{"id":108871,"date":"2019-11-10T11:10:56","date_gmt":"2019-11-10T14:10:56","guid":{"rendered":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=108871"},"modified":"2019-11-10T11:15:47","modified_gmt":"2019-11-10T14:15:47","slug":"preparando-o-estado-para-soberania-a-critica-sociologica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=108871","title":{"rendered":"Preparando o Estado para Soberania &#8211; A cr\u00edtica sociol\u00f3gica"},"content":{"rendered":"<div class=\"im_message_outer_wrap hasselect\" data-msg-id=\"14199\">\n<div class=\"im_message_wrap clearfix\">\n<div class=\"im_content_message_wrap im_message_in\">\n<div class=\"im_message_body\">\n<div>\n<div class=\"im_message_text\" dir=\"auto\">Sociedade centrada no mercado, assim o mestre Guerreiro Ramos qualifica aquela surgida na Era Moderna, que perdura ainda hoje (Alberto Guerreiro Ramos, A Nova Ci\u00eancia das Organiza\u00e7\u00f5es &#8211; Uma reconceitua\u00e7\u00e3o da riqueza das na\u00e7\u00f5es, Editora FGV, RJ, 1981).<br \/>\nSociedade regulada por princ\u00edpios formais e abstratos, como mercado, competi\u00e7\u00e3o e indiv\u00edduo, alheios aos aspectos substantivos da vida comum, como a subsist\u00eancia e a comunh\u00e3o. Tais princ\u00edpios s\u00e3o derivados da auto-representa\u00e7\u00e3o das classes mercantis e especulativas e institucionalizados atrav\u00e9s das suas domina\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, portanto incapazes de assegurar a consist\u00eancia dos v\u00ednculos de solidariedade sem os quais nenhuma sociedade se mant\u00e9m e perdura.<br \/>\nV\u00e1rias quest\u00f5es, de natureza conceitual e t\u00e9cnica da organiza\u00e7\u00e3o social, decorrem desta constata\u00e7\u00e3o para nossa an\u00e1lise da estrutura do Estado.<br \/>\nSeria marxista o pensamento dominante nas sociedades em geral e na brasileira? Pela pr\u00f3pria racionalidade, pelo c\u00e1lculo utilitarista, que nos entranha como o ar que respiramos; uma sociedade onde a raz\u00e3o \u00e9 o lucro, o ganho, explorando os seres humanos e a natureza? Uma sociedade onde o ser humano \u00e9 reduzido a for\u00e7a de trabalho, a natureza a mat\u00e9rias-primas e o valor-de-uso ao valor-de-troca, culminando na idolatria supersticiosa ao dinheiro. Esse, s\u00edmbolo e instrumento pol\u00edtico, meio de conquista e expans\u00e3o, passa a ser representado como s\u00edntese e substituto do valor e do trabalho social, derivando disso a tend\u00eancia do capitalismo mercantil a priorizar a poupan\u00e7a e a especula\u00e7\u00e3o infecundas em rela\u00e7\u00e3o aos investimentos produtivos geradores de utilidades concretas, tal como denunciado por John Maynard Keynes.<br \/>\nNo pa\u00eds que se avalia pelo produto interno bruto (PIB), pela adequa\u00e7\u00e3o entre receitas e despesas (equil\u00edbrio fiscal), pela racionalidade formal ou instrumental (Zweck) ao inv\u00e9s da racionalidade do valor (Wert), como classifica Max Weber, h\u00e1 muito o que fazer. Tais representa\u00e7\u00f5es, uniformes para qualquer tempo e lugar, prescindem e superp\u00f5em-se \u00e0s rela\u00e7\u00f5es sociais concretas espec\u00edficas de cada sociedade, distorcendo a interpreta\u00e7\u00e3o dos processos reais de forma\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o das coletividades a partir de uma m\u00e9trica puramente financeira que opera como a naturaliza\u00e7\u00e3o da domina\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-monet\u00e1ria dos centros capitalistas mundiais.<br \/>\nDo livro citado, Guerreiro Ramos nos alerta que &#8220;a ci\u00eancia social moderna foi articulada com o prop\u00f3sito de liberar o mercado das peias que o mantiveram dentro de limites definidos&#8221; acarretando &#8220;rendimentos decrescentes em termos de bem-estar humano&#8221;.<br \/>\nResulta da\u00ed &#8220;a inseguran\u00e7a psicol\u00f3gica, a degrada\u00e7\u00e3o da qualidade de vida, a polui\u00e7\u00e3o, o desperd\u00edcio \u00e0 exaust\u00e3o dos limitados recursos do planeta&#8221; e uma aceita\u00e7\u00e3o da &#8220;ilimitada intrus\u00e3o&#8221; do sistema de mercado na vida humana.