{"id":114306,"date":"2020-08-15T15:03:38","date_gmt":"2020-08-15T18:03:38","guid":{"rendered":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=114306"},"modified":"2020-08-19T06:06:57","modified_gmt":"2020-08-19T09:06:57","slug":"caminhos-das-sementes-1-a-partilha-do-milho-crioulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=114306","title":{"rendered":"Caminhos das Sementes #1: A Partilha do Milho Crioulo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left\"><strong>Por Mariana Cruz, Rafique Nasser e Joelson Ferreira<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><span style=\"font-size: 14pt\"><strong>O chamado \u00e0 partilha do milho crioulo para a constru\u00e7\u00e3o da autonomia e do bem-viver<\/strong><sup>1<\/sup><\/span><\/p>\n<p><i>\u00a0 \u00a0 \u00a0 Este \u00e9 o primeiro texto de uma s\u00e9rie sobre a import\u00e2ncia das sementes de milho crioulo na conquista da soberania alimentar, da terra e territ\u00f3rio e, sobretudo, da autonomia dos povos.<\/i><\/p>\n<p>Um <i>punhadinho<\/i>. Dedos entrela\u00e7ados guardando, na palma de uma m\u00e3o, 9 mil anos de hist\u00f3ria e ci\u00eancia dos povos. Um <i>punhadinho<\/i>. Terra viva zelando, em ber\u00e7o escuro e quente, passado-presente-futuro. Nossas sementes crioulas cabem em punho cerrado de luta e rebeldia e, na companhia delas, a Teia dos Povos semeia vida e multiplica territ\u00f3rios de autonomia e fartura.<\/p>\n<p>Um <i>punhadinho<\/i> delas D. Maria Muniz levou para sua ro\u00e7a, na aldeia Catarina Paraguass\u00fa, em Pau Brasil\/BA. Isso foi o bastante para que durante a 3\u00aa Jornada de Agroecologia, em dezembro de 2014, <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=lVodcGKIIxY&amp;t=299s\">50kg\u00a0 de sementes de milho<\/a> fizessem seu caminho de volta das terras Patax\u00f3 H\u00e3-h\u00e3-H\u00e3e para o Assentamento Terra Vista. Anos antes, em 2008, Joelson Ferreira foi ao Rio Grande do Sul e de l\u00e1 trouxe em suas m\u00e3os um outro <i>punhadinho<\/i>. Chegadas ao Assentamento Terra Vista, essas preciosidades foram dadas aos cuidados de dona Tereza e seu Andr\u00e9, mestres da agricultura. Plantadas no quintal aos fundos de casa, o que chegou <i>punhadinho<\/i> rendeu duas grandes bacias. Multiplicadas, tornaram a virar punhados e, de m\u00e3o e m\u00e3o, a semente ganhou mundo.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt\">Ou\u00e7a o artigo no player abaixo e na <strong><a href=\"https:\/\/t.me\/radioexpressa\">R\u00e1dio Expressa<\/a><\/strong>:<br \/>\n<\/span><\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-114306-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Caminhos-das-Sementes-1-A-Partilha-do-Milho-Crioulo.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Caminhos-das-Sementes-1-A-Partilha-do-Milho-Crioulo.mp3\">https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Caminhos-das-Sementes-1-A-Partilha-do-Milho-Crioulo.mp3<\/a><\/audio>\n<p><span style=\"font-size: 10pt\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>Por onde anda d\u00e1, com fartura, alimento de sustan\u00e7a para as crian\u00e7as, jovens e mais velhos, para bichos de cria\u00e7\u00e3o, passarinhos e abelhas e \u00e9 tamb\u00e9m fundamento de nossas festas, como \u00e9 <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=_2-LbnqcKO8\">o caso do S\u00e3o Jo\u00e3o<\/a>. S\u00e3o muitas as fomes que ela sacia. Percorrer seus caminhos, costurados que est\u00e3o na alian\u00e7a dos povos, \u00e9 <a href=\"https:\/\/piseagrama.org\/somos-da-terra\/\">aprender a hist\u00f3ria das resist\u00eancias contra-colonizadoras neste continente<\/a>. Estas \u00faltimas, por sua vez, nada seriam n\u00e3o fosse nossa teimosia em guardar e espalhar as sementes.