{"id":94495,"date":"2018-06-04T19:38:32","date_gmt":"2018-06-04T22:38:32","guid":{"rendered":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=94495"},"modified":"2018-06-05T08:36:29","modified_gmt":"2018-06-05T11:36:29","slug":"geopolitica-da-greve-dos-caminhoneiros-e-dos-alimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=94495","title":{"rendered":"Geopol\u00edtica da greve dos caminhoneiros e dos alimentos"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Gustavo Galv\u00e3o, para o Duplo Expresso<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Quem comanda a greve dos caminhoneiros? Quem ganha? Quem perde? Os caminhoneiros s\u00e3o os novos tenentistas?<\/p>\n<p><strong>Causas e consequ\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>A greve dos caminhoneiros acabou ou est\u00e1 acabando. N\u00e3o conseguiu exatamente o que queria, a fixa\u00e7\u00e3o de um pre\u00e7o baixo para o diesel e a fixa\u00e7\u00e3o de um pre\u00e7o m\u00ednimo para os fretes. \u00c9 ineg\u00e1vel, por\u00e9m, que foi altamente vitoriosa. O pre\u00e7o do diesel cair\u00e1 um pouco e ficar\u00e1 mais est\u00e1vel com as promessas do governo de reajustar no m\u00e1ximo uma vez por m\u00eas. Houve tamb\u00e9m algumas outras pequenas concess\u00f5es por parte do governo. Mas a grande vit\u00f3ria foi a demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a pol\u00edtica dos caminhoneiros. No futuro, suas reivindica\u00e7\u00f5es ser\u00e3o ouvidas com muita aten\u00e7\u00e3o por qualquer governo, pois ficou demonstrado que podem colocar o pa\u00eds de joelhos.<\/p>\n<p>\u00c9 justa a reivindica\u00e7\u00e3o dos caminhoneiros. N\u00e3o podemos ter qualquer d\u00favida quanto a isso. Apesar de ter come\u00e7ado como loucaute e ter sido apoiada pelos grupos bolsonaristas e intervencionistas militares, a amplitude e extens\u00e3o da greve tem muito a ver com a realidade dura que os caminhoneiros est\u00e3o sofrendo nos \u00faltimos 2 anos.<\/p>\n<p><strong>Governo Temer esmaga caminhoneiros<\/strong><\/p>\n<p>O golpe produziu uma brutal recess\u00e3o econ\u00f4mica. Isso jogou para baixo o volume de cargas nas estradas o valor dos fretes. Por outro lado, o golpe elevou o pre\u00e7o do diesel a n\u00edveis exorbitantes.<\/p>\n<p>A renda dos caminhoneiros foi esmagada. Mas n\u00e3o seus custos. Com o aumento do d\u00f3lar, aumentou n\u00e3o apenas o diesel, mas tamb\u00e9m os lubrificantes, pe\u00e7as e pneus. Os ped\u00e1gios tamb\u00e9m continuaram subindo ap\u00f3s o golpe. Os ped\u00e1gios j\u00e1 eram os mais caros do mundo e a propor\u00e7\u00e3o de ped\u00e1gios por km de estrada tamb\u00e9m j\u00e1 era a mais alta do mundo.<\/p>\n<p>A renda caiu mas o trabalho n\u00e3o. Os caminhoneiros est\u00e3o aceitando fretes cada vez menos remuneradores para complementar a renda e pagar a presta\u00e7\u00e3o do caminh\u00e3o. O que se soma ao trabalho normalmente exaustivo em raz\u00e3o das imensas dist\u00e2ncias do transporte rodovi\u00e1rio no Brasil. Ao contr\u00e1rio de outros pa\u00edses, onde os caminh\u00f5es circulam por 300 a 400 quil\u00f4metros, aqui \u00e9 comum rodar at\u00e9 mais de 3000 quil\u00f4metros em raz\u00e3o da falta de transporte ferrovi\u00e1rio, hidrovi\u00e1rio e de cabotagem.<\/p>\n<p>Se isso n\u00e3o bastasse, o caminhoneiro ainda tem que viver sob permanente estresse e inseguran\u00e7a com o aumento do roubo de cargas ocorrido neste governo Temer.<\/p>\n<p>Para complicar, os direitos trabalhistas, especialmente ap\u00f3s a Reforma Trabalhista de Temer, s\u00e3o praticamente nulos para o aut\u00f4nomo ou para o caminhoneiro contratado por CLT, que j\u00e1 tinham perdido parte dos seus direitos pelo estatuto do caminhoneiro no governo Dilma.<\/p>\n<p><strong>Transporte \u00e9 assunto estrat\u00e9gico e militar<\/strong><\/p>\n<p><strong>Transporte, petr\u00f3leo e comida<\/strong> s\u00e3o considerados assuntos de guerra pelo governo americano. Os transportes mais r\u00e1pidos, de f\u00e1cil abastecimento e suprimento s\u00e3o baseados em petr\u00f3leo: navios, caminh\u00f5es, avi\u00f5es.