A revolta popular nos Estados Unidos e na América Latina

Por Alejandro Acosta

Grupos norte-americanos muito poderosos continuam demandando, tal qual um buraco negro, mais dinheiro, mais armas e mais guerras.

O capitalismo de Estado avança a passos largos. Após a Segunda Guerra Mundial setores inteiros da economia foram nacionalizados para salvar o capitalismo, principalmente na Inglaterra. Enormes concessões foram outorgadas aos trabalhadores para conter as revoluções que emergiam.

Os Estados Unidos enfrentam crescentes dificuldades para manter o controle em várias regiões do mundo. Por esse motivo, buscam se fortalecer na América Latina que é considerada como seu próprio quintal. O imperialismo norte-americano busca repassar o grosso da crise para a América Latina e por meio de métodos claramente amarrados à especulação financeira.

Com o objetivo de impor essa política, o regime político está sendo muito “direitizado”. Leis ultrarreacionárias estão passando no Brasil, Chile, Uruguai. A tradicional manifestação do dia 20 de maio no Uruguai, pelos assassinados e desaparecidos políticos da Ditadura Militar, foi proibida. No Chile, até as panelas populares (o povo da periferia cozinhando em mutirão) têm sido reprimidas pela polícia pinochetista. No Brasil, o regime endurece a passos largos. Há mais de 3.000 oficiais das forças armadas no governo e várias leis ultrarreacionárias estão tramitando no Congresso Nacional.

O objetivo do imperialismo é impor uma terceira onda “neoliberal” na ponta das baionetas a partir da América Latina, usando a principal potência da região como eixo. Por esse motivo, o pinochetismo avança no Brasil junto com o modelo do narcoestado colombiano.

Os recentes protestos e levantes de massas no Chile, na Colômbia e, principalmente, nos Estados Unidos mostram que, conforme a pressão do capital aumenta, a tendência das massas e dos trabalhadores é a de entrar em movimento.

Ao mesmo tempo, o assassinato do homem negro George Floyd, de 44 anos, pela polícia “pinochetista” de Minneapolis, aconteceu num contexto muito peculiar: o gigantesco aumento do desemprego nos Estados Unidos. Aconteceram muitos abusos e mortes de vários homens e mulheres negros na última década. Mas desta vez, temos sintomas do acúmulo, do acirramento da luta de classes nos Estados Unidos que, inclusive a partir de fevereiro de 2018, tinha visto a ascensão do movimento operário com as maiores greves das últimas décadas.

Em paralelo, haverá um aumento das contradições de classe sob o impacto da política de guerra da burguesia contra os trabalhadores, o que inclui as mortes por coronavírus ou por mecanismos mais tradicionais de assassinato.

Ouça o artigo no player abaixo e na Rádio Expressa:

 

A população pobre dos Estados Unidos se levanta

O mundo tem ficado muito surpreso com a revolta popular nos Estados Unidos, a maior desde a década de 1960.

O toque de recolher foi decretado em 25 estados, atingindo cidades como Minneapolis, Seattle, Portland, Denver, Atlanta, Chicago, Rochester, Los Angeles, Miami, Cleveland, Columbus, Pittsburgh, Philadelphia e Milwaukee. O governo federal enviou a Guarda Nacional a Minneapolis, numa operação que não acontecia desde a Segunda Guerra Mundial.

De acordo com a propaganda da imprensa burguesa, seria impossível imaginar grandes revoltas populares no centro do capitalismo mundial, em países como os Estados Unidos, Alemanha ou Japão.

O assassinato de George Floyd representou a gota d’água que fez o copo transbordar. Não é a primeira vez, nem será, provavelmente, a última, que a polícia dos Estados Unidos terá assassinado uma pessoa negra, imigrante ou mesmo branca e pobre. Então, o que provocou a enorme revolta popular que se alastrou às principais cidades do país?

