{"id":95253,"date":"2018-06-28T15:38:18","date_gmt":"2018-06-28T18:38:18","guid":{"rendered":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=95253"},"modified":"2018-07-02T06:42:31","modified_gmt":"2018-07-02T09:42:31","slug":"a-saida-crise-ao-alcance-da-mao-parte-2-o-emprego-e-o-grande-banco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=95253","title":{"rendered":"A sa\u00edda da crise ao alcance da m\u00e3o, Parte 2: o emprego e \u201co Grande Banco\u201d"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por H\u00e9lio Pires\u00b9, Gustavo Galv\u00e3o\u00b2 e Rog\u00e9rio Lessa\u00b3, para o Duplo Expresso<\/strong><\/p>\n<p>Leia a <span style=\"text-decoration: underline;\">Parte 1<\/span> deste texto em <a href=\"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=95171\">https:\/\/duploexpresso.com\/?p=95171<\/a><\/p>\n<p><strong>Minsky em \u201cHip\u00f3tese de Instabilidade Financeira\u201d na \u00e9poca do capitalismo <em>financerizado<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Minsky\u2074 apresenta sua \u201c<a href=\"http:\/\/www.revistaoikos.org\/seer\/index.php\/oikos\/article\/view\/181\/116\">Hip\u00f3tese de Instabilidade Financeira \u2013 HIF<\/a>\u201d em 1992. Ela descreve como a Economia sai do longo per\u00edodo de prosperidade de 1945 at\u00e9 in\u00edcio dos anos 70 sob a \u00e9gide de um Estado \u201ckeynesiano\u201d planejador sob o corte pol\u00edtico da social democracia para o retorno do Estado \u201cliberal\u201d e de corte pol\u00edtico conservador.<\/p>\n<p>De meados de 1970 at\u00e9 os dias atuais passando pela Grande Crise de 2008, o Estado \u201cliberal\u201d vem liberando controles estatais e permitindo a \u201cautorregula\u00e7\u00e3o\u201d dos agentes e dos mercados financeiros.<\/p>\n<p>O fim da Guerra Fria com a queda do Muro de Berlim, o avan\u00e7o e barateamento das telecomunica\u00e7\u00f5es refor\u00e7ou a for\u00e7a pol\u00edtica liberal agora autodenominada de \u201cneoliberal\u201d e se espalhou pelo mundo o avan\u00e7o da gest\u00e3o privada sobre os bens e servi\u00e7os do Estado privatizando-os e evidentemente aumentando a concentra\u00e7\u00e3o do capital e oligopolizando os mercados.<\/p>\n<p>Mas a desregulamenta\u00e7\u00e3o dos setores p\u00fablicos e as privatiza\u00e7\u00f5es geraram grandes fracassos empresariais e crises sequenciais at\u00e9 a grande de 2008. De fato, de meados dos anos 90 at\u00e9 2008 assistimos quebra: dos grandes tigres e dos tigrinhos asi\u00e1ticos, de fundos de hedge, da queda das \u201cPonto.com\u201d, da Enron, da MCI\/Worldcom at\u00e9 o grande esc\u00e2ndalo do \u201csubprime\u201d.<br \/>\nMinsky denomina esse per\u00edodo como \u201ccapitalismo gerenciador de dinheiro\u201d. Em outros termos significa que, nos anos 90, com a hegemonia estadunidense, a baixa dos juros e finan\u00e7as liberadas, a expans\u00e3o monet\u00e1ria for\u00e7a a cria\u00e7\u00e3o de novos \u201cprodutos financeiros\u201d e de \u201cadministradores\u201d destes recursos.<\/p>\n<p>A liquidez ampliada gerando uma massa expressiva e alavancada de dinheiro reduz a avers\u00e3o a riscos, aumenta a arbitragem e especula\u00e7\u00e3o com ativos. \u201cAdministradores de dinheiro\u201d ganham status de \u201cgurus e astros\u201d passando a aumentar a cultura especulativa. An\u00e1lise de projetos que antes eram sob a \u00f3tica do custo\/benef\u00edcio econ\u00f4mico de cada setor espec\u00edfico passa a ser apenas an\u00e1lise financeira de fluxo de caixa. Se o valor descontado de qualquer segmento espec\u00edfico \u00e9 positivo de acordo com as taxas de atratividade n\u00e3o faltar\u00e1 liquidez e s\u00f3cios (\u201cadministradores de dinheiro\u201d) dispostos ao investimento.