<br \/>\nE Guerreiro Ramos reconhece que a teoria da organiza\u00e7\u00e3o atual \u00e9 &#8220;incapaz de oferecer diretrizes para a cria\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os sociais em que os indiv\u00edduos possam participar de rela\u00e7\u00f5es interpessoais&#8221; verdadeiramente autogratificantes. Ou seja, sem a soberania decis\u00f3ria comum e a realiza\u00e7\u00e3o produtiva de acordo com a perspectiva de cada um. As sociedades s\u00e3o ent\u00e3o esgar\u00e7adas pela a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do capital e das na\u00e7\u00f5es que territorializam seu comando, orientada segundo as necessidades de conquista e expans\u00e3o por\u00e9m representada segundo esses preceitos.<br \/>\nDecorre deste deslocamento, nas estruturas de poder, das aspira\u00e7\u00f5es da popula\u00e7\u00e3o, por exemplo, a falta de lembran\u00e7a de quem a pessoa votou para o legislativo nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es, mas poder cantarolar os sambas de antigos carnavais ou que estiveram h\u00e1 d\u00e9cadas sendo tocados nas r\u00e1dios.<br \/>\nTamb\u00e9m o desinteresse nas quest\u00f5es pol\u00edticas dos governos, que pouco ou nada alterar\u00e3o suas exist\u00eancias, faz com que as avalia\u00e7\u00f5es se deem nos limites da sua \u00e1rea cultural, regional, at\u00e9 de menor express\u00e3o territorial, e a quest\u00e3o nacional n\u00e3o seja discutida, n\u00e3o fa\u00e7a parte do interesse popular.<br \/>\nAinda no campo da cr\u00edtica, vamos tratar do que Guerreiro Ramos denomina &#8220;pol\u00edtica cognitiva&#8221; ao que chamamos &#8220;<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"im_message_wrap clearfix\">\n<div class=\"im_content_message_wrap im_message_in\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"im_message_outer_wrap hasselect\" data-msg-id=\"14200\">\n<div class=\"im_message_wrap clearfix\">\n<div class=\"im_content_message_wrap im_message_in\">\n<div class=\"im_message_body\">\n<div>\n<div class=\"im_message_text\" dir=\"auto\">pedagogia colonial&#8221;, ou seja, de um conhecimento que \u00e9, intencionalmente, incutido, enviesado ou evitado para popula\u00e7\u00e3o em geral, seja nas sedes dos Imp\u00e9rios seja nas col\u00f4nias formais ou efetivas.<br \/>\nVejamos os prim\u00f3rdios da Era Moderna, quando se forjava esta sociedade do mercado.<br \/>\nGiovanni Pico della Mirandola (1463-1496) \u00e9 um representante da nobreza do norte da It\u00e1lia e significativo pensador do primeiro momento da Renascimento. Em sua obra &#8220;Oratio de Hominis Dignitate&#8221; (edi\u00e7\u00e3o bilingue com tradu\u00e7\u00e3o e coment\u00e1rios de Maria de Lourdes Sirgado Ganho, Discurso sobre a Dignidade do Homem, Edi\u00e7\u00f5es 70, Lisboa, 2011) encontramos a seguinte &#8220;recomenda\u00e7\u00e3o&#8221;:<br \/>\n&#8220;revelar abertamente \u00e0 plebe os mist\u00e9rios mais secretos, escondidos sob a casca da lei, expor os sublimes mist\u00e9rios de Deus, ocultos sob a rude veste das palavras, que outra coisa teria sido sen\u00e3o dar as coisas santas aos c\u00e3es e lan\u00e7ar p\u00e9rolas a porcos? Manter, portanto, tudo isto oculto do vulgo, a fim de o comunicar apenas aos perfeitos, entre os quais unicamente Paulo afirma pronunciar palavras de sapi\u00eancia, n\u00e3o foi obra de humana prud\u00eancia, mas de divina sabedoria&#8217;.<br \/>\nObservemos como Guerreiro Ramos trata a quest\u00e3o comportamental e cognitiva nas organiza\u00e7\u00f5es constitu\u00eddas no imp\u00e9rio do mercado.<br \/>\nOs comportamentos desejados pelas organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o se limitam aos modos de a\u00e7\u00e3o mas s\u00e3o tamb\u00e9m aos sistemas cognitivos. Voc\u00ea passa a aprender a agir de acordo com a perspectiva e padr\u00f5es desejados por uma imaterial sociedade.