{"id":86303,"date":"2016-05-29T16:46:00","date_gmt":"2016-05-29T18:46:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.duploexpresso.com\/?p=86303"},"modified":"2016-05-29T16:46:00","modified_gmt":"2016-05-29T18:46:00","slug":"escandalo-babas-proibidas-de-usar-banheiro-de-clube-escandalo-onde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=86303","title":{"rendered":"Esc\u00e2ndalo: bab\u00e1s proibidas de usar banheiro de clube! Esc\u00e2ndalo? Onde?"},"content":{"rendered":"<p>\n          <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/sites\/default\/files\/u28333\/revista-hola1.jpg\"\/>\n        <\/p>\n<p>\n          <strong>Esc\u00e2ndalo: bab\u00e1s proibidas de usar banheiro de clube!<\/strong><br \/>\n          <strong>Esc\u00e2ndalo? <\/strong><br \/>\n          <strong>Onde?<\/strong>\n        <\/p>\n<p>\n          <strong>Por Romulus<\/strong>\n        <\/p>\n<p>&#8211;<em> S\u00f3cia do clube: <\/em>&#8220;<em>N\u00e3o tenho preconceito, mas as bab\u00e1s n\u00e3o necessariamente s\u00e3o pessoas extremamente educadas. Infelizmente, nem todas as classes t\u00eam acesso \u00e0 mesma educa\u00e7\u00e3o. Elas n\u00e3o necessariamente v\u00e3o puxar a descarga ou deixar o banheiro limpo. N\u00e3o \u00e9 nada contra as bab\u00e1s. \u00c9 quest\u00e3o de ordem e disciplina<\/em>.&#8221; <em>(aff&#8230;)<\/em><\/p>\n<p>&#8211; <em>Com o modesto crescimento do poder de consumo, \u00e9 poss\u00edvel que uma bab\u00e1 iconoclasta tenha assistido a <u><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/The_Help_(filme)\">\u201cThe Help\u201d (\u201cHist\u00f3rias Cruzadas\u201d)<\/a><\/u>. Possivelmente, tenha pensado um pouco consigo e se questionado por que a tal proibi\u00e7\u00e3o de usar o mesmo banheiro que os patr\u00f5es \u2013 retratada naquele Mississipi dos anos 60 \u2013 ainda vigorava no Rio de Janeiro do s\u00e9culo XXI.<\/em><\/p>\n<p>\n          <em>&#8211; Pergunto aos pais-patr\u00f5es: por que bab\u00e1 tamb\u00e9m nos fins de semana? N\u00e3o d\u00e1 para cuidar dos filhos nem no s\u00e1bado e no domingo?<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>&#8211; Filho \u00e9 mais do que modelo pra fotos bonitinhas no Instagram e no Facebook. Mais tamb\u00e9m do que um mero ve\u00edculo para a realiza\u00e7\u00e3o do impulso narcisista de passar a carga gen\u00e9tica adiante.<\/em>\n        <\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<p>Minha experi\u00eancia escrevendo para um blog \u00e9 recente. Coisa de meses ainda. No entanto, algo que j\u00e1 notei neste curto espa\u00e7o de tempo \u00e9 que muitos temas sobre os quais j\u00e1 se comentou voltam \u00e0 tona meses, quando n\u00e3o semanas, depois.<\/p>\n<p>Pois no post de hoje temos mais um exemplo dessa repeti\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8211; A pauta \u00e9 a <strong>segrega\u00e7\u00e3o das bab\u00e1s<\/strong>.<\/p>\n<p>\n          <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/sites\/default\/files\/u28333\/domingos_peixoto.jpg\"\/>\n        <\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o escrevia o blog quando aquela foto da patroa ruiva, junto ao marido tamb\u00e9m branco, levava seus filhos para a passeata pelo impeachment de mar\u00e7o. Bom, \u201clevava os filhos\u201d \u00e9 modo de dizer. Quem levava de fato as crian\u00e7as era a bab\u00e1, devidamente destacada do grupo por um uniforme branco.