{"id":83122,"date":"2016-11-21T14:13:00","date_gmt":"2016-11-21T16:13:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.duploexpresso.com\/?p=83122"},"modified":"2018-01-14T18:38:07","modified_gmt":"2018-01-14T20:38:07","slug":"eram-os-gregos-macumbeiros-por-marcos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=83122","title":{"rendered":"Eram os gregos macumbeiros?, por Marcos Alvito"},"content":{"rendered":"<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt; text-align: right;\">\n<div style=\"text-align: left;\">\n<div style=\"text-align: right;\">\n<i>ESPECIAL CONSCI\u00caNCIA NEGRA:<\/i><\/div>\n<div style=\"text-align: right;\">\n<i>RACISMO E HERAN\u00c7A AFRICANA<\/i><\/div>\n<div>\n<i><br \/><\/i><\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"544\" src=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/Fo48hpy36VkLb_BCCyUjK7JcozDjdO4DFnzLUrJgI3IorfIp_Vzsh68fQ1KLC2xnjsdZlxXHb0nytpTTTHFx4FiMInnWq_o2DUCN3gR2VztRy6xTf-qoXmq3RjoW-JoTs_ihZV_mYySUQ_u7\" style=\"border: none; font-family: verdana; font-size: 16px; transform: rotate(0rad); white-space: pre-wrap;\" width=\"513\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n<\/div>\n<h2 style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\nEram os gregos macumbeiros?<\/h2>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\nMarcos Alvito (UFF)<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\nAtenas, quarenta e cinco minutos do segundo tempo:<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n\u201cS\u00f3crates j\u00e1 se tinha tornado rijo e frio em quase toda a regi\u00e3o inferior do ventre, quando descobriu sua face, que havia velado, e disse estas palavras, as derradeiras que pronunciou:<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n&#8211; Cr\u00edton, devemos um galo a Ascl\u00e9pio; n\u00e3o te esque\u00e7as de pagar essa d\u00edvida.\u201d<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n\u00c9 desta forma que Plat\u00e3o (F\u00e9don, 118a) narra os \u00faltimos momentos de S\u00f3crates. Preocupado em recha\u00e7ar as acusa\u00e7\u00f5es que haviam levado S\u00f3crates \u00e0 condena\u00e7\u00e3o, Plat\u00e3o procura retratar seu mestre como um ateniense bem-comportado, respeitador dos usos e costumes da \u00e9poca. Dentre os quais estava, sem d\u00favida, pagar as d\u00edvidas para com os deuses. Em outras palavras, S\u00f3crates pede a seu amigo Cr\u00edton que pague uma obriga\u00e7\u00e3o, como diria qualquer pai-de-santo. Que os gregos faziam seus despachos, inclusive no pior sentido, est\u00e1 comprovado pela arqueologia, que recuperou in\u00fameras tabuinhas de impreca\u00e7\u00e3o. Nas palavras insuspeitas de um eminente helenista (FLACELI\u00c8RE:250):<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n\u201cTratava-se de um rito m\u00e1gico, pelo qual se procurava prejudicar os inimigos, sobretudo os advers\u00e1rios que se encontravam no tribunal, por ocasi\u00e3o de um processo, votando-os \u00e0s divindades infernais (&#8230;) chumbando-os ao dom\u00ednio dos mortos pela pr\u00e1tica da feiti\u00e7aria.\u201d<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\nO processo consistia em uma esp\u00e9cie de vodu por escrito:<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n\u201cPor vezes, enumeram as diferentes partes do corpo do inimigo, as suas faculdades espirituais, e a sua atividade, de maneira a castigarem-nos em toda a sua pessoa. Os nomes das pessoas assim votadas \u00e0 morte s\u00e3o cercados de uma rede de fios; depois a folha de chumbo em que se grava a impreca\u00e7\u00e3o \u00e9 enrolada em torno de um prego de ferro, que se enterra no solo.