{"id":109559,"date":"2020-01-16T13:50:46","date_gmt":"2020-01-16T16:50:46","guid":{"rendered":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=109559"},"modified":"2020-01-26T03:02:29","modified_gmt":"2020-01-26T06:02:29","slug":"a-era-das-guerras-economicas-origem-estrutura-e-razao-no-atual-cenario-global","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=109559","title":{"rendered":"A Era das Guerras Econ\u00f4micas &#8211; origem, estrutura e raz\u00e3o no atual cen\u00e1rio global"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Por Luiz Ferreira Jr.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\"><a href=\"http:\/\/repositorio.ufpel.edu.br:8080\/bitstream\/prefix\/4191\/3\/Guerra%20econ\u00f4mica%20e%20competi\u00e7\u00e3o%20no%20mundo%20contempor\u00e2neo..pdf\">Giuseppe Gagliano<\/a>, importante intelectual italiano que trata do conceito de Guerra Econ\u00f4mica como modelo de an\u00e1lise geopol\u00edtico contempor\u00e2neo,\u00a0 compreende que desde a d\u00e9cada de 1980 em seu final, j\u00e1 era percept\u00edvel para alguns estudiosos que o conflito econ\u00f4mico era central nos processos de disputa militar e sobredeterminante no que concerne aos servi\u00e7os de seguran\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O ponto que se pode subtrair desta afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 que a intelig\u00eancia econ\u00f4mica surge como ferramenta indispens\u00e1vel em um cen\u00e1rio global que pode ser claramente caracterizado por disputa multipolar de ordem econ\u00f4mica, melhor dito, por disputa de guerra econ\u00f4mica. Isso porque \u00e9 um erro, segundo Giuseppe Gagliano conceber Intelig\u00eancia Econ\u00f4mica fora de um cen\u00e1rio de Guerra econ\u00f4mica, tanto quanto considerar poss\u00edvel intelig\u00eancia econ\u00f4mica sem soberania econ\u00f4mica e militar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por outro lado, a intelig\u00eancia econ\u00f4mica deve ser considerada como ferramenta de ataque e defesa para consolida\u00e7\u00e3o ou conquista da soberania nacional.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A Escola de Guerra Econ\u00f4mica Francesa iniciada em meados de 1997, atrav\u00e9s da realiza\u00e7\u00e3o de estudos organizados por Henri Martre, concebe o atual cen\u00e1rio globalizado mundial como a \u00c9poca ou Era da Guerra Econ\u00f4mica, muito antes do cen\u00e1rio atual de radicaliza\u00e7\u00e3o entre China e EUA que deixa isso patente. Ou seja, caracteriza o momento atual como de uma nova \u00e9poca em que a tens\u00e3o entre um modelo que se vinha impondo de unipolaridade \u00e9 tensionado com outros atores de grande for\u00e7a econ\u00f4mica e militar, de tal sorte que o atual cen\u00e1rio global deveria ser caracterizado estruturalmente como tempo de Guerra Econ\u00f4mica generalizada.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Nestes termos, uma vis\u00e3o como esta recebe um tratamento agressivo e repreensivo de adjetiva\u00e7\u00f5es como a de conspiracionistas, sobretudo, dentro de um marco de institucionalidade internacional globalista. Mas, olhando por outro lado, \u00e9 poss\u00edvel observar, como Henry Kissinger que na gest\u00e3o &#8220;pacificada&#8221; ou supostamente &#8220;colaborativa&#8221; entre Estados, atrav\u00e9s de distintas institui\u00e7\u00f5es e organiza\u00e7\u00f5es, o que se pode sublinhar \u00e9 um pano de fundo permanente de potencial, se n\u00e3o de um efetivo, antagonismo entre Estados Nacionais.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Elementos hist\u00f3ricos<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Considerando a confronta\u00e7\u00e3o alem\u00e3 que buscou por meio de guerras mundiais tomar controle da Europa, os EUA criou nos anos de 1945 uma s\u00e9rie de institui\u00e7\u00f5es que visavam garantir o controle frente a novos cen\u00e1rios de disputas e conflitos de tal magnitude. Isto \u00e9, um sistema de governan\u00e7a global.