{"id":98296,"date":"2018-09-05T17:25:29","date_gmt":"2018-09-05T20:25:29","guid":{"rendered":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=98296"},"modified":"2018-09-05T17:25:29","modified_gmt":"2018-09-05T20:25:29","slug":"guerras-comerciais-dos-eua-contra-a-china-o-que-realmente-esta-em-disputa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=98296","title":{"rendered":"Guerras comerciais dos EUA contra a China: o que realmente est\u00e1 em disputa"},"content":{"rendered":"<p>3\/9\/2018, F. William Engdahl<a id=\"post-98296-_ftnref1\"><\/a><sup><a href=\"https:\/\/mail.protonmail.com\/&quot; \\l &quot;_ftn1&quot; \\o &quot;\">[1]<\/a><\/sup>\u00a0(<a href=\"http:\/\/www.williamengdahl.com\/englishNEO3Sep2018.php\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Website<\/em><\/a>) \u2013 traduzido pelo Coletivo Vila Vudu<\/p>\n<p>A bizarra e em ininterrupta escalada &#8220;guerra comercial&#8221; que Washington move contra os chineses nada tem a ver com equilibrar super\u00e1vits comerciais. E parece que, agora, os chineses j\u00e1 conclu\u00edram tamb\u00e9m nessa dire\u00e7\u00e3o. Tudo ali tem a ver com assalto frontal contra a estrat\u00e9gia chinesa de se autoconverter em pa\u00eds l\u00edder, de economia avan\u00e7ada, autoconfiante, em p\u00e9s de igualdade, no campo da tecnologia com o ocidente e, possivelmente, ainda mais avan\u00e7ada. Essa \u00e9 basicamente a meta da estrat\u00e9gia nacional econ\u00f4mica de Xi Jinping,\u00a0<em>Made in China: 2025<\/em>.<\/p>\n<p>Os EUA como superpot\u00eancia mundial dominante de modo algum poderiam permitir que as coisas andassem como os chineses planejam. Assim como o Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico foi \u00e0 1\u00aa Guerra Mundial, para destruir a amea\u00e7a potencial de uma superpot\u00eancia alem\u00e3, assim tamb\u00e9m Washington, hoje, confronta um colosso econ\u00f4mico chin\u00eas e testa suas possibilidades e alternativas. \u00c9 confronto que pode ficar muito feio nos pr\u00f3ximos meses, a menos que os EUA recuem \u2013 o que, nesse momento, n\u00e3o parece prov\u00e1vel.<\/p>\n<p>Long Guoqiang, vice-presidente do Centro de Pesquisa do Desenvolvimento do Conselho de Estado da China, em recente palestra na qual refletiu sobre o ponto de vista atual do governo e do Partido Comunista na China, disse que o objetivo da guerra comercial que os EUA fazem contra a China \u00e9 o que chamou, corretamente, de &#8220;conten\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica&#8221;. Para ele, esse projeto est\u00e1 sendo conduzido mediante &#8220;extors\u00e3o&#8221;, como amea\u00e7ar ou j\u00e1 avan\u00e7ar em guerras comerciais contra a China, para for\u00e7ar a abertura de mercados, com o objetivo de atacar o modelo chin\u00eas de desenvolvimento do &#8220;capitalismo de Estado&#8221;, na tentativa de, sem China, preservar a\u00a0<a href=\"https:\/\/supchina.com\/2018\/08\/29\/trade-war-day-55-china-only-third-priority-after-nafta-eu\/#respond.\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">hegemonia<\/a>\u00a0dos EUA.<\/p>\n<p>Washington j\u00e1 lan\u00e7ou ataque semelhante, usando fundos &#8216;de cobertura&#8217; [ing.\u00a0<em>hedge funds<\/em>] privados, em 1997, para destruir as economias dos &#8220;Tigres Asi\u00e1ticos&#8221;, Coreia do Sul, Mal\u00e1sia, Cingapura, Hong Kong e outras economias asi\u00e1ticas que estavam em r\u00e1pido crescimento. Ataques de especuladores, lan\u00e7ados depois de crises monet\u00e1rias, para for\u00e7ar a reorganiza\u00e7\u00e3o do modelo de economia guiada pelo Estado nos moldes ordenados pelo FMI \u2013 o chamado &#8220;Consenso de Washington&#8221;. Antes disso, come\u00e7ando pelo infame &#8220;Acordo Plaza&#8221;, de d\u00f3lar-yen, Washington arquitetou bolhas, no mercado imobili\u00e1ria e no mercado de a\u00e7\u00f5es, e a subsequente longa defla\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do Banco do Jap\u00e3o, para controlar o alto crescimento econ\u00f4mico do Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>O hegemon global \u2013 Wall Street e seus representantes em Washington, no Fed, no FMI e no Tesouro n\u00e3o apreciam concorr\u00eancia entre iguais.