<\/p>\n<p>Esse mutir\u00e3o constante que une gente e terra na defesa da vida e do territ\u00f3rio \u00e9 a pr\u00f3pria subst\u00e2ncia da revolu\u00e7\u00e3o que a Teia cultiva. Precisamos estar imbu\u00eddos\/as de sentimento revolucion\u00e1rio para cuidar das nossas sementes, trabalhar com elas para que se espalhem e se mantenham, preservando o trabalho e o saber de nossos ancestrais e garantindo a fartura para n\u00f3s e quem vier depois. A semente \u00e9 a continuidade da vida. E a vida vivida em partilha com todos os seres \u00e9 o nosso horizonte, assim como \u00e9 a nossa tradi\u00e7\u00e3o. Por isso, <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=lVodcGKIIxY&amp;t=299s\">a revolu\u00e7\u00e3o brasileira ser\u00e1 preparada com as coisas mais simples<\/a>: o cuidado das sementes, o cuidado com n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<div style=\"width: 800px;\" class=\"wp-video\"><video class=\"wp-video-shortcode\" id=\"video-114306-1\" width=\"800\" height=\"450\" preload=\"metadata\" controls=\"controls\"><source type=\"video\/mp4\" src=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/nossamistura_5.mp4?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/nossamistura_5.mp4\">https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/nossamistura_5.mp4<\/a><\/video><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/06\/23\/o-brasil-ja-esta-dentro-do-mapa-da-fome-denuncia-ex-presidente-do-consea\">A crise potencializada pela pandemia do COVID-19 vai se aprofundar.<\/a> Este per\u00edodo de grande dificuldade, desemprego, fome e confus\u00e3o que estamos vivendo, tende a se agravar. Mas n\u00e3o nos enganemos. Neste grande territ\u00f3rio que chamamos hoje Brasil, as consequ\u00eancias das epidemias sempre atingiram os povos ind\u00edgenas e pretos, as mulheres e os pobres de forma mort\u00edfera. Al\u00e9m disso, desde a invas\u00e3o, <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-07-14\/meus-antepassados-morreram-pelo-mesmo-que-eu-to-enfrentando-o-garimpo-ilegal-e-a-epidemia.html\">o genoc\u00eddio dos povos e destrui\u00e7\u00e3o da natureza caminham juntos<\/a>. Quando os europeus aqui chegaram, roubaram al\u00e9m de terras e gentes, tamb\u00e9m os frutos das ci\u00eancias dos povos. <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=p2XbFhr0xAA\">A batata, o milho e as tecnologias de cultivo a eles associadas<\/a>, foram levados ao continente europeu para salvar sua popula\u00e7\u00e3o da fome. Para n\u00f3s restou a terra arrasada, o desprezo aos nossos conhecimentos e a guerra contra nossos territ\u00f3rios de resist\u00eancia. Nessa perspectiva, pouco mudou em 520 anos.<\/p>\n<p>Os inimigos continuam sendo os mesmos: <a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/as-lutas-camponesas-e-a-utopia-possivel\/\">o agroneg\u00f3cio, o Estado, o capital<\/a>. A viol\u00eancia dos de cima avan\u00e7a a passos mais largos quanto mais nos ludibriamos com suas promessas \u2013 quando acreditamos nas solu\u00e7\u00f5es f\u00e1ceis e m\u00e1gicas oferecidas ora pelo agroneg\u00f3cio e seus pacotes pseudo produtivos; ora pelos governantes e suas esmolas e falsas aboli\u00e7\u00f5es. Se s\u00e3o sementes h\u00edbridas, leis ou benef\u00edcios emergenciais, n\u00e3o importa. Em cinco s\u00e9culos de hist\u00f3ria p\u00f3s invas\u00e3o, o que nos propuseram, mesmo que com nomes diferentes, <a href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/2020\/07\/paz-entre-nos-guerra-aos-senhores-uma-tradicao-rebelde-de-aliancas\/\">foram pactos ilus\u00f3rios que acabaram por nos tirar liberdade e autonomia<\/a>.