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Saindo vencedor econ\u00f4mico e dotado de arma nuclear depois da guerra, os EUA posicionaram-se como garantidores da paz internacional, isto naturalmente com a colabora\u00e7\u00e3o de pot\u00eancias regionais: Reino Unido, Fran\u00e7a, Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e China. Enquanto todos os demais Estados, neste contexto, deveriam seguir uma tend\u00eancia de desmilitariza\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Desde a crise de 1929, Roosevelt considerou que a no\u00e7\u00e3o de autarquia (descentraliza\u00e7\u00e3o controlada) e o protecionismo, seguida da crise de 1929 levou a Guerra Mundial, de tal forma que advogou o posterior modelo de livre interc\u00e2mbio comercial como ferramenta de conten\u00e7\u00e3o desta mesma din\u00e2mica de conflito, mas sempre como espelho do que era desenvolvido no territ\u00f3rio estadunidense. Sua inten\u00e7\u00e3o no caso foi redirecionar o enorme super\u00e1vit americana para o exterior com fins de evitar uma nova grande crise econ\u00f4mica.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Neste contexto, os estadunidenses buscaram superar a centralidade da libra esterlina como moeda internacional e evitando-se um revanchismo com a mesma, colocando como principal pa\u00eds antagonista, o antigo aliado: Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Com este passou a articular-se um antagonismo, que preservava sua centralidade monet\u00e1ria, rivalizando por meio da ideologia, gerando por conseguinte uma guerra fria (uma guerra de conten\u00e7\u00e3o). Por isso, pareceu para muitos que a queda do Muro de Berlim fora um momento de liberta\u00e7\u00e3o, sobretudo para os pa\u00edses europeus que foram o espa\u00e7o de media\u00e7\u00e3o conflitiva entre EUA e URSS, diante da amea\u00e7a do conflito at\u00f4mico.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mas o observador mais arguto pode compreender que a estrutura da guerra fria continha os seguintes elementos:\u00a0<\/span><\/p>\n<ol>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">complexo de armas nucleares como mecanismo de salvaguarda antagonizada entre pot\u00eancias, e que impedia um conflito direto;<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">conflitos efetivos por guerras de procura\u00e7\u00e3o (proxy war); espionagem e desinforma\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mas com a queda da URSS, os EUA voltaram a vislumbrar o cen\u00e1rio de 1945 em que a mundializa\u00e7\u00e3o de seu modelo econ\u00f4mico e pol\u00edtico deveria ser implementada a constituir-se uma ordem estabilizadora e de controle, conformando o ide\u00e1rio passado do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Manifest Destiny.<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">EUA se fixava, neste momento, como o detentor da capacidade de gerar guerras em todo o mundo, enquanto R\u00fassia j\u00e1 n\u00e3o podia mais, e China se ocupava de sua expans\u00e3o produtiva. A no\u00e7\u00e3o de unipolaridade era aparentemente inevit\u00e1vel.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A no\u00e7\u00e3o de dualismo entre socialismo real e via capitalista era suplantada pela nova ordem global estadunidense. O &#8220;fim da hist\u00f3ria&#8221;, tese referencial deste momento elaborada por Francis Fukuyama, defendia a no\u00e7\u00e3o de imp\u00e9rio global americano como \u00e1pice do desenvolvimento humano, e portanto pass\u00edvel de ser incorporado pelas demais na\u00e7\u00f5es do mundo. Neste contexto, todos os pa\u00edses n\u00e3o necessitariam mais de Estados fortes (soberanos e com ferramentas tais para garantir suas pr\u00f3prias condi\u00e7\u00f5es nacionais), mas sim gestores reduzidos de din\u00e2micas de livre com\u00e9rcio e de livre fluxo de capital cuja centralidade estaria instada na empresa multinacional e na entidade n\u00e3o governamental. Uma suposi\u00e7\u00e3o de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Pax perpetua<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por isso os anos de 1980 e 1990 foram marcados pela cr\u00edtica ostensiva do Estado como mecanismo que impedia:\u00a0<\/span><\/p>\n<ol>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">o desenvolvimento econ\u00f4mico;<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">a globaliza\u00e7\u00e3o financeira (e o mito dos pa\u00edses subalternos em esperar eternamente pelo investimento estrangeiro como sa\u00edda \u00fanica para seu desenvolvimento interno);<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">a transnacionaliza\u00e7\u00e3o empresarial;<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">a intensifica\u00e7\u00e3o das trocas internacionais.