{"id":94444,"date":"2018-06-02T11:11:28","date_gmt":"2018-06-02T14:11:28","guid":{"rendered":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=94444"},"modified":"2018-06-02T11:11:28","modified_gmt":"2018-06-02T14:11:28","slug":"liberalismo-fake-news-ou-bad-news","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=94444","title":{"rendered":"Liberalismo: \u201cfake news\u201d ou \u201cbad news\u201d?"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por H\u00e9lio Silveira, Rog\u00e9rio Lessa e Gustavo Galv\u00e3o<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><em>O Estado, por ter a prerrogativa de captador de rendas, emissor de meio circulante, al\u00e9m de indutor e criador de rendas pela sua capacidade de investir ou induzir investimentos, \u00e9 sempre eficaz no longo prazo e fundamental na solu\u00e7\u00e3o dos riscos sist\u00eamicos. \u00c9 conhecida sua atua\u00e7\u00e3o antic\u00edclica nas crises capitalistas, sendo exemplos expressivos \u201ca queima de caf\u00e9\u201d por Vargas e o \u201cNew Deal\u201d de Roosevelt.<\/em><\/li>\n<li><em>Na crise de 2008, a interven\u00e7\u00e3o do Estado &#8211; resgatando da quebra em s\u00e9rie os grandes bancos privados &#8211; salva o mundo do colapso financeiro especulativo. Ou seja, mais uma vez o Estado (&#8220;m\u00ednimo&#8221;?), como em 1929, interv\u00e9m, reduzindo a tese do liberalismo\/neoliberalismo, novamente, a uma \u201cfake news\u201d.<\/em><\/li>\n<\/ul>\n<p>*<\/p>\n<p>\u201cFake news\u201d \u00e9 a express\u00e3o da moda. De fato, na era das comunica\u00e7\u00f5es via web e da prolifera\u00e7\u00e3o da intera\u00e7\u00e3o pelas redes sociais n\u00e3o poderia deixar de aparecer um processo de manipula\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es. N\u00e3o que n\u00e3o existisse, ao longo da hist\u00f3ria e\/ou nos grandes ve\u00edculos tradicionais de comunica\u00e7\u00e3o, mas era algo que se desconfiava e ficava no \u00e2mbito das considera\u00e7\u00f5es. Outras vezes era um fato real sujeito a desmentidos. Mas na velocidade informativa atual as \u201cfake news\u201d proliferam entre verdades. Na pr\u00e1tica, mesmo sendo falsas, provocam efeitos reais que, pela velocidade dos acontecimentos, n\u00e3o podem ser mais alterados. Nessa categoria, s\u00e3o denominados \u201cp\u00f3s verdade\u201d!<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, uma \u201cfake news\u201d \u00e9 espalhada pelas redes sociais, manipuladas por especialistas, e causa um fato real que vira verdade &#8211; a &#8220;p\u00f3s-verdade&#8221;!<\/p>\n<p>As duas situa\u00e7\u00f5es internacionais mais emblem\u00e1ticas do \u201cp\u00f3s-verdade\u201d de 2016:<\/p>\n<ul>\n<li>Na campanha do \u201cBrexit\u201d se afirmava: a perman\u00eancia da Inglaterra na Uni\u00e3o Europeia custaria US$ 470 milh\u00f5es por semana; abriria as portas para imigrantes e refugiados. Eram \u201cfakes news\u201d. A \u201cp\u00f3s verdade\u201d: O \u201cBrexit\u201d ganhou e a Inglaterra sai da Uni\u00e3o Europeia;<\/li>\n<li>Na campanha de Trump se afirmava que Barack Obama era mu\u00e7ulmano; que o desemprego nos EUA estava na casa dos 42%; que o Papa Francisco apoiava sua candidatura. Tr\u00eas \u201cfake news\u201d. A \u201cp\u00f3s verdade\u201d: Trump ganha a elei\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<p>E, agora, em 17-03-2018, <em>The Observer<\/em> e <em>The New York Times<\/em> divulgaram <a href=\"http:\/\/www.dw.com\/pt-br\/facebook-sob-press%C3%A3o-ap%C3%B3s-esc%C3%A2ndalo-de-uso-de-dados\/a-43055575\">o esquema de coleta e venda de informa\u00e7\u00f5es<\/a> de mais de 50 milh\u00f5es de usu\u00e1rios do Facebook utilizadas pela empresa londrina <em>Cambridge Analytica<\/em> na campanha de Trump em 2016.<\/p>\n<p>No Brasil, a \u201cfake news\u201d mais emblem\u00e1tica: as \u201cpedaladas fiscais\u201d estourariam a d\u00edvida p\u00fablica. A \u201cp\u00f3s verdade\u201d: o impedimento da presidente Dilma Rousseff, em agosto de 2016.