{"id":109335,"date":"2019-12-15T14:39:14","date_gmt":"2019-12-15T17:39:14","guid":{"rendered":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=109335"},"modified":"2019-12-15T14:39:14","modified_gmt":"2019-12-15T17:39:14","slug":"castilhos-vargas-brizola-jango-geisel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=109335","title":{"rendered":"Castilhos, Vargas, Brizola, Jango, Geisel"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Por Pedro Augusto Pinho<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Em 14 de julho de 1891, foi promulgada a Constitui\u00e7\u00e3o do Estado do Estado do Rio Grande do Sul. Foi a.Constitui\u00e7\u00e3o de J\u00falio de Castilhos, promulgada em nome da p\u00e1tria e da humanidade, estabelecendo normas de defesa do proletariado, como aposentadoria aos trabalhadores a servi\u00e7o do Estado.<\/p>\n<p>H\u00e1 na Hist\u00f3ria do Brasil um fen\u00f4meno curioso. Podemos distinguir apenas dois instantes em que os principais pol\u00edticos nacionais foram efetivamente nacionalistas.<\/p>\n<p>O primeiro, no alvorecer da independ\u00eancia, com a personalidade pol\u00edtica, intelectual e cient\u00edfica de Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio de Andrada e Silva. Emblem\u00e1tico Patriarca da Independ\u00eancia.<\/p>\n<p>O segundo, curiosamente, reuniu um grupo de ga\u00fachos com tend\u00eancia ou forma\u00e7\u00e3o positivista. S\u00e3o os que enumeramos no t\u00edtulo do artigo. Tr\u00eas galgaram a Presid\u00eancia do Pa\u00eds, mas todos marcaram nossa Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Como j\u00e1 escreveu, em excelentes ensaios, o cientista pol\u00edtico Felipe Quintas, o positivismo, no Brasil, assumiu, no Rio Grande do Sul, uma colora\u00e7\u00e3o nacional-trabalhista.<\/p>\n<p>Mas todos estes brasileiros foram combatidos, sem exce\u00e7\u00e3o, pelas for\u00e7as colonizadoras, pelas elites exportadoras de produtos prim\u00e1rios, estreitamente vinculadas aos capitais estrangeiros, quer pela for\u00e7a ou pela corrup\u00e7\u00e3o, quer pela ast\u00facia com que sempre submeteram os brasileiros \u00e0 pedagogia colonial e \u00e0 escravid\u00e3o.<\/p>\n<p>Como verdadeiros puxa-sacos, esta \u201caristocracia\u201d est\u00e1 sempre agarrada ao dominador, trocando este, mudam as m\u00e3os de lugar. At\u00e9 a vinda da fam\u00edlia real portuguesa para o Brasil, o saco eram os aristocratas lusitanos. Com a ascens\u00e3o do financismo ingl\u00eas, as m\u00e3os trocaram de lugar, o fazendo novamente quando os Estados Unidos da Am\u00e9rica (EUA) assumiu a lideran\u00e7a capitalista no s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>E, quando o governo brasileiro fica em m\u00e3os nacionalistas, como nas presid\u00eancias de Vargas, Jango e Geisel, armam-se golpes para derruba-los ou evitar que escolham sucessores.<\/p>\n<p>O que \u00e9 mais rid\u00edculo, tr\u00e1gico e c\u00f4mico, \u00e9 que as acusa\u00e7\u00f5es s\u00e3o sempre as mesmas: corrup\u00e7\u00e3o e comunismo. Delas escapou somente Geisel, que foi rotulado de torturador, ditador assassino, mas &#8230;&#8230;. estatizante, seu crime.<\/p>\n<p>Ora caros leitores; quem mais assalta o Estado sen\u00e3o os que controlam o c\u00e2mbio e a moeda? E quem s\u00e3o estes sen\u00e3o os s\u00f3cios dos ruralistas, tamb\u00e9m seus aproveitadores, bancos e financeiras? O sistema financeiro, hoje internacionalizado, sempre foi o mestre da corrup\u00e7\u00e3o, combatido at\u00e9 na B\u00edblia crist\u00e3.