\u201d <\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\nAssim como os orix\u00e1s africanos, cada deus grego era agraciado com oferendas espec\u00edficas. Sacrif\u00edcios a Hermes inclu\u00edam incenso, mel, bolos, porcos e especialmente carneiros. Zeus, por sua vez, preferia bodes, touros e cabras.<\/p>\n<\/div>\n<p>\n<a name='more'><\/a>Os ex\u00e9rcitos espartanos sempre viajavam com uma cabra para ser sacrificada ao mais poderoso dos olimpianos antes das batalhas, na cren\u00e7a de que isto lhes garantiria a vit\u00f3ria. Outra forma de granjear a simpatia dos deuses era atrav\u00e9s das liba\u00e7\u00f5es: derramava-se ao solo um pouco de vinho antes de beb\u00ea-lo. Parece aquilo que os brasileiros chamam de \u201cdar um golinho pro santo\u201d. Em ambos os casos, trata-se de uma rela\u00e7\u00e3o direta com a divindade, justificada pela cren\u00e7a de que as condi\u00e7\u00f5es de uma exist\u00eancia feliz dependem do benepl\u00e1cito dos deuses. Os africanos escravizados no Rio de Janeiro (KARASCH,2000:357):<\/p>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n\u201cacreditavam que moravam numa cidade cheia de for\u00e7as espirituais poderosas que podiam fazer o bem para eles e lhes trazer boa fortuna \u2013 se conseguissem aprender a trabalhar com elas.\u201d<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\nS\u00e3o muitos os pontos de contato entre a religi\u00e3o grega cl\u00e1ssica e as religi\u00f5es afro-brasileiras. Ambas, por exemplo, fazem uso da adivinha\u00e7\u00e3o, embora os m\u00e9todos variem muito: enquanto no candombl\u00e9 usam-se b\u00fazios, os gregos valiam-se de or\u00e1culos, usando desde favas (caso das consultas menos importantes em Delfos) at\u00e9 o sopro do vento nas \u00e1rvores (em um or\u00e1culo de Zeus). Zeus, ali\u00e1s, era simbolizado em Creta por um duplo machado muito semelhante ao que ostenta Xang\u00f4 (VERGER,1981:135). Estas duas divindades t\u00eam muito mais em comum. Tanto Xang\u00f4 quanto Zeus s\u00e3o apresentados como senhores da Justi\u00e7a, reis poderosos, autorit\u00e1rios ou at\u00e9 violentos, al\u00e9m de incans\u00e1veis perseguidores de parceiras femininas (embora Zeus fosse mais ecl\u00e9tico neste particular, ilustrando o padr\u00e3o bissexual aceito pelos gregos). O raio e o trov\u00e3o simbolizam a ambos.<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\nComparar gregos e africanos \u00e9, decerto, uma heresia acad\u00eamica. Afinal, de um lado temos aqueles que s\u00e3o vistos como os verdadeiros criadores da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental, os inventores da filosofia, do teatro, da democracia. Os africanos, ao contr\u00e1rio, tradicionalmente s\u00e3o vistos como selvagens e irracionais, particularmente no Brasil, pa\u00eds de vasta trajet\u00f3ria escravista e que durante muito tempo rejeitou o legado das diversas culturas negras que por aqui aportaram. O ideal do embranquecimento progressivo da popula\u00e7\u00e3o brasileira foi visto como a solu\u00e7\u00e3o para o nosso \u201cproblema racial\u201d at\u00e9 a d\u00e9cada de 1930. At\u00e9 este momento in\u00fameros intelectuais repetiram a acusa\u00e7\u00e3o (err\u00f4nea, vide o Egito Antigo) de que os negros jamais haviam sido capazes de criar uma civiliza\u00e7\u00e3o (SKIDMORE,1989). Em seu O espet\u00e1culo das ra\u00e7as, Lilia Schwarcz (1995) demonstra que, no Brasil, tanto as Escolas de Direito quanto as Academias de Medicina nasceram tendo na quest\u00e3o racial uma preocupa\u00e7\u00e3o fundamental. Em 1895, na Faculdade de Direito de Recife, Silvio Romero (SCHWARCZ,1995:155) falava na \u201cdesigualdade original, brotada do laborat\u00f3rio da natureza, aonde a distin\u00e7\u00e3o e a diferen\u00e7a entre as ra\u00e7as aparecem como fatos primordiais frente ao apelo da avan\u00e7ada ethnografia\u201d <\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\nEnquanto