{"id":86220,"date":"2016-10-19T10:50:00","date_gmt":"2016-10-19T12:50:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.duploexpresso.com\/?p=86220"},"modified":"2016-10-19T10:50:00","modified_gmt":"2016-10-19T12:50:00","slug":"a-violencia-policial-nossa-de-cada-dia-por-romulus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=86220","title":{"rendered":"A viol\u00eancia policial nossa de cada dia, por Romulus"},"content":{"rendered":"<p>\n          <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/sites\/default\/files\/u28333\/colagem_0.jpg\"\/>\n        <\/p>\n<p>\n          <strong>A viol\u00eancia policial nossa de cada dia \u2013 Presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Crian\u00e7a e do Adolescente testemunha, em primeira m\u00e3o, a<u>s<\/u> viol\u00eancia<u>s<\/u> da PM de SP<\/strong>\n        <\/p>\n<p>\n          <strong>Por Romulus<\/strong>\n        <\/p>\n<p>Chega a mim em um grupo de Whatsapp \u2013 \u201cjuristas e advogados pela democracia\u201d \u2013 o relato abaixo, com a informa\u00e7\u00e3o adicional de que o nome de quem o faz \u00e9 <strong>F\u00e1bio Paz<\/strong>, Presidente do <strong>CONANDA<\/strong> \u2013 Conselho Nacional dos Direitos da Crian\u00e7a e do Adolescente.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s ler o relato assustador e tamb\u00e9m angustiante, pelo sentimento de impot\u00eancia que reaviva, alguns pensamentos me assaltam:<\/p>\n<p><strong>(1)<\/strong> Quantas dezenas \u2013 dezenas apenas? \u2013 de fatos semelhantes n\u00e3o ter\u00e3o ocorrido nas grandes cidades brasileiras naquele mesmo dia sem o testemunho \u201cprivilegiado\u201d de algu\u00e9m engajado na defesa de uma minoria (na verdade <em>maioria<\/em>), capaz de fazer a sua voz ser (minimamente) ouvida?<\/p>\n<p>\n          <strong>*<\/strong>\n        <\/p>\n<p><strong>(2)<\/strong> Constata\u00e7\u00e3o ainda mais triste: se fizerem uma enquete, a maioria da popula\u00e7\u00e3o aprovar\u00e1 a conduta policial e condenar\u00e1 a do ativista, \u201cdefensor de vagabundo\u201d.<\/p>\n<p>\u2013 &#8220;Direitos Humanos? Para humanos <em>direitos<\/em>, ora!&#8221;<br \/>\n\u2013 \u201cEle t\u00e1 reclamando de qu\u00ea? N\u00e3o aconteceu \u2018nada\u2019 com ele, u\u00e9!\u201d<\/p>\n<p>Anos e anos com a insidiosa doutrina\u00e7\u00e3o dos programas mundo-c\u00e3o no final da tarde \/ inicio da noite (Datena, Marcelo Rezende, Wagner Montes, etc.) lograram seu intento:<\/p>\n<p>(i) banaliza\u00e7\u00e3o (ainda maior) da viol\u00eancia;<br \/>\n[\u201cainda maior\u201d porque a origem do grau de banaliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia e do valor da vida no Brasil est\u00e1 no seu passado escravocrata]<br \/>\n(ii) inculca\u00e7\u00e3o do medo e da paranoia na sociedade;<br \/>\n(iii) desumaniza\u00e7\u00e3o do \u201cbandido\u201d de ocasi\u00e3o; e<br \/>\n(iv) glorifica\u00e7\u00e3o de respostas violentas das pol\u00edcias.<\/p>\n<p>At\u00e9 a Globo tentou tirar um naco desse nicho com a volta de \u201cLinha Direta\u201d anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>(Dou um suspiro lembrando o quanto a luta contra a escalada do fascismo no Brasil \u00e9 ingrata&#8230;)<\/p>\n<p>\n          <strong>*<\/strong>\n        <\/p>\n<p><strong>(3)<\/strong> Todas as considera\u00e7\u00f5es acima me v\u00eam depois de racionalizar o relato.<\/p>\n<p>O primeiro impulso \u00e9 \u201cbiol\u00f3gico\u201d, em n\u00edvel l\u00edmbico, com uma resposta instintiva do tipo \u201clutar ou fugir\u201d (<em>fight or flight response<\/em>).<\/p>\n<p>Assalta-me o imperativo ego\u00edsta da biologia: sobreviv\u00eancia e autopreserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim, n\u00e3o posso deixar de, de in\u00edcio, soltar um suspiro de al\u00edvio por estar num pa\u00eds com apenas 0.5 assassinatos por 100 mil habitantes \u2013 a maioria crimes passionais.