{"id":91819,"date":"2018-04-01T13:03:37","date_gmt":"2018-04-01T16:03:37","guid":{"rendered":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=91819"},"modified":"2018-04-01T14:20:14","modified_gmt":"2018-04-01T17:20:14","slug":"o-genero-fragil-que-fez-o-capitalista-conhecer-o-terror","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=91819","title":{"rendered":"O \u201cg\u00eanero fr\u00e1gil\u201d que fez o capitalista conhecer o terror"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Paulo Gamba, para o Duplo Expresso<\/strong><\/p>\n<p>Quando falamos da hist\u00f3ria do Benin, antigo Imp\u00e9rio de Daom\u00e9 que o opressor chamou sarcasticamente de reino, n\u00e3o nos podemos esquecer de Nansika, uma jovem soldado que na altura ainda com 16 anos, em luta com um sargento franc\u00eas neutralizou-lhe com golpes de Laamb (luta africana de origem senegalesa em Wollof) e o decapita com furor. Em seguida, tem seu corpo atravessado por uma baioneta e tomba de costas, bra\u00e7os estendidos para a frente. Na mesma batalha, um soldado gabon\u00eas de infantaria, recrutado pelos franceses, desarma outra militar de Daom\u00e9. Sem op\u00e7\u00e3o, ela rasga a garganta do inimigo com os pr\u00f3prios dentes, a partir dai as for\u00e7as invasoras passaram a mensagem de que as amazonas de Daome eram canibais.<\/p>\n<p>A Fran\u00e7a conquistou Daom\u00e9 em 1894, mas foram necess\u00e1rias duas guerras num per\u00edodo de 4 anos, e mais de 80 batalhas onde as guerreiras de Daome infernizaram a vida dos escravocrata. As guerreiras de Daome eram muito poderosas, era uma for\u00e7a especial constituindo cerca 1\/3 das tropas do exercito de Daom\u00e9. No s\u00e9culo 19 impressionou visitantes e soldados estrangeiros.&#8221;O valor das amazonas \u00e9 real. Treinadas desde a inf\u00e2ncia com os mais \u00e1rduos exerc\u00edcios, constantemente incitadas \u00e0 guerra, elas levavam \u00e0s batalhas uma f\u00faria verdadeira e um ardor sanguin\u00e1rio&#8230; Inspirando com sua coragem e sua energia indom\u00e1vel tropas que as seguiam&#8221;, escreveu em 1895 o major franc\u00eas L\u00e9once Grandin, que lan\u00e7ou Le Dahomey: \u00c0 l&#8217;Assaut du Pays des Noirs, em que analisa a guerra na qual lutou. &#8220;Notavelmente bravas&#8221;, &#8220;extraordin\u00e1rias por sua coragem e ferocidade&#8221; e de &#8220;tenacidade selvagem&#8221; s\u00e3o algumas das caracter\u00edsticas atribu\u00eddas a elas por combatentes franceses em di\u00e1rios escritos no calor das batalhas.<\/p>\n<p>As mulheres soldados e oficiais do ex\u00e9rcito de Daom\u00e9 possu\u00edam empregados, moravam no pal\u00e1cio do rei e eram t\u00e3o respeitadas e poderosas que, quando andavam pelas ruas, os homens comuns deviam dar um passo atr\u00e1s para abrir caminho e olhar para o outro lado: n\u00e3o podiam dirigir seu olhar a elas. Usavam uniformes, carregavam bandeiras e cantavam hinos. Acostumadas desde cedo a um treinamento rigoroso, eram grandes guerreiras, fortes, velozes, que escalavam pared\u00f5es, empunhavam espadas, machadinhas e punhais com vigor e, armadas com espingardas, atiravam com boa mira. Decapitavam sem pena. Estavam, normalmente, na linha de frente dos ataques aos reinos inimigos, \u00e0 frente dos homens.<\/p>\n<p>As origens das tropas femininas de Benin v\u00eam de dois grupos. O de mulheres ca\u00e7adoras de elefantes, comuns nos s\u00e9culos 17 e 18, ou o mais prov\u00e1vel: o de guardas do pal\u00e1cio real. Apenas mulheres e eunucos podiam guardar os aposentos do rei e de suas centenas de esposas. Mas no Benin tais sentinelas teriam evolu\u00eddo para a forma\u00e7\u00e3o de uma guarda pretoriana do governante.<\/p>\n<p>Havia cerca de 5 mil mulheres no pal\u00e1cio, entre esposas do rei, guardas, administradoras, funcion\u00e1rias e empregadas. &#8220;As mulheres eram criadas, desde a inf\u00e2ncia, para serem leais \u00e0 sua fam\u00edlia de nascen\u00e7a e \u00e0 fam\u00edlia do futuro marido.<\/p>\n<p>As primeiras not\u00edcias das mulheres soldadas em Daom\u00e9 datam de cerca de 1830. Daom\u00e9 lutava em muitas guerras, o que levou ao decl\u00ednio da popula\u00e7\u00e3o masculina. Isso \u00e9 outro fator que pode explicar o uso de mulheres como militares. A \u00faltima vez que elas entraram num campo de batalha foi em 1894, quando a Fran\u00e7a venceu a 2\u00ba Guerra Franco-Daomeana e subjugou o reino africano. &#8220;O colonialismo fez com que as mulheres africanas se encolhessem, perdessem a for\u00e7a, passassem a se casar para ser sustentadas pelos maridos&#8221;.<\/p>\n<p>Kadafi \u2013 antigo presidente l\u00edbio assassinado pelas forcas ocidentais \u2013 \u00e9 daqueles que n\u00e3o acredita que o capitalismo surgiu com a revolu\u00e7\u00e3o industrial, ele acreditava que o processo de escravatura foi feita numa base capitalista tendo em conta que o objecto de negocio era o homem preto, que de resto, com trabalho escravo desenvolveu a Am\u00e9rica e Europa. Em homenagem ao reino de Daome e Oshikwanhama, Kadafi adopta o modelo de guarda-costas femininas, altamente treinadas que o mantiveram seguro durante 40 anos do seu \u201creinado\u201d at\u00e9 o seu assassinato num projeto \u00e1rabe-ocidental que se chamou Primavera \u00c1rabe.<\/p>\n<p>\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013<\/p>\n<p><strong>Nota do Duplo Expresso:\u00a0<\/strong>Paulo Gamba \u00e9 Professor Universit\u00e1rio de Direito Internacional, comentarista de Pol\u00edtica Internacional da imprensa angolana, escritor e comentarista de Geopol\u00edtica do Duplo Expresso. Este texto foi escrito seguindo as regras do portugu\u00eas praticado em Angola e ajustado ao portugu\u00eas brasileiro por Yorkshire Tea e Carlos Krebs.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As primeiras not\u00edcias das mulheres soldadas em Daom\u00e9 datam de cerca de 1830. Daom\u00e9 lutava em muitas guerras, o que levou ao decl\u00ednio da popula\u00e7\u00e3o masculina. 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