A barganha do PT com a Finança e os EUA: foi-se o projeto nacional?

A seguir, republicamos texto seminal que saiu aqui no Duplo Expresso em fevereiro deste ano, sob o título “Golpe do Judiciário e invasão americana: por que o PT não dá nome aos bois?”. Sete meses depois nos ajuda a compreender melhor a barganha que o “PT jurídico” e seu expoente Fernando Haddad tentam fechar com a Finança transnacional e o Deep State americano, abdicando definitivamente de um projeto nacional para o Brasil. Projeto ao qual, como se vê, o Partido dos Trabalhadores, dadas as suas contradições ideológicas internas, nunca chegou a ser aferrado. O texto foi elaborado por observador privilegiado, e qualificado, da política nacional. Um economista desenvolvimentista sênior que trabalhou no Governo Lula. Mesmo que se discorde das teses que apresenta, são um excelente ponto de partida para o “que fazer?” de 2018 – e, principalmente, além.
No fim, as (sempre) sábias palavras do Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, na sua participação semanal no Programa Duplo Expresso.
Mene mene tekel upharsim: estava escrito na parede. E teve profeta que avisou.

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“Bolsa desaba e dólar dispara” – como Globonews e CBN criaram o “coxinha”

Você lembrará deste texto quando vir um “coxinha” analfabeto político (e econômico) arrancando os cabelos hoje porque “o dólar disparou” e “a bolsa desabou” depois do anúncio da demissão de Pedro Parente.
É impressionante como essas rádios de noticia 24h são “para yuppies”: todas têm “colunista de vinhos”; “investimentos no mercado financeiro”; “alta gastronomia”; “viagens”; “empreendedorismo e startups”; “fitness” (sim: em inglês!); “comportamento (descolado)”; etc. Não é à toa que a classe média brasileira – ouvindo isso 24h por dia (no carro, na sala de espera do dentista, no táxi…) – passou a se achar “empreendedor”, “investidor”, “sofisticado”. “Muito diferente do povão, né… fala sério!”
O que eles não veem é que não valem o que eles pensam que valem “em dólar”. O valor deles é diretamente proporcional ao da economia brasileira. Eles não são “tradable”. Não podem ser exportados: só o Brasil os compra “pelo valor de face”.

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