<\/p>\n<p>H\u00e1 duas fun\u00e7\u00f5es pol\u00edticas do transporte, o transporte militar e o transporte civil. A Segunda Guerra foi vencida por quem tinha petr\u00f3leo. Japoneses e alem\u00e3es tiveram suas for\u00e7as armadas limitadas por falta de petr\u00f3leo. At\u00e9 hoje as estrat\u00e9gias militares e diplom\u00e1ticas americanas consideram esse fato hist\u00f3rico um paradigma b\u00e1sico a orientar suas pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Transporte civil tamb\u00e9m tem imenso impacto militar e geopol\u00edtico. Hoje todo brasileiro aprendeu com os caminhoneiros que a falta de transporte ou de combust\u00edvel coloca qualquer pa\u00eds de joelhos. Mesmo aqueles que n\u00e3o gostam de pol\u00edtica, que n\u00e3o querem nem ouvir falar de pol\u00edtica foram surpreendidos com a percep\u00e7\u00e3o de que toda sua vida \u00e9 altamente dependente de uma ampla rede de transporte, abastecimento, gest\u00e3o e controle a n\u00edvel nacional que, por sua vez \u00e9 altamente dependente da infraestrutura e da a\u00e7\u00e3o estatal. A rede de transporte n\u00e3o pode ser gerida pelo setor privado, pelo mercado, pois pode lhe conduzir ao caos, como vimos. Mais uma semana de greve, haveria pessoas morrendo de fome nas grandes cidades.<\/p>\n<p>Os estadunidenses sabem disso h\u00e1 muito tempo. Conscientes da import\u00e2ncia dos combust\u00edveis e dos transportes, os americanos j\u00e1 fizeram muitas guerras e golpes para manter controle militar, pol\u00edtico ou econ\u00f4mico desses recursos na seguinte ordem:<\/p>\n<p>(1) reservas de petr\u00f3leo,<\/p>\n<p>(2) refinarias,<\/p>\n<p>(3) transporte de petr\u00f3leo (por isso tantos porta avi\u00f5es, que s\u00e3o in\u00fateis na guerra direta contra R\u00fassia e China),<\/p>\n<p>(4) tipo de ve\u00edculo, motor e quem os produz,<\/p>\n<p>(5) a opera\u00e7\u00e3o final dos ve\u00edculos (caminhoneiros, transportadores e sua ideologia).<\/p>\n<p>Cabe salientar a import\u00e2ncia do dom\u00ednio ideol\u00f3gico sobre o caminhoneiro, deixando-o sempre \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o das manobras pol\u00edticas do Imp\u00e9rio Americano, das petroleiras internacionais e seus instrumentos pol\u00edticos locais. No Brasil podemos dar como exemplos os seguintes ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>(a) <a href=\"https:\/\/www.shell.com.br\/motoristas\/clube-irmao-caminhoneiro-shell.html\">Clube irm\u00e3o caminhoneiro Shell<\/a><\/p>\n<p>(b) <a href=\"http:\/\/memoriaglobo.globo.com\/mobile\/programas\/entretenimento\/seriados\/carga-pesada-1-versao\/curiosidades.htm\">Carga Pesada da Globo<\/a><\/p>\n<p>(c) <a href=\"https:\/\/youtu.be\/BWV2QdLKl_Y\">Bolsonaro sempre se vinculou aos caminhoneiros<\/a><\/p>\n<p>*<\/p>\n<p><strong>O nascimento dos caminhoneiros: o p\u00f3s guerra e o fordismo rodoviarista<\/strong><\/p>\n<p>A imposi\u00e7\u00e3o do modelo de consumo fordista-rodoviarista aconteceu a partir dos anos 50. Modelo fordista de sociedade de consumo americana baseada no petr\u00f3leo e no transporte rodovi\u00e1rio foi imposto ap\u00f3s a II Guerra. Mas os EUA queria espalhar apenas o consumo de seus produtos, carros, caminh\u00f5es, gasolina e diesel. A inten\u00e7\u00e3o dos EUA era manter o controle sobre a produ\u00e7\u00e3o desses bens.<\/p>\n<p>Dessa forma, a luta pelo desenvolvimento das na\u00e7\u00f5es retardat\u00e1rias como o Brasil se concentrava em trazer a produ\u00e7\u00e3o desses bens para o territ\u00f3rio nacional. A cria\u00e7\u00e3o da Petrobras por Vargas e da ind\u00fastria automobil\u00edstica por JK foram partes fundamentais nessa luta.<\/p>\n<p>Com o fim da II Guerra Mundial era necess\u00e1rio desovar o excesso de capacidade da ind\u00fastria automobil\u00edstica e da ind\u00fastria de refino que haviam sido super-infladas para alimentar a economia de guerra.<\/p>\n<p>Dessa forma, a imposi\u00e7\u00e3o do modelo rodoviarista na Am\u00e9rica Latina foi planejado pelo <em>Deep State<\/em> em conjunto com a ind\u00fastria de refino e automobil\u00edstica americana. Esses setores foram posteriormente chamados de complexo industrial-militar.<\/p>\n<p>Assim, enfiou-se o modelo rodoviarista consumidor de diesel no Brasil. Nesse contexto nasceu aqui nos anos 50 essa nova classe, <strong>os caminhoneiros<\/strong>.<\/p>\n<p>Caminhoneiros j\u00e1 nasceram com triplo papel de (1) agentes de implanta\u00e7\u00e3o e defesa do rodoviarismo, (2) operadores de quase toda log\u00edstica nacional e (3) alvo ideol\u00f3gico da direita pr\u00f3-estudunidense. Assim constru\u00edmos nossa absoluta depend\u00eancia do diesel e do modelo de consumo americano.<\/p>\n<p>Todos os pa\u00edses tiveram que engolir esse modelo em maior ou menor grau, em especial na Am\u00e9rica Latina. N\u00e3o poder\u00edamos fugir.