<\/p>\n<p>O fato real: um ano ap\u00f3s o t\u00e9rmino das \u201cpedaladas fiscais\u201d, em 2015, quando o d\u00e9ficit prim\u00e1rio atingiu R$ 115 bilh\u00f5es, o termo \u201cpedaladas fiscais\u201d sumiu do notici\u00e1rio por j\u00e1 ter cumprido seu objetivo pol\u00edtico. Na pr\u00e1tica, foi substitu\u00eddo por \u201cpermiss\u00e3o para gastar\u201d. O d\u00e9ficit prim\u00e1rio atinge R$ 154 bilh\u00f5es, em 2016, apesar do \u201cajuste\u201d, e a d\u00edvida p\u00fablica segue sua trajet\u00f3ria de alta para alegria oculta dos \u201crentistas\u201d e das altas finan\u00e7as.<\/p>\n<p><strong>Liberalismo \u00e9 \u201cfake ou bad\u201d?<\/strong><\/p>\n<p>O liberalismo foi definido como a ideologia p\u00f3s idade feudal e absolutismo real, em per\u00edodo conturbado que definiu a mudan\u00e7a da economia rural para a industrial.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, era o que representava avan\u00e7o da liberdade negocial em rela\u00e7\u00e3o ao controle absolutista. Jean Baptiste Say, em 1803, lan\u00e7a \u201cTratado de Economia Pol\u00edtica\u201d que, baseado em Adam Smith, cria a tese base do liberalismo: \u201cA oferta cria sua pr\u00f3pria procura\u201d. Baseado no livre com\u00e9rcio e refutando a presen\u00e7a de um Estado regulador, Say inferia que os empres\u00e1rios tinham percep\u00e7\u00e3o e conhecimento de suas demandas e, portanto, ao ofertar seus produtos manteriam a economia no pleno emprego, excluindo a possiblidade de superprodu\u00e7\u00e3o. Ele decretou na origem do capitalismo a impossibilidade de crises sist\u00eamicas (as flutua\u00e7\u00f5es c\u00edclicas t\u00edpicas do capitalismo), reduzindo-as a pequenas fric\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Assim era o esquema:<\/p>\n<p><strong>Oferta =&gt; Procura<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-94445\" src=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Screen-Shot-2018-06-02-at-15.57.54-1024x706.png\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"552\" srcset=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Screen-Shot-2018-06-02-at-15.57.54-1024x706.png 1024w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Screen-Shot-2018-06-02-at-15.57.54-300x207.png 300w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Screen-Shot-2018-06-02-at-15.57.54-768x529.png 768w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Screen-Shot-2018-06-02-at-15.57.54-130x90.png 130w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Screen-Shot-2018-06-02-at-15.57.54.png 1184w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, toda Renda seria gasta em Consumo ou ent\u00e3o poupada. A poupan\u00e7a ent\u00e3o seria canalizada necessariamente para o Investimento, mantendo a taxa de juros em equil\u00edbrio e a economia em plena utiliza\u00e7\u00e3o da capacidade. A teoria, mais do que verdade, era uma doutrina de f\u00e9 no capitalismo, um dogma, no qual se acredita no individualismo.<\/p>\n<p>De fato, no \u00e2mbito da microeconomia, o indiv\u00edduo diante de uma dada renda pode optar entre consumir ou poupar, mas n\u00e3o funciona para a Renda Nacional, que \u00e9 determinada tanto pelas decis\u00f5es de consumo como de investimento correntes, no contexto macroecon\u00f4mico, dos valores agregados. O investimento privado como sabemos \u00e9 uma vari\u00e1vel indefinida a priori, sendo at\u00e9 hoje uma inc\u00f3gnita sobre os reais fatores de sua determina\u00e7\u00e3o. Era pressuposto, ainda, que a moeda seria apenas para transa\u00e7\u00f5es de compra e venda de mercadorias e servi\u00e7os e como unidade de conta.<\/p>\n<p>Foi uma fase inicial gloriosa pouco contestada em fun\u00e7\u00e3o dos avan\u00e7os civilizat\u00f3rios do Iluminismo. No entanto, logo as imperfei\u00e7\u00f5es apareceram, principalmente no que se referia \u00e0s condi\u00e7\u00f5es adversas do fator trabalho.