{"id":109901,"date":"2020-02-04T16:12:23","date_gmt":"2020-02-04T19:12:23","guid":{"rendered":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=109901"},"modified":"2020-02-04T12:54:56","modified_gmt":"2020-02-04T15:54:56","slug":"salvando-a-humanidade-da-falencia-depressao-e-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=109901","title":{"rendered":"Salvando a humanidade da fal\u00eancia: depress\u00e3o e guerra"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>Por Felipe Quintas, Gustavo Galv\u00e3o e Pedro Augusto Pinho<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma vez desencadeada a crise de 1929, a armadilha catastr\u00f3fica da II Guerra Mundial n\u00e3o mais poderia ser desarmada. A crise de 29 levou o mundo a situa\u00e7\u00e3o em que a guerra se tornaria o \u00fanico destino para todos os caminhos poss\u00edveis, porque havia excesso de capital, excesso de f\u00e1bricas e n\u00e3o havia consumidores para isso.<\/p>\n<p>Os gastos do governo em armamentos e o fechamento do mercado a importa\u00e7\u00f5es de pa\u00edses estrangeiros eram uma solu\u00e7\u00e3o simples dispon\u00edvel. Tudo seria mais f\u00e1cil se o estrangeiro fosse visto como inimigo. S\u00f3 assim os grandes capitalistas e bancos cederiam ao governo o direito de fazer d\u00e9ficit p\u00fablico.<\/p>\n<p>Como Keynes demonstrou tr\u00eas anos antes do in\u00edcio da Guerra, a sa\u00edda da depress\u00e3o exigiria pesados gastos sociais e investimentos p\u00fablicos gerando d\u00e9ficit no or\u00e7amento estatal. Entretanto, as elites empresariais e financeiras do Ocidente n\u00e3o aceitavam gastos sociais e investimentos p\u00fablicos deficit\u00e1rios. Para eles, d\u00e9ficit p\u00fablico s\u00f3 seria aceito se fosse para compra de armamentos, como fizeram os alem\u00e3es. Preferiam continuar na depress\u00e3o a aumentar significativamente os investimentos p\u00fablicos em infraestrutura e os gastos sociais.<\/p>\n<p>Quando a Guerra se tornou inevit\u00e1vel, todos entraram felizes na corrida armamentista deficit\u00e1ria. As explica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas para esse comportamento da elite empresarial est\u00e3o em um artigo de Michal Kalecki, cuja tradu\u00e7\u00e3o est\u00e1 republicada no livro de Gustavo Galv\u00e3o <em>As 21 li\u00e7\u00f5es das Finan\u00e7as Funcionais<\/em>.<\/p>\n<p>Dessa forma, a depress\u00e3o induzia como sa\u00edda econ\u00f4mica e pol\u00edtica que os pa\u00edses mais agressivos se aventurassem em uma corrida armamentista, que logo seria copiada pelos menos agressivos.<\/p>\n<p>Mas a Guerra n\u00e3o tinha apenas origem econ\u00f4mica. Os ingleses e estadunidenses queriam a Guerra, porque, preservados pela prote\u00e7\u00e3o de suas \u201cilhas\u201d geopol\u00edticas, sabiam que franceses, alem\u00e3es, sovi\u00e9ticos, chineses e japoneses \u2013 presos a seus cru\u00e9is carmas geogr\u00e1ficos \u2013 seriam os maiores perdedores, qualquer que fosse a forma da guerra.<\/p>\n<p>Em termos dos interesses anglo-sax\u00f5es, a Primeira Guerra ainda n\u00e3o havia conclu\u00eddo seu objetivo de enfraquecer, definitivamente, Alemanha e R\u00fassia\/Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, principalmente, e Fran\u00e7a secundariamente. Agora, nos anos 30, ainda havia o risco de emerg\u00eancia do Jap\u00e3o e a imensa riqueza da China estava \u00e0 merc\u00ea dos sovi\u00e9ticos e japoneses. A Guerra Total passou a ser objetivo priorit\u00e1rio da geopol\u00edtica anglo-sax\u00e3 e sua elite financeira.<\/p>\n<p>Evidentemente, os Estados Unidos da Am\u00e9rica (EUA) se sa\u00edram na Guerra muito melhor do que a Inglaterra (Reino Unido \u2013 UK), mas as altas finan\u00e7as de ambos ganharam juntas e desde ent\u00e3o n\u00e3o sofrem concorr\u00eancia de qualquer outra pra\u00e7a financeira mundial.