O aprofundamento da crise capitalista nos Estados Unidos já deixou um saldo de mais de 40 milhões de desempregados, muita miséria e o aumento da carestia da vida.

Há muitos anos que os atropelos da polícia têm se tornado o comportamento padrão, principalmente após os atentados às Torres Gêmeas de 2001.

A última frase pronunciada por George Floyd, “I can’t breathe” (“não posso respirar”), tomou conta das ruas. A população pobre “já não pode mais respirar” devido à brutalidade dos ataques do Estado e dos capitalistas, com o desemprego, o endividamento generalizado e a crescente miséria.

Os trabalhadores irão se levantar?

A revolta popular nos Estados Unidos em pleno estado de choque e pânico generalizado, mostra que conforme a crise capitalista avança os trabalhadores tendem a entrar em movimento, em grandes protestos e revoltas.

Nos países desenvolvidos, o número de trabalhadores nos setores industriais tem diminuído nas últimas décadas, a medida que um grande número de empresas foi movido para a Ásia, principalmente para a China. Hoje os salários dos chineses aumentaram muito em comparação aos anos de 1980, quando eram na média de US$ 30 ao mês. No Vietnam, oscilam entre US$ 120 e US$ 200, sem direitos. Na China, há 800 milhões de trabalhadores industriais, considerando as famílias. No Vietnam, são mais de 50 milhões.

O imperialismo norte-americano faz pressão para reduzir os salários dos trabalhadores na América Latina ao nível do Vietnam, com o objetivo de novamente mover as cadeias produtivas para o seu pátio traseiro.

O aumento dos ataques contra os trabalhadores aumenta as tensões sociais. Hoje, a luta de classes tem se acirrado. Os capitalistas e a burguesia buscam salvar-se da crise e repassá-la para os trabalhadores. Os trabalhadores precisam salvar-se da morte, seja por coronavírus ou pela fome.

Os trabalhadores tendem a levantar-se, mas a burguesia também age. A repressão dos movimentos de massas tem escalado.

Os preparativos para a guerra continuam de maneira acelerada, na luta desesperada pelo controle do mercado mundial. O capitalismo precisa de uma gigantesca destruição de forças produtivas,assim como militarizar a sociedade.

As leis do capitalismo estão sendo tensionadas ao máximo. A burguesia consegue manter o controle por meio do aumento dos ataques contra as massas, pela imposição de uma “terceira onda neoliberal a la Pinochet”, na ponta das baionetas.

A falta de direções revolucionárias é o problema principal para a saída da crise. Ao mesmo tempo, a profundidade da crise capitalista e o enorme enfraquecimento dos mecanismos de controle social dos trabalhadores, a burocracia social e dos movimentos sociais, e os partidos operários controlados por direções vendidas à burguesia, representam uma fraqueza considerável para os capitalistas.

Enfrentamento à pandemia: uma operação de guerra para enfrentar a crise 

Depois de setembro de 2019, os supercapitalistas estavam a ponto de perder o controle do dólar na economia mundial. Nesse contexto, surgiu a crise sanitária do coronavírus, criando um estado de pânico generalizado na população mundial.

Desmontar a bolha da dívida pública pode demorar décadas. Essa bolha foi montada ao longo de 50 anos. A covid-19 aparece como uma distração e desculpa excelentes para camuflar os resgates das grandes empresas e o repasse da crise para as massas.

Donald Trump, o presidente dos Estados Unidos, conseguiu conter o descontentamento social por meio de um amplo programa de obras públicas que gerou um enorme endividamento. O problema é que não conseguiu cumprir com as promessas de campanha em relação a depor o governo chavista da Venezuela, nem controlar o regime dos aiatolás iranianos. As tentativas militares contra ambos os países fracassaram.

Até o surgimento da covid-19, parecia que Donald Trump iria vencer as eleições presidenciais de novembro. Agora parece que será derrotado por um candidato tão ruim como Joe Biden, que é vinculado ao complexo industrial militar.