<\/p>\n<p>Dessa vez, a China, cujos super\u00e1vits comerciais s\u00e3o em grande medida derivados da produ\u00e7\u00e3o chinesa sob licen\u00e7a de Apple, GM e incont\u00e1veis outras empresas dos EUA e da Uni\u00e3o Europeia para reexporta\u00e7\u00e3o, est\u00e1 decidida a se tornar, o mais rapidamente poss\u00edvel, economia autossuficiente de alta tecnologia, deixando para tr\u00e1s o tempo em que a China dependeu de ter acesso a tecnologias norte-americanas cr\u00edticas, como de processadores para computa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 compreens\u00edvel, especialmente \u00e0 luz das recentes san\u00e7\u00f5es incapacitantes contra as empresas chinesas l\u00edderes de eletr\u00f4nica Huawei e ZTE, que a China esteja analisando a escrita de Washington ou, mais precisamente, o\u00a0<em>graffiti<\/em>\u00a0pol\u00edtico dos norte-americanos na Grande Muralha.<\/p>\n<p>[Mahathir bin Mohamad] Mahatir [primeiro-ministro] da Mal\u00e1sia disse recentemente depois de conversas em Pequim sobre o cancelamento de bilh\u00f5es de d\u00f3lares de projetos chineses de infraestrutura na Mal\u00e1sia&#8221;, que termos j\u00e1 aprovados pelo primeiro-ministro est\u00e3o sendo &#8220;reexaminados&#8221;, para dar tempo aos chineses\u00a0\u00a0de &#8220;salvar a cara&#8221;. A estrat\u00e9gia de Washington no momento \u00e9 &#8220;condenar&#8221;, n\u00e3o &#8220;salvar&#8221; a cara dos chineses, e tentar substitu\u00ed-los por algum dos estados-vassalos preferidos de Washington.<\/p>\n<p><strong>Uma reaproxima\u00e7\u00e3o China-Jap\u00e3o<\/strong><br \/>\nA primeira resposta da China foi tentar capitalizar a escalada das tens\u00f5es entre Washington e a Uni\u00e3o Europeia, n\u00e3o s\u00f3 por causas comerciais mas tamb\u00e9m em torno de quem financia a OTAN. Primeiro, a China prop\u00f4s um formato de frente comercial anti-Washington, ao lado da UE, em julho. O primeiro-ministro Li Keqiang da China prop\u00f4s coopera\u00e7\u00e3o na oposi\u00e7\u00e3o \u00e0s a\u00e7\u00f5es de guerra comercial dos EUA seja contra a Uni\u00e3o Europeia seja contra a China. Recebeu rejei\u00e7\u00e3o em bloco. O presidente da Comiss\u00e3o Europeia Jean-Claude Juncker declarou sem meias palavras que n\u00e3o v\u00ea &#8220;perspectiva, no curto prazo&#8221; para conversas UE-China sobre algum tipo de acordo comum de livre com\u00e9rcio. Completou, com sarcasmo, que &#8220;se a China quiser abertura total,\u00a0<a href=\"https:\/\/euobserver.com\/tickers\/142383\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ela pode come\u00e7ar.&#8221;<\/a><\/p>\n<p>Ante a total rejei\u00e7\u00e3o na Uni\u00e3o Europeia a uma frente unida, a China voltou-se para seu recente rival econ\u00f4mico e pol\u00edtico na \u00c1sia, o Jap\u00e3o. Conversas entre funcion\u00e1rios t\u00e9cnicos come\u00e7aram j\u00e1 em abril entre os governos de China, Jap\u00e3o e Coreia do Sul, as tr\u00eas maiores economias da \u00c1sia. As conversas bilaterais entre China e Jap\u00e3o ganharam recentemente maior significado. Est\u00e3o sendo conclu\u00eddos os preparativos para uma reuni\u00e3o extraordin\u00e1ria em Pequim entre o primeiro-ministro Abe do Jap\u00e3o e Xi Jinping da China, primeira visita \u00e0 China de um primeiro-ministro japon\u00eas desde o in\u00edcio das tens\u00f5es em 2011, que escalaram dramaticamente quando Washington for\u00e7ou o Jap\u00e3o a provocar disputa territorial que fatalmente seria grave em torno das Ilhas Senkaku (para os chineses, Ilhas Diaoyu), quando o Jap\u00e3o p\u00f4s aquelas ilhas sobre controle do estado japon\u00eas, em setembro de 2012.<\/p>\n<p>Outra indica\u00e7\u00e3o de que cresce a aten\u00e7\u00e3o em torno de defesas comuns contra escaladas na guerra econ\u00f4mica dos EUA, Jap\u00e3o e China acabam de renovar acordos bilaterais para\u00a0<em>swap<\/em>\u00a0de moedas institu\u00eddos originalmente em 2002, no in\u00edcio da crise asi\u00e1tica, para garantir maior solidez na defesa contra ataques especulativos. Esses\u00a0<em>swaps<\/em>\u00a0foram suspensos em 2013, quando as tens\u00f5es entre Jap\u00e3o e China\u00a0<a href=\"https:\/\/www.rte.ie\/news\/business\/2018\/0821\/986483-china-japan\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">alcan\u00e7aram um\u00a0pico.<\/a>\u00a0Os japoneses n\u00e3o est\u00e3o satisfeitos com san\u00e7\u00f5es que os EUA impuseram ao a\u00e7o e ao alum\u00ednio japon\u00eas, nem com novas amea\u00e7as de os EUA tarifarem os carros importados do Jap\u00e3o. Japoneses responderam com um acordo de livre com\u00e9rcio com a Uni\u00e3o Europeia e, agora, cuidam de reparar as rela\u00e7\u00f5es com seu maior rival na \u00c1sia, a China.