<\/p>\n<p>Minsky, diante dessa situa\u00e7\u00e3o de sobra de dinheiro e oferta de endividamento massivo, registra a situa\u00e7\u00e3o de fragilidade e desigualdade financeira da Economia e denomina tr\u00eas fases de um processo de endividamento financeiro que, segundo sua \u00f3tica, explica os ciclos econ\u00f4mico (expans\u00e3o e crise):<\/p>\n<p><strong>Momento Hedge<\/strong> \u2013 no in\u00edcio de um ciclo econ\u00f4mico advindo de uma recupera\u00e7\u00e3o anterior, a maioria das unidades empresariais est\u00e3o moderadamente endividadas de forma que seus fluxos de caixa esperados cubram amortiza\u00e7\u00e3o e juros;<\/p>\n<p><strong>Momento Especulativo<\/strong> \u2013 com a consolida\u00e7\u00e3o do ciclo, as unidades empresariais se endividam mais profundamente, mas seus fluxos esperados ainda pagam os juros;<\/p>\n<p><strong>Momento Ponzi<\/strong> \u2013 na m\u00e1xima expans\u00e3o do ciclo, muitas das unidades est\u00e3o endividadas seus fluxos financeiros esperados n\u00e3o cobrem nem mesmo os juros. Nesse ponto tem que frequentemente rolam suas d\u00edvidas incorporando amortiza\u00e7\u00e3o e juros. Ou seja, o endividamento passa a ser crescente mesmo sem investimento.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, no auge do ciclo, se parte significativa das unidades estiverem em situa\u00e7\u00e3o Ponzi, qualquer aumento de juros por parte de uma pol\u00edtica monet\u00e1ria restritiva criar\u00e1 as condi\u00e7\u00f5es end\u00f3genas para a deflagra\u00e7\u00e3o de uma nova crise.<\/p>\n<p><strong>O Grande Banco e o Grande Estado<\/strong><\/p>\n<p>A\u00ed Minsky projeta a figura do \u201cGrande Estado e do Grande Banco\u201d, ou seja, o Estado e o Banco Central intervir\u00e3o para agir como \u201cEmprestador de \u00daltima Inst\u00e2ncia\u201d e eliminar o risco sist\u00eamico empresarial.<\/p>\n<p>Minsky, falecido em 1996, foi reconhecido pelo acerto de sua HIF, na crise de 2008, principalmente quando Autoridades Monet\u00e1rias intervieram financeiramente no papel de \u201cGrande Governo e Grande Banco\u201d para paralisar a quebra e salvar o sistema financeiro privado mundial!<\/p>\n<p>Mas Hyman Minsky vem de uma s\u00e9rie virtuosa de autores, ele \u00e9 da escola do pensamento econ\u00f4mico das Finan\u00e7as Funcionais, a ala mais radical do keynesianismo. Ele \u00e9 aluno de Abba Lerner que foi aluno de Keynes e que por similitude seguem tamb\u00e9m o pensamento de Kalecki.<br \/>\nJ\u00e1 apresentamos <em>latu sensu<\/em> as Finan\u00e7as Funcionais em \u201c<a href=\"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=94444\">Liberalismo: \u2018fake news\u2019 ou \u2018bad news\u2019?<\/a>\u201d.<\/p>\n<p><strong>Randall Wray e o Empregador de \u00daltima Inst\u00e2ncia<\/strong><\/p>\n<p>Larry Randall Wray\u2075 \u00e9 atualmente professor de teoria econ\u00f4mica da Universidade do Missouri\/Kansas City e pesquisador s\u00eanior do Instituto Levy no Bard College em Nova Iorque, foi aluno de Hyman Minsky, herdando a linhagem que vem de Keynes\/Kalecki. Entre seus trabalhos est\u00e1 o \u201c<a href=\"https:\/\/www.estantevirtual.com.br\/livros\/l-randall-wray\/trabalho-e-moeda-hoje\/3928613402\">Trabalho e Moeda Hoje<\/a>\u201d, traduzido pelo economista e professor Jos\u00e9 Carlos de Assis, assessor do Senador Roberto Requi\u00e3o, que explica a teoria das Finan\u00e7as Funcionais e inclu\u00ed uma nova ideia: o programa de Empregador de \u00daltima Inst\u00e2ncia \u2013EUI.