A operação de guerra, que usa como máscara a crise sanitária, busca manter os lucros dos grandes capitalistas. A reprodução ampliada do capital depende cada vez mais da especulação financeira. Enquanto as grandes empresas quase não pagam impostos e têm recebido repasses obscenos de recursos, os trabalhadores enfrentam o desemprego, a redução de salários e o aumento dos impostos.

A crise está longe de ter se fechado. Virão enormes quebradeiras de pequenas e médias empresas nos próximos meses, inflação com depressão econômica, desemprego, fome e mortes pelo coronavírus e outros. A saída capitalista para a crise terá que passar por novas operações de guerra,  com mais ditaduras ferozes e enfrentamentos militares velados ou abertos.

As contradições entre as grandes potências aumentam sem parar na disputa pelo controle do mercado mundial. As recentes sanções dos Estados Unidos contra a empresa de telecomunicações chinesa Huawei e a continuidade do processo de extradição aos Estados Unidos da CFO da empresa (responsável financeira que se encontra presa no Canadá), assim como as operações de guerra norte-americanas no Mar do Sul da China e no Mar do Caribe, o aumento das sanções e o bloqueio contra a Rússia, Irã e Venezuela, tiveram respostas do bloco liderado pela China e aliados.

A imposição da Lei de Segurança Nacional em Hong Kong (pelo governo central da China) e os navios iranianos que levaram gasolina e insumos à Venezuela (com o apoio dos russos e chineses), foram algumas das ações que culminaram com o chamado de Xi Jinping, o presidente chinês, para que as forças armadas entrassem em estado de alerta e se preparassem para confrontos armados complexos.

A crise avança a passos largos nos Estados Unidos

O déficit fiscal federal nos Estados Unidos escalou de US$ 1 trilhão para US$ 2,5 trilhões, talvez chegue a  US$ 5 trilhões neste ano. A dívida pública deverá aumentar para mais de US$ 30 trilhões em 2021. O PIB oficial do país é de US$ 21 trilhões.

As dívidas totais acumuladas pelos Estados Unidos somam em torno a US$ 200 trilhões (135 anos da produção do Brasil), dos quais US$ 150 trilhões não tem cobertura, ou seja o equivalente a toda a riqueza nacional. Fica a pergunta: até que ponto será possível manter o dólar, enquanto este está afundando? Como lidar com tamanhos números sem a hiperinflação e a guerra?

A farra do esquema Ponzi”, da recompra de títulos emitidos pelas  megaempresas (como ações ou dívida privada), está paralisada porque era movida pelos fundos públicos de pensão (vinculados a estados, municípios, cidades etc.), que agora ficaram sem dinheiro para participar abertamente da farra da especulação financeira.

Um “esquema Ponzi” é uma operação fraudulenta sofisticada de investimento, do tipo esquema em pirâmide, que envolve a promessa de pagamento de rendimentos anormalmente altos aos especuladores, à custa do dinheiro pago pelos investidores que chegarem posteriormente, em vez da receita gerada por qualquer negócio real. O nome do esquema refere-se ao criminoso financeiro ítalo-americano Charles Ponzi.

Um esquema em pirâmide, também conhecido como pirâmide financeira, é um modelo comercial previsivelmente não-sustentável que depende basicamente do recrutamento progressivo de outras pessoas para o esquema.

Esse “corrupto” (no capitalismo tudo não passa de meros negócios) “esquema Ponzi” movimentou 90% do índice SP&500 (o Ibovespa norte-americano) nos últimos cinco anos.

A economia capitalista caminhando para trás

Todas as políticas aplicadas desde 2008, com repasses de recursos obscenos para os grandes capitalistas, não conseguiram fazer a economia decolar e, na média, o crescimento oficial médio foi de 1% ao ano.

As taxas de juros são as maiores dos últimos 20 anos. A queda do PIB é de -40%. As quebradeiras em massa estão colocadas. Até agora mais de 100 mil pequenas e médias empresas entraram com pedido de falência.