<\/p>\n<p>Para construir uma liberdade verdadeira, preferimos percorrer os caminhos abertos por nossos ancestrais, nos aliando aos conhecimentos e formas de luta dos povos ind\u00edgenas, pretos e camponeses. N\u00e3o fosse a capacidade de observa\u00e7\u00e3o, sele\u00e7\u00e3o e experimenta\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas da Am\u00e9rica, n\u00e3o conhecer\u00edamos <a href=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/noticias\/povos-amazonicos-domesticaram-plantas-ha-6-mil-anos\/\">a mandioca<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.allpa.org\/la-papa\/\">a batata<\/a>, <a href=\"https:\/\/namidia.fapesp.br\/milho-uma-das-primeiras-plantas-a-serem-domesticadas-na-america-latina\/28199\">o milho<\/a>. N\u00e3o fosse a ci\u00eancia e a sagacidade dos povos africanos, <a href=\"https:\/\/acervo.socioambiental.org\/acervo\/livros\/arroz-negro-origens-africanas-do-cultivo-do-arroz-nas-americas\">n\u00e3o ser\u00edamos capazes de cultivar, por exemplo, o arroz<\/a>. Mulheres e homens escravizados brutalmente sabiam que n\u00e3o bastava saber: trouxeram tran\u00e7adas em seus cabelos as sementes que garantiriam sua continuidade aqui neste continente. A coloniza\u00e7\u00e3o capitalista segue seu curso, mas somos n\u00f3s que tivemos, todo esse tempo, a capacidade de multiplicar a vida em meio \u00e0 escassez e \u00e0 pobreza de esp\u00edrito. Podemos tomar como exemplo Canudos. O territ\u00f3rio tornado comum pela alian\u00e7a dos povos era conhecido na regi\u00e3o como o lugar em que <a href=\"https:\/\/jornalistaslivres.org\/canudos-cento-e-vinte-anos-de-solidao\/\">os rios vertiam leite, os barrancos eram puro cuscuz<\/a>.<\/p>\n<p>Das montanhas do sudoeste mexicano, temos a not\u00edcia de que <a href=\"http:\/\/enlacezapatista.ezln.org.mx\/1994\/05\/28\/el-viejo-antonio-en-la-montana-nace-la-fuerza-pero-no-se-ve-hasta-que-llega-abajo\/\">os deuses, reunidos em assembleia, decidiram fazer pessoas a partir do milho<\/a>. Os povos ind\u00edgenas Ch\u2019ol, Tzeltal, Tzotzil, Tojolobal, Mam e Zoque, descendentes dessa gente, se cansaram de s\u00e9culos de roubo e opress\u00e3o colonial e capitalista, e em 1994 <a href=\"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/2016\/09\/18\/descolonizacao-autonomia-igualdade-de-genero-e-solucao-zapatista\/\">formaram um ex\u00e9rcito e retomaram terras invadidas por latifundi\u00e1rios e suas <i>plantations.<\/i><\/a> Desde ent\u00e3o, vem recobrando a sua autonomia, o que passa necessariamente pela constru\u00e7\u00e3o de um sistema aut\u00f4nomo, agroecol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Do povo Guarani da terra Ind\u00edgena Tenond\u00e9 Por\u00e3, em S\u00e3o Paulo, aprendemos mais uma li\u00e7\u00e3o. Em 2018, com o aumento de sua popula\u00e7\u00e3o, eles retomaram o cultivo de sete qualidades tradicionais de milho, de diferentes cores e caracter\u00edsticas. <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/comida\/2018\/08\/indios-plantam-milho-e-batata-para-reforcar-cultura-ancestral.shtml\">Certa vez, um fot\u00f3grafo da Folha de S\u00e3o Paulo pediu uma espiga a uma lideran\u00e7a da comunidade<\/a>, e esta lhe negou instantaneamente. O milho \u00e9 sagrado, e o povo Guarani teme que, ao sair do seu territ\u00f3rio igualmente sagrado, ele seja amaldi\u00e7oado e pare de se desenvolver. \u00c9 preciso muito cuidado com o que vive e nos faz viver.