{"id":92866,"date":"2018-04-29T12:33:43","date_gmt":"2018-04-29T15:33:43","guid":{"rendered":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=92866"},"modified":"2018-04-29T12:38:14","modified_gmt":"2018-04-29T15:38:14","slug":"por-que-a-europa-teme-as-novas-rotas-da-seda-patrocinadas-pela-china","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=92866","title":{"rendered":"Por que a Europa teme as &#8220;Novas Rotas da Seda&#8221; patrocinadas pela China"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por que a Europa teme as &#8220;Novas Rotas da Seda&#8221;<\/strong><br \/>\nPor Pepe Escobar, no\u00a0<em><a href=\"http:\/\/www.atimes.com\/article\/why-europe-is-afraid-of-the-new-silk-roads\/&quot; \\t &quot;_blank\">As<\/a><a href=\"http:\/\/www.atimes.com\/article\/why-europe-is-afraid-of-the-new-silk-roads\/&quot; \\t &quot;_blank\">i<\/a><a href=\"http:\/\/www.atimes.com\/article\/why-europe-is-afraid-of-the-new-silk-roads\/&quot; \\t &quot;_blank\">a<\/a><a href=\"http:\/\/www.atimes.com\/article\/why-europe-is-afraid-of-the-new-silk-roads\/&quot; \\t &quot;_blank\"> Times<\/a><\/em><br \/>\n25\/4\/2018<br \/>\nTraduzido pelo coletivo Vila Vudu<\/p>\n<p><strong>Entreouvido na Vila Vudu:<\/strong><br \/>\nEnquanto Temer, o Usurpador, destr\u00f3i o Brasil e discursa a favor de &#8220;livre com\u00e9rcio&#8221; [s\u00f3 rindo!] com a direita chilena, a China constr\u00f3i pontes, estradas, portos, estaleiros, conex\u00f5es\u00a0<em>high-tec<\/em>\u00a0e \u2013<br \/>\ncomo no verso do grande\u00a0<a href=\"http:\/\/www.jornaldepoesia.jor.br\/joao02.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto \u2013 &#8220;tece uma manh\u00e3&#8221;.<\/a><br \/>\n_________________________________________________________<\/p>\n<p>Come\u00e7ou como um esc\u00e2ndalo de pequenas propor\u00e7\u00f5es \u2013 considerando-se o ciclo de notici\u00e1rio p\u00f3s-verdade, 24 horas, sete dias por semana. Dos 28 embaixadores de pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia em Pequim, 27 \u2013 \u00fanica exce\u00e7\u00e3o foi a Hungria \u2013 assinaram um documento interno em que criticam as Novas Rotas da Seda como amea\u00e7a n\u00e3o transparente ao livre com\u00e9rcio, que supostamente favoreceriam conglomerados chineses e a concorr\u00eancia n\u00e3o equ\u00e2nime.<\/p>\n<p>O documento\u00a0<a href=\"https:\/\/global.handelsblatt.com\/politics\/eu-ambassadors-beijing-china-silk-road-912258\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">foi vazado<\/a>\u00a0primeiro para o respeitado jornal do empresariado alem\u00e3o\u00a0<em>Handelsblatt<\/em>. Diplomatas da Uni\u00e3o Europeia em Bruxelas confirmaram para\u00a0<em>Asia Times<\/em>\u00a0a exist\u00eancia do documento. At\u00e9 que o Minist\u00e9rio de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da China acalmou a turbul\u00eancia, dizendo que Bruxelas j\u00e1 explicara tudo.<\/p>\n<p>Na verdade, trata-se de nuances. Quem conhe\u00e7a o quanto a eurocr\u00e1tica Bruxelas \u00e9 disfuncional sabe que n\u00e3o h\u00e1 pol\u00edtica comum da Uni\u00e3o Europeia para a China \u2013 e, por falar disso, a UE\u00a0tampouco\u00a0tem pol\u00edtica para a R\u00fassia.<\/p>\n<p>O documento interno menciona o quanto a China, pelas Novas Rotas da Seda, ou Iniciativa Cintur\u00e3o e Estrada (ICE) est\u00e1 &#8220;perseguindo objetivos pol\u00edticos dom\u00e9sticos como a redu\u00e7\u00e3o do excesso de capacidade, a cria\u00e7\u00e3o de novos mercados de exporta\u00e7\u00e3o e salvaguardando o acesso a mat\u00e9rias primas.