{"id":97578,"date":"2018-08-19T10:02:35","date_gmt":"2018-08-19T13:02:35","guid":{"rendered":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=97578"},"modified":"2018-08-19T10:03:19","modified_gmt":"2018-08-19T13:03:19","slug":"dany-robert-dufour-na-encruzilhada-filosofia-historia-economia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=97578","title":{"rendered":"Dany Robert Dufour &#8211; Na encruzilhada Filosofia \/ Hist\u00f3ria \/ Economia"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>Por Ceci Juru\u00e1, para o Duplo Expresso <\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Comecei a ler a obra de Dufour h\u00e1 cerca de dez anos, devo confessar que suas reflex\u00f5es me impactaram profundamente.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Na minha leitura Dufour nos convidava a refletir sobre uma nova situa\u00e7\u00e3o ps\u00edquica dos seres humanos nesses tempos dominados pelo p\u00f3s-modernismo.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Se \u00e9 verdade, como pensou Marx, que a ideologia de cada indiv\u00edduo vincula-se \u00e0s condi\u00e7\u00f5es materiais de vida, a mudan\u00e7a em curso nas rela\u00e7\u00f5es sociais de produ\u00e7\u00e3o, desde as d\u00e9cadas de 1970 e 1980,<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>acabaria por levar ao aparecimento de novas subjetividades.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Ou, nas palavras de Dufour: <\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s1\"><i>H\u00e1 uma mudan\u00e7a radical no jogo das trocas, que traz consigo uma verdadeira muta\u00e7\u00e3o antropol\u00f3gica. (&#8230;)<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Esse novo estado do capitalismo \u00e9 o melhor produtor do sujeito esquizoide, esse da p\u00f3s-modernidade.&#8221;<\/i><\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s1\">No Brasil sent\u00edamos que estava ocorrendo algo diferente na sociedade e no interior de cada indiv\u00edduo.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Por um lado era vis\u00edvel a substitui\u00e7\u00e3o do sentimento de solidariedade humana e familiar pelo ego\u00edsmo individualista.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Que cada um trate de sua vida e ocupe-se da sua felicidade, era e \u00e9 o pensamento dominante sobretudo nas grandes cidades brasileiras.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Algo distinto de meu tempo de crian\u00e7a quando cada pessoa era portadora de deveres e obriga\u00e7\u00f5es, e ser feliz era um estado de esp\u00edrito de ocorr\u00eancia eventual. Momento raro e desej\u00e1vel, ser feliz era quase uma gra\u00e7a dos c\u00e9us!<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s1\">Express\u00e3o que se tornou frequente, entre os jovens, nos primeiros anos do s\u00e9culo XXI, apontava o novo \u201cimperialismo da economia\u201d.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Tudo \u2013 estudos, prazeres, afetos \u2013 era visto como pass\u00edvel de submiss\u00e3o a testes de custo-benef\u00edcio.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Ora, ora! Escutar o elogio da regra de an\u00e1lise \u201ccusto-benef\u00edcio\u201d na boca de pessoas que desconhecem o conceito e nem sabem calcular custos,<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>me causava surpresa e inquieta\u00e7\u00e3o.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Boquiaberta, \u00e0s vezes, ao verificar que raros<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>indiv\u00edduos sabiam fazer a diferen\u00e7a e\/ou analogia entre benef\u00edcios e lucros&#8230;!\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s1\">Perceb\u00edamos ent\u00e3o que ideologias produzidas fora, muito longe do Brasil, e muito perto de Chicago, intrometiam-se no nosso cotidiano, em nossos esp\u00edritos, em nossas manifesta\u00e7\u00f5es de vida social. Sent\u00edamos tamb\u00e9m por aqui um certo culto \u00e0 libera\u00e7\u00e3o an\u00e1rquica que amea\u00e7ava destruir, sem culpa nem<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>remorso, o que pudesse parecer entrave \u00e0 liberdade de op\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos. Ego\u00edsmo e o primado da liberdade individual eram motiva\u00e7\u00f5es poderosas induzindo \u00e0 critica da a\u00e7\u00e3o do Estado nas fun\u00e7\u00f5es essenciais de regula\u00e7\u00e3o social e de defesa dos direitos humanos.