{"id":91201,"date":"2018-03-15T14:32:36","date_gmt":"2018-03-15T17:32:36","guid":{"rendered":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=91201"},"modified":"2018-03-19T04:19:43","modified_gmt":"2018-03-19T07:19:43","slug":"o-nome-da-rosa-marielle","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=91201","title":{"rendered":"O nome da rosa: Marielle"},"content":{"rendered":"<p>Da Reda\u00e7\u00e3o do Duplo Expresso<\/p>\n<p>Formada em sociologia pela PUC-Rio, Marielle Franco tinha mestrado em Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Sua disserta\u00e7\u00e3o teve como tema \u201cUPP: a redu\u00e7\u00e3o da favela a tr\u00eas letras<strong>\u201d<\/strong>. Na qualidade de assessora do Deputado estadual Marcelo Freixo, PSOL-RJ, trabalhou na Comiss\u00e3o de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ). Tamb\u00e9m pelo PSOL elegeu-se em 2016 para a C\u00e2mara Municipal da cidade que um dia foi maravilhosa, com 46.502 votos \u2013 a quinta mais votada.<\/p>\n<p>A vereadora foi assassinada dentro do carro a tiros na noite de 14\/03\/18, na Rua Joaquim Palhares, no bairro do Est\u00e1cio, regi\u00e3o central da cidade do Rio de Janeiro. O motorista tamb\u00e9m foi baleado e morto, enquanto a assessora que a acompanhava, Fernanda, sobreviveu.<\/p>\n<p>Ainda ontem o programa \u201c<u><a href=\"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=91181\">Jogo de Damas<\/a><\/u>\u201d<strong>,<\/strong> que foi ao ar no in\u00edcio da noite no Duplo Expresso, analisava t\u00e1ticas de guerra h\u00edbrida. A not\u00edcia do assassinato a sangue frio da vereadora caiu como uma bomba \u2013 tamb\u00e9m semi\u00f3tica. Fontes na Pol\u00edcia do Rio rapidamente se colocaram \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o. Enf\u00e1ticas, afirmam que o caso \u00e9 um enigma. As mil\u00edcias s\u00e3o uma esp\u00e9cie de \u201cinimiga \u00edntima\u201d da Pol\u00edcia, velhas conhecidas. Estranharam, portanto, a execu\u00e7\u00e3o (i) de uma autoridade (ii) em per\u00edodo j\u00e1 extremamente conturbado: n\u00e3o apenas elei\u00e7\u00f5es se aproximam como, com a interven\u00e7\u00e3o federal, todos os refletores voltam-se, justamente, para o Rio de Janeiro \u2013 e para as falhas na sua pol\u00edtica de seguran\u00e7a p\u00fablica. Tal \u201cousadia\u201d foge aos padr\u00f5es de atua\u00e7\u00e3o das mil\u00edcias, que preferem sempre as sombras. Ao contr\u00e1rio, a execu\u00e7\u00e3o de Marielle coloca um refletor de alta pot\u00eancia voltado para a ferida aberta da seguran\u00e7a p\u00fablica e para as hordas criminosas que, como tumores, surgem no corpo enfermo da pol\u00edcia do Estado.<\/p>\n<p><em>Cui bono? A quem beneficia? E, no verso da moeda, a quem prejudica?<\/em><\/p>\n<p>Nessa mesma triste noite, ainda durante o programa \u201cjogo de damas\u201d, foi recomendado o filme \u201cO nome da rosa\u201d, baseado no livro hom\u00f4nimo do fil\u00f3sofo Umberto Eco. O filme traz a narrativa de um homem velho, que conta uma hist\u00f3ria vivida por ele, quando ainda jovem e aprendiz de um s\u00e1bio monge franciscano, no filme interpretado por Sean Conery. Tratava-se \u00e0 primeira vista de uma investiga\u00e7\u00e3o sobre assassinatos ocorridos em um mosteiro, para os quais as explica\u00e7\u00f5es sugeridas eram as mais diversas. Sem revelar de todo o mist\u00e9rio, limitamo-nos a dizer que a raz\u00e3o para os assassinatos \u00e9 surpreendente. Atrav\u00e9s da narrativa, os espectadores s\u00e3o levados em uma viagem incr\u00edvel pelo mundo al\u00e9m do obvio, coisa que s\u00f3 os fil\u00f3sofos, como Umberto Eco, conseguem fazer.<\/p>\n<p>Marielle parece ser um dos casos em que as \u201cinstitui\u00e7\u00f5es\u201d tentar\u00e3o nos empurrar o \u201c\u00f3bvio\u201d. No entanto, depois da sofistica\u00e7\u00e3o dos ataques h\u00edbridos de que tem sido v\u00edtima, espera-se que a sociedade brasileira relute em sucumbir, mais uma vez, a sugestionamento. Assim como em \u201cO nome da rosa\u201d, somente uma investiga\u00e7\u00e3o \u2013 sem concess\u00f5es \u2013 poder\u00e1 revelar a verdade, por mais terr\u00edvel que essa possa ser.<\/p>\n<p>A filosofia, afinal, nos ensina que a mais horrenda face da verdade \u00e9 melhor que a mais bela m\u00e1scara da mentira.<\/p>\n<p>A esse prop\u00f3sito, nessa mesma triste quarta feira 14\/03\/2018, uma inc\u00f4moda verdade trazida pelo Duplo Expresso confirmou-se: somente uma movimenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica perante o STF e a PGR poder\u00e1 salvar Lula das garras comprometidas da (in-) Justi\u00e7a brasileira. Parlamentares, em vez de se limitarem a fazer narra\u00e7\u00e3o, dirigiram-se eles mesmos ao STF, peti\u00e7\u00e3o debaixo do bra\u00e7o. L\u00e1, ao pressionarem a Ministra Carmen Lucia, descobriram que o Ministro Fachin sequer havia encaminhado o HC de Lula para julgamento pelo Pleno do STF.<\/p>\n<p>Caso os Parlamentares n\u00e3o tivessem ido \u00e0s portas do STF \u2013 como \u201coffice boys\u201d da Rep\u00fablica \u2013 o HC de Lula seguiria jazendo na gaveta do n\u00e3o importunado Fachin. Todos seguiriam acreditando na narrativa da grande imprensa, que com sucesso usou Carmen L\u00facia como corta-luz do verdadeiro atacante: Fachin.<\/p>\n<p>Seja no STF, seja nas bancadas da C\u00e2mara, seja na tr\u00e1gica noite do Rio de Janeiro, que n\u00e3o se esque\u00e7a \u201cO nome da rosa\u201d e a busca da verdade \u2013 por mais disruptiva que essa seja.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marielle parece ser um dos casos em que as \u201cinstitui\u00e7\u00f5es\u201d tentar\u00e3o nos empurrar o \u201c\u00f3bvio\u201d. 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