<\/p>\n<p>Naquela oportunidade, externei &#8211; mais uma vez &#8211; nas redes sociais meus pensamentos sobre o fen\u00f4meno. Fa\u00e7o isso h\u00e1 anos, cada vez que o assunto volta \u00e0 tona com mais um registro fotogr\u00e1fico \u201cpol\u00eamico\u201d.<\/p>\n<p>Cada vez que o fa\u00e7o, algum amigo se mostra contrariado com o que digo e faz quest\u00e3o de deixar por escrito tal contrariedade nos coment\u00e1rios. Da \u00faltima vez, foi uma parente \u2013 que conhecia o tal casal da passeata e saiu em ardorosa defesa dos amigos.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas semanas o assunto \u201csegrega\u00e7\u00e3o das bab\u00e1s\u201d voltou \u00e0s p\u00e1ginas dos jornais e \u00e0s redes sociais.<\/p>\n<p>Por qu\u00ea?<\/p>\n<p>Devido \u00e0 repercuss\u00e3o da proibi\u00e7\u00e3o pelo Country Club de que as bab\u00e1s que acompanham os s\u00f3cios mirins nas quadras e piscinas do clube usassem os banheiros dali.<\/p>\n<p>Mas o que \u00e9 esse Country Club?<\/p>\n<p>Trata-se do tradicional ref\u00fagio do <em>old money<\/em> carioca, ora. A <u><a href=\"http:\/\/vejario.abril.com.br\/materia\/cidade\/guilhermina-guinle-country-club-bola-preta-veto\">Veja Rio<\/a><\/u> informava em 2013 que:<\/p>\n<p>\n          <em> <\/em><br \/>\n          <em>T\u00e3o desejado quanto dif\u00edcil de obter, o t\u00edtulo do Country torna seu propriet\u00e1rio membro de um mundo \u00e0 parte. S\u00e3o apenas 850 s\u00f3cios. Para um entrar, algu\u00e9m tem de sair. Ali, as pessoas convivem como se estivessem em uma extens\u00e3o de sua sala de visitas. Nesse ambiente, um postulante que n\u00e3o seja bem-visto costuma receber sinais inequ\u00edvocos de que levar\u00e1 bola preta antes mesmo de passar pela vota\u00e7\u00e3o ? a maioria retira a candidatura para evitar a humilha\u00e7\u00e3o p\u00fablica. A empres\u00e1ria Luciana Rique, herdeira de um conglomerado de centros comerciais, seria submetida \u00e0 vota\u00e7\u00e3o na mesma noite em que Guilhermina foi recusada. Ao perceber que n\u00e3o teria chance, decidiu pular fora. Tr\u00eas anos atr\u00e1s, a artista pl\u00e1stica Adriana Varej\u00e3o havia feito o mesmo ao notar que um grupo de s\u00f3cios n\u00e3o simpatizara com seu ent\u00e3o marido, Bernardo Paz (veja o quadro na p\u00e1g. 24). &#8220;Guilhermina foi v\u00edtima de uma covardia, da mesma forma que eu fui h\u00e1 vinte anos. O voto dos conselheiros n\u00e3o deveria ser secreto, mas sim declarado&#8221;, diz Aparecida Marinho, ex-mulher de Roberto Irineu Marinho, presidente das Organiza\u00e7\u00f5es Globo, gongada em 1991 com tr\u00eas bolas pretas. Hoje, ela vai ao Country como dependente do filho. <\/em>\n        <\/p>\n<p>Ok, pelo relato acima temos alguma ideia sobre a clientela, a ambi\u00eancia e o etos do clube.<\/p>\n<p>Assim, conhecendo o pensamento da elite brasileira tradicional, o que impressiona \u00e9 que a tal da plaquinha nas portas dos banheiros proibindo a entrada das bab\u00e1s n\u00e3o tivesse sido colocada antes \u2013 e n\u00e3o que tenha sido colocada agora!<\/p>\n<p>Fantasiei uma hip\u00f3tese: talvez n\u00e3o fosse necess\u00e1ria at\u00e9 ent\u00e3o. Assim como n\u00e3o h\u00e1 placa avisando \u00e0s babas se devem ou n\u00e3o respirar no clube, n\u00e3o havia necessidade da placa com a proibi\u00e7\u00e3o de usarem o banheiro. Certamente porque as bab\u00e1s mais antigas \u201csabiam o seu lugar\u201d.