Retifiquem o noticiário: Macron (ainda) não é Presidente da França… pior: pode nunca ser!

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Retifiquem o noticiário: Macron (ainda) não é Presidente da França… pior: pode nunca ser!



Por Romulus



Isso mesmo que leram no título:

– Disse que Macron ainda não é Presidente da França.

E mais:

– Tampouco o será após a posse no cargo, daqui a alguns dias.



– “Mas como assim?!”, exasperam-se os leitores.



Explico.




Ontem foi revelado:

O Partido Socialista (PS) vai para as eleições legislativas de junho próximo (mais) dividido (do que nunca!)… em duas “sub-legendas”:



– A ala esquerda do PS, sob a denominação… bem, “PS” mesmo; e



– A ala direita do partido, o chamado “Hollandismo”, como um PS… hmmm… “plus”.

Isto é: “PS + o selo ~La République en Marche~”.



Esse último, o “selo”, é o novo nome do “~movimento~ político” de Emmanuel Macron. O Presidente-eleito acrescentou “República” antes do “Em Marcha”, o nome original. A novidade foi adotada já nesta segunda-feira, dia seguinte à vitória.



Aparentemente, no intuito de ~já~ flertar com a direita, que cultua essa expressão: “República”… a qual associa à “lei e ordem”, bem como à “laicidade” (apenas na modalidade anti-muçulmana, é claro…).



E, também, para tentar agregar a “majestade” conquistada no domingo à imagem do movimento político – fundado por Macron (apenas) no ano passado!



Essa é a questão:



– Macron não tem um “partido político”, mas sim um “movimento”.



São institutos diferentes… embora ambos possam lançar candidatos:



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Assim, os candidatos podem ser do PS ~e~ do movimento de Macron – o tal do “selo” République en Marche – ao mesmo tempo.



(Pense em algo como a “Rede” de Marina Silva quando não conseguira ser partido ainda e abrigou-se dentro do PSB de Eduardo Campos para as eleições de 2014…)

*

– Eu disse… “ao mesmo tempo”??


Repeteco de 27/4:

(“Eleição na França: “novidade” – posicionamento político de extremo… centro?!“)

Quand Macron ironise sur son tic de langage «en même temps»

BFMTV.COM

*


E os demais partidos?



Mesma coisa. Mas flertando com os candidatos:



– de ~centro~direita de dentro do partido de direita tradicional (“LR”);



– dos partidos do Centro “formal” (UDI, MoDem…); e até mesmo…



– do Partido Verde! (à esquerda do PS, mas onde tem muito “pragmático” que adora um carguinho…)



– Ou seja:



A estratégia de Macron, ciente do enorme desafio de eleger uma maioria absoluta do ~seu~ próprio “movimento”, é, contando com a sedução (da perspectiva) de poder – afrodisíaco, diz-se… – forçar rachas em todos os ~partidos moderados~.

– Macron: um sedutor…

– … e totalmente em aberto:



Macron faz isso de caso pensadíssimo!

No intuito de, assim, acabar por criar – lá na França – algo que nós brasileiros conhecemos (e muito bem!):



– o “Centrão”!



Essa seria a sua base de sustentação no Parlamento, juntamente com os candidatos eleitos propriamente – pelo seu movimento.

*


Já vimos esse filme antes?

Isso tudo me lembra vagamente o primeiro governo Lula, quando José Dirceu articulou o inchaço dos PTBs, PPs e PLs da vida com as muitas dissidências vindas do PFL e do PSDB, grandes partidos derrotados na eleição presidencial de 2002.

Dirceu fez isso para que esses dissidentes se juntassem aos deputados do partido “oficial” do governo, o PT, nas votações da Câmara. Dessa forma, formavam maioria na Casa.

Mas…

Como sabemos, essa história não acabou muito bem, não é?

(Sim, eu sei: graças às arbitrariedades do julgamento (?) do “Mensalão” – a verdadeira pedra fundamental do ~Mausoléu~ – agora já quase completo – erigido para abrigar dois defuntos: a institucionalidade brasileira e a Constituição de 1988)

*


– Cara ou coroa, Macron?



Se tiver maioria absoluta, Emmanuel Macron será capaz de formar o governo e terá plenos poderes.



Caso contrário, será forçado a uma coabitação com um governo de oposição, aprovado por um Parlamento onde não obteve maioria.

Nesse caso, mandará tão somente na política externa e na defesa da França.



Macron ficaria então “apenas” como Chefe de Estado…

Quase que como uma rainha da Inglaterra… mas numa versão “vitaminada”, digamos assim. (rs)



– Ou seja: (2)



Macron está ~de fato~, senão de direito, disputando uma nova eleição – presidencial! – nas eleições legislativas.



Se ganhar, será Presidente de verdade.



Se perder, será uma Elisabeth II…

Mas uma Elisabeth II toda trabalhada na musculação: com defesa + relações exteriores nas mãos.

Uma rainha da inglaterra “sarada“…

– … mas sem dentes: nada de abocanhar o poder!

*


Em tempo:

Diz-se no Reino Unido que “o Rei ~reina~, mas não…

– … ~governa~” !



*



Em resumo:

Sintam-se à vontade para retificar o noticiário internacional.

Em especial o da Rede Globo, eufórica com a vitória de Macron pelo que me dizem:

Se é para chorar, que seja com razão, Rede Globo:

<<Macron (ainda) não é Presidente!
E pior:
pode nunca vir a ser!>>

*


Em tempo: (2)

A esse respeito… lembram da regrinha de ouro do Brizola?

Pois eu nunca me esqueço dela:

*

Mas e o Macron? Presidente ou “Rainha”, afinal?

A ver.

Resposta daqui a um mês.

Mas, insolente que sou, ouso dirigir a pergunta ao próprio:

– O Sr., que é ex (?) banqueiro…


– … e que, portanto, entende bem de ~moeda~…


– … e também de ~especulação~ (!), é claro…


– Diga-me, por favor:

<<Cara ou ~coroa~,
Monsieur Macron??>>

*



Explico melhor o sistema francês e as implicações dos diferentes cenários possíveis aqui:



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*

Atualização

Na manhã de hoje – repetindo o que já fizera a do “LR” – a direção do PS diz que os candidatos tem de escolher:

– Nada desse tal de “en même temps“! É ou PS ou En Marche… que cada um trace o seu caminho.

Como dissera aí em cima, nada que impeça os flertes descarados das alas moderadas dos dos dois partidos tradicionais com Macron.

*

– Retifiquem o noticiário: Macron (ainda) não é Presidente da França… pior: pode nunca ser!
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Achou meu estilo “esquisito”? “Caótico”?

– Pois você não está só! Clique na imagem e chore as suas mágoas:

(http://www.romulusbr.com/2016/12/que-poa-e-essa-vol-2-metalinguagem.html)

(http://jornalggn.com.br/blog/romulus/que-p-e-essa-ora-essa-p-e-romulus-por-o-proprio)

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Quando perguntei, uma deputada suíça se definiu em um jantar como “uma esquerdista que sabe fazer conta”. Poucas palavras que dizem bastante coisa. Adotei para mim também.

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Romulus Maya

Advogado internacionalista. 12 anos exilado do Brasil. Conta na SUÍÇA, sim, mas não numerada e sem numerário! Co-apresentador do @duploexpresso e blogueiro.

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