<\/p>\n<p>Todavia, especialmente depois da calamidade que foi a Primeira Guerra Mundial, a decis\u00e3o de iniciar a Guerra precisava de raz\u00f5es ou justificativas que fossem muito al\u00e9m da geopol\u00edtica. A economia-mundo, comandada a partir rep\u00fablicas ocidentais modernas, europeias, estadunidense e seus sistemas pol\u00edticos nacionais, tendiam a n\u00e3o ser favor\u00e1veis \u00e0 Guerra Total.<\/p>\n<p>Primeiro porque as rela\u00e7\u00f5es de com\u00e9rcio e investimento internacionais seriam fortemente afetadas, assim como todas as economias dom\u00e9sticas. A prosperidade geralmente traz prud\u00eancia, cautela e atitudes conservadoras em rela\u00e7\u00e3o ao risco. Em geral, capitalistas e classe m\u00e9dia poderiam apoiar com prazer pequenas guerras coloniais para escravizar povos \u201crebeldes\u201d, mas n\u00e3o quereriam destruir seus neg\u00f3cios internacionais, nacionais e suas fam\u00edlias em guerras dentro de sua pr\u00f3pria casa.<\/p>\n<p>Segundo, porque, ainda que imperfeitos, os sistemas de freios e contrapesos do sistema republicano ocidental \u2013 como oposi\u00e7\u00e3o, situa\u00e7\u00e3o, parlamento, imprensa, \u201cliberdade de imprensa\u201d, sindicatos, partidos, poderes independentes etc. \u2013 tendiam, normalmente, a tornar as estruturas econ\u00f4micas, pol\u00edticas e sociais favor\u00e1veis a mudan\u00e7as graduais e conservadoras e reativas contra mudan\u00e7as bruscas, especialmente se envolviam riscos excessivos.<\/p>\n<p>Terceiro, porque ningu\u00e9m poderia dizer que desconhecia esses riscos. As feridas expostas da Primeira Guerra Mundial ainda ardiam. Dessa forma, se a prosperidade dos anos 20 era desfavor\u00e1vel \u00e0 guerra, a calamidade econ\u00f4mica dos anos 30 e os consequentes fechamentos dos mercados ao com\u00e9rcio internacional tornavam as sociedades nacionais menos sens\u00edveis aos imensos riscos da Guerra Total.<\/p>\n<p>Nem a publica\u00e7\u00e3o da Teoria Geral de Keynes, nem as experi\u00eancias iniciais da social-democracia, como na Su\u00e9cia, e o New Deal nos EUA, que eram alternativas social e politicamente eficazes contra a propens\u00e3o \u00e0 Guerra, puderam ser aplicadas de forma plena e espalhadas por todos os pa\u00edses potencialmente belicistas a tempo de evitar a Guerra, incluindo obviamente os pr\u00f3prios EUA e a Inglaterra, onde essas ideias sofreram forte resist\u00eancia da elite empresarial, pol\u00edtica e financeira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O espectro da Guerra volta a assombrar<\/strong><\/p>\n<p>A crise de 2008 maculou a perspectiva de hegemonia econ\u00f4mica e financeira da Pax americana que reinava inconteste desde a queda da Uni\u00e3o das Rep\u00fablicas Socialistas Sovi\u00e9ticas (URSS). A partir de 2009, crise e medo do avan\u00e7o industrial chin\u00eas levaram as pot\u00eancias ocidentais a se fecharem em pol\u00edticas protecionistas, mais ou menos dissimuladas.<\/p>\n<p>Os EUA reduziriam de forma in\u00e9dita suas taxas de juros a zero e compraram volumes imensos de t\u00edtulos de longo prazo, p\u00fablicos e privados (<em>quantitative easing<\/em>), para desvalorizar o d\u00f3lar e subsidiar o investimento industrial; tamb\u00e9m subsidiaram a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, g\u00e1s e eletricidade para prover custos baixos a suas ind\u00fastrias e transportes e estatizaram ind\u00fastrias para impedir que fossem fechadas ou compradas por estrangeiros. Adotaram ainda uma s\u00e9rie de medidas protecionistas espec\u00edficas como reserva de mercado nas compras p\u00fablicas, conte\u00fado nacional etc.