{"id":99658,"date":"2018-10-02T18:41:35","date_gmt":"2018-10-02T21:41:35","guid":{"rendered":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=99658"},"modified":"2018-10-02T18:41:35","modified_gmt":"2018-10-02T21:41:35","slug":"99-uni-vos-iii-os-dez-anos-da-crise-de-2008","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=99658","title":{"rendered":"99%, UN\u00cd-VOS!  III  \u2013 Os Dez Anos da Crise de 2008"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por H\u00e9lio Silveira\u00b9, Gustavo Galv\u00e3o\u00b2 e Rog\u00e9rio Lessa\u00b3, para o Duplo Expresso<\/strong><\/p>\n<div>\n<p class=\"p1\">Em <strong><a href=\"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=95325\">&#8220;Dois Caminhos p\u00f3s 2008: liberalismo x desenvolvimentismo&#8221;<\/a><\/strong>, postado no Duplo Expresso em 30 de junho de 2018 como antecipa\u00e7\u00e3o aos trabalhos que certamente iriam aparecer sobre a crise de 2008, mostramos as pol\u00edticas dos dois grandes blocos \u2013 o ocidental e oriental \u2013 no p\u00f3s-crise. De um lado o <strong>Ocidente<\/strong>, com sua pol\u00edtica de &#8220;austeric\u00eddio&#8221; fiscal, baixo crescimento, desemprego e conflitos sociais e, de outro, o <strong>Oriente<\/strong>, seguindo pela trilha de um fortalecido desenvolvimento. A tal ponto deste gerar disrupturas nas rela\u00e7\u00f5es comerciais globais.<\/p>\n<p class=\"p1\">Sab\u00edamos que os trabalhos dos comentaristas ortodoxos salientariam uma alegada complexidade e seriedade da crise. Isso serviria como raz\u00e3o suficiente para aplica\u00e7\u00e3o generalizada de ajustes fiscais aos 99%, e n\u00e3o dariam destaque para o enriquecimento especulativo dos 1%. Salientariam que o baixo crescimento faria parte de um &#8220;novo normal secular&#8221;! Mas tamb\u00e9m sab\u00edamos que t\u00e3o pouco destacariam ou fariam alguma compara\u00e7\u00e3o com o relevante desenvolvimento econ\u00f4mico oriental!<\/p>\n<p class=\"p1\">Estamos\u00a0 em 2018. O Brasil encontra-se em um ano de elei\u00e7\u00f5es presidenciais e, portanto, lan\u00e7amos a s\u00e9rie de artigos\u00a0<strong>&#8220;99% Un\u00ed-vos&#8221;\u00a0<\/strong>no Duplo Expresso. O intuito espec\u00edfico foi o de tentar esclarecer para componentes dos 99% as fal\u00e1cias da ortodoxia econ\u00f4mica e pol\u00edtica. Eles tentam convencer a maioria dos acertos das medidas adotadas p\u00f3s-impeachment em 2016. O <em>mainstream,<\/em>\u00a0por seu poderio econ\u00f4mico-financeiro e por ter alcan\u00e7ado o Estado, n\u00e3o intenta largar a posi\u00e7\u00e3o conquistada. Usa as suas for\u00e7as de comunica\u00e7\u00e3o\/jur\u00eddicas para se perpetuar. Se falta um candidato &#8220;mais palat\u00e1vel&#8221; \u00e0 Direita, ent\u00e3o investem no que tem. Mesmo que o escolhido seja prejudicado por suas pr\u00f3prias contradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"p1\">Entendemos que, ao tentar esclarecer as fal\u00e1cias econ\u00f4micas apresentadas pela m\u00eddia corporativa, estamos tamb\u00e9m colaborando pelo lado do prisma econ\u00f4mico. Assumimos o risco de complementar o excelente trabalho e an\u00e1lise pol\u00edtica da &#8220;Dupla do Duplo Expresso e sua valiosa equipe de colaboradores e analistas pol\u00edtico\/jur\u00eddico\/econ\u00f4micos&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p1\">Passado o fat\u00eddico &#8220;15 de setembro&#8221;, verificamos que nossos progn\u00f3sticos se confirmaram. O<em> mainstream<\/em>, ao comentar os <strong>dez anos da crise<\/strong>, pouco salientou o sucesso econ\u00f4mico oriental como contraposi\u00e7\u00e3o ao baixos resultados apresentados pelos ocidentais!