<\/p>\n<p>A capacidade de nos auto-sustentar com abund\u00e2ncia n\u00e3o \u00e9 nem met\u00e1fora nem visagem; \u00e9 o pr\u00f3prio fundamento da (re)exist\u00eancia dos povos. A verdadeira liberdade s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel com terra, territ\u00f3rio e soberania alimentar. Ou seja, se da terra depende nosso sustento mais fundamental, se ela \u00e9 o esteio da vida, n\u00e3o teremos independ\u00eancia enquanto n\u00e3o tivermos poder para construir, junto dela e de todos os seres que nela habitam, nossos territ\u00f3rios de acordo com nossos pr\u00f3prios princ\u00edpios, anseios e conhecimentos. Queremos multiplicar a fartura que \u00e9 nossa tradi\u00e7\u00e3o saber produzir. E, para faz\u00ea-lo, nossas maiores aliadas s\u00e3o as sementes crioulas. S\u00e3o elas que guardam, em sua gen\u00e9tica e nas hist\u00f3rias que carregam, milhares de anos de estudo, experimenta\u00e7\u00e3o e sele\u00e7\u00e3o; s\u00e3o elas a morada de seres sagrados que nos alimentam tamb\u00e9m espiritualmente. As plantas que cultivamos h\u00e1 gera\u00e7\u00f5es s\u00e3o produtivas, saborosas, resilientes e sagradas \u2013 s\u00e3o, enfim, as que melhor <a href=\"https:\/\/piseagrama.org\/o-milho-e-namorador\/\">sabem se adaptar aos desequil\u00edbrios ambientais e ao nosso paladar<\/a>; s\u00e3o, com suas diversas bonitezas, o melhor espelho para a gente se mirar; s\u00e3o, por fim, as que melhor estabelecem as conex\u00f5es entre n\u00f3s e nossos encantados, nkissis, voduns e orix\u00e1s.<\/p>\n<p><em>N\u00f3s precisamos andar com nossas duas pernas, andar com o nariz empinado, olhando pra frente. Quem tem terra, territ\u00f3rio e capacidade de armazenar \u00e1gua, pode trabalhar sua independ\u00eancia. Eu sou filho de agricultor, meu pai sempre teve esse cuidado com a liberdade, com a independ\u00eancia, mas ele sabia que a liberdade tava na terra, depois ele levou n\u00f3s pra estudar em Guaratinga, mas para ele, para o sentido dele, a liberdade \u00e9 na terra. Isso \u00e9 importante. N\u00f3s estamos praticando aqui esse processo.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><em>\u2013 Joelson Ferreira<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-114319 size-full\" src=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Joelson-com-milho.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"432\" srcset=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Joelson-com-milho.jpg 768w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Joelson-com-milho-300x169.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><br \/>\n<span style=\"font-size: 10pt\">H\u00e1 doze anos as sementes de milho crioulo viajaram para o Assentamento Terra Vista.<br \/>\nDe l\u00e1 pra c\u00e1 j\u00e1 chegaram em outras comunidades, gerando um ciclo de compartilhamento<br \/>\nintercomunit\u00e1rio que abastece os cultivos e enche as mesas.<\/span><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-114326\" src=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/milharada-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"353\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/milharada-300x169.jpg 300w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/milharada.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 353px) 100vw, 353px\" \/><\/strong>O velho ditado \u201csaco vazio n\u00e3o para em para em p\u00e9\u201d se confirma a cada dia que passa. Afinal, \u00e9 muito dif\u00edcil erguer e manter um mundo novo sem a for\u00e7a e a energia que s\u00f3 o bom alimento, rico em nutrientes e valores, pode trazer. Se queremos avan\u00e7ar na luta dos povos, se queremos resistir neste pa\u00eds, n\u00e3o ser\u00e1 por meio apenas de palavras cr\u00edticas ou de ideias abstratas e vazias de sentido existencial. Nossa tarefa primeira \u00e9 voltar para a terra e construir a defesa de nossos territ\u00f3rios, pois os povos s\u00f3 ser\u00e3o livres quando a terra tamb\u00e9m o for. E, com as sementes crioulas, n\u00f3s poderemos produzir e reproduzir vida. Esta \u00e9 nossa tarefa permanente. S\u00f3 assim, poderemos reconstruir nossa exist\u00eancia com autonomia, liberdade e dignidade. Por isso, <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=2QF4jG7bsM0&amp;list=PLBArGppvSZPv-yL3zfY9LHgrcVtABqvgs&amp;index=29&amp;t=0s\">a