<\/p>\n<p>Os europeus tamb\u00e9m aumentaram sua legisla\u00e7\u00e3o protecionista, inclusive em compras p\u00fablicas, reduziram suas taxas de juros e injetaram montanha de liquidez na economia para impedir a valoriza\u00e7\u00e3o do euro. E promoveram a pol\u00edtica fiscal altamente contracionista, especialmente na periferia europeia, quando a crise ainda n\u00e3o havia passado, produzindo grave depress\u00e3o nessas economias, afundando o consumo e o investimento imobili\u00e1rio e levando ao limite do colapso do sistema banc\u00e1rio.<\/p>\n<p>Todos esses efeitos ajudaram a produzir a desvaloriza\u00e7\u00e3o do euro, reduzir as importa\u00e7\u00f5es e produzir o imenso aumento do super\u00e1vit em conta corrente da Zona Euro, o que \u00e9 o principal objetivo de qualquer pol\u00edtica protecionista.<\/p>\n<p>Para que as pol\u00edticas altamente protecionistas do Ocidente funcionassem sem rea\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses emergentes, foi criado o grupo G20, em substitui\u00e7\u00e3o (tempor\u00e1ria) ao G7, para coordenar a sa\u00edda mundial da crise financeira criada pelas grandes pot\u00eancias da Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (Otan).<\/p>\n<p>As reuni\u00f5es do G20 preconizavam aumento do gasto, do consumo, a n\u00e3o desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial e o d\u00e9ficit p\u00fablico nos pa\u00edses em desenvolvimento para absorver o excesso de produ\u00e7\u00e3o que seria despejado neles por meio das pol\u00edticas protecionistas europeias e estadunidenses.<\/p>\n<p>Agora que esses pa\u00edses j\u00e1 sa\u00edram da crise, o G20 perdeu import\u00e2ncia, e o G7 volta a ser a inst\u00e2ncia m\u00e1xima de coordena\u00e7\u00e3o global aceita pelas velhas pot\u00eancias.<\/p>\n<p>Essas pol\u00edticas destru\u00edram a capacidade de crescimento e financiamento externo de pa\u00edses mais ing\u00eanuos e abertos ao exterior como Brasil, Argentina, M\u00e9xico, Chile e, de certa forma, Turquia. Mesmo Venezuela e Ir\u00e3 sofreram com a queda do valor das commodities em consequ\u00eancia da pol\u00edtica de substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es e redu\u00e7\u00e3o do consumo nos pa\u00edses centrais.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m China e R\u00fassia e os j\u00e1 velhos tigres asi\u00e1ticos tiveram substancial queda em seu crescimento ou de seu diferencial de crescimento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia mundial ap\u00f3s a ressaca das pol\u00edticas altru\u00edstas de salvamento dos ricos que se adotaram a partir de 2009.<\/p>\n<p>A \u00cdndia \u00e9 um pa\u00eds que manteve a alta taxa de crescimento, em parte talvez porque promete aos EUA ser um contraponto \u00e0 China, mas esse crescimento tamb\u00e9m n\u00e3o se parece t\u00e3o sustent\u00e1vel porque est\u00e1 apoiado na dificuldade de expandir as exporta\u00e7\u00f5es industriais no mesmo ritmo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O esgotamento da recupera\u00e7\u00e3o da crise de 2008<\/strong><\/p>\n<p>O resto do mundo viu o crescimento de suas exporta\u00e7\u00f5es ca\u00edrem fortemente em raz\u00e3o dessas pol\u00edticas. Mesmo a China, cujas exporta\u00e7\u00f5es cresceram a dois d\u00edgitos por 30 anos, teve suas vendas externas estagnadas e acabou tomando a decis\u00e3o de reduzir significativamente sua taxa de crescimento pela primeira vez em quase 25 anos.<\/p>\n<p>Em consequ\u00eancia dessas pol\u00edticas, boa parte dos chamados emergentes sofreram crises econ\u00f4micas e de balan\u00e7o de pagamentos, sendo Turquia, Argentina, Chile e, principalmente, Brasil os casos mais paradigm\u00e1ticos. O Brasil est\u00e1 sofrendo h\u00e1 cinco anos uma crise econ\u00f4mica maior do que a maioria dos pa\u00edses teve na famosa Grande Depress\u00e3o. Isso em meio a uma taxa de crescimento mundial relativamente alta.