O volume de capitais especulativos na especulação imobiliária, que deflagrou a crise de 2008, superou os US$ 10 trilhões, ou US$ 1 trilhão a mais que em 2008. As vendas de imóveis despencaram.

Apesar da brutal crise, o Índice Dow Jones aumentou e o preço do minério de ferro está em quase US$ 100 a tonelada, sendo que na crise de 2008 chegou a cair para pouco mais de US$ 30.

Os repasses obscenos de recursos para os grandes capitalistas estão evitando a bancarrota das grandes empresas, mas as bolhas financeiras, que representam a aparência, os primeiros sintomas da crise capitalista, longe de diminuírem, estão aumentando em alta velocidade.

A concentração da riqueza acelerou. O mercado de ações tradicional, o S&P, é 25% controlado por apenas cinco empresas. O de tecnologia, o Nasdaq, é 40% controlado por cinco empresas (Facebook, Apple, Google, Microsoft e Amazon), com crescimento de 11% somente neste ano. Com a queda dos preços, principalmente nos países atrasados, as megaempresas estão indo às compras.

O desemprego e o aumento da “temperatura” social

A maioria da população norte-americana está super endividada e sem emprego. Em março, as dívidas dos “consumidores” eram de US$ 14,3 trilhões, ou US$ 1,6 trilhões acima do pico da crise de 2008. Os capital envolvido na especulação imobiliária era de aproximadamente US$ 10 trilhões, quase US$ 1 trilhão a mais.

A taxa de desemprego nos Estados Unidos é de mais de 40 milhões da mão de obra. Somente em abril e maio aumentou em torno de 30 milhões e na semana passada quase 2,5 milhões entraram com pedido de seguro desemprego, elevando o total oficial para 40,8 milhões.

Todas as grandes empresas estão demitindo. A Boeing anunciou que irá demitir 13.300 trabalhadores.

A maioria dos norte-americanos está quebrada. Quase a metade da população não tem qualquer poupança. A população tende a aumentar os calotes.

No setor imobiliário, mais de 4,5 milhões de pessoas não conseguem pagar os financiamentos (aos bancos) e a terça parte dos locatários não paga o aluguel.

Os bancos começaram a apertar as condições para empréstimos.

As revoltas que estouraram a partir do assassinato de George Floyd, representam apenas o prenúncio do acirramento da luta de classes.

Crise mundial: cada vez mais fome, desemprego, hiperinflação, recessão, mortes e guerras

A crise sanitária do coronavírus continua avançando rapidamente e com alta letalidade. Os países mais atingidos são aqueles onde a crise capitalista tem sido pior desde antes, ou muito antes, de março de 2020. A crise atual é a continuidade da grande crise de 2008 que ainda não se fechou.

No final do ano passado, tudo indicava que haveria uma nova quebradeira de grandes empresas e que o império do dólar poderia colapsar. Sob impacto do estado de choque generalizado criado a partir da crise sanitária do coronavírus, estourou a maior crise da história do capitalismo.

Os resgates das grandes empresas têm sido trilionários. Há uma nova onda de QE (quantitative easing, ou alívio quantitativo) que implica na compra pelo valor cheio, por parte dos bancos centrais, dos títulos emitidos pelas grandes empresas que perderam muito valor por causa da crise.

Voltaram as taxas de juros super baixas para as grandes empresas e os governos às estão resgatando, assim como aos estados e municípios, com dinheiro que não existe.

A crise capitalista em números

As dívidas públicas acumuladas somam quase US$ 330 trilhões, ou US$ 90 trilhões a mais que em 2008, com a metade desses valores comprometidos em derivativos financeiros (o principal componente da especulação financeira).

Há a “ratoeira” da deflação, muito piorada pela depressão econômica, ao mesmo tempo que as emissões obscenas de recursos públicos para salvar as grandes empresas empurra para a hiperinflação.