<\/p>\n<p><strong>Tiro pela Culatra: o caminhoneiro virou irm\u00e3o siam\u00eas do monop\u00f3lio estatal da Petrobras<\/strong><\/p>\n<p>As ferrovias, hidrovias e cabotagem foram sabotadas. A hidrovia \u00e9 sabotada no Brasil desde o s\u00e9culo XIX, quando os americanos compraram a companhia navega\u00e7\u00e3o do Araguaia, fundada por Couto de Magalh\u00e3es, o estadista de Pedro II, para fechar\u00b9. O modelo ferrovi\u00e1rio tamb\u00e9m foi conscientemente sabotado, o que atrasou muito a incorpora\u00e7\u00e3o dos cerrados aos mercados de exporta\u00e7\u00e3o de alimentos e prejudicou a integra\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p>O v\u00edcio em petr\u00f3leo, carro e caminh\u00e3o \u00e9 a principal consequ\u00eancia da imposi\u00e7\u00e3o comercial e militar do <em>american way of life<\/em> no Brasil. Por um lado todo esse sistema torna o Brasil e a Am\u00e9rica Latina mais vulner\u00e1veis e mais dependentes da economia e da diplomacia americana. Por\u00e9m, alguns pa\u00edses como o Brasil se adaptaram muito bem a esse modelo e conseguiram tirar dele, com todas suas limita\u00e7\u00f5es, a for\u00e7a para se tornarem uma pot\u00eancia econ\u00f4mica e pol\u00edtica.<\/p>\n<p>No caso brasileiro, a entrada, ainda que submissa (sem capital nacional), na ind\u00fastria mec\u00e2nica automobil\u00edstica foi fundamental para a industrializa\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento material em um patamar muito superior ao que t\u00ednhamos antes, num cen\u00e1rio de uma renda per capita muito inferior a nossos vizinhos do sul e similar \u00e0 \u00c1frica.<\/p>\n<p>Sem o caminh\u00e3o nacional e as estradas constru\u00eddas pelo desenvolvimentismo de JK, o Brasil n\u00e3o teria conseguido passar o limite de Tordesilhas e conquistado a imensid\u00e3o agr\u00edcola e agroindustrial que s\u00e3o fundamentais para a manuten\u00e7\u00e3o de nosso padr\u00e3o de vida m\u00e9dio relativamente elevado em termos mundiais. Esse patamar que j\u00e1 alcan\u00e7amos \u00e9 a base que sustenta a credibilidade necess\u00e1ria para qualquer sonho de desenvolvimento pud\u00e9ssemos ter de hoje para frente. Pa\u00edses que s\u00e3o muito mais atrasados do que n\u00f3s, muitas vezes nem sonham em se tornarem desenvolvidos.<\/p>\n<p>O desenvolvimentismo varguista foi reprimido por for\u00e7as externas no per\u00edodo JK, Jango e dos militares. Por\u00e9m, conseguiu sobreviver. Sua maior obra, a Petrobras, construiu as refinarias que conquistaram a autossufici\u00eancia em derivados de petr\u00f3leo, como diesel. Essa autossufici\u00eancia permitiu que o governo brasileiro usasse os pre\u00e7os dos derivados para conter a infla\u00e7\u00e3o, subsidiar o transporte para as regi\u00f5es mais distantes e menos desenvolvidas.<\/p>\n<p>Com isso a Petrobras fez o papel que caberia \u00e0s ferrovias: integrar o pa\u00eds, incluir milh\u00f5es de hectares de terras f\u00e9rteis \u00e0 economia nacional e trazer comida barata para o trabalhador. Controle da infla\u00e7\u00e3o, custo de vista razo\u00e1vel, manuten\u00e7\u00e3o do emprego de dezenas de milh\u00f5es, governabilidade e estabilidade social s\u00e3o consequ\u00eancias diretas desse papel da Petrobras no controle do pre\u00e7o dos combust\u00edveis para o transporte. Um a um todos os governos perceberam que n\u00e3o poderiam prescindir do monop\u00f3lio de refino da Petrobras, por maior que fossem os subornos e press\u00e3o para privatiz\u00e1-la. <strong>Temer foi o \u00faltimo a sentir a dor por tentar cortar o cord\u00e3o umbilical que liga o monop\u00f3lio do refino da Petrobras, os caminhoneiros , o agroneg\u00f3cio e a panela dos brasileiros.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Diesel: o pre\u00e7o fundamental do Brasil<\/strong><\/p>\n<p>O modelo varguista de monop\u00f3lio do petr\u00f3leo da Petrobras se fundiu ao rodoviarismo e \u00e0 necessidade soberana de integra\u00e7\u00e3o nacional por meio do subs\u00eddio ao diesel. Desde ent\u00e3o, o diesel \u00e9 o pre\u00e7o fundamental no Brasil mais do que em qualquer outro lugar do mundo.<\/p>\n<p>A agricultura do cerrado floresceu com o subs\u00eddio nacional ao diesel. Quando Collor e FHC acabaram com o subs\u00eddio nacional ao diesel, a expans\u00e3o agr\u00edcola se reduziu significativamente e s\u00f3 voltou a crescer aceleradamente quando Lula voltou a tabelar o diesel.