<br \/>\nQuatro tra\u00e7os existem nesta &#8220;s\u00edndrome comportamentalista&#8221;.<br \/>\nA fluidez do indiv\u00edduo, onde a &#8220;m\u00e3o invis\u00edvel da sociedade&#8221; o conduz para as mudan\u00e7as. H\u00e1 um fluxo que obriga a pessoa a mudar, tira-lhe qualquer individualidade, para que possa gozar de um presum\u00edvel &#8211; e nunca garantido &#8211; sucesso.<br \/>\nO segundo tra\u00e7o, Guerreiro Ramos denomina &#8220;perspectivismo&#8221;. \u00c9 preciso ter &#8220;sensibilidade&#8221; para induzir as pessoas a agirem conforme os interesses da organiza\u00e7\u00e3o, do mercado. &#8220;Os ensinamentos de Maquiavel&#8221;, escreve Ramos, &#8220;significam que n\u00e3o apenas os pr\u00edncipes, mas igualmente os homens comuns, t\u00eam o direito de por de lado os padr\u00f5es morais na persegui\u00e7\u00e3o dos interesses pessoais&#8221;. Um verdadeiro abre alas \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o.<br \/>\nOutro tra\u00e7o \u00e9 o formalismo. Um patriarca do mercado, Adam Smith, assim escreve na &#8220;Teoria dos Sentimentos Morais&#8221;, conforme Guerreiro Ramos j\u00e1 referido:<br \/>\n&#8220;\u00e9 de todo absurdo e incompreens\u00edvel supor que as percep\u00e7\u00f5es iniciais do certo e do errado possam ser derivadas da raz\u00e3o&#8230; Essas primeiras percep\u00e7\u00f5es, da mesma forma que todos os outros experimentos em que se fundamentam quaisquer regras gerais, n\u00e3o podem ser objeto da raz\u00e3o, mas de imediato senso e sentimento&#8230; A raz\u00e3o, apenas, n\u00e3o pode tornar qualquer objeto particular, por si mesmo, agrad\u00e1vel ou desagrad\u00e1vel \u00e0 mente&#8221;.<br \/>\nTemos por fim o &#8220;operacionalismo&#8221;, que, em s\u00edntese, estabelece &#8220;apenas aquilo que pode ser fisicamente medido e avaliado merece ser considerado conhecimento&#8221;. Nem nos alongaremos nesta impropriedade Basta lembrar a cozinheira, analfabeta e de rudimentar conhecimento formal, sobre quase tudo do mundo que a envolve, sem saber quantificar matematicamente o sal, o a\u00e7\u00facar ou qualquer tempero ou tempo de cozimento que adota, mas produz sempre deliciosos alimentos. Desde muito a pedagogia dos saberes demoliu esta restri\u00e7\u00e3o meramente discriminadora, excludente, difundida pelas classes dominantes. Ramos acresce, como outra caracter\u00edstica do operacionalismo, &#8220;a recusa em reconhecer \u00e0s causas finais qualquer papel na explica\u00e7\u00e3o do mundo f\u00edsico e social&#8221;.<br \/>\nCuidemos da pol\u00edtica cognitiva. Uma aus\u00eancia, seja em governos ditos de esquerda quando os de direita, seja l\u00e1 como o caro leitor defina estas &#8220;oposi\u00e7\u00f5es&#8221;, \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o da cidadania. O que \u00e9 ser cidad\u00e3o, sen\u00e3o ser um igual, em toda a extens\u00e3o da igualdade? Uma sociedade de escravos n\u00e3o \u00e9 uma sociedade de cidad\u00e3os, independente do qualificativo que se d\u00ea a sua Constitui\u00e7\u00e3o. Na raiz da pedagogia colonial, da pol\u00edtica cognitiva est\u00e1 a manuten\u00e7\u00e3o das desigualdades.<br \/>\nH\u00e1, desde os gregos, como lembra Guerreiro Ramos, o &#8220;car\u00e1ter amb\u00edguo da linguagem&#8221;. Analisando o<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"im_message_wrap clearfix\">\n<div class=\"im_content_message_wrap im_message_in\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"im_message_outer_wrap hasselect\" data-msg-id=\"14201\">\n<div class=\"im_message_wrap clearfix\">\n<div class=\"im_content_message_wrap im_message_in\">\n<div class=\"im_message_body\">\n<div>\n<div class=\"im_message_text\" dir=\"auto\">empoderamento do sistema financeiro internacional, a banca, no per\u00edodo da II Grande Guerra, chamamos a aten\u00e7\u00e3o para sua apropria\u00e7\u00e3o dos recursos da Teoria da Informa\u00e7\u00e3o. O dom\u00ednio n\u00e3o apenas na \u00e1rea tecnol\u00f3gica da inform\u00e1tica, mas das comunica\u00e7\u00f5es de massa. Lemos em Giovanni della Mirandola o interesse em ocultar e desfocar informa\u00e7\u00f5es. Por todo tempo a informa\u00e7\u00e3o foi instrumento de conquista e manuten\u00e7\u00e3o do poder.