<\/p>\n<p><strong>Tr\u00eas m\u00e1ximas norteiam as Finan\u00e7as Funcionais, o inverso do liberalismo econ\u00f4mico:<\/strong><\/p>\n<p><strong>1- Gastos P\u00fablicos antecedem aos Impostos;<\/strong><\/p>\n<p><strong>2- A principal fun\u00e7\u00e3o dos Impostos, n\u00e3o \u00e9 financiar os Gastos P\u00fablicos, mas, sim, dar signific\u00e2ncia \u00e0 demanda pela moeda nacional, j\u00e1 que Impostos s\u00e3o pagos exclusivamente pela moeda nacional;<\/strong><\/p>\n<p><strong>3- Desemprego \u00e9 imoral, tem que ser eliminado em uma sociedade civilizada e democr\u00e1tica. Para tanto, sugere o programa de Empregador de \u00daltima Inst\u00e2ncia \u2013 EUI que, em conjunto com as demais pol\u00edticas p\u00fablicas, leva a Economia ao Pleno Emprego sem infla\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 Eleanora de Lucena, da Folha de S\u00e3o Paulo, em 13\/09\/2013 Wray afirmava: \u201cS\u00f3 crescimento liderado pelo Estado leva \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o da economia\u201d(<a href=\"http:\/\/www.provedor.nuca.ie.ufrj.br\/eletrobras\/estudos\/lucena2.pdf\">http:\/\/www.provedor.nuca.ie.ufrj.br\/eletrobras\/estudos\/lucena2.pdf<\/a>), destacamos ainda alguns extratos dessa \u00f3tima entrevista:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">&#8211; Ap\u00f3s 5 anos da Crise, outra crise pode se desenvolver, porque as condi\u00e7\u00f5es que a geraram a crise de 2008, principalmente o excesso de liquidez e a financeiriza\u00e7\u00e3o de \u201cprodutos estruturados\u201d valorizando ativos capitaneados pelos \u201c administradores de dinheiro\u201d foram restabelecidas.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">&#8211; Os BRICS [Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul] tiveram sucesso em evitar o pior da crise e at\u00e9 tiveram ganhos com seus setores reais. O desenvolvimento da economia chinesa \u00e9 sem precedentes [infelizmente os acontecimentos posteriores tiraram o Brasil da rota de crescimento].<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">&#8211; EUA, Europa e pa\u00edses emergentes enfrentaram a crise de formas diferentes. Quem foi mais eficaz? EUA, Europa e Reino Unido sustentaram seus sistemas financeiros, e deixaram os setores reais ca\u00edrem em recess\u00f5es profundas. Os d\u00e9ficits fiscais oriundos da queda das receitas e a manuten\u00e7\u00e3o dos gastos p\u00fablicos amorteceram a crise, mas n\u00e3o restauraram o crescimento robusto. S\u00f3 o crescimento liderado pelo Estado vai permitir que os pa\u00edses se recuperem plenamente, reduzindo o endividamento privado. A China, usou est\u00edmulos fiscais. Na\u00e7\u00f5es emergentes foram beneficiadas pela manuten\u00e7\u00e3o da bolha das \u201c<em>commodities<\/em>\u201d.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">&#8211; Pelo medo irracional do D\u00e9ficit Fiscal, os governos hesitam em gastar e fazer investimentos para recuperar a economia. O \u201c<em>Mainstream<\/em>\u201d ortodoxo ataca aqueles dirigentes que ousam promover o desenvolvimento econ\u00f4mico. Paradoxalmente, ficou claro tamb\u00e9m que a austeridade n\u00e3o costuma reduzir os d\u00e9ficits p\u00fablicos, pois mata a economia e destr\u00f3i receitas fiscais. O problema \u00e9 que eles mandam dobrar a dose do rem\u00e9dio que est\u00e1 matando o paciente. Depois de produzir aumento do d\u00e9ficit, os defensores da austeridade exigem mais cortes do or\u00e7amento e geram, assim, mais queda da arrecada\u00e7\u00e3o. Isso cria um c\u00edrculo vicioso. Na realidade, gastos p\u00fablicos s\u00e3o o caminho mais seguro para a recupera\u00e7\u00e3o, pois n\u00e3o endividam o setor privado. Ao contr\u00e1rio, criam renda no setor privado, fornecem t\u00edtulos p\u00fablicos seguros para a riqueza do setor privado, que, na crise, teme comprar t\u00edtulos privados. Os hist\u00e9ricos do d\u00e9ficit est\u00e3o radicalmente errados.