\u00a0<\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A Uni\u00e3o Europ\u00e9ia surgiu neste cen\u00e1rio como solu\u00e7\u00e3o &#8220;competente&#8221; em que a moeda das na\u00e7\u00f5es europ\u00e9ias foi substitu\u00edda por uma moeda \u00fanica gestionada por um sistema de banca internacional privada.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No centro deste modelo, um \u00fanico interesse nacional se afirmava atrav\u00e9s de discursos ideol\u00f3gicos e da imposi\u00e7\u00e3o de modelos econ\u00f4micos e pol\u00edticos propagados, o interesse nacional estadunidense traduzido como discurso de emancipa\u00e7\u00e3o dos demais.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mas &#8220;faltou combinar com os russos&#8221;. Ou como se prop\u00f4s, na cr\u00edtica de Samuel Huntington, n\u00e3o se pode evitar o Conflito ou o confronto de civiliza\u00e7\u00f5es, que diante da din\u00e2mica dos fatos superou a no\u00e7\u00e3o de fim da hist\u00f3ria. Algumas na\u00e7\u00f5es com passado hist\u00f3rico milenar e com capacidades de rea\u00e7\u00e3o soberana n\u00e3o aceitaram o &#8220;pacto&#8221; imposto de reivindica\u00e7\u00e3o do ocidental (estadunidense) como universal, ou melhor dito, recha\u00e7ou o discurso cosmopolitismo politicamente correto (ou seja, moralmente impositivo). <\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Com uma moral programada e uma resist\u00eancia imposta, a extrema direita americana produziu posteriormente uma vis\u00e3o de imposi\u00e7\u00e3o do Manifest Destiny atrav\u00e9s da imposi\u00e7\u00e3o de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">hard power. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">Ou seja, a vis\u00e3o<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">da agress\u00e3o se justificava frente a um &#8220;bem \u00fanico universal&#8221;. Criou-se como estrat\u00e9gia a guerra (cultural e militar) contra o terror, o alvo inicial: Iraque. O objetivo era impor um centro de democracia \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a estadunidense e gerar um novo p\u00f3lo de controle regional no sudoeste asi\u00e1tico. A id\u00e9ia seria expandir o modelo, por isso, por outro lado buscou-se pressionar Ir\u00e3 por meio da invas\u00e3o no Afeganist\u00e3o, e obrigar a \u00cdndia a aliar-se atrav\u00e9s do isolamento e estimula\u00e7\u00e3o de conflito constante que se patrocinou em rela\u00e7\u00e3o ao Paquist\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mas a cont\u00ednua gest\u00e3o conflitiva na regi\u00e3o do sudoeste asi\u00e1tico assistiu \u00e0 eclos\u00e3o da crise de 2007 que levou no ocidente, sobretudo em Estados Unidos, ao resgate de institui\u00e7\u00f5es financeiras por meio do estado nacional e do uso de recursos do er\u00e1rio p\u00fablico. De imediato, dada a fragilidade instalada surgiu como rea\u00e7\u00e3o um natural olhar por parte dessas for\u00e7as econ\u00f4micas estruturadas em rela\u00e7\u00e3o a mercados ainda n\u00e3o t\u00e3o abertos a sua influ\u00eancia, isso naturalmente atrav\u00e9s de uma intensifica\u00e7\u00e3o concorrencial. Por isso da\u00ed em diante vislumbrou-se claramente um cen\u00e1rio intensificado de guerra econ\u00f4mica alastrando-se globalmente.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Esse desequil\u00edbrio em um sistema financeiro imposto, depois da crise instaurada, e de uma consequente crise de demanda, sobretudo na Europa, gerou um processo de conflito de n\u00facleos econ\u00f4micos atrav\u00e9s de estados garantidores de conflitos econ\u00f4micos com objetivo de gerar a manuten\u00e7\u00e3o desses grupos econ\u00f4micos globais que passaram a investir for\u00e7a contra outros grupos econ\u00f4micos e na\u00e7\u00f5es a qualquer custo, assim os antigos marcos legais e de pol\u00edtica externa passaram a ser desconsiderados de imediato.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por isso podemos entender os efeitos que se impuseram frente ao Brasil depois de sua postura um pouco diferente, menos aberta, \u00e0 influ\u00eancia extrativa dos atores hegem\u00f4nicos do capital financeiro global no per\u00edodo de 2007 e anos seguintes.