<\/p>\n<p>O custo do diesel \u00e9 o principal custo da agricultura brasileira, ele a onera triplamente:<\/p>\n<p>1) Para trazer os gr\u00e3os para as regi\u00f5es consumidoras e portos<\/p>\n<p>2) Para voltar com o adubo dos portos. O Brasil \u00e9 o grande produtor que mais utiliza adubo por hectare, no Centro-Oeste usa-se no m\u00ednimo 6 vezes mais adubo do que os EUA.<\/p>\n<p>3) Dentro da pr\u00f3pria fazenda nas tarefas de plantio, manejo e colheita. E como o pr\u00f3prio diesel \u00e9 transportado parcialmente por caminh\u00f5es, ele acaba chegando caro nas fazendas da regi\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Absorvendo o diesel mais caro: explora\u00e7\u00e3o e carne<\/strong><\/p>\n<p>Lula controlou o pre\u00e7o do diesel, mas n\u00e3o chegou a subsidiar o diesel como nos governos militares e nos anos 80. A agricultura distante do cerrado conseguiu se manter e crescer, porque o subs\u00eddio ao diesel foi absorvido por tr\u00eas importantes fatores:<\/p>\n<p>1) A superexplora\u00e7\u00e3o dos caminhoneiros<\/p>\n<p>2) O aumento do tamanho dos caminh\u00f5es e carretas atrav\u00e9s do financiamento barato do BNDES<\/p>\n<p>3) O investimento em produ\u00e7\u00e3o pecu\u00e1ria, especialmente frango e porcos, no Centro-Oeste e demais regi\u00f5es produtoras de gr\u00e3os<\/p>\n<p>As empresas de transporte e agroind\u00fastrias intensificaram a jornada de trabalho e a explora\u00e7\u00e3o dos caminhoneiros com a achatamento de suas margens de lucro sempre que aumenta o pre\u00e7o do diesel.<\/p>\n<p>Mesmo assim para longas dist\u00e2ncias os pequenos caminh\u00f5es se tornaram invi\u00e1veis com o diesel mais caro. Consequentemente passaram a usar carretas biarticuladas cada vez maiores economizando assim com diesel e m\u00e3o de obra.<\/p>\n<p>Um fen\u00f4meno positivo tamb\u00e9m aconteceu em decorr\u00eancia do fim do subs\u00eddio ao diesel. O elevado custo de transporte rodovi\u00e1rio a partir do Centro-Oeste fez com que o custo dos gr\u00e3os nessa regi\u00e3o ficasse significativamente mais baixo do que em outras regi\u00f5es produtoras de gr\u00e3os. Como o custo da alimenta\u00e7\u00e3o est\u00e1 em torno de 70% do custo de produ\u00e7\u00e3o da carne de frango e porco, houve uma massiva migra\u00e7\u00e3o de granjas e frigor\u00edficos para essa regi\u00e3o. Como \u00e9 necess\u00e1rio, respectivamente 2 a 3 quilos de gr\u00e3os para produzir um quilo de carne de frango e porco (em peso vivo) e 8 quilos de alimentos para produzir um quilo de carne de boi (em peso vivo), torna-se muito mais barato processar os gr\u00e3os do sistema digestivo dos animais e transport\u00e1-los na forma de carne do que na forma de gr\u00e3os. O valor agregado e o emprego gerado na produ\u00e7\u00e3o de carne \u00e9 muito superior do que na produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os. Isso explica o grande desenvolvimento e industrializa\u00e7\u00e3o dessa regi\u00e3o nos \u00faltimos 15 anos.<\/p>\n<p>Ou seja, como o abate e o processamento de carne e ra\u00e7\u00e3o s\u00e3o atividades industriais, a industrializa\u00e7\u00e3o do Centro-Oeste \u00e9 um fen\u00f4meno que foi muito ajudado pelo elevado custo de transporte para os gr\u00e3os, especialmente o milho, que \u00e9 mais barato e consumido em muito maior volume na pecu\u00e1ria do que a soja.<\/p>\n<p><strong>Geopol\u00edtica dos alimentos<\/strong><\/p>\n<p>Os EUA s\u00e3o o grande supridor global de alimentos desde o s\u00e9culo XIX. Com isso, ele sempre conseguiu manter custos industriais e estabilidade de pre\u00e7os e sal\u00e1rios. Al\u00e9m disso, tem um poder diplom\u00e1tico decisivo \u2013 n\u00e3o apenas em momentos de guerra: \u00e9 um\u00a0 dos poucos pa\u00edses que podem oferecer alimentos em larga escala a pre\u00e7os razo\u00e1veis. Os EUA em muitos momentos foram o \u00fanico pa\u00eds com essa capacidade.<\/p>\n<p>Os americanos consideram sua produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e controle do seu com\u00e9rcio internacional como arma militar e diplom\u00e1tica essencial. Como \u00e9 o grande exportador mundial de alimentos, pode prejudicar muito um pa\u00eds advers\u00e1rio ou favorecer um aliado em casos de:<\/p>\n<p>1) Embargos<\/p>\n<p>2) Bloqueios<\/p>\n<p>3) Guerra de pre\u00e7os e infla\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>4) Cat\u00e1strofes<\/p>\n<p>5) Suprimentos de emerg\u00eancia<\/p>\n<p>6) Seguran\u00e7a alimentar em geral<\/p>\n<p>Mas isso passou a mudar rapidamente a partir do governo Lula. Entre as medidas que ele implementou est\u00e3o (a) o apoio do BNDES \u00e0 expans\u00e3o da agroind\u00fastria nacional no Centro-Oeste e no resto do mundo e (b) a manuten\u00e7\u00e3o de um pre\u00e7o razo\u00e1vel e est\u00e1vel para o diesel. Desde ent\u00e3o, o Brasil \u00e9 cada vez mais um concorrente dur\u00edssimo dos EUA nas exporta\u00e7\u00f5es de alimentos.