agroecologia \u00e9 nosso instrumento de modera\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o<\/a>. \u00c9 a partir dela que podemos superar as fragmenta\u00e7\u00f5es impostas aos povos oprimidos, fortalecer o di\u00e1logo entre nossas ci\u00eancias e m\u00faltiplas agriculturas e retomar nossa capacidade de produzir o alimento. A retomada de uma cultura alimentar baseada no milho, originado da semente crioula, \u00e9, mais que tudo, uma estrat\u00e9gia pelas nossas sobreviv\u00eancias e um retorno ao exerc\u00edcio do bem viver, com o qual nossos ancestrais se mantiveram de p\u00e9 e organizaram a sua vida. A revolu\u00e7\u00e3o ser\u00e1 com as sementes, ou n\u00e3o ser\u00e1.<\/p>\n<p><strong>Mariana Cruz<\/strong> \u00e9 professora da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica em Bras\u00edlia. <strong>Rafique Nasser<\/strong> \u00e9 estudante de jornalismo da UFRB. Ambos fazem parte da Divis\u00e3o de Comunica\u00e7\u00e3o da Teia dos Povos.<br \/>\n<strong>Joelson Ferreira<\/strong> \u00e9 conselheiro da Teia dos Povos e ex-dirigente nacional do MST.<\/p>\n<p><sup>1<\/sup> <a href=\"http:\/\/teiadospovos.com.br\/portal-da-teia-2020\/caminhos-das-sementes-1-o-chamado-a-partilha-do-milho-crioulo-para-a-construcao-da-autonomia-e-do-bem-viver\/\">Artigo<\/a> originalmente publicado no site da <a href=\"http:\/\/teiadospovos.com.br\/about\/\">Teia os Povos<\/a><\/p>\n<p>\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/blogs.canalrural.com.br\/embrapasoja\/2019\/06\/24\/milho-uma-nova-historia-de-sucesso-no-agronegocio-brasileiro\/\">O Canal Rural comemorou, em 2019, o milho como uma \u201cnova hist\u00f3ria de sucesso no agroneg\u00f3cio brasileiro\u201d.<\/a> Mas, qual tipo de milho \u00e9 esse? Qual semente lhe gerou? Pra onde vai e como chega nas nossas casas? E, n\u00e3o menos importante, quais as configura\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas t\u00eam as terras onde a agroind\u00fastria constr\u00f3i o seu poder, corrompendo o Estado nacional para atuar em seu favor?\u00a0 Com o qu\u00ea queremos alimentar nossos corpos e esp\u00edritos?<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/ainfo.cnptia.embrapa.br\/digital\/bitstream\/item\/195075\/1\/Milho-caracterizacao.pdf\">Em artigo, a EMBRAPA informa que, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, essa produ\u00e7\u00e3o se tornou a principal renda do agroneg\u00f3cio mundial.<\/a> De acordo com dados da Confedera\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria do Brasil (CNA), divulgados no mesmo ano da comemora\u00e7\u00e3o do Canal Rural, o milho exportado foi medido em 44,9 milh\u00f5es de toneladas, o que deu ao Brasil o t\u00edtulo de maior produtor de alimento no ano, superando, inclusive, os EUA.<\/p>\n<p>Se este cultivo tem se tornado t\u00e3o potente, como se explica o fato de que, de acordo com o <a href=\"http:\/\/www.fao.org\/3\/I9553ES\/i9553es.pdf\">relat\u00f3rio internacional<\/a> \u201cO Estado da Seguran\u00e7a Alimentar e Nutri\u00e7\u00e3o no Mundo 2020\u2033 (State of Food Security and Nutrition \u2013 SOFI), <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/07\/13\/mundo-viu-10-milhoes-de-pessoas-a-mais-comecarem-a-passar-fome-em-2019-diz-onu\">690 milh\u00f5es de pessoas passam fome no mundo?<\/a><\/p>\n<p>Esses s\u00e3o eixos sobre os quais pretendemos nos debru\u00e7ar nessa s\u00e9rie de textos que ser\u00e3o escritos com o objetivo de promover o debate sobre os temas que n\u00f3s da Teia j\u00e1 temos abordado h\u00e1 nove anos: Terra, Territ\u00f3rio e Soberania Alimentar. Entremos nessa seara, fa\u00e7amos esta discuss\u00e3o, plantemos no ch\u00e3o e em n\u00f3s a semente da liberdade e a coragem para compor as estrat\u00e9gias necess\u00e1rias para constru\u00ed-la. Em mutir\u00e3o.