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>N\u00e3o s\u00f3 no Brasil, mas tamb\u00e9m no conjunto de pa\u00edses institucionalmente fr\u00e1geis, dependentes e\/ou submissos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s1\">Perante tais inquieta\u00e7\u00f5es intelectuais, Dufour nos oferecia alternativas de compreens\u00e3o. <span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Dizia ele que,<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>em um mundo onde tudo tende a se tornar mercadoria, do ponto de vista dos poderosos <\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p6\"><span class=\"s1\">&#8230;<i>\u00e9<\/i> <i>preciso n\u00e3o apenas menos Estado, mas menos de tudo o que poderia entravar a circula\u00e7\u00e3o de mercadorias<\/i>. (<i>A Arte de reduzir cabe\u00e7as<\/i>, p.197.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Editora Campo Mat\u00eamico. Rio de Janeiro: Companhia de Freud, 2005)<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s1\">Ao tomar conhecimento de <i>A arte de reduzir cabe\u00e7as<\/i>, fiquei<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>seduzida pelos novos horizontes colocados nessa obra, verdadeiro desafio para economistas que cultivam apego, respeito, \u00e0 filosofia e \u00e0 hist\u00f3ria como cen\u00e1rios indispens\u00e1veis \u00e0 compreens\u00e3o da vida econ\u00f4mica.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Tratava-se, contudo, de um livro de leitura dif\u00edcil para os n\u00e3o psic\u00f3logos nem psicanalistas.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Confesso que s\u00f3 comecei a entender melhor as ideias ali apresentadas ap\u00f3s a segunda leitura. <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s1\">Como teste pessoal, eu me propus a elabora\u00e7\u00e3o de um artigo sobre aquele livro,<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>com o qual eu acabava de travar conhecimento e pelo qual senti, de pronto, grande respeito e afinidade ideol\u00f3gica.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Escrevi ent\u00e3o o artigo <i>Capitalismo e<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>constitui\u00e7\u00e3o do sujeito,<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span><\/i>em desafio \u00e0 minha pr\u00f3pria inseguran\u00e7a. Consegui estabelecer algumas pontes metodol\u00f3gicas que me foram de grande aux\u00edlio.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Em primeiro lugar com um cl\u00e1ssico do marxismo ingl\u00eas, Maurice Godelier. Em seguida recorri a Erich Fromm, um dos pioneiros na an\u00e1lise da transforma\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos, ou subjetividades, ao longo do processo de forma\u00e7\u00e3o do capitalismo. Fromm foi um dos primeiro autores onde encontrei pistas para entender o longo percurso necess\u00e1rio \u00e0 captura do universo individual e do conjunto de valores humanos pelo \u201cMercado\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s1\">Com tais pontes metodol\u00f3gicas e conceituais, e mediante consulta \u00e0 <i>Ideologia alem\u00e3<\/i>, de Marx-Engels,<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>foi poss\u00edvel enfrentar os desafios colocados \u00e0s tentativas de compreens\u00e3o da dita \u201cCi\u00eancia Econ\u00f4mica\u201d na p\u00f3s-modernidade, e seu cart\u00e3o de visita com uma pretensa nova racionalidade. Iniciar, assim,<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>a disseca\u00e7\u00e3o do mito \u201c<i>Homo Oeconomicus<\/i>\u201d, um ser ego\u00edsta e racional que direciona satisfa\u00e7\u00e3o e prazeres conforme puls\u00f5es e no objetivo exclusivo de <i>maximizar as diferentes modalidades de consumo<\/i>.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Para tanto, \u00e9 necess\u00e1rio posicionar o indiv\u00edduo em permanente aten\u00e7\u00e3o ao<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>sistema de pre\u00e7os do mercado, sistema din\u00e2mico e flex\u00edvel sempre que perfeitamente competitivo.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Tantos mitos. Tantas fic\u00e7\u00f5es!\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s1\">Por tudo que acabo de esbo\u00e7ar, posso afirmar que a obra de Dufour foi valiosa para os economistas que com ela travaram conhecimento, permitindo ampliar possibilidades de interpreta\u00e7\u00e3o da vida social e pessoal, at\u00e9 a fronteira dos desejos humanos, individuais, ego\u00edstas ou n\u00e3o.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Foi uma oportunidade que favoreceu a compreens\u00e3o das reais necessidades individuais e sociais, t\u00e3o mal interpretadas nas muitas \u201cteorias da escassez\u201d. Refiro-me \u00e0 compreens\u00e3o intelectual.