<\/p>\n<p>O baixo custo salarial no Brasil nas atividades de abate de carne e o baixo custo de ra\u00e7\u00e3o nas regi\u00f5es produtoras tornam o Brasil imbat\u00edvel na exporta\u00e7\u00e3o de carnes. Superamos os EUA em frango e boi e em pouco tempo ter\u00edamos superado as exporta\u00e7\u00f5es americanas e europeias em su\u00ednos, caso os estadunidenses n\u00e3o tivessem contra-atacado com as opera\u00e7\u00f5es da Pol\u00edcia Federal contra os frigor\u00edficos nacionais e outras opera\u00e7\u00f5es de sabotagem que temos vivenciado.<\/p>\n<p>Por d\u00e9cadas os EUA foram o grande supridor mundial de prote\u00edna (soja e carnes) e energia (milho) do mundo. O Brasil desbancou os EUA na soja e nas carnes, e estava caminhando para desbancar no milho, que \u00e9 o grande basti\u00e3o da competitividade agr\u00edcola americana e de seu poder na geopol\u00edtica de alimentos. O Brasil entrou pesado nesse mercado no governo Lula gra\u00e7as \u00e0 atua\u00e7\u00e3o do BNDES e da Petrobras.<\/p>\n<p>A Petrobras de Lula mudou a pol\u00edtica de combust\u00edveis de FHC deixando de vincular o pre\u00e7o do diesel ao d\u00f3lar e ao pre\u00e7o internacional do petr\u00f3leo. A Petrobras tamb\u00e9m investiu em f\u00e1bricas de fertilizantes, especialmente nitrogenados para reduzir a depend\u00eancia de importa\u00e7\u00f5es e seu custo.<\/p>\n<p>A Petrobras de Lula teve participa\u00e7\u00e3o fundamental na cria\u00e7\u00e3o, subs\u00eddio, infraestrutura e manuten\u00e7\u00e3o da cadeia nacional de biodiesel. Com isso gerou uma enorme demanda por \u00f3leo de soja, que aumentou muito o volume de esmagamento de soja no Centro-Oeste e, portanto, reduziu o custo do farelo de soja na regi\u00e3o favorecendo a produ\u00e7\u00e3o de carnes e a exporta\u00e7\u00e3o de farelo processado.<\/p>\n<p>O BNDES tamb\u00e9m passou a financiar a custos cada vez menores:<\/p>\n<p>1) a mecaniza\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e o transporte de cargas com ve\u00edculos cada vez maiores e de custo operacional mais baixo<\/p>\n<p>2) as imensas f\u00e1bricas de carne e granjas no Centro oeste<\/p>\n<p>3) A fus\u00e3o e reestrutura\u00e7\u00e3o dos grandes grupos agroindustriais<\/p>\n<p><strong>A Lava-Jato contra o agroneg\u00f3cio: o Pr\u00e9-sal e as refinarias do Lula destruiriam o agroneg\u00f3cio dos EUA<\/strong><\/p>\n<p>Hoje o \u00fanico elo fundamental do agroneg\u00f3cio brasileiro que n\u00e3o \u00e9 muito competitivo contra os EUA \u00e9 o milho em raz\u00e3o dele ser um produto mais barato por tonelada. Como os EUA transportam quase todo seu milho por hidrovia e ferrovia, eles continuam l\u00edderes na exporta\u00e7\u00e3o do produto. Mas o Brasil estava melhorando rapidamente sua posi\u00e7\u00e3o durante o governo Dilma, quando os pre\u00e7os do diesel ficaram abaixo dos pre\u00e7os internacionais.<\/p>\n<p>Se o PT continuasse com suas pol\u00edticas para o setor de petr\u00f3leo os EUA come\u00e7ariam a ter problemas s\u00e9rios de competividade de seu agroneg\u00f3cio, que hoje depende da super vantagem que ainda possui no milho e que poderia ser destru\u00edda com o diesel barato do pr\u00e9-sal e das 5 mega refinarias que Lula e Dilma estavam construindo no Rio e no Nordeste.<\/p>\n<p>O pr\u00e9-sal e as mega refinarias que Lula estava construindo iriam necessariamente fazer o governo optar por reduzir ainda mais o pre\u00e7o do diesel e combust\u00edveis, como fazem todos os grandes exportadores de petr\u00f3leo. Isso faria o Brasil superar as vantagens americanas fundamentada em ferrovias e hidrovias.<\/p>\n<p>Essa pol\u00edtica de combust\u00edvel barato, inevit\u00e1vel entre os exportadores de petr\u00f3leo, tornaria nosso agroneg\u00f3cio ainda mais competitivo no mercado internacional, inclusive no seu item mais importante, o milho. Se o Brasil conseguir uma margem de lucro um pouco melhor no milho, derrubaria o \u00faltimo basti\u00e3o da agricultura americana, porque o milho \u00e9 a base principal para o pre\u00e7o das carnes, dos ovos e do leite\u00b2. O Brasil ainda \u00e9 importador de leite e derivados, porque as regi\u00f5es com grandes concentra\u00e7\u00f5es de gado leiteiro ainda s\u00e3o muito distantes do milho do Centro-Oeste. Para entender a import\u00e2ncia do pre\u00e7o do diesel, no governo FHC, quando o diesel era mais caro, \u00e9ramos importadores at\u00e9 de milho. O gr\u00e1fico abaixo mostra como a produ\u00e7\u00e3o nacional de milho cresce nos momentos de diesel mais barato.