&#8221;<\/p>\n<p>Claro que h\u00e1 pensamento chin\u00eas e argumentos autoevidentes incorporados na ICE, e desde o in\u00edcio \u2013 e Pequim jamais negou que houvesse. Afinal, o pr\u00f3prio conceito foi aventado pela primeira vez dentro do Minist\u00e9rio do Com\u00e9rcio, muito antes do an\u00fancio oficial pelo presidente Xi Jinping em Astana e Jakarta em 2013.<\/p>\n<p>As percep\u00e7\u00f5es do que seja a ICE variam conforme quase incont\u00e1veis latitudes. A Europa Central e a Europa Oriental s\u00e3o mais entusiasmadas \u2013 porque a ICE \u00e9 sin\u00f4nimo de projetos de infraestrutura muit\u00edssimo necess\u00e1rios. Gr\u00e9cia e It\u00e1lia tamb\u00e9m, como noticiou\u00a0<em>Asia Times<\/em>. Portos ao norte, como Hamburg e Rotterdam est\u00e3o realmente configurados como terminais da ICE. A Espanha est\u00e1 muito interessada nos dias vindouros, quando o trem de carga de Yiwu a Madrid rolar\u00e1 sobre trilhos para alta velocidade.<\/p>\n<p>Na ess\u00eancia, tudo se resume a empresas de algumas na\u00e7\u00f5es espec\u00edficas da Uni\u00e3o Europeia que querem decidir o pr\u00f3prio grau de integra\u00e7\u00e3o ao que Raymond Yeung, economista-chefe para a China de\u00a0<em>Australia and New Zealand Banking Group Limited (ANZ)<\/em>, descreve como &#8220;o maior experimento econ\u00f4mico da hist\u00f3ria moderna.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Aten\u00e7\u00e3o a esses engenheiros chineses<br \/>\n<\/strong> O caso da Fran\u00e7a \u00e9 emblem\u00e1tico. O presidente Emmanuel Macron \u2013 atualmente em ofensiva massiva de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas para se autocoroar Rei (n\u00e3o oficial) da Europa \u2013 na verdade elogiou a ICE quando visitou a China no in\u00edcio do ano.<\/p>\n<p>Mas, como sempre acontece, a nuan\u00e7a n\u00e3o falta: &#8220;Afinal de contas, as antigas Rotas da Seda jamais foram exclusivamente chinesas&#8221; \u2013 disse Macron em Xian, no Pal\u00e1cio Daming, resid\u00eancia da dinastia Tang, poderoso pilar das Rotas das Sedas por mais de 200 anos. \u2013 &#8220;Essas rotas&#8221;, Macron continuou, &#8220;n\u00e3o podem ser vias de uma nova hegemonia, que transformaria em vassalos os pa\u00edses pelos quais elas cruzam.&#8221;<\/p>\n<p>Quer dizer: Macron j\u00e1 se preposicionava para dirigir as rela\u00e7\u00f5es Uni\u00e3o Europeia-China noutra dire\u00e7\u00e3o, para longe e al\u00e9m da preocupa\u00e7\u00e3o n\u00famero 1 da Uni\u00e3o Europeia: o modo como os chineses jogam o jogo de com\u00e9rcio\/investimento no exterior.<\/p>\n<p>Macron falou muito a favor de a burocracia da Comiss\u00e3o Europeia endurecer as regras anti-<em>dumping<\/em>\u00a0contra as importa\u00e7\u00f5es chinesas de a\u00e7o, e para for\u00e7ar que a Uni\u00e3o Europeia examine todas as fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es em setores estrat\u00e9gicos, principalmente as que tenham a ver com a China.<\/p>\n<p>Paralelamente, virtualmente todas as na\u00e7\u00f5es da Uni\u00e3o Europeia \u2013 n\u00e3o s\u00f3 a Fran\u00e7a \u2013 querem maior acesso ao mercado chin\u00eas. Macron tenta mostra otimismo e repete o mantra \u2013 &#8220;A Europa voltou&#8221; \u2013 em termos de competitividade, que mal encobre o medo primordial de que padece a Europa: a evid\u00eancia de que \u00e9 a China que pode estar ficando competitiva demais.