{"id":86270,"date":"2016-07-25T09:29:00","date_gmt":"2016-07-25T11:29:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.duploexpresso.com\/?p=86270"},"modified":"2016-07-25T09:29:00","modified_gmt":"2016-07-25T11:29:00","slug":"golpe-de-licenca-santeria-candomble-e-calypso-pedem-passagem-por-romulus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=86270","title":{"rendered":"Golpe, d\u00ea licen\u00e7a: Santer\u00eda, Candombl\u00e9 e Calypso pedem passagem, por Romulus"},"content":{"rendered":"<p>\n          <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/sites\/default\/files\/u28333\/fotorcreated_12_5.jpg\" style=\"width: 690px; height: 454px;\"\/>\n        <\/p>\n<p>\n          <span style=\"font-size:16px;\"><br \/>\n            <strong>Golpe, d\u00ea licen\u00e7a: Santer\u00eda, Candombl\u00e9 e Calypso pedem passagem<\/strong><br \/>\n          <\/span>\n        <\/p>\n<p>\n          <span style=\"font-size:16px;\"><br \/>\n            <strong>Por Romulus<\/strong><br \/>\n          <\/span>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>\u2013 Enfim um post n\u00e3o pol\u00edtico.<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>\u2013 E uma d\u00favida: coincid\u00eancias existem?<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>\u2013 O enxame de mais de 20 mil navios negreiros cruza o Atl\u00e2ntico: a anima\u00e7\u00e3o chocante que deveria ser vista por todos.<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>\u2013 Cuba e a Santer\u00eda: paralelos com os nossos cultos afro-amer\u00edndios.<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>\u2013 E, de repente, a TV Francesa resolve tocar tambor tamb\u00e9m. E d\u00e1 passagem a Rose, a &#8220;Rainha do Calypso&#8221;.<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>\u2013 N\u00e3o pratico religi\u00e3o de matriz africana. Sou crist\u00e3o. Mas n\u00e3o sou cretino. Assim, tento conter uma (lament\u00e1vel) puls\u00e3o natural do ser humano ao etnocentrismo e \u00e0 xenofobia, quando n\u00e3o ao genoc\u00eddio.<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>\u2013 Afinal, um post n\u00e3o pol\u00edtico?<\/em>\n        <\/p>\n<p align=\"center\">\n          <strong>*   *   *<\/strong>\n        <\/p>\n<p>\u201cEu podia estar roubando, mas estou aqui trabalhando e pedindo para voc\u00eas me ajudarem comprando estas balinhas\u201d.<\/p>\n<p>Esse, salvo altera\u00e7\u00f5es microsc\u00f3picas, era o discurso das crian\u00e7as e jovens pobres que vendiam balas nos \u00f4nibus do Rio de Janeiro enquanto eu crescia.<\/p>\n<p>Da mesma forma que eles diziam, eu podia estar tamb\u00e9m aqui roubando&#8230;<\/p>\n<p>Quer dizer&#8230; poderia estar aqui escrevendo sobre \u201c<u><a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/poder\/2016\/07\/1794753-alckmin-perdoa-dividas-de-r-116-mi-de-acusada-de-cartel.shtml\">Alckmin perdoa d\u00edvida de 116 milh\u00f5es da Alstom<\/a><\/u>\u201d \u2013 que na manchete da Folha, no link, perde o nome \u201cAlstom\u201d e vira apenas \u201cempresa acusada de <em>c-a-r-t-e-l<\/em>.<\/p>\n<p><strong> <\/strong>Pausa para uma risada. Decib\u00e9is apurados pelo Datafolha!<strong> <\/strong><\/p>\n<p>Mas, em vez disso, estou aqui escrevendo um post que n\u00e3o \u00e9 sobre pol\u00edtica.<\/p>\n<p>E n\u00e3o \u00e9 sobre \u201croubo\u201d. Nem da Alstom, nem sob Alckmin.<\/p>\n<p>E nem do Datafolha, tampouco.