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-94499\" src=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/fullsizeoutput_318-1024x511.jpeg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"399\" srcset=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/fullsizeoutput_318-1024x511.jpeg 1024w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/fullsizeoutput_318-300x150.jpeg 300w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/fullsizeoutput_318-768x383.jpeg 768w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/fullsizeoutput_318.jpeg 1419w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia absoluta do custo de transporte, e do diesel, nos pre\u00e7os e produ\u00e7\u00e3o de milho:<\/p>\n<figure id=\"attachment_94502\" aria-describedby=\"caption-attachment-94502\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-94502\" src=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/fullsizeoutput_31c-1024x608.jpeg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"475\" srcset=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/fullsizeoutput_31c-1024x608.jpeg 1024w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/fullsizeoutput_31c-300x178.jpeg 300w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/fullsizeoutput_31c-768x456.jpeg 768w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/fullsizeoutput_31c.jpeg 1169w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-94502\" class=\"wp-caption-text\">Gr\u00e1fico: Produ\u00e7\u00e3o brasileira de milho nos \u00faltimos 20 anos<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cota\u00e7\u00f5es do milho e soja nas diferentes regi\u00f5es produtoras:<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-94503\" src=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/fullsizeoutput_31d-1024x754.jpeg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"589\" srcset=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/fullsizeoutput_31d-1024x754.jpeg 1024w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/fullsizeoutput_31d-300x221.jpeg 300w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/fullsizeoutput_31d-768x565.jpeg 768w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/fullsizeoutput_31d.jpeg 1331w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-94504\" src=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/fullsizeoutput_31b-1024x861.jpeg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"673\" srcset=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/fullsizeoutput_31b-1024x861.jpeg 1024w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/fullsizeoutput_31b-300x252.jpeg 300w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/fullsizeoutput_31b-768x646.jpeg 768w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/fullsizeoutput_31b.jpeg 1322w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Lava-Jato e greve dos caminhoneiros<\/strong><\/p>\n<p>Nesse sentido, a Lava-Jato, o golpe e a pol\u00edtica de pre\u00e7os alt\u00edssimos para o diesel tem como um dos objetivos principais limitar ou at\u00e9 retroagir a competitividade do agroneg\u00f3cio brasileiro.<\/p>\n<p>Para isso, bastaria destruir os projetos de refinarias que dariam autossufici\u00eancia brasileira no diesel. Consequentemente teriam uma boa desculpa para dolarizar e inflacionar o pre\u00e7o do diesel, o que tornaria o agroneg\u00f3cio brasileiro muito menos competitivo frente ao americano.<\/p>\n<p>O agroneg\u00f3cio brasileiro sentiu essa piora competitiva, especialmente no milho, mais dependente dos custos de transporte. Mas as for\u00e7as estrangeiras que estavam usando a Petrobrax de Pedro Parente e a Lava-Jato para sabotar o agroneg\u00f3cio brasileiro perceberam desde o ano de 2017 que os caminhoneiros seriam a primeira classe produtiva brasileira a se revoltar contra a pol\u00edtica de dolariza\u00e7\u00e3o do diesel.