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">&#8211; Aumentar juros n\u00e3o \u00e9 boa maneira de combater infla\u00e7\u00e3o. Para reduzir a infla\u00e7\u00e3o, \u00e9 melhor manter taxas de juros permanentes baixas. Se h\u00e1 excesso de endividamento e gastos, \u00e9 melhor usar controles de cr\u00e9dito. Se o c\u00e2mbio est\u00e1 valorizado, \u00e9 melhor adotar controles de capital.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">&#8211; O desemprego mundial entre os jovens e os grupos desfavorecidos \u00e9 cr\u00f4nico e est\u00e1 aumentando. \u00c9 causado tanto pela sequ\u00eancia da crise financeira global, quanto por tend\u00eancias estruturais de longo prazo. Precisamos de uma solu\u00e7\u00e3o. O \u00fanico plano que conhe\u00e7o \u00e9 um programa universal de garantia de emprego, no qual o governo fica preparado para ser um empregador de \u00faltima inst\u00e2ncia. Todo pa\u00eds precisa disso. A crise provocou mudan\u00e7as pol\u00edticas em v\u00e1rios pa\u00edses. A maior parte do mundo demitiu e continua a tentar as mesmas pol\u00edticas neoliberais que produziram a crise e falharam em solucion\u00e1-la.<\/p>\n<p>Em outra entrevista, em 2007, antes da crise, Wray explica como funciona finan\u00e7as p\u00fablicas sobre a \u00f3tica das Finan\u00e7as Funcionais fica perfeitamente clara a fal\u00e1cia da vis\u00e3o liberal quando compara administra\u00e7\u00e3o de finan\u00e7as p\u00fablicas com a administra\u00e7\u00e3o da dona de casa. Ao fazer essa compara\u00e7\u00e3o, na verdade, os empres\u00e1rios querem reduzir gastos fiscais correntes respons\u00e1veis pelos gastos sociais para os 99% e reservarem mais espa\u00e7o no uso da pol\u00edtica monet\u00e1ria para o 1% representada pelo crescimento do cr\u00e9dito e das d\u00edvidas p\u00fablicas (t\u00edtulos p\u00fablicos de baixo risco para seus portf\u00f3lios).<\/p>\n<p>A entrevista foi postada, em 2007, na revista OIKOS n\u00b08 (<a href=\"http:\/\/www.revistaoikos.org\/seer\/index.php\/oikos\/article\/viewFile\/13\/9\">http:\/\/www.revistaoikos.org\/seer\/index.php\/oikos\/article\/viewFile\/13\/9<\/a>) da qual destacamos os seguintes t\u00f3picos:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">&#8211; Estado sempre pode pagar por qualquer despesa, desde que ele emita sua moeda soberana e adote uma pol\u00edtica de c\u00e2mbio livre. Uma despesa (gasto p\u00fablico) \u00e9 apenas um cr\u00e9dito em uma conta banc\u00e1ria em favor de um fornecedor do Estado.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">&#8211; Por outro lado, os impostos s\u00e3o arrecadados pelo d\u00e9bito de contas banc\u00e1rias em favor do governo.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">&#8211; Fazer um gasto p\u00fablico e receber um imposto s\u00e3o fatos independentes seja aqui ou em qualquer outro pa\u00eds de moeda emitida de forma soberana.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">&#8211; Diferente da dona de casa, que n\u00e3o tem m\u00e1quina de fazer dinheiro, ela precisa ter dinheiro em conta (ou cr\u00e9dito) primeiro, para em segundo momento, financiar as despesas, j\u00e1 o Estado n\u00e3o precisa arrecadar imposto para \u201cfinanciar\u201d seus gastos. Primeiro o Estado precisa imprimir dinheiro e gastar, para depois arrecadar, pois como ele arrecada em dinheiro, se n\u00e3o tiver dinheiro gasto previamente, n\u00e3o h\u00e1 como os impostos serem pagos.