<\/p>\n<p><strong>EUA e a estrat\u00e9gia de guerra longa<\/strong><br \/>\nOs poderes invis\u00edveis que controlam a estrat\u00e9gia geopol\u00edtica profunda dos EUA tentar\u00e3o por todos os meios que encontrem agora brecar, literalmente, a China com san\u00e7\u00f5es, humilha\u00e7\u00f5es, press\u00f5es sobre direitos humanos em Xinjiang, guerra financeira e at\u00e9 amea\u00e7as militares. Como o falecido Zbigniew Brzezinski dizia, se os EUA perderem o controle sobre a Eur\u00e1sia, ser\u00e1 o fim da superpot\u00eancia \u00fanica. Para impedir isso, a China tem de ser brecada. \u00c9 conclus\u00e3o muito suspeita, para dizer o m\u00ednimo. Consequ\u00eancia desse projeto pode ser a guerra, e guerra que, se acontecer, ser\u00e1 catastr\u00f3fica para a humanidade.<\/p>\n<p>H\u00e1 um grande obst\u00e1culo para uma guerra financeira dos EUA contra a China. Diferente do Jap\u00e3o nos anos 1980, as d\u00edvidas chinesas s\u00e3o massivamente d\u00edvidas internas, com bancos estatais regulados por um Banco Central estatal, o Banco do Povo da China. Assim sendo, a d\u00edvida de $36 trilh\u00f5es pode ser impressionante, como quase tudo na China, mas ainda est\u00e1 sob controle do Estado \u2013 diferente do Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>Para que Washington controle efetivamente a China nesse ponto, ter\u00e1 de fazer o que Washington fez nos anos 1990 contra a Federa\u00e7\u00e3o Russa, quando interrompeu o controle estatal sobre a emiss\u00e3o de moeda e ordenou ao seu servo Boris Yeltsin que criasse um banco Central da R\u00fassia independente.<\/p>\n<p>At\u00e9 que os Deuses do Dinheiro consigam quebrar o controle estatal sobre o Banco do Povo da China, a China continuar\u00e1 a ter meios para lidar com suas d\u00edvidas, sempre praticamente imune \u00e0 chantagem do d\u00f3lar. Nisso a China \u00e9 dramaticamente diferente de Turquia, Argentina e da maioria dos demais pa\u00edses cujos bancos centrais que controlam a emiss\u00e3o de moeda s\u00e3o empresas privadas.*******<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><sup><a href=\"https:\/\/mail.protonmail.com\/&quot; \\l &quot;_ftnref1&quot; \\o &quot;\">[1]<\/a><\/sup>\u00a0<strong>F. William Engdahl<\/strong>\u00a0\u00e9 consultor de riscos estrat\u00e9gicos e conferencista. \u00c9 formado em pol\u00edtica pela Princeton University e autor consagrado no campo do petr\u00f3leo e geopol\u00edtica. Colaborador exclusivo da revista\u00a0<em>online<\/em>\u00a0<a href=\"https:\/\/journal-neo.org\/2018\/09\/03\/the-real-stakes-of-the-usa-china-trade-wars\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">&#8220;New Eastern Outlook&#8221;<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A bizarra e em ininterrupta escalada &#8220;guerra comercial&#8221; que Washington move contra os chineses nada tem a ver com equilibrar super\u00e1vits comerciais. E parece que, agora, os chineses j\u00e1 conclu\u00edram tamb\u00e9m nessa dire\u00e7\u00e3o. Tudo ali tem a ver com assalto frontal contra a estrat\u00e9gia chinesa de se autoconverter em pa\u00eds l\u00edder, de economia avan\u00e7ada, autoconfiante, em p\u00e9s de igualdade, no campo da tecnologia com o ocidente e, possivelmente, ainda mais avan\u00e7ada. Essa \u00e9 basicamente a meta da estrat\u00e9gia nacional econ\u00f4mica de Xi Jinping,\u00a0Made in China: 2025.<br \/>\nOs EUA como superpot\u00eancia mundial dominante de modo algum poderiam permitir que as coisas andassem como os chineses planejam.<\/p>\n","protected":false},"author":30,"featured_media":98297,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17,1679,977,20],"tags":[827,67,1057,1211],"class_list":["post-98296","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-analise-de-conjuntura","category-coletivo-vila-vudu","category-economia","category-politica-internacional","tag-china","tag-eua","tag-geopolitica","tag-guerra-comercial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/98296","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/30"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=98296"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/98296\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/98297"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=98296"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=98296"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=98296"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}