<\/p>\n<p>Isso vindo de um pa\u00eds, o Brasil, que figura no topo do ranking mundial, com taxa de 22.6.<\/p>\n<p>\n          <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/sites\/default\/files\/u28333\/lista_paises.jpg\"\/><br \/>\n          <br \/>\n          <em>Um no bloco dos 15 primeiros e o outro no dos 9 \u00faltimos do ranking mundial de homic\u00eddios.<br \/>\nIsso em 2014, quando o desemprego ainda estava em baixa recorde&#8230;<br \/>\nN\u00e3o quero nem imaginar agora, numa depress\u00e3o econ\u00f4mica.<br \/>\nE nem no futuro, com o desmonte do prec\u00e1rio Estado do bem-estar social brasileiro.<\/em>\n        <\/p>\n<p>\n          <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/sites\/default\/files\/u28333\/mapaviolencia.jpg\"\/>\n        <\/p>\n<p>Confesso que no meu Rio de Janeiro tamb\u00e9m me vinha um frio na barriga ao ver uma viatura policial se aproximar ou, pior ainda, parar o meu carro. A tentativa de arrancar um suborno era certeza. A incerteza era se a viol\u00eancia pararia a\u00ed, na esfera \u201cmoral\u201d.<\/p>\n<p>Aqui s\u00f3 n\u00e3o digo que a minha resposta \u00e0 presen\u00e7a policial \u00e9 a indiferen\u00e7a porque ainda me v\u00eam ecos instintivos de toda uma vida no Brasil.<\/p>\n<p>Leva uma fra\u00e7\u00e3o de segundo at\u00e9 racionalizar e respirar aliviado:<\/p>\n<p>\u2013 Calma! Essa n\u00e3o \u00e9 a pol\u00edcia brasileira!<\/p>\n<p>\n          <strong>*<\/strong>\n        <\/p>\n<p>Respirar <em>aliviado<\/em>?<\/p>\n<p>O al\u00edvio \u00e9 relativo&#8230;<\/p>\n<p>Eu aqui e toda a minha fam\u00edlia e amigos l\u00e1, junto a outros 200 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Ao relato:<\/p>\n<p>\n          <strong>*<\/strong>\n        <\/p>\n<p>\n          <strong>Entre a presid\u00eancia do CONANDA e o banco da viatura<\/strong>\n        <\/p>\n<p>(cr\u00f4nica de fato ocorrido no dia 10.10.2016 na cidade de S\u00e3o Paulo)<\/p>\n<p>Ontem a noite vivi horas de terror em meio a uma trag\u00e9dia repetida em tantas periferias de S\u00e3o Paulo. Depois do susto e com o corpo menos dolorido pelo tamanho da press\u00e3o escrevo estas linhas em forma de den\u00fancia e de reflex\u00e3o.<\/p>\n<p>Estava num ponto a espera de um transporte p\u00fablico para retornar para casa depois de uma tarde no hospital na \u00faltima consulta antes da fat\u00eddica cirurgia no intestino marcada para esta semana. Carregava uma sacola cheia de exames e um presente barato de pl\u00e1stico que comprei as pressas para a Pilar. Quando de repente escutei tr\u00eas disparos, gritaria e alvoro\u00e7o geral pois estava no terminal de Santana, bairro com muito com\u00e9rcio e um grande terminal, no hor\u00e1rio de pico.<\/p>\n<p>Ao virar vi policial correndo de um lado para outro e o corpo de um garoto de n\u00e3o mais de 20 anos no ch\u00e3o ao seu lado menina-adolescente aos gritos suplicando que o policial n\u00e3o atirasse mais. Corri, corremos (um grupo grande de pessoas) e cercamos os dois corpos ainda vivos e em ang\u00fastia. O menino foi ferido na regi\u00e3o pubiana e no bra\u00e7o. O policial perdido ficou como cachorro louco, apreensivo, n\u00e3o pelo ato, mas pela multid\u00e3o com seus celulares ligados e com for\u00e7a gritavam: \u201cChama ambul\u00e2ncia! Por que voc\u00ea atirou?\u201d outros mais irritados, \u201cAssassino!\u201d<\/p>\n<p>E eu ali, tentava entender e acolher aquele casal abandonado naquele lugar p\u00fablico junto com outras pessoas que viam seres humanos e n\u00e3o objetos de um jogo de viol\u00eancia.<\/p>\n<p>De repente come\u00e7a a chegar diversos carros da Pol\u00edcia Militar e do Choque, policiais grandes, com armas desproporcionais para o ambiente come\u00e7aram a empurrar como c\u00e3es vorazes a popula\u00e7\u00e3o: \u201cSaiam! Saiam! Saiam! Voc\u00eas tamb\u00e9m s\u00e3o bandidos?