<\/p>\n<p>Mas a teoria\/dogma n\u00e3o resistiu \u00e0 Crise de 29, quando surgiu, diante do receio da quebra dos bancos e da defla\u00e7\u00e3o, a pr\u00e1tica de reter moedas em casa, mais seguro do que deixar aplicado em bancos duvidosos. At\u00e9 porque a moeda guardada se valorizava, fen\u00f4meno definido por Keynes como a \u201cprefer\u00eancia pela liquidez\u201d. A reten\u00e7\u00e3o da moeda acelerou a depress\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O Princ\u00edpio da Demanda Efetiva de Keynes e Kalecki:<\/strong><\/p>\n<p>O ingl\u00eas John Mainard Keynes (1883-1946) e o polon\u00eas Michal Kalecki (1899-1970) descreveram atrav\u00e9s dos seus trabalhos, nos primeiros anos da grande depress\u00e3o de 1930, o princ\u00edpio da Demanda Efetiva. Keynes, partindo dos cl\u00e1ssicos, e Kalecki, de Marx, chegaram ao ponto de contesta\u00e7\u00e3o do dogma de Say. Inverteram o sentido: n\u00e3o era a\u00a0<strong>Oferta<\/strong>\u00a0que determinava a\u00a0<strong>Procura<\/strong>\u00a0e, sim, o contr\u00e1rio. A\u00a0<strong>Demanda<\/strong>, que era a\u00a0<strong>vari\u00e1vel independente<\/strong>, que determinava a\u00a0<strong>Renda<\/strong>\u00a0e n\u00e3o era necessariamente a\u00a0<strong>Demanda\u00a0<\/strong>do<strong>\u00a0pleno<\/strong>\u00a0<strong>emprego<\/strong>\u00a0ou da\u00a0<strong>plena utiliza\u00e7\u00e3o da capacidade produtiva e<\/strong>\u00a0do\u00a0<strong>equil\u00edbrio geral<\/strong>\u00a0e autom\u00e1tico, mas sim a\u00a0<strong>Demanda Efetiva<\/strong>\u00a0(<strong>corrente<\/strong>)-<strong>DE<\/strong>, ou seja, o n\u00edvel de\u00a0<strong>gastos efetivamente ocorrido<\/strong>, em\u00a0c<strong>onsumo<\/strong>,\u00a0<strong>investimentos<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>gastos do governo<\/strong>.<\/p>\n<p>Em resumo, a\u00a0<strong>Demanda Efetiva <\/strong>(<strong>corrente<\/strong>)-<strong>DE<\/strong> somente ser\u00e1 igual a\u00a0<strong>Oferta <\/strong>(total dos produtos pass\u00edveis de serem produzidos)<strong>,<\/strong>\u00a0no caso espec\u00edfico do\u00a0<strong>pleno emprego<\/strong>. Na maioria dos casos, a\u00a0<strong>Demanda Efetiva (corrente)-DE<\/strong>\u00a0ou\u00a0<strong>Renda (corrente)\u00a0<\/strong>se dar\u00e1 abaixo do\u00a0<strong>pleno emprego<\/strong>\u00a0ou da\u00a0<strong>plena utiliza\u00e7\u00e3o da capacidade produtiva.<\/strong><\/p>\n<p>Isto foi revolucion\u00e1rio, pois, representou a quebra do dogma do Say e ratificou, teoricamente, as a\u00e7\u00f5es de interven\u00e7\u00e3o pelo Estado (<strong>gastos do governo<\/strong>) aplicadas por Vargas e Roosevelt.<\/p>\n<p>Assim resumindo, o sentido era que a\u00a0<strong>Demanda Efetiva<\/strong>\u00a0&#8211;<strong>DE<\/strong>, constitu\u00edda: do\u00a0<strong>consumo<\/strong>\u00a0dos indiv\u00edduos; do\u00a0<strong>investimento<\/strong>\u00a0e dos\u00a0<strong>gastos do governo<\/strong>, \u00e9 que determinava a\u00a0<strong>Renda<\/strong>\u00a0(<strong>Y<\/strong>) e n\u00e3o era a\u00a0<strong>Renda do pleno emprego<\/strong>\u00a0e da\u00a0<strong>plena<\/strong>\u00a0<strong>utiliza\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0<strong>da capacidade produtiva<\/strong>, ou seja, a\u00a0<strong>Oferta Total<\/strong>\u00a0&#8211;<strong>OT<\/strong>, como em Say:<\/p>\n<p><strong><em>DE ( = C + I +G) =&gt; Y<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Demanda Efetiva =&gt; Renda<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-94446\" src=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Screen-Shot-2018-06-02-at-15.59.11-1024x561.png\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"438\" srcset=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Screen-Shot-2018-06-02-at-15.59.11-1024x561.png 1024w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Screen-Shot-2018-06-02-at-15.59.11-300x164.png 300w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Screen-Shot-2018-06-02-at-15.59.11-768x421.png 768w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Screen-Shot-2018-06-02-at-15.59.11.png 1030w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Li\u00e7\u00f5es de Keynes e Kalecki:<\/strong><\/p>\n<p>Com a invers\u00e3o do sentido da lei de Say e a cria\u00e7\u00e3o, por Keynes e Kalecki, do princ\u00edpio da\u00a0<strong>Demanda Efetiva<\/strong>\u00a0(ou\u00a0<strong>Corrente<\/strong>) \u2013 <strong>DE,<\/strong> a partir do qual era poss\u00edvel a exist\u00eancia do equil\u00edbrio de curto-prazo fora do ponto do pleno emprego e da utiliza\u00e7\u00e3o da capacidade instalada, estava implantada a \u201cEra da Incerteza\u201d: contexto em que o empres\u00e1rio n\u00e3o conhece, a priori, de forma determin\u00edstica, seu mercado e n\u00e3o pode pr\u00e9-determinar sua produ\u00e7\u00e3o. Isto porque os indiv\u00edduos podem optar por consumir, e\/ou investir e\/ou reter moeda.