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">&#8211; Na Economia em funcionamento normal, os bancos criam dep\u00f3sitos em sua atividade tradicional. Ou seja, eles emprestam antes de recolher os dep\u00f3sitos em conta corrente. Eles n\u00e3o ficam limitados apenas pelo que t\u00eam em caixa (dep\u00f3sitos arrecadados). Eles simplesmente creditam valore nas contas dos seus clientes que pedem empr\u00e9stimos, mesmo quando n\u00e3o possuem dinheiro em caixa. Nesse caso, pegam fundos de outros bancos e, se haver falta de recursos no mercado banc\u00e1rio, haver\u00e1 uma tend\u00eancia de aumento da taxa de juros acima da meta do Banco Central. Nesse caso, o Banco Central prontamente impede que os juros de mercado ultrapassem sua meta injetando dinheiro no sistema, na forma de compra de t\u00edtulos p\u00fablico em poder do mercado ou na forma de empr\u00e9stimos de liquidez \u00e0 taxa de juros igual \u00e0 da sua meta.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">&#8211; Entendido o funcionamento normal do sistema banc\u00e1rio, \u00e9 poss\u00edvel compreender que o Estado pode aumentar gastos sem necessidade de aumentar impostos ou pode aumentar os impostos sem reduzir gastos.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">-Passado um tempo definido (que pode ser trimestral, semestral ou anual) um analista de contas p\u00fablicas pode checar as a\u00e7\u00f5es do Estado, ver a diferen\u00e7a entre d\u00e9bito e cr\u00e9dito das contas banc\u00e1rias utilizadas pelo governo e constatar que o saldo foi superavit\u00e1rio, onde a arrecada\u00e7\u00e3o foi superior aos gastos; ou deficit\u00e1rio, onde os gastos foram menores que a arrecada\u00e7\u00e3o ou equilibrado. No caso da dona de casa exemplar \u00e9 desej\u00e1vel que ela tenha controle di\u00e1rio e que seu balan\u00e7o seja sempre superavit\u00e1rio ou equilibrado (porque se for deficit\u00e1rio ela tem que recorrer a financiamento para equilibrar j\u00e1 que negativo ter\u00e1 consequ\u00eancias desagrad\u00e1veis). O Estado n\u00e3o precisa se preocupar com falta de dinheiro circunstancial, ele imprime dinheiro instantaneamente, sempre que as taxas de juros tendem a ultrapassar a meta estabelecida pelo Banco Central.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">-No caso das contas p\u00fablicas, nada limita a capacidade do Estado de creditar uma conta banc\u00e1ria e pagar um sal\u00e1rio a algu\u00e9m que esteja disposto a executar um servi\u00e7o ou um trabalho ao Estado. N\u00e3o h\u00e1 possibilidade do Estado n\u00e3o ter dinheiro ou de ser obrigado a pedir emprestado.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">&#8211; A\u00ed vem a quest\u00e3o do p\u00fablico leigo: quer dizer que o Estado n\u00e3o precisa arrecadar impostos ou contrair empr\u00e9stimos para financiar seus gastos? A resposta \u00e9 sim, n\u00e3o precisa. Em termos operacionais, se o saldo \u00e9 deficit\u00e1rio significa que foi colocado um cr\u00e9dito l\u00edquido nas contas do p\u00fablico e isso gerou uma expans\u00e3o das reservas banc\u00e1rias. Em outros termos, significa dizer que o p\u00fablico foi abastecido com dinheiro do Governo. Mas a liquidez representada pelo aumento de reservas no sistema banc\u00e1rio pode reduzir a taxa de juros, no <em>overnight<\/em>, abaixo do n\u00edvel estipulado pelo Banco Central. A\u00ed automaticamente ele vende t\u00edtulos para enxugar a liquidez, o que significa isso? Significa que primeiro o Governo colocou mais dinheiro na m\u00e3o do p\u00fablico, agora ele oferece um instrumento de aplica\u00e7\u00e3o \u00e0 uma taxa de juros para que o p\u00fablico possa aplicar esse excesso de dinheiro sem que isso implique em uma redu\u00e7\u00e3o dos juros para abaixo da meta estipulada pelo Banco Central. Ent\u00e3o recapitulando o efeito pr\u00e1tico de um d\u00e9ficit p\u00fablico \u00e9 a venda de t\u00edtulos p\u00fablicos para enxugar o excesso de liquidez e n\u00e3o pelo fato de que isso estaria financiado o Estado. Isso n\u00e3o tem nenhuma semelhan\u00e7a com a vida de uma dona de casa como querem comparar os liberais.