{"id":86268,"date":"2016-07-31T09:28:00","date_gmt":"2016-07-31T11:28:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.duploexpresso.com\/?p=86268"},"modified":"2016-07-31T09:28:00","modified_gmt":"2016-07-31T11:28:00","slug":"vol-3-quem-tem-medo-de-india-brava-e-nega-maluca-por-romulus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=86268","title":{"rendered":"Vol. 3: Quem tem medo de \u00edndia brava e nega maluca?, por Romulus"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">\n          <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/sites\/default\/files\/u28333\/fotorcreated_12_5.jpg\" style=\"width: 800px; height: 526px;\"\/>\n        <\/p>\n<p>\n          <strong>Vol. 3: Canto \u2013 abafado \u2013 das tr\u00eas ra\u00e7as: quem tem medo de \u00edndia brava e nega maluca?<\/strong>\n        <\/p>\n<p>\n          <span style=\"font-size:16px;\"><br \/>\n            <strong>Por Romulus<\/strong><br \/>\n          <\/span>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>\u2013<\/em><br \/>\n          <em> Primeiro, nosso \u201csenhor da guerra\u201d, junior50, diz o que \u00e9 religi\u00e3o.<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>\u2013<\/em><br \/>\n          <em> Igreja Cat\u00f3lica com \u201cpadre\u201d mulher, padre e casamento gay, contracep\u00e7\u00e3o e eutan\u00e1sia. Sonho? Que nada: realidade aqui na Europa.<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>\u2013<\/em><br \/>\n          <em> S\u00f3 no Brasil: \u201cmuito prazer, pai Davi Cohen de Oxal\u00e1 ao seu dispor. Shalom e sarav\u00e1!\u201d<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>\u2013<\/em><br \/>\n          <em> O menino \u201cbranco\u201d, que tinha medo de \u00edndia brava e de nega maluca, confrontado com o arm\u00e1rio mal fechado que guardava \u2013 tamb\u00e9m mal \u2013 um segredo.<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>\u2013<\/em><br \/>\n          <em> E fechamos com arte sim, senhor: a atriz Fernanda Torres conta da sua tia m\u00e3e de santo (!), Dercy Gon\u00e7alves conta do seu encontro com uma Pombagira mal-humorada e Clara Nunes encerra: o \u201cCanto das tr\u00eas ra\u00e7as\u201d.<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>\u2013<\/em><br \/>\n          <em> Viva o Brasil: amem \/ sarav\u00e1 \/ namast\u00ea \/ shalom \/ salaam \/ evo\u00e9! &#8230; &#8230; &#8230; (complete voc\u00ea)<\/em>\n        <\/p>\n<p align=\"center\">\n          <strong>*   *   *<\/strong>\n        <\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o embarcou na viagem cultural desta semana?<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o leu o <strong>\u201c<u><a href=\"http:\/\/jornalggn.com.br\/blog\/romulus\/golpe-de-licenca-santeria-candomble-e-calypso-pedem-passagem-por-romulus\">Vol. 1: Golpe, d\u00ea licen\u00e7a: Santer\u00eda, Candombl\u00e9 e Calypso pedem passagem<\/a><\/u>\u201d<\/strong> e o <strong>\u201c<u><a href=\"http:\/\/jornalggn.com.br\/blog\/romulus\/vol-2-\u201ctraga-sim-o-amado-em-7-dias-mas-ninguem-pode-saber-ok\u201d-por-romulus\">Vol. 2: \u2018Traga sim o amado em 7 dias: mas ningu\u00e9m pode saber, Ok?<\/a>\u2019<\/u>\u201d<\/strong>?<\/p>\n<p>Certamente a nova aula do nosso \u201csenhor da guerra\u201d particular daqui do GGN, <strong>junior50<\/strong>, ati\u00e7ar\u00e1 a curiosidade.<\/p>\n<p>Generoso novamente, divide conosco, sob o t\u00edtulo \u201cReligi\u00e3o\u201d, pontos fulcrais da sua vida e do seu caminho na f\u00e9, ricamente banhado na diversidade.<\/p>\n<p>Tento, sem o mesmo poder de s\u00edntese dele (rsrsrs), retribuir a generosidade na sequ\u00eancia.<\/p>\n<p>E, no final, um (senhor) b\u00f4nus: os \u201cpref\u00e1cios\u201d que a leitora-xod\u00f3 do Blog, <strong>Maria<\/strong>, escreveu para o Vol. 1 e para o Vol. 2 da viagem.<\/p>\n<p>Preparados?<\/p>\n<p><strong><em>Soltem<\/em><\/strong> os cintos \u2013 joguem fora todas as amarras \u2013 e vamos l\u00e1!<\/p>\n<p align=\"center\">\n          <strong>*   *   *<\/strong>\n        <\/p>\n<p>\n          <u><br \/>\n            <a href=\"http:\/\/jornalggn.com.br\/comment\/963456#comment-963456\"><br \/>\n              <strong>Religi\u00e3o<\/strong><br \/>\n            <\/a><br \/>\n          <\/u>\n        <\/p>\n<p>\n          <strong>Por junior50<\/strong>\n        <\/p>\n<p>Como fui citado, permito-me classificar <u><a href=\"file:\/\/\/Vol.%202\/%20\u2018Traga%20sim%20o%20amado%20em%207%20dias\/%20mas%20ningu\u00e9m%20pode%20saber,%20Ok%3F\">esta postagem<\/a><\/u> [o Vol. 2] como pol\u00edtica, em um sentido amplo, pois a cultura de um povo, somada \u00e0 sua cren\u00e7a religiosa, \u00e9 politica. Afinal, desde priscas eras, <strong>o controle politico de uma sociedade teve bases religiosas<\/strong>. At\u00e9 mesmo o conceito de &#8220;banco&#8221; veio dos sacerdotes que acumulavam sementes (Tigre x Eufrates ), e as distribu\u00edam entre os plantadores, cobrando &#8220;juros&#8221; sobre essas sementes anteriormente fornecidas.<\/p>\n<p><strong>O voc\u00e1bulo &#8220;religi\u00e3o&#8221;, de origem, tem o significado de &#8220;religar&#8221;<\/strong>. Ou seja: uma a\u00e7\u00e3o eminentemente politica, com vistas a estruturar uma comunidade com base em uma cren\u00e7a unit\u00e1ria, com todas as infer\u00eancias de poder que essa &#8220;religa\u00e7\u00e3o&#8221; possa possuir, incluindo um sistema de governo que por ela seja constitu\u00eddo [e\/ou legitimado].<\/p>\n<p>Tipo assim:<\/p>\n<p>A configura\u00e7\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica representa a dimens\u00e3o de poder do Imp\u00e9rio Romano, e, em contrapartida, os isl\u00e2micos possuem o conceito da &#8220;comunidade pr\u00f3xima&#8221;, a &#8220;Umma&#8221;, muito semelhante \u00e0s comunidades judaicas. Todas elas possuem dimens\u00e3o territorial e a necessidade de implantar a sua &#8220;f\u00e9&#8221; sobre outras popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Portanto, caro Romulus, <strong>isto, al\u00e9m de politica, \u00e9 geopol\u00edtica<\/strong>. \u00c9 muito assunto \u2013 at\u00e9 acad\u00eamico \u2013 discutir nessa seara. Mas que religi\u00e3o e religiosidade s\u00e3o politicas \u00e9 um fato.