<\/p>\n<p>Esta terceira op\u00e7\u00e3o faz toda a diferen\u00e7a. No contexto de Say, a\u00a0<strong>Produ\u00e7\u00e3o (Oferta Total<\/strong>) gerava a\u00a0<strong>Demanda<\/strong>. Ent\u00e3o o empres\u00e1rio j\u00e1 conhecia a parte da renda que os indiv\u00edduos consumiriam e o que poupariam. Qualquer desvio em rela\u00e7\u00e3o a esta situa\u00e7\u00e3o estabelecida significava que o consumidor optava por poupar mais, abrindo m\u00e3o do consumo presente pelo futuro, e dava uma indica\u00e7\u00e3o segura do aumento do consumo futuro.<\/p>\n<p>No mundo perfeito e dogm\u00e1tico de Say, os recursos excedentes poupados iriam para o mercado financeiro e for\u00e7ariam a queda da\u00a0<strong>taxa de juros de equil\u00edbrio,<\/strong>\u00a0o que incentivaria aquele mesmo empres\u00e1rio a investir aquele excedente no aumento de produ\u00e7\u00e3o para atender ao consumo futuro, restabelecendo o equil\u00edbrio. Ainda nesta situa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o existiria desemprego, pois o desempregado do setor de\u00a0<strong>produ\u00e7\u00e3o corrente<\/strong>\u00a0seria empregado no de\u00a0<strong>investimento<\/strong>. A exist\u00eancia da terceira op\u00e7\u00e3o, de reter\u00a0<strong>moeda <\/strong>(<strong>prefer\u00eancia pela liquidez<\/strong>), cria um equil\u00edbrio indesejado por n\u00e3o ocupar parte da\u00a0<strong>capacidade produtiva<\/strong>\u00a0e, portanto, com\u00a0<strong>desemprego<\/strong>, por outro lado, a reten\u00e7\u00e3o da moeda fora do\u00a0<strong>sistema financeiro de cr\u00e9dito<\/strong>\u00a0implicaria varia\u00e7\u00f5es dos\u00a0<strong>juros,<\/strong>\u00a0desestimulando\u00a0<strong>investimentos<\/strong>. No caso da <strong>DE<\/strong>, a\u00a0<strong>taxa de juros<\/strong>\u00a0n\u00e3o \u00e9 determinada pela intera\u00e7\u00e3o entre a\u00a0<strong>oferta<\/strong>\u00a0da\u00a0<strong>poupan\u00e7a<\/strong>\u00a0e a\u00a0<strong>procura<\/strong>\u00a0de recursos para\u00a0<strong>investimento<\/strong>\u00a0e, sim, pela\u00a0<strong>oferta monet\u00e1ria <\/strong>(<strong>ex\u00f3gena<\/strong>) e pela\u00a0<strong>prefer\u00eancia pela liquidez<\/strong>, ou seja, a taxa \u00e9 a recompensa pelo n\u00e3o entesouramento da moeda, ou a remunera\u00e7\u00e3o pelo aluguel do dinheiro.<\/p>\n<p>Resumidamente a\u00a0<strong>Demanda Efetiva-DE<\/strong> era composta, preponderantemente, pelo\u00a0<strong>consumo<\/strong>, o\u00a0<strong>investimento<\/strong>\u00a0e mais o\u00a0<strong>gasto l\u00edquido do governo<\/strong>\u00a0(<strong>d\u00e9ficit p\u00fablico<\/strong>):\u00a0<strong><em>C+I+G = Y<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p>Neste contexto, o\u00a0<strong>consumo <\/strong>era fun\u00e7\u00e3o da\u00a0<strong>Renda<\/strong>, mas o\u00a0<strong>investimento<\/strong>\u00a0e o\u00a0<strong>gasto do governo<\/strong>\u00a0eram aut\u00f4nomos, no sentido que dependia da vontade do empresariado e das autoridades governamentais. Na Crise de 1929, os empres\u00e1rios retra\u00edram os\u00a0<strong>investimentos<\/strong>\u00a0e pelo efeito \u201c<strong>desmultiplicador (desacelerador)\u201d<\/strong>\u00a0da\u00a0<strong>renda<\/strong>, a recess\u00e3o se aprofundou celeremente. Ent\u00e3o, Keynes e Kalecki alegavam que s\u00f3 restava ao Governo ocupar aquele espa\u00e7o, criando\u00a0<strong>gastos<\/strong>\u00a0 e gerando\u00a0<strong>empregos<\/strong>. Estes\u00a0<strong>gastos<\/strong>\u00a0provocariam