<\/p>\n<p>Foi o sistema financeiro que aplicou o golpe da sucess\u00e3o do Presidente Geisel. Foi tamb\u00e9m a pressa na apropria\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo do pr\u00e9-sal e a voracidade pr\u00f3pria do capital financeiro que deu o golpe colocando seus marionetes na presid\u00eancia do Brasil em 2016 e 2019.<\/p>\n<p>Como todas pessoas informadas sabem, o capital financeiro \u00e9 est\u00e9ril. Ele se alimenta das especula\u00e7\u00f5es e dos assaltos \u00e0s economias privadas e p\u00fablicas. Sua arma, antes que os capitais il\u00edcitos tivessem forte presen\u00e7a na sua forma\u00e7\u00e3o, era a d\u00edvida. Pela d\u00edvida as finan\u00e7as enriqueciam e escravizavam.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o atual est\u00e1 d\u00fabia. Quem comanda as finan\u00e7as internacionais?<\/p>\n<p>At\u00e9 o in\u00edcio do s\u00e9culo XXI n\u00e3o ter\u00edamos dificuldade em responder. A velha aristocracia europeia com os novos ricos estadunidenses e pequena parcela nip\u00f4nica: a conhecida trilateral, dominava o mundo n\u00e3o socialista.<\/p>\n<p>Vamos aprofundar um pouco mais esta \u201cvelha aristocracia europeia\u201d. Ningu\u00e9m h\u00e1 de imaginar que, subitamente, como a descida do Esp\u00edrito Santo fecundou Maria, uma arca de ouro foi depositada aos p\u00e9s de conquistadores europeus. Antes da forma\u00e7\u00e3o dos Estados Modernos, houve, de um lado, a constitui\u00e7\u00e3o de casas de c\u00e2mbio nas cidades estados da It\u00e1lia (Veneza, G\u00eanova) e nos Pa\u00edses Baixos, sob a condu\u00e7\u00e3o de judeus, para dar condi\u00e7\u00e3o ao com\u00e9rcio com o oriente. Isto ocorre pelo s\u00e9culo XIII.<\/p>\n<p>Mas, do lado da ocupa\u00e7\u00e3o territorial europeia, casa de Wettin, da Sax\u00f4nia, iniciava pelo ano 1000, um dom\u00ednio que chega ao s\u00e9culo XXI, com sua descend\u00eancia espalhada por, praticamente, toda Europa Ocidental, continental e insular. Os nomes Meissen, Saxe-Goburgo, Windsor, Casteldosh, nossos conhecidos Bragan\u00e7as, as casas reais da B\u00e9lgica e da Bulg\u00e1ria est\u00e3o entre estes formadores seculares de capital fundi\u00e1rio e financeiro. A este conjunto denominamos capital tradicional para distingui-lo do que foi formado com a expans\u00e3o colonial inglesa e estadunidense, pela \u00c1sia e pela Am\u00e9rica Latina, o capital do narcotr\u00e1fico, e por capitais israelenses, ingleses, franceses e estadunidenses, capital do contrabando de armas. Estes dois \u00faltimos denominamos conjuntamente capital il\u00edcito ou marginal.<\/p>\n<p>O capital tradicional obteve as desregula\u00e7\u00f5es, comandadas pelas pol\u00edticas brit\u00e2nicas e estadunidenses, na d\u00e9cada de 1980. N\u00e3o posso imaginar que o fizeram para beneficiar o capital marginal, mas para que seu pr\u00f3prio assumisse o controle da economia mundial. As nove crises de 1987 a 2001, varrendo as Am\u00e9ricas, Europa e \u00c1sia, demonstram unicamente a presen\u00e7a do capital tradicional. Se o marginal delas participou foi parcial e anonimamente.<\/p>\n<p>Mas o capital marginal tinha uma vantagem formid\u00e1vel: \u00e9 cash. N\u00e3o depende da d\u00edvida, at\u00e9 mesmo porque ningu\u00e9m financia a compra de coca\u00edna ou de armas. Como e de quem cobrar?