O nosso 11 de setembro? Não: Dia “L” – lute por Lula!

 

Relato de fonte que trabalhou na Prefeitura de SP sob Fernando Haddad:

“É uma pessoa muito difícil de lidar. Extremamente vaidoso a ponto de isso prejudicar a gestão e a sua autonomia decisória. Estava sempre preocupado com o que era falado dele na imprensa, na Folha e no SPTV (Globo). Perdia muito tempo com isso. Falávamos que o cidadão comum não lia a Folha que não adiantava responder, mas ele insistia em conversar com os amigos dele lá dentro para conseguir notícias positivas e responder as negativas.

Tinha tanta teimosia em alguns pontos que chegava a ser quase suicida. Um exemplo é a questão das ciclovias. Haddad não entendia que para o povo elas não tinham maior significado. Como se compreendesse as razões das classes mais populares melhor que elas. Como podem não querer ciclovias? Inclusive nossos próprios engenheiros de trânsito e especialistas em transporte eram contra muitas das ciclovias, colocadas em ruas estreitas no centro de São Paulo. Eram importantes para passagem de ônibus, que são o meio de transporte principal dos trabalhadores da periferia e bairros mais distantes. Muitas ciclovias prejudicavam o espaço para o transporte de ônibus e tinham que ser construídas com mínimo espaço. Mesmo assi, Haddad insistia. Hoje muitas delas acabaram sendo desativadas – e sem protesto por parte da população supostamente beneficiada pelas mesmas.

Esse perfil vaidoso, preocupado demais com como é avaliado (pelos seus iguais), arrogante, pouco maleável, teimoso e pouco afável é inapropriado para uma liderança que precisa unir um país em frangalho. O PT errará se o escolher”.

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ATUALIZAÇÃO:

“Triste”, Lindbergh anuncia a capitulação do PT, que decide entrar no “com STF, com TUDO” do Jucá:

 

Certamente Haddad também se dirá “triste” e “revoltado” no dia de hoje, não é mesmo?

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Como antecipado no Duplo Expresso desta manhã, quem deve estar por trás dos ataques a Alckmin, em favor de Bolsonaro – incluindo (i) os vídeos de Temer (e, portanto, General Etchegoyen); (ii) o vazamento da Lava Jato envolvendo Alckmin na semana passada; e (iii) o espetaculoso avanço sobre Beto Richa nesta manhã (nada menos que o coordenador de campanha de Alckmin!) -, são duas partes do proto-“Deep State” brasileiro, que se aliaram para 2018 – e além:

– Forças Armadas + Juristocracia.

Reiterando isso, o militar com a maior ascendência moral sobre as tropas – e Comando -, o General Heleno, situado no pináculo da mais alta meritocracia militar, detona Alckmin. Por, entre outras coisas, representar “o fim da Lava Jato”. E, aí, o circuito do proto-Deep State brazuca se fecha.

E quem vem cantando essa bola aqui no Duplo Expresso, há meses?

Ele mesmo, o antropólogo e Professor da UFSCar Piero Leirner:

Não dá para entender que companheiros nossos, sejam eles moderados, indecisos, centristas ou qualquer outro adjetivo, ainda não tenham compreendido que SÓ TEMOS UMA OPÇÃO. Principalmente agora, quando se definiram as coalizões, estão na mesa quatro candidaturas com alguma chance: Bolsonaro, Alckmin, Ciro e Marina.

Alckmin é declaradamente contra nós (já declarou que Bolsonaro como parlamentar só cuidou dos interesses dos militares). Seu objetivo é nos incluir, imediatamente, na vala comum da Previdência. Cita como exemplo a PMSP, como se o PSDB, que governa o Estado há décadas, não tivesse responsabilidade sobre o escândalo dos salários dos coronéis da Força Publica. Alckmin reuniu, no Centrão, o que há de pior na política nacional. Seu maior objetivo, já que está indiciado em vários processos, será providenciar a anistia dos processados e o fim da lava jato.

Ciro já demonstrou seu destempero e a clara intenção de indultar Lula e caterva. Além disso, seu autoritarismo e prepotência nos permite prever interferência pesada nas instituições militares, sobretudo nas promoções. Esse é um sonho antigo da esquerdalha que ele representa. Fácil imaginar que um possível apoio do PT, arrependido por não ter aparelhado as FA, incluirá esse acordo.

Marina, a meu ver, não tem a menor condição de presidir um país de 200 milhões de habitantes e 8 milhões de km2.

Jair Bolsonaro é a única chance de mudar o país. Votar em qualquer um dos outros é ter a certeza do erro. É preservar a impunidade; o toma lá, dá cá; a corrupção, o caixa dois. Pelo menos, votando no Bolsonaro, vamos conceder, a nós mesmos, a possibilidade de acertar.

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E tem idiota achando que essa eleição não será uma farsa. Vão se “HaddaPTar”…

Notem que “Lula” e/ ou “Haddad” SEQUER entram nas considerações do General Heleno, que fala das “4 candidaturas com chance de ganhar”: “Bolsonaro, Alckmin, Ciro e Marina” (!)

