{"id":108425,"date":"2019-10-23T19:07:39","date_gmt":"2019-10-23T22:07:39","guid":{"rendered":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=108425"},"modified":"2019-10-24T12:52:54","modified_gmt":"2019-10-24T15:52:54","slug":"um-levante-popular-no-chile","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=108425","title":{"rendered":"Um levante popular no Chile"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em><strong><span style=\"font-size: 10pt;\"><b><i>Na foto: Popula\u00e7\u00e3o do Chile ateia fogo na sede da multinacional de energia Enel, que controla a eletricidade do pa\u00eds.<\/i><\/b><\/span><\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Por Alejandro Acosta\u00a0<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Milhares de manifestantes foram \u00e0s ruas das principais cidades do Chile nestes dias 18 e 19 de outubro. O estopim dos protestos foi o aumento no pre\u00e7o das passagens do Metr\u00f4 em 30 centavos, que passaram de 800 para 830 pesos (cerca de 4,80 reais) nos hor\u00e1rios de pico. O governo de Sebasti\u00e1n Pi\u00f1era justificou o aumento com a alta do pre\u00e7o do petr\u00f3leo e do d\u00f3lar, e a moderniza\u00e7\u00e3o do sistema. Desde 2010, n\u00e3o tinha havido um reajuste dessa propor\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Trata-se de algo parecido com o que aconteceu no Brasil em 2013. O aumento das passagens foi a gota de \u00e1gua que derramou o copo da paci\u00eancia dos trabalhadores e das massas no Chile contra a pol\u00edtica econ\u00f4mica ultra entreguista. Os protestos evolucionaram rapidamente do rep\u00fadio ao reajuste no pre\u00e7o da passagem do metr\u00f4 logo para confrontar o modelo econ\u00f4mico entreguista imposto \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A pol\u00edcia foi insuficiente para conter o alto descontentamento da popula\u00e7\u00e3o desesperada. O governo do milion\u00e1rio Pi\u00f1era decretou \u201cestado de emerg\u00eancia\u201d e ordenou a presen\u00e7a de militares nas ruas da capital.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Neste s\u00e1bado, 19 de outubro de 2019, milhares de pessoas participaram de um panela\u00e7o na capital, Santiago de Chile, e em outras cidades do Chile. No centro de Santiago e em bairros de classe m\u00e9dia como Nu\u00f1oa, Providencia e Maip\u00fa, os panela\u00e7os foram ainda mais fortes em rep\u00fadio ao governo. Em outras regi\u00f5es e cidades, como Valpara\u00edso e Vi\u00f1a del Mar, duas cidades muito importantes localizadas a pouco mais de 120 quil\u00f4metros da capital, tamb\u00e9m ocorreram manifesta\u00e7\u00f5es com milhares de pessoas gritando palavras de ordem contra\u00a0 Sebasti\u00e1n Pi\u00f1era.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Mas Chile n\u00e3o era o modelo da prosperidade na Am\u00e9rica Latina?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Chile foi, junto com a Argentina e o Uruguai, o laborat\u00f3rio utilizado pelo imperialismo norte-americano para impor as chamadas pol\u00edticas \u201cneoliberais\u201d que foram empurradas goela abaixo desses povos por sangrentas ditaduras militares. No Chile, foi onde essas pol\u00edticas avan\u00e7aram mais, desmantelando todo o sistema de assistencialismo e programas sociais que vinham de d\u00e9cadas e que tinham se fortalecido durante o governo de Salvador Allende, derrubado pelo golpe militar de 1973. Em 1976, como efeito do cont\u00e1gio da crise capitalista mundial de 1974, o Chile quase colapsou, o que somente n\u00e3o aconteceu porque o ditador C\u00e9sar Augusto Pinochet n\u00e3o teve tempo para privatizar a principal empresa p\u00fablica do pa\u00eds, a Codelco, que hoje, controlada por grandes capitais estrangeiros, \u00e9 uma das mais importantes do setor de cobre.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para a popula\u00e7\u00e3o, a \u201cefici\u00eancia\u201d das \u201creformas\u201d se traduzem em que o acesso \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o \u00e9 praticamente todo privado, caro e de baixa qualidade. N\u00e3o por acaso, os protestos dos estudantes est\u00e3o nas ruas h\u00e1 anos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A desigualdade social tem disparado. As aposentadorias s\u00e3o miser\u00e1veis e se encontram atreladas a bancos. Os servi\u00e7os b\u00e1sicos s\u00e3o muito caros considerando os ingressos m\u00e9dios da popula\u00e7\u00e3o. A repress\u00e3o contra as comunidades ind\u00edgenas, principalmente os Mapuches, escalou, por conta da voracidade dos latifundi\u00e1rios e capitalistas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Muitos mais Chiles, Equadores, Haitis no horizonte<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O que estamos assistindo no Chile \u00e9 mais um estouro da estabilidade do sistema capitalista mundial num dos pontos mais fracos do sistema. O que chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que acontece apenas uns poucos dias ap\u00f3s o maior levante que ocorreu no Equador nos \u00faltimos 14 anos foi temporariamente controlado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em paralelo com o levante no Chile, est\u00e1 acontecendo uma rebeli\u00e3o popular no Haiti. E a situa\u00e7\u00e3o em praticamente toda a Am\u00e9rica Latina est\u00e1 se tornando cada vez mais explosiva. A Argentina j\u00e1 enfrenta toda uma s\u00e9rie de greves e protestos localizados, al\u00e9m do levante popular que aconteceu na Prov\u00edncia de Chubut. No pr\u00f3ximo ano, n\u00e3o haver\u00e1 dinheiro para repassar ao abutres capitalistas os US$ 55 bilh\u00f5es que vencem at\u00e9 julho. O governo de Alberto Fern\u00e1ndez ser\u00e1 obrigado a aplicar um duro golpe aos trabalhadores. Uma situa\u00e7\u00e3o altamente explosiva cresce no Brasil.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No pr\u00f3ximo per\u00edodo, os levantes populares tendem a transformar-se na norma e n\u00e3o serem mais a exce\u00e7\u00e3o. Um ascenso oper\u00e1rio come\u00e7ou a acontecer nos Estados Unidos desde a greve dos educadores de fevereiro de 2018. A crise capitalista se aprofunda rapidamente rumo ao maior colapso da hist\u00f3ria. Esse \u00e9 o combust\u00edvel do ascenso de massas e ao mesmo tempo do endurecimento do regime. A burguesia coloca em jogo o fascismo nos pa\u00edses desenvolvidos e as ditaduras militares nos pa\u00edses atrasados. Para o pr\u00f3ximo per\u00edodo, est\u00e1 colocado o enfrentamento aberto entre a burguesia imperialista e a classe oper\u00e1ria mundial.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O papel dos revolucion\u00e1rios \u00e9 se agrupar para impulsionar frentes \u00fanicas oper\u00e1rias e frentes anti-imperialistas revolucion\u00e1rias. \u00c9 preciso construir partidos oper\u00e1rios revolucion\u00e1rios, mas desde j\u00e1 \u00e9 preciso colocar em p\u00e9 pol\u00edticas, que devem se expressar em palavras de ordem, que direcionem o movimento e o ajudem a avan\u00e7ar.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><i>Alejandro Acosta, soci\u00f3logo &#8211; Gazeta Revolucion\u00e1ria<\/i><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No pr\u00f3ximo per\u00edodo, os levantes populares tendem a transformar-se na norma e n\u00e3o serem mais a exce\u00e7\u00e3o. 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