<\/p>\n<p>J\u00e1 eu, <strong>junior50<\/strong>, &#8220;macumbeiro&#8221; com orgulho, filho de Yans\u00e3 com Oxal\u00e1, felizmente trafeguei por varias confiss\u00f5es religiosas, sempre procurando entende-las, compreende-las.<\/p>\n<p>De base e origem era cat\u00f3lico. Mas minha m\u00e3e foi comerciante&#8230; quando ela sa\u00eda para vender roupas, eu ficava na casa de uma fam\u00edlia judia. Comi muito <em>gelfite fish<\/em>, acendi muita vela de <em>shabat<\/em>, acompanhado de comer <em>cholent<\/em> ap\u00f3s cair o sol. Levantei amigos que tenho at\u00e9 hoje em seus casamentos \u2013 se vc. for a um casamento judaico, que o noivo seja magro! \u2013 e tamb\u00e9m acompanhei recita\u00e7\u00f5es do <em>kaddish<\/em> quando amigos morreram. E \u00f3bvio: namorei uma Deborah. Fui tamb\u00e9m v\u00e1rias vezes com um amigo, o Israel, a festas na Hebraica. Assim como fui a jantares no Monte L\u00edbano. [Os dois] clubes de S\u00e3o Paulo&#8230; o problema \u00e9 que a comida do S\u00edrio era bem melhor.<\/p>\n<p>E por destino \u2013 ele existe, <em>maktub<\/em> \u2013 minha av\u00f3 paterna era mu\u00e7ulmana de origem, mas &#8220;virou&#8221; cat\u00f3lica espanhola e idosa, tipo Escriv\u00e1. Como a &#8220;l\u00edngua paga e cobra&#8221;, uma sobrinha minha, morando na Alemanha (Rheinfelden, pr\u00f3ximo a Romulus, pois \u00e9 fronteira Su\u00ed\u00e7a, pr\u00f3ximo a Basel), virou isl\u00e2mica. Pior ainda: &#8220;sufi &#8220;. Aprendeu \u00e1rabe para ler o Cor\u00e3o no original, e, \u00f3bvio, veio ao Brasil e apareceu em Guarulhos de &#8220;hijab&#8221; completo, todo preto, pois era casada. Al\u00e9m disso, claro, como tenho amigos de neg\u00f3cios mu\u00e7ulmanos, o Ayub &#8220;Carlos&#8221;, n\u00e3o tive a menor d\u00favida em leva-la, para suas ora\u00e7\u00f5es de sexta-feira, \u00e0 Mesquita do Brasil (\u00e9 de 1922 ). E, \u00e9 claro, participei do culto normalmente, pois, como qualquer casa de ora\u00e7\u00e3o, cobran\u00e7as n\u00e3o devem existir. Como qualquer terreiro, igreja, sinagoga, templo&#8230; todas elas est\u00e3o abertas. E proselitismo \u00e9 politica.<\/p>\n<p>Entender o outro \u2013 ele, suas cren\u00e7as, sua cultura, suas pr\u00e1ticas, sua concep\u00e7\u00e3o de sociedade \u2013 \u00e9 <strong>pol\u00edtica<\/strong>.  Vai al\u00e9m desta realidade. \u00c9 compreende-los. \u00c9 aceitar as diferen\u00e7as. Para mim \u00e9 matem\u00e1tico: equacionar as diferen\u00e7as, em um sentido comum, harm\u00f4nico, \u00e9 &#8220;zera-las&#8221;.<\/p>\n<p align=\"center\">\n          <strong>*   *   *<\/strong>\n        <\/p>\n<p>\n          <strong>Canto \u2013 abafado \u2013 das tr\u00eas ra\u00e7as: quem tem medo de \u00edndia brava e nega maluca?<\/strong>\n        <\/p>\n<p>\n          <strong>Por Romulus<\/strong>\n        <\/p>\n<p>Caro <strong>junior50<\/strong>,<\/p>\n<p>Citado? Apenas?! Voc\u00ea co-escreveu o post, ora. E agora, generoso de novo, d\u00e1 mais uma aula aqui. Tento, ent\u00e3o, retribuir:<\/p>\n<p align=\"center\">\n          <strong>*   *   *<\/strong>\n        <\/p>\n<p>\n          <strong>(i) Catolicismo<em><u>S<\/u><\/em><\/strong>\n        <\/p>\n<p>Fui, tamb\u00e9m, criado no catolicismo. Continuo cat\u00f3lico \u2013 que de tempos em tempos vai comungar aqui na missa, mesmo sem quase entender palavra (de alem\u00e3o). E rezo toda noite, como fa\u00e7o desde menino. Al\u00e9m de rezas \u201cextraordin\u00e1rias\u201d durante o dia, quando o bicho pega.<\/p>\n<p>E a missa em alem\u00e3o, Jesus?<\/p>\n<p>Levo uma B\u00edblia em ingl\u00eas e vou \u201cacompanhando\u201d o servi\u00e7o pelos n\u00fameros dos vers\u00edculos citados. Acabo, assim, entendendo a \u201conda\u201d daquela missa em particular e do serm\u00e3o.<\/p>\n<p>O mais interessante?<\/p>\n<p>Minha cidade \u00e9 majoritariamente luterana \u2013 est\u00e1 a uma hora de Basel e da fronteira com a sua sobrinha de \u201chijab\u201d, <strong>junior50<\/strong>. H\u00e1, aqui, uma \u201cmiss\u00e3o\u201d cat\u00f3lica romana, majoritariamente para os imigrantes latinos, mas n\u00e3o h\u00e1 igreja. Dessa forma, h\u00e1 l\u00e1 um grupo de ora\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o h\u00e1 nem par\u00f3quia nem missa.<\/p>\n<p>E onde que eu vou?<\/p>\n<p>\n          <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/sites\/default\/files\/u28333\/old_catholic.jpg\" style=\"width: 338px; height: 600px;\"\/>\n        <\/p>\n<p>Para uma igreja <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Union_of_Utrecht_(Old_Catholic)\"><strong>v\u00e9tero-cat\u00f3lica (\u201c<em>old Catholic<\/em>\u201d)<\/strong><\/a>. Fruto de um dos \u00faltimos cismas da Igreja, esse de 1870. N\u00e3o aceitaram os frutos do Conc\u00edlio Vaticano I, como a infalibilidade papal.<\/p>\n<p>Ao longo do tempo, as doutrinas se separaram ainda mais. N\u00e3o muito, mas em partes, para mim, essenciais. Veja bem&#8230; de \u201c<em>old<\/em>\u201d os v\u00e9tero-cat\u00f3licos n\u00e3o t\u00eam nada:<\/p>\n<p>\u2013 <strong>Padres se casam<\/strong> e t\u00eam fam\u00edlias.<\/p>\n<p>\u2013 <strong>Ordenam-se mulheres<\/strong>. Muitas vezes a \u201cminha\u201d missa \u00e9 oficiada por uma \u201cpadr<u>a<\/u>\u201d, com quem comungo com muito gosto.<\/p>\n<p>\u2013 <strong>Ordenam-se gays e celebram-se casamentos homoafetivos<\/strong>. Outras vezes, quando n\u00e3o comunguei com a \u201cpadra\u201d, comunguei com um padre gay, com brinquinho e tudo. H\u00e1, sim, um padre \u201chomem-branco-heterossexual\u201d na par\u00f3quia, mas, pelo hor\u00e1rio, foi aquele com quem menos comunguei, vejam voc\u00eas.