<\/p>\n<p>Indo adiante na fantasia, \u00e9 poss\u00edvel que alguma bab\u00e1 mais jovem e sem tanta experi\u00eancia em locais daquela natureza tivesse tido a impertin\u00eancia de desrespeitar aquela regra n\u00e3o escrita. Com o modesto crescimento do poder de consumo da classe trabalhadora na \u00faltima d\u00e9cada, \u00e9 poss\u00edvel que essa bab\u00e1 iconoclasta tivesse assistido na TV a cabo em sua casa a filmes como <u><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/The_Help_(filme)\">\u201cThe Help\u201d (\u201cHist\u00f3rias Cruzadas\u201d)<\/a><\/u>. Possivelmente, ap\u00f3s se emocionar e rir dos absurdos retratados no filme, tenha pensado um pouco consigo e se questionado por que a tal proibi\u00e7\u00e3o de usar o mesmo banheiro que os patr\u00f5es \u2013 retratada naquele Mississipi dos anos 60 \u2013 ainda vigorava no Rio de Janeiro do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>\n          <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/sites\/default\/files\/u28333\/help_poster.jpg\"\/>\n        <\/p>\n<p>Por certo viu que era hip\u00f3tese absurda &#8211; dado o anacronismo &#8211; e que s\u00f3 se mantinha por h\u00e1bito das velhas bab\u00e1s. Come\u00e7ou ent\u00e3o a usar o banheiro do clube quando a necessidade apertava. Como n\u00e3o via nada de errado nisso, n\u00e3o procurava faz\u00ea-lo de forma velada. At\u00e9 mesmo comentou com algumas colegas e indagou por que n\u00e3o faziam o mesmo.<\/p>\n<p>Como diz a <em>tagline<\/em> (mote) do filme \u201cThe Help\u201d, \u201ca mudan\u00e7a come\u00e7a com um sussurro\u201d.<\/p>\n<p>Pronto.<\/p>\n<p>A confus\u00e3o estava dada.<\/p>\n<p>As bab\u00e1s se empoderaram a ponto de usar abertamente os banheiros do clube e puseram abaixo a regra n\u00e3o escrita que as impedia. Evidentemente que, diante do que viram como impertin\u00eancia, os s\u00f3cios e administradores do clube entenderam por bem afixar a tal placa proibitiva. Deixaram por escrito a regra antes t\u00e1cita.<\/p>\n<p>Talvez os autores da iniciativa sejam admiradores do Presidente interino Michel Temer e deliciem-se n\u00e3o apenas com o uso de mes\u00f3clise em pronunciamentos verbais (!), mas tamb\u00e9m com cita\u00e7\u00f5es em latim.<\/p>\n<p>Acharam o m\u00e1ximo a ep\u00edgrafe escrita na l\u00edngua morta na sua carta a Dilma Rousseff de dezembro \u00faltimo: <em>verba volant, scripta manent <\/em>\u2013 ou, \u201cas palavras se esvaem, o escrito permanece\u201d. N\u00e3o apenas acharam o m\u00e1ximo, como viram sua utilidade pr\u00e1tica:<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o contemos mais com o bom senso e o recato (\u201crecato\u201d!) das bab\u00e1s! Deixemos por escrito que o Rio do s\u00e9culo XXI \u00e9 sim como o Mississipi dos anos 60. Ou seja, \u201cIguais, mas devidamente separados\u201d, como dita o bom e velho segregacionismo (<em>equal but separate<\/em>).<\/p>\n<p>\n          <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/sites\/default\/files\/u28333\/2c750014c21ecd0fb51f8cdae4af7095.jpg\"\/>\n        <\/p>\n<p>\n          <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/sites\/default\/files\/u28333\/segregated-jpg.jpg\"\/>\n        <\/p>\n<p>O relato do caso pode ser visto no jornal <u><a href=\"http:\/\/blogs.oglobo.globo.com\/ancelmo\/post\/babas-sao-proibidas-de-usar-banheiro-feminino-no-country-club-do-rio.html\">O Globo<\/a><\/u>, dos irm\u00e3os Marinho \u2013 os tr\u00eas evidentemente s\u00f3cios do Country, ora como n\u00e3o?