Expresso da Meia-Noite – Caderno Semanal (03.06.2020)

Por Ricardo Guerra

Caros Expressonautas,

Apresentamos a sexta edição do Caderno Semanal do Expresso da Meia-Noite (período de 28.05 a 03.06 de 2020). Boa leitura!

  • Uma semana intensa provocou debates que suscitaram a necessidade de formas mais contundentes para enfrentar o desmantelamento do país e suas instituições democráticas. E assim, a Revolução Brasileira entrou novamente em pauta reforçando-se a importância do diálogo com as organizações e movimentos de bases, visando uma oposição incisiva ao sistema e a construção de um projeto sustentável de poder orientado para a soberania e o desenvolvimento nacional.

  • A morte de um cidadão negro norte americano conduziu a um paralelo com o recente caso do jovem João Pedro no Rio de Janeiro e outros casos semelhantes pelo Brasil, sendo debatida a forma pacífica como o Povo Brasileiro reage a essas situações. Os eventos envolvendo grupos denominados “antifascistas”, enfrentando manifestantes bolsonaristas em cidades como Porto Alegre, São Paulo, Brasília e Curitiba, levaram ao seguinte questionamento: será que o Povo está acordando e agora vai começar a agir de forma mais contundente? Apesar da importância desse movimento ser considerada pelo grupo, apontou-se o perigo dessas ações serem manipuladas, como aconteceu nos movimentos das chamadas primaveras.

  • Questões relacionadas ao identitarismo foram levantadas, sendo observado que os problemas sociais no Brasil são tantos, que dar foco a questões identitárias e discutir temas com esse direcionamento são pertinentes, mas não devem ofuscar debates considerados prioritários como a fome, o desemprego, a destruição dos direitos dos trabalhadores e o desmantelamento do Estado brasileiro. Argumentou-se que o debate desse assunto não precisa acontecer apartado de outros temas macroeconômicos e relacionados às condições de vida social no país. Expressonautas destacaram que essa é uma discussão complexa e a formação de opinião precisa se estabelecer fortalecida através do debate.

  • Sobre os enfrentamentos nas ruas, uma tese foi levantada quanto ao uso dessas ações como pretexto para aprovar medidas mais restritivas relacionadas à liberdade de manifestação e a outros direcionamentos no sentido de fechamento do regime. O Projeto de Lei 3019/2020, tipificando os grupos antifascistas como “terroristas”, foi inserido neste debate.

  • O comentário de um defensor de Bolsonaro num dos programas do Duplo Expresso e o ingresso de dois seguidores das ideias olavistas no grupo D.E. do Telegram, estabeleceu o indicativo de que existe a possibilidade de se furar bolhas. Houve troca de ideias, discussões ideológicas e um convite foi apresentado com a proposta para que essas pessoas fizessem parte da comunidade D.E., para analisar a conjuntura política e econômica nacional conosco. Destacou-se a importância das pessoas estarem abertas à possibilidade de mudança e que é preciso entender que o nível de análise e debate, oferecido pelo Duplo Expresso, está fora dos padrões encontrados na realidade brasileira, portanto, inacessível à maioria da população.

  • Outro capítulo da Guerra Híbrida tomou conta dos debates no grupo. O suposto enfrentamento “juristocracia x casta militar” (há uma crise institucional… deixe o presidente governar… vamos salvar o país… e impedir um golpe). A velha tática do “policial bom x policial ruim” foi desnudada pelo Duplo Expresso, levando o grupo a refletir sobre as alternativas de domínio de espectro total apresentadas na telenovela da guerra híbrida Brasil.

  • A atualidade e importância da obra de Darcy Ribeiro foram exaltadas após a publicação de um fragmento de seu livro “O povo brasileiro”, destacando o capítulo destinado ao Afro-Brasileiro. Lamentou-se a mais terrível de nossas heranças.

  • A informação sobre um acordo entre o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e a empresa norte americana CISCO, relativo a projetos de indústria 4.0, big data e cibersegurança, gerou comentários sobre o efeito lesivo para o País e a População brasileira, e alavancou uma mobilização para denúncia junto a parlamentares e grupos de redes sociais, assim como na mídia alternativa e tradicional. Discutiu-se a necessidade de substituição de softwares, aplicativos e serviços Google por outros que são melhores e mais seguros.

  • Sobre a pandemia da covid-19, as estatísticas envolvendo os casos no Brasil foram vistas como estarrecedoras. Ainda levantou-se a possibilidade dessas estatísticas serem piores em decorrência da questão da subnotificação. A notícia quanto a produção de um teste eficiente e econômico, desenvolvido no país, foi considerada um alento, na medida que permite a visualização da real dimensão do problema e, consequentemente, a possibilidade de orientação de políticas mais eficazes de enfrentamento.

  • O pronunciamento quanto à divulgação de supostos crimes cometidos por Bolsonaro pelo grupo autodenominado Anonymous foi recebido com desconfiança, sendo considerada a possibilidade do evento ser mais uma ação de diversionismo. Surgiram questionamentos sobre “por que não hackearam o celular do Bebiano, não divulgaram o áudio do caixa 2, solicitado por Bolsonaro, e nem publicaram as imagens do segundo carro envolvido no caso Marielle?”

  • O movimento #somos70porcento foi compartilhado no grupo e provocou questionamentos. Uma referência ao recente artigo da série de publicações no Duplo Expresso “99% UNI-VOS”, conduziu a discussões sobre a necessidade de mobilização em torno de ações que realmente produzam efeitos na vida das pessoas. A importância de se fazer pressão para aprovar uma pauta econômica favorável ao trabalhador e ao povo brasileiro foi pontuada e visto que a atual crise abriu possibilidades para o avanço de projetos como o PLP 183/2020, que trata da taxação de grandes fortunas, e a efetivação da Lei de renda básica.

  • A notícia que o Procurador-geral da República, Augusto Aras, decidiu retomar a negociação de um acordo de delação premiada com o advogado Rodrigo Tacla Duran, movimentou uma discussão sobre essa iniciativa e sua possível intenção:  por que agora? Será que Bolsonaro e a PGR estariam retaliando Moro? Foi recordado que Romulus Maya já havia comentado que Tacla Duran perdeu o “timing” e que o Duplo Expresso fez um laudo desse caso há meses. E a atual edição se encerra, semelhante à edição passada, exaltando a astúcia do grupo: “Guerra de facções?”

Esperamos ter conseguido resgatar os principais assuntos e debates estabelecidos no grupo e que este texto possa ajudar a promover mais debates e reflexões.

Forte abraço!

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