?FACE-NSURA: Guardian, RT e El País corroboram – Facebook está, sim, censurando esquerda!

Já atualizado APENAS minutos depois da publicação:
– Numa “pegada meta” Facebook ~JÁ~ censurou ESTE artigo também (!)

FACE-NSURA: Guardian, RT e El País corroboram: Facebook está, sim, censurando esquerda e nacionalistas!

Por Romulus

Nesta semana houve a publicação de (ao menos) 3 matérias na imprensa estrangeira sobre a manipulação política (com e sem lastro financeiro) implementada por gigantes da internet, como Facebook, Google e Twitter.


Nós, aqui no Blog e também nos programas do site “O Cafezinho”, notamos os efeitos dessa manipulação e soamos o alerta, pioneiramente, semanas atrás, não foi mesmo? Pois agora chega a confirmação.



E não: não se trata (mais…) de mera “teoria da conspiração”. Quer dizer… não é (mais) “teoria”: a conspiração é real!

O jornal britânico “The Guardian” – parte, portanto, do mainstream (na vertente “neoliberalismo progressista”), revela que o Facebook vem fazendo testes-piloto de mecanismo que mostra aos usuários APENAS posts pagos. No verso da moeda, acaba por esconder todos os posts não pagos.



Cita como alvos do projeto “piloto” (!) países como Eslováquia, Sérvia e Sri-Lanka.



Se esse é o caso, não tenham dúvida de que a operação foi um “sucesso”, tendo os programadores de Mark Zuckerberg já passado a uma nova etapa do “teste”. Agora, abarcando também países como o Brasil.



Quer dizer… não exatamente “agora”: o boicote já vem ocorrendo, de forma mais intensa e menos discreta, há pelo menos 1 mês.



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Perguntas:



– Quem tem grana para pagar pela promoção de posts?



– A direita globalista-financista?



– Ou a esquerda/ soberanistas?



Perguntas, evidentemente, retóricas.

“Pagar para poder trabalhar/ informar”…



– Soa ou não como a antiga “taxa de proteção” cobrada pela… máfia??

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Ainda nesse tema, a RT entrevista jornalista investigativo que vai um passo além e afirma que o boicote não é apenas financeiro, na linha “pagando bem que mal tem?”



Segundo o entrevistado, a censura implementada pelos tão falados algoritmos não seria neutra quanto ao conteúdo. Não estaria baseada “apenas” (!) no critério “meta” de haver ou não pagamento ao Facebook (e ao Google) para divulgação. Martin Summers faz questão de registrar o critério “ainda mais sinistro” segundo o qual sites não alinhados aos interesses geopolíticos dos EUA – e do globalismo financista – seriam as vítimas preferenciais da tentativa de estrangulamento.



Esse parece ser, por exemplo, o caso do nosso Blog, em que – pasmem! – ATÉ MESMO O COMPARTILHAMENTO DO (RESPECTIVO) LINK POR MENSAGEM PRIVADA (INBOX) ESTÁ SENDO IM-PE-DI-DO (!):



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Como observa Summers, Facebook e Google (e também o Twitter) estão abusando do seu poder de mercado, dado que são virtuais monopolistas. Diante disso, não restaria, em princípio, alternativa (comunicativa) para os alvos da censura. Tanto emissores quanto receptores!



Digo “em princípio” porque o jornalista aponta como contra-ataque possível o uso de mecanismos de busca alternativos (Web crawler, DuckDuckGo e Yandex). O mesmo princípio se aplicaria mutatis mutandis às redes sociais, com o incentivo (pelas lideranças e “influenciadores”) à migração de seus seguidores para outras plataformas, como o (russo) VK, entre outros.



No entanto, como afirmei em artigo anterior, essa operação de migração é complexa: leva tempo e depende de já haver um percentual de adesão relevante para começar a ter sucesso “operacional”. Isso porque o chamado “efeito de rede” faz com que o mecanismo alternativo só se torne viável, para a atividade fim de compartilhamento e disseminação de ideias, a partir do momento em que já conte com uma massa crítica:



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Para completar, o El País também publica matéria sobre o tema nesta semana. Faz uma retrospectiva do avanço paulatino – desde 2010 – das redes sociais majoritárias (Facebook e Twitter) como armas de manipulação política. O jornal espanhol ilustra a tese com o exemplo dos próprios EUA, culminando na eleição de Donald Trump no final do ano passado.

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O nosso contra-ataque



Muito em breve teremos novidades sobre o estabelecimento de redes alternativas para a comunicação da resistência.



Aguardem!

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Atualização (1): C.Q.D.(s) instantâneo(s) (!)

No meu perfil:

 

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No compartilhamento em um grupo do Facebook:

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Atualização (2): Folha de São Paulo desesperada porque tampouco vai poder pagar, coitada!