<\/p>\n<p>O mais legal?<\/p>\n<p>Ver a igreja cheia de velhinhas \u201ccarolas\u201d que n\u00e3o veem nada de mais \u2013 nem na \u201cpadra\u201d nem no \u201cpadre gay de brinquinho\u201d. Pelo contr\u00e1rio: mant\u00eam, no mesmo quarteir\u00e3o, um centro comunit\u00e1rio para onde convidam a todos depois da missa de domingo para um caf\u00e9 da manh\u00e3. Aproximam, assim, toda a comunidade.<\/p>\n<p>\u2013 <strong>N\u00e3o condenam nem a contracep\u00e7\u00e3o nem a eutan\u00e1sia<\/strong>.<\/p>\n<p>Outros pontos interessantes:<\/p>\n<p>\u2013 No seu aspecto mais \u201c<em>old<\/em>\u201d, a <strong>h\u00f3stia, antes de ser dada pelo padre, \u00e9 molhada no vinho<\/strong>, como se fazia antigamente na Igreja romana.<\/p>\n<p>\u2013 A Igreja est\u00e1 em <strong>comunh\u00e3o plena com os Anglicanos<\/strong>. Assim, diversas vezes (que sorte!) a missa foi oficiada em ingl\u00eas por um padre anglicano que visitava a cidade.<\/p>\n<p>\n          <strong>N\u00e3o preciso dizer que concordo com todas as \u201cinova\u00e7\u00f5es\u201d dos \u201cvelhos\u201d cat\u00f3licos, n\u00e9?<\/strong>\n        <\/p>\n<p>Meu pensamento progressista n\u00e3o estava representado pela alta hierarquia romana nem sob Jo\u00e3o Paulo II nem sob Bento XVI. Definia-me, ent\u00e3o, como um \u201ccat\u00f3lico cr\u00edtico\u201d.<\/p>\n<p>Felizmente, pude deixar (um pouco) o adjetivo \u201ccr\u00edtico\u201d de lado desde que o Papa Francisco chegou. Tenho esperan\u00e7as, embora saiba ser imposs\u00edvel para apenas um homem levar a Igreja romana ao mesmo destino dos vetero-cat\u00f3licos.<\/p>\n<p>Mas saibam: reza minha n\u00e3o vai faltar!<\/p>\n<p align=\"center\">\n          <strong>*   *   *<\/strong>\n        <\/p>\n<p>\n          <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/sites\/default\/files\/u28333\/cohen.jpg\" style=\"width: 500px; height: 356px;\"\/>\n        <\/p>\n<p>\n          <strong>(ii) <em><u><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Shalom_alechem\">Shalom aleichem<\/a><\/u><\/em><\/strong>\n        <\/p>\n<p>Tamb\u00e9m cresci em grande parte dentro de uma casa judia. S\u00f3 n\u00e3o comia <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gefilte_fish\"><em>gefilte fish<\/em><\/a> porque a \u201cminha\u201d fam\u00edlia judia era Sefaradi e n\u00e3o Ashkenazi, vindos do Marrocos e (quem sabe o quanto) antes da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica. Em seu lugar comia tabule, lentilha, charuto de folhas de vinha, kafta, humms, p\u00e3o \u00e1rabe, etc.<\/p>\n<p>Tudo isso, evidentemente, antes de a yoga e a preocupa\u00e7\u00e3o com o planeta me levarem  para o vegetarianismo.<\/p>\n<p>E quem era essa fam\u00edlia judia?<\/p>\n<p>A fam\u00edlia das minhas \u00fanicas primas, fruto de um casamento misto. Foram criadas no juda\u00edsmo, educadas em escolas judaicas e s\u00e3o membros ativos da comunidade no Rio. Moraram as duas em Israel por alguns anos e falam hebraico fluentemente. T\u00eam inclusive primos, pelo outro lado, que l\u00e1 vivem.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m fui bastante ao Hebraica carioca! Mas n\u00e3o ao \u201cMonte L\u00edbano\u201d, na Lagoa. A fam\u00edlia \u00e9 sionista light. Logo, pelo bem da harmonia familiar, nada de discutir o conflito israelo-palestino na mesa de jantar. Depois de casar com descendente de s\u00edrios ent\u00e3o, nem pensar!<\/p>\n<p>Mas a interdi\u00e7\u00e3o n\u00e3o parou por a\u00ed:<\/p>\n<p>Desde 2014, nada de discutir pol\u00edtica brasileira tampouco. Sou, junto \u00e0 m\u00e3e brizolista agora casada com um cubano, a \u00fanica ovelha vermelha da fam\u00edlia. Para \u201cpiorar\u201d, a prima mais velha casou com um operador do mercado financeiro.<\/p>\n<p>As ovelhas vermelhas est\u00e3o sitiadas.<\/p>\n<p>Pol\u00edtica \u00e9 assunto banido \u2013 com ditame solene e tudo \u2013 do grupo de Whatsapp da fam\u00edlia. E n\u00e3o poucas vezes meus artigos aqui geraram mal-estar na fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Isso para al\u00e9m dos clamores do meu pai, tucano de raiz. Apelava para tentar proteger o filho de (mais) retalia\u00e7\u00f5es, pedindo (acho que j\u00e1 desistiu&#8230;) para que n\u00e3o mais escrevesse \u201csobre pol\u00edtica\u201d.<\/p>\n<p>O problema era a pol\u00edtica? Ou ser\u00e1 que era apenas para eu parar de escrever com \u201cum certo posicionamento\u201d pol\u00edtico?<\/p>\n<p>\u2013 Bom, papai&#8230; essa semana atendi ao seu pedido. Nada de pol\u00edtica brasileira.<\/p>\n<p>Nada de pol\u00edtica&#8230;<\/p>\n<p>\ud83d\ude09<\/p>\n<p align=\"center\">\n          <strong>*   *   *<\/strong>\n        <\/p>\n<p>\n          <strong>(iii) O \u201cBatuque\u201d tamb\u00e9m se fez ouvir l\u00e1 em casa<\/strong>\n        <\/p>\n<p>\n          <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/sites\/default\/files\/u28333\/lavagem_0.jpg\" style=\"width: 750px; height: 500px;\"\/>\n        <\/p>\n<p>As religi\u00f5es de matriz africana n\u00e3o me s\u00e3o de todo estranhas, embora sempre fosse um assunto perdido entre o tabu e o orgulho discreto.<\/p>\n<p>\u201cTabu\u201d e \u201corgulho discreto\u201d&#8230;<\/p>\n<p>Parece a descri\u00e7\u00e3o de um \u201cbastardo\u201d, n\u00e3o?<\/p>\n<p>Bastardo ou n\u00e3o, o tratamento dado ao assunto era algo deliberadamente esquizofr\u00eanico e paradoxal, com narrativa cuidadosamente incompleta.<\/p>\n<p>A historia \u00e9 longu\u00edssima e talvez um dia escreva aqui o restante porque \u00e9 muito interessante \u2013 daria roteiro de filme! Envolve, na origem, at\u00e9 uma estrela da R\u00e1dio Nacional, na era do r\u00e1dio.