um efeito\u00a0<strong>multiplicador<\/strong>\u00a0positivo e incentivariam o empresariado a retomar seus investimentos, fazendo a economia avan\u00e7ar sobre a\u00a0<strong>capacidade ociosa<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Investimentos em Keynes e Kalecki:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Investimento<\/strong>, juntamente com os\u00a0<strong>gastos do governo,<\/strong>\u00a0s\u00e3o as\u00a0<strong>vari\u00e1veis aut\u00f4nomas (ex\u00f3genas)<\/strong>\u00a0da equa\u00e7\u00e3o Keynesiana\/Kaleckiana e s\u00e3o respons\u00e1veis pela determina\u00e7\u00e3o da\u00a0<strong>Demanda Efetiva,<\/strong>\u00a0da\u00a0<strong>Renda,<\/strong>\u00a0do\u00a0<strong>consumo<\/strong>, do\u00a0<strong>n\u00edvel do emprego<\/strong>\u00a0e da economia.<\/p>\n<p><strong>Investimentos geram poupan\u00e7a:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Investimento<\/strong>, em sua caracter\u00edstica aut\u00f4noma, n\u00e3o necessita de\u00a0<strong>poupan\u00e7a pr\u00e9via<\/strong>, como querem os economistas ortodoxos, os empres\u00e1rios se utilizam al\u00e9m dos pr\u00f3prios lucros de per\u00edodos anteriores e da reserva financeira pr\u00f3pria, dos empr\u00e9stimos banc\u00e1rios resultado de cr\u00e9dito criado a partir do lastro de aplica\u00e7\u00f5es de outras empresas l\u00edquidas intermediados pelo sistema financeiro.<\/p>\n<p>O gasto em\u00a0<strong>investimento<\/strong>\u00a0gera efeitos positivos \u2013\u00a0<strong>o primeiro:<\/strong> \u00a0<strong>gasto prim\u00e1rio<\/strong>, de forma horizontal, na compra direta de\u00a0<strong>bens e servi\u00e7os<\/strong>, na\u00a0<strong>contrata\u00e7\u00e3o da m\u00e3o-de-obra<\/strong>\u00a0e na\u00a0<strong>compra de bens de capital<\/strong>;\u00a0<strong>o segundo:<\/strong>\u00a0deriva do primeiro que s\u00e3o os empres\u00e1rios do setor de\u00a0<strong>bens capital<\/strong>\u00a0efetuando suas compras de bens e servi\u00e7os e os trabalhadores contratados consumindo e\u00a0<strong>por \u00faltimo:<\/strong>\u00a0na forma vertical, ou seja, na\u00a0<strong>matura\u00e7\u00e3o do investimento<\/strong>, pelo\u00a0<strong>aumento da capacidade<\/strong>. Assim, o\u00a0<strong>gasto<\/strong>\u00a0gera um\u00a0<strong>efeito multiplicador<\/strong>\u00a0\u2013 mais do que proporcional ao que foi realizado -, na\u00a0<strong>DE<\/strong>. O\u00a0<strong>investimento<\/strong>\u00a0\u00e9, portanto, a vari\u00e1vel chave da\u00a0<strong>Renda<\/strong>. Entretanto,\u00a0<strong>o determinante dos<\/strong>\u00a0<strong>investimentos<\/strong>\u00a0ainda \u00e9 uma inc\u00f3gnita na teoria econ\u00f4mica. A imprevisibilidade dos\u00a0<strong>investimentos<\/strong>\u00a0e a\u00a0<strong>incerteza\u00a0<\/strong>(a distribui\u00e7\u00e3o probabil\u00edstica dos\u00a0<strong>gastos dos consumidores<\/strong>\u00a0n\u00e3o \u00e9 conhecida) explicam as flutua\u00e7\u00f5es e os ciclos econ\u00f4micos.<\/p>\n<p>Portanto, a presen\u00e7a do Estado Forte, como a\u00e7\u00e3o indutora e complementar aos\u00a0<strong>investimentos<\/strong>, colabora para reduzir a volatilidade. Assim, veremos que a partir da moderna\u00a0<strong>Teoria das Finan\u00e7as Funcionais<\/strong>, a participa\u00e7\u00e3o do Estado na Economia, liberto de todos os preconceitos ortodoxos, torna-se o principal instrumento para induzir\u00a0<strong>investimento<\/strong>\u00a0para levar e\/ou manter a Economia no\u00a0<strong>Pleno Emprego<\/strong>. Para as Economias em Desenvolvimento, o Estado ter\u00e1 uma dupla fun\u00e7\u00e3o:\u00a0<strong>induzir investimento<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>participar da estrutura produtiva<\/strong>\u00a0para acelerar a cria\u00e7\u00e3o de\u00a0<strong>capacidade produtiva<\/strong>\u00a0e criar um atalho rumo ao\u00a0<strong>pleno emprego dos fatores de produ\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Li\u00e7\u00f5es de Keynes e Kalecki \u2013 Resumo:<\/strong><\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o \u00e9 conhecido o