<\/p>\n<p>A ICE, para Pequim, tem tudo a ver com geopol\u00edtica, mas principalmente com proje\u00e7\u00e3o geoecon\u00f4mica \u2013 incluindo a promo\u00e7\u00e3o de novos padr\u00f5es e normas globais que podem n\u00e3o ser exatamente as praticadas pela Uni\u00e3o Europeia. E isso nos leva ao cora\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria, que n\u00e3o se l\u00ea no relat\u00f3rio interno vazado: a intersec\u00e7\u00e3o entre a Iniciativa Cintur\u00e3o e Estrada e\u00a0<em><a href=\"http:\/\/www.atimes.com\/article\/even-trade-war-wont-derail-made-china-2025\/&quot; \\t &quot;_blank\">Made<\/a><a href=\"http:\/\/www.atimes.com\/article\/even-trade-war-wont-derail-made-china-2025\/&quot; \\t &quot;_blank\"> in China: 2025<\/a><\/em>.<\/p>\n<p>Pequim est\u00e1 dedicada a se tornar um dos l\u00edderes globais no campo da alta tecnologia em menos de sete anos.\u00a0<em>Made in China: 2025<\/em>\u00a0identificou 10 setores \u2013 incluindo Intelig\u00eancia Artificial, rob\u00f3tica, aeroespa\u00e7o, carros e navios e estaleiros verdes \u2013 como priorit\u00e1rios.<\/p>\n<p>O com\u00e9rcio bilateral China-Alemanha, que ano passado chegou a 187 bilh\u00f5es de euros, \u00e9 muito maior que China-Fran\u00e7a e China-GB, cada um desses em 70 bilh\u00f5es de euros. E, sim, Berlin est\u00e1 preocupada.\u00a0<em>Made in China: 2025<\/em>\u00a0representa significativa &#8220;amea\u00e7a&#8221; a empresas alem\u00e3s\u00a0<em>top<\/em>\u00a0que produzem bens de alta qualidade.<\/p>\n<p>Tudo isso pode virar passado, se a China compra quantidades estonteantes de maquin\u00e1rio alem\u00e3o \u2013 mais os inevit\u00e1veis BMWs e Audis. O novo normal aponta para um ex\u00e9rcito de companhias chinesas escalando em alt\u00edssima velocidade a cadeia do valor agregado.<\/p>\n<p>Como disse \u00e0 Reuters o presidente executivo da Bauer, Thomas Bauer: &#8220;[Rivalidade com a China] n\u00e3o ser\u00e1 disputa contra copistas. Ser\u00e1 disputa contra engenheiros inovadores.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Navegar a economia azul<\/strong><br \/>\nO relat\u00f3rio\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ecfr.eu\/publications\/summary\/blue_china_navigating_the_maritime_silk_road_to_europe\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Blue China: Navigating the Maritime Silk Road to Europe<\/em><\/a><em>\u00a0<\/em>[(ing.) China azul: pela Rota Mar\u00edtima da Seda para a Europa\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cimentoitambe.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Rota-da-seda.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">(mapa)<\/a>] expande, de modo muito \u00fatil, o objeto do debate, apontando para como o desenvolvimento da Rota Mar\u00edtima da Seda pode vir a ser ainda mais crucialmente importante que os corredores de conectividade por terra.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio observa o quanto a Rota Mar\u00edtima da Seda j\u00e1 afeta a Uni\u00e3o Europeia em termos de com\u00e9rcio mar\u00edtimo e constru\u00e7\u00e3o de navios, e faz algumas perguntas sobre a presen\u00e7a global da Marinha de Liberta\u00e7\u00e3o Popular. Recomenda que a Uni\u00e3o Europeia &#8220;acompanhe a economia azul da China, como um motor de crescimento e produ\u00e7\u00e3o de riqueza, e encoraje a inova\u00e7\u00e3o, para responder as bem financiadas pol\u00edticas industriais e de Pesquisa &amp; Desenvolvimento chinesas.&#8221;<\/p>\n<p>A &#8220;economia azul&#8221; aparece fortemente em\u00a0<em>Made in China: 2025<\/em>\u00a0\u2013, especialmente em termos de inova\u00e7\u00e3o na infraestrutura de portos e carga\/descarga. A ideia central, do ponto de vista de Pequim, \u00e9 sempre cortar custos no com\u00e9rcio mar\u00edtimo \u2013 mas isso, claro, sempre depender\u00e1 de se os pre\u00e7os do petr\u00f3leo continuar\u00e3o a subir, como esperam a OPEP e R\u00fassia.