<\/p>\n<p>Mas, resumindo a parte final, a minha av\u00f3, m\u00e3e da minha m\u00e3e, era \u201cm\u00e9dium\u201d (algu\u00e9m que entende j\u00e1 me repreendeu pelo uso equivocado do termo). E foi for\u00e7ada pelo meu av\u00f4, inicialmente contra a sua vontade, que rejeitava esse mundo, a ir trabalhar em um \u201ccentro\u201d (a mesma pessoa que entende tamb\u00e9m j\u00e1 me repreendeu pelo uso equivocado desse outro termo). Isso porque outro \u201cm\u00e9dium\u201d (sic) disse que enquanto ela n\u00e3o trabalhasse o dom, a vida da fam\u00edlia continuaria tendo os problemas que eles ent\u00e3o viviam.<\/p>\n<p>Disse-lhes o \u201cm\u00e9dium\u201d:<\/p>\n<p>\u2013 Os Orix\u00e1s, irados, est\u00e3o punindo \u2013 a ela e a fam\u00edlia \u2013 pelo desprezo com que o dom que lhe deram foi tratado.<\/p>\n<p>Quem quer provocar a ira dos Orix\u00e1s?<\/p>\n<p>Bate na madeira tr\u00eas vezes!<\/p>\n<p>A minha av\u00f3 acabou se tornando uma das \u201cm\u00e9diuns\u201d (sic) principais desse terreiro. Ali\u00e1s, n\u00e3o sendo \u201cm\u00e9dium\u201d, qual seria o termo para ela se havia o pai de santo do lugar? \u201cCavalo\u201d? \u201c\u00c9gua\u201d?<\/p>\n<p>\u201cTrabalhou\u201d l\u00e1 por anos. Tomou gosto&#8230;<\/p>\n<p>Ora, \u00e9 l\u00f3gico que tomou gosto: foi a \u00fanica realiza\u00e7\u00e3o, fora do lar, da dona de casa. Da m\u00e3e de tr\u00eas filhas de sangue e de v\u00e1rias adotivas. Ela que foi, ademais, m\u00e3e e av\u00f3 muito cedo: 16 (da minha tia) e 46 anos (de mim!), respectivamente.<\/p>\n<p>Meu pai contou-me certa vez que ela, morena de cabelos fartos <strong>negros,*<\/strong> ficava linda \u201cvestida de baiana\u201d. Sim, porque ela l\u00e1 com seus 33, 34 anos, tinha sua beleza notada at\u00e9 mesmo pelo rapazote de uns 16, ent\u00e3o (apenas) colega de classe da sua filha do meio, e que, por aquela \u00e9poca, come\u00e7ava a frequentar a casa. Casa essa da qual terminaria por retirar a tal filha. Mas n\u00e3o sem devolver, mais tarde, netos em troca.<\/p>\n<p>Sim, netos&#8230; inclusive este aqui que vos escreve.<\/p>\n<div style=\"text-align: center;\"> <\/div>\n<p align=\"center\">\n          <strong>*   *   *<\/strong>\n        <\/p>\n<p>\n          <strong>(iv) Quem tem medo de \u00edndia brava? E de nega maluca?<\/strong>\n        <\/p>\n<p>\n          <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/sites\/default\/files\/u28333\/mutti003.jpg\" style=\"width: 623px; height: 600px;\"\/>\n        <\/p>\n<p><strong>*Sim<\/strong>, \u201c<strong>cabelos fartos negros<\/strong>\u201d de uma bela morena. Parte da morenice, segundo a tradi\u00e7\u00e3o familiar, seria devida a uma \u00edndia, &#8220;ca\u00e7ada no la\u00e7o&#8221; por um antepassado, (tetra?) av\u00f4 fazendeiro colonizador do Norte do pa\u00eds. Ou seja, tenho no DNA (ao menos) 1\/16 do genoc\u00eddio e do estupro do Brasil pr\u00e9-colombiano. E que, subjugado, raptado e violado, terminou por se esconder (ou seria \u201cser escondido\u201d?) ali no meio dos frutos daquela viola\u00e7\u00e3o. Calado dentro das cadeias do DNA.<\/p>\n<p>Quantas outras \u00edndias como essa \u2013 e tamb\u00e9m negras \u2013 formaram o nosso Brasil?<\/p>\n<p>Incont\u00e1veis, \u00e9 certo.<\/p>\n<p>Que a sua heran\u00e7a \u2013 delas arrancada \u00e0 for\u00e7a \u2013 ao menos n\u00e3o seja \u201cesquecida\u201d debaixo de um \u201ctapete branco\u201d, prontamente dado \u2013 ou seria imposto? \u2013 pela Casa Grande \u00e0queles milh\u00f5es que ficaram no meio do caminho, entre ela e a Senzala.<\/p>\n<p>Assim, digo: n\u00e3o perpetuemos a espolia\u00e7\u00e3o <em>ad eternum<\/em>. Se lhes tiraram o futuro, n\u00e3o deixemos que lhes tirem, al\u00e9m disso, a mem\u00f3ria&#8230; o passado.<\/p>\n<p>\n          <strong>Certo?<\/strong>\n        <\/p>\n<p>Voltando ao t\u00edtulo da se\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\n          <strong>\u2013 Por que tanto medo das \u00edndias bravas e das \u201cnegas malucas\u201d?<\/strong>\n        <\/p>\n<p>\n          <strong>\u2013 Esse \u201cmedo\u201d&#8230; ele \u00e9 espont\u00e2neo ou nos \u00e9 ensinado?<\/strong>\n        <\/p>\n<p>\n          <strong>\u2013 Se ensinado, por qu\u00ea?<\/strong>\n        <\/p>\n<p>\n          <strong>\u2013 Hein?<\/strong>\n        <\/p>\n<p>De outros lados me vem a heran\u00e7a \u201cbonita\u201d, a heran\u00e7a que \u00e9 \u201cde se mostrar\u201d: a europeia. Aquela, inclusive, que me deu o passaporte europeu e o visto aqui na Su\u00ed\u00e7a.<\/p>\n<p>Do outro, fora o epis\u00f3dio da \u00edndia la\u00e7ada, n\u00e3o sei nada.<\/p>\n<p>E como ficou o rio em que esses dois afluentes \u2013 o \u201cleg\u00edtimo\u201d e o \u201cbastardo\u201d \u2013 desaguaram?<\/p>\n<p>Bem, protegido pelo ventre materno, nasci com os cabelos fartos e negros da av\u00f3.<\/p>\n<p>\n          <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/sites\/default\/files\/u28333\/mutti008.jpg\" style=\"width: 457px; height: 600px;\"\/>\n        <\/p>\n<p>Depois, o cabelo preto caiu e no seu lugar nasceu um que foi ficando cada vez mais alourado.<\/p>\n<p>\n          <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/sites\/default\/files\/u28333\/mutti009.jpg\" style=\"width: 644px; height: 438px;\"\/>\n        <\/p>\n<p>Alourado? Por que ser\u00e1? Ter\u00e1 sido a influ\u00eancia ambiental \u2013 agora j\u00e1 fora da barriga da m\u00e3e \u2013 da sociedade brasileira?<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que, na sua fixa\u00e7\u00e3o pelo branqueamento, conseguiu ligar os genes \u201ccertos\u201d e desligar os \u201cerrados\u201d no menino?<\/p>\n<p>O certo \u00e9 que a disputa terminou num empate: cabelo marrom. Ou melhor, castanho.