isso, o Brazil M\u00e9dico, publica\u00e7\u00e3o da Academia de Medicina do Rio de Janeiro, publicava em um artigo datado de 1904 (SCHWARCZ,1995:223): <\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n\u201cClaro est\u00e1 que um branco imbecil ser\u00e1 inferior a um preto inteligente. N\u00e3o \u00e9 por\u00e9m, com excep\u00e7\u00f5es que se argumenta. Quando nos referimos a uma ra\u00e7a, n\u00e3o individuallisamos typos dela. E assim procedendo vemos que a casta negra \u00e9 o atraso; a branca o progresso, a evolu\u00e7\u00e3o&#8230; A demencia, \u00e9 a forma que mais avulta os negros. P\u00f3de-se dizer que tornam-se elles dementes com muito mais freq\u00fc\u00eancia, por sua constitui\u00e7\u00e3o, que os brancos&#8230;\u201d <\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\nAinda em 1921, o dr. Renato Kehl escrevia no Brazil M\u00e9dico um artigo apoiando a estereliza\u00e7\u00e3o eug\u00eanica tal como fora aplicada em Nova Jersey (SCHWARCZ,1995:233-4), pois \u201ca esteriliza\u00e7\u00e3o far\u00e1 desaparecer os elementos cacoplatos da esp\u00e9cie humana\u201d. <\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\nHoje em dia, aparentemente, ter\u00edamos superado esta etapa em que o pensamento cient\u00edfico brasileiro estava marcado pelo determinismo e pelo racismo. As mentalidades, entretanto, s\u00e3o fen\u00f4menos de longa dura\u00e7\u00e3o, como nos alerta o historiador franc\u00eas Jacques Le Goff. Ainda hoje, o campo cient\u00edfico brasileiro ainda n\u00e3o fez jus \u00e0 import\u00e2ncia do legado africano. Tomemos um exemplo \u00f3bvio: h\u00e1 mais especialistas tupiniquins na Hist\u00f3ria da Gr\u00e9cia Antiga do que na Hist\u00f3ria da \u00c1frica. A Hist\u00f3ria da \u00c1frica, est\u00e1 praticamente ausente dos cursos de gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria e simplesmente n\u00e3o existe a n\u00edvel de primeiro e segundo graus. \u00c9 revelador que o primeiro historiador a fazer um apanhado da quest\u00e3o racial no Brasil tenha sido um brazilianista, Thomas Skidmore. No fim d\u00e9cada de 1960, quando a historiadora americana Mary Karasch come\u00e7ou a estudar a vida dos escravos no Rio de Janeiro do s\u00e9culo XIX, ouviu de in\u00fameros brasileiros que tal pesquisa era imposs\u00edvel de ser realizada, pois simplesmente n\u00e3o havia documentos (KARASCH,2000:22-23). Da mesma forma, as favelas cariocas s\u00f3 mereceram seu primeiro estudo acad\u00eamico na d\u00e9cada de 1960, obra de um casal de antrop\u00f3logos norte-americanos, Anthony e Elisabeth Leeds (LEEDS &amp; LEEDS,1978). Talvez este atraso da academia brasileira em dedicar-se a este tema esteja aparentado com a nossa modalidade de racismo envergonhado, que prefere, antes de tudo, o sil\u00eancio.<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\nPierre Bourdieu (1982:122ss.) nos ensina que o campo cient\u00edfico comporta investimentos, lucros e perdas. Alguns sub-campos s\u00e3o mais respeit\u00e1veis, proporcionam mais prest\u00edgio ou, como diria o soci\u00f3logo franc\u00eas, permitem uma maior acumula\u00e7\u00e3o de capital cient\u00edfico. Pude sentir na pr\u00f3pria pele o que isto significa. Durante dez anos fui especialista em Hist\u00f3ria Antiga em uma reputada universidade. Publiquei um livro, v\u00e1rios artigos, fui a congressos, enfim, percorri a trajet\u00f3ria normal e esperada de um professor universit\u00e1rio. No nosso pa\u00eds, por motivos \u00f3bvios, a Hist\u00f3ria Antiga n\u00e3o \u00e9 um ramo t\u00e3o importante quanto a Hist\u00f3ria do Brasil ou a Hist\u00f3ria Contempor\u00e2nea. Mesmo assim, eu posso dizer que desfrutava do respeito e, por vezes, da admira\u00e7\u00e3o dos meus pares, dada a \u201caura\u201d que cerca os estudos