{"id":109500,"date":"2020-01-08T09:37:08","date_gmt":"2020-01-08T12:37:08","guid":{"rendered":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=109500"},"modified":"2020-01-08T09:37:08","modified_gmt":"2020-01-08T12:37:08","slug":"formacao-dos-consensos-gerais-na-atualidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=109500","title":{"rendered":"Forma\u00e7\u00e3o dos consensos gerais na atualidade"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Por Felipe Quintas, Gustavo Galv\u00e3o e Pedro Augusto Pinho.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 80 anos, a sociedade humana estava mergulhada numa guerra mundialmente espalhada. Por\u00e9m o que provocaria a grande mudan\u00e7a na vida de todos aparecia em pesquisas cient\u00edficas, em laborat\u00f3rios empresariais e ambientes acad\u00eamicos, era o que denominaremos \u201ccibern\u00e9tica\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o significa que os processos de domina\u00e7\u00e3o, de pessoas e sociedades, n\u00e3o existissem antes e desde sempre. Novas tecnologias e conhecimentos, ent\u00e3o desenvolvidos, dominaram \u00e1reas mais amplas e mais complexas. Trouxeram tamb\u00e9m solu\u00e7\u00f5es inovadoras.<\/p>\n<p>A palavra grega \u201ckybernetes\u201d, que se traduz por timoneiro, ainda hoje mal entendida, entrou no repert\u00f3rio comum pelas m\u00e3os do matem\u00e1tico estadunidense Norbert Wiener (1894\u20131964), que assim denominou seu livro, de 1948, sobre seus estudos a respeito dos mecanismos de controle e de comunica\u00e7\u00e3o nos animais e nas m\u00e1quinas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Os fatos passaram a ser substitu\u00eddos por\u00a0ilus\u00f5es que interessam aos donos do poder<\/strong><\/p>\n<p>Mas a investiga\u00e7\u00e3o sobre um processo comum, que permitisse estudar as diversas estruturas f\u00edsicas e cognitivas com mesmo modelo, tivera in\u00edcio em 1937, quando o bi\u00f3logo austr\u00edaco Ludwig von Bertalanffy (1901\u20131972) apresentara a \u201cteoria de sistemas gerais\u201d. Ainda que com imprecis\u00f5es, buscava-se o elo que explicaria constru\u00e7\u00f5es diferentes como as redes neuronais, estruturas sociais, filosofia e tudo que fosse visto como uma totalidade, imposs\u00edvel de ser entendida por seus elementos, tomados isoladamente.<\/p>\n<p>No pref\u00e1cio \u00e0 segunda edi\u00e7\u00e3o de Cybernetics (N. Wiener, Cybernetics or Control and Communication in the animal and the machine, The M.I.T. Press, Cambridge, Mass, 1961, 2nd edition), l\u00ea-se, em tradu\u00e7\u00e3o livre: \u201cAs no\u00e7\u00f5es de informa\u00e7\u00e3o estat\u00edstica e teoria de controle eram novas e talvez at\u00e9 chocantes para as atitudes estabelecidas na \u00e9poca\u201d.<\/p>\n<p>Wiener mostrava que o elo comum aos sistemas era a informa\u00e7\u00e3o. Pouco antes, trabalhando para o Bell Telephone Labs, em 1948, o engenheiro e cript\u00f3grafo estadunidense Claude Shannon (1916\u20132001) publicara o revolucion\u00e1rio artigo \u201cA Mathematical Theory of Communication\u201d (The Bell System Technical Journal, Vol. 27, July-October, 1948), mostrando que sua teoria tinha v\u00e1rias aplica\u00e7\u00f5es e nas mais diversas \u00e1reas do conhecimento, tais como infer\u00eancias estat\u00edsticas, processamento de linguagens, criptografia, neuroci\u00eancia, computa\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica, dentre outras.<\/p>\n<p>Fechava-se, numa d\u00e9cada, a base te\u00f3rica que redirecionaria o conhecimento e os rumos da sociedade. Possibilitaria criar um consenso, t\u00e3o envolvente e natural como o ar que respiramos. Embora com interesses e motiva\u00e7\u00f5es nem sempre percept\u00edveis, mas dominadores como, desde priscas eras, sempre empolgara os poderes.