determinante-chave do\u00a0<strong>Investimento<\/strong>;<\/p>\n<p>A instabilidade do\u00a0<strong>Investimento<\/strong>\u00a0provoca volatilidade e ciclos econ\u00f4micos;<\/p>\n<p><strong>Investimentos<\/strong> geram sua poupan\u00e7a ex-post e<\/p>\n<p><strong>Gastos do Governo<\/strong>\u00a0compensam a instabilidade do\u00a0<strong>Investimento<\/strong>\u00a0e estabilizam a\u00a0<strong>Renda<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Teoria das Finan\u00e7as Funcionais e a Crise de 2008<\/strong><\/p>\n<p>A crise de 2008, confirmou a Teoria de Hip\u00f3tese de Instabilidade Financeira de Hyman Minsky \u2013 <strong>HIF<\/strong>. Minsky, era aluno de Abba Lerner que foi aluno de Keynes, todos adeptos da interven\u00e7\u00e3o do Governo na economia para lev\u00e1-la ao pleno emprego.<\/p>\n<p>Os criadores das <strong>Finan\u00e7as Funcionais, <\/strong>desenvolveram uma ant\u00edtese \u00e0s Finan\u00e7as Saud\u00e1veis do Liberais, seus controles das finan\u00e7as p\u00fablicas e a falsa tese do Estado M\u00ednimo.<\/p>\n<p>Na verdade, Finan\u00e7as Funcionais, tanto reafirma a <strong>DE,<\/strong> de Keynes\/Kalecki, como refor\u00e7a a atua\u00e7\u00e3o do Estado como vari\u00e1vel chave definidora do rumo da economia. Mas <strong>Finan\u00e7as Funcionais <\/strong>adiciona mais uma caracter\u00edstica revolucion\u00e1ria<strong>: <\/strong>\u00e9 o papel do Estado como<strong> Empregador de \u00daltima Inst\u00e2ncia \u2013 EUI- <\/strong>um programa de emprego de qualquer trabalhador por um sal\u00e1rio determinado. Lerner e Minsky rejeitavam a exist\u00eancia do chamado \u201cex\u00e9rcito de reserva de trabalhadores\u201d. Para eles manter trabalhadores desempregados era imoral!<\/p>\n<p>Tr\u00eas m\u00e1ximas norteiam as Finan\u00e7as Funcionais ao inverso do liberalismo:<\/p>\n<ol>\n<li>Gastos P\u00fablicos antecedem aos Impostos;<\/li>\n<li>A principal fun\u00e7\u00e3o dos Impostos, n\u00e3o \u00e9 para financiar os Gastos P\u00fablicos, mas, sim, para dar signific\u00e2ncia \u00e0 moeda nacional, j\u00e1 que Impostos s\u00e3o pagos pela moeda nacional;<\/li>\n<li>Desemprego \u00e9 imoral, tem que ser eliminado!<\/li>\n<\/ol>\n<p>Entendem que as pol\u00edticas monet\u00e1rias e fiscais efetuadas pelo Estado atendem ao objetivo do Pleno Emprego.<\/p>\n<p>Para tanto, o papel do Estado \u00e9:<\/p>\n<p>1- No setor monet\u00e1rio, papel de <strong>\u201cGrande Banco\u201d<\/strong>:<\/p>\n<p>Uma vez que o Estado \u00e9 emissor da moeda nacional, \u00e9 sua fun\u00e7\u00e3o acompanhar o sistema financeiro, evitar o excesso do endividamento privado causador de crises sist\u00eamicas, adequar a liquidez, acompanhar o n\u00edvel dos valores dos ativos a fim de evitar forma\u00e7\u00e3o de bolhas especulativas, manter os juros do interbanc\u00e1rio no n\u00edvel determinado e, no limite, atuar como emprestador de \u00faltima inst\u00e2ncia.<\/p>\n<p>2- No setor fiscal, papel de <strong>\u201cGrande Governo\u201d:<\/strong><\/p>\n<p>No setor fiscal, o Estado, atrav\u00e9s de seu poder discricion\u00e1rio, pode efetivar gastos p\u00fablicos e, via tributa\u00e7\u00e3o distributiva e justa, alcan\u00e7ar o pleno emprego, sem restri\u00e7\u00f5es aos gastos de transfer\u00eancias, subs\u00eddios e utilizar d\u00e9ficits planejados al\u00e9m do sistema de empregador de \u00faltima inst\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Minsky, falecido em 1996, n\u00e3o presenciou a quebra dos grandes bancos, quando o <strong>\u201cGrande Banco\u201d <\/strong>e o<strong> \u201cGrande Governo\u201d<\/strong> soltaram dinheiro a rodo como emprestadores de \u00faltima inst\u00e2ncia para minorar a crise sist\u00eamica. Confirmou-se sua tese <strong>HIF<\/strong>, na qual constatava que no mundo globalizado e auto-regulado convivem tr\u00eas situa\u00e7\u00f5es para as firmas:<\/p>\n<p><strong>Hedge<\/strong> \u2013 empresas que t\u00eam situa\u00e7\u00e3o de caixa para liquidarem seus passivos;<\/p>\n<p><strong>Especulativas <\/strong>\u2013 empresas que t\u00eam liquidez para pagarem os juros e rolarem o principal;<\/p>\n<p><strong>Ponzi<\/strong> \u2013 empresas que dependem da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de liquidez e taxas de juros moderadas para rolarem suas d\u00edvidas.