cl\u00e1ssicos. Durante o meu doutoramento, todavia, mudei radicalmente o rumo dos meus estudos e realizei uma pesquisa sobre a favela de Acari, no Rio de Janeiro, um local visto como extremamente perigoso devido \u00e0 quest\u00e3o do tr\u00e1fico de drogas (ALVITO:1998). Esta op\u00e7\u00e3o, em geral, foi vista como uma verdadeira \u201cloucura\u201d: nem mesmo ex-alunos acanharam-se em externar esta opini\u00e3o. \u00c9 claro que, do ponto de vista do investimento no campo cient\u00edfico, o abandono de uma carreira acad\u00eamica consolidada, de uma posi\u00e7\u00e3o, de uma especializa\u00e7\u00e3o rara e, portanto, valorizada, parecia uma aventura tresloucada e irracional. <\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\nAo retornar \u00e0 universidade, todavia, pude perceber que havia ainda um pouco mais do que um mero c\u00e1lculo do lucro simb\u00f3lico na nem sempre surda condena\u00e7\u00e3o que me era votada. Quando da primeira reuni\u00e3o a que assisti depois do meu retorno \u00e0 universidade, um colega a quem at\u00e9 hoje considero um amigo leal fez em alto e bom som o seguinte coment\u00e1rio: \u201cMarcos Alvito agora \u00e9 especialista em balas perdidas\u201d. A anedota revelava o que muitos pensavam: a favela n\u00e3o era um tema digno do doutorado. A partir deste epis\u00f3dio (e de outros, que me abstenho de narrar para n\u00e3o cansar o leitor), aprendi que o estigma que pesava sobre o grupo que eu estudara agora estava associado tamb\u00e9m \u00e0 pessoa do pesquisador. Uma pergunta que me era feita repetidamente motivou este artigo. Indagavam-me se eu havia mesmo abandonado a Hist\u00f3ria Antiga. A formula\u00e7\u00e3o escondia duas coisas: de primeiro uma sugest\u00e3o de retorno \u00e0 minha antiga especialidade, considerando a favela como um desvio moment\u00e2neo. Por outro lado, revelava uma premissa: a de que estudar a favela era deixar de lado, era esquecer e inutilizar todos os conhecimentos auferidos acerca da Hist\u00f3ria Antiga e dos gregos em particular. Acontece que a chave mesma para a compreens\u00e3o do comportamento dos moradores de Acari foi-me fornecida por um conceito que eu antes j\u00e1 aplicara ao estudo da Gr\u00e9cia Cl\u00e1ssica, o de sociedades da honra e da vergonha (ALVITO,1996). Descobri, por exemplo, que as mulheres casadas da favela s\u00e3o submetidas a um controle de movimenta\u00e7\u00e3o que faz lembrar \u2013 guardadas as devidas diferen\u00e7as &#8211; as atenienses encerradas no gineceu. Sendo assim, eu n\u00e3o entendia como os meus interlocutores podiam pensar que eu tivesse feito algo semelhante a trocar a F\u00edsica Nuclear pela Bot\u00e2nica. E olhe que estamos (ser\u00e1 ?) em um tempo em que a interdisciplinaridade \u00e9 elogiada. Em v\u00e3o eu lembrava o velho ad\u00e1gio do poeta romano: \u201cNada do que \u00e9 humano me \u00e9 estranho\u201d&#8230;<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\nEste artigo representa, portanto, apenas um breve e superficial ensaio comparativo que serve de resposta \u00e0queles que, conscientemente ou n\u00e3o, acreditam existir um abismo entre a Gr\u00e9cia e a \u00c1frica, ou entre os atenienses e os favelados cariocas, ou entre a filosofia grega e o samba&#8230; <\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\nVoltemos aos deuses. Comparemos agora Exu e Hermes. Exu representa um um canal de comunica\u00e7\u00e3o, o princ\u00edpio da mobilidade. Por isto, o candombl\u00e9 sempre \u00e9 aberto com invoca\u00e7\u00f5es a esta divindade. Hermes, com suas sand\u00e1lias aladas que permitem voar, \u00e9 tamb\u00e9m um mensageiro. Asssim como as oferendas a Exu s\u00e3o depositadas nas encruzilhadas, Hermes era homenageado com hermas nas esquinas e nas portas, isto \u00e9, em locais de