<\/p>\n<p>Evidentemente isso n\u00e3o decorreu s\u00f3 da queda das suas exporta\u00e7\u00f5es de manufaturados e do pre\u00e7o das commodities a partir de 2014. Mas essa queda nas exporta\u00e7\u00f5es fez com que o trip\u00e9 macroecon\u00f4mico entrasse em fal\u00eancia e colocasse no c\u00f3rner a alian\u00e7a do Partido dos Trabalhadores (PT) e a alta finan\u00e7a.<\/p>\n<p>O PT preferiu perder o governo a romper formalmente com o Trip\u00e9 Macroecon\u00f4mico. O PT achava que o Trip\u00e9 era a funda\u00e7\u00e3o que assentava o apoio do sistema financeiro. Morreu sem trair um mil\u00edmetro de seu comprometimento com o Trip\u00e9.<\/p>\n<p>Infelizmente, o Trip\u00e9 n\u00e3o poderia ser mantido s\u00f3 com inten\u00e7\u00f5es, s\u00f3 o cont\u00ednuo crescimento das exporta\u00e7\u00f5es poderia mant\u00ea-lo de p\u00e9. Em 2014 j\u00e1 era evidente que ele era insustent\u00e1vel e deveria ser abandonado. Mas o governo n\u00e3o o abandonou em obedi\u00eancia ao sistema financeiro e acabou caindo com a \u201cbrocha do Trip\u00e9 na m\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Ironicamente, o sistema financeiro n\u00e3o cobrou qualquer obedi\u00eancia ao Trip\u00e9 aos governos seguintes, que apoiou com entusiasmo. Ou seja, a tentativa de manuten\u00e7\u00e3o do Trip\u00e9, no segundo Governo Dilma, foi um suic\u00eddio imbecil e desnecess\u00e1rio, mesmo para os reais interesses do setor financeiro.<\/p>\n<p>O Brasil foi um caso exagerado, pela estupidez da gest\u00e3o Dilma\u2013Levy, mas a maior parte dos emergentes e do Terceiro Mundo est\u00e1 sofrendo com problemas em seu balan\u00e7o de pagamentos ou baixo crescimento. A curta e lenta recupera\u00e7\u00e3o na Europa est\u00e1 debaixo de muitas d\u00favidas. Mesmo na China e na \u00cdndia, que mant\u00eam crescimento expressivo, despertam-se d\u00favidas sobre a continuidade do modelo de crescimento.<\/p>\n<p>Os EUA t\u00eam mantido tamb\u00e9m um crescimento razo\u00e1vel, mas h\u00e1 grandes incertezas em rela\u00e7\u00e3o a sua continuidade, porque esse crescimento tem sido, em grande parte, sustentado por taxas de juros muito baixas, que promovem alto n\u00edvel de investimento imobili\u00e1rio e em outros investimentos com baixa rentabilidade e alto risco, como na ind\u00fastria de g\u00e1s e petr\u00f3leo de xisto ou folhelhos (<em>shale gas <\/em>&amp; <em>shale oil<\/em>), na produ\u00e7\u00e3o em s\u00e9rie dos chamados unic\u00f3rnios (empresas nascentes que valem mais de um bilh\u00e3o de d\u00f3lares) e na recompra de a\u00e7\u00f5es por grandes empresas. Muitos acreditam que existam diversas bolhas, na Europa e nos EUA, prestes a estourar caso os juros voltem a subir.<\/p>\n<p>Outros dizem que os juros n\u00e3o voltar\u00e3o a subir, ao menos n\u00e3o na pr\u00f3xima d\u00e9cada. De qualquer forma, os riscos para a economia mundial j\u00e1 existiam antes de o Governo dos EUA promover a guerra comercial contra a China e amea\u00e7ar uma guerra contra o Ir\u00e3.<\/p>\n<p>A guerra comercial que Trump tem promovido com diversos pa\u00edses nada mais \u00e9 do que a explicita\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica comercial da Europa e dos EUA, desde o in\u00edcio da crise de 2008. Por sorte, \u00e9 uma pol\u00edtica amb\u00edgua, por parte de Trump, o que tem adiado uma generaliza\u00e7\u00e3o mundial dessa pol\u00edtica. Caso isso aconte\u00e7a, poder\u00e1 prejudicar substancialmente os mercados financeiros e precipitar uma nova crise.<\/p>\n<p>J\u00e1 a amea\u00e7a de Guerra pode ter efeito contr\u00e1rio, de adiar a crise. A corrida armamentista, na medida que produz gastos p\u00fablicos, torna o crescimento econ\u00f4mico menos dependente das bolhas e da manuten\u00e7\u00e3o dos juros baixos.