\u201d As palavras n\u00e3o eram s\u00f3 violentas como eram de amea\u00e7as de quem ousasse falar algo de protesto ou reivindica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Neste momento eu disse: \u201cAntes de armas ele precisa de socorro!\u201d.<\/p>\n<p>A resposta foi abrupta e violenta para mim: \u201cQuem \u00e9 voc\u00ea? T\u00e1 defendendo este bandido?\u201d, de maneira en\u00e9rgica e coletiva me cercaram de forma coerciva, me agarram e disseram \u201cvem pra c\u00e1 e passa o documento e celular!\u201d Isto com os corpos blindados e armados em cima de mim.<\/p>\n<p>Eu respondi que \u201cN\u00e3o!\u201d come\u00e7ou uma gritaria, me empurravam e gritavam mais alto: \u201cVoc\u00ea vai fazer isto sim, porque \u00e9 determina\u00e7\u00e3o do Secret\u00e1rio e nos vamos pegar seus documentos e celular. Pelo contr\u00e1rio voc\u00ea vai preso!\u201d<\/p>\n<p>At\u00e9 que sozinho, sem refer\u00eancia, esmagado por tamanha opress\u00e3o, apenas com o apoio de um grupo de pessoas que estavam indignadas com a postura da pol\u00edcia, come\u00e7aram a gritar \u201cInjusti\u00e7a! Injusti\u00e7a!\u201d Os policiais come\u00e7aram a responder de forma ir\u00f4nica \u201cInjusti\u00e7a \u00e9 defender bandido!\u201d<\/p>\n<p>Fui levado a for\u00e7a para dentro da cena novamente. Agora \u00e9ramos tr\u00eas: eu, um desconhecido, acusado como agitador, apoiador de bandido, com uma adolescente \u201cbandida\u201d no ch\u00e3o ao lado do namorado ferido. Ao olhar para aquele corpo negro no ch\u00e3o pensava no Carandiru e o desfecho do processo dos 20 anos. Absolveram atos criminosos de policiais. E esta imagem e outras eram como um ros\u00e1rio de medita\u00e7\u00e3o frente as atrocidades causadas pelo Estado. Via os movimentos dos policiais, os cochichos, os olhares, a forma como queriam proteger o ato de quem atirou etc.<\/p>\n<p>At\u00e9 que mais uma cena est\u00fapida de agress\u00e3o me envolveu em n\u00e1usea. Um policial gritava para a adolescente que estava de joelhos debru\u00e7ada sobre o namorado: \u201cSe afasta vagabunda! Se afasta e para de chorar!\u201d Com os p\u00e9s afastava ela como cachorro diante de um saco de lixo. Engoli seco. Olhava ao redor e n\u00e3o via nenhum ponto de apoio do que chamamos de rede e sistema de garantia. Via aquele universo de policiais com suas l\u00f3gicas e autoridade absoluta. Eu ali, diante de um sistema de seguran\u00e7a que se transforma em juiz, deus e tudo. O sil\u00eancio era a melhor maneira de evitar mais uma trag\u00e9dia, pensei na confus\u00e3o dos meus medos.<\/p>\n<p>Ao perceber que eu estava sem documento e celular o desespero me invadiu com a possibilidade de tantos desfechos nesta hist\u00f3ria. Eu estava preso, sem estar preso, estava condenado sem estar condenado. Dois jovens no meio da multid\u00e3o que agora era gigantesca perceberam minha situa\u00e7\u00e3o e condi\u00e7\u00e3o, disseram: \u201cPodemos apoiar com algo amigo?\u201d, falavam por cima dos ombros dos policiais.  Eu pedi que ligassem pra minha esposa para mant\u00ea-la informada. Pois eles iriam me levar e precisava que soubesse pra onde eu fui. Vinha na minha mente as estat\u00edsticas que denunciamos e publicamos de viol\u00eancia policial.<\/p>\n<p>Alguns policiais vinham para mim e perguntavam: \u201cO que vc viu?\u201d e respondiam, \u201cSabe que ele \u00e9 bandido n\u00e9?\u201d e assim faziam de forma constante com um tom estranho de julgamento. Mais uma vez o medo rondava meu est\u00f4mago e cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>CONANDA? Aldeias? Defensor e militante de direitos? Nada disso cabia eu era um Z\u00e9 ningu\u00e9m, mais um entre a multid\u00e3o, um trabalhador com sua bermuda rasgada e barba grande e desajeitada. Tudo o que eu representava no campo profissional, politico e social se dilu\u00eda: Eu mesmo me via como uma coisa, sem identidade e trajet\u00f3ria hist\u00f3rica. Agora eu era o violado, diante de uma parede de opress\u00e3o que me tirava a voz e minha hist\u00f3ria, me jogava para o medo do acaso e do abuso de autoridade de policiais. Por isso, eu poderia ser alvo e descartado a qualquer momento. Olhava para a sacola com o presente surpresa da minha filha e tentava buscar um pouco de sanidade e tranquilidade e pensava que com a doen\u00e7a encontrada nestes dias me afastei da cadeira dos projetos e dos debates de incid\u00eancia e fui engolido pela realidade complexa e perplexa.