{"id":92754,"date":"2018-04-26T21:48:36","date_gmt":"2018-04-27T00:48:36","guid":{"rendered":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=92754"},"modified":"2018-04-27T05:39:26","modified_gmt":"2018-04-27T08:39:26","slug":"bidimbo-sistemas-de-escrita-africanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=92754","title":{"rendered":"Bidimbo! \u2013 Sistemas de Escrita Africanos"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\">J\u00e1 ouviu falar disso?<\/p>\n<p class=\"p1\">N\u00e3o? Ent\u00e3o descolonize-se antes que seja tarde demais.<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>Por Sp\u00edrito Santo (sob autoriza\u00e7\u00e3o), para o Duplo Expresso<\/b><\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p1\"><i>\u2026N\u00f3s sabemos que a \u00c1frica n\u00e3o foi a \u00fanica origem da escrita, mas a sobreviv\u00eancia desta pr\u00e1tica depois do fim das civiliza\u00e7\u00f5es do Vale do Nilo manteve-se forte no continente. A lista certamente incompleta de sistemas de escrita africanos j\u00e1 descobertas \u00e9 muito forte e importante, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que existiram outros sistemas de escrita que desapareceram durante os 500 anos de destrui\u00e7\u00e3o do continente.<\/i><\/p>\n<p class=\"p1\"><i>Al\u00e9m disso, \u00e9 interessante observar o que esses sistemas de escrita est\u00e3o ainda muito enraizados no vale do Nilo, o que refor\u00e7a a no\u00e7\u00e3o de unidade e identidade negra na regi\u00e3o. Assim, sem querer ofender os ide\u00f3logos ocidentais, a \u00c1frica n\u00e3o teria apenas uma tradi\u00e7\u00e3o oral, mas igualmente uma tradi\u00e7\u00e3o escrita.<\/i><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p2\">Titio, depois deste texto, ainda apenas beliscando o assunto, instigado pela descoberta recente da exist\u00eancia de dezenas de ideogramas denominados <a href=\"http:\/\/whodovodou.tumblr.com\/\"><i>\u201cVe-ves\u201d<\/i><\/a> e as bel\u00edssimas bandeirolas de paet\u00eas ambos sistemas de signos do vudu haitiano entre outras instiga\u00e7\u00f5es irresist\u00edveis, acrescentaria algumas pimentas neste tempero.<\/p>\n<p class=\"p2\">Logo de in\u00edcio ressaltaria que os processos de expans\u00e3o no tempo e no espa\u00e7o das culturas africanas originais \u2013 como \u00e9 o caso do Egito \u2013 por for\u00e7a de migra\u00e7\u00f5es motivadas por guerras, raz\u00f5es clim\u00e1ticas extempor\u00e2neas e motiva\u00e7\u00f5es as mais diversas e em todas as dire\u00e7\u00f5es do continente, era \u00f3bvio se supor que sistemas de escrita ancestrais espalhariam-se pela \u00c1frica, como todos os outras sistemas gr\u00e1ficos se espalharam em outras partes do mundo.<\/p>\n<p class=\"p2\">Logo, supor uma \u00c1frica negra inteiramente \u00e1grafa ou, por outro lado, superestimar o papel da escrita como par\u00e2metro de superioridade no \u00e2mbito das civiliza\u00e7\u00f5es humanas, inferiorizando aquelas culturas onde, al\u00e9m da escrita, a oralidade \u00e9 tamb\u00e9m considerada um sistema de comunica\u00e7\u00e3o e transmiss\u00e3o de conhecimento eficiente, n\u00e3o passa de rematada tolice, pura babaquice intelectual.<\/p>\n<figure id=\"attachment_92758\" aria-describedby=\"caption-attachment-92758\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-92758\" src=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/1-Fre\u0301de\u0301ric-Brumy-Bouabre\u0301-1024x346.png\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"270\" srcset=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/1-Fre\u0301de\u0301ric-Brumy-Bouabre\u0301-1024x346.png 1024w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/1-Fre\u0301de\u0301ric-Brumy-Bouabre\u0301-300x101.png 300w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/1-Fre\u0301de\u0301ric-Brumy-Bouabre\u0301-768x259.png 