{"id":94643,"date":"2018-06-09T18:23:57","date_gmt":"2018-06-09T21:23:57","guid":{"rendered":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=94643"},"modified":"2018-06-09T18:23:57","modified_gmt":"2018-06-09T21:23:57","slug":"aspectos-politicos-do-pleno-emprego-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=94643","title":{"rendered":"Aspectos Pol\u00edticos do Pleno Emprego (i)"},"content":{"rendered":"<p><strong>Da Reda\u00e7\u00e3o do Duplo Expresso,<\/strong><\/p>\n<p>Por recomenda\u00e7\u00e3o do nosso comentarista Gustavo Galv\u00e3o, com a seguinte mensagem \u00e0 reda\u00e7\u00e3o do Duplo Expresso:<\/p>\n<blockquote><p><em>\u201cEste \u00e9 o mais importante artigo de ci\u00eancia pol\u00edtica do s\u00e9culo XX. Paradoxalmente foi escrito por um economista, mas \u00e9 relativamente pouco conhecido. Existem v\u00e1rias tradu\u00e7\u00f5es, uma delas eu coloquei no meu antigo blog que est\u00e1 fora do ar. Esta tradu\u00e7\u00e3o foi feita por Gustavo Souto de Noronha, encontrei na internet.<\/em><br \/>\n<em>O texto \u00e9 extremamente esclarecedor para entender a pol\u00edtica brasileira (e mundial), apesar de ser muito curto. Explica porque os capitalistas preferem desemprego na democracia e ganhar mais dinheiro (lucros). Sugiro publicar no fim de semana, uma vez que temos poucos artigos no fim de semana (sugiro ler, \u00e9 um dos textos mais geniais, esclarecedores e assustadores que eu conhe\u00e7o)\u201d<\/em><\/p>\n<p>Boa leitura!<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Aspectos Pol\u00edticos do Pleno Emprego (i)<\/strong><\/p>\n<p>Por\u00a0Michal Kalecki<\/p>\n<p><strong>I<\/strong><\/p>\n<p>1.\u00a0\u00a0 \u00a0Uma maioria consolidada dos economistas j\u00e1 \u00e9 da opini\u00e3o de que, mesmo em um sistema capitalista, o pleno emprego pode ser assegurado por um programa de gastos do governo, desde que haja um plano adequado para empregar toda a for\u00e7a de trabalho existente, e desde que a oferta de mat\u00e9rias-primas estrangeiras necess\u00e1rias possa ser obtida em troca de exporta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Se o governo assume o investimento p\u00fablico (por exemplo, constr\u00f3i escolas, hospitais e estradas) ou subsidia o consumo de massa (por transfer\u00eancias \u00e0s fam\u00edlias, pela redu\u00e7\u00e3o dos impostos indiretos, ou subs\u00eddios para manter baixos os pre\u00e7os dos bens de primeira necessidade), e se, al\u00e9m disso, essas despesas s\u00e3o financiadas pelo endividamento e n\u00e3o pela tributa\u00e7\u00e3o (o que poderia afetar negativamente o investimento privado e o consumo), a demanda efetiva por bens e servi\u00e7os pode ser aumentada at\u00e9 um ponto em que o pleno emprego seja alcan\u00e7ado. Este gasto governamental aumenta o emprego, note-se, n\u00e3o s\u00f3 diretamente, como tamb\u00e9m indiretamente, uma vez que os rendimentos mais elevados dele resultantes implicam em um segundo aumento na demanda por bens de consumo e de investimento.<\/p>\n<p>2.\u00a0\u00a0 \u00a0Pode-se perguntar, de onde o p\u00fablico vai tirar o dinheiro para emprestar para o governo se n\u00e3o reduzir o seu investimento e consumo. Para entender esse processo, \u00e9 melhor, penso eu, imaginar por um momento que o governo paga seus fornecedores em t\u00edtulos p\u00fablicos. Os fornecedores, em geral, n\u00e3o reter\u00e3o esses t\u00edtulos, mas os colocar\u00e3o em circula\u00e7\u00e3o enquanto compram outros bens e servi\u00e7os, e assim por diante, at\u00e9 que finalmente esses t\u00edtulos atingir\u00e3o pessoas ou empresas que os manter\u00e3o como ativos remunerados. Em qualquer per\u00edodo de tempo, o aumento total de t\u00edtulos p\u00fablicos em poder (transit\u00f3rio ou definitivo) de pessoas e empresas ser\u00e1 igual ao dos bens e servi\u00e7os vendidos ao governo. Assim, o que a economia empresta ao governo s\u00e3o bens e servi\u00e7os cuja produ\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201cfinanciada\u201d por t\u00edtulos do governo. Na realidade, o governo paga pelos servi\u00e7os, n\u00e3o em t\u00edtulos, mas em dinheiro, mas ele emite t\u00edtulos simultaneamente e assim retira de circula\u00e7\u00e3o o dinheiro; e isto \u00e9 equivalente ao processo imagin\u00e1rio descrito acima.