<\/p>\n<p><strong>[Nota:<\/strong> Oi, Ombudsman da Folha! Tudo bom? <strong>Como assim<\/strong> voc\u00ea mata o Otavinho de vergonha? <strong>Como assim<\/strong> fala, sem hesita\u00e7\u00e3o, que \u201c<u><a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/paula-cesarino-costa-ombudsman\/2016\/07\/1794799-a-folha-errou-e-persistiu-no-erro.shtml\">a Folha errou e persistiu no erro?<\/a><\/u>\u201d <strong>Como assim<\/strong> voc\u00ea conclui o seu artigo-reprimenda dizendo que a imagem da Folha e do seu instituo de pesquisa ficou maculada?<\/p>\n<p>Eita!<\/p>\n<p>Pensando bem&#8230; convenhamos: <strong>como assim<\/strong> imagem maculada? \u00c9 poss\u00edvel notar m\u00e1cula no que j\u00e1 est\u00e1 mais sujo que pau de galinheiro?<\/p>\n<p>Mas deixa para l\u00e1&#8230;<\/p>\n<p>Disse que n\u00e3o ia falar sobre roubos hoje. Voltemos, pois. <strong>Fim da nota]<\/strong><\/p>\n<p>Ser\u00e1 mesmo que este post n\u00e3o \u00e9 sobre pol\u00edtica?<\/p>\n<p>Em nada?<\/p>\n<p>Julguem voc\u00eas.<\/p>\n<p align=\"center\">\n          <strong>*   *   *<\/strong>\n        <\/p>\n<p>\n          <strong>Coincid\u00eancias existem?<\/strong>\n        <\/p>\n<p>De v\u00e1rias fontes tem-me chegado elementos que apontam para um mesmo tema. Para uma certa heran\u00e7a.<\/p>\n<p>De lugares t\u00e3o d\u00edspares como o disco que \u00e9 divulgado de hora em hora em comercial na TV francesa a diversas conversas com amigos brasileiros. Mas passando tamb\u00e9m pelos relatos do mais recente membro da minha fam\u00edlia, um cubano, e por um post <em>vintage <\/em>da Cynara Menezes, a socialista morena. Sem esquecer, \u00e9 claro, de um tuite com a anima\u00e7\u00e3o mais chocante da minha vida.<\/p>\n<p>Coincid\u00eancias?<\/p>\n<p>Conex\u00f5es c\u00f3smicas?<\/p>\n<p>Julguem voc\u00eas. (2)<\/p>\n<p>Vamos por partes e depois a gente amarra tudo.<\/p>\n<p>Ou, ao contr\u00e1rio, soltamos tudo por a\u00ed, num grande banho de pipoca.<\/p>\n<p>\n          <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/sites\/default\/files\/u28333\/01713461500.jpg\" style=\"width: 595px; height: 424px;\"\/>\n        <\/p>\n<p align=\"center\">\n          <strong>*   *   *<\/strong>\n        <\/p>\n<p>\n          <strong>A anima\u00e7\u00e3o chocante que deveria ser obrigat\u00f3ria<\/strong>\n        <\/p>\n<p>Os navios negreiros chegaram aqui no Brasil em quantidade, todos sabemos. Mas tamb\u00e9m chegaram maci\u00e7amente a Cuba e ao Sul dos Estados Unidos, entre outras destina\u00e7\u00f5es \u2013 e outros degredos.<\/p>\n<p>Como adiantei acima, um tempo atr\u00e1s vi <u><a href=\"https:\/\/twitter.com\/rommulus_\/status\/738548571755171840\">um tuite<\/a><\/u> com a anima\u00e7\u00e3o mais chocante da minha vida:<\/p>\n<p>\n          <strong>\u2013 Retrata a explos\u00e3o do tr\u00e1fico negreiro de forma gr\u00e1fica.<\/strong>\n        <\/p>\n<p>Mostra-se, no mapa do mundo, os percursos dos milhares de navios negreiros. No total, mais de 20 mil!<\/p>\n<p>Vai-se de 1545 a 1860. Essa anima\u00e7\u00e3o deveria ser vista por <strong>todo mundo nos pa\u00edses destinat\u00e1rios, bem como nos pa\u00edses de origem<\/strong> \u2013 sen\u00e3o por toda a humanidade.<\/p>\n<p>Est\u00e1 l\u00e1 publicada num <u><a href=\"http:\/\/www.slate.com\/articles\/life\/the_history_of_american_slavery\/2015\/06\/animated_interactive_of_the_history_of_the_atlantic_slave_trade.html\">artigo do Slate<\/a><\/u>, com o texto que explica as suas circunst\u00e2ncias na sequ\u00eancia.