<\/p>\n<p>A medida, em teoria da informa\u00e7\u00e3o, \u00e9 a entropia, um c\u00e1lculo probabil\u00edstico que exp\u00f5e o grau de casualidade, de indetermina\u00e7\u00e3o, que algo possui. Ela est\u00e1 ligada \u00e0 quantidade de informa\u00e7\u00e3o. Quanto maior a informa\u00e7\u00e3o, maior a entropia. Quanto menor a informa\u00e7\u00e3o, menor a escolha, menor a entropia.<\/p>\n<p>Este processo quantifica a incerteza envolvida no valor de uma vari\u00e1vel aleat\u00f3ria ou na sa\u00edda de um processo aleat\u00f3rio. Por exemplo, um jogo de cara ou coroa com uma moeda (dois resultados igualmente prov\u00e1veis) fornece menos informa\u00e7\u00e3o (menor entropia) do que a rolagem de um dado de seis faces (com seis sa\u00eddas equiprov\u00e1veis).<\/p>\n<p>Para estruturar a mensagem, que \u00e9 a condutora da informa\u00e7\u00e3o, o modelo distingue cinco elementos. A fonte, onde residem todas as mensagens poss\u00edveis, o codificador, que colocar\u00e1 a mensagem em condi\u00e7\u00e3o de percorrer\/vencer o canal at\u00e9 alcan\u00e7ar o decodificador, que colocar\u00e1 a mensagem apta \u00e0 compreens\u00e3o\/emo\u00e7\u00e3o do receptor.<\/p>\n<p>Exemplificando. Ao pedir uma bebida num bar, dentre todas as palavras poss\u00edveis, na l\u00edngua daquele local, para enunciar seu pedido, voc\u00ea fala: \u201cMe d\u00e1 uma \u00e1gua com g\u00e1s\u201d, que tem uma determinada probabilidade de ocorrer. Ao pronunci\u00e1-la, voc\u00ea codifica a sua mensagem para atravessar o espa\u00e7o que o separa do atendente. Poderia, por exemplo, escrever ou usar a l\u00edngua de sinais, libras, ou seja, outro codificador. O canal, neste exemplo, \u00e9 o ar, o espa\u00e7o f\u00edsico entre voc\u00ea e o atendente, que, de modo n\u00e3o consciente, decodifica o som ouvido, que \u00e9 a mensagem \u201cme d\u00e1 uma \u00e1gua com g\u00e1s\u201d.<\/p>\n<p>Ao tratar da mensagem, \u00e9 imprescind\u00edvel referirmo-nos ao fil\u00f3sofo e linguista su\u00ed\u00e7o Ferdinand de Saussure (1857\u20131913) e sua fundamental obra p\u00f3stuma, Cours de Linguistique G\u00e9n\u00e9rale (1916) (em portugu\u00eas, Curso de Lingu\u00edstica Geral, tradu\u00e7\u00e3o de Ant\u00f4nio Chelini, Jos\u00e9 Paulo Paes e Izidoro Blikstein, Editora Cultrix-Editora da Universidade de S.Paulo, SP, 1969).<\/p>\n<p>Escreve Saussure: \u201cPode-se ent\u00e3o conceber um ci\u00eancia que estude a vida dos signos no seio da vida social; ela constituiria uma parte da psicologia social e, por conseguinte, da psicologia geral; cham\u00e1-la-emos de Semiologia (do grego s\u00e8me\u00eeon, \u201csigno\u201d)\u201d. E o pr\u00f3prio linguista denomina significado a impress\u00e3o ps\u00edquica trazida pela \u201cimagem ac\u00fastica\u201d, sendo esta o significante.<\/p>\n<p>Na teoria da informa\u00e7\u00e3o, separamos na mensagem seus dois componentes: o suporte, a base f\u00edsica (ac\u00fastica, gr\u00e1fica, sensorial para alguma percep\u00e7\u00e3o) e a sem\u00e2ntica, a compreens\u00e3o psicossocial, qual associa\u00e7\u00e3o nossa mente far\u00e1 com aquele suporte.<\/p>\n<p>Discorrendo sobre os suportes e as sem\u00e2nticas, o matem\u00e1tico franc\u00eas Louis Couffignal (1902\u20131966) (Les Notions de Base, Gauthier-Villars Editeur, Paris, 1958) demonstra que um suporte comporta mais de uma sem\u00e2ntica e que, igualmente, embora mais dificilmente, podemos associar a uma sem\u00e2ntica mais do que um suporte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-109502\" src=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/istock_000020339716small-518x344-1.jpg\" alt=\"\" width=\"518\" height=\"344\" srcset=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/istock_000020339716small-518x344-1.jpg 518w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/istock_000020339716small-518x344-1-300x199.