<\/p>\n<p>Eis que chegou os bombeiros e prestaram os socorros ao menino. A menina foi pega pelo bra\u00e7o e um dos policiais disse: \u201cVoc\u00ea vem com a gente!\u201d perguntei, \u201cPra onde?\u201d, \u201cN\u00e3o sabemos ainda!\u201d, eu insisti sem demonstrar qualquer tipo de energia e sim um ar calmo e de submiss\u00e3o necess\u00e1ria: \u201cPreciso saber para comunicar os meus familiares e amigos que est\u00e3o aqui!\u201d um deles respondeu com boa vontade: \u201cVamos para a 20\u00b0 DP. Acompanhe a menina\u201d. Fui ao lado, no mesmo banco que a adolescente que estava toda ensanguentada como piet\u00e1.<\/p>\n<p>Ao entrar na viatura a sess\u00e3o de tortura psicol\u00f3gica come\u00e7ou. \u201cE a\u00ed garota, voc\u00ea tamb\u00e9m \u00e9 bandinha? D\u00e1 nisso defender bandido e ficar com bandido. Eu digo hoje para os meus companheiros, na hora de atirar n\u00e3o atira na perna ou no saco. Atira na cabe\u00e7a! Assim resolve tudo.\u201d Eles de maneira ir\u00f4nica e agressiva continuavam a indagar e julgar: \u201cE a\u00ed voc\u00ea participou do roubo?\u201d ela respondia chorando: \u201cSim, senhor!\u201d Falava tudo e se expunha ali no carro com se devesse responder. N\u00e3o estava diante de ju\u00edzes e sim diante de policiais. Mas destaco aqui uma frase dela: \u201cEstou gr\u00e1vida dele!\u201d rindo alto falaram, \u201cCoitada desta crian\u00e7a! Voc\u00ea vai para a Funda\u00e7\u00e3o Casa e seu namoradinho n\u00e3o vai sobreviver. J\u00e1 era!\u201d a menina solu\u00e7ava em prantos. Peguei em sua m\u00e3o e disse \u201cCalma, n\u00e3o tenha ouvidos!\u201d<\/p>\n<p>Ao chegarmos na delegacia ela ficou num canto sozinha e eu ali atr\u00e1s parado como c\u00famplice de um ato de estranhos, num bairro desconhecido, numa hora inesperada. At\u00e9 que por telefone soube que a Diretora da Aldeias Infantis SOS, organiza\u00e7\u00e3o que assessoro h\u00e1 anos, estava vindo com um advogado. Mas as cenas de abuso e viol\u00eancia continuavam no espa\u00e7o da Delegacia por policiais que chegavam e olhavam pra mim com \u00f3dio quando n\u00e3o me pressionavam com perguntas que n\u00e3o respondia, o que os irritavam mais. Depois disso o advogado chegou entramos e fiz o BO. Estava acuado com medo e o corpo todo dolorido.<\/p>\n<p>Conheci de forma diferente este ente chamado \u201cPol\u00edcia\u201d. Mudou meu sentimento cotidiano: \u201cVejo uma viatura come\u00e7o a suar e com uma dose involunt\u00e1ria de medo. Fico a imaginar as crian\u00e7as, adolescentes e jovens que s\u00e3o abordados de forma abusadora nas diversas periferias po serem pobres e negros na sua maioria das vezes. N\u00e3o enxergam os policiais como for\u00e7a de prote\u00e7\u00e3o e sim como for\u00e7a do medo, como uma entidade geradora de desconfian\u00e7a, incerteza e arbitrariedades absolutizadas.<\/p>\n<p>Demorei para dormir na madrugada entrante. Pensei na minha vida, no sistema que se encastela em poderes isolados e regidos por um autoritarismo ditatorial. Repassava todos os procedimentos equivocados diante do que entendemos e pregamos como sistema de garantia de direitos. Fazia um check list das Leis e C\u00f3digos existentes. Direito de escuta, do contradit\u00f3rio, do processo legal. Mas a confus\u00e3o \u00e9 tamanha que policial vira juiz e advogado, pra n\u00e3o dizer deus, que manda e comanda o destino de vidas. Talvez a trag\u00e9dia foi menor, por mais que foi traum\u00e1tica e singular na vida destas duas pessoas, se fosse em outro lugar, menos povoado de gente, outro hor\u00e1rio e n\u00e3o t\u00e3o central? Como se daria o final deste enredo?