<\/p>\n<p>N\u00e3o deixem de v\u00ea-la no link. Trata-se de um choque sim, mas necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>\n          <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/sites\/default\/files\/u28333\/screen_shot_2016-07-25_at_07.02.57.png\" style=\"width: 690px; height: 408px;\"\/>\n        <\/p>\n<p align=\"center\">\n          <strong>*   *   *<\/strong>\n        <\/p>\n<p>\n          <strong>Cuba e a Santer\u00eda: paralelos com os nossos cultos afro-amer\u00edndios<\/strong>\n        <\/p>\n<p>Como dizia, al\u00e9m do Brasil \u2013 de longe o maior destinat\u00e1rio, esses navios, carregados de almas, mortes e banzos, tamb\u00e9m chegaram maci\u00e7amente a Cuba.<\/p>\n<p>E a\u00ed chegamos ao interessant\u00edssimo relato do Cubano que entrou para a minha fam\u00edlia anos atr\u00e1s, como padrasto. Nesse caso, anoto algumas diferen\u00e7as e semelhan\u00e7as entre a Santer\u00eda, o culto afro que l\u00e1 se pratica, e o nosso Candombl\u00e9 ou a Umbanda.<\/p>\n<p>Primeiro de tudo, l\u00e1 a correspond\u00eancia dos Orix\u00e1s com os santos, no sincretismo com o Catolicismo, \u00e9, grosso modo, igual \u00e0quela do Rio de Janeiro. Pelo menos em Havana. Isto \u00e9, salvo pequen\u00edssimas varia\u00e7\u00f5es, como tamb\u00e9m as h\u00e1 entre Rio, Bahia e Pernambuco, por exemplo.<\/p>\n<p>Mas, uma diferen\u00e7a capital:<\/p>\n<p>\n          <strong>\u2013 L\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 terreiros para o culto!<\/strong>\n        <\/p>\n<p>Pelo menos n\u00e3o ostensivamente.<\/p>\n<p>E o que ocorre na aus\u00eancia de terreiros?<\/p>\n<p>As pessoas praticam a Santer\u00eda nas suas casas.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o todas&#8230; \u00e9 apenas uma fra\u00e7\u00e3o que abriga as cerim\u00f4nias nos seus lares. Suponho que os equivalentes \u00e0s m\u00e3es \/ pais de santo. Os demais t\u00eam de ser convidados \u00e0 casa do anfitri\u00e3o \u2013 deste e de outros mundos \u2013 para que possam, finalmente, fazer tamb\u00e9m o seu culto e as suas oferendas.<\/p>\n<p>Mas por qu\u00ea?<\/p>\n<p>A Santer\u00eda tem de ser praticada \u00e0s escondidas?<\/p>\n<p>N\u00e3o exatamente. Diferentemente do Brasil, n\u00e3o h\u00e1 estigma de classe ou de n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o ligado \u00e0 Santer\u00eda. L\u00e1 se veem pessoas das mais humildes e com menor escolaridade \u00e0s com p\u00f3s-doutorado praticando-a.<\/p>\n<p>Assim, estigma negativo em \u00e2mbito social parece n\u00e3o existir.<\/p>\n<p>E no \u2013 sens\u00edvel \u2013 \u00e2mbito pol\u00edtico da ilha?<\/p>\n<p>\n          <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/sites\/default\/files\/u28333\/marti-educacion.jpg\" style=\"width: 640px; height: 317px;\"\/>\n        <\/p>\n<p>Ora, vejam que interessante:<\/p>\n<p>Segundo o relato, no movimento de independ\u00eancia, ainda com Jos\u00e9 Mart\u00ed, surgiu certa hostilidade \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica. Ela era vista, ent\u00e3o, como um dos ve\u00edculos de opress\u00e3o do colonizador espanhol. Imagino que a Igreja, quase sempre reacion\u00e1ria na Hist\u00f3ria, tenha mesmo se colocado contra o movimento de independ\u00eancia de Cuba. Imaginem os serm\u00f5es dos padres de ent\u00e3o, pregando \u201cfidelidade a Deus e \u00e0 Coroa\u201d.<\/p>\n<p><strong>Par\u00eanteses:<\/strong> Igreja \u201cquase sempre reacion\u00e1ria na Hist\u00f3ria\u201d?<\/p>\n<p>Hmmm&#8230;<\/p>\n<p>Aproveito a oportunidade para pedir a ben\u00e7\u00e3o do Papa Francisco e fazer votos para que ele viva mais 100 anos. Pois ainda lhe resta muito a consertar!