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Sintomas de Guerra Econ\u00f4mica\u00a0<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Esses processos s\u00e3o similares aos que se impuseram a determinadas na\u00e7\u00f5es europ\u00e9ias mais fr\u00e1geis em sua soberania econ\u00f4mica e pol\u00edtica.\u00a0 Processos que seguem intensificando-se porque assim segue a tend\u00eancia de guerra econ\u00f4mica em todo mundo: estados com maior soberania defendem suas formas de vida (nacionalismo de inclus\u00e3o), ou submetem-se a influ\u00eancia dos processos decorrentes da crise global em andamento: diminui\u00e7\u00e3o da inova\u00e7\u00e3o, disputa por mat\u00e9ria prima, deslocaliza\u00e7\u00e3o, explos\u00e3o da iniquidade, acelera\u00e7\u00e3o da financeiriza\u00e7\u00e3o global, migra\u00e7\u00e3o massiva.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por isso \u00e9 compreens\u00edvel que instrumentos de guerra institucional que foram tratados pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o nacionais como guerra contra a corrup\u00e7\u00e3o (e que se quer transformar em permanente guerra contra o terror e crime organizado) geram sintomas que se combinam com a estrat\u00e9gia agressiva de oligop\u00f3lios transnacionais associados a grandes pot\u00eancias estrangeiras em atua\u00e7\u00e3o contra a soberania econ\u00f4mica, pol\u00edtica e de modos de vida e sobreviv\u00eancia (ontol\u00f3gica) em pa\u00edses como o Brasil.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><strong>Resultado disso, no Brasil, sintomas de divis\u00e3o social permanente (gestionados muitas vezes), extra\u00e7\u00e3o de riquezas (estatais e de grupos empresariais regionais), fim de direitos (ataque \u00e0s classes m\u00e9dias), destrui\u00e7\u00e3o de mecanismos de poupan\u00e7a (no caso brasileiro a desestimula\u00e7\u00e3o de investimentos conservadores, de manuten\u00e7\u00e3o de perdas frente a infla\u00e7\u00e3o) e a nova moda do investimento na bolsa de valores. Enquanto a deslocaliza\u00e7\u00e3o e uberiza\u00e7\u00e3o se intensifica como perspectiva moral, de refer\u00eancia de vida e meio de sobreviv\u00eancia, nossa sub regi\u00e3o continental encontra-se em um cen\u00e1rio de permanente de conflitos e com amplia\u00e7\u00e3o de fatores de fragilidade de agress\u00f5es institucionais externas ou de guerra entre fac\u00e7\u00f5es do estado, fragilidades informacionais, desinformacionais e de lawfare dirigida a figuras pol\u00edticas, grupos ou mesmo a setor econ\u00f4micos ou nacionais.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b><i>Information Dominance<\/i><\/b><b> versus seguran\u00e7a ontol\u00f3gica nacional<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Um efeito somado a isso, a verifica\u00e7\u00e3o da adapta\u00e7\u00e3o de nosso ordenamento jur\u00eddico como extens\u00e3o apoiadora da estabiliza\u00e7\u00e3o de na\u00e7\u00f5es estrangeiras, em desfavor da vida de brasileiros e latinoamericanos. Ou seja, a amplia\u00e7\u00e3o da transfer\u00eancia da riqueza nacional e de recursos com adapta\u00e7\u00e3o de instrumentos de controle e manuten\u00e7\u00e3o desses mecanismos de dom\u00ednio econ\u00f4mico atrav\u00e9s da mudan\u00e7a do modelo normativo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Este modelo normativo possui caracter\u00edsticas internas duais: (1) no \u00e2mbito civil\/comercial busca paralelismo de apoio \u00e0 extra\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o de mecanismos negociais j\u00e1 que os modelos normativos da ordem econ\u00f4mica normalmente consistem em modos operativos das classes de hegemonia econ\u00f4mica. Assim, adapta-se o sistema legal aos modos de opera\u00e7\u00e3o e lucratividade das empresas a seus pa\u00edses de origem ou de base de neg\u00f3cios que ampliam sua domin\u00e2ncia nos pa\u00edses que perdem soberania.