O volume de capitais nominais envolvidos na especulação financeira soma mais de US$ 2 quadrilhões, pelo menos sete vezes o PIB mundial.

No sistema atual, cada habitante do planeta detém aproximadamente US$ 10 mil do PIB Mundial, US$ 40 mil em dívidas e US$ 200 mil em derivativos financeiros.

As bolhas imobiliárias refletem o aprofundamento da crise capitalista. No início da década passada houve a bolha da Internet e das Bolsas. Em 2008, foi a bolha dos derivativos financeiros com o componente da crise imobiliária, que detonou a maior crise desde a Segunda Guerra Mundial e que nunca se fechou, foi apenas mais ou menos controlada entre 2008 e 2012. Agora surgem as novas bolhas financeiras a partir do endividamento generalizado.

As quebradeiras em massa que estão por vir, após a economia mundial estar quase parada, farão parecer 2009 uma brincadeira de criança.

Até o momento, o governo dos Estados Unidos tem gastado por volta de US$ 6 trilhões (quatro vezes o PIB do Brasil) para evitar a bancarrota das grandes empresas. Situações similares se repetem em quase todo o mundo.

A crise se aprofunda em todo o mundo

Na Europa, o BCE (Banco Central Europeu) está repassando o equivalente a 1,5 trilhões de euros para salvar as grandes empresas, e a Alemanha, por volta de 600 bilhões de euros (isso sem contar os demais países). 20% da mão-de-obra já depende do dinheiro público.

Apesar das ajudas (empréstimos a baixas taxas de juros) às pequenas e médias empresas, há o problema de que os negócios delas, estão funcionando de maneira muito precária, ameaçando que em breve a maioria sequer poderá pagar os aluguéis.

O governo do Japão já repassou o equivalente a US$ 2 trilhões para evitar que as grandes empresas quebrem. A governo da China repassou US$ 500 bilhões gerando um déficit fiscal de 3,6%, acima dos 2,9% de 2019.

A economia chinesa está funcionando em mais de 80% da sua capacidade. Mas, até que ponto ela poderá se blindar da crise mundial, considerando o impulso que tem dado à especulação financeira, principalmente a partir de Xangai, desde 2017? O consumo e o turismo estão se recuperando, mas ainda não passam de 50% em comparação com o ano passado. Neste ano, a expectativa é de uma contração da economia em torno a 10%.

O desemprego também tem aumentado na China. Conforme as exportações têm caído, algumas plantas industriais foram movidas para países vizinhos, onde a mão de obra é mais barata (como no Vietnam) ou por causa da aceleração da robótica como mecanismo para manter os preços baixos.

Mas as leis de funcionamento do capitalismo são inexoráveis. O aumento da composição orgânica (diminuição da mão-de-obra) do capital acelera cada vez mais. Porém, a mão-de-obra é que gera valor. O capitalismo não é compatível com o aumento da automatização, pois o principal objetivo são os lucros.

No entanto, a estrutura para a construção de uma sociedade baseada no planejamento estatal mundial somente cresce. Ao mesmo tempo, o estado burguês continua sendo fortalecido de maneira tal que daria inveja ao próprio Adolf Hitler. É uma couraça hiper-reacionária que protege uma estrutura cada vez mais podre.

O que acontecerá com a economia capitalista?

Os primeiros US$ 3 trilhões injetados pelo Estado na economia dos Estados Unidos conseguiram apenas manter os índices do final do primeiro semestre do ano passado. Desse volume, pouquíssimo chegou à população, quase tudo foi direcionado para salvar o grande capital que se encontra amarrado umbilicalmente à especulação financeira.

Tudo indica que em breve acontecerão bancarrotas em massa de fundos especulativos e de boa parte dos derivativos financeiros. As contas não fecham. Por exemplo, o estado mais rico dos Estados Unidos, a Califórnia, conta com pouco mais de US$ 1 trilhão dos US$ 5 trilhões devidos em pensões.