<\/p>\n<p>____________<\/p>\n<p>Canal do DE no Telegram: <a href=\"https:\/\/t.me\/duploexpresso\">https:\/\/t.me\/duploexpresso<\/a><br \/>\nGrupo de discuss\u00e3o no Telegram:\u00a0<a href=\"https:\/\/t.me\/grupoduploexpresso\">https:\/\/t.me\/grupoduploexpresso<\/a><br \/>\nCanal Duplo Expresso no YouTube:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/DuploExpresso\">https:\/\/www.youtube.com\/DuploExpresso<\/a><br \/>\nRomulus Maya no Twitter:\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/romulusmaya\">https:\/\/twitter.com\/romulusmaya<\/a><br \/>\nDuplo Expresso no Twitter:\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/duploexpresso\">https:\/\/twitter.com\/duploexpresso<\/a><br \/>\nRomulus Maya no Facebook:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/romulus.maya\">https:\/\/www.facebook.com\/romulus.maya<\/a><br \/>\nDuplo Expresso no Facebook:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/duploexpresso\/\">https:\/\/www.facebook.com\/duploexpresso\/<\/a><br \/>\nRomulus Maya no Linkedin:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/in\/romulo-brillo-02b91058\/\">https:\/\/www.linkedin.com\/in\/romulo-brillo-02b91058\/<\/a><br \/>\nRomulus Maya no Mastodon:\u00a0<a href=\"https:\/\/mastodon.social\/@romulusmaya\">https:\/\/mastodon.social\/@romulusmaya<\/a><br \/>\nGrupo da P\u00e1gina do DE no Facebook:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/groups\/1660530967346561\/\">https:\/\/www.facebook.com\/groups\/1660530967346561\/<\/a><br \/>\nRomulus Maya no Instagram:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/romulusmaya\/\">https:\/\/www.instagram.com\/romulusmaya\/<\/a><br \/>\nRomulus Maya no VK:\u00a0<a href=\"https:\/\/vk.com\/id450682799\">https:\/\/vk.com\/id450682799<\/a><br \/>\nDuplo Expresso no Twitch:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.twitch.tv\/duploexpresso\">https:\/\/www.twitch.tv\/duploexpresso<\/a><br \/>\n\u00c1udios do programa no Soundcloud:\u00a0<a href=\"https:\/\/soundcloud.com\/duploexpresso\">https:\/\/soundcloud.com\/duploexpresso<\/a><br \/>\n\u00c1udios no Spotify:<br \/>\n<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/show\/5b0tFixIMV0k4hYoY1jdXi?si=xcruagWnRcKEwuf04e1i0g\">https:\/\/open.spotify.com\/show\/5b0tFixIMV0k4hYoY1jdXi?si=xcruagWnRcKEwuf04e1i0g<\/a><br \/>\n\u00c1udios na R\u00e1dio Expressa:\u00a0<a href=\"https:\/\/t.me\/radioexpressa\">https:\/\/t.me\/radioexpressa<\/a><br \/>\nLink para doa\u00e7\u00e3o pelo Patreon:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.patreon.com\/duploexpresso\">https:\/\/www.patreon.com\/duploexpresso<\/a><br \/>\nLink para doa\u00e7\u00e3o pela Vakinha:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vakinha.com.br\/vaquinha\/643347\">https:\/\/www.vakinha.com.br\/vaquinha\/643347<\/a><\/p>\n<figure><\/figure>\n<figure><\/figure>\n<figure><\/figure>\n<figure><\/figure>\n<figure id=\"attachment_2013\" class=\"wp-caption aligncenter\"><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":30,"featured_media":114307,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-114306","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-home"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/114306","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/30"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=114306"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/114306\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/114307"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=114306"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=114306"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=114306"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}