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\"><strong>Enquanto tamb\u00e9m, como no caso brasileiro, considerando o cen\u00e1rio de Guerra econ\u00f4mica global, (2) o governo atual, do pa\u00eds subordinado, gestiona (por extens\u00e3o do agente de ataque econ\u00f4mico) a\u00e7\u00f5es de ataque interno a soberania, vez que se comporta como autarquia de pa\u00edses e empresas estrangeiras. Assim incorporam\u00a0 a implementa\u00e7\u00e3o de mecanismos de gest\u00e3o do caos interno por um lado e de controle de setores social de potencial insurrei\u00e7\u00e3o (riot control) ao mesmo tempo. Neste cen\u00e1rio dado o colaboracionismo dos governos vigentes, o estado capturado no Brasil mais do que um fen\u00f4meno consequente de um estado oco, ou de diminui\u00e7\u00e3o progressiva de sua m\u00e1quina (como se deu no M\u00e9xico), gera um estado paralelo normativo e de controle social permanente e busca gestionar a precariza\u00e7\u00e3o social e institucional progressiva. O risco, a amplia\u00e7\u00e3o absoluta de um estado mafioso com pr\u00e1ticas de terrorismo contra sua pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o. Uma captura programada do estado.<\/strong>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os fen\u00f4menos de esvaziamento e captura do estado sempre levam a um processo de gera\u00e7\u00e3o de um estado paralelo, pois a exce\u00e7\u00e3o tem que ser garantida para que os setores de classe e burocr\u00e1ticos que gestionam o processo possam aumentar ou manter seus n\u00edveis de extra\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O estado de controle e terrorismo (por meios legais e ilegais) \u00e9 parte integrante do modelo em que o estado \u00e9 corro\u00eddo por um lado pela plutocracia e por outro pelo crime organizado. Tais elementos se\u00a0 refor\u00e7am mutuamente em uma rela\u00e7\u00e3o simbi\u00f3tica enquanto a maior parte da popula\u00e7\u00e3o (incluindo setores de classe m\u00e9dia) assista a um aumento da extra\u00e7\u00e3o de capital nacional a suas expensas.<\/span><\/p>\n<p><strong>No caso brasileiro isto vem condicionado a um numeroso conjunto de Projetos de Lei desarquivados e propostos com fins de fortalecer processos de divis\u00e3o social, militariza\u00e7\u00e3o de setores de seguran\u00e7a e cria\u00e7\u00e3o de um sistema interno de intelig\u00eancia dentro do aparato do estado capaz de gerar uma manuten\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de extra\u00e7\u00e3o de riqueza para o exterior por meio da amea\u00e7a e divis\u00e3o social constante.<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por outro lado, a rela\u00e7\u00e3o conflitiva entre pa\u00edses como EUA e China possui uma contradi\u00e7\u00e3o interna. Como se trava uma disputa entre setores econ\u00f4micos globais situados geograficamente nestes pa\u00edses de origem, mas tamb\u00e9m fincados originariamente em esquemas legais (de normatiza\u00e7\u00e3o jur\u00eddica e organizacional) de determinada na\u00e7\u00e3o ou pa\u00eds, estes atores globais agem de forma atentat\u00f3ria um contra o outro, mas ao mesmo tempo possuem muitos pontos de interesses comuns que geram co-depend\u00eancia j\u00e1 que agem dentro de um cen\u00e1rio de desenvolvimento econ\u00f4mico-tecnol\u00f3gico mundializado.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Assim, pa\u00edses como China e R\u00fassia buscam compor mecanismos e modelos econ\u00f4micos diversos e fora do eixo de controle e gravita\u00e7\u00e3o de determinantes pol\u00edticos-econ\u00f4micos-militares dos EUA. Atuam com organiza\u00e7\u00f5es internacionais distintas, com modelos de articula\u00e7\u00e3o e acordos internacionais diferentes. Buscam formas de gest\u00e3o de neg\u00f3cios caracterizados por rela\u00e7\u00f5es distintas entre a m\u00e1quina estatal e os players econ\u00f4micos de seus pa\u00edses. E claro, na medida do poss\u00edvel buscam evitar o m\u00e1ximo poss\u00edvel serem determinados por mecanismos tecnol\u00f3gicos de advers\u00e1rios.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Esse complexo de condicionamentos nos permite entender distintas din\u00e2micas em desenvolvimento atual no mundo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mas neste cen\u00e1rio de marcos regulat\u00f3rios para gest\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cios e domin\u00e2ncia pol\u00edtica, os EUA possuem uma vantagem, a rede mundial de internet, que por suas bases materiais de distribui\u00e7\u00e3o de sinais, como tamb\u00e9m pelas plataformas de maior popularidade no mundo (software), estimulam a naturaliza\u00e7\u00e3o de seu modelo &#8220;universal&#8221; de cultura e comportamento. Por isso \u00e9 que se trava tamb\u00e9m, atualmente, uma guerra de informa\u00e7\u00e3o e desinforma\u00e7\u00e3o neste \u00e2mbito, caso que claramente se percebe no contexto do recente isolamento tempor\u00e1rio de<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> internet do Ir\u00e3<\/span><span style=\"font-weight: 400\">, ou das tentativas de gerar s\u00edtios-web e softwares pr\u00f3prios, nacionais e regionais, por parte de C<\/span><span style=\"font-weight: 400\">hina e R\u00fassia.