<\/p>\n<p>Estava ent\u00e3o dado o enredo para a pol\u00eamica emergir nas m\u00eddias e nas redes sociais mais uma vez. Estava tamb\u00e9m dada a deixa para eu dar o meu pitaco de novo \u2013 e outra vez desagradar amigos e parentes com isso.<\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<p>Por um pouco de pregui\u00e7a dominical e mesmo pela falta de necessidade de atualizar o discurso, posto que o Brasil quase nunca surpreende, reproduzo o que escrevi da \u00faltima vez. \u00c0 \u00e9poca a nova manifesta\u00e7\u00e3o do fen\u00f4meno era a bab\u00e1 uniformizada na passeata pelo impeachment \u2013 tamb\u00e9m essa dominical.<\/p>\n<p>\n          <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/sites\/default\/files\/u28333\/baba-foto-protesto.jpg\"\/>\n        <\/p>\n<p>Escrevi ent\u00e3o ao seu patr\u00e3o, que mostrara revolta em post nas redes sociais com a repercuss\u00e3o da foto de sua fam\u00edlia com a bab\u00e1 na passeata:<\/p>\n<p>\n          <em> Oi, banqueiro, tudo bom? A bab\u00e1 j\u00e1 botou os meninos para dormir? Ok, ent\u00e3o vamos conversar&#8230;<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>Voc\u00ea paga o seus impostos?<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>Ok, voc\u00ea cumpre uma obriga\u00e7\u00e3o.<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>Paga empregados em dia e \u201ctrata com dignidade&#8221;?<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>Ok, voc\u00ea cumpre mais uma obriga\u00e7\u00e3o.<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>Voc\u00ea gera v\u00e1rios empregos &#8211; 4 na sua casa apenas?<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>Acho \u00f3timo.<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>Sabe o que n\u00e3o \u00e9 OK para mim?<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>Parece que voc\u00ea e a sua mulher trabalham, n\u00e9&#8230; que bom. Legal que voc\u00eas t\u00eam uma bab\u00e1 para ajudar durante a semana.<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>Quer dizer&#8230; n\u00e3o s\u00f3 durante a semana, n\u00e9? Como vemos na foto, no fim de semana ela tamb\u00e9m est\u00e1 a\u00ed com voc\u00eas.<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>Pergunto: n\u00e3o d\u00e1 para dar banho, trocar fralda, dar comida, brincar e dar aten\u00e7\u00e3o aos filhos nem no s\u00e1bado e no domingo?<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>Bem, para mim tem que dar sim.<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>\u00c9 uma opini\u00e3o pessoal, mas para mim <strong>filho \u00e9 mais do que modelo pra fotos bonitinhas no Instagram e no Facebook. Mais tamb\u00e9m do que um mero ve\u00edculo para a realiza\u00e7\u00e3o do impulso narcisista de passar a carga gen\u00e9tica adiante<\/strong>.<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>Ser\u00e1 que os meninos n\u00e3o acham isso tamb\u00e9m?<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>Sabe outra coisa que me incomoda na foto?<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>Esse uniforme que voc\u00ea d\u00e1 para a sua funcion\u00e1ria usar &#8211; o hediondo uniforme branco, onipresente na Zona Sul do Rio. Ainda bem que quando sa\u00ed do pa\u00eds a moda estava s\u00f3 come\u00e7ando.<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>Qual o objetivo?<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>Evitar que as pessoas pensem que a senhora negra \u00e9 da sua fam\u00edlia? Que \u00e9 uma amiga?