Bolsonaro é a chance para fundarmos uma esquerda de verdade

Por Wellington Calasans, para o Duplo Expresso

O título é provocador, eu sei! É exatamente com o objetivo de tirar você do conforto, a que está passivamente acostumado, como mero observador a testemunhar a destruição do nosso país e do estado social que reforço aqui o pensamento da nossa comentarista Maria Eduarda Freire sobre a vitória de Bolsonaro como excelente oportunidade para termos uma esquerda no Brasil.

Acostumada a enganar os militantes e eleitores que debatem eleições em “clima de Fla x Flu” e pensam debater política, a “esquerda” que surge a partir dos anos 80 tem sido uma autorização da elite, uma mentira que transforma resistência em “manifestação” e protestos em micaretas.

Sempre devemos reconhecer o papel humanitário de Lula ao retirar da miséria e da pobreza milhões de pessoas. No entanto, aquilo que chamaram de “conciliação” – como uma grande característica de Lula – hoje é revelado apenas como o que realmente é, uma permissão para a distribuição de migalhas. Ainda assim, Lula foi perseguido pela elite que tanto lucrou com ele, traído – até mesmo – pelos “companheiros” e jogado aos leões.

Não temos esquerda no Brasil. Precisamos partir desse princípio para poder – a partir do nacionalismo – salvar agora o pouco que resta do nosso país e dos direitos do povo. Somente através da assimilação desta dura, mas necessária compreensão da realidade, estaremos a dimensionar a importância do debate sobre o que realmente importa.

A “esquerda autorizada” vai tentar empurrar com a barriga nos próximos quatro anos o lamento como uma espécie de “fuga empática”, limitando o papel dos cidadãos ao de um telespectador dos comentaristas do Programa Cidade Alerta. A estratégia é facilmente identificada: para cada perda do país ou do povo, um absurdo será praticado pelo “governo” do boneco de ventríloquo na presidência e a “esquerda” concentra a artilharia no supérfluo.

A “Datenização” da sociedade serve apenas como reforço do engodo “civilização x barbárie”, iniciado nas eleições. Enquanto isso, milhões estão desempregados, a mortalidade infantil cresce assustadoramente e as nossas riquezas são espoliadas. É preciso romper com essa farsa que foi montada para provocar uma volta do Brasil à condição de Colônia e do brasileiro à condição de escravo.

Outro entretenimento que a direita permitiu à “esquerda” foi o das bandeiras identitárias. Uma importação de problemas difusos e que jamais serão aplicáveis numa democracia frágil, numa sociedade que caminha para a miséria como a do Brasil. Essas bandeiras são secundárias até mesmo aqui nos países nórdicos, pois o destino do dinheiro do petróleo é o tema da esquerda na Noruega e o “Partido Ambiental” (tradução livre para Miljöpartiet) da Suécia quase ficou fora do parlamento dada a baixa votação que recebeu. Focar no debate que importa nos poupará energia.

Há um remédio já testado e aprovado na Islândia. É ali, naquele “pequeno país protótipo”, que iremos encontrar a cura ideal para refundar o Brasil e exigir de todos os partidos políticos a condição de “nacionalista” como única para que esteja na legalidade. Rasgar esta Constituição e escrever uma nova, prender aqueles que traem a pátria (inclusive algumas células militares vendidas aos EUA), decretar moratória dos bancos, devolver ao Estado o patrimônio do povo, privatizar a paraestatal Rede Globo, democratizar a comunicação social e fazer valer a soberania popular.

É este o momento ideal. É assim que devemos desconstruir a chegada de Bolsonaro à presidência. No entanto, tão importante quanto denunciar os absurdos que se avizinham com a chegada de um completo idiota à presidência será repudiar uma falsa esquerda que contribui para a pacificação das pessoas impedindo o debate sobre o que realmente importa. Uma esquerda escolhida a dedo através da fraude eleitoral, controlada pela elite, para dar ares de democracia a toda esta farsa que estamos a viver.

 

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Romulus Maya

Advogado internacionalista. 10 anos exilado do Brasil. Conta na SUÍÇA, sim, mas não numerada e sem numerário! Co-apresentador do @duploexpresso e blogueiro.