<\/p>\n<p>O resultado do posicionamento da Igreja, com a vit\u00f3ria do movimento independentista, foi a sedimenta\u00e7\u00e3o de um forte anti-clericalismo e anti-catolicismo. Isso j\u00e1 l\u00e1 desde os fins do S\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p>Assim, na \u00e9poca da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana, 60 anos depois, as igrejas cat\u00f3licas, na pr\u00e1tica, j\u00e1 estavam meio \u00e0s moscas. Hoje, seriam praticamente museus para visita dos turistas. Fora, evidentemente, as datas festivas em que o sincretismo leva os muitos adeptos da Santer\u00eda de volta aos altares das igrejas. Imaginem algo como a Festa do Bonfim ou o 4 de dezembro na igreja de Santa B\u00e1rbara em Salvador.<\/p>\n<p>\n          <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/sites\/default\/files\/u28333\/lavagem.jpg\" style=\"width: 690px; height: 460px;\"\/>\n        <\/p>\n<p>J\u00e1 a Santer\u00eda era vista como algo (semi) &#8220;autoctone&#8221;, e, como tal, algo a ser valorizado na constru\u00e7\u00e3o da identidade nacional. Ou, sen\u00e3o tanto, algo ao menos que deveria ser aceito, sem estigmas negativos.<\/p>\n<p>Isso j\u00e1 desde a independ\u00eancia.<\/p>\n<p>Ao que parece, a revolu\u00e7\u00e3o de Castro e Che n\u00e3o mexeu muito com isso. N\u00e3o teria havido repress\u00e3o aos cultos afro \u2013 diferentemente do que ocorreu com a Igreja Cat\u00f3lica.<\/p>\n<p>Igreja, ali\u00e1s, que, diversamente das m\u00e3es \/ pais de santo, recebe ordens de fora, numa hierarquia r\u00edgida, certo?<\/p>\n<p>Que o digam Joao Paulo II e Lech Walesa, n\u00e3o \u00e9 mesmo?<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que algu\u00e9m faria diferente no lugar dos irm\u00e3os Castro?<\/p>\n<p>E em caso positivo, n\u00e3o poderia o movimento \u201cSolidariedade\u201d \u2013 n\u00e3o confundir com um certo partideco cretino do Brasil \u2013 ter surgido no porto de Havana, e n\u00e3o em Gdansk, na Pol\u00f4nia?<\/p>\n<p>Bem&#8230; Cuba n\u00e3o teve um Lech Walesa, \u00e9 certo. Mas em seu lugar teve a grande Yaoni Sanchez, n\u00e3o foi?<\/p>\n<p>\u00ac\u00ac<\/p>\n<p>\n          <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/sites\/default\/files\/u28333\/fotorcreated_13.jpg\" style=\"width: 690px; height: 219px;\"\/>\n        <\/p>\n<p>Orix\u00e1s? Yaoni \u00e9 filha de Tio Sam com Marilyn Monroe.<\/p>\n<p>Mas voltando \u00e0 Santer\u00eda&#8230;<\/p>\n<p>Como resultado da revolu\u00e7\u00e3o, os cubanos passaram a &#8220;aprender&#8221; na escola, desde a mais tenra idade, que &#8220;s\u00e3o ateus\u201d. E ponto final.<\/p>\n<p>Assim, o pr\u00f3prio cubano do relato, se perguntado sobre a sua religi\u00e3o, dir\u00e1 sem pestanejar:<\/p>\n<p>\u2013 Sou ateu, ora!<\/p>\n<p>Mas, caso se pergunte em outro momento sobre Orix\u00e1s, ou, como se pronuncia em Cuba, \u201cO-<strong><u>r\u00ed-<\/u><\/strong>xas\u201d, ele dir\u00e1, tamb\u00e9m sem pestanejar:<\/p>\n<p>\u2013 Sou filho de Iemanj\u00e1, ora!<\/p>\n<p>Ou melhor, de \u201cYemani\u00e1\u201d.<\/p>\n<p>Vemos logo que esse ate\u00edsmo entre aspas s\u00f3 vai at\u00e9 a p\u00e1gina dois.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, assim como uns outros \u201cateus\u201d da minha fam\u00edlia, brasileiros esses, que \u201cs\u00e3o c\u00e9ticos\u201d, mas morrem de medo de esp\u00edrito, de cemit\u00e9rio e de alma penada.<\/p>\n<p>\u00ac\u00ac<\/p>\n<p>Esquizofrenia religiosa?<\/p>\n<p>Ter\u00e1 sido a preocupa\u00e7\u00e3o da Revolu\u00e7\u00e3o com as apar\u00eancias, se n\u00e3o com a realidade, que empurrou a Santer\u00eda de terreiros para a discri\u00e7\u00e3o das casas? Ou ser\u00e1 que, de fato, esses nunca existiram na ilha? Algo a pesquisar&#8230;<\/p>\n<p>Como vive h\u00e1 alguns anos no Rio Janeiro, o cubano \u201cateu\u201d filho de Iemanj\u00e1 vai de tempos em tempos fazer oferendas na praia, quando o bicho pega.