Sequestrados pelos “donos do Brasil”, Haddad e Bolsonaro disputam posto de melhor refém

Por Wellington Calasans, para o Duplo Expresso

Se formos tomar como base o cenário das pesquisas eleitorais,  Haddad ou Bolsonaro na presidência, cada um ao seu modo,  cumprirá o mesmo papel de refém dos verdadeiros donos do Brasil (EUA e finança transnacional). Com Lula e o povo excluídos das eleições, nenhum governo que ignore esta grave situação de ditadura velada terá legitimação para pacificar o país.

A famosa “governabilidade” não dependerá mais do apoio de partidos ou acordos obscuros nos gabinetes. Na verdade, quanto mais as forças até recentemente antagônicas da política dialogarem, mais excluído o povo irá se sentir e a consequência disso é que o “fantasma Lula” seguirá assustando. Lula preso e o povo sem esperança são dois ingredientes mortais para qualquer governo que seja consolidado a partir da farsa eleitoral 2018.

Se Haddad assumir o governo para trair a própria base, ficará mais frágil do que Dilma no segundo mandato. Compor com empresários e convocar um dos mentores da “Ponte para o futuro” (Marcos Lisboa) para um eventual governo, só vai piorar dramaticamente o ambiente de hostilidade atual. Politicamente, Haddad será um Temer vermelho.

Na cabeça daqueles que hoje gritam – como desesperados pedindo por socorro – “Lula é Haddad e Haddad é Lula”, restará a única certeza possível: foram enganados por um estelionato eleitoral. Essa, inclusive, é uma das razões do Duplo Expresso sempre denunciar o “Plano B” (desde a origem) como uma farsa. Sem apoio dentro do próprio partido, Haddad será um simples empregado dos banqueiros.

Como estamos numa ditadura, Lula poderá vir a ser assassinado na cadeia ou ficará doente de uma maneira tal que a luta para sobreviver será a sua única escolha. Os “donos do Brasil” sabem que a ameaça a tudo isso que está aí é o “fantasma Lula”. Por isso, com Bolsonaro o ódio será usado para tentar jogar Lula na vala comum de “políticos corruptos”. Opção que pode funcionar nos seis primeiros meses, mas com o aprofundamento do desemprego, fome e miséria geraria uma onda inversa, sem precedentes, contra um governo facista com o povo e “afável” com “os donos do Brasil”.

Não há nenhum cenário positivo com estas opções indicadas nas pesquisas eleitorais. Uma vitória de Haddad seria para Lula uma opção muito ruim. Fragilizado, Haddad irá vender a alma para conseguir governar um país rachado. Sua governabilidade será questionada de diferentes maneiras. Por um lado, pelo povo que o elegeu e irá cobrar a liberdade de Lula. Por outro lado, Haddad será pressionado pelos “donos do Brasil” que querem o “fantasma Lula” morto, pois vivo ele assusta mais.

A situação de Lula se complica muito com Haddad que tem uma personalidade fraca. Já demonstrou isso quando perdeu as eleições no primeiro turno para Dória e também por seus inúmeros pronunciamentos na grande imprensa, onde não fala que “golpe é golpe”, não faz uma clara defesa de Lula, não critica a Lava Jato e acredita que “as instituições estão funcionando normalmente”.

Nunca é demais recordar que recente, em entrevista ao UOL, Haddad fala em mais punitivismo, em parcerias com o Ministério público e em nenhum momento critica os excessos e ilegalidades cometidos pela justiça. No entanto, Haddad sabe que ao assumir a presidência num ambiente polarizado como estará o Brasil, se tomar qualquer iniciativa ou fizer qualquer movimento pela liberdade de Lula correrá o risco de ser derrubado.

Depois que foi jogado aos leões pela ala jurídica do PT, a situação de Lula, por mais paradoxal que possa parecer, com Haddad é muito mais dramática, pois o risco de continuar preso – mesmo sem crime – é evidente. Nos termos previstos na nossa constituição, existem três institutos como forma de extinção da punibilidade: indulto, anistia e Graça. A única forma de perdoar uma única pessoa e ser solto pelas mãos do presidente, sem passar pelo congresso ou Supremo Tribunal, seria a Graça – que não está regulamentada.

Para entender melhor:

a) A anistia exclui o crime, rescinde a condenação e extingue totalmente a punibilidade; a graça e o indulto apenas extingue a punibilidade, podendo ser parciais; b) A anistia, em regra, atinge crimes políticos; a graça e o indulto, crimes comuns; c) A anistia pode ser concedida pelo poder legislativo; a graça e o indulto são de competência exclusiva do Presidente da República; d) A anistia pode ser concedida antes da sentença final ou depois da condenação irrecorrível; a graça e o indulto pressupõem o trânsito em julgado da sentença condenatória”. (Fonte: jusbrasil.com.br)

Por tudo isso, lamentamos ter que falar a dura, mas necessária, verdade: as eleições não irão acabar com o golpe. Esse frenesi do PT, com Haddad como sendo Lula e vice-versa, constituirá uma vitória de Pirro. Para governar, Haddad jamais conseguirá libertar Lula e trairá as bases. Com Lula preso e o povo abandonado, Haddad e Bolsonaro serão apenas reféns dos verdadeiros “donos do Brasil”. Ambos frágeis, ambos caricatos.

Que o imponderável nos salve antes do dia do voto.

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Wellington Calasans

Jornalista, Radialista, Ativista Político, Sonha com um Brasil parecido com a Suécia e uma Suécia com o sol do Brasil, o sonho é livre.