<\/p>\n<p>O que acontece, no entanto, se o p\u00fablico n\u00e3o estiver disposto a absorver todo o aumento de t\u00edtulos p\u00fablicos? O governo os oferecer\u00e1, por fim, para os bancos para obter dinheiro (papel-moeda ou dep\u00f3sitos) em troca. Se os bancos aceitarem essas ofertas, a taxa de juros ser\u00e1 mantida. Se n\u00e3o, os pre\u00e7os dos t\u00edtulos v\u00e3o cair, o que significa um aumento na taxa de juros, e isso vai incentivar o p\u00fablico a deter mais t\u00edtulos em rela\u00e7\u00e3o aos dep\u00f3sitos. Segue-se que a taxa de juros depende da pol\u00edtica banc\u00e1ria, da do banco central em particular. Se esta pol\u00edtica visa manter a taxa de juros em um determinado n\u00edvel, isto pode ser facilmente alcan\u00e7ado, independente do endividamento do governo. Essa foi e \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o na presente guerra. Apesar dos d\u00e9ficits or\u00e7ament\u00e1rios astron\u00f4micos, a taxa de juros n\u00e3o mostrou qualquer aumento desde o in\u00edcio de 1940.<\/p>\n<p>3.\u00a0\u00a0 \u00a0Pode-se objetar que os gastos p\u00fablicos financiados pelo endividamento causar\u00e3o infla\u00e7\u00e3o. Para isso, pode ser respondido que a demanda efetiva criada pelo governo age como qualquer outro aumento de demanda. Se h\u00e1 oferta suficiente de trabalho, plantas e mat\u00e9rias-primas estrangeiras, o aumento da demanda \u00e9 atendido por um aumento na produ\u00e7\u00e3o. Mas, se o ponto de pleno emprego dos recursos \u00e9 atingido e a demanda efetiva continua a aumentar, os pre\u00e7os subir\u00e3o, de modo a equilibrar a demanda e a oferta de bens e servi\u00e7os. (No estado de sobre-emprego de recursos, como o que testemunhamos atualmente na economia de guerra, um aumento inflacion\u00e1rio dos pre\u00e7os tem sido evitado apenas na medida em que a demanda efetiva por bens de consumo \u00e9 contida pelo racionamento e pela taxa\u00e7\u00e3o direta). Segue-se que, se a interven\u00e7\u00e3o governamental tem como objetivo atingir o pleno emprego, mas freia um pouco antes da demanda efetiva ultrapassar a marca de pleno emprego, n\u00e3o h\u00e1 necessidade de ter medo da infla\u00e7\u00e3o. (ii)<\/p>\n<p><strong>II<\/strong><\/p>\n<p>1.\u00a0\u00a0 \u00a0A descri\u00e7\u00e3o acima \u00e9 uma defini\u00e7\u00e3o muito simples e incompleta da doutrina econ\u00f4mica de pleno emprego. Mas \u00e9, penso eu, suficiente para familiarizar o leitor com a ess\u00eancia da doutrina e assim permitir-lhe acompanhar a discuss\u00e3o posterior dos problemas pol\u00edticos envolvidos na realiza\u00e7\u00e3o do pleno emprego.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar deve se afirmar que embora a maioria dos economistas agora concordem que o pleno emprego pode ser alcan\u00e7ado pelos gastos do governo, este de modo algum foi o caso, mesmo no passado recente. Entre os opositores dessa doutrina existiam (e ainda existem) proeminentes e autointitulados \u201cespecialistas econ\u00f4micos\u201d estreitamente ligados \u00e0 banca e \u00e0 ind\u00fastria. Isso sugere que h\u00e1 um fundo pol\u00edtico na oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 doutrina do pleno emprego, mesmo que os argumentos apresentados sejam econ\u00f4micos. Isso n\u00e3o quer dizer que as pessoas que desenvolvem essas teorias n\u00e3o acreditam em sua economia, por mais lament\u00e1vel que isso seja. Mas a ignor\u00e2ncia obstinada geralmente \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o de motiva\u00e7\u00f5es pol\u00edticas subjacentes.