<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> Mas de modo generalista o que se pode caracterizar \u00e9 uma domin\u00e2ncia de software da parte dos Estados Unidos, enquanto de hardware a domin\u00e2ncia produtiva finca-se no oriente.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Estes mecanismos permitem introjetar aberturas capazes de gerar guerra eletr\u00f4nica, isto \u00e9, formas de ataque e interven\u00e7\u00e3o em setores de produ\u00e7\u00e3o baseados em tecnologia a gerar fragilidades e preju\u00edzos econ\u00f4micos e at\u00e9 mesmo preju\u00edzos militares. O uso &#8220;inteligente&#8221; dessas plataformas de comunica\u00e7\u00e3o em rede permite o desenvolvimento de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">information warfare<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, ou como denominam os franceses, guerra cognitiva. Esta est\u00e1 associada a mecanismos de estudos e identifica\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es comportamentais associados a duas formas de agendamento midi\u00e1tico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">(1) Por um lado a\u00e7\u00f5es de desinforma\u00e7\u00e3o, gerando constante desequil\u00edbrio e perda de refer\u00eancia para solu\u00e7\u00f5es e avalia\u00e7\u00f5es baseadas em experi\u00eancias e acumula\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias da parte de organiza\u00e7\u00f5es e grupos sociais, mas sempre associadas a (2) mecanismos de guerra de informa\u00e7\u00e3o ou de propaganda, que neste segundo eixo buscam estruturar combinados a desorganiza\u00e7\u00e3o de refer\u00eancias anteriores a propaga\u00e7\u00e3o de novos padr\u00f5es de comportamento e decis\u00e3o. Trava-se uma guerra de rede &#8211; <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">netware<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> &#8211; com vistas a uma <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">information dominance. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">O reverso disso, desenvolvimento de estrat\u00e9gias de intelig\u00eancia, institucionais e culturais que mantenham preservados modos de reprodu\u00e7\u00e3o da vida vinculadas \u00e0 cultura e recursos pr\u00f3prios, ou seja estrat\u00e9gias de seguran\u00e7a ontol\u00f3gica.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A seguran\u00e7a ontol\u00f3gica vincula-se a dimens\u00e3o de manipula\u00e7\u00e3o que informa\u00e7\u00e3o e desinforma\u00e7\u00e3o combinadas podem gerar. Em um espectro amplo (controle de espectro total) estas atividades combinadas geram sujeitos subordinados a formas de afirma\u00e7\u00e3o pr\u00f3prias de verdade incompletas ou inverdades, mas muito mais preocupados com sua pr\u00f3pria vers\u00e3o individual ou de pequeno grupo isolado do que no desenvolvimento com atores e opini\u00f5es distintas que possam gerar colabora\u00e7\u00f5es e solu\u00e7\u00f5es conjuntas. Isso ocorre porque a combina\u00e7\u00e3o entre opera\u00e7\u00f5es de desinforma\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o aplicadas geram uma constante tens\u00e3o entre setores sociais, com conflitos gestionados por atores dominantes em diferentes nichos. Assim a polariza\u00e7\u00e3o interna em sociedades e sua estagna\u00e7\u00e3o, inclusive no que concerne a capacidade criativa e de toler\u00e2ncia combinada entre diferentes, gera um processo perigoso para o desenvolvimento social de grupos, na\u00e7\u00f5es e pa\u00edses. Este cen\u00e1rio de fragmenta\u00e7\u00e3o social interna se tem observado atualmente no Brasil, Chile, Bol\u00edvia, e inclusive nos Estados Unidos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>O papel das ONGs<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em