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 518px) 100vw, 518px\" \/><\/p>\n<p><strong>Ampla lista de falsos consensos que assumimos,\u00a0seguindo o \u2018senso comum\u2019 fabricado<\/strong><\/p>\n<p>A dificuldade assinalada decorre de um fen\u00f4meno social denominado \u201cpattern\u201d, ou seja, a ideia ou a sensa\u00e7\u00e3o que lhe vem \u00e0 mente em fun\u00e7\u00e3o de um est\u00edmulo qualquer: uma palavra, uma m\u00fasica, um sabor, um perfume, determinada condi\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica etc. Entretanto, n\u00e3o \u00e9 estatisticamente observ\u00e1vel que haja dissocia\u00e7\u00e3o entre o est\u00edmulo e a emo\u00e7\u00e3o. Estas rela\u00e7\u00f5es costumam ser un\u00edvocas.<\/p>\n<p>Fa\u00e7amos um interregno para refletir sobre objetivos sociais. H\u00e1 um verdadeiro consenso que \u00e9 a economia que move os homens. Entretanto esta n\u00e3o \u00e9 uma constata\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, nem mesmo se restrita \u00e0 hist\u00f3ria do Ocidente.<\/p>\n<p>Karl Polanyi (1886\u20131964), antrop\u00f3logo econ\u00f4mico e pol\u00edtico h\u00fangaro, escreveu em A Grande Transforma\u00e7\u00e3o (Edi\u00e7\u00f5es 70, Lisboa, 2012) que \u201co conflito entre o mercado e as exig\u00eancias elementares de uma vida social organizada (&#8230;) destru\u00edram a sociedade anterior\u201d \u00e0quela do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p>E Polanyi acrescenta que \u201ctal organiza\u00e7\u00e3o da vida econ\u00f4mica \u00e9 inteiramente excepcional. Os pensadores do s\u00e9culo XIX supuseram que o homem se esfor\u00e7a por obter lucro, que as suas tend\u00eancias materialistas o induzem a escolher a via do menor em vez da do maior esfor\u00e7o e a esperar ser recompensado pelo seu trabalho \u2013 supuseram que o homem tende a guiar-se por aquilo que foi descrito como sua racionalidade econ\u00f4mica. Seguia-se que os mercados eram institui\u00e7\u00f5es naturais, que surgiriam espontaneamente (&#8230;) A verdade \u00e9 que o comportamento do homem, tanto em condi\u00e7\u00f5es primitivas como ao longo do curso da hist\u00f3ria, foi quase o preciso oposto do que aquela concep\u00e7\u00e3o sustenta\u201d.<\/p>\n<p>De Frank Hyneman Knight (1885\u20131972), fundador da Escola de Chicago: \u201cNenhuma motiva\u00e7\u00e3o especificamente humana \u00e9 de ordem econ\u00f4mica\u201d. O homo economicus, o que atua com \u201cracionalidade\u201d nas a\u00e7\u00f5es nos mercados, \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o idealizada, n\u00e3o \u00e9 real. Surge na idade moderna.<\/p>\n<p>Friedrich Engels (1820\u20131895), no livro Anti-D\u00fchring (Boitempo, SP, 2015), sugere que exista uma sociedade para cada \u00e9poca. Na idade contempor\u00e2nea, sob a \u00f3tica da produ\u00e7\u00e3o material, podemos distinguir a da ind\u00fastria fabril, de Marx, e a do financismo, sendo esta diferente daquela formada nas cidades-estado da pen\u00ednsula italiana e a dos Pa\u00edses Baixos e Inglaterra no s\u00e9culo XIII.