passagem. As hermas eram pequenos monumentos feitos de pedra consistindo de um busto do deus e de um falo semi-ereto, pois Hermes era associado \u00e0 fertilidade. Quanto a Exu, aprendemos com Pierre Verger (1981:78-79) que entre os fon, Exu- Elegbara \u00e9 chamado de Legba e \u201c\u00e9 representado por um mont\u00edculo de terra em forma de homem acocorado, ornado com um falo de tamanho respeit\u00e1vel\u201d (ver figura 37, VERGER,1981:83). Tanto Hermes quanto Exu s\u00e3o marcados pela ambiguidade, pelo comportamento \u00e0s vezes trai\u00e7oeiro e, com o perd\u00e3o da palavra, malandro: logo ap\u00f3s o seu nascimento Hermes j\u00e1 aprontou a primeira, roubando gado do seu meio-irm\u00e3o Apolo (ambos eram filhos do prol\u00edfico Zeus). Por conta da gracinha, teve que presentear Apolo com a c\u00edtara. Sempre de chap\u00e9u, de andar leve, esperto e m\u00fasico, \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o aproximar Hermes dos malandros cariocas do in\u00edcio desse s\u00e9culo. <\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\nPor falar em malandragem, talvez ela seja uma ponte para uma parceria imprevista, entre Arist\u00f3teles e Ismael Silva. Este \u00faltimo, fizera em 1931, com N\u00edlton Bastos, um verdadeiro hino \u00e0 malandragem, intitulado O que ser\u00e1 de mim: <\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n&lt;&lt;Se eu precisar algum dia\u2028de ir pro batente,\u2028n\u00e3o sei o que ser\u00e1,\u2028pois vivo na malandragem,\u2028e vida melhor n\u00e3o h\u00e1.\u2028Minha malandragem \u00e9 fina, n\u00e3o desfazendo de ningu\u00e9m. Deus \u00e9 quem nos d\u00e1 a sina. E o valor d\u00e1-se a quem tem. (&#8230;) Oi, n\u00e3o h\u00e1 vida melhor que vida melhor n\u00e3o h\u00e1. Deixa falar quem quiser, deixa quem quiser falar. O trabalho n\u00e3o \u00e9 bom, ningu\u00e9m pode duvidar. Oi, trabalhar s\u00f3 obrigado, por gosto ningu\u00e9m vai l\u00e1&gt;&gt;<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\nEsta rejei\u00e7\u00e3o ao trabalho, na verdade, era bem mais antiga. Os gregos antigos viam no trabalho uma necessidade (\u201cpor gosto ningu\u00e9m vai l\u00e1\u201d como dir\u00e1 mais tarde Ismael) e, portanto, aproximavam-no da escravid\u00e3o. A liberdade estava ligada \u00e0 possibilidade de desfrutar do \u00f3cio, visto como o ambiente necess\u00e1rio \u00e0 criatividade atrav\u00e9s da qual o homem efetivamente exercia sua humanidade. Wilson Batista, no seu famoso Len\u00e7o no Pesco\u00e7o (1934) explicava muito bem o que isso queria dizer. Aqui vadiagem n\u00e3o \u00e9 defeito e sim uma qualidade, sinal de inclina\u00e7\u00e3o art\u00edstica, de talento:<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n&lt;&lt;Eu tenho orgulho\u2028em ser t\u00e3o vadio.\u2028Sei que eles falam de mim, deste meu proceder.\u2028Eu vejo quem trabalha andar no miser\u00ea\u2028Eu sou vadio,\u2028porque tive inclina\u00e7\u00e3o:\u2028eu me lembro, era crian\u00e7a, tirava samba-can\u00e7\u00e3o&gt;&gt;<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\nO trabalho em busca do sustento, a casa a servir de abrigo contra as intemp\u00e9ries, e a busca de uma parceira para o acasalamento eram vistos por Arist\u00f3teles como necessidades animais, presentes tamb\u00e9m no homem. A rejei\u00e7\u00e3o ao trabalho, portanto, deve ser vista como uma escolha e n\u00e3o como uma falha moral. Os ex-escravos e seus descendentes, colocados diante de uma realidade extremamente desvantajosa ap\u00f3s as d\u00e9cadas que se seguiram \u00e0 Aboli\u00e7\u00e3o e tendo na mem\u00f3ria a experi\u00eancia do cativeiro, preferiam evitar voltar a ter um patr\u00e3o. Tamb\u00e9m entre os atenienses o ideal era jamais trabalhar para algu\u00e9m, pois mesmo um homem livre, colocado nessa