<\/p>\n<p>Hoje, a burocracia da Uni\u00e3o Europeia tem de estar temerosa, sentindo a possibilidade de acabar prensada entre uma China\u00a0<em>high-tech<\/em>\u00a0e &#8220;EUA em primeiro lugar&#8221;, de Trump. E at\u00e9 a\u00ed ainda nem se leva em conta o inevit\u00e1vel choque geoestrat\u00e9gico entre a Iniciativa Cintur\u00e3o e Estrada e o &#8220;Indo-Pac\u00edfico livre e aberto&#8221; a ser administrado, em teoria, por EUA, Jap\u00e3o, \u00cdndia e Austr\u00e1lia; mais uma patrulha glamourizada no Mar do Sul da China que algum vasto projeto de integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da Eur\u00e1sia.<\/p>\n<p>Em julho acontecer\u00e1 uma reuni\u00e3o de c\u00fapula Uni\u00e3o Europeia-China, e adiante, no segundo semestre, uma c\u00fapula Alemanha-China. Voar\u00e3o fa\u00edscas nada transparentes.<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p><strong>EXTRA:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Corpo de Guardi\u00e3es da Revolu\u00e7\u00e3o Isl\u00e2mica: no L\u00edbano em 1983, hoje na S\u00edria<br \/>\n<\/strong> 28\/4\/2018,\u00a0<a href=\"https:\/\/ejmagnier.com\/2018\/04\/28\/les-usa-ont-besoin-dun-iran-fort-presents-au-liban-en-1983-les-gardiens-de-la-revolution-islamique-sont-aujourdhui-en-syrie\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Elijah J. Magnier Blog<\/em><\/a>\u00a0[trad. \u00e1r.-franc\u00eas de Daniel G., aqui retraduzida pelo coletivo Vila Vudu]<\/p>\n<p>Os EUA t\u00eam necessidade de um Ir\u00e3 forte, do qual se servem continuadamente como espantalho, para fazer medo aos pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio, principalmente \u00e0 Ar\u00e1bia Saudita, aos Emirados e ao Bahrein. O objetivo \u00e9 fazer medo a esses pa\u00edses do Golfo, para vender armas\u00a0<em>Made in USA<\/em>, assim convertendo o Oriente M\u00e9dio em vasto mercado para as armas norte-americanas.<\/p>\n<p>Fontes diplom\u00e1ticas confirmam que o Ir\u00e3 jamais declarou guerra \u00e0 Ar\u00e1bia Saudita nem a qualquer outro pa\u00eds no Oriente M\u00e9dio \u2013 \u00fanica exce\u00e7\u00e3o \u00e9 Israel. O mundo inteiro sabe que Israel teve a iniciativa dos ataques, ao assassinar f\u00edsicos nucleares especialistas do programa nuclear, ao violar os espa\u00e7os a\u00e9reos liban\u00eas e s\u00edrio e, bem recentemente, ao bombardear o centro de comando e controle iraniano na base T4 (utilizada no combate contra os jihadistas), ataque que resultou na morte de sete oficiais iranianos.<\/p>\n<p>Desde o evento da Revolu\u00e7\u00e3o Isl\u00e2mica de 1979, o\u00a0<em>establishment<\/em>\u00a0dos EUA precisa de um inimigo fantasma, do qual se servem para amea\u00e7ar o pa\u00edses ricos do Golfo. A compra de armas norte-americanas por esses pa\u00edses tem pesadas repercuss\u00f5es sobre a economia dos EUA e lhes assegura importante fonte de renda. Tudo isso repousa sobre a capacidade do Ir\u00e3 para se manter fora da \u00f3rbita da domina\u00e7\u00e3o dos EUA, j\u00e1 h\u00e1 quatro anos.<\/p>\n<p>O Ir\u00e3 age com prud\u00eancia em seus contatos com as comunidades xiitas que vivem nos pa\u00edses do Golfo, na Ar\u00e1bia Saudita e no Bahrein, por exemplo. Teer\u00e3 sabe muito bem que qualquer tipo de apoio a essas comunidades gera o risco de provocar repercuss\u00f5es graves para as monarquias na rela\u00e7\u00e3o com os pr\u00f3prios cidad\u00e3os, sob o pretexto de que seriam efeito de a\u00e7\u00f5es de um pa\u00eds estrangeiro. O Ir\u00e3 mant\u00e9m-se especialmente atento nos contatos com os sunitas no Iraque, no L\u00edbano e na Palestina, porque sabe que qualquer conflito entre sunitas e xiitas seria prejudicial para o conjunto do Oriente M\u00e9dio. Enfim, nem os xiitas nem os sunitas podem eliminar-se uns os outros. N\u00e3o t\u00eam escolha: s\u00e3o for\u00e7ados a viver juntos numa regi\u00e3o que \u00e9 simultaneamente multi\u00e9tnica, multiconfessional e laica. S\u00e3o raz\u00f5es suficientes para impedir o Ir\u00e3 de agredir qualquer desses vizinhos, de um lado ou de outro. Ainda mais porque todo o mundo se oporia a qualquer ofensiva similar que viesse a ser planejada, inclusive a R\u00fassia, aliada do Ir\u00e3.