<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>Ou \u00e9 para mostrar o seu status aos seus pares, compondo com o carr\u00e3o importado e o rel\u00f3gio de grife?<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>Mais uma vez, opini\u00e3o pessoal mas acho bem cafona.<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>Dou a dica: menos \u00e9 mais!<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>Por fim, o que tamb\u00e9m me incomoda \u00e9 n\u00e3o precisar olhar a foto para saber que a patroa que vai na frente \u00e9 branca (e ruiva!) e que a empregada que vai atr\u00e1s \u00e9 negra &#8211; e n\u00e3o o contr\u00e1rio. Eu queria viver num Brasil em que n\u00e3o desse para saber disso antes de ver a imagem.<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>Sonho, n\u00e9?<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>Eu sei&#8230; o pintor Debret n\u00e3o viveu para ver isso. E infelizmente eu tamb\u00e9m n\u00e3o vou.<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>Mas vou continuar lutando para vida da bab\u00e1 ser melhor, mesmo que seja em detrimento do seu conforto \u2013 e do seu bolso!<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>Nada pessoal.<\/em>\n        <\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<p>Dias depois li a \u00f3tima <u><a href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/cultura\/a-baba-18892063?utm_source=Facebook&amp;utm_medium=Social&amp;utm_campaign=compartilhar\">coluna da Fl\u00e1via Oliveira<\/a><\/u> sobre aquela bab\u00e1 \u2013 a da passeata e n\u00e3o as do Country Club. Concordo com tudo, menos com uma interdi\u00e7\u00e3o ao debate na parte final. Escrevi ent\u00e3o:<\/p>\n<p>\n          <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/sites\/default\/files\/u28333\/flavia-oliveira-png.png\"\/>\n        <\/p>\n<p>\n          <em> A <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/flaviaoliveirajornalista\/\">Fl\u00e1via Oliveira<\/a> \u00e9 \u00f3tima. Ela dan\u00e7a no fio da navalha e d\u00e1 n\u00f3 em pingo d\u2019\u00e1gua para escrever uma coluna que ainda d\u00e1 para ler no Globo, entre poucas hoje (s\u00f3 penso no Ilimar e no Anselmo). Ela tem menos sucesso, mas o mesmo esfor\u00e7o, na Globonews &#8211; j\u00e1 que o controle no audiovisual \u00e9 maior. Mas liberdade ela tem em eventuais tweets, como quando detonou a carta \u201cvazada\u201d de Michel Temer \u00e0 Presidente Dilma.<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>S\u00f3 discordo da parte final do texto da Fl\u00e1via, em que ela diz:<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>\u201cA reflex\u00e3o \u00e9 essencial e profunda, mas n\u00e3o foi ela que motivou o confronto virtual do in\u00edcio da semana. Este foi resultado da polariza\u00e7\u00e3o que n\u00e3o hesitou em fazer de uma trabalhadora dom\u00e9stica o \u00edcone de uma disputa pol\u00edtica para a qual ela n\u00e3o foi chamada. Maria Ang\u00e9lica de Lima, 45 anos, moradora de Nova Igua\u00e7u (RJ), m\u00e3e de duas filhas, patroa de uma bab\u00e1, eleitora de A\u00e9cio Neves (PSDB), insatisfeita com o governo, mas contra o impeachment de Dilma \u2014 soubemos de tudo isso pela reportagem de Bruno Alfano, anteontem, no \u201cExtra\u201d \u2014 foi silenciada e ignorada na web. Os gladiadores virtuais se apropriaram de sua imagem e subtra\u00edram dela o protagonismo, a individualidade, o direito de contar a pr\u00f3pria hist\u00f3ria. \u00c9 algo que n\u00e3o se faz. Por causa alguma.