<\/p>\n<p>Diferentemente da tradi\u00e7\u00e3o brasileira, em que se d\u00e3o espelhinhos, pentes, perfume, etc., em Cuba, no seu lugar, se d\u00e3o <strong>frutas para a Rainha do Mar<\/strong>. E ele continua com essa tradi\u00e7\u00e3o no Rio, evidentemente.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, devo registrar: achei a tradi\u00e7\u00e3o frut\u00edfera cubana muuuuuito interessante. Inclusive porque \u00e9 mais barata e, sobretudo, porque \u00e9 <strong>muito mais ecol\u00f3gica<\/strong>.<\/p>\n<p>Assim, num esp\u00edrito de cosmopolitismo e xeno<u>filia<\/u> aberta, penso, inclusive, que essa pr\u00e1tica deveria ser mais difundida no Brasil. Essa, ali\u00e1s, uma das v\u00e1rias raz\u00f5es de escrever este post.<\/p>\n<p>Mais outra diferen\u00e7a. Essa na rela\u00e7\u00e3o entre os devotos e os Orix\u00e1s:<\/p>\n<p>Diferentemente do Brasil, em que o devoto se dirige com muita rever\u00eancia, respeito e humildade ao Orix\u00e1, os cubanos s\u00e3o, digamos, muito mais &#8220;altivos&#8221;.<\/p>\n<p>Um exemplo? Pois vejam s\u00f3:<\/p>\n<p>O padrasto cubano vai da quitanda \u00e0 praia da Zona Sul do Rio carregado de ma\u00e7\u00e3s, laranjas, bananas e uvas. Joga as frutas ao mar e, diante de eventuais agruras por que passa na vida, fala \u201caltivamente\u201d:<\/p>\n<p>\n          <strong>\u2013 Po, Iemanj\u00e1! Eu todo ferrado aqui, cheio de problema, te dando uma penca de frutas e voc\u00ea a\u00ed passeando pelos mares?!! O que que h\u00e1, Iemanj\u00e1??!!<\/strong>\n        <\/p>\n<p>\n          <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/sites\/default\/files\/u28333\/1ee63449945025f9ec1f25f431f06637.jpg\" style=\"width: 399px; height: 600px;\"\/>\n        <\/p>\n<p>Achei essa \u201cpequena\u201d diferen\u00e7a sensacional. Ser\u00e1 algo ancestral no culto da ilha ou reflete, em alguma medida, uma certa dessacraliza\u00e7\u00e3o dos Orix\u00e1s diante da \u201cli\u00e7\u00e3o de ate\u00edsmo\u201d aprendida na escola?<\/p>\n<p>Seria mais um sincretismo? Esse com Marx e L\u00eanin vestidos de samambaia batendo cabe\u00e7a ao som do batuque?<\/p>\n<p>\u00ca-\u00ea!<\/p>\n<p>Outra coisa a pesquisar&#8230;<\/p>\n<p align=\"center\">\n          <strong>*   *   *<\/strong>\n        <\/p>\n<p>\n          <strong>E, de repente, a France 2 entra na conspira\u00e7\u00e3o afro-americana: Calypso!<\/strong>\n        <\/p>\n<p>H\u00e1 algumas semanas est\u00e1 sendo divulgado, de hora em hora em comerciais na TV Francesa, o novo \u00e1lbum de uma certa cantora veterana de Trinidad e Tobago.<\/p>\n<p>Esse, outro pa\u00eds insular do Caribe, ali\u00e1s. Logo ao norte da Venezuela. E, assim como Cuba (e o Brasil!), mais um dos destinos daqueles navios carregados de almas, mortes e banzos.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m de cultura e resist\u00eancia, bem sabemos.<\/p>\n<p>N\u00e3o conhecia a cantora. No entanto, logo depois de apresentado, aprendo que ela n\u00e3o \u00e9 nada menos que \u201ca\u201d rainha. Do qu\u00ea? Do Calypso, ora!<\/p>\n<p>Pensavam voc\u00eas que \u201cCalypso\u201d era aquela contrafa\u00e7\u00e3o <em>made in<\/em> Bel\u00e9m do Par\u00e1? E que a sua rainha era Joelma?<\/p>\n<p>Sabe de nada, inocente!