<\/p>\n<p>J\u00e1 uma Guerra efetiva poderia ser mortal para a humanidade, uma vez que, como nas v\u00e9speras da Primeira Guerra Mundial, os pa\u00edses, puxados pelo expansionismo agressivo da Otan, est\u00e3o se organizando em alian\u00e7as com acordos m\u00fatuos de defesa. Essa \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o de alta instabilidade estrat\u00e9gica que poderia precipitar uma guerra total, se os dois lados cometerem erros de c\u00e1lculo.<\/p>\n<p>Apesar do risco, imperativos estrat\u00e9gicos de ambos os lados t\u00eam levado \u00e0 intensifica\u00e7\u00e3o da corrida armamentista e ao fortalecimento das estruturas de alian\u00e7as agressivas e opera\u00e7\u00f5es de espionagem, sabotagem, guerra h\u00edbrida, san\u00e7\u00f5es, guerras comerciais, est\u00edmulo \u00e0 rebeli\u00e3o interna e imposi\u00e7\u00e3o de \u201clinhas vermelhas\u201d que tendem a ser quebradas.<\/p>\n<p>Em uma situa\u00e7\u00e3o de equilibro estrat\u00e9gico nuclear inst\u00e1vel, podemos dizer que a Guerra Total e o fim da humanidade n\u00e3o s\u00e3o um risco desprez\u00edvel. Especialmente se houver, como nos anos 30, uma grave crise econ\u00f4mica e a fal\u00eancia dos aspectos de depend\u00eancia ben\u00e9fica entre grandes pot\u00eancias, que ainda existem no com\u00e9rcio internacional.<\/p>\n<p>Mas ainda h\u00e1 tempo para evitar que esse risco atinja n\u00edveis altos demais, que acabem por se refor\u00e7ar por efeito de autodefesa das pot\u00eancias e levar a um ataque preventivo, \u00e0 rea\u00e7\u00e3o e ao fim da civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Felipe Maruf Quintas<\/em><\/strong> <em>Doutorando na Universidade Federal Fluminense.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Gustavo Galv\u00e3o<\/em><\/strong> <em>Doutor em Economia, \u00e9 autor de <\/em>21 li\u00e7\u00f5es das Finan\u00e7as Funcionais<em>.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Pedro Augusto Pinho<\/em><\/strong> <em>Administrador aposentado.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/monitordigital.com.br\/categorias\/opiniao\">Publicado<\/a> no Monitor Mercantil em 28 de janeiro de 2020.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A sa\u00edda da crise de 2008 teve uma fase inicial, no caso dos EUA e Europa, em que se usaram pol\u00edticas fiscais e pol\u00edticas monet\u00e1rias protecionistas mal dissimuladas. A partir de 2010, a Europa abandonou as pol\u00edticas fiscais e refor\u00e7ou suas pol\u00edticas monet\u00e1rias e protecionistas com c\u00e2mbio competitivo. Os EUA, em menor grau, tamb\u00e9m deram \u00eanfase t\u00e3o grande em suas pol\u00edticas monet\u00e1rias e protecionistas que as pol\u00edticas fiscais se tornaram menos intensas.<br \/>\nLeia e compartilhe.<\/p>\n","protected":false},"author":30,"featured_media":109902,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1854,762,1599],"tags":[932,827,1203,803,2134,2779,3389,386,867,842,3390,828],"class_list":["post-109901","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-felipe-quintas","category-gustavo-galvao","category-pedro-augusto-pinho","tag-brasil","tag-china","tag-crise","tag-economia","tag-estados-unidos","tag-guerra","tag-guerra-total","tag-inglaterra","tag-ira","tag-russia","tag-tripe-economico","tag-uniao-europeia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/109901","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/30"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=109901"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/109901\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/109902"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=109901"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=109901"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=109901"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}