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">&#8211; No caso de um d\u00e9ficit p\u00fablico continuado, o Banco Central poder\u00e1 esgotar, no limite, sua carteira de t\u00edtulos do governo. Neste caso, o Tesouro poder\u00e1 emitir t\u00edtulos p\u00fablicos e oferecer ao p\u00fablico. O Tesouro \u00e9 emissor prim\u00e1rio de t\u00edtulos p\u00fablicos. Em outro momento, o Banco Central poder\u00e1 ter que diminuir a taxa do <em>overnight<\/em> e ter\u00e1 que comprar t\u00edtulos p\u00fablicos para injetar moeda. Essa coordena\u00e7\u00e3o entre Tesouro e Banco Central faz parte da pol\u00edtica monet\u00e1ria de manter a quantidade de moeda sobre determinada taxa estipulada e nada a ver com uma suposta necessidade do Estado financiar seus gastos.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">&#8211; Repetindo, faz parte da pol\u00edtica monet\u00e1ria de ajustar a quantidade de moeda para o desenvolvimento normal da atividade econ\u00f4mica a uma taxa de juros estipulada. N\u00e3o \u00e9 pol\u00edtica fiscal como muitos analistas de contas p\u00fablicas acreditam e divulgam como \u201cfinanciamento\u201d de gastos do Estado. Da\u00ed para extrapolarem e criticarem a pol\u00edtica de gastos como claramente exagerada \u00e9 um pulo e certamente tentar\u00e3o reverter o quadro para um or\u00e7amento equilibrado ou superavit\u00e1rio, retirando dinheiro da atividade econ\u00f4mica, do p\u00fablico com possibilidade de recess\u00e3o e desemprego no m\u00e9dio prazo. Isso \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o do \u201cAusteric\u00eddio\u201d que s\u00f3 interessa ao setor \u201crentista\u201d e financeirizado do mercado das altas finan\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">&#8211; Em resumo, n\u00e3o existe nenhum limite fiscal, de d\u00edvida, gasto ou d\u00e9ficit para uma Economia alcan\u00e7ar o Pleno Emprego!<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">-E al\u00e9m dos gastos normais para estimular o crescimento econ\u00f4mico, o Estado poder\u00e1 realizar Investimentos P\u00fablicos e contar com um programa de EUI.<\/p>\n<p><strong>O Arranjo BNDES-TESOURO e a sa\u00edda da crise de 2008 e o Pr\u00e9-Sal<\/strong><\/p>\n<p>N\u00f3s, autores desse artigo, seguindo a linhagem hetorodoxa dos economistas que geraram as Finan\u00e7as Funcionais, formulamos de forma te\u00f3rica talvez o instrumento mais importante usado pelo Brasil para sair da crise de 2008. Naquele ano, como dirigentes e conselheiros da Associa\u00e7\u00e3o dos Funcion\u00e1rios do BNDES- AFBNDES, em agosto, um m\u00eas antes da Crise pressent\u00edamos a imin\u00eancia dos acontecimentos e publicamos a tese do Arranjo BNDES-TESOURO (<a href=\"http:\/\/www.vinc.afbndes.org.br\/seriebndes\/circulo\/circulo2.htm\">http:\/\/www.vinc.afbndes.org.br\/seriebndes\/circulo\/circulo2.htm<\/a>) baseada em Finan\u00e7as Funcionais, quer\u00edamos o BNDES fortalecido para o Desenvolvimento e para pol\u00edticas antic\u00edclicas necess\u00e1rias e para o financiamento do PR\u00c9-SAL.<\/p>\n<p>Em setembro de 2008, eclodiu a crise. Baseados nos \u201cpacotes de salvamento\u201d pelo mundo, sugerimos a tese de lan\u00e7ar um Projeto Nacional de Resgate da D\u00edvida Social de corte municipal e financiado pelo BNDES-TESOURO (<a href=\"http:\/\/www.vinc.afbndes.org.br\/seriebndes\/circulo\/circulo3.htm\">http:\/\/www.vinc.afbndes.org.br\/seriebndes\/circulo\/circulo3.htm<\/a>). Isso nunca foi implantado.<\/p>\n<p>Em janeiro de 2009, o BNDES recebe recursos do TESOURO exatamente da forma como hav\u00edamos sugerido em agosto de 2008.<\/p>\n<p>Nesse momento sugerimos usos mais desenvolvimentistas (<a href=\"http:\/\/www.vinc.afbndes.org.br\/seriebndes\/doc_050209.htm\">http:\/\/www.vinc.afbndes.org.br\/seriebndes\/doc_050209.htm<\/a>) para esse grande volume de recursos.