<\/p>\n<p>H\u00e1, no entanto, indica\u00e7\u00f5es ainda mais diretas de que uma quest\u00e3o pol\u00edtica de primeira categoria est\u00e1 em jogo aqui. Na grande depress\u00e3o na d\u00e9cada de 1930, as grandes empresas sempre se opuseram aos experimentos de aumento do emprego pelos gastos do governo em todos os pa\u00edses, exceto a Alemanha nazista. Isto p\u00f4de ser visto claramente nos EUA (oposi\u00e7\u00e3o ao <em>New Deal<\/em>), na Fran\u00e7a (o experimento Blum), e na Alemanha antes de Hitler. A atitude n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil de explicar. Claramente, uma maior produ\u00e7\u00e3o e emprego beneficia n\u00e3o s\u00f3 os trabalhadores, mas tamb\u00e9m os empres\u00e1rios porque seus lucros aumentar\u00e3o. E a pol\u00edtica de pleno emprego descrita acima n\u00e3o colide com os lucros, porque n\u00e3o envolve nenhuma tributa\u00e7\u00e3o adicional. Os empres\u00e1rios diante de uma recess\u00e3o anseiam por uma retomada; porque \u00e9 que eles n\u00e3o aceitam de bom grado a retomada sint\u00e9tica que o governo \u00e9 capaz de oferecer-lhes? \u00c9 esta quest\u00e3o dif\u00edcil e fascinante que pretendemos tratar neste artigo.<\/p>\n<p>As raz\u00f5es para a oposi\u00e7\u00e3o dos \u201cl\u00edderes industriais\u201d ao pleno emprego alcan\u00e7ado via gastos do governo podem ser subdivididos em tr\u00eas categorias: (i) n\u00e3o gostam da interfer\u00eancia do governo no problema do emprego como tal; (ii) n\u00e3o gostam da dire\u00e7\u00e3o dos gastos do governo (o investimento p\u00fablico e o consumo subsidiado); (iii) n\u00e3o gostam das mudan\u00e7as sociais e pol\u00edticas resultantes da manuten\u00e7\u00e3o do pleno emprego. Vamos examinar em detalhe cada uma dessas tr\u00eas categorias de restri\u00e7\u00f5es a uma pol\u00edtica governamental expansionista.<\/p>\n<p>2.\u00a0\u00a0 \u00a0Vamos lidar primeiro com a relut\u00e2ncia dos \u201ccapit\u00e3es da ind\u00fastria\u201d em aceitar a interven\u00e7\u00e3o do governo na quest\u00e3o do emprego. Cada alargamento da atividade estatal \u00e9 encarado pelo mercado com suspeita, mas a cria\u00e7\u00e3o de emprego via gastos p\u00fablicos tem um aspecto especial que faz com que a oposi\u00e7\u00e3o seja particularmente intensa. Sob um sistema de livre mercado, o n\u00edvel de emprego depende, em grande medida, do chamado estado de confian\u00e7a. Se isso se deteriora, reduz-se o investimento privado, o que resulta numa queda da produ\u00e7\u00e3o e do emprego (tanto diretamente como atrav\u00e9s do efeito secund\u00e1rio da diminui\u00e7\u00e3o dos rendimentos sobre consumo e investimento). Isto d\u00e1 aos capitalistas um poderoso controle indireto sobre a pol\u00edtica governamental: tudo o que pode abalar o estado de confian\u00e7a deve ser evitado porque isso causaria uma crise econ\u00f4mica. Mas uma vez que o governo descobre o truque de aumentar o emprego por suas pr\u00f3prias compras, este dispositivo de controle poderoso perde a sua efic\u00e1cia. Da\u00ed d\u00e9ficits or\u00e7ament\u00e1rios necess\u00e1rios para realizar a interven\u00e7\u00e3o do governo devem ser considerados perigosos. A fun\u00e7\u00e3o social da doutrina das \u201cfinan\u00e7as saud\u00e1veis\u201d \u00e9 fazer com que o n\u00edvel de emprego dependa do estado de confian\u00e7a.<\/p>\n<p>3.\u00a0\u00a0 \u00a0A antipatia de l\u00edderes empresariais para uma pol\u00edtica de gastos do governo se torna ainda mais aguda quando eles consideraram o objeto em que o dinheiro seria gasto: o investimento p\u00fablico e o subs\u00eddio ao consumo de massas.