condi\u00e7\u00f5es de deslocamento de fun\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas da a\u00e7\u00e3o estatal, com esvaziamento da m\u00e1quina p\u00fablica em muitos deles, as ONGs acabam desenvolvendo-se como atores associados fundamentais para gerar a pol\u00edtica que o Estado deixa de exercer diretamente. Em pa\u00edses de grande capacidade de intelig\u00eancia econ\u00f4mica, estes atores descentralizados cumprem al\u00e9m de fun\u00e7\u00f5es institucionais de atividade executiva de pol\u00edticas setoriais, tamb\u00e9m o rol de difus\u00e3o de valores ideol\u00f3gicos e nacionais pr\u00f3prios do pa\u00eds de origem, como tamb\u00e9m exercem um papel de influ\u00eancia de propaganda. Em muitos casos inclusive como extens\u00e3o de interesses de pol\u00edtica externa. Podem em alguns casos exercer outras atividades de guerra econ\u00f4mica como desinforma\u00e7\u00e3o ou at\u00e9 mesmo de intelig\u00eancia. Exemplos deste tipo de organiza\u00e7\u00e3o no caso americano \u00e9 o da National Endowment for Democracy, ou ainda, do Instituto Conf\u00facio no caso da China.\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>O objetivo final estabilizante<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Cabe entender que diante de um cen\u00e1rio multipolar que reorganiza conflitos em diversos setores, cada vez mais evidencia-se a m\u00e1xima de Clausewitz que <strong>mais importante que destruir o inimigo \u00e9 fundamental subordin\u00e1-lo a sua vontade.<\/strong> Por isso, a instaura\u00e7\u00e3o e progressividade deste cen\u00e1rio conflitivo nos faz compreender que estas ferramentas de guerra n\u00e3o convencionais devem continuar a serem ativadas. E cada vez mais nos faz importante compreender estas din\u00e2micas em nossa realidade nacional e gerar solu\u00e7\u00f5es que nos permita manter coes\u00e3o\/unidade nacional, com toler\u00e2ncia ao diferente, evitando o uso da m\u00e1quina e aparelhos ideol\u00f3gicos internos a servi\u00e7o de interesses externos. E sobretudo, que sejamos capazes de construir um cen\u00e1rio de reconquista de nossa soberania e bem estar de nosso povo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><strong>Luiz Ferreira J\u00fanior \u00e9 advogado, Mestre em Direitos Humanos \u2013 Universidade de San Mart\u00edn (Argentina) e Mestre em Comunica\u00e7\u00e3o Midi\u00e1tica \u2013 UNESP.<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Escola de Guerra Econ\u00f4mica Francesa iniciada em meados de 1997, atrav\u00e9s da realiza\u00e7\u00e3o de estudos organizados por Henri Martre, concebe o atual cen\u00e1rio globalizado mundial como a \u00c9poca ou Era da Guerra Econ\u00f4mica, muito antes do cen\u00e1rio atual de radicaliza\u00e7\u00e3o entre China e EUA que deixa isso patente. Ou seja, caracteriza o momento atual como de uma nova \u00e9poca em que a tens\u00e3o entre um modelo que se vinha impondo de unipolaridade \u00e9 tensionado com um atores de grande for\u00e7a econ\u00f4mica e militar de tal sorte que o atual cen\u00e1rio global deveria ser caracterizado estruturalmente como tempo de Guerra Econ\u00f4mica generalizada.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":30,"featured_media":109560,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3032],"tags":[932,827,67,3060,199,3100,3333,3331,3334,3330,71,1019,3335,3336,842,3332],"class_list":["post-109559","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-luiz-ferreira-jr","tag-brasil","tag-china","tag-eua","tag-guerra-economica","tag-guerra-hibrida","tag-guerra-nao-convencional","tag-hard-power","tag-information-dominance","tag-manifest-destiny","tag-mundializacao","tag-nacionalismo","tag-ongs","tag-pax-perpetua","tag-primaveras","tag-russia","tag-seguranca-ontologica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/109559","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/30"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=109559"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/109559\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/109560"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=109559"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=109559"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=109559"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}