768w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/1-Fre\u0301de\u0301ric-Brumy-Bouabre\u0301.png 1594w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-92758\" class=\"wp-caption-text\">Imagem esq:<em>&#8220;L&#8217;artiste ivoirien devant l&#8217;alphabet qu&#8217;il a cre\u0301e&#8221;<\/em> (O artista marfinense em frente ao alfabeto que ele criou) por \u00a9 Andre\u0301 Magnin (1996) | Imagem dir:<em> &#8220;Fre\u0301de\u0301ric Brumy Bouabre\u0301 enseignant l\u2019alphabet be\u0301te\u0301 a\u0300 Marcory\u2010Anoumabo&#8221;<\/em> (Fre\u0301de\u0301ric Brumy Bouabre\u0301 ensinando o alfabeto b\u00e9t\u00e9 em Marcory-Anoumabo) por \u00a9 Andre\u0301 Magnin, Abidj\u00e3 | CIV (1995)<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"p2\">Assim, avan\u00e7ando seja rumo ao norte (com a forma\u00e7\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o grega, segundo Her\u00f3doto) ou para o sul (com a suposta cria\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio de Monomopata com suas grandes e enigm\u00e1ticas muralhas), para o centro-oeste, com a grande civiliza\u00e7\u00e3o desenvolvida no que \u00e9 hoje os Camar\u00f5es, origem remota da cultura Bakongo, ber\u00e7o da Angola atual (origem da chamada escrita kongo, estudada pelo cubano B\u00e1rbaro Martinez-Ruiz), ou seja para o oeste remoto, pr\u00f3ximo ao Atl\u00e2ntico (com, por exemplo as culturas do Benin, da Nig\u00e9ria e do Gab\u00e3o atuais) os sistemas de escrita tradicionais jamais desapareceram da \u00c1frica, n\u00e3o tendo sido esta linguagem, absolutamente inventada ou mesmo introduzida no continente pelos colonialistas europeus.<\/p>\n<p class=\"p2\">Ao contr\u00e1rio, foi comum na \u00c1frica colonial at\u00e9 o p\u00f3s escravid\u00e3o (fim do s\u00e9culo 19, at\u00e9 as d\u00e9cadas de 40 e 50 do s\u00e9culo 20) a inven\u00e7\u00e3o de dezenas de novos sistemas de escrita originais, baseados em experi\u00eancias ancestrais associadas.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p1\"><i>O silab\u00e1rio ou escrita Bamum (Camar\u00f5es) foi inventado pelo rei Ibrahim Njoya, do povo bamum em 1896. Esse rei tamb\u00e9m coletou muitos manuscritos que continham a hist\u00f3ria de seu povo e usou sua escrita para compilar uma \u2018\u2019farmacop\u00e9ia\u2019\u2019, para criar um calend\u00e1rio e para guardar registros de leis. Ele tamb\u00e9m construiu escolas, bibliotecas e uma gr\u00e1fica.<\/i><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p3\">(Importante se ressaltar neste caso que as origens remotas da cultura Kongo \u2013 BaKongo \u2013 num processo de migra\u00e7\u00f5es cont\u00ednuas ocorrido entre os s\u00e9culos 10 e 12 de nossa era \u2013 localizam-se, exatamente no sul do Camar\u00f5es.)<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p4\"><i>A primeira vers\u00e3o dessa escrita Bamoun inclu\u00eda 465 s\u00edmbolos. O rei Njoya simplificou essa escrita muitas vezes at\u00e9 que chegou ao silab\u00e1rio A-Ka-U-Ku que \u00e9 escrito da esquerda para a direita. Essa escrita apresenta 73 s\u00edlabas, mais 42 combina\u00e7\u00f5es, 10 numerais, 5 pontua\u00e7\u00f5es. Os tons s\u00e3o indicados quando necess\u00e1rios por sinais adequados.<\/i><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p1\"><b>Escrevo, logo leio<\/b><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: right;\"><i>Swahili: ler = kusoma; escrever = Kwandika<\/i><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: right;\"><i> Lingala: Leia = kotanga; escrever = kokoma<\/i><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: right;\"><i> Bambara\u00a0(l\u00edngua mandinga): Leia = kalan; escrever = Sebe<\/i><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: right;\"><i> Hausa: Leia = karatou; escrever = rouboutou<\/i><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: right;\"><i> Fulani: Leia = djangougol; escrever = windougol<\/i><\/p>\n<p class=\"p1\">Logo surge a pergunta que n\u00e3o quer calar: Como cinco entre as l\u00ednguas negro africanas mais importantes do continente, definiram em voc\u00e1bulos originais os atos da leitura e da escrita sem fazerem uso de ideogramas ou palavras \u00e1rabes ou europeias?