condi\u00e7\u00e3o, tendia a perder a sua liberdade. Moses I. Finley, nos lembra (FINLEY,1980:51) que os termos plousios e penes, normalmente traduzidos por rico e pobre, tinham, na verdade, outro significado. Penes vinha de penia, um termo que significa necessidade. Portanto, n\u00e3o era a posse de um certo n\u00famero de bens ou n\u00e3o, mas sim a necessidade de trabalhar que constitu\u00eda o limite decisivo. Arist\u00f3teles considerava o assalariado um escravo, pois n\u00e3o era pago por sua arte, ou seja, n\u00e3o criava, apenas cumpria uma obriga\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\nPodemos ir al\u00e9m nesta compara\u00e7\u00e3o, se examinarmos o conceito de m\u00e9tis. M\u00e9tis era uma deusa, que assumiu in\u00fameras formas tentando em v\u00e3o escapar de Zeus. Ela acaba tornando-se a primeira mulher do deus, o qual, entretanto, com medo de que ela d\u00ea \u00e0 luz um filho mais esperto do que ele, a devora quando ela estava gr\u00e1vida de um m\u00eas. Gra\u00e7as a isto, Zeus literalmente incorporara a m\u00e9tis, um termo que, para os gregos antigos, significava o mesmo que malandragem ou esperteza para n\u00f3s. \u00c9 apenas gra\u00e7as a esta qualidade que Zeus engana seu pai, o poderoso e cruel Cronos, que havia engolido seus irm\u00e3os. A engenhosidade contra a for\u00e7a, permitindo inverter as posi\u00e7\u00f5es: eis a\u00ed uma leitura poss\u00edvel do significado pol\u00edtico da m\u00e9tis, ou da malandragem. A capoeira, por exemplo, \u00e9 marcada por esta \u201cdial\u00e9tica da mandinga\u201d, por esta arte de negacear, fingir-se de morto para, em seguida, desfechar o golpe certeiro (REIS,2000). Na mitologia grega, nenhum her\u00f3i encarna melhor esta qualidade da m\u00e9tis do que Ulisses ou, como era chamado entre os gregos, Odisseus. Fora ele quem enganara os troianos com o falso presente do Cavalo de Pau, um pretenso reconhecimento da vit\u00f3ria troiana por parte dos gregos, mas que continha em seu bojo cem guerreiros armados que abrir\u00e3o os port\u00f5es da cidadela antes inexpugn\u00e1vel. Diante do c\u00edclope Polifemo, um gigante provido de for\u00e7a descomunal mas pouco versado na hospitalidade (ele devora in\u00fameros companheiros de Ulisses), Odisseus engana o monstro ofertando-lhe um vinho poderoso e valendo-se de um jogo de palavras: afirma chamar-se Ningu\u00e9m, o que dificulta o socorro ao gigante quando este tem seu \u00fanico olho vazado. Quando seus pares acorrem, alertados pelos gritos do infeliz Polifemo, este s\u00f3 consegue dizer: \u201cNingu\u00e9m me fez mal&#8230;\u201d. A dissimula\u00e7\u00e3o, a fuga do combate direto, seguidos do ataque r\u00e1pido e incisivo aproximam Ulisses dos capoeiras cariocas&#8230;<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\nImagine um labirinto de vielas pouco higi\u00eanicas, mal iluminadas e perigosas \u00e0 noite. Pensou numa favela carioca ? Errou, a Atenas de S\u00f3crates era assim. A filosofia n\u00e3o foi gestada em um mundo geom\u00e9trico, frio e calmo como o m\u00e1rmore das est\u00e1tuas. Atenas era uma cidade agitada e febril, cheia de sons: o preg\u00e3o dos vendedores de rosquinhas na \u00c1gora, a m\u00fasica e a poesia de que eram feitas as trag\u00e9dias, os arautos convocando para as assembl\u00e9ias quase semanais. O povo ateniense era conhecido por sua energia e vivacidade: quando gostava da pe\u00e7a a multid\u00e3o batia os p\u00e9s nas arquibancadas de madeira do teatro, caso contr\u00e1rio, arremessava comida nos atores&#8230; Os templos gregos eram multicoloridos e se hoje o Partenon \u00e9 descolorido isto se deve \u00e0 a\u00e7\u00e3o do tempo e da polui\u00e7\u00e3o, que apagaram o vermelho e o azul. Atenas era quente e movimentada como uma favela carioca. E os