<\/p>\n<p>\n          <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/sites\/default\/files\/u28333\/mutti015.jpg\" style=\"width: 509px; height: 600px;\"\/>\n        <\/p>\n<p>Mas a pele continuou clareando, clareando&#8230; at\u00e9 fazer com que eu virasse, involuntariamente, ponto de refer\u00eancia:<\/p>\n<p>\u2013 T\u00e1 procurando o Carlinhos? T\u00e1 ali&#8230; do lado daquele <em>menino branquinho<\/em>.<\/p>\n<p>Sim&#8230; t\u00e3o branquinho ficou o menino que n\u00e3o raro os su\u00ed\u00e7os dizem que \u201cn\u00e3o pare\u00e7o brasileiro\u201d. Ao que \u2013 como desperdi\u00e7ar a oportunidade? \u2013 respondo com uma pergunta:<\/p>\n<p>\u2013 O que \u00e9 \u201cparecer brasileiro\u201d?<\/p>\n<p>Se falo com latinos ou ib\u00e9ricos, saco do bolso logo o (ex) casal: Pel\u00e9, \u201crei do futebol\u201d, e Xuxa, \u201crainha dos baixinhos\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 para os demais, sai Xuxa e entra outra rainha, a das passarelas: Gisele B\u00fcndchen.<\/p>\n<p>\n          <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/sites\/default\/files\/u28333\/brasileiros-2.jpg\" style=\"width: 494px; height: 369px;\"\/>\n        <\/p>\n<p>Repito:<\/p>\n<p>\n          <strong>\u2013 O que \u00e9 \u201cparecer brasileiro\u201d?<\/strong>\n        <\/p>\n<p align=\"center\">\n          <strong>*   *   *<\/strong>\n        <\/p>\n<p>\n          <strong>(v) Chega o amor, mas traz na bagagem a censura do macho alfa<\/strong>\n        <\/p>\n<p>Quando saiu a lei do divorcio, em 1979, minha av\u00f3 deve ter sido a sua primeira usu\u00e1ria. Separou-se do meu av\u00f4, num casamento em que havia respeito, mas nunca houve amor.<\/p>\n<p>Separou-se para casar com a paix\u00e3o da sua juventude. Era um tio, irm\u00e3o do pr\u00f3prio pai, apenas 10 anos mais velho que ela. Acabou ficando mais para primo do que para tio na conviv\u00eancia da juventude. Reencontrou-o d\u00e9cadas depois, quando houve uma morte na fam\u00edlia e todos os herdeiros foram reunidos para dividir a heran\u00e7a.<\/p>\n<p>Esse tio-marido n\u00e3o gostava desse lado religioso afro-brasileiro e tirou-a do terreiro imediatamente. Foi isso? Ou esse foi o discurso para negar a ela a exist\u00eancia fora da casa? Para negar-lhe aquele protagonismo? Para n\u00e3o mais dividir a sua aten\u00e7\u00e3o e o seu tempo?<\/p>\n<p>Seja o que fosse, tio-marido imp\u00f4s a sua vontade. E o tema virou tabu. Na vida inteira ela me falou sobre isso apenas uma vez, com s\u00f3 2 ou 3 frases. Faladas \u00e0 meia voz, quando o tio-marido e os meus pais n\u00e3o estavam.<\/p>\n<p>E, mesmo nessas pequenas frases, faladas ali depois de um almo\u00e7o, na mesa da sala ocupada apenas pela senhora e pelo menino, ficou claro o orgulho que ela tinha daquela sua posi\u00e7\u00e3o naquele terreiro e daquele cap\u00edtulo da sua vida. Falava com um olhar perdido&#8230; sorriso de canto de boca. Sobressa\u00eda na sua linguagem um carinho, tra\u00eddo pelo sorriso c\u00famplice com que falava, muito por alto, da entidade que recebia. Entidade essa que &#8220;favores&#8221; e dons dava \u00e0s pessoas, inclusive da fam\u00edlia. Sim, fazia favores. Mas sempre de um jeito torto, meio <em>gauche<\/em>. Porque \u201cera do bem&#8221;, mas, ainda assim, um \u201cmalandro\u201d.<\/p>\n<p>Exemplo?<\/p>\n<p>Minha tia, ainda estudante, queixou-se \u00e0 entidade de que estava \u201cdura\u201d. Ora, falta de dinheiro? A entidade prontamente resolveu o problema: f\u00ea-la encontrar, dias depois, uma carteira cheia de dinheiro l\u00e1 na faculdade, na Ilha do Fund\u00e3o (UFRJ).<\/p>\n<p>Novamente: \u201cdo bem\u201d mas <em>gauche<\/em>.<\/p>\n<p><em>Gauche<\/em>?<\/p>\n<p>Ou seria apenas direto?<\/p>\n<p>Afinal, a geometria ensina que a menor dist\u00e2ncia entre dois pontos \u00e9 uma linha reta. \u00c9 ou n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p>\u2013 Est\u00e1s dura? Toma! A\u00ed est\u00e1 o dinheiro de que precisas na tua m\u00e3o, mo\u00e7a.<\/p>\n<p>Ou seja, para resolver o problema tra\u00e7ou uma linha reta.<\/p>\n<p>Bem&#8230; talvez n\u00e3o \u201creta\u201d, mas certamente expressa!<\/p>\n<p>E, como malandro que era, deliberadamente ignorou na sua peculiar geometria todos os c\u00edrculos, voltas e entraves que as regras da sociedade imp\u00f5em. Coisas para \u201cz\u00e9 man\u00e9s\u201d, certamente. Malandro que \u00e9 malandro n\u00e3o conhece nada disso: vale a lei do menor esfor\u00e7o, ora n\u00e3o.<\/p>\n<p>E sim: havia bastante dinheiro recheando aquela carteira. Mas l\u00e1, \u201cinfelizmente\u201d, tamb\u00e9m estavam os documentos do descuidado que a \u201cperdera\u201d. Minha tia, \u201cingrata\u201d, n\u00e3o conseguiu aceitar o favor do malandro. Entregou tudo \u2013 carteira, documentos e&#8230; dinheiro \u2013 na secretaria da faculdade.<\/p>\n<p>Nada malandra a tia.<\/p>\n<p>Tsc, tsc, tsc.<\/p>\n<p align=\"center\">\n          <strong>*   *   *<\/strong>\n        <\/p>\n<p>\n          <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/sites\/default\/files\/u28333\/1ee63449945025f9ec1f25f431f06637.jpg\" style=\"width: 399px; height: 600px;\"\/>\n        <\/p>\n<p>\n          <strong>(vi) Um certo arm\u00e1rio velho mal fechado<\/strong>\n        <\/p>\n<p>Toda essa realidade paralela nunca me foi falada de uma maneira aberta, nem ali na casa da matriarca nem na minha pr\u00f3pria casa. Era sempre meio tabu. Meio segredo de fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Mas tudo indica foi bastante importante.<\/p>\n<p>Minha av\u00f3 nunca se desfez das imagens e das guias, que ficavam num arm\u00e1rio na sua grande casa. Oficialmente, \u201cn\u00e3o encontrou tempo ou meios para dar a elas o destino adequado segundo a doutrina\u201d. \u00c9, coitada: t\u00e3o atarefada, n\u00e3o encontrou uma oportunidade nos 37 anos que se seguiram (!)<\/p>\n<p>Menino, eu morria de medo de olhar praquele arm\u00e1rio! Nunca o abri. S\u00f3 olhava \u2013 de lado! \u2013 quando a porta, por acaso, ficava mal fechada.