<\/p>\n<p class=\"p1\">Como, afinal estes povos conseguiriam definir o que significa\u00a0<i>ler\u00a0e\u00a0escrever<\/i>\u00a0se n\u00e3o\u00a0<i>lessem\u00a0e\u00a0escrevessem<\/i>? Este simples detalhe da evolu\u00e7\u00e3o da linguagem humana parece provar, quase sem sombra de d\u00favida, o \u00f3bvio: a leitura e a escrita eram sim havidas e sabidas na \u00c1frica negra bem antes das invas\u00f5es europeias.<\/p>\n<p class=\"p1\">Os estudos sobre este tema, muito complexos, est\u00e3o bem avan\u00e7ados no exterior, notadamente pelo esfor\u00e7o de etn\u00f3logos, antrop\u00f3logos, fil\u00f3logos e linguistas africanos e europeus como o congol\u00eas\u00a0<b>Benseki Fu Ki.Au<\/b> (veja no trabalho dele o impressionante\u00a0<a href=\"http:\/\/terreirodegriots.blogspot.se\/2017\/03\/os-quatro-ciclos-do-cosmograma-bakongo.html\">cosmograma bakongo<\/a> decifrado)\u00a0a zairense (agora democrata-congolesa)\u00a0<b>Cl\u00e9mentine Fa\u00efk-Nzunji Madyia<\/b>, o belga\u00a0<b>Jan Vansina<\/b>, o estadunidense\u00a0<b>Robert Farris Thompson<\/b>\u00a0(um precursor), entre tantos outros.<\/p>\n<figure id=\"attachment_92762\" aria-describedby=\"caption-attachment-92762\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/archive.nytimes.com\/screenshots\/www.nytimes.com\/interactive\/2011\/01\/09\/weekinreview\/09sudan-map.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-92762 size-large\" src=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/3-Maps-1-1024x348.png\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"272\" srcset=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/3-Maps-1-1024x348.png 1024w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/3-Maps-1-300x102.png 300w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/3-Maps-1-768x261.png 768w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/3-Maps-1.png 1594w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-92762\" class=\"wp-caption-text\">Imagem esq: <em>\u201cA Voodoo design drawn by the priestess for each voodoo ceremony\u201d<\/em> (Um desenho de vudu feto pela sacerdotisa a cada cerim\u00f4nia de vodu) sem autor, HAI (1950)\u00a0 | Imagem centro: &#8220;Os Quatro Ciclos do Cosmograma Bakongo&#8221; por \u00a9 Revista Digital Terreiro de Gri\u00f4s (2017) | Imagem dir: <em>\u201cA Continent Carved Up, Ignoring Who Lives Where\u201d<\/em>\u00a0(Um continente dividido, ignorando quem vive nele) pelo <em>New York Times<\/em> por \u00a9 <em>C.I.A.<\/em> + William Reno + <em>Northwestern University<\/em> (2011) \u2013 clique no mapa para ampli\u00e1-lo<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"p1\">Estes estudos, contudo, est\u00e3o bastante atrasados no Brasil por causa, entre outros motivos dos renitentes e arcaicos preconceitos que ainda predominam nas ci\u00eancias sociais do pa\u00eds (o ran\u00e7oso racismo acad\u00eamico para os \u00edntimos) que considera as mem\u00f3rias africanas para c\u00e1 trazidas pelos escravos,\u00a0<i>hibridismo impuro<\/i>, sincretismo reles, subproduto cultural de povos inferiores, primitivos e incivilizados.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p5\"><i>De acordo com a historiografia ocidental, o s\u00e1bio\u00a0Bruly Bouabr\u00e9\u00a0(na foto que ilustra este post)\u00a0que se juntou a seus ancestrais, em janeiro de 2014, seria o inventor da escrita B\u00e9t\u00e9 da Costa do Marfim. Ele teria criado, sozinho em 1948, 448 sinais sil\u00e1bicos desta linguagem a ponto de ser poss\u00edvel escrever hist\u00f3rias com eles. A escrita B\u00e9t\u00e9 \u00e9 pictogr\u00e1fica, ou seja, cont\u00e9m desenhos como na escrita eg\u00edpcia e a escrita Mende, de Serra Leoa.