<\/p>\n<p>Os princ\u00edpios econ\u00f4micos da interven\u00e7\u00e3o governamental exigem que o investimento p\u00fablico deva limitar-se a objetos que n\u00e3o concorram com os equipamentos das empresas privadas (por exemplo, hospitais, escolas, autoestradas). Caso contr\u00e1rio, a rentabilidade do investimento privado pode ser prejudicada, e os efeitos positivos do investimento p\u00fablico sobre o emprego neutralizados pelo efeito negativo do decl\u00ednio do investimento privado. Essa concep\u00e7\u00e3o se adapta muito bem aos empres\u00e1rios. Mas o espa\u00e7o para o investimento p\u00fablico deste tipo \u00e9 bastante estreito, e h\u00e1 o perigo de que o governo, na prossecu\u00e7\u00e3o desta pol\u00edtica, pode, eventualmente, ser tentado a nacionalizar os transportes ou servi\u00e7os de utilidade p\u00fablica, de modo a ganhar uma nova esfera de investimento. (iii)<\/p>\n<p>Poderia se esperar, portanto, que os l\u00edderes empresariais e seus especialistas fossem mais favor\u00e1veis aos subs\u00eddios ao consumo de massa (por meio de transfer\u00eancias \u00e0s fam\u00edlias, subs\u00eddios para manter baixo os pre\u00e7os dos bens de primeiras necessidades, etc.) do que ao investimento p\u00fablico; uma vez que subsidiando o consumo o governo n\u00e3o embarcaria em qualquer tipo de empreendimento. Na pr\u00e1tica, no entanto, este n\u00e3o \u00e9 o caso. Na verdade, a oposi\u00e7\u00e3o feita por esses especialistas ao subs\u00eddio ao consumo de massa \u00e9 muito mais violenta que ao investimento p\u00fablico. Por aqui um princ\u00edpio moral da maior import\u00e2ncia est\u00e1 em jogo. Os fundamentos da \u00e9tica capitalista requerem que \u201cvoc\u00ea deve ganhar o seu p\u00e3o no suor\u201d, a menos que voc\u00ea tenha meios privados.<\/p>\n<p>4.\u00a0\u00a0 \u00a0N\u00f3s consideramos as raz\u00f5es pol\u00edticas para a oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica de cria\u00e7\u00e3o de emprego vias gastos governamentais. Mas, mesmo que esta oposi\u00e7\u00e3o fosse superada \u2013 como pode muito bem ocorrer sob a press\u00e3o das massas \u2013 a manuten\u00e7\u00e3o do pleno emprego causaria mudan\u00e7as sociais e pol\u00edticas que dariam um novo impulso para a oposi\u00e7\u00e3o dos l\u00edderes empresariais. Com efeito, sob um regime de pleno emprego permanente, a demiss\u00e3o deixaria de desempenhar o seu papel enquanto \u201cmedida disciplinar\u201d. A posi\u00e7\u00e3o social do patr\u00e3o seria prejudicada, e a autoconfian\u00e7a e consci\u00eancia de classe da classe trabalhadora cresceria. As greves por aumentos salariais e melhorias nas condi\u00e7\u00f5es de trabalho criariam tens\u00e3o pol\u00edtica. \u00c9 verdade que os lucros seriam mais elevados sob um regime de pleno emprego do que s\u00e3o, em m\u00e9dia, nos termos do livre mercado, e at\u00e9 mesmo o aumento dos sal\u00e1rios decorrente do maior poder de barganha dos trabalhadores \u00e9 menos propenso a reduzir os lucros do que para aumentar pre\u00e7os, e, portanto, afeta negativamente apenas os interesses rentistas. Mas a \u201cdisciplina nas f\u00e1bricas\u201d e a \u201cestabilidade pol\u00edtica\u201d s\u00e3o mais apreciadas do que os lucros pelos l\u00edderes empresariais. Seu instinto de classe lhes diz que um pleno emprego duradouro \u00e9 inaceit\u00e1vel a partir do seu ponto de vista, e que o desemprego \u00e9 uma parte integrante do sistema capitalista \u201cnormal\u201d.<\/p>\n<p><strong>III<\/strong><\/p>\n<p>1.\u00a0\u00a0 \u00a0Uma das fun\u00e7\u00f5es importantes do fascismo, como tipificado pelo sistema nazista, foi remover as obje\u00e7\u00f5es capitalistas ao pleno emprego.<\/p>\n<p>A avers\u00e3o a pol\u00edtica de gastos do governo, como tal, \u00e9 superada sob o fascismo pelo fato de que a m\u00e1quina do Estado est\u00e1 sob o controle direto de uma parceria das grandes empresas com o fascismo. A necessidade do mito das \u201cfinan\u00e7as saud\u00e1veis\u201d, que servira para impedir o governo de causar uma crise de confian\u00e7a devido aos gastos p\u00fablicos, \u00e9 removida. Em uma democracia, n\u00e3o se sabe como ser\u00e1 o pr\u00f3ximo governo. Sob o fascismo n\u00e3o h\u00e1 pr\u00f3ximo governo.