<\/p>\n<figure id=\"attachment_99663\" aria-describedby=\"caption-attachment-99663\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-99663 size-full\" src=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/b9a32674-8d8c-11e7-a352-e46f43c5825d.gif\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"450\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-99663\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;Dez Anos Depois da Quebra&#8221; <em>(Ten Years After the Crash)<\/em> por \u00a9 Financial Times (2018)<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"p1\">Entretanto, e gra\u00e7as ao avan\u00e7o das redes sociais (mesmo com suas contradi\u00e7\u00f5es, por ser um ambiente pass\u00edvel do estabelecimento da dial\u00e9tica) temos hoje um espa\u00e7o para avan\u00e7armos com nossos conte\u00fados na comunica\u00e7\u00e3o social. E isso segue em contraposi\u00e7\u00e3o ao &#8220;bloco do pensamento \u00fanico&#8221;! Sob esse \u00e2ngulo, de revelar artigos que salientam o sucesso oriental no aspecto do desenvolvimento econ\u00f4mico, destacamos e replicamos aqui dois textos:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><strong>&#8220;Pol\u00edticas &#8216;Keynesianas&#8217; da China&#8221; <em>(<\/em><\/strong><em><strong>China\u2019s \u2018Keynesian\u2019 policies)<\/strong><\/em><\/p>\n<p class=\"p1\">Michael Roberts \u2013 artigo traduzido e publicado na <a href=\"http:\/\/www.aepet.org.br\/w3\/index.php\/conteudo-geral\/item\/2222-politicas-keynesianas-da-china\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">AEPET<\/a>, em 21 de setembro de 2018, a partir do original no <a href=\"https:\/\/thenextrecession.wordpress.com\/2018\/08\/06\/chinas-keynesian-policies\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">blog do autor<\/a>:<\/p>\n<p class=\"p1\">A rea\u00e7\u00e3o da China \u00e0 guerra comercial de Donald Trump foi retaliar com suas pr\u00f3prias tarifas sobre as exporta\u00e7\u00f5es dos EUA para a China, particularmente as exporta\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas e de alimentos, como a soja.\u00a0Al\u00e9m disso, o governo permitiu que a moeda chinesa, o yuan, se desvalorizasse em rela\u00e7\u00e3o ao limite inferior de sua faixa controlada em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar.\u00a0Isso torna as exporta\u00e7\u00f5es chinesas mais baratas em termos de d\u00f3lares e, portanto, anula o prop\u00f3sito dos aumentos de tarifas da Trump em produtos chineses que entram nos EUA.<\/p>\n<p class=\"p1\">Mas h\u00e1 um terceiro movimento: uma expans\u00e3o considerada no investimento do governo e no financiamento de projetos de constru\u00e7\u00e3o para impulsionar a produ\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica para compensar qualquer decl\u00ednio nas exporta\u00e7\u00f5es.\u00a0A pol\u00edtica de investimento do governo teve enorme sucesso em ajudar a economia chinesa a evitar as consequ\u00eancias da Grande Recess\u00e3o em 2008-9.\u00a0Enquanto todas as principais economias capitalistas sofreram uma contra\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o e no investimento nacional, a China continuou a crescer.\u00a0Em 2009, quando o PIB nos pa\u00edses avan\u00e7ados caiu 3,4%, o crescimento chin\u00eas foi de 9,1%.\u00a0Apenas uma economia capitalista tamb\u00e9m cresceu &#8211; a Austr\u00e1lia &#8211; uma economia cada vez mais dependente das exporta\u00e7\u00f5es de seus recursos de mat\u00e9ria-prima para seu vizinho gigante asi\u00e1tico, em r\u00e1pido crescimento.<\/p>\n<p class=\"p1\">Simon Wren-Lewis, economista e blogueiro keynesiano brit\u00e2nico,\u00a0afirma que o sucesso da China na Grande Recess\u00e3o\u00a0demonstrou duas coisas: 1) que foi a austeridade que causou a Grande Recess\u00e3o e a fraca recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica depois nas principais economias capitalistas e 2) eram pol\u00edticas keynesianas (isto \u00e9, mais gastos do governo e d\u00e9ficits or\u00e7ament\u00e1rios correntes) que permitiram \u00e0 China evitar a queda.<\/p>\n<p class=\"p1\">Bem, \u00e9 sem d\u00favida verdade que, ap\u00f3s uma queda maci\u00e7a no investimento e na produ\u00e7\u00e3o no setor capitalista das principais economias em 2008-9, reduzir ainda mais os gastos do governo pioraria a situa\u00e7\u00e3o.\u00a0Nesse sentido, &#8220;austeridade&#8221; era uma pol\u00edtica equivocada para os governos adotarem.\u00a0Mas como argumentei\u00a0em muitos posts anteriores, austeridade n\u00e3o era uma insanidade em termos econ\u00f4micos para o capitalismo, como pensam os keynesianos.