<\/p>\n<p>As finan\u00e7as desreguladas, que submetem os Estados a seus interesses privados, com crescente participa\u00e7\u00e3o de capitais il\u00edcitos, provenientes da produ\u00e7\u00e3o e tr\u00e1fico de drogas e dos contrabandos diversos, s\u00e3o as dominantes no s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>Estas finan\u00e7as contempor\u00e2neas tiveram a compreens\u00e3o do significado da cibern\u00e9tica muito al\u00e9m da simples automa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, onde se quedou, numa perspectiva limitada \u00e0 for\u00e7a do trabalho, o que denominamos industrialismo. Deste modo, o desenvolvimento da economia capitalista \u2013 e tamb\u00e9m a socialista, embora de dif\u00edcil contextualiza\u00e7\u00e3o para a terceira d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI \u2013 foi se tornando gradativamente mais financeiro do que produtivo, aquele analisado por Marx.<\/p>\n<p>E o capital financeiro concentrou esfor\u00e7os na difus\u00e3o das mensagens, na cria\u00e7\u00e3o de novos consensos que lhe dessem poder e gest\u00e3o. Ou seja, nova forma de comunica\u00e7\u00e3o e do controle dos homens. Em suma, praticaram o que o soci\u00f3logo Alberto Guerreiro Ramos (1915\u20131982), no magistral A Nova Ci\u00eancia das Organiza\u00e7\u00f5es (FGV, RJ, 1981), denominava \u201cpol\u00edtica cognitiva\u201d, isto \u00e9, as deforma\u00e7\u00f5es da interpreta\u00e7\u00e3o da realidade para atender aos interesses daqueles que coordenam tais deforma\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Os investimentos se deram tanto nos equipamentos de comunica\u00e7\u00e3o, cada vez mais distribu\u00eddos pelas sociedades, quando nos conte\u00fados das mensagens, primorosamente estudados em verdadeiros laborat\u00f3rios de emo\u00e7\u00f5es, trabalhando com refinadas pesquisas sociais, psicol\u00f3gicas e, ao fim, doutrinadoras.<\/p>\n<p>Os fatos, as realidades, at\u00e9 emo\u00e7\u00f5es passaram a ser substitu\u00eddos por preconceitos, por ilus\u00f5es, pelas compreens\u00f5es que interessavam a estes novos donos do poder.<\/p>\n<p>E o Brasil, demonstrando seu imenso atraso, ainda mant\u00e9m, apenas ele no mundo, a fraud\u00e1vel urna eletr\u00f4nica, que um iniciante estudante de inform\u00e1tica programaria a manipula\u00e7\u00e3o dos resultados.<\/p>\n<p>Parece divulgarmos, urbi et orbe, que se n\u00e3o formos convencidos, pelos tradicionais e eletr\u00f4nicos meios de comunica\u00e7\u00e3o, a sermos contra nosso pr\u00f3prio interesse, n\u00e3o tem import\u00e2ncia, iremos, pelo processo democr\u00e1tico parlamentar, escolher, em processo eleitoral fraudulento, os representantes que nos escravizem.<\/p>\n<p>Duvida, caro leitor? Ent\u00e3o voc\u00ea contesta que s\u00e3o os melhores, dentre todos, os que vencem, ou os que j\u00e1 foram, no ber\u00e7o, escolhidos para vit\u00f3ria. Ou, salvo evento estatisticamente de m\u00ednima probabilidade, um bem-nascido fracassar\u00e1 onde um beb\u00ea pobre triunfar\u00e1? E por que as For\u00e7as Armadas e o atual Congresso brasileiro prop\u00f5em a aliena\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio brasileiro para o capital estrangeiro? Para promover a competi\u00e7\u00e3o desigual ou porque j\u00e1 escasseiam ativos reais que sustentem a especula\u00e7\u00e3o financeira internacional? Qual a raz\u00e3o de privatizar \u2013 na verdade alienar para controle estrangeiro \u2013 bens vitais e insubstitu\u00edveis como energia, terras f\u00e9rteis e \u00e1gua doce?<\/p>\n<p>Seria enorme a lista dos falsos consensos que todos assumimos, talvez sem convic\u00e7\u00e3o, mas seguindo o \u201csenso comum\u201d fabricado. E assim se conforma a trag\u00e9dia brasileira. E, o mais grave, n\u00e3o sofre oposi\u00e7\u00e3o. Se ainda exista quem se oponha, este segmento tem medo de enfrentar esta \u201cmaioria\u201d, e esclarecer o povo.<\/p>\n<p>Fazem como o Movimento Democr\u00e1tico Brasileiro (MDB), que recuou ao ver que as manifesta\u00e7\u00f5es pelas Diretas J\u00e1 levavam milh\u00f5es de pessoas \u00e0s ruas do Rio de Janeiro e de S\u00e3o Paulo. A c\u00fapula do MDB seria tragada pelo povo. E trataram de negociar com os militares e os capitais internacionais a solu\u00e7\u00e3o da elei\u00e7\u00e3o indireta para sucess\u00e3o do presidente Figueiredo.