<\/p>\n<p>Era um arm\u00e1rio bem velho. Ali\u00e1s bastante adequado: velho tamb\u00e9m era aquele cap\u00edtulo da sua vida e velha \u2013  ancestral \u2013 tamb\u00e9m era aquela religi\u00e3o \u201cproibida\u201d. A tal porta \u201cque ficava meio aberta meio fechada\u201d tamb\u00e9m refletia muito bem as esquizofrenias e os paradoxos, perdidos em algum lugar entre o orgulho c\u00famplice e o tabu.<\/p>\n<p align=\"center\">\n          <strong>*   *   *<\/strong>\n        <\/p>\n<p>\n          <strong>(vii) S\u00f3 no Brasil: pai Davi Cohen de Oxal\u00e1<\/strong>\n        <\/p>\n<p>Foi nesse terreiro, por exemplo, que o tal tio judeu conheceu a minha tia. \u00c9 muito comum os judeus buscarem terreiros de cultos afro-brasileiros. Ouvi isso n\u00e3o apenas na anedota familiar, mas em men\u00e7\u00e3o em uma disciplina obrigat\u00f3ria da PUC-Rio para todas as faculdades, incluindo a minha <strong>Economia*<\/strong>: &#8220;O homem e o fen\u00f4meno religioso&#8221;. Parece que o Deus do Velho Testamento \u00e9 distante e abstrato demais (al\u00e9m de rigoroso e duro?). Eles buscam complementar sua vida religiosa com a maior proximidade proporcionada pelos cultos afro.<\/p>\n<p>O suprassumo do sincretismo brasileiro?<\/p>\n<p>O irm\u00e3o mais novo desse tio, sem deixar em qualquer momento de ser judeu, social ou religiosamente, tornou-se, ele pr\u00f3prio, pai de santo. Sim: pai de santo&#8230; judeu&#8230; na aristocr\u00e1tica Ipanema!<\/p>\n<p>Onde mais essa \u201cavacalha\u00e7\u00e3o\u201d sen\u00e3o no Brasil?<\/p>\n<p>\n          <strong>*<\/strong>\n        <\/p>\n<p>\n          <strong>*PUC-Rio? Eu? Cursando Economia no templo do neo-liberalismo financista&#8230;<\/strong>\n        <\/p>\n<p>\u201cTemplo\u201d?<\/p>\n<p>Sim, \u201ctemplo\u201d, ora. Onde \u201cmercado\u201d \u00e9 deus, \u201c<em>laissez-faire<\/em>\u201d \u00e9 dogma e \u201cmoeda\u201d \u00e9 h\u00f3stia.<\/p>\n<p>Como o culto afro para a minha av\u00f3, cap\u00edtulo antigo e encerrado na minha vida. Entende, <strong>junior50<\/strong>, o porqu\u00ea daquela auto-defini\u00e7\u00e3o da deputada su\u00ed\u00e7a, que eu usava como assinatura aqui no GGN? A qual voc\u00ea, inclusive, j\u00e1 anotou para fazer tro\u00e7a deste cr\u00edtico do neo-liberalismo aqui?<\/p>\n<p>Para os demais, segue a tal defini\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\n          <strong>\u201cQuando perguntei, uma deputada su\u00ed\u00e7a se definiu em um jantar como \u2018uma esquerdista que sabe fazer conta\u2019. Poucas palavras que dizem bastante coisa. Adotei para mim tamb\u00e9m\u201d.<\/strong>\n        <\/p>\n<p>A deputada, f\u00edsica de forma\u00e7\u00e3o, sabe mesmo fazer conta. E eu tamb\u00e9m. Conhe\u00e7o os limites da realidade. Mas, como sabemos, as minhas contas n\u00e3o casam com as suas, <strong>junior50<\/strong>. Isso porque as premissas de que partimos \u2013 as identidades das nossas equa\u00e7\u00f5es refletindo a sociedade \u2013 s\u00e3o irremediavelmente diferentes.<\/p>\n<p align=\"center\">\n          <strong>*   *   *<\/strong>\n        <\/p>\n<p>\n          <strong>(viii) Mas voltando ao colo da av\u00f3&#8230;<\/strong>\n        <\/p>\n<p>Essa av\u00f3, dividida entre o orgulho e o tabu, est\u00e1 hoje lentamente descendo a ladeira. Sua cabecinha, de uma hora para a outra, saiu da (nossa) realidade, com del\u00edrios mil. No inicio supunha-se, inclusive, que os del\u00edrios eram \u201cvis\u00f5es\u201d. Ela mesma totalmente convencida disso, como me falou em visita ao Brasil. Mas depois a coisa se acelerou e ela passou a viver a cada hora do dia em uma d\u00e9cada diferente da sua vida. Ora falava com a velha madrinha que a criou, ora falava com a minha m\u00e3e e as irm\u00e3s ainda meninas, ora chamava o tio-marido falecido do quarto para a sala.<\/p>\n<p>Fui o primeiro neto dela. O \u00fanico var\u00e3o. Sempre fomos muito apegados. Quantas f\u00e9rias na sua grande casa? F\u00e9rias das quais eu, menino ent\u00e3o mirrado, voltava com as coxas ro\u00e7ando uma na outra ao andar. Culpa da sua m\u00e3o cheia para cozinhar.<\/p>\n<p><strong>\u2013 Perdoem-me Yoga, vegetarianismo e ecologia:<\/strong> vov\u00f3, n\u00e3o h\u00e1 nem nunca haver\u00e1 feijoada nem bife acebolado como o seu. Nem outro como o seu cuscuz e os seus pudins, de leite e de p\u00e3o dormido.<\/p>\n<p>Esses vinham de sobremesa. E, no Natal, as inesquec\u00edveis rabanadas que seguiam o peru. Que man\u00e9 panetone Bauducco o qu\u00ea! No nosso Natal reinava a tradi\u00e7\u00e3o das rabanadas portuguesas, ora.<\/p>\n<p>E digo com orgulho:<\/p>\n<p><strong>\u2013 <\/strong>J\u00e1 rodei Portugal de cima a baixo. Pode estufar o peito, vov\u00f3: <strong>n\u00e3o h\u00e1, na \u201cmatriz\u201d, rabanada nem igual nem melhor que a sua. Nada chega nem perto!<\/strong><\/p>\n<p>\n          <strong>*<\/strong>\n        <\/p>\n<p>\n          <strong>Confiss\u00f5es<\/strong>\n        <\/p>\n<p>Em crian\u00e7a, quando queria falsificar um choro com l\u00e1grimas (de verdade), pensava na morte dela.<\/p>\n<p>Algo t\u00e3o \u201cdistante\u201d, t\u00e3o \u201cabsurdo\u201d, que n\u00e3o era (tanto) pecado usar como artif\u00edcio para fazer manha.<\/p>\n<p>Sim&#8230; era ent\u00e3o distante e absurdo.<\/p>\n<p>O tempo passa.<\/p>\n<p align=\"center\">\n          <strong>*   *   *<\/strong>\n        <\/p>\n<p>\n          <strong>(ix) E como fechar este post? Com arte, \u00e9 claro!<\/strong>\n        <\/p>\n<p>\n          <strong>(a) O drama<\/strong>\n        <\/p>\n<p>Como j\u00e1 disse, havia um \u201carm\u00e1rio mal fechado\u201d l\u00e1 na minha casa. Mas quem sabe quantos outros arm\u00e1rios menos ou mais bem fechados haver\u00e1 em outras?