\u00a0Tem uma base racional: a de que com a rentabilidade no setor capitalista muito baixa, os custos devem ser reduzidos e isso inclui a redu\u00e7\u00e3o da tributa\u00e7\u00e3o do setor capitalista.\u00a0Al\u00e9m disso, o setor financeiro teve que ser resgatado.\u00a0Era muito melhor pagar por isso, reduzindo os gastos do governo e os investimentos, em vez de aumentar os impostos.\u00a0E o enorme aumento da d\u00edvida p\u00fablica que resultou de qualquer maneira exigiria o controle estrada abaixo.<\/p>\n<p class=\"p1\">Mas com rela\u00e7\u00e3o a tirar as economias da crise com mais gastos do governo?\u00a0Wren-Lewis comenta:\u00a0\u201cA\u00a0China \u00e9 um bom exemplo dessa ideia em a\u00e7\u00e3o.\u00a0E quanto a todos os opositores que previram desastre financeiro se isso fosse feito?\u00a0Bem, houve uma mini crise na China, meia d\u00fazia de anos depois, mas \u00e9 dif\u00edcil conect\u00e1-la aos gastos com est\u00edmulo e isso teve pouco impacto no crescimento chin\u00eas.\u00a0E quanto ao enorme fardo que as despesas com est\u00edmulo gerariam para as futuras gera\u00e7\u00f5es?\u00a0Gra\u00e7as a esse programa, a China agora tem uma rede ferrovi\u00e1ria de alta velocidade e \u00e9 l\u00edder global na constru\u00e7\u00e3o de ferrovias.\u00a0&#8220;<\/p>\n<p class=\"p1\">Ent\u00e3o voc\u00ea v\u00ea, as pol\u00edticas keynesianas funcionam, como mostra a China, diz Wren-Lewis.\u00a0Mas as pol\u00edticas da China eram realmente keynesianas?\u00a0Estritamente falando, as pol\u00edticas keynesianas de gest\u00e3o macro aumentam os gastos do governo de qualquer tipo (cavando buracos e preenchendo-os novamente) para &#8216;estimular&#8217; o setor capitalista a come\u00e7ar a investir e os lares a gastar, e n\u00e3o economizar,\u00a0atrav\u00e9s do efeito do &#8216;multiplicador&#8217; &#8216;.<\/p>\n<p class=\"p1\">Claro, Keynes falou em ir mais longe,\u00a0com a &#8220;socializa\u00e7\u00e3o do investimento&#8221; como o \u00faltimo recurso.\u00a0\u00a0 Mas nenhum governo da linha keynesiana adotou essa pol\u00edtica (se isso significou assumir o investimento capitalista com investimento estatal).\u00a0De fato, os Wren-Lewis deste mundo nunca defendem ou sequer mencionam a ideia da nacionaliza\u00e7\u00e3o ou socializa\u00e7\u00e3o dos setores capitalistas.\u00a0Para eles, a pol\u00edtica keynesiana \u00e9 a despesa do governo para &#8220;estimular a demanda&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p1\">A pol\u00edtica da China na Grande Recess\u00e3o n\u00e3o foi apenas &#8220;est\u00edmulo fiscal&#8221; no sentido keynesiano, mas um investimento direto do governo ou do Estado na economia.\u00a0Na verdade, era &#8220;investimento socializado&#8221;.\u00a0Investimento \u00e9 a chave aqui &#8211; como argumentei\u00a0em muitos posts\u00a0&#8211; n\u00e3o consumo ou qualquer forma de gasto pelo governo.\u00a0A Grande Recess\u00e3o na economia dos EUA foi liderada e impulsionada por uma queda no investimento capitalista, n\u00e3o em consumo pessoal ou causada por &#8220;austeridade&#8221;.\u00a0Na Europa, 100% do decl\u00ednio do PIB deveu-se a uma queda no investimento fixo.<\/p>\n<p class=\"p1\">Como\u00a0John Ross disse em seu blog na \u00e9poca\u00a0,\u00a0\u201ca\u00a0China \u00e9 evidentemente a imagem espelhada dos EUA\u2026 Se a Grande Recess\u00e3o nos EUA foi causada por uma queda precipitada no investimento fixo, a China evita a recess\u00e3o e seu r\u00e1pido crescimento econ\u00f4mico, impulsionado pelo aumento do investimento fixo.\u00a0Dado esse contraste, a raz\u00e3o para a diferen\u00e7a de desempenho entre as economias dos EUA e da China durante a crise financeira \u00e9 evidente \u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\">Wren-Lewis acha que as medidas keynesianas teriam feito o \u201csalto\u201d e foi\u00a0\u201cuma falta de imagina\u00e7\u00e3o\u201d\u00a0dos governos das principais economias n\u00e3o agir, mas sim impor \u201causteridade\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\">\u00c9 verdade que os governos das principais economias capitalistas n\u00e3o seguiram o exemplo da China, em parte porque se opunham ideologicamente ao investimento estatal &#8211; na verdade, sua primeira medida de &#8220;austeridade&#8221; era cortar projetos de investimento do governo &#8211; a maneira mais r\u00e1pida de cortar gastos.