“Day After” – Lamber as feridas e reconstruir a esquerda

Por Wellington Calasans, para o Duplo Expresso

Depois da alavancada que a pseudo-esquerda deu na campanha de Bolsonaro com a campanha organizada pela direita #EleNão, vieram as duas “descoladas” campanhas “Civilização x Barbárie” e agora novas investidas, entre elas a transferência da culpa para o TSE (mais poderes à justiça) que todos já sabem que não vai dar em nada. A lição que fica? Ganha eleição quem conversa com o povo.

O terrorismo que tem sido desenhado no caso de uma vitória do “Bozo” já está aí. Os recentes decretos aprovados por Temer jogam definitivamente o Brasil de volta ao período mais duro da ditadura militar. Para o espanto de alguns militantes, lamentamos informar que duas leis sancionadas por Dilma formam a base de sustentação do aprofundamento da opressão contra o povo e organizações, incluindo sindicatos, MST, etc.

É a vitória do PT Jurídico! Ala infiltrada na esquerda para destruir a nossa democracia, excluir o povo das decisões importantes e “empoderar” a justiça carcomida. Dilma, Zé Cardozo, Mercadante, Haddad, Wadih Damous, Paulo Pimenta, Paulo Teixeira e mais alguns nomes (inclusive de outros partidos “de esquerda”) devem ser eternamente cobrados por isso, sem direito ao perdão.

O povo brasileiro perdeu outra vez a oportunidade de aprender mais sobre o Brasil. O nível da campanha, desde o primeiro turno, é tão baixo que deveria haver um estudo sobre o uso da propaganda para esconder o que importa. As fake news nestas eleições estão de ambos os lados. É uma baixaria só. A falta de ética da “esquerda” que divulga vídeo do ator Guilherme de Pádua, eleitor do “Bozo” é também criminosa, pois a manifestação dele é como um cidadão que já cumpriu pena por assassinato. Que esquerda é essa que quer condenar duas vezes a mesma pessoa pelo mesmo crime? Há também militantes “de esquerda” divulgando vídeos de supostos atentados contra travestis. “Sanatório geral” da nação, diria o cantor.

A direita é aquilo que ela sempre foi: fascista. Publica notícias falsas de que Fernando Haddad faz apologia à pedofilia, Kit Gay, etc. Cansa assistir e receber mensagens de fofoqueiros dos dois lados. Alienados que não sabem o que fazer com o voto e que abraçam um número ou um slogan como único caminho da vida. Pior é assistir a ausência de propostas nacionalistas e de esquerda nas urnas.

Bolsonaro quer inaugurar o “Fascismo do Entreguismo”, uma jabuticaba que só dará certo quando morrer o último militar nacionalista (e a notícia boa é que eles são muitos). Haddad, por sua vez, abandonou Lula e resgatou um avô que é religioso. Nessa luta de dois diabos, vendidos ao Deus Mamom, não há graça nenhuma testemunhar impotente a transformação do Brasil num “Evangelistão”. Tivéssemos nós uma esquerda que se respeitasse, falaria a verdade aos “charlatães da fé”.

Essa campanha virou uma verdadeira “Guerra Santa”! De um lado, Bolsonaro que tem o apoio das igrejas neopentecostais para distribuir armas, matar gays, nordestinos e fazer a limpeza étnica com o holocausto dos índios, quilombolas, etc. Do outro lado, Haddad que mostra o retrato do seu avô, um líder religioso, escanteou a vice Manuella para andar com a esposa a tiracolo e parecer um homem que encarna os valores da família tradicional brasileira. O estado laico acabou! Depois das eleições, temos que botar isso na conta dessa esquerda fuleira que agora quer legislar sobre o corpo das pessoas e criminalizar o aborto, dando aos falsos profetas o poder de definir o que é pecado e o que é perdão.

Vamos agora à “imprensa alternativa”. Capítulo à parte neste cenário de degradação, o papelão dos blogs “de esquerda” que ainda tentam enganar as pessoas com falsas esperanças de uma virada, falsas pesquisas, etc. Estamos há uma semana para o segundo turno das eleições e o mínimo que esperávamos era um papel honesto desses meios de comunicação “de esquerda”. Bastaria que eles apresentassem alguma isenção, mostrando a realidade de que apenas com um milagre Haddad será presidente. Ao contrário disso, a maioria dos blogs e páginas age como militantes a serviço do PT e não como meios de comunicação que deveriam demonstrar alguma responsabilidade, isenção e honestidade.

Obviamente que não é possível generalizar, sobretudo depois dos recentes vídeos de Mino Carta e José Arbex do Nocaute, vemos que há profissionais que se respeitam e, principalmente, respeitam o seu público. Não estamos aqui a dizer para os outros blogs e páginas que desistam de lutar, mas é preciso estar preparado para uma (eventual?) derrota e deixar claro que a vida continua. Apontar os erros que nos levaram à derrota e traçar caminhos para novas lutas e conquistas é a opção deste Duplo Expresso, por exemplo.

O Brasil não vai acabar com a vitória do fraquíssimo Bolsonaro. Muito pelo contrário, pode ser um caminho para se reconstruir uma esquerda de verdade neste país. Quando digo “esquerda de verdade” repudio com veemência essa esquerda fake, vendida e rendida ao mercado, uma esquerda limitada às pautas identitárias, uma esquerda que considera natural ser aliada dos golpistas, que quer fortalecer as instituições de controle como Ministério Público, Lava Jato, etc. A esquerda que está aí nas urnas com Haddad, Zé Cardozo, Tarso Genro, Dilma e que abandonou a luta por Lula e pelo direito do povo (povo!) escolher o seu candidato.