<\/p>\n<p>Ao inv\u00e9s de aliviar a press\u00e3o sobre os caminhoneiros eles tentaram direcion\u00e1-la para 4 objetivos estrat\u00e9gicos de curto prazo:<\/p>\n<p>1) Derrubar Temer de vez para eliminar o impacto negativo de sua baixa popularidade sobre os candidatos do golpe nas elei\u00e7\u00f5es de 2018<\/p>\n<p>2) Encurralar de vez os grandes frigor\u00edficos de capital brasileiro, j\u00e1 baleados pelas opera\u00e7\u00f5es da PF como a \u201ccarne fraca\u201d para serem comprados por empresas americanas, aproveitando at\u00e9 do fato de que Pedro Parente, seu homem no Brasil, seja presidente do conselho do nosso melhor frigor\u00edfico, a BRF, dona da Perdig\u00e3o e da Sadia.<\/p>\n<p>3) Derrubar a credibilidade brasileira como exportador confi\u00e1vel de alimentos, em especial carnes.<\/p>\n<p>4) Manter viva a chantagem do \u201cgolpe militar\u201d sobre a esquerda brasileira e assim conduzi-la \u201cbovinamente\u201d para uma solu\u00e7\u00e3o a la Macron&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o foi dif\u00edcil mobilizar os caminhoneiros para um locaute e depois greve desorganizada. \u00c9 evidente que Organiza\u00e7\u00e3o dos caminhoneiros da Am\u00e9rica Latina s\u00e3o alvo de controle e manipula\u00e7\u00e3o do <em>Deep State<\/em> americano h\u00e1 d\u00e9cadas. S\u00e3o muitos os momentos em que eles se mobilizaram para servir ao interesse estadunidense na Am\u00e9rica Latina:<\/p>\n<p>i. Golpe de 64<\/p>\n<p>ii. Golpe do Chile<\/p>\n<p>iii. Golpe na Dilma<\/p>\n<p>iv. Tentativa de Golpe no Temer?<\/p>\n<p><strong><em>Deep State<\/em> dividido na greve dos caminhoneiros? Perda de controle?<\/strong><\/p>\n<p>A m\u00e1quina de guerra h\u00edbrida estadunidense certamente est\u00e1 sendo usada nesta greve de caminhoneiros.<\/p>\n<p><strong>S\u00e3o muitas as evid\u00eancias de guerra h\u00edbrida na greve dos caminhoneiros<\/strong>: profus\u00e3o de memes, v\u00eddeos de produ\u00e7\u00e3o sofisticada, discursos sangu\u00edneos dos donos das maiores empresas de transporte, mobiliza\u00e7\u00f5es massivas, passividade e intransig\u00eancia do governo, intransig\u00eancia dos mobilizados, falta de hierarquia no movimento, posturas suicidas dos mobilizados, frases de efeito desconexas da realidade, ado\u00e7\u00e3o massiva e r\u00e1pida, apoio das massas diretamente prejudicadas, not\u00edcias pela imprensa e pelas redes sociais do que ia acontecer antes de existir a pr\u00f3pria causa do acontecimento, como a falta de combust\u00edvel e de voos antes da greve atingir efetivamente o transporte de combust\u00edveis. Tudo isso s\u00e3o evid\u00eancia de a\u00e7\u00f5es de guerra h\u00edbrida por parte de for\u00e7as externas.<\/p>\n<p>Todavia, podemos concluir que os resultados dessa greve fugiram ao controle das for\u00e7as externas.<\/p>\n<p>Houve um processo de organiza\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o dos caminhoneiros para realiza\u00e7\u00e3o de greve no governo Dilma com intuito de promover o golpe.<\/p>\n<p>As greves dos caminhoneiros durante o segundo mandato de Dilma foram claramente conduzidas do exterior com apoios internos no movimento fascista\/bolsonarista. Para funcionar, elas tiveram que organizar e mobilizar os caminhoneiros como classe. Por\u00e9m, naquele momento as raz\u00f5es materiais para uma greve desse tipo n\u00e3o existiam e a greve n\u00e3o causou grande impacto.<\/p>\n<p>A greve contra Temer foi diferente. O impacto foi massivo e colocou o governo de joelhos a ponto de colocar em cheque a pol\u00edtica estadunidense para a Petrobras exercida por Pedro Parente. Inclusive ele teve que ser demitido para n\u00e3o levar todo o governo ao colapso, pois Temer teimosamente se negou a renunciar.<\/p>\n<p>Ou seja, os caminhoneiros n\u00e3o seguiram o script que os norte-americanos tra\u00e7aram para eles e acabaram derrubando a credibilidade da pol\u00edtica de Parente, que estava privatizando a Petrobras e o Pr\u00e9-sal aos poucos. Exageraram na dose e saiu pela culatra.<\/p>\n<p>Os caminhoneiros, mesmo sob alvo de uma massiva ideologia anti-nacional e anti-Petrobras acabaram por refor\u00e7ar a velha simbiose pol\u00edtica do nosso modelo log\u00edstico baseada no subs\u00eddio ao diesel:<\/p>\n<p>1) Petrobras com monop\u00f3lio estatal no refino<\/p>\n<p>2) Caminhoneiros<\/p>\n<p>3) Agroneg\u00f3cio<\/p>\n<p>Nesse sentido, os caminhoneiros acabaram reafirmando sem saber nosso velho modelo de desenvolvimento e produziram a primeira derrota fundamental para o golpe de 2016. Ser\u00e1 que essa vit\u00f3ria da nacionalidade ser\u00e1 seguida de outras e nos conduzir \u00e0 vit\u00f3ria definitiva da soberania e do povo como os tenentes fizeram em 1930?