<\/p>\n<p class=\"p1\">Mas a quest\u00e3o principal n\u00e3o era ideologia ou\u00a0\u201cfalta de imagina\u00e7\u00e3o\u201d\u00a0.\u00a0\u00c9 que as pol\u00edticas de est\u00edmulo keynesianas n\u00e3o funcionam em uma economia predominantemente capitalista, onde a rentabilidade do investimento capitalista \u00e9 muito baixa e, portanto, o investimento est\u00e1 caindo.\u00a0Com o investimento do governo nas economias capitalistas avan\u00e7adas apenas cerca de 3% do PIB, comparado com o investimento do setor capitalista de 15%, seria necess\u00e1ria uma mudan\u00e7a maci\u00e7a para o setor p\u00fablico.\u00a0Estimular o investimento capitalista com baixas taxas de juros e gastos sociais n\u00e3o seria suficiente.\u00a0Investimento capitalista teria que ser\u00a0substitu\u00eddo por\u00a0 investimento &#8220;socializado&#8221;.\u00a0Isso s\u00f3 aconteceu (temporariamente) nas economias de guerra (como 1940-45).\u00a0Nos \u00faltimos dez anos, nos EUA, na Europa e no Jap\u00e3o, foram os capitalistas que tomaram as decis\u00f5es sobre investimento e emprego e o fizeram com base no lucro e n\u00e3o na recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.\u00a0Facilita\u00e7\u00e3o quantitativa e est\u00edmulo fiscal &#8211; os dois planos de pol\u00edtica keynesiana &#8211; foram ineficazes como resultado.\u00a0Em contraste, o investimento fixo da China aumentou rapidamente porque foi impulsionado por um programa de investimento estatal direto e pelo uso de bancos estatais para expandir rapidamente o financiamento das empresas.<\/p>\n<p class=\"p1\">Essa diferen\u00e7a entre as medidas keynesianas nas economias capitalistas e o investimento dirigido pelo Estado na China est\u00e1 prestes a ser testada novamente.\u00a0A maioria dos economistas est\u00e1 prevendo que a China ser\u00e1 atingida por uma guerra comercial com a pol\u00edtica de Trump e o crescimento econ\u00f4mico deve desacelerar &#8211; na verdade, h\u00e1 um risco crescente de uma enorme queda induzida pela d\u00edvida.\u00a0Mas as autoridades chinesas j\u00e1 est\u00e3o reagindo.\u00a0Os d\u00e9ficits or\u00e7ament\u00e1rios ordin\u00e1rios (est\u00edmulo fiscal) est\u00e3o sendo suplementados com o financiamento estatal dos projetos de investimento (azul escuro no gr\u00e1fico).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-99665\" src=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/china-1.png\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"329\" srcset=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/china-1.png 450w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/china-1-300x219.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\">A maior parte desse financiamento de investimento do governo vem das vendas de terras pelas autoridades locais.\u00a0Atrav\u00e9s de ve\u00edculos de financiamento do governo local (LGFV), eles constroem estradas, casas, cidades vendendo terras para os investidores.\u00a0Mas os fundos tamb\u00e9m v\u00eam diretamente do governo nacional (80%).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-99666\" src=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/china-2.png\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"305\" srcset=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/china-2.png 450w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/china-2-300x203.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\">Podemos esperar que esse financiamento aumente e os projetos de investimento se expandam se as exporta\u00e7\u00f5es da China ca\u00edrem com uma guerra comercial com os EUA.\u00a0O investimento estatal manter\u00e1 a economia da China acelerada, enquanto as principais economias capitalistas desaceleram.