<br \/>\nRamos: &#8220;no reposit\u00f3rio de tradi\u00e7\u00f5es da maioria das sociedades da era pr\u00e9-industrial, podemos encontrar expostas na terminologia dos prov\u00e9rbios a percep\u00e7\u00e3o comum do mercado como o local de pr\u00e1tica da pol\u00edtica cognitiva e da linguagem enganadora&#8221;.<br \/>\nH\u00e1 a compreens\u00e3o indutora dos cientistas sociais oficiais ou convencionais que a moderniza\u00e7\u00e3o se identifica com a difus\u00e3o de requisitos institucionais e psicol\u00f3gicos oriundos do mercado, que o comportamento humano tende \u00e0 homogeneiza\u00e7\u00e3o universal, que n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para a sociedade pr\u00e9-industrial. &#8220;A pol\u00edtica cognitiva \u00e9 uma parte fundamental das estruturas organizacionais formais, de todas as categorias e de todos os tamanhos&#8221; (GR).<br \/>\nAnalisemos duas consequ\u00eancias da v\u00edtima, o ser humano, desta sociedade centrada no mercado: o emprego e a moral coletiva.<br \/>\nNa \u00faltima divulga\u00e7\u00e3o da &#8220;Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua&#8221;, do IBGE, trimestres de mar\u00e7o a maio de 2019, somos informados que a taxa de desocupa\u00e7\u00e3o no Brasil \u00e9 12,3% e taxa de subutiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 25,0%, havendo tamb\u00e9m decr\u00e9scimo (-1,5%), em rela\u00e7\u00e3o ao trimestre imediatamente anterior, do rendimento m\u00e9dio real.<br \/>\n&#8220;O que poderia se assemelhar ao desemprego em massa de nossos dias era, antes, resultado espor\u00e1dico de acontecimentos perturbadores como as secas, as guerras , as rixas entre fam\u00edlias ou as pragas&#8221; (GR).<br \/>\nGuerreiro Ramos adota uma divis\u00e3o entre bens e servi\u00e7os primaciais e demonstrativos. Segue o conceito desenvolvido na tese de doutorado de James Duesenberry (1918-2009), &#8220;Income, Saving and The Theory of Consumer Behavior&#8221; (Harvard, 1949), dispon\u00edvel na internet.<br \/>\nPrimaciais s\u00e3o os que atendem \u00e0s limitadas necessidades biof\u00edsicas de alimento, abrigo, vestu\u00e1rio, transportes e os servi\u00e7os que ajudam as pessoas a manter o organismo sadio e a ser membro ativo da sociedade.<br \/>\nDemonstrativos s\u00e3o aqueles desejos ilimitados que visam, principalmente, a satisfa\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos de exprimir seu n\u00edvel pessoal relativamente \u00e0 estrutura de status social.<br \/>\nMuitas vezes se ouvem queixas da a\u00e7\u00e3o dos sindicatos. N\u00e3o queremos relevar as a\u00e7\u00f5es comprometidas com partidos pol\u00edticos e interesses econ\u00f4micos, mas a estrutura de emprego numa sociedade de mercado \u00e9 absolutamente incapaz de proporcionar ocupa\u00e7\u00e3o para todos os cidad\u00e3os dispostos a trabalhar. Este ser\u00e1 um ponto relevante na equa\u00e7\u00e3o de um Estado preparado para Soberania.<br \/>\nOutro aspecto que tem sido comum na cr\u00edtica, mas sem qualquer resposta objetiva e adequada, diz respeito a comportamentos indesej\u00e1veis.<br \/>\nO conhecimento antropol\u00f3gico at\u00e9 hoje adquirido n\u00e3o encontrou uma sociedade humana cujo processo de socializa\u00e7\u00e3o estivesse subordinado aos interesses de complexos empresariais. Houve sociedades dirigidas por pensamentos transcendentes, n\u00e3o demonstr\u00e1veis, houve mesmo sociedades onde a economia desempenhava papel relevante, mas jamais estivemos t\u00e3o escravos de valores e procedimentos padronizados.<br \/>\nDois diferentes exemplos, no conte\u00fado e nas sociedades, ir\u00e3o demonstrar esta quest\u00e3o humana n\u00e3o resolvida.