O problema da fome está aumentando principalmente na América Latina. Os governos buscam fornecer cestas básicas para conter qualquer forma de auto-organização. No Chile, os Carabineiros, a polícia pinochetista, reprimiram os moradores dos bairros periféricos que buscam se organizar cozinhando em mutirão.

No próximo período, a crise deverá escalar. O coronavírus continuará por um bom tempo ajudando a burguesia a manter os povos com medo e em estado de choque, servindo de cobertura para as políticas e trapaças dos capitalistas e burgueses. A própria crise sanitária do coronavírus faz parte dos componentes da solução militar da crise capitalista.

O mundo caminha rapidamente para uma profunda depressão econômica. A pressão sobre o custo de vida dificultará a saída da recessão e a superação da crise, o que aumenta a pressão da burguesia no sentido de uma política de guerra.

Em alguns setores específicos e minoritários da economia, haverá redução dos preços. Mas em escala global a inflação aumentará e muito: deflação para produtos que o cidadão comum não precisa, inflação para os produtos de consumo de primeira necessidade, principalmente alimentos. A inflação representa um imposto que corrói a capacidade de compra dos pobres.

Os preços do petróleo sofreram tremenda queda, mas isso não se repetiu no mercado de commodities (matérias primas) principalmente de alimentos e minerais.

O endividamento das grandes empresas é enorme. Mas a maioria delas são consideradas como TBTF (do inglês Too Big To Fail, isto é, “muito grandes para falirem”) e têm sido resgatadas com enormes quantidades de recursos públicos.

Há uma enorme inundação do mercado mundial com dinheiro público com o objetivo de salvar o grande capital. Aparentemente, se trataria de uma operação técnica, mas cria desequilíbrios na própria especulação financeira como, por exemplo, no mercado acionário ou no mercado de títulos podres, aqueles emitidos pelas empresas, na forma de dívida privada, por exemplo, e que perderam muito valor devido à queda da qualificação das empresas pelas instituições avaliadoras de risco.

As quebradeiras em massa serão repassadas para as pequenas e médias empresas, o que deverá tornar-se muito crítico em alguns meses.

Até agora, estamos vendo espasmos da crise do imperialismo em geral e, principalmente, do imperialismo norte-americano, que busca desesperadamente salvar-se da crise e repassá-la para os outros países. Ao que tudo indica os anos 2020-2025 serão nos Estados Unidos similares ao que foram os anos 1988-1993 na antiga União Soviética.

A implosão do sistema de especulação financeira é questão de tempo. Essa é a base econômica da pressão por uma guerra.

Os objetivos da moeda digital

A propaganda realizada por Bill Gates, o ex-presidente da Microsoft, para impor a necessidade de um ID digital assim que a vacina do coronavírus estiver liberada, causou furor na imprensa burguesa. Hoje já há rastreamento via celular que está sendo aplicado em vários países asiáticos.

As principais potências estão buscando impor moedas digitais para facilitar o repasse da crise para as massas e dar uma sobrevida à especulação financeira. O dinheiro pode ser impresso, mas a riqueza não.

O Japão tem adotado essas políticas nos últimos 30 anos. Estamos vendo a “japonização” dos Estados Unidos, onde a movimentação de todos os componentes da especulação financeira tem como base o repasse de recursos públicos para os grandes capitalistas.

Na China, há o iuane digital lastreado em ouro, mercadorias e serviços. O dólar é suportado por 800 bases militares espalhadas pelo mundo e pelo poderio das megacorporações.

A produção de moeda fake em enormes quantidades pela Reserva Federal, o BCE (Banco Central Europeu), o BoE (Banco da Inglaterra) e o BoJ (Banco do Japão) inflam as bolhas financeiras e apontam para a hiperinflação.

Alejandro Acosta é editor do jornal Gazeta Revolucionária.

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