<\/p>\n<p>A antipatia aos gastos do governo, seja em investimento p\u00fablico ou consumo, \u00e9 superada pela concentra\u00e7\u00e3o dos gastos governamentais em armamentos. Finalmente, a \u201cdisciplina nas f\u00e1bricas\u201d e a \u201cestabilidade pol\u00edtica\u201d sob o pleno emprego s\u00e3o mantidas pela \u201cnova ordem\u201d, que varia de supress\u00e3o dos sindicatos aos campos de concentra\u00e7\u00e3o. A press\u00e3o pol\u00edtica substitui a press\u00e3o econ\u00f4mica do desemprego.<\/p>\n<p>2.\u00a0\u00a0 \u00a0O fato dos armamentos serem a espinha dorsal da pol\u00edtica de pleno emprego fascista tem uma profunda influ\u00eancia sobre o car\u00e1ter desta pol\u00edtica econ\u00f4mica. Armamentos em larga escala s\u00e3o insepar\u00e1veis da expans\u00e3o das for\u00e7as armadas e da prepara\u00e7\u00e3o de planos para uma guerra de conquista. Eles tamb\u00e9m induzem o rearmamento competitivo de outros pa\u00edses. Isso faz com que o objetivo principal do disp\u00eandio mude gradualmente do pleno emprego para maximizar o rearmamento. Como resultado, o emprego se torna excedente. N\u00e3o s\u00f3 \u00e9 o desemprego abolido, mas uma aguda escassez de m\u00e3o de obra prevalece. Gargalos surgem em todas as esferas, e estes devem ser tratados atrav\u00e9s da cria\u00e7\u00e3o de in\u00fameros de controles. Tal economia tem muitas caracter\u00edsticas de uma economia planificada, e \u00e0s vezes \u00e9 comparada, ainda que ignorantemente, com o socialismo. No entanto, este tipo de planejamento tende a aparecer sempre que uma economia se estabelece uma alta meta de produ\u00e7\u00e3o numa esfera particular, quando se torna uma economia especializada da qual a economia armamentista \u00e9 um caso especial. Uma economia armamentista envolve uma redu\u00e7\u00e3o do consumo em compara\u00e7\u00e3o com o que poderia ocorrer sob o pleno emprego.<\/p>\n<p>O sistema fascista come\u00e7a a partir da supera\u00e7\u00e3o do desemprego, desenvolve-se numa economia de armamentista de escassez, e termina, inevitavelmente, em guerra.<\/p>\n<p><strong>IV<\/strong><\/p>\n<p>1.\u00a0\u00a0 \u00a0Qual ser\u00e1 o resultado pr\u00e1tico da oposi\u00e7\u00e3o a uma pol\u00edtica de pleno emprego pelos gastos do governo em uma democracia capitalista? Vamos tentar responder a esta quest\u00e3o com base na an\u00e1lise das raz\u00f5es para essa oposi\u00e7\u00e3o dadas na se\u00e7\u00e3o II. N\u00f3s discutimos l\u00e1 que podemos esperar a oposi\u00e7\u00e3o dos l\u00edderes do setor em tr\u00eas planos: (i) a oposi\u00e7\u00e3o por princ\u00edpio aos gastos do governo com base em um d\u00e9ficit or\u00e7ament\u00e1rio; (ii) a oposi\u00e7\u00e3o ao direcionamento deste disp\u00eandio tanto para o investimento p\u00fablico \u2013 o que pode prenunciar a intromiss\u00e3o do Estado em novas esferas da atividade econ\u00f4mica \u2013 ou no sentido de subsidiar o consumo de massa; (iii) a oposi\u00e7\u00e3o a manuten\u00e7\u00e3o do pleno emprego e n\u00e3o apenas a preven\u00e7\u00e3o de depress\u00f5es profundas e prolongadas.<\/p>\n<p>Agora deve-se reconhecer que a fase em que \u201cos l\u00edderes empresariais\u201d poderiam se dar ao luxo de ser oposi\u00e7\u00e3o a qualquer tipo de interven\u00e7\u00e3o do governo para aliviar a depress\u00e3o \u00e9 mais ou menos passado. Tr\u00eas fatores contribu\u00edram para isso: (i) muito pleno emprego durante a presente guerra; (ii) desenvolvimento da doutrina econ\u00f4mica do pleno emprego; (iii) em parte como resultado desses dois fatores, o slogan \u201cO desemprego nunca mais\u201d agora est\u00e1 profundamente enraizado na consci\u00eancia das massas. Esta posi\u00e7\u00e3o reflete-se nos recentes pronunciamentos dos \u201ccapit\u00e3es da ind\u00fastria\u201d e seus especialistas. A necessidade de que \u201calgo deve ser feito na depress\u00e3o\u201d \u00e9 consensual; mas a luta continua, em primeiro lugar, quanto ao que deve ser feito na depress\u00e3o (ou seja, o que deveria ser a dire\u00e7\u00e3o da interven\u00e7\u00e3o do governo) e em segundo lugar, que isso deveria ser feito apenas na depress\u00e3o (ou seja, apenas para aliviar recess\u00f5es em vez de garantir permanentemente o pleno emprego).