<\/p>\n<p>Conforme cada situa\u00e7\u00e3o das firmas na composi\u00e7\u00e3o do sistema econ\u00f4mico, \u00e9 necess\u00e1ria a atua\u00e7\u00e3o preventiva por pol\u00edticas monet\u00e1rias e fiscais do <strong>\u201cGrande Governo\/Grande Banco\u201d<\/strong>, exatamente o que n\u00e3o ocorreu em 2007\/2008, quando a \u00f3tica neoliberal impediu a interven\u00e7\u00e3o pr\u00e9via governamental (filosofia da autorregular\u00e3o do mercado).<\/p>\n<p><strong>O Sistema Privado \u00e9 mais eficiente do que o Estado?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Efici\u00eancia X Efic\u00e1cia<\/strong><\/p>\n<p>O sistema privado, no seu conjunto, \u00e9, de fato eficiente, principalmente, na produ\u00e7\u00e3o de mercadorias.<\/p>\n<p>Entretanto, existe um sofisma em rela\u00e7\u00e3o a isto: quando nos referimos ao \u201csistema\u201d, estamos falando do conceito de conjunto ou a setores, n\u00e3o da \u201cempresa isolada\u201d. Neste caso, se a empresa isolada ou alguns setores podem ser eficientes, outros podem n\u00e3o ser. E a\u00ed temos in\u00fameros exemplos de empresas e setores eficientes e ineficientes.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o \u00e9 entender o significado da\u00a0<strong><em>Efici\u00eancia<\/em><\/strong>. Realmente, a efici\u00eancia tem uma conota\u00e7\u00e3o de curto prazo (t\u00e1tica) e esfor\u00e7o focado no objetivo imediato de qualquer empreendimento no sistema capitalista: lucro, n\u00e3o levando em considera\u00e7\u00e3o efeitos colaterais do esfor\u00e7o desprendido a m\u00e9dio e longo prazos. \u00c9 da natureza do sistema privado e do capitalismo ser eficiente, produtivo e acumulativo. Desde a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, o capitalismo aumentou geometricamente a produ\u00e7\u00e3o mundial de bens e servi\u00e7os. Entretanto, ao longo deste per\u00edodo, tamb\u00e9m foi da compet\u00eancia do \u201ccapitalismo e do livre mercado\u201d todo o imenso passivo ambiental (efeito estufa, destrui\u00e7\u00e3o da biodiversidade, polui\u00e7\u00e3o generalizada), a deteriora\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es trabalhistas e exclus\u00e3o social, cujo aumento exponencial verificamos nestes \u00faltimos tempos de globaliza\u00e7\u00e3o e neoliberalismo.<\/p>\n<p>Por exemplo: deixado livre, o mercado de madeira seria eficiente a ponto de extinguir rapidamente todo o cintur\u00e3o verde equatorial mundial e as reservas naturais da flora e da fauna, como aconteceu com as florestas norte-americanas.<\/p>\n<p>Em geral, as efici\u00eancias de setores privados, em \u00e1reas de Servi\u00e7os de Utilidade P\u00fablica ou de longa dura\u00e7\u00e3o, n\u00e3o resistem a um per\u00edodo de mais longo prazo. S\u00e3o conhecidos os exemplos: fracassos de planos de complementa\u00e7\u00e3o de renda (complementar da aposentadoria) ou de cons\u00f3rcios que quebram, ou das empresas privatizadas, alvos constantes de reclama\u00e7\u00f5es aqui e no mundo, al\u00e9m da situa\u00e7\u00e3o de incerteza dos idosos, detentores de planos de sa\u00fade, sobre sua solv\u00eancia e continuidade. No prisma internacional, os exemplos foram significativos: empresas a\u00e9reas, ap\u00f3s o \u201c11 de setembro de 2001\u201d, e a banca financeira privada e a GM, onde o Estado Americano interveio em 2008 para mant\u00ea-las \u201cvivas\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 o Estado, por ser uma entidade permanente (embora nem sempre tenha existido e, certamente, um dia poder\u00e1 at\u00e9 acabar), atua no campo da\u00a0<strong><em>Efic\u00e1cia<\/em><\/strong>\u00a0\u2013 conceito de longa dura\u00e7\u00e3o (estrat\u00e9gia).