<\/p>\n<p>Pois aprendam:<\/p>\n<p>Essa veterana cantora \u00e9 quem tem o titulo de &#8220;rainha do Calypso&#8221;. Ali\u00e1s, a m\u00fasica divulgada de hora em hora na TV francesa trata justamente do seu longu\u00edssimo reinado. E, mais importante, a melodia imp\u00f5e o ritmo em que a cantora d\u00e1 uma banana e samba na cara daqueles que querem tirar a coroa da sua cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>Que ousadia!<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, ainda n\u00e3o est\u00e1 claro para mim se na m\u00fasica ela samba ou dan\u00e7a Calypso na cara desses <strong>g-o-l-p-i-s-t-a-s <\/strong>da Cultura \u2013 aqui posso usar a express\u00e3o, Ministra Rosa Weber?<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que a m\u00fasica tocou tanto na TV que acabei baixando-a. E, s\u00f3 ent\u00e3o, fui dar uma olhada na vida da tal da rainha.<\/p>\n<p>E quem \u00e9 a soberana?<\/p>\n<p>\n          <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/sites\/default\/files\/u28333\/calypso-rose.jpg\" style=\"width: 690px; height: 476px;\"\/>\n        <\/p>\n<p>\n          <strong>\u2013 &#8220;Calypso Rose&#8221;. Que, como ela mesma acrescenta, \u00e9 &#8220;Queen of Calypso&#8221;!<\/strong>\n        <\/p>\n<p><strong>[Nota: <\/strong>n\u00e3o confundir com \u201c<strong>Queen Khalese<\/strong>\u201d. Essa, a rainha leg\u00edtima dos Sete Reinos de Westeros, por direito de nascen\u00e7a, e da cidade de Meereen, por direito de conquista. Tamb\u00e9m intitulada \u201cm\u00e3e de drag\u00f5es\u201d e \u201caquela que rompeu as correntes\u201d.<\/p>\n<p>E que correntes ela rompeu&#8230; justamente aquelas que aprisionavam os <strong>escravos<\/strong> de Meereen, ora sen\u00e3o.<\/p>\n<p>Opa! Escravos? Mais \u201calmas, mortes e banzos\u201d (cultura e resist\u00eancia)?<\/p>\n<p>Mais uma coincid\u00eancia? Desta vez com George R.R. Matin? <strong>Fim da nota]<\/strong><\/p>\n<p>Voltando \u00e0 Dona Calypso Rose, ela \u00e9 filha de um pastor batista l\u00e1 na pequena ilha de Trinidad e Tobago. Repito: pastor batista. Mesmo assim, para desgosto da fam\u00edlia, n\u00e3o resistiu ao chamado ancestral do batuque no seu sangue.<\/p>\n<p><strong>[Nota:<\/strong> ali\u00e1s, &#8220;Batuque&#8221;? N\u00e3o era esse justamente o antigo nome, grafado com letra mai\u00fascula, que se dava ao Candombl\u00e9 no Brasil? <strong>Fim da nota]<\/strong><\/p>\n<p>Como se v\u00ea ent\u00e3o, o caminho n\u00e3o foi f\u00e1cil para Rose. Como a Rainha do Calypso diz <u><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=l-j-tPbOfYQ\">na m\u00fasica<\/a><\/u>:<\/p>\n<p>\u2013 Costumavam chama-la de \u201ca garota que veio daquela ilhota\u201d. Mas tiveram de lhe dar passagem porque, hoje, quem viaja o mundo todo \u00e9 ela. Viaja por aqui, por l\u00e1, est\u00e1 em todo lugar. E eles podem rodar o mundo perguntando: Calypso Rose \u00e9 e sempre ser\u00e1 a verdadeira rainha do Calypso. N\u00e3o tem ningu\u00e9m, vivo ou j\u00e1 morto, que possa tirar a coroa da sua cabe\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>[Nota: <\/strong>livremente traduzido e adaptado (com certa \u201cempolga\u00e7\u00e3o\u201d) a partir de \u201c<em>they used to call me &#8220;small island girl&#8221;. Now I travel the world! Anywhere they go they now I\u2019m Calypso Rose, Queen of Calypso<\/em>\u201d. E mais: \u201c<em>everywhere I reign supreme. The one and only Calypso queen. No man alive or dead could come and take the crown off my head<\/em>\u201d. <strong>Fim da nota]<\/strong><\/p>\n<p>T\u00e1 bom ou quer mais?<\/p>\n<p>Al\u00e9m de tudo, achei Dona Calypso Rose uma simpatia. Fiquei imaginando uma feijoada (ser\u00e1 esse o prato?) e uma roda de samba, digo, de Calypso, na casa dela num domingo pregui\u00e7oso.