<\/p>\n<p>Talvez j\u00e1 inclu\u00eddo no acordo a Constitui\u00e7\u00e3o Cidad\u00e3, que elimina a soberania brasileira das cl\u00e1usulas p\u00e9treas e at\u00e9 a forma republicana de governo. Hoje, uma lista de \u201coposicionistas\u201d luta pela vaga medebista, ao que o Temer se adiantou, retirando o P do PMDB.<\/p>\n<p>Desde a Constitui\u00e7\u00e3o Cidad\u00e3, salvo cosm\u00e9ticas medidas \u201cdesenvolvimentistas\u201d e \u201cpopulares\u201d, o Brasil afunda na depend\u00eancia ao capital financeiro que, tudo indica, agora dominado pelo capital il\u00edcito, inimigo da pr\u00f3pria exist\u00eancia humana.<\/p>\n<p>Sem a consci\u00eancia de que a Soberania Nacional precede qualquer outra a\u00e7\u00e3o para a solu\u00e7\u00e3o dos problemas brasileiros, continuaremos patinando, enxugando gelo, iludindo e sendo iludidos.<\/p>\n<p>O antrop\u00f3logo e semi\u00f3logo ingl\u00eas Gregory Bateson (1904\u20131980) escreveu: \u201cAqueles que n\u00e3o sabem que \u00e9 poss\u00edvel estar errado, n\u00e3o podem aprender nada, exceto o saber fazer\u201d (G. Bateson, Natureza e Esp\u00edrito, Dom Quixote, Lisboa, 1987).<\/p>\n<p>Damos o benef\u00edcio da d\u00favida \u00e0queles que abra\u00e7aram emotivamente quest\u00f5es identit\u00e1rias e a campanha desencadeada pelo capital financeiro (o que faz George Soros nos bastidores dos movimentos ecol\u00f3gicos?) para impedir que os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, \u00c1frica e \u00c1sia se industrializem e ganhem soberania.<\/p>\n<p>Na constru\u00e7\u00e3o das farsas e com divulga\u00e7\u00e3o de mentiras, os povos do mundo subdesenvolvido veem crescer a dist\u00e2ncia que os separa do Atl\u00e2ntico Norte, das pot\u00eancias e sistema colonizadores que sempre os escravizaram.<\/p>\n<p>A batalha que travamos, naquilo que se chama guerra h\u00edbrida, \u00e9 pela soberania, pela constru\u00e7\u00e3o da cidadania. Tudo que lhe chegar diferente, caro leitor, que buscar roubar sua aten\u00e7\u00e3o, lhe vender como prioridade, muito provavelmente, \u00e9 para deix\u00e1-lo na ignor\u00e2ncia, limit\u00e1-lo a ser um rob\u00f4, facilmente substitu\u00eddo por m\u00e1quinas. Tirar-lhe o que lhe \u00e9 pr\u00f3prio: a humanidade.<\/p>\n<p>Conclu\u00edmos com a cita\u00e7\u00e3o, que Luiz Alberto Moniz Bandeira coloca em A Desordem Mundial \u2013 O Espectro da Total Domina\u00e7\u00e3o (Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, RJ, 2017, 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o), do historiador estadunidense Henry B. Adams (archive.org\/stream\/lettersofhenryad008807mbp\/lettersofhenryad008807mbp_djvu.txt), sobre o crash financeiro de 1893 (tradu\u00e7\u00e3o livre):<\/p>\n<p>\u201cA imprensa \u00e9 o agente contratado de um sistema monet\u00e1rio e criado com o prop\u00f3sito de contar mentiras sempre que seus interesses est\u00e3o envolvidos\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Felipe Maruf Quintas,<\/strong> Doutorando na Universidade Federal Fluminense.<\/p>\n<p><strong>Gustavo Galv\u00e3o,<\/strong> Doutor em Economia.<\/p>\n<p><strong>Pedro Augusto Pinho,<\/strong> Administrador aposentado.<\/p>\n<p>Publicado originalmente em 08\/01\/2020, no <a href=\"https:\/\/monitordigital.com.br\/formacao-dos-consensos-gerais-na-atualidade\">Monitor Mercantil.<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Seria enorme a lista dos falsos consensos que todos assumimos, talvez sem convic\u00e7\u00e3o, mas seguindo o \u201csenso comum\u201d fabricado. 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