“Atrasadinha” (¬¬) a Folha descobriu, hoje, esse assunto também, olha:



Gerard Julien/AFP
sta foto de arquivo realizada em 09 de outubro de 2015 mostra uma tel
Tela de computador exibindo a página do Facebook



NELSON DE SÁ
DE SÃO PAULO
26/10/2017  02h00



O Facebook provocou reação de editores ao redor do mundo ao iniciar um teste em seis países, na semana passada, tirando as páginas de mídia e outras do feed de notícias –que passou a priorizar amigos e conteúdo pago.



O teste é restrito a pequenos países de América Latina (Guatemala e Bolívia), Europa Oriental (Eslováquia e Sérvia) e sul da Ásia (Sri Lanka e Camboja). Neles, as Redações perceberam quedas de audiência a partir do dia 19.



No sábado, o jornalista Filip Struhárik, do eslovaco “Denník N”, publicou um texto de alerta, em inglês, que repercutiu a ponto de forçar uma série de respostas de Adam Mosseri, o diretor mundial do feed de notícias.



Em seu texto, Struhárik relatou a “maior queda em alcance orgânico no Facebook” já registrada. As 60 maiores páginas de mídia do país teriam caído para menos da metade das interações (curtidas, comentários e compartilhamentos). A média diária de 2.000 interações, até o dia 18, teria baixado para 800, a partir do dia 19.



Posteriormente, Struhárik informou que a queda era “menos significativa” nas publicações eslovacas de “grande mídia”, que têm mecanismos próprios “fortes” de propagação de conteúdo, como home pages, notificações e newsletters.



Entre as conclusões iniciais tiradas por editores, tanto os atingidos como aqueles de outros países, a principal foi que será preciso pagar ao Facebook para se manter no feed de notícias –e veículos menores tenderão a desaparecer.



Mosseri, do Facebook, respondeu a Struhárik via Twitter, dizendo que “não é um teste global e não há planos para que seja”.



Posteriormente, ele acrescentou que “não existem planos no momento para cobrar das páginas por sua distribuição no feed de notícias”.

Editoria de Arte/Folhapress
OLHA SOCIALFacebook tira notícias do feed de usuários para testar

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Atualização (3): Twitter ACABA de banir contas da RT do sistema de publicidade – simples assim (!)

Twitter bloquea todo el contenido publicitario de RT

Publicado: 26 oct 2017 14:27 GMT | Última actualización: 26 oct 2017 15:27 GMT
La red social Twitter ha tomado la decisión de bloquear cualquier contenido publicitario de la cadena RT y Sputnik.
El comunicado al respecto ha sido publicado en el blog oficial de la red social.
La decisión se ha basado “en el trabajo retrospectivo que hemos estado haciendo en torno a las elecciones estadounidenses de 2016 y la conclusión de la comunidad de Inteligencia de EE.UU.”, reza el comunicado. Según el documento, RT y Sputnik supuestamente intentaron interferir en las elecciones en EE.UU. en nombre del Gobierno ruso.
Las cuentas de la cadena RT que ya no podrán publicar materiales publicitarios en Twitter son:

@ActualidadRT
@ RT_1917
@RT_America
@RT_com
@RT_Deutsch
@RT_russian
@RTarabic
@RTenfrancais
@RTUKnews
“No tomamos esta decisión a la ligera”, afirma el comunicado, al explicar que este paso fue dado como parte del “compromiso continuo para ayudar a proteger la integridad de la experiencia del usuario en Twitter”.
Además, Twitter asignará a fines benéficos los 1,9 millones de dólares de EE.UU. que había obtenido tras vender el espacio publicitario a RT y Sputnik desde el año 2011. Los fondos serán destinados a investigaciones independientes sobre el uso de Twitter durante las elecciones.
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En respuesta a las medidas de bloqueo tomadas por Twitter, la directora del grupo RT, Margarita Simonián, ha declarado: “Es una lástima, sobre todo porque ahora los medios de comunicación estadounidenses ahora podrán sentir toda la ‘ternura’ de las contramedidas de Rusia”.
Este 5 de octubre, durante una reunión del grupo de trabajo en el Consejo de la Federación, Margarita Simonián, declaró que la red social Twitter proporcionó al Congreso de EE.UU. la información sobre los contratos con la cadena RT sobre las actividades publicitaria en esta servicio de microblog.
Al mismo tiempo, Simonián precisó que el mismo Twitter ofreció a RT cooperación en el área de publicidad. Y actualmente este hecho se usa contra la cadena, añadió la directora del grupo RT.
Más información, en breve.


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Atualização (4): Senador Roberto Requião trata desse ensaio de “apagão comunicativo” no programa “Cafezinho no WC”

Programa “Cafezinho WC” 19-10-2017:


– Senador Roberto Requião fala da entrega do pré-sal (Medida Provisória do REPETRO) e do “apagão comunicativo” com fins políticos, promovido por redes sociais/ sites AMERICANOS, como Facebook, Google, Twitter, etc.

