Marighella – O Filme

Texto publicado originalmente na página pessoal de Moisés Mendes no Facebook (10/01/2018), e republicado aqui com o consentimento do autor.

Por Moisés Mendes*, da Redação do Duplo Expresso

Marighella, o filme da estreia de Wagner Moura na direção, foi selecionado para o Festival de Berlim. O chanceler Araujo, Damares Alves, Vélez-Rodriguez, Sergio Moro e Bolsonaro já devem estar sabendo. A seleção é uma gargalhada na cara de todos eles.

Moura diz que o filme provocará a esquerda e a direita, mas é claramente favorável à imagem do militante Carlos Marighella como herói.

É interessante que Seu Jorge interprete Marighella, que todos consideravam mulato. O cantor é negro. Moura explica e tem um bom argumento: queria um ator bem negro, preto mesmo, para realçar ainda mais a negritude do personagem.

Nos anos 80, li Batismo de Sangue – Os dominicanos e a morte de Carlos Marighella, de Frei Betto (Civilização Brasileira), editado em 1982. Ainda tenho o exemplar de número 0803 da quarta edição. Mas não li o livro do jornalista Mário Magalhães, no qual o filme se baseia.

Imagem esq: “Batismo de Fogo – Os dominicanos e a morte de Carlos Marighella”, de Frei Betto (1983), vencedor do prêmio Jabuti e base do filme “Batismo de Fogo” de Helvécio Ratton (2007) | Imagem dir: “Marighella – O guerrilheiro que incendiou o mundo” de Mário Magalhães, que serviu de base para o filme de Wagner Moura.

Batismo de Sangue deveria ser lido pelos estudantes, para que tenham a compreensão do que foi possível fazer na resistência política da clandestinidade naqueles tempos de perseguições, tortura, morte e desaparecimentos.

Moura admite que o filme é assumidamente engajado ao que conta, como deve ser a arte que lida com memória e história de tempos tenebrosos. Só ingênuos entram na conversa fiada do distanciamento.

Os isentos, os ditos imparciais, os fofos e os submissos que continuem enrolando trouxas, inclusive no jornalismo.

Marighella estreia no Brasil na segunda semana de abril. Gosto da figura de Marighella. Aprendi a respeitá-lo a partir do livro de Frei Betto com os relatos da resistência comunista ao lado dos freis dominicanos.

Com o filme, vamos aprender a gostar ainda mais desse artista grandioso, atrevido e valente chamado Wagner Moura.

Viva o baiano Carlos Marighella. Viva o baiano Wagner Moura.

Contribuição do atento leitor da página de Moisés Mendes – Manuel Luiz Touguinha: o documentário “Marighella e sua trajetória de militância” (96min), exibido pela primeira vez na Usina do Gasômetro de Porto Alegre (espaço cultural municipal às margens do Lago Guaíba) em 2010 e lançado oficialmente em 2012. A obra é de autoria e direção da “sobrinha política” de Marighella – Isa Grinspum Ferraz, que trata o longa-metragem como “uma construção histórica e afetiva desse homem que dedicou sua vida a pensar o Brasil e a transformá-lo através de sua ação”.

 


* Moisés Mendes é jornalista desde os 17 anos. Em 1970, começou como repórter (e depois foi editor) da Gazeta de Alegrete, jornal criado em 1882 por Luís de Freitas Vale – Barão do Ibirocay –, com a missão de combater a escravidão. Possui extensa carreira nas maiores companhias jornalísticas do Rio Grande do Sul, mas tem uma pena muito pesada para continuar nas atuais gaiolas da democracia… Atualmente contribui com o Jornal Extra Classe do Sindicato dos Professores do Ensino Privado do RS, e desfila sua verve entre linhas e cartuns no blog que leva seu nome. Passe lá e confira!

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