<\/p>\n<p>Ao longo de 2009 o Governo Federal com o BNDES o BB e a CEF como \u201cGrande Governo e os Grandes Bancos\u201d resgataram grandes empresas em situa\u00e7\u00e3o \u201cPonzi\u201d endividadas em d\u00f3lar e aceleraram programas de crescimento.<\/p>\n<p>Resultado o \u201ctsunami\u201d mundial por aqui virou uma \u201cmarolinha\u201d e o crescimento 0% de 2009 acelerou para 7,5% em 2010. A maior taxa desde os melhores momentos da ditadura militar e a maior taxa em momentos democr\u00e1ticos desde JK, 50 anos antes.<\/p>\n<p>Infelizmente, como Kalecki alertava em \u201c<a href=\"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=94643\">Os Aspectos Pol\u00edticos do Pleno Emprego<\/a>\u201d, uma vez socorridos os Grandes Bar\u00f5es da Ind\u00fastria nacional atrav\u00e9s desse instrumento, logo o \u201cmainstream\u201d liberal ataca o arranjo BNDES-TESOURO para evitar que ele continuasse sendo usado para gerar crescimento.<\/p>\n<p>Em 2011, clam\u00e1vamos novamente por um novo Plano de Desenvolvimento Nacional \u2013 PDN tamb\u00e9m financiado pelo arranjo BNDES-TESOURO: (<a href=\"http:\/\/www.vinc.afbndes.org.br\/seriebndes\/pad_28032012.htm\">http:\/\/www.vinc.afbndes.org.br\/seriebndes\/pad_28032012.htm<\/a>). Mas nesse momento, os grandes empres\u00e1rios n\u00e3o mais corriam risco de fal\u00eancia e j\u00e1 n\u00e3o estavam mais interessados na a\u00e7\u00e3o ativa do governo em prol do desenvolvimento.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio, nos anos seguintes n\u00e3o tivemos um PDN e, sim, o preparativo para seu oposto: a \u201cPonte para o Futuro\u201d.<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Os princ\u00edpios das Finan\u00e7as Funcionais comprovam que o Estado, qualquer Estado, tem instrumentos e agir\u00e1 no limite para salvar o Sistema Econ\u00f4mico. Foi assim em 1929 e em 2008. Por isso, afirmamos a inconsist\u00eancia do \u201cEstado M\u00ednimo\u201d assim foi demonstrado em 2008 quando sob a \u00e9gide de um ide\u00e1rio \u201cneoliberal\u201d as autoridades intervieram para assegurar o sistema capitalista. O Estado M\u00ednimo foi o m\u00e1ximo para o 1% e depois do salvamento dos Grandes Tubar\u00f5es, inventaram o \u201causteric\u00eddio\u201d para os 99%.<\/p>\n<p>As Finan\u00e7as Funcionais comprovam que o Estado, qualquer Estado, tem instrumentos para promover o Desenvolvimento Econ\u00f4mico e manter a Economia no PLENO EMPREGO, isso aconteceu de 1945 at\u00e9 os anos 70. Obviamente pode acontecer a qualquer tempo.<\/p>\n<p>O Liberalismo em suas origens afirmava que os empres\u00e1rios livres de regulamenta\u00e7\u00f5es e interfer\u00eancias do Estado levariam a Economia ao Pleno Emprego. N\u00e3o foi o que aconteceu ao longo da hist\u00f3ria. Kalecki nos seus coment\u00e1rios em \u201c<a href=\"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=94643\">Os Aspectos Pol\u00edticos do Pleno Emprego<\/a>\u201d diz que empres\u00e1rios acham normal algum n\u00edvel de desemprego (Marx chamava isso de ex\u00e9rcito industrial de reserva). Kalecki lembrava que economistas (e jornalistas) seriam contratados para falar o que interessa os Grandes Tubar\u00f5es: que o Pleno Emprego prolongado causaria infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Atualmente esses economistas afirmam que o baixo crescimento \u00e9 o \u201cnovo normal\u201d do mundo econ\u00f4mico. A atua\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do mundo asi\u00e1tico contradiz a afirma\u00e7\u00e3o. O baixo crescimento permanente s\u00f3 \u00e9 bom na Am\u00e9rica Latina e o Sul da Europa e demais regi\u00f5es neocoloniais. O \u201cNovo normal\u201d agora \u00e9 o \u201cDesemprego Estrutural\u201d. Essa \u00e9 a verdadeira imoralidade, pois \u00e9 o desemprego \u00e9 desumano, desnecess\u00e1rio e evit\u00e1vel, como mostramos ao longo do texto.