O Eterno Carnaval – Os Poderes Comandando as Farsas

Por Pedro Augusto Pinho*, para o Duplo Expresso

O romance de Jorge Amado, “O país do carnaval”, é de 1931. Paulo Rigger, o principal personagem, conclui que a “grande festa popular do Brasil” é apenas um modo de manter o povo alienado. As contradições das festas com realidade do cotidiano da vida, a política e as ações dos políticos levam o personagem a retornar à Europa, onde havia estudado.

Algumas curiosidades cercam este livro. Foi por apreciá-lo que Raquel de Queiroz, já autora de “O Quinze”, leva Amado para o Partido Comunista Brasileiro (PCB) ao qual se filiará. Também seu primeiro editor foi o empresário e intelectual Augusto Frederico Schmidt, um dos introdutores do supermercado no Brasil, grande amigo de Juscelino Kubitschek (JK) para quem escreveu muitos discursos, inclusive o que se tornaria famoso pela frase: “Deus me poupou do sentimento do medo”.

Em 1937, esta obra e outras de Jorge Amado foram queimadas em praça pública pela polícia do Estado Novo, em Salvador, Bahia.
Porém o que está neste livro e na triste realidade de nossa Pátria é o diversionismo, arma de uma elite argentária, cruel e antinacional que nos governa desde o período colonial.
Aliás, nada mais parecido com o Brasil de hoje do que o de ontem. O Monitor Mercantil, nesta quinta-feira (21/03/2019) em que se noticia a prisão de Michel Temer, estampa na capa: “Indústria despenca para menor nível desde 1947”.

A farsa é a de sempre, os recursos da teoria da informação que lhe deram expressão exponencial. Hoje o fake se confunde com a notícia. É difícil saber onde está a realidade e a fantasia.
O desastre para o País, que foi a visita do Presidente Bolsonaro aos Estados Unidos da América (EUA), e a notícia que o IBOPE, em pesquisa divulgada na quarta-feira, 20 de março, mostra a queda de 15 pontos percentuais na “popularidade do Presidente” precisavam uma rápida resposta midiática: as prisões de Temer e de Moreira Franco.

Quem assistiu a longa entrevista do Ministério Público e da Polícia Federal pode constatar a “saia justa” em que todos se meteram. Já se lê, nas redes sociais, que esta decisão do Juiz Marcelo Bretas – da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, que julga casos contra o sistema financeiro e lavagem ou ocultação de bens, e ganhou notoriedade por julgar casos relacionados à Operação Lava Jato – está vinculada a sua candidatura a Prefeito do Rio de Janeiro no próximo ano.

Voltando à pesquisa do IBOPE, o Monitor Mercantil transcreve do jornalista José Roberto de Toledo, da revista Piauí: “em comparação com outros presidentes eleitos, o começo da passagem de Bolsonaro pelo Palácio do Planalto é o pior já registrado. Nos seus primeiros mandatos. Dilma, Lula, Fernando Henrique e Collor sustentaram taxas mais altas do que os 34% de Bolsonaro nos meses iniciais”.

Esta prisão apenas aguarda o habeas corpus com o qual o Supremo Tribunal Federal (STF) acolhe tucanos, demistas e emedebistas, como estes dois recém presos.
O incrivelmente sagaz condutor do Duplo Expresso, Romulus Maya, escreve no seu site:

“Mais alavancas recíprocas – Piero Leirner observa: Bretas manda prender, de forma espetaculosa, Michel Temer. Moreira Franco, sogro de Rodrigo Maia, vai pro xilindró também.
Notar: Maia enquadrara Moro ontem (colocando sua “lei anti-crime” – sic – na geladeira), daí Moro vai e enquadra Maia hoje.
Sem contar que Maia tinha mencionado Alexandre Moraes, próximo de Temer e relator dos 2.5 bi (e da investigação de Dallagnol).
Aí a Lava Jato vai pra cima do Temer no dia seguinte?”

Conclusão, além do habitual diversionismo, esta Operação, que muito corretamente deverá ficar para a história como “Nos braços do Tio Sam”, também está expondo uma briga de quadrilhas por dinheiro e poder (ou também correrá sexo, para a trinca mágica das motivações?).

Os coletes amarelos, que não são de esquerda nem de direita, como ocorre no mundo atual, e não contestam apenas um governo dirigido pelo capital financeiro, vendo que os partidos, ditos de esquerda e as lideranças também assim rotuladas, em nada diferem dos partidos e lideranças de direita, questionam o sistema que mantém este  rodízio no poder como “democrático”.

Aqui no Brasil estamos ainda muitos passos atrás. Como escrevi recentemente, estamos procurando a oposição.
E a contrarreforma da previdência, de interesse unicamente bancário, talvez tenha um aumento de custo no Congresso renovado.


*Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado

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