Minhas colocações ao Senador Requião a respeito da – mais que necessária! – “revolução digital”:



– Os políticos da oposição, os patriotas, seus companheiros da frente parlamentar em defesa da soberania, as assessorias os partidos – eles estão tomando consciência do “apagão comunicativo” tramado por Facebook, Google, Twitter, etc. para 2018?



– Fenômeno é recente mas o método já está claro: boicote com os algoritmos, não notificação aos seguidores, fraude nos números de visualizações para desmotivar/ desmobilizar, e até a derrubada de transmissões ao vivo/ censura (Face e Youtube). Por fim, em casos “extremos”, o puro e simples BANIMENTO de usuários/ veículos dessas redes!



– Migração leva tempo e deve ser um esforço coletivo (“efeito de rede”) – todos os parlamentares de oposição deveriam adotar uma estratégia comum, concertada.



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– Talvez sob o guarda-chuva da própria frente parlamentar, já que o boicote parte de interesses estrangeiros atuando no Brasil (Face/ Google/ Twitter).



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– Não seria conveniente a convocação dos representantes dessas empresas estrangeiras à Comissão de Ciência, Tecnologia e Comunicação do Senado?



– Para que explicassem como funcionam os tais “algoritmos” (sic)?



– E a parceria com essas consultorias de big data (e.g., Cambridge)?



– Termos dos contratos com a mesma?



– Auditoria externa, independente do funcionamento dos algoritmos?
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– Não seria conveniente, paralelamente, que os partidos políticos provocassem o TSE a esse respeito?



(já que não dá mais tempo de legislar no Congresso, em virtude da “anualidade”)

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Atualização (5): parece que as “malandragens” político-eleitorais (e financeira$) do Facebook entraram mesmo na pauta HOJE… olha só:


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Por Paulo Alves
Publicado em 26 de outubro de 2017

Brad Parscale nunca havia trabalhado em uma campanha eleitoral, mas rapidamente se tornou a “arma secreta” de Trump – com ajuda do Facebook

A campanha vitoriosa de Donald Trump à presidência dos EUA, a essa altura, já é conhecida pelas táticas pouco ortodoxas que ele usou para alcançar o eleitorado online. A polêmica Cambridge Analytica foi contratada para traçar um perfil psicográfico da população americana com ajuda de dados pessoais comprados ou obtidos livremente na web.

De acordo com a empresa de análise comportamental, os anúncios de Trump nas redes sociais – e consequentemente a vitória nas urnas – teriam sido um sucesso graças a essas informações. Mas, há quem diga que não foi bem assim.

Leia também

A verdadeira mente por trás da estratégia vencedora de Trump só veio à tona agora. Brad Parscale, um homem que nunca havia trabalhado antes em uma campanha política, aprendeu a usar o Facebook como ninguém e foi o responsável pelo microtargeting – marketing que direciona anúncios hiper segmentados aos usuários – usado na publicidade online.
Em entrevista ao programa de TV americano 60 Minutes, Parscale entrega informações novas sobre os mecanismos internos da busca por eleitores. Segundo ele, o próprio Facebook trabalhou com Trump para vencer nas redes sociais.

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Oferta do Facebook

Eram milhares de anúncios diários por dia, cada um para um perfil específico. Uma estratégia que, em vez de se apoiar em relatórios psicográficos supostamente falhos oferecidos pela Cambridge Analytica, contou com a ajuda de especialistas da empresa de Mark Zuckerberg – especificamente, funcionários que já apoiavam Trump e o Partido Republicano.

“Eles ficavam [trabalhando na campanha] vários dias por semana. Três, quatro dias por semana, dois dias por semana, cinco dias por semana”, disse o estrategista à jornalista Lesley Stahl, da TV americana CBS.

O Facebook teria  oferecido o serviço. Ainda assim, Parscale insistia que precisava de todo o suporte possível que a rede social pudesse entregar. Para convencer o Facebook a mandar mais pessoas, ele enviou e-mails à exaustão.

“Eu quero saber todos os botões secretos, cliques, toda a tecnologia que vocês têm. Eu quero saber tudo o que vocês diriam para a campanha da Hillary e muito mais. E eu quero sua equipe aqui me ensinando como usar”, diziam suas mensagens.

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Escritório de campanha de Trump, onde teriam trabalhado funcionários do Facebook

Parscale diz ter pedido ao Facebook o envio exclusivo de funcionários republicanos para evitar que possíveis democratas bisbilhotassem os planos de Trump. “Eles têm essa divisão interna”, garantiu.

O Facebook e a campanha de Hillary Clinton confirmaram à CBS que uma equipe de especialistas da rede social também foi oferecida para ajudar a campanha presidencial dos democratas. Clinton, porém, recusou a oferta – e esse pode ter sido um dos grandes divisores de água na eleição.

O plano

Para fazer tudo acontecer, ele diz ter remanejado todo o orçamento do republicano, tirando verba de anúncios de TV e realocando tudo para publicidade online. Houve investimento em redes como Twitter e Instagram, mas cerca de 80% foi colocado no Facebook.