Não precisamos e não queremos mais uma “esquerda” que afirme isto aqui:

Sergio Moro, em geral, ajudou o Brasil, mas errou na sentença de Lula.” (Fernando Haddad)

Isso apenas revelou que a traição a Lula foi parte de um “grande acordo”. Haddad, que só chegou ao segundo turno porque alguns desavisados acreditaram que ele era o candidato de Lula, insiste em afirmar que Moro “errou” na condenação de Lula sem provas! Ora, Mauricinho Ciclista! A Lava Jato rasgou a Constituição brasileira, destruiu a indústria brasileira gerando milhões de desempregados. É um escárnio! Pior! Afirmou isso depois de elogiar Alckmin, FHC e de procurar Joaquim Barbosa e convidá-lo para ser Ministro da Justiça (e receber um sonoro “NÃO” como resposta). Como se toda essa safadeza se justificasse na desculpa do “tudo contra o fascismo”. Qual dos dois fascistas?

Todos nós que debatemos política diariamente sabíamos que essas eleições seriam um grande engodo. Quando Lula foi “arrancado” da disputa eleitoral, o destino do país já estava traçado. Sem nenhuma ajuda do imponderável, a direita conservadora iria tomar o poder! Quando o PT abriu mão de Lula e lançou um candidato próprio, legitimou o golpe. O PT, para garantir a sua hegemonia na esquerda, não teve a grandeza de compreender o momento em que o Brasil estava vivendo, parece que somente Jaques Wagner conseguiu ter um vislumbre do antipetismo que se enraizou no país, ao indicar Ciro Gomes como candidato a presidente. Mais uma vez o PT pensou mais em si mesmo do que no país.

Como a luta por Lula não é apenas uma causa eleitoral, vamos tentar debater o que acontecerá com o ex-presidente após as eleições e como devemos encarar os fatos diante do cenário exposto até aqui.

1 – O candidato do PT, o poste, que não quer ser poste, versão Dilma 2.0, ao se encontrar com Joaquim Barbosa, o Algoz do Mensalão, que criou a contra-prática da teoria do domínio do fato do jurista alemão Roxin e ainda elogia o criminoso Juiz Sérgio Moro, coloca o ex-presidente Lula na posição de culpado e não vítima.

2 – O Brasil e o mundo através de seus melhores juristas sabem das ilegalidades e da parcialidade desse juiz criminoso, Sérgio Moro, perpetradas contra o ex-presidente Lula. Inclusive denunciado na ONU.

3 – Moro (BANESTADO, Tacla Duran, etc.), através da Lava Jato foi o responsável por colocar o país numa crise institucional onde direitos foram relativizados, cláusulas pétreas foram violadas, indústria nacional foi destruída, gerando milhões de desempregados, etc.

4 – Ao “piscar” para os algozes da esquerda (principalmente o PT) e de Lula, Haddad destruiu toda a imagem (verdadeira) de que Lula é um preso político e vítima de uma perseguição implacável da justiça carcomida (que Haddad promete dar “mais poderes).   

5 – Vi nas Redes Sociais o seguinte texto (desculpe a ausência dos créditos ao autor): “Se Haddad está se encontrando com Joaquim Barbosa, elogiando Moro e se afastando de Lula, querendo deslocar a sua imagem do ex-presidente, Lula deve ser culpado e Moro não é tão mau assim”. Isto significa que ao “piscar” para os algozes, Haddad reforça a visão distorcida de que Lula “deve ser” culpado.

6 – Lula pagará o preço por mais esta escolha equivocada (se realmente foi ele quem escolheu). Porque uma pessoa que se encontra nas condições de confinamento, incomunicável e sem contato com o mundo exterior (exceto pelas visitas que tem recebido), perde a noção exata da realidade e de julgamentos, tanto pode errar ou ser induzido a erro. Como foi o caso antes mesmo de estar numa solitária, mas na bolha dos traidores na sede do Sindicato dos Metalúrgicos, e resolveu se entregar, acreditando que o povo iria “incendiar o país”, sob a liderança dos (mui)amigos.

7 – O PT errou ao lançar um candidato próprio e não insistir na Luta por Lula, pois poderia ter melado essas eleições fake! Mas como sempre o PT pensa mais em manter a sua hegemonia a qualquer preço do que no Brasil. Poderia também ter lançado Ciro Gomes, como sugeriu Jaques Wagner. Observe que o exemplo é de um petista que venceu as últimas quatro eleições no primeiro turno na Bahia.

8 – Agora o PT Jurídico (representado por Haddad nas urnas) quer fazer o eleitor acreditar que o caixa dois de Bolsonaro poderá impugnar a candidatura e impedir a instauração do Bozofascismo no Brasil. Quer aos 45 minutos do segundo tempo melar uma eleição. Mais um engodo que só irá tumultuar esse processo. O TSE jamais irá caçar um candidato escolhido pelo establishment, que teve uma votação expressiva nas urnas, as mesmas urnas que Haddad disse estar “funcionando normalmente”.

Como vimos, para mudarmos o cenário pós-eleitoral, o famoso Day After, devemos recomeçar (zerar) a esquerda. Eliminando da nossa lista os infiltrados, dando prioridade aos assuntos que verdadeiramente importam e com a consciência de que faremos isso para os nossos filhos e netos, pois o Brasil das próximas décadas está condenado a ser um país de quinta categoria. À luta!

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Wellington Calasans

Jornalista, Radialista, Ativista Político, Sonha com um Brasil parecido com a Suécia e uma Suécia com o sol do Brasil, o sonho é livre.