<\/p>\n<p>O Estado, por ter a prerrogativa de captador de rendas, emissor de meio circulante, al\u00e9m de indutor e criador de rendas pela sua capacidade de investir ou induzir investimentos, \u00e9 sempre eficaz no longo prazo e fundamental na solu\u00e7\u00e3o dos riscos sist\u00eamicos. \u00c9 conhecida sua atua\u00e7\u00e3o antic\u00edclica nas crises capitalistas, sendo os mais expressivos exemplos: \u201ca queima de caf\u00e9\u201d por Vargas; o \u201cNew Deal\u201d de Roosevelt; e, na crise de 2008, atuando como emprestador de \u00faltima inst\u00e2ncia resgatando da quebra em s\u00e9rie os grandes bancos privados.<\/p>\n<p>No Brasil, em agosto de 2008, um m\u00eas antes da crise, membros da Associa\u00e7\u00e3o de Funcion\u00e1rios do BNDES &#8211; AFBNDES, baseados no aparato te\u00f3rico das Finan\u00e7as Funcionais lan\u00e7aram em seu informativo V\u00ednculo a tese: \u201c<a href=\"http:\/\/www.vinc.afbndes.org.br\/seriebndes\/circulo\/circulo2.htm\">BNDES-TESOURO: por uma Pol\u00edtica Monet\u00e1ria de Longo Prazo<\/a>\u201d.<\/p>\n<p>Em janeiro de 2009, o BNDES recebe recursos do Governo e junto do BB e da CEF tiram o pa\u00eds da crise! O primeiro pa\u00eds a se livrar da situa\u00e7\u00e3o complexa saindo de um crescimento de 0 para 7% em 2010!<\/p>\n<p>Mas, por outro lado, o Estado brasileiro tamb\u00e9m \u00e9 reconhecido por sua efic\u00e1cia em criar renda para \u201crentistas\u201d. Ent\u00e3o, no Brasil, n\u00e3o se trata de inefici\u00eancia do Estado. Na verdade, ele tem sido eficaz e competente, ao longo dos \u00faltimos 36 anos, em transferir renda para o setor hegem\u00f4nico: o capital financeiro, cuja estrutura ideol\u00f3gica fundamental \u00e9 a defesa do \u201cEstado M\u00ednimo\u201d, o que abre m\u00e3o de investir em servi\u00e7os essenciais \u00e0 popula\u00e7\u00e3o (sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a, gera\u00e7\u00e3o de empregos, etc.) para restringir-se aos ganhos do capital financeiro; portanto, n\u00e3o se trata de um problema t\u00e9cnico, mas sim\u00a0<strong><em>pol\u00edtico<\/em><\/strong><em>!<\/em><\/p>\n<p>No mundo, a tese do <strong>Grande Banco<\/strong> e do <strong>Grande Governo<\/strong>, de Minsky das Finan\u00e7as Funcionais salva o mundo da crise financeira especulativa. Ou seja, mais uma vez o Estado (M\u00ednimo?), como em 1929, interv\u00e9m, reduzindo a tese do liberalismo\/neoliberalismo, novamente, a uma \u201cfake news\u201d.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, o que acontece: o poder financeiro, recuperado pelo velho Estado, reconstitui o edif\u00edcio do liberalismo!<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p><strong>E a \u201cbad news\u201d do liberalismo?<\/strong><\/p>\n<p>Essa deixamos por conta de Dani Rodrik: \u201c<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/574765-o-neoliberalismo-e-uma-perversao-da-economia-dominante-artigo-de-dani-rodrick\">O neoliberalismo \u00e9 uma pervers\u00e3o da economia dominante<\/a>\u201d (12\/dez\/2017)<\/p>\n<p>_________________<\/p>\n<p><strong>Gustavo Galv\u00e3o dos Santos<\/strong> \u2013 Doutor em economia pela UFRJ, economista do BNDES licenciado, assessor parlamentar, comentarista de economia do Duplo Expresso<\/p>\n<p><strong>Rog\u00e9rio Lessa Benemond<\/strong> \u2013 jornalista da Associa\u00e7\u00e3o dos Engenheiros da Petrobras-AEPET<\/p>\n<p><strong>Helio Pires da Silveira<\/strong> \u2013 Economista aposentado do BNDES<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Estado, por ter a prerrogativa de captador de rendas, emissor de meio circulante, al\u00e9m de indutor e criador de rendas pela sua capacidade de investir ou induzir investimentos, \u00e9 sempre eficaz no longo prazo e fundamental na solu\u00e7\u00e3o dos riscos sist\u00eamicos. \u00c9 conhecida sua atua\u00e7\u00e3o antic\u00edclica nas crises capitalistas, sendo exemplos expressivos \u201ca queima de caf\u00e9\u201d por Vargas e o \u201cNew Deal\u201d de Roosevelt.<br \/>\nNa crise de 2008, a interven\u00e7\u00e3o do Estado &#8211; resgatando da quebra em s\u00e9rie os grandes bancos privados &#8211; salva o mundo do colapso financeiro especulativo. 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