“Eu sabia logo cedo que Donald Trump iria vencer com o Facebook. Ele usava o Twitter para falar com as pessoas. E o Facebook iria ser a maneira de vencer”, cravou Parscale, então com o cargo de diretor de marketing digital.

Segundo o marqueteiro, sua equipe disparava, em média, 56 mil anúncios por dia, a maioria com mudanças discretas entre um e outro. Em alguns, um botão verde para redirecionar ao site de doação; em outro, vermelho. Enquanto uns anúncios usavam o termo “doar”, outros exibiam “contribuir”.

Com essas pequenas diferenças, Parscale diz ter alcançado uma parcela muito maior de investimentos por parte de eleitores comuns. O montante teria chegado a US$ 240 milhões em pequenas doações, um recorde.

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Marqueteiro de Trump diz ter disparado 56 mil anúncios por dia no Facebook durante a campanha

Esse tipo de microtargeting não é novidade. Quando a Cambridge Analytica veio a público mostrar sua tecnologia de mapeamento psicológico, o discurso foi de que anúncios de Facebooklevemente alterados poderiam atingir exatamente quem o cliente precisava. No caso de Trump, teria sido fácil traçar um perfil do eleitor e direcionar o post adequado no feed.

No entanto, o diretor de marketing da campanha de Trump garante que nada disso foi feito com ajuda da Cambridge Analytica, cuja ferramenta ele diz que simplesmente “não funciona”. O que chama atenção é que, em vez de relatórios psicográficos, a campanha usou funcionários do Facebook para obter o resultado.

Fake News

A atuação direta do Facebook na campanha de Trump acende mais uma vez o alerta sobre as fake news. Mark Zuckerberg chegou a dar uma declaração se mostrando arrependido por ter menosprezado o papel das notícias falsas no resultado da votação.

“Chamar [as fake news] de loucura foi desdenhoso e eu me arrependo. Esse é um assunto muito importante para ser desprezado”, escreveu Zuckerberg em um post no Facebook.

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Com novas informações que vieram à tona, fica claro que o problema foi bem maior do que se pensava. Zuckerberg não só deixou de dar atenção a um fenômeno negativo ocorrendo na rede social, como pode ter oferecido seus próprios funcionários para ajudar isso a acontecer.

Parscale, porém, nega o uso de notícias falsas na campanha eleitoral. Ele afirma ter se concentrado em anúncios sobre causas defendidas por Trump, de porte de armas à criação de postos de trabalho. Também negou ter usado filtros raciais ou linguagem violenta na publicidade.

Além disso, Parscale desaprova o termo “rei dos bots” atribuído a ele. Todos os milhares de anúncios distribuídos online durante o período eleitoral, garante, teriam sido criados pelos 100 membros de sua equipe, com ajuda do Facebook. Nenhum robô teria sido envolvido no processo.

O pai da eleição de Trump

Boa parte dos mecanismos que levaram Trump à presidência dos EUA, à revelia das pesquisas eleitorais que anteciparam o pleito, permanece obscura. No entanto, aos poucos, pessoas envolvidas na campanha começam a revelar como a estratégia falha dos democratas  na internet beneficiou Trump.

Primeiro, a Cambridge Analytica disse ter oferecido as ferramentas necessárias para Trump se eleger. Agora, o diretor de marketing Brad Parscale explica que o Facebook atuou dentro dos escritórios da campanha. E foi além: segundo ele, o time da rede social foi fundamental para o resultado positivo.

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A jornalista Lesley Stahl disse que é fácil entender porque o marqueteiro de Trump aceitou dar a entrevista e contar tudo ao 60 Minutes. “Ele queria fazer a volta Olímpica depois da vitória”.

Para a entrevistadora, o profissional teria se sentido desprestigiado. O quadro se agravou depois que a Cambridge Analytica veio a público se gabar  do desempenho da campanha nas redes sociais. No fim, o Facebook acabou envolvido ainda mais na polêmica.

A rede social ainda não comentou sobre as declarações do funcionário de Trump. O Showmetech entrou em contato com a assessoria do Facebook Brasil, mas não obteve resposta até a data de publicação.

Logo que o escândalo das fake news surgiu, Zuckerberg se limitou a dizer que a rede social deixará anúncios políticos mais transparentes no feed.

Ainda restam dúvidas sobre como o Facebook pode coibir um microtargeting cada vez mais forte e invasivo. Enquanto isso, marqueteiros aproveitam as brechas. No Brasil, já há quem ofereça uma parceria com a Cambridge Analytica para as eleições do ano que vem.
Quanto à reeleição, Parscale é categórico: a próxima campanha, para 2020, já começou.