gregos, que n\u00e3o eram bobos, j\u00e1 sabiam tocar pandeiro&#8230; <\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"255\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/SHtMDEoECshJCxnOK_KLafuiCd4xTuKOuB4iTNCzZu6SibAucJg2-1_qENfS4pyiV7LqT5mFV754tNhG58zSGSGJeeu3Xh5x5hSZWgS6m6GumGkLv9TSOB_XpSKPPXfeXRyX8mOdIFOQwhT-\" style=\"-webkit-transform: rotate(0.00rad); border: none; transform: rotate(0.00rad);\" width=\"517\" \/><\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"350\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/h1gWXvq2TJOhH9OHButVywjLZDY3Gl7S65R3mT7xXoBkNBDBQA7pSEUqBd9ZRZ_2t-x9p2_O9CBtylxtwDfRvAvOvT5_UTVyWnhRphxryVYME9A1TKF4m8Mf__RNBXeA_oR4JPBe8YhaBgaC\" style=\"-webkit-transform: rotate(0.00rad); border: none; transform: rotate(0.00rad);\" width=\"514\" \/><\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\nBIBLIOGRAFIA : <\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\nALVITO,Marcos\u2028[1996] \u201cA honra de Acari\u201d In: VELHO,Gilberto &amp; ALVITO,Marcos. <\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\nCidadania e Viol\u00eancia. Rio de Janeiro: FGV\/UFRJ.pp.147-164.\u2028[1998] As cores de Acari. Tese de doutoramento apresentada ao PPG em <\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\nAntropologia Social da Universidade de S\u00e3o Paulo. <\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\nBOURDIEU,Pierre\u2028[1982] \u201cO campo cient\u00edfico\u201d In: BOURDIEU,P. Sociologia. S\u00e3o Paulo: <\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n\u00c1tica. Cole\u00e7\u00e3o Grandes Cientistas Sociais, volume 39.pp.122-155. FINLEY,M.I. <\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n[1980] A Economia Antiga. Porto:Afrontamento. <\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\nKARASCH,Mary\u2028[2000] A vida dos escravos no Rio de Janeiro \u2013 1808-1850. S\u00e3o Paulo: <\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\nCompanhia das Letras. LEEDS,Anthony e LEEDS,Elisabeth. <\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n[1978] A sociologia do Brasil urbano. Rio de Janeiro:Zahar. <\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\nREIS,Let\u00edcia Vidor de Souza\u2028[2000] O mundo de pernas para o ar \u2013 a capoeira no Brasil. S\u00e3o Paulo: <\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\nPublisher Brasil.2.ed. <\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\nSCHWARCZ,Lilia Moritz\u2028[1995] O espet\u00e1culo das ra\u00e7as \u2013 cientistas, institui\u00e7\u00f5es e quest\u00e3o racial <\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\nno Brasil (1870-1930). S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras.2.ed. <\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\nSKIDMORE,Thomas.\u2028[1989] Preto no branco \u2013 ra\u00e7a e nacionalidade no pensamento brasileiro. <\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\nRio de Janeiro: Paz e Terra. 2.ed. VERGER,Pierre. <\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n[1981] Orix\u00e1s. S\u00e3o Paulo: Corrupio\/C\u00edrculo do Livro. <\/div>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n<\/div>\n<p><\/p>\n<div dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\">\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-83122","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-home"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/83122","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=83122"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/83122\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=83122"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=83122"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=83122"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}