<\/p>\n<p>\u2013 Convida, Dona Calypso Rose! Tem essas coisas aqui na Su\u00ed\u00e7a n\u00e3o!<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, que sotaque afro-caribenho maravilhoso \u00e9 esse, hein?<\/p>\n<p>E por que outra caribenha, Dona Rihanna, s\u00f3 gravou uma m\u00fasica at\u00e9 hoje com o seu sotaque nativo, de Barbados \u2013 m\u00fasica essa que nem de \u00e1lbum seu era?<\/p>\n<p>Est\u00e1 merecendo uns cascudos de Dona Calypso Rose, n\u00e3o est\u00e1 n\u00e3o?<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, por falar em cascudos, o pai da Rainha do Calypso, o pastor batista, torceu o nariz para o chamado que batuque fez \u00e0 mo\u00e7a, lembram?<\/p>\n<p>Gra\u00e7as a Deus (e aos Orix\u00e1s?) parece que depois as coisas se resolveram e ficou tudo bem. Ao que parece, a rainha n\u00e3o guarda m\u00e1goas do pai rigoroso. Ainda na m\u00fasica, aos que querem roubar a sua coroa, ela adverte:<\/p>\n<p>\u2013 Sou a filha de um guerreiro (ou ter\u00e1 sido uma guerreir<strong><u>a<\/u><\/strong>?). Ora, n\u00e3o tenho tempo nem para descansar nem para me aposentar. Outros tamb\u00e9m chegaram, mas depois sumiram, n\u00e3o foi? Enquanto isso, Calypso Rose continua aqui cantando. \u00c9 ou n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p><strong>[Do original: <\/strong>\u201c<em>I am the daughter of the warrior. No time to rest or retire. Others have come and gone, but Calypso Rose is still singing on<\/em>\u201d<strong>]<\/strong><\/p>\n<p>Por fim, uma confiss\u00e3o: a cabe\u00e7a de advogado fez com que as primeiras palavras que me chamassem a aten\u00e7\u00e3o para a m\u00fasica do comercial da TV &#8220;que tocava toda hora&#8221; fossem as seguintes:<\/p>\n<p> \u2013 Esquecem que a minha <strong>constitui\u00e7\u00e3o <\/strong>\u00e9 forte.<\/p>\n<p><strong>[<\/strong>\u201c<em>Forgetting that my constitution is strong<\/em>.\u201d<strong>]<\/strong><\/p>\n<p>Sorte sua, Dona Calypso Rose. A do Brasil \u00e9 fraqu\u00edssima. Ali\u00e1s, n\u00e3o sei se existe ainda.<\/p>\n<p align=\"center\">\n          <strong>*   *   *<\/strong>\n        <\/p>\n<p>Pelo que vi, como na Salsa de Cuba, o Calypso tem metais e cordas mais marcados, diferentemente do samba, com cordas mais discretas e sem metais.<\/p>\n<p>Isso no popular. No tradicional, jongo, tambor de crioula e que tais sequer sofreram essas \u201cinvas\u00f5es b\u00e1rbaras\u201d.<\/p>\n<p>Nesses, ficou apenas o mais ancestral, o batuque.<\/p>\n<p align=\"center\">\n          <strong>*   *   *<\/strong>\n        <\/p>\n<p>E a\u00ed, falando de m\u00fasica, a Cynara Menezes entra na conex\u00e3o c\u00f3smica afro-americano-caribenha, com um post seu de 2015, intitulado \u201c<u><a href=\"http:\/\/www.socialistamorena.com.br\/por-que-nos-eua-nao-tem-batucada\/\">Por que nos EUA n\u00e3o tem batucada?<\/a><\/u>\u201d. Ali, respondendo ao t\u00edtulo, ela explica como \u00e9 que os tambores sumiram dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Sim, sumiram&#8230; azar o dos gringos!<\/p>\n<p>Abaixo, parte do post da baiana Cynara, \u201ca socialista morena\u201d. \u201cMorenismo\u201d esse que n\u00e3o deixa de ser, em si, a tradu\u00e7\u00e3o mais simples, e, portanto, mais elegante, de um certo sincretismo. Esse, pol\u00edtico. E com as b\u00ean\u00e7\u00e3os do (branco) velho Brizola.