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Íntegra das (demais) matérias citadas:

Facebook moving non-promoted posts out of news feed in trial

New system could destroy smaller publishers if implemented, after journalists report drop in organic reach – but users will still see their friends’ posts
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New system trialled in six countries sees non-promoted posts shifted over to a second feed, leaving the main feed focused on original content from friends and adverts. Photograph: Elise Amendola/AP
Alex Hern
Monday 23 October 2017 15.12 BST
Last modified on Tuesday 24 October 2017 12.10 BST
Facebook is testing a major change that would shift non-promoted posts out of its news feed, a move that could be catastrophic for publishers relying on the social network for their audience.
A new system being trialled in six countries including Slovakia, Serbia and Sri Lanka sees almost all non-promoted posts shifted over to a secondary feed, leaving the main feed focused entirely on original content from friends, and adverts.
The change has seen users’ engagement with Facebook pages drop precipitously, with publications reporting a 60% to 80% fall. If replicated more broadly, such a change would destroy many smaller publishers, as well as larger ones with an outsized reliance on social media referrals for visitors.
According to Filip Struhárik, a journalist at Slovakian newspaper Dennik N, the change resulted in a drop in interactions across the country’s media landscape. “Pages are seeing dramatic drops in organic reach,” Struhárik said. “The reach of several Facebook pages fell on Thursday and Friday by two-thirds compared to previous days.”
Overnight, from Wednesday to Thursday, a broad cross-section of the 60 largest Facebook pages in Slovakia saw two-thirds to three-quarters of their Facebook reach disappear, according to stats from Facebook-owned analytics service CrowdTangle. For larger sites, with a number of different ways to communicate with their readers, that hasn’t had a huge effect on their bottom line, but it’s a different story for those with a reliance on social media.
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The change does not affect paid promotions, which appear on the news feed as normal. Photograph: Alamy Stock Photo
Smaller sites are reporting a loss of traffic and Facebook engagement, Struhárik told the Guardian. “Its hard to say now how big it will be. Problems have also hit ‘Buzzfeed-like’ sites, which were more dependent on social traffic.”
Struhárik noted that the trial has only been in place since Thursday, rendering it too soon to draw strict conclusions. “But if reach is radically smaller, interactions decreased and your site doesn’t have diversity of traffic sources, it will hurt you.”
In a statement, Facebook said: “With all of the possible stories in each person’s feed, we always work to connect people with the posts they find most meaningful. People have told us they want an easier way to see posts from friends and family, so we are testing two separate feeds, one as a dedicated space with posts from friends and family and another as a dedicated space for posts from Pages.”
Notably, the change does not seem to affect paid promotions: those still appear on the news feed as normal, as do posts from people who have been followed or friended on the site. But the change does affect so called “native” content, such as Facebook videos, if those are posted by a page and not shared through paid promotion.
Matti Littunen, a senior research analyst at Enders Analysis, said the move was “the classic Facebook playbook: first give lots of organic reach to one content type, then they have to pay for reach, then they can only get through to anyone by paying.”
Littunen said that many “premium” publishers had already cottoned on to the trend, and backed off relying too strongly on social media. But new media companies, who rely on social media to bring in traffic and revenue, would be wounded, perhaps fatally, by the switch. “The biggest hits will be to the likes of Buzzfeed, Huffington Post and Business Insider, who create commoditised content aiming for the biggest reach.”
Elsewhere, publishers who dived towards video content as Facebook began promoting that may also get burned, Littunen says. “The kind of video that is doing best has been quite commoditised low-value stuff that is often lifted from elsewhere and repackaged for Facebook.
“We don’t see that bonanza going on forever, and since the content isn’t what Facebook has been hoping for, it’s expendable. We’re expecting to see another repeat of this playbook, with organic reach being replaced by paid reach.”
For Struhárik, there is one last catch: he doesn’t expect the test to be a huge success. “Newsfeed without news. Just friends and sponsored content. People will find out how boring their friends are,” he said.
In a second statement issued after this article was published, Facebook added: “We have no current plans to roll this out globally.”



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‘Facebook & other companies abuse monopoly power to increase profit, censor news’