<\/i><\/p>\n<p class=\"p5\"><i>Um estudo mais aprofundado demonstra, sem d\u00favida nenhuma que existem sinais comuns nos sistemas de escrita da \u00c1frica negra.\u00a0Bruly Bouabr\u00e9, obviamente, n\u00e3o era um inventor da escrita B\u00e9t\u00e9, mas sim um iniciado, que aprendeu a dominar esta escrita com seus antepassados.<\/i><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p1\">Uma excelente refer\u00eancia \u2013 esta j\u00e1 mais pr\u00f3xima de n\u00f3s, brasileiros \u2013 \u00e9 o especialista cubano em hist\u00f3ria da arte (com especializa\u00e7\u00e3o em \u00c1frica e Centro Am\u00e9rica)\u00a0<b>B\u00e1rbaro Martinez-Ruiz<\/b>\u00a0que estuda o tema dos sistemas de escrita africanos, a partir de fragmentos do sistema tradicional de escrita\u00a0<b><i>Bakongo<\/i><\/b><i>\u00a0(bidimbo)<\/i> sobrevivente na cultura cubana e caribenha <i>(\u201cfirmas\u201c)<\/i> principal liga\u00e7\u00e3o entre a cultura africana na di\u00e1spora centro americana, e suas prov\u00e1veis origens na regi\u00e3o do antigo\u00a0<b>Reino do Kongo<\/b>, com eixo centrado em\u00a0Mbanza Kongo, antiga e hist\u00f3rica capital do reino, circunscrito, quase que inteiramente no que conhecemos hoje como\u00a0<b>Rep\u00fablica de Angola<\/b>, al\u00e9m de partes do\u00a0<b>Zaire <\/b>(agora renomeado como <b>Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo<\/b>)\u00a0e da\u00a0<b>Rep\u00fablica do Congo<\/b>\u00a0atuais.<\/p>\n<p class=\"p1\">O\u00a0<i>Titio<\/i>\u00a0generoso recomenda tamb\u00e9m \u2013 com insist\u00eancia \u2013 muita aten\u00e7\u00e3o para o complexo sistema filos\u00f3fico e de escrita afro-haitiano conhecido como <i>\u201cVe-ve\u201d<\/i>\u00a0(busque na rede por <b>\u201cVe-Ve\u201d<\/b>, interessant\u00edssimo livro do franco-haitiano\u00a0<b>Milo Rigaud<\/b>, o maior especialista no tema) com sua prov\u00e1vel liga\u00e7\u00e3o com o sistema de escrita\u00a0bakongo\u00a0(entre outras misteriosas e mui antigas liga\u00e7\u00f5es), principalmente pelo fato surpreendente de alguns de seus signos esot\u00e9ricos, estarem misteriosamente contidos no \u00e2mbito da\u00a0<b>Kimbanda<\/b>\u00a0do Brasil (aquela umbanda\u00a0bastarda, \u201cdo mal\u201d) , sob o nome de\u00a0<i>\u201cpontos riscados\u201d<\/i>\u00a0(no Haiti como aqui, cada ponto \u00e9 riscado, desenhado no ch\u00e3o do terreiro com um p\u00f3 espec\u00edfico).<\/p>\n<figure id=\"attachment_92759\" aria-describedby=\"caption-attachment-92759\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i.pinimg.com\/736x\/82\/40\/aa\/8240aa573f8e82bc08ce7db174b3dac3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-92759\" src=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/2-\u201cVeve-Symbols-of-the-Vodoun-Loa\u201d-por-\u00a9-Mr-P-S-Mythopedia_landscape-1024x488.png\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"381\" srcset=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/2-\u201cVeve-Symbols-of-the-Vodoun-Loa\u201d-por-\u00a9-Mr-P-S-Mythopedia_landscape-1024x488.png 1024w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/2-\u201cVeve-Symbols-of-the-Vodoun-Loa\u201d-por-\u00a9-Mr-P-S-Mythopedia_landscape-300x143.png 300w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/2-\u201cVeve-Symbols-of-the-Vodoun-Loa\u201d-por-\u00a9-Mr-P-S-Mythopedia_landscape-768x366.png 768w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/2-\u201cVeve-Symbols-of-the-Vodoun-Loa\u201d-por-\u00a9-Mr-P-S-Mythopedia_landscape.png 1594w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-92759\" class=\"wp-caption-text\">\u201cVeve Symbols of the Vodoun Loa\u201d (S\u00edmbolos Ve-ves dos Esp\u00edritos do Vudu) por \u00a9 Mr. P.