<\/p>\n<p>Deste modo, com a criatividade de traficantes e contrabandistas, o capital il\u00edcito constitui as empresas \u201cgestoras de ativos\u201d. E provavelmente nomeou seus Presidentes ou Chief Executive Officer (CEO) ou seus conselhos de administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>S\u00e3o estas empresas, que citamos as maiores, com trilh\u00f5es de d\u00f3lares estadunidenses em seus ativos: BlackRock, Vanguard, State Street, Welligton, JP Morgan, Fidelity e europeias como Allianz e Amundi.<\/p>\n<p>Transcrevemos da propaganda institucional da megaempresa BlackRock, dona de cerca de US$ 7 trilh\u00f5es, quase quatro Produtos Interno Brutos brasileiros.<\/p>\n<p>\u201cA BlackRock est\u00e1 presente atrav\u00e9s dos seus escrit\u00f3rios em mais de 30 pa\u00edses espalhados pelo globo.<\/p>\n<p>A carteira de ativos dessa empresa est\u00e1 dividida da seguinte maneira por continentes: Americas: 63% dos ativos totais; Europa: 29%; \u00c1sia-Pac\u00edfico: 8%.<\/p>\n<p>Embora essa companhia n\u00e3o desfrute de um monop\u00f3lio em seu setor, s\u00e3o pouqu\u00edssimas as empresas de grande porte que n\u00e3o possuem neg\u00f3cios com essa institui\u00e7\u00e3o financeira.<\/p>\n<p>Nos EUA, por exemplo, metades das doa\u00e7\u00f5es feitas nesse pa\u00eds dependem da BlackRock para a administra\u00e7\u00e3o dos recursos, bem como uma grande parte dos planos de aposentadorias tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Hoje, a maior parte dos recursos geridos por essa empresa s\u00e3o oriundos de clientes institucionais, como governos, fundos de pens\u00e3o, fundos soberanos, entre outros.<\/p>\n<p>Desse modo, com tantos recursos sobre gest\u00e3o, essa companhia est\u00e1 entre os principais acionistas das maiores companhias do mundo, tais como a Apple, ExxonMobil e os grandes bancos americanos\u201d.<\/p>\n<p>Como um Estado Col\u00f4nia seria capaz de enfrentar tal poder?<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o mundial, n\u00e3o apenas econ\u00f4mica, mas, principalmente, psicossocial e pol\u00edtica, exige que pa\u00edses como o Brasil, tal como j\u00e1 fizeram a R\u00fassia e a China, constituam governos nacionalistas, empenhados na conquista e manuten\u00e7\u00e3o das soberanias nacionais. Ao inv\u00e9s do que temos hoje e que o grande jornalista Romulus Maya denomina, no seu Duplo Expresso, \u201cnarcoevangelist\u00e3o\u201d. Uma uni\u00e3o dos capitais il\u00edcitos com igrejas neopentecostais, ag\u00eancias de golpes estadunidenses (DEA e CIA), brit\u00e2nica (MI6) e israelense (Mossad) e a participa\u00e7\u00e3o dos marginais nacionais (Primeiro Comando da Capital \u2013 PCC paulista) e dos sistemas de repress\u00e3o, policial e jur\u00eddica, ou seja, parte do Estado brasileiro.<\/p>\n<p>Sem um <b>Brasil Soberano<\/b>, denomina\u00e7\u00e3o do livro de 2009 do professor Marcos Coimbra, da UERJ e da Escola Superior de Guerra, nenhum projeto, por mais justo e social que seja, ter\u00e1 condi\u00e7\u00e3o de enfrentar um ataque destas for\u00e7as financeiras, verdadeiras fontes de corrup\u00e7\u00e3o e desnacionaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o \u00fanico caminho dos nacionalistas, dos brasileiros patriotas que honram o Patriarca da Independ\u00eancia e o not\u00e1vel conjunto de ga\u00fachos positivistas e trabalhistas que d\u00e3o t\u00edtulo a este artigo.<\/p>\n<p><strong>Pedro Augusto Pinho, av\u00f4, administrador aposentado<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 na Hist\u00f3ria do Brasil um fen\u00f4meno curioso. 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