<\/p>\n<p>Por seu lado, Donald Trump diz hoje que &#8220;muito pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio n\u00e3o sobreviveriam mais de uma semana sem a prote\u00e7\u00e3o dos EUA&#8221;. Trump sonha visivelmente com o papel que representa ante o Golfo, ao mesmo tempo amigos e inimigos. Nesse momento, o verdadeiro per\u00edodo vem dos EUA, caso esses pa\u00edses ricos recusam-se a ceder \u00e0 chantagem de Trump. O presidente dos EUA foi muito honesto quando disse que &#8220;Quero dinheiro, dinheiro e dinheiro. Os pa\u00edses do Golfo t\u00eam muito dinheiro, e quero esse dinheiro.&#8221;<\/p>\n<p>Nas rela\u00e7\u00f5es com os pa\u00edses do Golfe, Trump lembra um homem sedento que bebe \u00e1gua salgada: quanto mais bebe, mais aumenta a sede. Insatisfeito, apesar das dezenas de milh\u00f5es de d\u00f3lares de contratos de armas firmados com os pa\u00edses do Golfe, Trump demanda cada vez mais e mais apoio financeiro. Trump procura assim desesperadamente pintar o Ir\u00e3 como uma fonte continuada de amea\u00e7as ininterruptas, para que ele possa insistir em seus objetivos financeiros insaci\u00e1veis.<\/p>\n<p>Se se consideram as desculpas no que tenha a ver com a S\u00edria, o presidente dos EUA sempre diz que suas for\u00e7as est\u00e3o em campo para bloquear a expans\u00e3o de Ir\u00e3 e S\u00edria e das rela\u00e7\u00f5es com o Iraque. Essa afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 falsa, dado que, na verdade, \u00e9 a primeira vez depois de 1979 que Teer\u00e3 est\u00e1 fisicamente ligada a Bagd\u00e1, Damasco e Beirute por via terrestre desde a liberta\u00e7\u00e3o de Albou Kamal. Consequentemente, a presen\u00e7a de for\u00e7a dos EUA na S\u00edria est\u00e1 longe de se explicar pela presen\u00e7a do Ir\u00e3 ou por alguma liga\u00e7\u00e3o com o Ir\u00e3. Mas \u00e9 boa desculpa para extrair mais dinheiro da Ar\u00e1bia Saudita, dos Emirados e talvez tamb\u00e9m do Qatar, mesmo que esses pa\u00edses nada tenham a ganhar.<\/p>\n<p>Trump quer mais dinheiro para reconstruir a cidade de Raqqa \u2013 quase completamente destru\u00edda pelos EUA. O presidente dos EUA for\u00e7a os pa\u00edses \u00e1rabes ricos em petr\u00f3leo a reconstruir a infraestrutura no nordeste da S\u00edria, para que os EUA possam fingir que apoiem a pol\u00edtica local. Os \u00e1rabes s\u00e3o conscientes de que EUA e Fran\u00e7a (cujas for\u00e7as aumentam em n\u00famero no norte da S\u00edria) sair\u00e3o de l\u00e1 se ficarem expostos a ataques massivos de insurgentes locais que n\u00e3o deixar\u00e3o de combater for\u00e7as de ocupa\u00e7\u00e3o \u2013 como aconteceu no L\u00edbano nos anos 1980s.