<\/p>\n<p>Ao texto:<\/p>\n<p><em>No dia 9 de setembro de 1739, um domingo, em uma localidade pr\u00f3xima a Charleston, na Carolina do Sul, um grupo de escravos iniciou uma marcha gritando por liberdade <\/em>[&#8230;]<em>, conhecida como a \u201cInsurrei\u00e7\u00e3o de Stono\u201d. <\/em>[&#8230;]<\/p>\n<p><em>A rea\u00e7\u00e3o dos senhores foi severa. O governo da Carolina do Sul baixou o \u201cAto Negro\u201d (Negro Act) em 1740, trazendo uma s\u00e9rie de proibi\u00e7\u00f5es. <\/em>[&#8230;]<em><strong>Como os brancos suspeitavam que os tambores eram utilizados como uma forma de comunica\u00e7\u00e3o pelos negros, foram sumariamente vetados<\/strong>. <\/em>[&#8230;]<\/p>\n<p>\n          <em>A proibi\u00e7\u00e3o se espalhou pelo pa\u00eds e s\u00f3 foi abolida ap\u00f3s a guerra civil, mais de um s\u00e9culo depois, em 1866.<\/em>\n        <\/p>\n<p align=\"center\">\n          <strong>*   *   *<\/strong>\n        <\/p>\n<p>Fecho o post com algumas observa\u00e7\u00f5es que oxal\u00e1 \u2013 ali\u00e1s, oxal\u00e1, insha\u2019Allah e <strong>Oxal\u00e1 <\/strong>tamb\u00e9m \u2013 um dia n\u00e3o ser\u00e3o mais necess\u00e1rias:<\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o sou praticante de religi\u00f5es de matriz africana (perdoem, portanto, imprecis\u00f5es!).<\/p>\n<p>\u2013 Sou crist\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2013 Mas n\u00e3o sou um cretino. Assim, tento conter uma (lament\u00e1vel) puls\u00e3o natural do ser humano. Puls\u00e3o essa que o empurra para, no m\u00ednimo, o etnocentrismo e, no m\u00e1ximo, a xenofobia. Quando n\u00e3o para o genoc\u00eddio apregoado por uma \u201csolu\u00e7\u00e3o final\u201d.<\/p>\n<p>\n          <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/sites\/default\/files\/u28333\/fotorcreated_12_6.jpg\" style=\"width: 690px; height: 191px;\"\/>\n        <\/p>\n<p>\u2013 Ser\u00e1 agir assim sin\u00f4nimo de ser filho de Oxal\u00e1?<\/p>\n<p>\u2013 Ou ser\u00e1 Jesus?<\/p>\n<p>\u2013 Ou os dois?<\/p>\n<p>\u2013 Ou outros?<\/p>\n<p>\u2013 Ou nenhum?<\/p>\n<p>\u2013 De qualquer forma: osana \/ sarav\u00e1 \/ evo\u00e9!<\/p>\n<p align=\"center\">\n          <strong>*   *   *<\/strong>\n        <\/p>\n<p>\n          <strong>Fim do post \u201cn\u00e3o pol\u00edtico\u201d.<\/strong>\n        <\/p>\n<p align=\"center\">\n          <strong>*   *   *<\/strong>\n        <\/p>\n<p><strong>(i) <\/strong>Acompanhe-me no Facebook:<\/p>\n<p>\n          <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100008108688607\"><br \/>\n            <strong>Maya Vermelha, a Chihuahua socialista<\/strong><br \/>\n          <\/a>\n        <\/p>\n<p>(perfil da minha brava e fiel escudeirinha)<\/p>\n<p>\n          <strong>*<\/strong>\n        <\/p>\n<p><strong>(ii)<\/strong> No Twitter:<\/p>\n<p>\n          <a href=\"https:\/\/twitter.com\/rommulus_\"><br \/>\n            <strong>@rommulus_<\/strong><br \/>\n          <\/a>\n        <\/p>\n<p>\n          <strong>*<\/strong>\n        <\/p>\n<p><strong>(iii)<\/strong> E, claro, aqui no GGN: <a href=\"http:\/\/jornalggn.com.br\/blogs\/romulus\"><strong>Blog de Romulus<\/strong><\/a><\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[583],"tags":[],"class_list":["post-86270","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-romulus-maya-posts-antigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/86270","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=86270"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/86270\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=86270"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=86270"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=86270"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}