Published time: 24 Oct, 2017 17:22
RT
https://cdni.rt.com/files/2017.10/article/59ef6390fc7e931d078b4567.jpg
© Leon Neal / AFP
Internet companies like Facebook are abusing their power to demonetize people and content they don’t like and are in cahoots with the US deep state to censor the news, says investigative journalist Martin Summers.
Facebook users in Bolivia, Slovakia, Sri Lanka, Serbia, Cambodia, and Guatemala have hit back at the social media giant, which is trialing a scheme to charge news outlets for their posts. It could have a significant impact on the organizations using the social network to distribute information and material.
The online community has lashed out, saying the social media network will be supplying people what they want to hear, also severing the link between the organizations and users.
RT: Facebook wants to charge companies for including content. Do you think it will work?
Martin Summers: I think this is an abuse of the monopoly powers on Facebook, and the other major US internet companies are basically trying it on, they are experimenting with it to see if they can use their monopoly power to increase their profits. But also more sinisterly they are working with US intelligence services to censor the news. I think it is very worrying development.
RT: From a business point of view, advertisers have to pay, why shouldn’t any organization have to do the same?
MS: It is not really a competitive market. What’s developed is we’ve now got private monopoly power developing here, which is ultimately unregulated. There are calls from across the spectrum in the US for internet companies to be treated like utilities. And they even got to be run by the government, or they have got to be regulated by the government to ensure that a competitive market exists. One of the other sinister things they are doing – is demonetizing people they don’t like. So certain content, for example, Luke Rudkowski, who is a famous alternative journalist, his material is now being demonetized – and that is his living. That is the sort of thing they are capable of doing, and they are doing.
RT: This would essentially filter content for the user. What are the implications for press freedom?
MS: As I say, it is not just a commercial issue. It clearly has aspects that are to do with commercial manipulation. But even more sinister is Google changing its algorithms, so that the radical websites that are critical of government policy found their traffic going down by 60 percent, 70 percent as a result of changing their algorithms. Now that sort of power needs to be regulated. You can’t just allow Facebook’s business leaders, who are absolutely in cahoots with the secret state, the deep state in the US to have this kind of power and to abuse it in the way that they are.
RT: Could this backfire? Users of Facebook have power too, so they can just vote and go elsewhere, can’t they?
MS: That’s right. What tech-savvy young people should be doing is using other web-based internet explorers like Web crawler, DuckDuckGo, Yandex. And we if we can get youngsters to recognize that they are being manipulated by Google and by Facebook – then that would probably hit them on their bottom line. But there is still a case for the government to intervene and regulate these big monopolies to ensure that there is a fair player on a level playing field. That is what happened with other utilities in the past: we’re at the ‘robber baron’ state now of the internet revolution. And it is time for the government to step in and make sure that fair play is done.



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O obscuro uso do Facebook e do Twitter como armas de manipulação política

JAVIER SALAS

EL PAÍS
As manobras nas redes se tornam uma ameaça que os governos querem controlar
 manipulação das redes sociais está afetando os processos polític
A manipulação das redes sociais está afetando os processos políticos.
Tudo mudou para sempre em 2 de novembro de 2010, sem que ninguém percebesse. O Facebook introduziu uma simples mensagem que surgia no feed de notícias de seus usuários. Uma janelinha que anunciava que seus amigos já tinham ido votar. Estavam em curso as eleições legislativas dos Estados Unidos e 60 milhões de eleitores vieram aquele teaser do Facebook. Cruzando dados de seus usuários com o registro eleitoral, a rede social calculou que acabaram indo votar 340.000 pessoas que teriam ficado em casa se não tivessem visto em suas páginas que seus amigos tinham passado pelas urnas.
Dois anos depois, quando Barack Obama tentava a reeleição, os cientistas do Facebook publicaram os resultados desse experimento político na revista Nature. Era a maneira de exibir os músculos diante dos potenciais anunciantes, o único modelo de negócio da empresa de Mark Zuckerberg, e que lhe rende mais de 9 bilhões de dólares por trimestre. É fácil imaginar o quanto devem ter crescido os bíceps do Facebook desde que mandou para as ruas centenas de milhares de eleitores há sete anos, quando nem sequer havia histórias patrocinadas.
Há algumas semanas, o co-fundador do Twitter, Ev Williams, se desculpou pelo papel determinante que essa plataforma desempenhou na eleição de Donald Trump, ao ajudar a criar um “ecossistema de veículos de comunicação que se sustenta e prospera com base na atenção”. “Isso é o que nos torna mais burros e Donald Trump é um sintoma disso”, afirmou. “Citar os tuítes de Trump ou a última e mais estúpida coisa dita por qualquer candidato político ou por qualquer pessoa é uma maneira eficiente de explorar os instintos mais baixos das pessoas. E isso está contaminando o mundo inteiro”, declarou Williams.
“Citar a coisa mais estúpida que qualquer político diga é uma maneira de explorar os instintos mais baixos das pessoas. Isso está contaminando o mundo inteiro”, declarou o fundador do Twitter
Quando perguntaram a Zuckerberg se o Facebook tinha sido determinante na eleição de Trump, ele recusou a ideia dizendo ser uma “loucura” e algo “extremamente improvável”. No entanto, a própria rede social que ele dirige se vangloria de ser uma ferramenta política decisiva em seus “casos de sucesso” publicitários, atribuindo a si mesma um papel essencial nas vitórias de deputados norte-americanas ou na maioria absoluta dos conservadores britânicos em 2015.
O certo é que é a própria equipe de Trump quem reconhece que cavalgou para a Casa Branca nas costas das redes sociais, aproveitando sua enorme capacidade de alcançar usuários tremendamente específicos com mensagens quase personalizadas. Como revelou uma representante da equipe digital de Trump à BBC, o Facebook, o Twitter, o YouTube e o Google tinham funcionários com escritórios próprios no quartel-general do republicano. “Eles nos ajudaram a utilizar essas plataformas da maneira mais eficaz possível. Quando você está injetando milhões e milhões de dólares nessas plataformas sociais [entre 70 e 85 milhões de dólares no caso do Facebook], recebe tratamento preferencial, com representantes que se certificam em satisfazer todas as nossas necessidades”.