\u201d<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>E por que discordo dessa interdi\u00e7\u00e3o da Fl\u00e1via na parte final?<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>Porque um lado ou outro se apropriarem da imagem para debater n\u00e3o quer dizer que negaram esse direito \u00e0 empregada tamb\u00e9m.<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>Ora, n\u00e3o nos \u00e9 permitido discutir as circunstancias dos cen\u00e1rios e das pessoas que pintou Debret ent\u00e3o?<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em><br \/>\n            <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/sites\/default\/files\/u28333\/sinha_angelica.jpg\"\/><br \/>\n          <\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>Ningu\u00e9m \u2013 e nenhum historiador \u2013 ouviu os modelos (escravos) das pinturas. Obviamente que ao faz\u00ea-lo formulamos suposi\u00e7\u00f5es e simplifica\u00e7\u00f5es para criar uma abstra\u00e7\u00e3o e, a partir da\u00ed, fazer extrapola\u00e7\u00f5es.<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>Pegando outra \u00e1rea conhecida dela, bem sabe a Flavia que todo modelo econ\u00f4mico \u00e9 uma abstra\u00e7\u00e3o. Mas nem por isso deixa de ser material para debates sobre a realidade, muito mais complexa e com mais vari\u00e1veis. O mesmo vale para a foto.<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>Bem fez o jornalista do Extra que foi ouvir a bab\u00e1 no dia seguinte, ora.<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>Diminuiu o grau de abstra\u00e7\u00e3o daquele arqu\u00e9tipo.<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>Bem fez a Fl\u00e1via tamb\u00e9m em repercutir a entrevista, que n\u00e3o teve o destaque merecido.<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>Pois eu, que debati a foto no dia em que saiu, tamb\u00e9m repercuti a entrevista com a bab\u00e1 dias depois.<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>Tudo faz parte. Uma coisa n\u00e3o exclui a outra.<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>Nota: a coluna da Fl\u00e1via \u00e9 mais uma oportunidade para ver como seria bom ter uma m\u00eddia plural, com colunistas com backgrounds diferentes, para ter vis\u00f5es mais matizadas e menos absolutas sobre tudo e sobre todos.<\/em>\n        <\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<p>\n          <strong>Ep\u00edlogo:<\/strong>\n        <\/p>\n<p>Quando digo que o Brasil n\u00e3o costuma surpreender e que os &#8220;esc\u00e2ndalos&#8221; teimam em se repetir, vejam que a realidade n\u00e3o me desmente. Termino de escrever o post, dou uma olhada nas not\u00edcias e&#8230;<\/p>\n<p>Aten\u00e7\u00e3o aos trechos em negrito&#8230; n\u00e3o teria encaixado t\u00e3o bem com o post nem se eu tivesse combinado com o G1:<\/p>\n<p>\n          <strong>Do G1<\/strong>\n        <\/p>\n<p>\n          <strong><br \/>\n            <a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/rio-de-janeiro\/noticia\/2016\/05\/mulher-e-presa-suspeita-de-racismo-em-supermercado-na-zona-sul-do-rio.html\">Mulher \u00e9 presa suspeita de racismo em supermercado na Zona Sul do Rio<\/a><br \/>\n          <\/strong>\n        <\/p>\n<p>29\/05\/2016 13h04 &#8211; Atualizado em 29\/05\/2016 17h08<\/p>\n<p>Ela teria dito a gerente: &#8216;Volta para sua senzala&#8217;.<br \/>\nSuspeita ser\u00e1 levada para Bangu neste domingo.