”? Aí não ter uma justificativa plausível pra sabe. Então a troca é…

DEx: Só repetindo os países que você falou, são… esses da Oracle seria na América Latina?

Fonte: Isso. Eles tem, na realidade, o datacenter deles, das histórias, ou seja dos HDs que tão armazenados tá no Panamá. Isso sempre foi falado na empresa, que já era uma questão estratégica pra evitar o que aconteceu na Lava Jato. Porque o Panamá parece que tem um acordo diferente pra tratar essas coisas que tão lá, estando no país. Eu não sei como é que tá hoje.

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Romulus Maya

Advogado internacionalista. 10 anos exilado do Brasil. Conta na SUÍÇA, sim, mas não numerada e sem numerário! Co-apresentador do @duploexpresso e blogueiro.