<\/p>\n<p>De um desses \u201carm\u00e1rios\u201d nos foi dado endere\u00e7o certo: o da maior atriz brasileira. No document\u00e1rio \u201c<u><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=RUasyqVhOuw\">Jogo de Cena<\/a><\/u>\u201d, de Eduardo Coutinho, Fernanda Torres abre uma frestinha daquela porta mal fechada. Conta da sua \u201ctia Aurinha\u201d, irm\u00e3 da sua m\u00e3e, Fernanda Motenegro.<\/p>\n<p>\n          <strong>Sim, tia Aurinha: nada menos do que uma m\u00e3e de santo!<\/strong>\n        <\/p>\n<p>Seu terreiro, onde, segundo Fernanda Torres, \u201cficava reinando, vestida de branco, sob o som dos pontos de Ians\u00e3\u201d, era em Tingu\u00e1, na Baixada Fluminense. Distante, pois, concreta \u2013 mas tamb\u00e9m figurativamente \u2013 da casa bacana, na aristocr\u00e1tica Zona Sul do Rio, da irm\u00e3, do cunhado e da sobrinha \u2013 todos artistas consagrados, famosos.<\/p>\n<p>Distante, mas nem tanto: de tempos em tempos l\u00e1 vinha a tia distribuindo \u201cumas sementes\u201d, \u201cumas coisas\u201d, entre os parentes que ficavam \u201cdo lado de c\u00e1\u201d. Sem muito conversar sobre aquilo, ficavam todos na certeza, mal informada \u2013 ignor\u00e2ncia \u00e9 ben\u00e7\u00e3o? \u2013 de que, l\u00e1 de longe, a tia Aurinha velava tamb\u00e9m por eles no terreiro.<\/p>\n<p>N\u00e3o deixem de assistir ao bel\u00edssimo depoimento de Fernanda Torres, <u><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=RUasyqVhOuw\">do min 30 ao 34 do document\u00e1rio<\/a><\/u>. Nele, como fa\u00e7o aqui, ela levanta um pouquinho do \u201ctapete branco\u201d que escondia, at\u00e9 ali, uma mancha \u201cescurinha\u201d, \u201cmorena\u201d, em casa.<\/p>\n<p>\n          <strong>Arre, tapete branco danado!<\/strong>\n        <\/p>\n<p>\n          <strong>Vai tapar mancha l\u00e1 das tuas negas!<\/strong>\n        <\/p>\n<p>\n          <strong>Digo, das tuas brancas!<\/strong>\n        <\/p>\n<p><strong> junior50<\/strong>, fa\u00e7o quest\u00e3o de colocar o link para o document\u00e1rio do alto do meu preconceito de esquerdista que, sabendo fazer conta ou n\u00e3o, sup\u00f5e que o \u201chomem mau do mercado\u201d n\u00e3o assistiu a esse belo document\u00e1rio do (muito) engajado Eduardo Coutinho.<\/p>\n<p>Ah, que falta Coutinho faz&#8230;<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p>\n          <strong>(b) A com\u00e9dia<\/strong>\n        <\/p>\n<p>Como o meu jeito <em>gauche <\/em>me faz falar de coisa s\u00e9ria com leveza, coloco outro link: o <u><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=aTr2B1RnVfQ\">impag\u00e1vel encontro<\/a><\/u> entre Dercy Gon\u00e7alves e uma Pombagira mal humorada, contado a J\u00f4 Soares.<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p>\n          <strong>(c) O \u201c<u><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=dcVKb2ht6BE\">canto das tr\u00eas ra\u00e7as<\/a><\/u>\u201d<\/strong>\n        <\/p>\n<p>E agora m\u00fasica. Tem jeito mais sint\u00e9tico para terminar este post do que:<\/p>\n<p><strong>\u2013<\/strong><strong>(1)<\/strong> um samba;<\/p>\n<p><strong>\u2013 (2)<\/strong> louvando as tr\u00eas (primeiras) ra\u00e7as que formaram o Brasil;<\/p>\n<p><strong>\u2013 (3)<\/strong> cantado por Clara Nunes, bel\u00edssima morena (ou ser\u00e1 \u201cmulata clara\u201d?) l\u00e1 das minas de ouro do meio do Brasil&#8230; do meio das Minas Gerais;<\/p>\n<p><strong>\u2013<\/strong><strong>(4) <\/strong>cantora popular que ousava gravar pontos de macumba?<\/p>\n<p>\n          <strong>Imposs\u00edvel!<\/strong>\n        <\/p>\n<p>\n          <strong>\u2013 Vai, Clara! Arrasa! Sarav\u00e1! <\/strong>\n        <\/p>\n<p>Ali\u00e1s:<\/p>\n<p>Amem \/ Sarav\u00e1 \/ Namast\u00ea \/ Shalom \/ Salam \/ Evo\u00e9!<\/p>\n<p>\n          <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/sites\/default\/files\/u28333\/coexist.jpg\" style=\"width: 658px; height: 600px;\"\/>\n        <\/p>\n<p align=\"center\">\n          <strong>*   *   *<\/strong>\n        <\/p>\n<p>\n          <strong>(x) (Senhor) B\u00f4nus: os \u201cpref\u00e1cios\u201d de Maria<\/strong>\n        <\/p>\n<p>Realmente a generosidade do <strong>junior50 <\/strong>deve ter me contaminado. Como mais explicar a falta de ego\u00edsmo que se segue?<\/p>\n<p>Divido, com todos voc\u00eas, os \u201cpref\u00e1cios\u201d que a minha leitora-xod\u00f3, a Maria (olha ela <u><a href=\"http:\/\/jornalggn.com.br\/blog\/romulus\/esquina-onde-se-cruzam-orlando-o-golpe-e-a-educacao-2-por-maria\">aqui<\/a><\/u>, <u><a href=\"http:\/\/jornalggn.com.br\/blog\/romulus\/stf-ouca-o-latim-que-presta-requiem-aeternam-missa-pro-defunctis-cantada-e-rezada-para-si\">aqui<\/a><\/u> e ainda <u><a href=\"http:\/\/jornalggn.com.br\/blog\/romulus\/recados-2-de-maria-montes-para-\u2018romulus\">aqui<\/a><\/u>), fez ao ler os meus dois posts desta semana.<\/p>\n<p><em>Spoiler<\/em>: acho que meu pai tucano n\u00e3o vai gostar muito de ela retirar o v\u00e9u que cobria meus posts \u201cn\u00e3o pol\u00edticos\u201d. Rs<\/p>\n<p>\n          <strong>(i) Pref\u00e1cio de \u201c<u><a href=\"http:\/\/jornalggn.com.br\/blog\/romulus\/golpe-de-licenca-santeria-candomble-e-calypso-pedem-passagem-por-romulus\">Vol. 1: Golpe, d\u00ea licen\u00e7a: Santer\u00eda, Candombl\u00e9 e Calypso pedem passagem<\/a><\/u>\u201d<\/strong>\n        <\/p>\n<p>Eis um tema incomum para o brilhante comentarista pol\u00edtico que tenho frequentemente compartilhado aqui com meus caros amigos. Incomum, por\u00e9m n\u00e3o menos pol\u00edtico. Apenas uma mudan\u00e7a de foco, e ela \u00e9 essencial.