<\/p>\n<p>\n          <strong>Daniel Targueta<\/strong>\n        <\/p>\n<p>Da TV Globo<\/p>\n<p>Uma mulher de 58 anos foi presa neste s\u00e1bado (28) suspeita de inj\u00faria racial no Leblon, Zona Sul do Rio. Segundo testemunhas, Maria Francisca Alves de Souza, de 58 anos, teria insultado, com palavras de cunho racista, um funcion\u00e1rio negro da rede de supermercados Zona Sul. O caso ocorreu por volta das 20h, em um dos endere\u00e7os mais nobres do Leblon, Zona Sul do Rio: a Rua Dias Ferreira, conhecida pela grande movimenta\u00e7\u00e3o de bares e restaurantes, sobretudo \u00e0 noite <em>(veja o v\u00eddeo)<\/em>.<\/p>\n<p>Testemunhas contaram ao <strong>G1 <\/strong>que <strong>a suspeita insultou o funcion\u00e1rio com frases como &#8220;Volta para sua senzala&#8217; e &#8216;quilombo&#8217;<\/strong>. De acordo com um dos funcion\u00e1rios, a mulher fez as ofensas depois que o colega que teria sido v\u00edtima de racismo se negou a lhe prestar um favor \u2014 buscar um produto enquanto ela aguardava na fila do caixa \u2014 o que motivou a discuss\u00e3o.  Ela tamb\u00e9m teria achado que foi tratada com deboche por uma caixa.<\/p>\n<p>O funcion\u00e1rio que denuncia ter sido ofendido \u00e9 um gerente, identificado como Paulo Roberto Gon\u00e7alves Navaro, 45 anos. Ele se disse indignado com as ofensas e chamou a pol\u00edcia. &#8220;Infelizmente \u00e9 muito triste que hoje em dia aconte\u00e7a isso&#8221;, afirmou Paulo. <\/p>\n<p>No local, <strong>a mulher se defendeu dizendo que &#8220;senzala&#8221; e &#8220;quilombo&#8221; s\u00e3o, na vis\u00e3o dela, exalta\u00e7\u00f5es \u00e0 ra\u00e7a negra. &#8220;Olhem as senzalas das telas de Debret&#8221;, em refer\u00eancia ao pintor franc\u00eas Jean-Baptiste Debret, conhecido por suas pinturas sobre o per\u00edodo escravocrata brasileiro no s\u00e9culo 19<\/strong>. Sobre o &#8220;quilombo&#8221;, a mulher diz se referir a Zumbi dos Palmares, l\u00edder negro e, segundo ela, &#8220;\u00edcone da resist\u00eancia negra&#8221;.<\/p>\n<p>Houve um princ\u00edpio de confus\u00e3o e gritos de &#8220;racista&#8221; at\u00e9 policiais do Batalh\u00e3o do Leblon chegarem ao local. A mulher, o funcion\u00e1rio e outras testemunhas prestaram depoimento na delegacia do bairro.<\/p>\n<p>A Pol\u00edcia Civil classificou o crime como inj\u00faria racial e prendeu a agressora. Ela vai ser encaminhada para o Complexo Penitenci\u00e1rio de Bangu, na Zona Oeste do Rio, na tarde deste domingo (29). &#8220;Infelizmente esse tipo de crime \u00e9 comum, mas muita gente n\u00e3o vem \u00e0 delegacia para relatar. \u00c9 importante o relato de testemunhas para que as medidas sejam tomadas. Estamos voltando ao discurso do \u00f3dio. E racismo \u00e9 crime&#8221;, disse a delegada-titular da 14\u00aa DP (Leblon), Monique Vidal. <\/p>\n<p>Em depoimento a pol\u00edcia, segundo a delegada, Maria confirmou que usou as palavras &#8220;senzala&#8221; e &#8220;quilombo&#8221;, mas afirmou que n\u00e3o tinha inten\u00e7\u00e3o de ofender.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[583],"tags":[],"class_list":["post-86303","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-romulus-maya-posts-antigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/86303","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=86303"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/86303\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=86303"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=86303"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=86303"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}