Maria: Discussão brava, né? Ciro e Romulus têm razão em falar do imediatismo do presente contra a incerteza do futuro.
Mas transformar isso em critério geral de análise da política faz do sarcasmo uma marca de desprezo do povo que é de doer!
Elitismo de classe ou geral?
Romulus disse que acredita em tudo o que escreveu no artigo, mas pelo jeito só pra ficar bem na fita, porque “sabe” que, com esse povo de merda de idiotas mortos de fome, nada disso nunca chegará a ser posto em prática.
Pelo menos serve pra orientar gente como o João Antonio que, quando diz ou escreve alguma coisa, parece acreditar que isso deve ter algum efeito na vida real.
E não se diga que isso é confundir torcida com análise. Porque, com esse tipo de análise, era mais fácil deixar de perder tempo com essa bobagem de política e ir cuidar do próprio umbigo ou, mais delicadamente, como diz o Max Weber, do próprio jardim.
Em todo caso, João, parabéns pela força de resistir ao massacre em dose dupla e concertada.
Ciro: Guilty as charged!
Só discordo que haja desprezo pelo povo. Acho que o povo vota muito coerentemente de acordo com o que eles acham que são as prioridades deles.
A intelectualidade (tanto de esquerda quanto direita-liberal) é que parece desprezar essas questões concretas da vida humana e por isso tende a não conseguir vitórias eleitorais em proporcionais, o que é um fato concreto da vida política brasileira.
O Centrão manda in secula seculorum. E isso não é por acaso. Alguma coisa eles estão fazendo de certo.
Desprezar o povo também é achar que ambulância é menos importante do que a aposentadoria. Coisa q tanto a esquerda, mas especialmente os liberais, teimam em fazer.
Maria: Entre a ambulância trazida pelo deputado que votou a precarização do trabalho e o emprego em regime precário que acabou de perder, sem qualquer direito trabalhista a reivindicar, acho que o trabalhador sabe distinguir onde está seu interesse na hora de votar.
Ciro: Explique então o resultado de basicamente todas as eleições legislativas – nos 3 níveis – dos últimos 20 anos.
Romulus:
Maria (sobre mim):
Romulus disse que acredita em tudo o que escreveu no artigo (“Diretas”), mas pelo jeito só pra ficar bem na fita (!), porque “sabe” que, com esse povo de merda (??) de idiotas mortos de fome, nada disso nunca chegará a ser posto em prática.
Pelo menos serve pra orientar gente como o João Antonio que, quando diz ou escreve alguma coisa, parece acreditar que isso deve ter algum efeito na vida real.
E a luta política só tem efeito na vida real se a meta da luta for plenamente atingida, né?
Se alguém faz uma campanha e perde a eleição não adiantou de nada, né?
Lula só passou a ser relevante politicamente em 2002, quando… ganhou, né?
Em política não existe “perder ganhando” e “ganhar perdendo”, né?
E tampouco existe perder estando “do lado certo da Historia”, marcando posição, né?
Ter e lutar por uma bandeira legítima e na qual acredito de todo coração (“Diretas Já!”) – capaz de mobilizar a resistência ao golpe! – é “inútil” porque “no final… não vai ter eleição direta”, né?
Bem, então concluo que as “Diretas Já” de 84 foram um nada, né?
Bem como todas as campanhas eleitorais do Lula pré-2002 – começando com a mítica de 89!
Quando perguntei, uma deputada suíça se definiu em um jantar como “uma esquerdista que sabe fazer conta”. Poucas palavras que dizem bastante coisa. Adotei para mim também.
Advogado internacionalista. 12 anos exilado do Brasil. Conta na SUÍÇA, sim, mas não numerada e sem numerário!
Co-apresentador do @duploexpresso e blogueiro.
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