<\/p>\n<p>Atordoados com os desastres do golpe, facilmente esquecemos que pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 apenas um embate entre interesses do mercado e direitos a serem eliminados a qualquer custo. Nem \u00e9 s\u00f3 tamb\u00e9m institui\u00e7\u00f5es de governo que se desmantelam entre as m\u00e3os de verdadeiros fac\u00ednoras. Mais do que isso, pol\u00edtica \u00e9 tamb\u00e9m a constru\u00e7\u00e3o de um projeto de destino de um pa\u00eds e uma na\u00e7\u00e3o. Contando com a participa\u00e7\u00e3o de seu povo, ele ser\u00e1 democr\u00e1tico e inclusivo se for dada voz e vez a esse povo. Estamos nos ant\u00edpodas daquilo que o golpe tenta nos empurrar goela abaixo.<\/p>\n<p>Eis a raz\u00e3o do foco incomum. Virando as costas a golpe, economia e grande pol\u00edtica, trata-se de pensar o substrato que faz de n\u00f3s povo e na\u00e7\u00e3o. Pensar heran\u00e7as do passado que nos cabe apropriar no presente como patrim\u00f4nio. \u00c9 nesse campo da cultura e da hist\u00f3ria que um projeto pol\u00edtico se enra\u00edza em cora\u00e7\u00f5es e mentes \u00e9 a\u00ed que se constr\u00f3i sua hegemonia. Nisso, perdemos de goleada.<\/p>\n<p>Da\u00ed por que mudar de foco, num post falsamente &#8220;n\u00e3o pol\u00edtico&#8221;. Haver\u00e1 algo mais pol\u00edtico que nosso legado de mais de tr\u00eas s\u00e9culos de escravid\u00e3o? Esse o substrato que partilhamos com as Am\u00e9ricas, uma hist\u00f3ria comum de opress\u00e3o e resist\u00eancia que nos negamos a encarar. Ra\u00edzes profundas da hipocrisia e da quase esquizofrenia em que n\u00e3o nos reconhecemos como povo e na\u00e7\u00e3o. Origem do preconceito, discrimina\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia que nos impede de ver o Brasil como um pa\u00eds de todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>\n          <strong>(ii) Pref\u00e1cio de \u201c<u><a href=\"http:\/\/jornalggn.com.br\/blog\/romulus\/vol-2-\u201ctraga-sim-o-amado-em-7-dias-mas-ninguem-pode-saber-ok\u201d-por-romulus\">Vol. 2: \u2018Traga sim o amado em 7 dias: mas ningu\u00e9m pode saber, Ok?<\/a>\u2019<\/u>\u201d<\/strong>\n        <\/p>\n<p>N\u00e3o deixem de ler, logo abaixo. Romulus continua sua explora\u00e7\u00e3o demolidora das camadas de hipocrisia que atravessam de alto a baixo nossa sociedade, nas dobras de ambival\u00eancia de uma cultura que recusa reconhecer a si mesma. E quanto mais as reconhecemos sem admitir, na familiaridade do cotidiano, como disfarce que mal chega para tapar o sol com a peneira, mais elas servem, por outro lado, para dar vida \u00e0s express\u00f5es de medo e recusa que atendem pelo nome de preconceito, discrimina\u00e7\u00e3o, falso moralismo e seu variado cortejo de opress\u00e3o e viol\u00eancia. \u00c9 no plano pol\u00edtico que as consequ\u00eancias dessa l\u00f3gica perversa se fazem sentir com mais veem\u00eancia. S\u00e3o elas que nos impedem de construir a hegemonia, no plano da cultura, de valores e vis\u00e3o de mundo, que nos permitisse construir uma na\u00e7\u00e3o capaz de assumir em suas m\u00e3os o pr\u00f3prio destino.<\/p>\n<p>O interesse dessa an\u00e1lise &#8220;de segundo grau&#8221;, que retoma o tema de um post anterior, \u00e9 que Romulus como que lan\u00e7a uma pedra num lago, para depois recolher &#8211; e incorporar &#8211; as sucessivas ondas de sua repercuss\u00e3o. Os coment\u00e1rios de leitores que passam a integrar o novo texto nos permitem ver como se ampliam as &#8220;camadas de significado&#8221; socialmente compartilhados, como nos ensina Geertz, enriquecendo e trazendo novas nuances de interpreta\u00e7\u00e3o de um texto que n\u00e3o est\u00e1 fechado numa publica\u00e7\u00e3o, porque vai sendo escrito na pr\u00f3pria vida social. No caso deste post, escrito por leitores os mais inesperados, como alguns dos mais s\u00e9rios e ass\u00edduos comentadores do ser\u00edssimo GGN do Nassif&#8230;<\/p>\n<div style=\"text-align: center;\">*<\/div>\n<div> <\/div>\n<div>\n          <strong>(iii) Pref\u00e1cio de \u201cVol. 3: Quem tem medo de \u00edndia brava e nega maluca?\u201d<\/strong>\n        <\/div>\n<div> <\/div>\n<div>Romulus mais uma vez compartilha conosco um texto saboroso, o terceiro cap\u00edtulo do seu invent\u00e1rio da hipocrisia da sociedade brasileira, mas desta vez com alguns aspectos positivos das nossas misturas religiosas e de posi\u00e7\u00f5es progressistas da igreja na Europa.<\/div>\n<div> <\/div>\n<div>A dimens\u00e3o pol\u00edtica das religi\u00f5es enquanto vis\u00e3o de mundo \u00e9 enfatizada pelas observa\u00e7\u00f5es de um dos s\u00e9rios comentadores do GGN do Nassif e da minha introdu\u00e7\u00e3o dos seus dois textos anteriores, que ele teve a gentileza de reproduzir no artigo.<\/div>\n<p align=\"center\">\n          <strong>*   *   *<\/strong>\n        <\/p>\n<p><strong>(i) <\/strong>Acompanhe-me no Facebook:<\/p>\n<p>\n          <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100008108688607\"><br \/>\n            <strong>Maya Vermelha, a Chihuahua socialista<\/strong><br \/>\n          <\/a>\n        <\/p>\n<p>(perfil da minha brava e fiel escudeirinha)<\/p>\n<p>\n          <strong>*<\/strong>\n        <\/p>\n<p><strong>(ii)<\/strong> No Twitter:<\/p>\n<p>\n          <a href=\"https:\/\/twitter.com\/rommulus_\"><br \/>\n            <strong>@rommulus_<\/strong><br \/>\n          <\/a>\n        <\/p>\n<p>\n          <strong>*<\/strong>\n        <\/p>\n<p><strong>(iii)<\/strong> E, claro, aqui no GGN: <a href=\"http:\/\/jornalggn.com.br\/blogs\/romulus\"><strong>Blog de Romulus<\/strong><\/a><\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[583],"tags":[],"class_list":["post-86268","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-romulus-maya-posts-antigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/86268","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=86268"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/86268\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=86268"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=86268"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=86268"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}