<\/p>\n<p>Os diplomatas creem que as decis\u00f5es americanas e israelenses, assim como as atitudes orientadas para os palestinos, jogam a favor do Ir\u00e3. Trump reconheceu Jerusal\u00e9m como capital de Israel, e as for\u00e7as armadas de Israel matam cegamente quaisquer civis que se manifestam em Gaza. Ainda mais, ao p\u00f4r fim ao apoio financeiro aos palestinos, os pa\u00edses do Golfo jogam numerosos grupos palestinos nos bra\u00e7os do Ir\u00e3, que continua a ser a \u00fanica for\u00e7a que jamais, ao longo dos anos, deixou de manter o apoio \u00e0 causa palestina. Segundo for\u00e7as diplom\u00e1ticas, Israel (que se autoproclamou &#8216;\u00fanica democracia&#8217; do Oriente M\u00e9dio) e os EUA devem garantir aos palestinos o direito existencial de viver em paz nas pr\u00f3prias terras e em sua capital; devem garantir tamb\u00e9m o direito de os refugiados retornarem; para come\u00e7ar, t\u00eam de parar de assassinar civis.<\/p>\n<p>Os numerosos dirigentes de Israel que s\u00e3o de origem russa e a importante comunidade russa em Israel n\u00e3o conseguiram persuadir o presidente Vladimir Putin a entrar no jogo pol\u00edtico deles. A R\u00fassia quer o fim da guerra na S\u00edria; Israel quer que a guerra se prolongue; e os EUA sopram as brasas s\u00edrias, acusando o Ir\u00e3 de tudo que encontrem por l\u00e1.<\/p>\n<p>Os USA ainda t\u00eam cartas importantes na S\u00edria, que podem jogar, para impedir a unidade do pa\u00eds. Mas Damasco e Ir\u00e3o n\u00e3o ficar\u00e3o de bra\u00e7os cruzados, nem na defensiva. Por quanto tempo Trump deixar\u00e1 l\u00e1 for\u00e7as dos EUA, ocupando uma parte do pa\u00eds? Apesar de suas declara\u00e7\u00f5es contradit\u00f3rias (Sair\u00e1? N\u00e3o sair\u00e1?), aceitar\u00e1 ou n\u00e3o que se acumulem baixas pesadas? Mais cedo ou mais tarde, as for\u00e7as dos EUA ser\u00e3o atacadas na S\u00edria. Nem as for\u00e7as dos EUA nem da Fran\u00e7a poder\u00e3o sair do caminho que est\u00e3o tra\u00e7ando hoje. E parece que nada aprenderam da hist\u00f3ria, que continuam a n\u00e3o ver o que houve em Beirute em 1983. Naquele momento, o Ir\u00e3 estava no L\u00edbano. Como, hoje, o Ir\u00e3 est\u00e1 na S\u00edria. *******<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A &#8220;Iniciativa Cintur\u00f5es e Estradas&#8221;, para Pequim, tem tudo a ver com geopol\u00edtica, mas principalmente com proje\u00e7\u00e3o geoecon\u00f4mica \u2013 incluindo a promo\u00e7\u00e3o de novos padr\u00f5es e normas globais de com\u00e9rcio que podem n\u00e3o ser exatamente as praticadas pela Uni\u00e3o Europeia. E isso nos leva ao cora\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria, que n\u00e3o se l\u00ea no relat\u00f3rio interno da Comiss\u00e3o Europeia vazado: a intersec\u00e7\u00e3o entre a &#8220;Iniciativa Cintur\u00e3o e Estrada&#8221; e\u00a0outra, a &#8220;Made in China: 2025&#8221;.<br \/>\nPequim est\u00e1 dedicada a se tornar um dos l\u00edderes globais no campo da alta tecnologia em menos de sete anos.\u00a0&#8220;Made in China: 2025&#8221;\u00a0identificou 10 setores \u2013 incluindo Intelig\u00eancia Artificial, rob\u00f3tica, aeroespa\u00e7o, carros e navios e estaleiros verdes \u2013 como priorit\u00e1rios.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":92868,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17,20],"tags":[827,829,830,685,828],"class_list":["post-92866","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-analise-de-conjuntura","category-politica-internacional","tag-china","tag-iniciativa-cinturoes-e-estradas","tag-made-in-china-2025","tag-pepe-escobar","tag-uniao-europeia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/92866","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=92866"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/92866\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/92868"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=92866"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=92866"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=92866"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}