<\/p>\n<p>Notas<\/p>\n<p>1 Sobre Couto de Magalh\u00e3es e seu papel na navega\u00e7\u00e3o do Araguaia sugerimos os links abaixo:<br \/>\n<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Couto_de_Magalh%C3%A3es\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Couto_de_Magalh%C3%A3es<\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/repositorio.unb.br\/bitstream\/10482\/2408\/1\/2007_CarciusAzevedodosSantos.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/repositorio.unb.br\/bitstream\/10482\/2408\/1\/2007_CarciusAzevedodosSantos.pdf<\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.coutodemagalhaes.to.leg.br\/institucional\/historia\/historia-do-municipio-de-couto-magalhaes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.coutodemagalhaes.to.leg.br\/institucional\/historia\/historia-do-municipio-de-couto-magalhaes<\/a><br \/>\n<a href=\"https:\/\/periodicos.ufpa.br\/index.php\/revistamargens\/article\/viewFile\/5390\/4510\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/periodicos.ufpa.br\/index.php\/revistamargens\/article\/viewFile\/5390\/4510<\/a><br \/>\n<a href=\"https:\/\/cidades.ibge.gov.br\/brasil\/to\/couto-magalhaes\/historico\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/cidades.ibge.gov.br\/brasil\/to\/couto-magalhaes\/historico<\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.anais.ueg.br\/index.php\/cepe\/article\/download\/7474\/4965\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.anais.ueg.br\/index.php\/cepe\/article\/download\/7474\/4965<\/a><br \/>\n<a href=\"https:\/\/books.google.com.br\/books?id=R1XLxsYl1WAC&amp;pg=PA311&amp;lpg=PA311&amp;dq=couto+de+magalh%C3%A3es+navega%C3%A7%C3%A3o+do+araguaia&amp;source=bl&amp;ots=cr9qwcLQaG&amp;sig=QA0w8mQtev-m-cTlM1754uN4mZY&amp;hl=pt-BR&amp;sa=X&amp;ved=0ahUKEwi21JurnrbbAhVEDZAKHUgHB58Q6AEITzAH\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/books.google.com.br\/books?id=R1XLxsYl1WAC&amp;pg=PA311&amp;lpg=PA311&amp;dq=couto+de+magalh%C3%A3es+navega%C3%A7%C3%A3o+do+araguaia&amp;source=bl&amp;ots=cr9qwcLQaG&amp;sig=QA0w8mQtev-m-cTlM1754uN4mZY&amp;hl=pt-BR&amp;sa=X&amp;ved=0ahUKEwi21JurnrbbAhVEDZAKHUgHB58Q6AEITzAH<\/a><\/p>\n<p>2 E tamb\u00e9m dos alimentos processados que usam xarope de milho, amido e outros derivados como maltodedextrina e \u00e1lcool.<\/p>\n<p>Gustavo Galv\u00e3o \u00e9 Doutor em economia pela UFRJ, economista do BNDES licenciado, assessor parlamentar e comentarista do Duplo Expresso<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A greve dos caminhoneiros acabou ou est\u00e1 acabando. N\u00e3o conseguiu exatamente o que queria, a fixa\u00e7\u00e3o de um pre\u00e7o baixo para o diesel e a fixa\u00e7\u00e3o de um pre\u00e7o m\u00ednimo para os fretes. \u00c9 ineg\u00e1vel, por\u00e9m, que foi altamente vitoriosa. O pre\u00e7o do diesel cair\u00e1 um pouco e ficar\u00e1 mais est\u00e1vel com as promessas do governo de reajustar no m\u00e1ximo uma vez por m\u00eas. Houve tamb\u00e9m algumas outras pequenas concess\u00f5es por parte do governo. Mas a grande vit\u00f3ria foi a demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a pol\u00edtica dos caminhoneiros. No futuro, suas reivindica\u00e7\u00f5es ser\u00e3o ouvidas com muita aten\u00e7\u00e3o por qualquer governo, pois ficou demonstrado que podem colocar o pa\u00eds de joelhos.<\/p>\n","protected":false},"author":30,"featured_media":94496,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17,592,977,762,2,25,14],"tags":[65,1057,989,199,740,52,1035],"class_list":["post-94495","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-analise-de-conjuntura","category-comentaristas","category-economia","category-gustavo-galvao","category-home","category-petrobras","category-politica-2","tag-deep-state","tag-geopolitica","tag-greve-dos-caminhoneiros","tag-guerra-hibrida","tag-lava-jato","tag-petrobras","tag-precos-dos-combustiveis"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/94495","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/30"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=94495"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/94495\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/94496"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=94495"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=94495"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=94495"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}