E nisso apareceram os russos

 

A revelação de que o Facebook permitiu que, a partir de contas falsas ligadas a Moscou, fossem comprados anúncios pró-Trump no valor de 100.000 dólares colocou sobre a mesa o lado negro da plataforma de Zuckerberg. Encurralado pela opinião pública e pelo Congresso dos Estados Unidos, a empresa reconheceu que esses anúncios tinham alcançado 10 milhões de usuários. No entanto, um especialista da Universidade de Columbia, Jonathan Albright, calculou que o número real deve ser pelo menos o dobro, fora que grande parte de sua divulgação teria sido orgânica, ou seja, viralizando de maneira natural e não só por patrocínio. A resposta do Facebook? Apagar todo o rastro. E cortar o fluxo de informações para futuras investigações. “Nunca mais ele ou qualquer outro pesquisador poderá realizar o tipo de análise que fez dias antes”, publicou o The Washington Post há uma semana. “São dados de interesse público”, queixou-se Albright ao descobrir que o Facebook tinha fechado a última fresta pela qual os pesquisadores podiam espiar a realidade do que ocorre dentro da poderosa empresa.
Esteban Moro, que também se dedica a buscar frestas entre as opacas paredes da rede social, critica a decisão da companhia de se fechar em vez de apostar na transparência para demonstrar vontade de mudar. “Por isso tentamos forçar que o Facebook nos permita ver que parte do sistema influi nos resultados problemáticos”, afirma esse pesquisador, que atualmente trabalha no Media Lab do MIT. “Não sabemos até que ponto a plataforma está projetada para reforçar esse tipo de comportamento”, afirma, em referência à divulgação de falsas informações politicamente interessadas.
“Seus algoritmos são otimizados para favorecer a difusão da publicidade. Corrigir isso para evitar a propagação de desinformação vai contra o negócio”, explica Moro
O Facebook anunciou que contará com quase 9.000 funcionários para editar conteúdos, o que muitos consideram um remendo em um problema que é estrutural. “Seus algoritmos estão otimizados para favorecer a difusão de publicidade. Corrigir isso para evitar a propagação de desinformação vai contra o negócio”, explica Moro. A publicidade, principal fonte de rendas do Facebook e do Google, demanda que passemos mais tempos conectados, interagindo e clicando. E para obter isso, essas plataformas desenvolvem algoritmos muito potentes que criaram um campo de batalha perfeito para as mentiras polícias, no qual proliferaram veículos que faturam alto viralizando falsidades e meia-verdades polarizadas.
“É imprescindível haver um processo de supervisão desses algoritmos para mitigar seu impacto. E necessitamos de mais pesquisa para conhecer sua influência”, reivindica Gemma Galdon, especialista no impacto social da tecnologia e diretora da consultoria Eticas. Galdon destaca a coincidência temporal de muitos fenômenos, como o efeito bolha das redes (ao fazer um usuário se isolar de opiniões diferentes da sua), o mal-estar social generalizado, a escala brutal na qual atuam essas plataformas, a opacidade dos algoritmos e o desaparecimento da confiança na imprensa. Juntos, esses fatos geraram “um desastre significativo”. Moro concorda que “muitas das coisas que estão ocorrendo na sociedade têm a ver com o que ocorre nas redes”. E aponta um dado: “São o único lugar em que se informam 40% dos norte-americanos, que passam nelas três horas por dia”.
A propaganda informática é “uma das ferramentas mais poderosas contra a democracia”, segundo especialistas de Oxford, e por isso as redes “precisam se redesenhar para que a democracia sobreviva”
A diretora de operações do Facebook, Sheryl Sandberg, braço direito de Zuckerberg, defendeu a venda de anúncios como os russos, argumentando que se trata de uma questão de “liberdade de expressão”. Segundo a agência de notícias Bloomberg, o Facebook e o Google colaboraram ativamente em uma campanha xenófoba contra refugiados para que fosse vista por eleitores-chave nos estados em disputa. O Google também aceitou dinheiro russo para anúncios no YouTube e no Gmail. Não em vão, o Facebook tem pressionado há anos para que não seja afetado pela legislação que exige que a mídia tradicional seja transparente na contratação de propaganda eleitoral. Agora, o Senado pretende legislar sobre a propaganda digital contra a pressão dessas grandes plataformas tecnológicas, que defendem a autorregulação. Tanto o Twitter quanto o Facebook expressaram recentemente a intenção de serem mais transparentes nesta questão.