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u2013 \u2013 \u2013 \u2013 \u2013 \u2013 \u2013<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><strong>&#8220;Como a China venceu a crise financeira global&#8221; <em>(<\/em><\/strong><em><span class=\"s1\"><b>How China beat the Global Financial Crisis)<\/b><\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p1\">Simon Wren-Lewis \u2013 artigo de 03 de agosto de 2018, conforme o original aqui\u00a0transcrito do blog de quest\u00f5es macroecon\u00f4micas <em><a href=\"https:\/\/mainlymacro.blogspot.com\/2018\/08\/how-china-beat-global-financial-crisis.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Mainly Macro<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><i>If you were hoping for something on yesterday\u2019s interest rate rise, I can only direct you to the\u00a0<\/i><a href=\"https:\/\/www.ft.com\/content\/24a6807c-965d-11e8-b67b-b8205561c3fe\"><span class=\"s2\"><i>leader<\/i><\/span><\/a><i>\u00a0in the FT today which says: \u201cThere is no compelling reason to increase the cost of borrowing in the UK, but there is definitely a good cause to wait.\u201d On why nine intelligent people could all make the same mistake, you have to question their mandate and move to something that focuses on having the right environment for growth, as I do\u00a0<\/i><a href=\"https:\/\/mainlymacro.blogspot.com\/2018\/06\/a-new-mandate-for-monetary-policy.html\"><span class=\"s2\"><i>here<\/i><\/span><\/a><i>.<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><i>I recently finished reading the latest\u00a0<\/i><a href=\"https:\/\/www.penguinrandomhouse.com\/books\/301357\/crashed-by-adam-tooze\/9780670024933\/\"><span class=\"s2\"><i>book<\/i><\/span><\/a><i>\u00a0by Adam Tooze (of which much more in a subsequent post), and it reminded me of a story that was not told enough in the early days of austerity. Everyone knows about how quickly the Chinese economy has grown over the last few decades, and how strong exports have been an important part of that. In dollar terms the value of Chinese exports more than\u00a0<\/i><em>quadrupled between<\/em><i> 2000 and 2007. By 2007 Chinese exports represented 35% of GDP.<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><i>An important characteristic of the Global Financial Crisis (GFC) was how quickly world trade collapsed. If we compare the beginnings of Great Recession after the GFC with the start of the Great Depression, while world industrial production moved in a similar fashion, world trade collapsed by much more in the Great Recession than the Great Depression. Here is a chart from\u00a0Barry Eichengreen and Kevin O&#8217;Rourke\u2019s \u2018A Tale of Two Depressions Redux\u2019 VoxEU\u00a0<\/i><a href=\"https:\/\/voxeu.org\/article\/tale-two-depressions-redux\"><span class=\"s2\"><i>article<\/i><\/span><\/a><i>.<\/i><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-99667\" src=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/World-Trade-GFC.jpg\" alt=\"\" width=\"360\" height=\"376\" srcset=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/World-Trade-GFC.jpg 360w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/World-Trade-GFC-287x300.jpg 287w\" sizes=\"auto, (max-width: 360px) 100vw, 360px\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><i>Trade collapsed in the winter of 2008 around the globe, without exception. This was very bad news for China. Whereas exports had been around 35% of GDP in 2007, they fell to around 25% of GDP in 2009. That is a big hole to fill, and if it wasn\u2019t filled, there was a chance that Chinese growth would collapse completely with a damaging knock on (multiplier) effects to the rest of the economy. Above all else, China feared the political consequences of the unrest widespread unemployment would bring.<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><i>As Tooze recounts, China\u2019s reaction was swift and bold. In November 2008 it announced a stimulus package of public spending worth 12.5% of GDP. (The Obama stimulus package, by comparison, was around 5% of GDP.) \u201cOver the days that followed [the announcement], across China, provincial party meetings were hurriedly convened \u2026\u201d Within a year 50% of the stimulus projects were underway. Some of this stimulus paid for what Tooze describes as \u201cperhaps the most spectacular infrastructure project of the last generation anywhere in the world\u201d, the Chinese high-speed rail network. Monetary policy was also relaxed.