<\/p>\n<p>Acordei e vi na imprensa: \u201cSuspeito baleado por PM ap\u00f3s tentativa de assalto na zona norte de S\u00e3o Paulo. Um homem que estava pr\u00f3ximo ao local foi conduzido \u00e0 delegacia por ter incitado populares a agredir os policiais. O celular dele foi apreendido\u201d. Este \u201chomem\u201d narrado pela inventosa m\u00eddia, era eu, <strong>F\u00e1bio<\/strong>, atualmente presidente do <strong>CONANDA<\/strong> e co-participante de uma cena de viola\u00e7\u00e3o dos meus direitos e da adolescente em destaque nesta hist\u00f3ria. A contradi\u00e7\u00e3o se encontra na mesma hist\u00f3ria. A luta e a vida se misturam e se encontram na trag\u00e9dia. Ali n\u00e3o existe cargo, fun\u00e7\u00e3o, a realidade de opress\u00e3o atinge a todos e tudo. \u00c9 necess\u00e1rio repensarmos as estruturas de maneira radical pelo contr\u00e1rio a utopia e as leis se transformam em quimeras que propiciam pela omiss\u00e3o mais incidentes e mortes.<\/p>\n<p>\n          <strong>*<\/strong>\n        <\/p>\n<p>\n          <strong>Romulus:<\/strong>\n        <\/p>\n<p>Dou um suspiro lembrando o quanto a luta contra a escalada do fascismo no Brasil \u00e9 ingrata&#8230; (2)<\/p>\n<p align=\"center\">*   *   *<\/p>\n<p>\n          <strong>Achou meu estilo \u201cesquisito\u201d? \u201cCa\u00f3tico\u201d?<\/strong>\n        <\/p>\n<p>&#8211; Pois voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3! Clique na imagem e chore suas m\u00e1goas:<\/p>\n<p>\n          <a href=\"http:\/\/jornalggn.com.br\/blog\/romulus\/que-p-e-essa-ora-essa-p-e-romulus-por-o-proprio\"><br \/>\n            <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/sites\/default\/files\/u28333\/queporraehessa_0.png\"\/><br \/>\n          <\/a>\n        <\/p>\n<p>\n          <strong>*<\/strong>\n        <\/p>\n<p><strong>(i) <\/strong>Acompanhe-me no Facebook:<\/p>\n<p>\n          <a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100008108688607\"><br \/>\n            <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/sites\/default\/files\/u28333\/screen_shot_2016-10-13_at_12.15.45_copy_0.png\"\/><br \/>\n          <\/a>\n        <\/p>\n<p>\n          <strong>*<\/strong>\n        <\/p>\n<p><strong>(ii)<\/strong> No Twitter:<\/p>\n<p>\n          <a href=\"https:\/\/twitter.com\/rommulus_\"><br \/>\n            <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/sites\/default\/files\/u28333\/screen_shot_2016-10-13_at_12.28.13_0.png\"\/><br \/>\n          <\/a>\n        <\/p>\n<p>\n          <strong>*<\/strong>\n        <\/p>\n<p><strong>(iii)<\/strong> E, claro, no meu blog aqui no GGN:<\/p>\n<p>\n          <a href=\"http:\/\/jornalggn.com.br\/blogs\/romulus\"><br \/>\n            <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/sites\/default\/files\/u28333\/screen_shot_2016-10-13_at_12.30.34_0.png\"\/><br \/>\n          <\/a>\n        <\/p>\n<p>\n          <strong>*<\/strong>\n        <\/p>\n<p>\n          <em>Quando perguntei, uma deputada su\u00ed\u00e7a se definiu em um jantar como &#8220;uma esquerdista que sabe fazer conta&#8221;. Poucas palavras que dizem bastante coisa. Adotei para mim tamb\u00e9m.<\/em>\n        <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[583],"tags":[],"class_list":["post-86220","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-romulus-maya-posts-antigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/86220","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=86220"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/86220\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=86220"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=86220"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=86220"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}