<\/p>\n<p>2.\u00a0\u00a0 \u00a0Nas discuss\u00f5es atuais destes problemas surge, uma vez ou outra, a concep\u00e7\u00e3o de se combater a depress\u00e3o estimulando o investimento privado. Isto pode ser feito atrav\u00e9s da redu\u00e7\u00e3o da taxa de juros, pela redu\u00e7\u00e3o do imposto de renda, ou subsidiando o investimento privado diretamente nesta ou em outra forma. Que tal esquema deva ser atraente para o mercado n\u00e3o \u00e9 surpreendente. O empres\u00e1rio continua a ser o meio atrav\u00e9s do qual a interven\u00e7\u00e3o \u00e9 conduzida. Se ele n\u00e3o sentir confian\u00e7a na situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, ele n\u00e3o vai ser subornados para investir. E a interven\u00e7\u00e3o n\u00e3o envolve o governo, seja na \u201cbrincadeira com\u201d o investimento (p\u00fablico), seja no \u201cdesperd\u00edcio de dinheiro\u201d com subs\u00eddios ao consumo.<\/p>\n<p>Pode ser demonstrado, no entanto, que o est\u00edmulo ao investimento privado n\u00e3o fornece um m\u00e9todo adequado para evitar o desemprego em massa. H\u00e1 duas alternativas a serem consideradas aqui. (i) Ou a taxa de juros ou o imposto de renda (ou ambos) s\u00e3o reduzidos drasticamente na recess\u00e3o e aumentados no crescimento. Neste caso, tanto o per\u00edodo quanto a amplitude do ciclo de neg\u00f3cios ser\u00e3o reduzidos, mas o pleno emprego pode estar distante n\u00e3o s\u00f3 na depress\u00e3o, mas mesmo durante o crescimento, ou seja, a m\u00e9dia de desemprego pode ser consider\u00e1vel, embora suas flutua\u00e7\u00f5es sejam menos notadas. (ii) Ou a taxa de juros ou o imposto de renda s\u00e3o reduzidos em uma recess\u00e3o, mas n\u00e3o aumentam no crescimento subsequente. Neste caso, o crescimento vai durar mais tempo, mas dever\u00e1 acabar em uma nova crise: uma redu\u00e7\u00e3o na taxa de juros ou de imposto de renda n\u00e3o eliminam, \u00e9 claro, as for\u00e7as que causam as flutua\u00e7\u00f5es c\u00edclicas em uma economia capitalista. Na nova recess\u00e3o ser\u00e1 necess\u00e1rio reduzir novamente a taxa de juros ou o imposto de renda e assim por diante. Assim, em um futuro n\u00e3o muito distante, a taxa de juros teria que ser negativa e o imposto de renda teria de ser substitu\u00eddo por um subs\u00eddio de renda. O mesmo ocorreria se se tentasse manter o pleno emprego estimulando o investimento privado: a taxa de juros e imposto de renda teriam de ser reduzidos de forma cont\u00ednua. (iv)<\/p>\n<p>Al\u00e9m dessa fraqueza fundamental da luta contra o desemprego atrav\u00e9s do est\u00edmulo ao investimento privado, h\u00e1 uma dificuldade pr\u00e1tica. A rea\u00e7\u00e3o dos empres\u00e1rios \u00e0s medidas descritas \u00e9 incerta. Se a desacelera\u00e7\u00e3o \u00e9 aguda, eles podem ter uma vis\u00e3o muito pessimista do futuro, e a redu\u00e7\u00e3o da taxa de juros ou do imposto de renda pode, ent\u00e3o, por um longo tempo, ter pouco ou nenhum efeito sobre o investimento e, portanto, sobre o n\u00edvel de produ\u00e7\u00e3o e emprego.<\/p>\n<p>3.\u00a0\u00a0 \u00a0Mesmo aqueles que defendem o incentivo ao investimento privado para enfrentar a recess\u00e3o frequentemente n\u00e3o confiam exclusivamente nisso, mas preveem que este incentivo deve ser feito conjuntamento com o investimento p\u00fablico. Olha-se para o presente como se os l\u00edderes empresariais e seus especialistas (pelo menos alguns deles) tendessem a aceitar como um mal menor o investimento p\u00fablico financiado pelo endividamento do Estado como forma de aliviar recess\u00f5es. Eles parecem, no entanto, ainda se oporem consistentemente \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de emprego atrav\u00e9s de subs\u00eddios ao consumo e \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o do pleno emprego.