<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><i>In 2008 as a whole, before the stimulus and hardly touched by the collapse in world trade, Chinese GDP grew by 9.6%. In 2009, when GDP in the advanced countries fell by 3.4%, Chinese growth was 9.1%. The stimulus package had filled the hole left by collapsing Chinese exports. (<\/i><a href=\"http:\/\/www.imf.org\/external\/datamapper\/NGDP_RPCH@WEO\/OEMDC\/ADVEC\/WEOWORLD\/CHN\"><span class=\"s2\"><i>Source<\/i><\/span><\/a><i>)<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><i>Basic macroeconomic theory says that a negative shock to GDP, caused for example by falling exports, can be completely offset by a monetary and fiscal stimulus. China is a good example of that idea in action. What about all the naysayers who predicted financial disaster if this was done? Well, there was a mini-crisis in China half a dozen years later, but it is hard to connect it back to stimulus spending and it had little impact on Chinese growth. What about the huge burden on future generations that such stimulus spending would create? Thanks to that programme, China now has a high-speed rail network and is a global leader in railway construction.<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s3\"><i>Now, of course, people will say that China is not like an advanced democracy, and it was not part of the global banking network that caused the GFC. But the US and UK stimulus programmes could and should have been larger. Those close to the action tell me that the UK was running out of things to spend more money on in 2008\/9, but I cannot help think this amounts to a failure of imagination: it is not as if UK infrastructure is great, there are no flood defence projects left to do etc. Above all else China\u2019s example tells you what a huge mistake 2010 austerity was.<\/i><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u2022 \u2022 \u2022 \u2022 \u2022<\/p>\n<p>1 Economista aposentado do BNDES<br \/>\n2 Economista do BNDES, doutor em economia pela UFRJ<br \/>\n3 Jornalista Econ\u00f4mico da AEPET \u2013 Associa\u00e7\u00e3o de Engenheiros da Petrobras<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o se deixe levar pelas sucessivas mensagens veiculadas na m\u00eddia corporativa sobre a nobreza do auster\u00edcidio praticado pelo Ocidente. Isso serve apenas para que n\u00f3s \u2013 os 99% \u2013 continuemos a engordar aquele 1% sob um discurso de que o baixo crescimento \u00e9 parte de um &#8220;novo normal\u00a0 secular&#8221; depois de passados dez anos da crise global de 2008. Nada disso! Vamos romper essas ideias olhando o formato de desenvolvimento impulsionado e conduzido pela m\u00e3o estatal no Oriente, e como isso tem produzido resultados muito mais relevantes do que aqueles observados nos meridianos de c\u00e1 da esfera terrestre.<\/p>\n","protected":false},"author":30,"featured_media":99660,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[592,977,8,762,2,6],"tags":[1839,827,1837,67,816,1838,1840],"class_list":["post-99658","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-comentaristas","category-economia","category-exclusivo","category-gustavo-galvao","category-home","category-redacao","tag-10-anos-da-crise","tag-china","tag-crash","tag-eua","tag-keynesianismo","tag-ocidente-vs-oriente","tag-pib"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/99658","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/30"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=99658"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/99658\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/99660"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=99658"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=99658"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=99658"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}