A responsabilidade do Twitter

 

Em meados deste ano, o Instituto de Internet da Universidade de Oxford publicou um relatório devastador, analisando a influência que as plataformas digitais estavam tendo sobre os processos democráticos em todo o mundo. A equipe de pesquisadores estudou o que aconteceu com milhões de publicações nos últimos dois anos em nove países (Brasil, Canadá, China, Alemanha, Polônia, Taiwan, Rússia, Ucrânia e Estados Unidos) e concluiu, entre outras coisas, que “os bots [contas automatizadas] podem influenciar processos políticos de importância mundial”.
Facebook, Twitter, YouTube e Google tinham funcionários com escritório próprio no quartel-general de Trump: “Quando você injeta tantos milhões, tem tratamento preferencial”
Nos EUA, os republicanos e a direita supremacista usaram exércitos de bots para “manipular consensos, dando a ilusão de uma popularidade on-line significativa para construir um verdadeiro apoio político” e para ampliar o alcance de sua propaganda. E concentraram seus esforços nos principais estados em disputa, que foram inundados com notícias de fontes não confiáveis. Em países como a Polônia e a Rússia, grande parte das conversas no Twitter é monopolizada por contas automatizadas. Em estados mais autoritários, as redes são usadas para controlar o debate político, silenciando a oposição e, nos mais democráticos, aparecem as cibertropas para intencionalmente contaminar as discussões. As plataformas não informam nem interferem porque colocariam “sua conta em risco”.
“Os bots utilizados para a manipulação política também são ferramentas eficazes para fortalecer a propaganda on-line e as campanhas de ódio. Uma pessoa, ou um pequeno grupo de pessoas, pode usar um exército de robôs políticos no Twitter para dar a ilusão de um consenso de grande escala”, afirma a equipe da Oxford. E concluem: “A propaganda informática é agora uma das ferramentas mais poderosas contra a democracia” e é por isso que as plataformas digitais “precisam ser significativamente redesenhadas para que a democracia sobreviva às redes sociais”.
Zuckerberg diz que é “loucura” pensar que o Facebook pode definir eleições, mas se gaba de fazer isso em seu próprio site
O Twitter também deletou conteúdo de valor potencialmente insubstituível que ajudaria a identificar a influência russa na eleição de Trump. Mais recentemente, pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia alertaram sobre o desenvolvimento de um mercado paralelo de bots políticos: as mesmas contas que antes apoiaram Trump, tentaram mais tarde envenenar a campanha na França a favor de Le Pen e, depois, produziram material em alemão colaborando com o partido neonazista Afd. Zuckerberg prometeu fazer o possível para “garantir a integridade” das eleições alemãs. Durante a campanha, sete das 10 notícias mais virais sobre a primeira-ministra alemã Angela Merkel no Facebook eram falsas. O portal ProPublica acaba de revelar que a rede social tolerou anúncios ilegais que espalhavam informações tóxicas contra o Partido Verde alemão.
Galdon trabalha com a Comissão Europeia, a qual considera “muito preocupada” nos últimos meses em dar uma resposta a esses fenômenos, pensando em um marco europeu de controle que, atualmente, está muito longe de ser concretizado. “Há quem aposte pela autorregulação, quem acredite que deve haver um órgão de supervisão de algoritmos como o dos medicamentos e até mesmo quem peça que os conteúdos sejam diretamente censurados”, diz a pesquisadora. Mas Galdon destaca um problema maior: “Dizemos às plataformas que precisam atuar melhor, mas não sabemos o que significa melhor. As autoridades europeias estão preocupadas, mas não sabem bem o que está acontecendo, o que mudar ou o que pedir exatamente”.
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SAIR DA BOLHA
Tem sido muito discutido o verdadeiro impacto do risco das bolhas de opinião geradas pelas redes, depois do alerta do ativista Eli Pariser. “Esse filtro, que acaba reforçando nossos próprios argumentos, está sendo decisivo”, alerta Galdon. Recentemente, Sheryl Sandberg, do Facebook, disse que a bolha era menor em sua plataforma do que na mídia tradicional (embora tenha negado categoricamente que sua empresa possa ser considerada um meio de comunicação). Cerca de 23% dos amigos de um usuário do Facebook têm opiniões políticas diferentes desse amigo, de acordo com Sandberg.
“Sabemos que as dinâmicas do Facebook favorecem o reforço de opiniões, que tudo é exacerbado porque buscamos a aprovação do grupo, porque podemos silenciar pessoas das quais não gostamos, porque a ferramenta nos dá mais do que nós gostamos. E isso gera maior polaridade”, diz Esteban Moro. Um exemplo: um estudo recente do Pew Research Center mostrou que os políticos mais extremistas têm muito mais seguidores no Facebook do que os moderados. “Vivemos em regiões de redes sociais completamente fechadas, das quais é muito difícil sair”, afirma. E propõe testar o experimento de seus colegas do Media Lab, do MIT, que desenvolveram a ferramenta FlipFeed, que permite entrar na bolha de outro usuário do Twitter, vendo sua timeline: “É como se você fosse levado de helicóptero e lançado no Texas sendo eleitor de Trump. Assim você percebe o quanto vivemos em um ecossistema de pessoas que pensam exatamente como nós”.




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Romulus Maya

Advogado internacionalista. 10 anos exilado do Brasil. Conta na SUÍÇA, sim, mas não numerada e sem numerário! Co-apresentador do @duploexpresso e blogueiro.