<\/p>\n<p>Este estado das coisas \u00e9 talvez sintom\u00e1tico do futuro regime econ\u00f4mico das democracias capitalistas. Na recess\u00e3o, quer sob a press\u00e3o das massas, ou at\u00e9 mesmo sem ela, o investimento p\u00fablico financiado por endividamento do Estado ser\u00e3o realizados para evitar o desemprego em grande escala. Entretanto, se forem feitas tentativas de aplicar este m\u00e9todo com o prop\u00f3sito de manter o alto n\u00edvel de emprego alcan\u00e7ado com a retomada do crescimento posterior, \u00e9 bem prov\u00e1vel que seja encarada uma forte oposi\u00e7\u00e3o dos l\u00edderes empresariais. Como j\u00e1 foi discutido, pleno emprego duradouro n\u00e3o \u00e9 de todo o seu grado. Os trabalhadores sairiam do \u201ccontrole\u201d e os \u201ccapit\u00e3es da ind\u00fastria\u201d ficariam ansiosos para \u201censinar-lhes uma li\u00e7\u00e3o\u201d. Ademais, o aumento de pre\u00e7os na retomada \u00e9 uma desvantagem dos pequenos e grandes rentistas, e torna-os \u201ccansados de crescimento\u201d.<\/p>\n<p>Nesta situa\u00e7\u00e3o, uma poderosa alian\u00e7a \u00e9 prov\u00e1vel de se formar entre as grandes corpora\u00e7\u00f5es e os interesses rentistas, e que provavelmente h\u00e1 de se encontrar mais de um economista para declarar que a situa\u00e7\u00e3o era manifestamente fr\u00e1gil. A press\u00e3o de todas essas for\u00e7as, e em particular das grandes corpora\u00e7\u00f5es \u2013 como regra, influentes em setores do governo \u2013 muito provavelmente induzir\u00e1 o governo a voltar para a pol\u00edtica ortodoxa de reduzir o d\u00e9ficit or\u00e7ament\u00e1rio. A recess\u00e3o se seguiria quando a pol\u00edtica de gastos do governo voltaria a ser valorizada.<\/p>\n<p>Este padr\u00e3o de um ciclo de neg\u00f3cios pol\u00edtico n\u00e3o \u00e9 totalmente conjuntural; algo bastante similar ocorreu nos EUA em 1937-8. A derrubada do crescimento na segunda metade de 1937 foi na realidade causada pela dr\u00e1stica redu\u00e7\u00e3o do d\u00e9ficit or\u00e7ament\u00e1rio. Por outro lado, na recess\u00e3o aguda que se seguiu, o governo imediatamente reverteu para uma pol\u00edtica de gastos.<\/p>\n<p>O regime do ciclo de neg\u00f3cios pol\u00edtico seria uma restaura\u00e7\u00e3o do artificial da posi\u00e7\u00e3o existente no capitalismo do s\u00e9culo dezenove. O pleno emprego s\u00f3 seria alcan\u00e7ado no topo do crescimento, por\u00e9m as recess\u00f5es seriam relativamente suaves e curtas.<\/p>\n<p><strong>V<\/strong><\/p>\n<p>1.\u00a0\u00a0 \u00a0Deveria um progressista ficar satisfeito com o ciclo de neg\u00f3cios pol\u00edtico da forma como descrito na se\u00e7\u00e3o anterior?\u00a0 Acho que a isto dever\u00edamos nos opor em dois n\u00edveis: (i) que isto n\u00e3o assegura um pleno emprego duradouro; (ii) que esta interven\u00e7\u00e3o governamental est\u00e1 associada ao investimento p\u00fablico que n\u00e3o abarca o subs\u00eddio ao consumo.\u00a0 O que as massas demandam agora n\u00e3o \u00e9 a mitiga\u00e7\u00e3o da recess\u00e3o, mas sua aboli\u00e7\u00e3o total.\u00a0 Nem deveria a consequente utiliza\u00e7\u00e3o mais completa dos recursos ser feita em investimentos p\u00fablicos n\u00e3o desejados apenas para gerar emprego. O programa de gastos governamentais deveria estar dedicado apenas ao investimento p\u00fablico de fato necess\u00e1rio. O resto do gasto p\u00fablico necess\u00e1rio para manter o pleno emprego deveria ser usado para subsidiar o consumo (atrav\u00e9s de transfer\u00eancias \u00e0s fam\u00edlias, pens\u00f5es e aposentadorias, redu\u00e7\u00e3o dos impostos indiretos e subs\u00eddios aos bens de primeira necessidade).\u00a0 Os opositores deste tipo de gasto governamental alegam que o governo n\u00e3o ter\u00e1, ent\u00e3o, nenhuma contrapartida ao seu dinheiro. A resposta \u00e9 que a contrapartida deste disp\u00eandio \u00e9 o maior padr\u00e3o de vida das massas. Este n\u00e3o \u00e9 prop\u00f3sito de toda a atividade econ\u00f4mica?<\/p>\n<p>2.