\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s1\">Ao terminar aquele primeiro artigo, publicado em 2009 na revista Oikos (UFRJ), com o t\u00edtulo \u201cCapitalismo e constitui\u00e7\u00e3o do sujeito\u201d, manifestei minha cren\u00e7a que o capitalismo, no modelo que emergiu nos anos 1980, em plena p\u00f3s-modernidade, apresentava, entre outras vantagens competitivas (no campo da ideologia e sob o ponto de vista dos dominadores), a possibilidade de desmonte das institui\u00e7\u00f5es e de troca dos padr\u00f5es individuais de simboliza\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s1\">Foi este, em parte, o terremoto que nos atingiu e nos derrotou em maio de 2016: a dissolu\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas do modelo vigente desde 1930, desenvolvimentista e industrializante, no padr\u00e3o europeu da social democracia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s1\">A leitura do conjunto da obra de Dany Robert Dufour \u00e9 indispens\u00e1vel para todo economista e para brasileiros devotados \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade democr\u00e1tica e justa, solid\u00e1ria, empenhada na paz mundial. Entre os livros j\u00e1 traduzidos para o portugu\u00eas eu destaco <i>A Cidade Perversa<\/i>.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Obra prima,<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>na qual foram dissecados os princ\u00edpios e procedimentos, os fundamentos,<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>para emerg\u00eancia de uma nova ordem mundial tendo como centro cultural a Am\u00e9rica do Norte.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Entenderemos melhor este retorno ao capitalismo liberal se houver clareza filos\u00f3fica sobre os tra\u00e7os culturais b\u00e1sicos que predominam nos Estados Unidos da Am\u00e9rica do Norte.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Entendi que esta \u00e9 uma quest\u00e3o central abordada em <i>A Cidade Perversa<\/i>. <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s1\">Recentemente Dufour publicou outros dois livros na Fran\u00e7a.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>O bel\u00edssimo <i>L\u00b4individu qui vient<\/i>, cuja leitura nos incita a repensar nossa hist\u00f3ria e formular uma nova narrativa, mais real, mais fiel aos sonhos e \u00e0s aspira\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas dos brasileiros. Eu diria simplesmente, ap\u00f3s a leitura de Dufour, que a melhor sociedade \u00e9 aquela que se configura de acordo com a cultura e os s\u00edmbolos da P\u00e1tria, isto \u00e9, a terra onde nascemos e nos educamos. A terra e a sociedade que queremos legar a nossos filhos. <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s1\">O \u00faltimo livro de Dufour tem por titulo <i>La Fable des Abeilles<\/i>, uma f\u00e1bula pol\u00edtica escrita por Bernard de Mandeville na virada do s\u00e9culo XVII para o XVIII, e simplificada na frase \u201cos v\u00edcios privados fazem as virtudes p\u00fablicas\u201d.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Entendi que, na vis\u00e3o de Dufour, Adam Smith \u201cbebeu nas \u00e1guas\u201d que afloraram filosoficamente da f\u00e1bula de Mandeville. Por isto, e por tantas outras comprova\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, somos levados a pensar e a defender o ponto de vista que o neoliberalismo \u00e9 profundamente desumano, selvagem, base cultural da barb\u00e1rie que se desvela perante nossos olhos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s1\">\u00c9 este autor que estar\u00e1 em Campinas no pr\u00f3ximo dia 30 de agosto, apresentando o tema <i>O Homem que vir\u00e1 ap\u00f3s o neoliberalismo<\/i>. Para debater suas ideias, foram convidados Luiz Gonzaga Belluzzo, Leda Paulani e Angela Ganem.\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s1\">Um programa imperd\u00edvel!<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Brasil sent\u00edamos que estava ocorrendo algo diferente na sociedade e no interior de cada indiv\u00edduo.\u00a0 Por um lado era vis\u00edvel a substitui\u00e7\u00e3o do sentimento de solidariedade humana e familiar pelo ego\u00edsmo individualista.\u00a0 Que cada um trate de sua vida e ocupe-se da sua felicidade, era e \u00e9 o pensamento dominante sobretudo nas grandes cidades brasileiras.\u00a0 Algo distinto de meu tempo de crian\u00e7a quando cada pessoa era portadora de deveres e obriga\u00e7\u00f5es, e ser feliz era um estado de esp\u00edrito de ocorr\u00eancia eventual. 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