&#8217;s Mythopedia (sem data) \u2013 clique na imagem para v\u00ea-la ampliada<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"p1\">H\u00e1 sim, tudo indica, uma liga\u00e7\u00e3o fortuita entre estes sistemas de signos africanos todos, liga\u00e7\u00e3o menosprezada por aqui por conta dos preconceitos acad\u00eamicos citados.<\/p>\n<p class=\"p1\">Existe, ali\u00e1s, acabo de perceber assim ao garimpar imagens \u2013 e surpreendendo-me cada vez mais \u2013 uma intimidade gr\u00e1fica, imag\u00e9tica inquietante entre o\u00a0<b><i>Vudu do Haiti<\/i><\/b>, chegado nas Am\u00e9ricas, em parte via\u00a0<b>Benin<\/b>\u00a0e a desprezada\u00a0<b>Kimbanda<\/b>, para os tolos um ramo impuro da\u00a0Umbanda, ambas (Umbanda e Kimbanda) com fortes ra\u00edzes angolanas, remotas origens\u00a0<b><i>bakongo<\/i><\/b>, por suposto.<\/p>\n<p class=\"p1\">Muito ainda a ser estudado para se encontrar a l\u00f3gica desta hist\u00f3ria de tantas ramifica\u00e7\u00f5es, embaralhada que foi pela escravid\u00e3o, pela di\u00e1spora. O p\u00f3 soprado desta magia da escrita africana, contudo, se espalhou por ai, mas n\u00e3o se dissipou. Escrita que \u00e9 n\u00e3o se dissipar\u00e1 jamais.<\/p>\n<p class=\"p1\">Bem, enfim s\u00e3o estes, por enquanto, os amplos sinais bibliogr\u00e1ficos, meio areia movedi\u00e7a, meio saco sem fundo, que a intui\u00e7\u00e3o do\u00a0Titio\u00a0tem seguido. Voc\u00ea pode segui-los tamb\u00e9m, pin\u00e7ando <i>links<\/i>, associando ideias, queimando pestanas. O jogo das descobertas est\u00e1 posto, o chicotinho quente-frio est\u00e1 queimando.<\/p>\n<p class=\"p1\">(Para quem sabe ler, um pingo \u00e9 letra).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\">agosto 2014<\/p>\n<p>\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013<\/p>\n<p class=\"p1\"><a href=\"https:\/\/spiritosanto.wordpress.com\/\">Ant\u00f4nio Jos\u00e9 do Esp\u00edrito Santo<\/a>\u00a0\u00e9 M\u00fasico, Pesquisador e Escritor. Estudou teoria musical em curso dirigido pelo Maestro Guerra Peixe. Projetista de Arquitetura formado pelo Senai, Escritor, Artes\u00e3o e Arte Educador.\u00a0 Leciona na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) desde 1995, onde criou e coordena o projeto de extens\u00e3o universit\u00e1ria <a href=\"http:\/\/musikfabrik.free.fr\/\">Musikfabrik<\/a> \u2013 espa\u00e7o permanente de investiga\u00e7\u00e3o, pesquisa e exerc\u00edcio da linguagem musical em seus variados aspectos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este texto \u00e9 um furto. Na verdade, um assalto consentido, uma vez que o professor Sp\u00edrito Santo permitiu esta transposi\u00e7\u00e3o de seu blog para c\u00e1, no Duplo Expresso. Trata-se de um pequeno tesouro. Um ba\u00fa de letras, s\u00edmbolos e alfabetos alforriados. Um resgate sobre uma fra\u00e7\u00e3o da imensa hist\u00f3ria africana que costuma chegar ao outro lado do Atl\u00e2ntico com muito pouco f\u00f4lego. <\/p>\n","protected":false},"author":30,"featured_media":92756,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[19,16,2,18],"tags":[768,809,811,812,810],"class_list":["post-92754","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-educacao","category-historia","category-home","category-religiao","tag-africa","tag-bakongo","tag-bouabre","tag-escrita","tag-ve-ves"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/92754","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/30"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=92754"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/92754\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/92756"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=92754"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=92754"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=92754"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}