<br \/>\nNos EUA, um atentado de question\u00e1veis origem e interesse levou a popula\u00e7\u00e3o daquele pa\u00eds de economia avan\u00e7ada a aceitar ser bisbilhotado em sua intimidade, de modo formalmente leg\u00edtimo mas moralmente indigno. O USA Patriot Act (26\/10\/2001) se declara protetor da vida e da liberdade.<br \/>\nDo notici\u00e1rio nos EUA. &#8220;O Congresso promulgou o Ato Patriota com margens esmagadoras e bipartid\u00e1rias, armando a lei com novas ferramentas para detectar e prevenir o terrorismo: A Lei Patri\u00f3tica dos EUA foi aprovada quase unanimemente pelo Senado 98-1 e 357-66 na C\u00e2mara, com o apoio de membros de todo o espectro pol\u00edtico&#8221;.<br \/>\nCabe perguntar: que povo, por t\u00e3o expressiva maioria, desconfiaria<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"im_message_wrap clearfix\">\n<div class=\"im_content_message_wrap im_message_in\"><\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div class=\"im_message_text\" dir=\"auto\">de si mesmo, de sua corre\u00e7\u00e3o e hombridade, da sua retid\u00e3o de car\u00e1ter, a n\u00e3o ser o de uma sociedade doente, incapaz de distinguir seus prop\u00f3sitos e sua dignidade?<br \/>\nO outro caso ocorre no Brasil. A partir de fraudes processuais, um juiz de primeira inst\u00e2ncia, protegido pelo Departamento de Estado dos EUA e instru\u00eddo, com forte probabilidade, pela ag\u00eancia de intelig\u00eancia estadunidense, CIA, destr\u00f3i a engenharia brasileira e a maior empresa do Brasil, detentora \u00fanica de tecnologia para as produ\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo em \u00e1guas oce\u00e2nicas ultraprofundas. Subtraindo do Brasil os meios para a nacionaliza\u00e7\u00e3o do seu processo de acumula\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, a Lava-Jato prepara o pa\u00eds para o aprofundamento da subordina\u00e7\u00e3o aos centros capitalistas mundiais, cuja domina\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-econ\u00f4mica-militar-ideol\u00f3gica \u00e9 travestida como \u201clei de mercado\u201d, seguindo os preceitos da economia pol\u00edtica cl\u00e1ssica de David Ricardo, principal autor da burguesia inglesa que era ent\u00e3o piv\u00f4, junto \u00e0 Coroa, da proemin\u00eancia geopol\u00edtica de seu pa\u00eds no mundo.<br \/>\nDepois disso a popula\u00e7\u00e3o aplaude e leva \u00e0 presid\u00eancia e \u00e0 maioria do Congresso os candidatos apoiados pela opera\u00e7\u00e3o Lava Jato chefiada ilegalmente pelo pr\u00f3prio juiz, como ficou provado em vazamentos recentes. Seria um caso de corrup\u00e7\u00e3o coletiva ou de auto imola\u00e7\u00e3o?<br \/>\nAmbos casos decorrerem das patologias de uma sociedade centrada no mercado. Assim, a soberania popular, declamada pelos revolucion\u00e1rios setecentistas, torna-se vazia de conte\u00fado. Em seu lugar, o que se verifica \u00e9 a soberania dos centros decis\u00f3rios, ao mesmo tempo empresariais e governamentais, que comandam grande contingente de recursos e os mobilizam em favor da acumula\u00e7\u00e3o de poucos, ignorando as necessidades materiais e morais da esmagadora maioria.<\/div>\n<div class=\"im_message_text\" dir=\"auto\">AUTORES<br \/>\nFelipe Quintas, doutorando em Ci\u00eancia Pol\u00edtica pela Universidade Federal Fluminense<br \/>\nGustavo Galv\u00e3o, doutor em economia e autor de \u201cAs 21 li\u00e7\u00f5es das Finan\u00e7as Funcionais e da Teoria do Dinheiro Moderno (MMT)&#8221;<br \/>\nPedro Augusto Pinho, administrador aposentado<br \/>\n(Publicado em 17\/07\/2019 no jornal Monitor Mercantil)<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sociedade centrada no mercado, assim o mestre Guerreiro Ramos qualifica aquela surgida na Era Moderna, que perdura ainda hoje.<br \/>\nSociedade regulada por princ\u00edpios formais e abstratos, como mercado, competi\u00e7\u00e3o e indiv\u00edduo, alheios aos aspectos substantivos da vida comum, como a subsist\u00eancia e a comunh\u00e3o. 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