\u00a0\u00a0 \u00a0\u201cO capitalismo do pleno emprego\u201d claramente evoluir\u00e1 para novas institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sociais que refletir\u00e3o o crescente poder da classe trabalhadora. Se o capitalismo puder se ajustar ao pleno emprego, uma reforma fundamental ter\u00e1 sido incorporada nele. Caso contr\u00e1rio, se mostrar\u00e1 um sistema ultrapassado que dever\u00e1 ser descartado.<\/p>\n<p>Entretanto, lutar pelo pleno emprego pode levar ao fascismo? Talvez o capitalismo se ajuste ao pleno emprego no caminho? Isto parece extremamente improv\u00e1vel. O fascismo surgiu na Alemanha diante de um cen\u00e1rio de desemprego tremendo, e se manteve no poder assegurando o pleno emprego enquanto a democracia capitalista fracassou neste objetivo. A luta das for\u00e7as progressistas pelo emprego de todos \u00e9 ao mesmo tempo uma maneira de se prevenir a reincid\u00eancia do fascismo.<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<p>(i) Este artigo corresponde aproximadamente a uma palestra dada \u00e0 Sociedade Marshall em Cambridge na primavera de 1942.<\/p>\n<p>(ii) Outro problema de natureza mais t\u00e9cnica \u00e9 o da d\u00edvida nacional. Se o pleno emprego \u00e9 mantido por gastos do governo financiados por empr\u00e9stimos, a d\u00edvida nacional aumentar\u00e1 continuamente. Isso n\u00e3o precisa, no entanto, envolver quaisquer perturba\u00e7\u00f5es na produ\u00e7\u00e3o e no emprego se os juros da d\u00edvida forem financiados por um imposto anual sobre o capital. A renda corrente, ap\u00f3s o pagamento do imposto sobre o capital, de alguns capitalistas ser\u00e1 menor, e de outros maior, do que se a d\u00edvida nacional n\u00e3o tivesse aumentado, mas o seu rendimento global permanecer\u00e1 inalterado e seu consumo agregado n\u00e3o ser\u00e1 suscet\u00edvel a mudan\u00e7as significativas. Al\u00e9m disso, a propens\u00e3o para investir em capital fixo n\u00e3o \u00e9 afetada por um imposto sobre o capital, porque ele \u00e9 pago sobre qualquer tipo de riqueza. Se uma determinada quantia est\u00e1 em dinheiro ou t\u00edtulos do governo ou investida na constru\u00e7\u00e3o de uma f\u00e1brica, o mesmo imposto sobre o capital \u00e9 pago sobre ela e, assim, a vantagem comparativa \u00e9 inalterada. E se o investimento \u00e9 financiado por empr\u00e9stimos \u00e9 evidente que n\u00e3o \u00e9 afetado por um imposto sobre o capital se n\u00e3o significar um aumento da riqueza do empres\u00e1rio investidor. Assim, nem o consumo capitalista nem o investimento \u00e9 afetado pelo aumento da d\u00edvida nacional se seus juros forem financiados por um imposto anual sobre o capital. (Veja mais em Kalecki, M. \u201cA Theory of Commodity, Income, and Capital Taxation\u201d in: Kalecki, M. Selected Essays on the Dynamics of the Capitalist Economy 1933-1970, Cambridge University Press, 1971)<\/p>\n<p>(iii) Deve-se notar aqui que o investimento em uma ind\u00fastria nacionalizada pode contribuir para a solu\u00e7\u00e3o do problema do desemprego apenas se for realizada em princ\u00edpios de retorno diferentes daqueles da iniciativa privada, ou deve deliberadamente temporizar o seu investimento de modo a mitigar aqueles da iniciativa privada. O governo deve estar satisfeito com uma menor taxa l\u00edquida de fal\u00eancias.<\/p>\n<p>(iv) Uma demonstra\u00e7\u00e3o rigorosa encontra-se no artigo publicado em Kalecki, M., \u201cFull Employment by Stimulating Private Investment?\u201d In: Oxford Economic Papers. (1945) os-7 (1): 83-92<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As raz\u00f5es para a oposi\u00e7\u00e3o dos \u201cl\u00edderes industriais\u201d ao pleno emprego alcan\u00e7ado via gastos do governo podem ser subdivididos em tr\u00eas categorias: (i) n\u00e3o gostam da interfer\u00eancia do governo no problema do emprego como tal; (ii) n\u00e3o gostam da dire\u00e7\u00e3o dos gastos do governo (o investimento p\u00fablico e o consumo subsidiado); (iii) n\u00e3o gostam das mudan\u00e7as sociais e pol\u00edticas resultantes da manuten\u00e7\u00e3o do pleno emprego. 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