<\/p>\n<p>Hoje o mundo encontra-se dividido em duas concep\u00e7\u00f5es de Estado: o lado ocidental com o Estado Liberal (ou Neoliberal?) com baixo crescimento e desemprego e o lado oriental com o Estado Desenvolvimentista de amplos projetos de desenvolvimento e emprego.<\/p>\n<p>O mundo da \u201c<em>Web<\/em>\u201d est\u00e1 a\u00ed para o bem e para o mal recheado de \u201c<em>trues<\/em>\u201d, \u201cF<em>akes News<\/em> oficiais\u201d e <em>Fake News<\/em> n\u00e3o-oficiais. Mas ela indubitavelmente aproxima a humanidade pela comunica\u00e7\u00e3o quase instant\u00e2nea.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que ela poder\u00e1 furar o bloqueio da Grande Imprensa e conscientizar\u00e1 os 99% que o Pleno Emprego \u00e9 perfeitamente poss\u00edvel a qualquer tempo? Keynes\/Kalecki\/Abba Lerner\/ Hyman Minsky\/Randall Wray comprovam que sim.<\/p>\n<p>Em especial, Wray faz o triste alerta, o desemprego cresce pela crise mas tamb\u00e9m tem ser\u00e1 afetado pelas grandes mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas como a Intelig\u00eancia Artificial. Sem a atua\u00e7\u00e3o do Estado, o resultado ser\u00e1 a selvageria. A sociedade tem que conhecer o programa do EUI.<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o, acreditando na for\u00e7a das boas ideias invocamos: \u201c99%, un\u00ed-vos!\u201d<\/strong><\/p>\n<p>_____________<\/p>\n<p>1 Economista aposentado do BNDES<br \/>\n2 Economista do BNDES, doutor em economia pela UFRJ<br \/>\n3 Jornalista Econ\u00f4mico da AEPET \u2013 Associa\u00e7\u00e3o de Engenheiros da Petrobras<br \/>\n4 <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Hyman_Minsky\">https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Hyman_Minsky<\/a><br \/>\n5 <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/L._Randall_Wray\">https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/L._Randall_Wray <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O fim da Guerra Fria com a queda do Muro de Berlim, o avan\u00e7o e barateamento das telecomunica\u00e7\u00f5es refor\u00e7ou a for\u00e7a pol\u00edtica liberal agora autodenominada de \u201cneoliberal\u201d e se espalhou pelo mundo o avan\u00e7o da gest\u00e3o privada sobre os bens e servi\u00e7os do Estado privatizando-os e evidentemente aumentando a concentra\u00e7\u00e3o do capital e oligopolizando os mercados.<br \/>\nMas a desregulamenta\u00e7\u00e3o dos setores p\u00fablicos e as privatiza\u00e7\u00f5es geraram grandes fracassos empresariais e crises sequenciais at\u00e9 a grande de 2008.<\/p>\n","protected":false},"author":30,"featured_media":95257,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[977,762,2,6],"tags":[1218,105,81,669,1208,1076,1209],"class_list":["post-95253","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia","category-gustavo-galvao","category-home","category-redacao","tag-austericidio","tag-banco-central","tag-bndes","tag-gustavo-galvao","tag-helio-silveira","tag-pleno-emprego","tag-rogerio-lessa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/95253","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/30"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=95253"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/95253\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/95257"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=95253"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=95253"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=95253"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}