ACORDEM!

Ai, ai, Cassandra…

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Por incrível que pareça, na Central do Plano B (escondido, sem nenhum destaque na capa, claro):

O Comitê de Direitos Humanos da ONU expediu uma segunda liminar que reafirma o dever do Estado brasileiro garantir a candidatura equânime de Lula, o que representa uma enorme vitória, pois amplia e fortalece a resistência do povo que quer ter o direito de votar no ex-presidente.

O PT, desde o início, tem garantido que a candidatura de Lula irá até o último recurso, no entanto, cada vez mais, cresce a pressão para que o partido desista e nomeie Fernando Haddad como cabeça de chapa e Manuela D´Ávila como vice.

Os argumentos que fundamentam essa pressão circundam o fator “tempo”, tendo em vista que o Tribunal Eleitoral Superior (TSE) ilegalmente diminuiu o prazo para definição da chapa, que foi determinada para esta terça-feira 11, quando deveria ser dia 17, próxima segunda-feira. A parcela que defende obedecer o Judiciário entende que persistir nos recursos – que ainda existem no Supremo Tribunal Federa (STF) e nas instâncias internacionais – prejudica o processo de transição de votos para Haddad, além de poder resultar na impugnação de qualquer chapa petista.

Há, portanto, dois caminhos possíveis: 1) cumprir a promessa ao povo e manter Lula como candidato, assumindo todos os riscos; ou 2) render-se aos desmandos do Estado de exceção e mergulhar em uma eleição fraudada e controlada pelo Golpe.

O segundo cenário, conhecido como Plano B, é uma grande aposta em um processo eleitoral que já provou, inúmeras vezes, que é coordenado por meio de fraudes, crimes e manipulações. Responda sinceramente: o que garante que as urnas estarão a salvo? E se forem maculadas, a quem vamos recorrer, ao Judiciário? Não parece nada razoável essa aposta, principalmente, porque além de ter a derrota pré-anunciada, impor qualquer candidatura no lugar de Lula é exatamente o que o Golpe deseja e precisa, pois significaria a chancela de validação democrática, tendo em vista que as instituições brasileiras estão, desde o impeachment, deslegitimadas, tanto interna, como internacionalmente.

E é exatamente no âmbito internacional que o Plano B se torna um “tiro no pé”, pois sua execução pode significar a nulidade das liminares da ONU, já que as mesmas referem-se aos direitos políticos de Lula nessa eleição. A partir do momento que a candidatura dele for substituída, o poder das liminares caem e se tornam tecnicamente improcedentes, o que significa que perderemos o único campo de luta que temos chances de ganhar, já que internamente está mais do que óbvio que as cartas estão marcadas não apenas contra Lula, mas também contra o povo, a democracia e a Constituição.

Repito: se o Plano Haddad/Manu for implementado, a ONU e demais cortes internacionais não poderão ajuizar sobre a candidatura de Lula, pois não poderão ignorar que a mesma foi descartada e substituída pelo partido; e, como consequência, jogaremos no lixo qualquer possibilidade da comunidade internacional deslegitimar o processo eleitoral.

Portanto, o Plano B assume o ônus das instâncias internacionais alegarem que o próprio PT legitimou a eleição quando aceitou participar dela com outro candidato, inclusive, afrontando as liminares da ONU, que determinou que o candidato deveria ser Lula e não outra pessoa.

Fica a questão inquietante: então, o que fazer? Abrir mão de disputar a eleição, caso impugnem em absoluto a chapa de Lula?

Primeiro, devemos retomar o óbvio: essa eleição é uma fraude que compõe o Golpe, portanto, não existe possibilidade real de que um plano B, C, D ou Z do PT saia vitorioso. Insistir na narrativa que o partido pode vencer uma eleição fraudada é permanecer no vazio ideológico e na crença cega de que, em algum momento, as instituições brasileiras vão ceder e voltar a cumprir a Lei. Não, não vão, sabemos disso. Portanto, o Golpe é o único que ganha com uma candidatura petista que não seja Lula.

Segundo, ao contrário do que defensores do Plano B acreditam, a luta não termina na eleição, além de não necessariamente precisar passar por ela. O período eleitoral pode ser usado para potencializar e educar politicamente a população, por meio da denúncia didática do Golpe. Mais importante do que retomar o Poder, é construir uma oposição popular, robusta e qualitativa aos projetos golpistas que tem assolado os direitos civis, políticos e sociais do povo. O trauma de passar por um processo eleitoral fraudado que excluiu o candidato escolhido por mais de 40% da população não passará inerte ao imaginário social, mas pode ficar ideologicamente vazio se não for bem conduzido.

Assumir os riscos de levar Lula como candidato até 7 de outubro, mesmo que “oficialmente” ele não seja, significa que o PT não reconhece mais a legitimidade das instituições brasileiras, assim como da eleição presidencial, e parte para um combate fora das fronteiras em defesa e recuperação da nossa democracia.

Uma eleição sem representatividade e legitimidade não serve ao Golpe, e é nesse caminho que vamos derrubá-lo.

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