{"id":108189,"date":"2019-10-15T17:02:04","date_gmt":"2019-10-15T20:02:04","guid":{"rendered":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=108189"},"modified":"2019-12-26T22:49:30","modified_gmt":"2019-12-27T01:49:30","slug":"etapas-da-tecnologia-social-do-genocidio-em-tempos-de-bolsonaro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=108189","title":{"rendered":"Etapas da tecnologia social do genoc\u00eddio em tempos de Bolsonaro"},"content":{"rendered":"<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"OCDE: vergonha! (de todos os lados) \u2013 D.E. 11\/out\/2019\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/s7vgvCMsBA0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Tendo exposto\u00a0<a href=\"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=108119\">em um texto anterior<\/a>\u00a0nossa perspectiva acerca de porque e como tratar o tema do genoc\u00eddio como tecnologia, agora buscaremos apresentar de forma espec\u00edfica elementos desse processo de tecnologia social e alguns vest\u00edgios de seu desenvolvimento no atual cen\u00e1rio brasileiro. Isso posto, frente a adapta\u00e7\u00e3o da sociedade brasileira \u00e0 intensifica\u00e7\u00e3o de processos de viol\u00eancia e dada sua fragmenta\u00e7\u00e3o social super estimulada por meios digitais de socializa\u00e7\u00e3o (internet), excesso de informa\u00e7\u00e3o, desinforma\u00e7\u00e3o constante e guerra institucional dentro de aparatos estatais.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\">O fen\u00f4meno do &#8216;populismo&#8217; bolsonarista e o louvor a morte!<\/span><\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\"><span style=\"font-weight: 400\">Durante a primeira e segunda guerra mundial, ocorreram diversos processos de organiza\u00e7\u00e3o social, ora denominados nacionalistas, ora nacionais e populares, ora populistas. Em muitos dos casos se convencionou dizer que no fundo eram o mesmo fen\u00f4meno aplicados a diferentes experi\u00eancias nacionais. Entendemos no entanto que essa vis\u00e3o \u00e9 equivocada, o que significa dizer que h\u00e1 diferentes processos marcados por diferentes <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">performances<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">.\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Na primeira guerra mundial, no cen\u00e1rio europeu, o que ocorreu foi uma forte resist\u00eancia e conflito entre distintos pa\u00eds, o que se denominou guerra de posi\u00e7\u00e3o, ou seja, guerras de defesa territorial e de predom\u00ednio colonial (os europeus estavam disputando col\u00f4nias, sobretudo na \u00c1frica e outros territ\u00f3rios). Estes conflitos funcionaram combinados com processos de tecnologia social, ou fen\u00f4menos sociais gestados desde contradi\u00e7\u00f5es nacionais, mas que buscavam dar coes\u00e3o, sentido de unidade dentro dos pa\u00edses e est\u00edmulo a apoiar e participar dos conflitos contra estrangeiros. Isso deu causa a pol\u00edticas e discursos de persegui\u00e7\u00e3o em todo o territ\u00f3rio europeu, inclusive com o desenvolvimento de t\u00e9cnicas sociais de genoc\u00eddio interno, mas que somente foram etiquetados como movimentos do MAU, os regimes dos pa\u00edses que foram derrotados e\/ou que chegaram com desvantagem na segunda guerra mundial (caso t\u00edpico da Alemanha e It\u00e1lia).<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Por isso, ficou gravado no registro hist\u00f3rico, de propaganda midi\u00e1tica e no sentido comum, como negativos, os processos na Alemanha (na Segunda Guerra), da It\u00e1lia, da Espanha de Franco (ainda que n\u00e3o tenha participado da Segunda Guerra) que combinavam est\u00edmulo da defesa territorial a processos de disputas internas dentro do pa\u00eds, incorporando pr\u00e1ticas genocidas. Veja que era bastante comum movimentos nazistas ou fascistas na Inglaterra, em diversos pa\u00edses n\u00f3rdicos, na Holanda e em pa\u00edses como Pol\u00f4nia e \u00c1ustria, dentro deste per\u00edodo conflitivo. Ali\u00e1s, neste mesmo momento \u00e9 que se promoveu, inclusive nos Estados Unidos, a figura do proeminente l\u00edder popular (golpista) Adolf Hitler.\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Terminada a Guerra, a hist\u00f3ria n\u00e3o registrou esta marca na experi\u00ebncia pa\u00edses &#8220;aliados&#8221; e consolidou uma vis\u00e3o de bons e maus, quando o que se deu anteriormente foram caracter\u00edsticas sociais parecidas entre popula\u00e7\u00f5es do Eixo e dos Aliados. Mas essa coes\u00e3o forjada por meio de um inimigo nacional de fora e tamb\u00e9m de dentro dos pa\u00edses na Europa, que confronta dimens\u00f5es b\u00e1sicas de dignidade humana, ocorreu de forma diversa no populismo latinoamericano, aqui o louvor a morte e a persegui\u00e7\u00e3o do inimigo interno n\u00e3o foi o dispositivo para gerar unidade social na primeira metade do s\u00e9culo XX. Por\u00e9m \u00e9 bastante interessante observar que Bolsonaro tenta, como reativamente o fez\u00a0 Pinochet em seu tempo, inaugurar um processo de populismo (l\u00edder carism\u00e1tico de massa) a moda da tirania que se fez presente em muitos casos europeus.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Na Am\u00e9rica Latina os processos de desenvolvimento do Estado e sociedades modernas ocorre com fen\u00f4menos populistas de caracter\u00edsticas nacionais e populares no primeiro per\u00edodo do s\u00e9culo XX com a vincula\u00e7\u00e3o e gera\u00e7\u00e3o de uma m\u00e1quina de Estado combinada a gera\u00e7\u00e3o de direitos (sobretudo direitos sociais) e oportunidades de vida.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">\u00a0Por tanto a coes\u00e3o nacional serviu aqui para gerar um sujeito pol\u00edtico que perseguia os objetivos de industrializa\u00e7\u00e3o, moderniza\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o social no marco popular nacional. E sem d\u00favida em todas as experi\u00eancias populistas em nossa regi\u00e3o, o l\u00edder carism\u00e1tico foi um elemento presente. Assim, o que se deu foi um estado produtor de sociedade, tendo por ide\u00e1rio uma sociedade anteriormente fraca, tradicional ou determinada pela ag\u00eancia das aristocracias regionais que deveria ser modernizada. N\u00e3o \u00e9 por acaso que ocorreu depois dos anos de 1950-1960 uma forte rea\u00e7\u00e3o mesmo em c\u00edrculos progressistas acad\u00eamicos e pol\u00edticos de ataque ao populismo (inclusive gerando marcos te\u00f3ricos que n\u00e3o fazem esta distin\u00e7\u00e3o entre o fen\u00f4meno europeu e latino americano). Essas formas de atua\u00e7\u00e3o, na realidade colaboram para formar pensamento e mecanismos antipopulares (inclusive dentro de uma tradi\u00e7\u00e3o de teorias de esquerda) e a posteriori sem a no\u00e7\u00e3o de ocupa\u00e7\u00e3o do poder do Estado para seu benef\u00edcio (tend\u00eancia p\u00f3s moderna presente na nova esquerda nacional) .\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\"><b>Etapas de aplica\u00e7\u00e3o da tecnologia do genoc\u00eddio\u00a0<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\"><span style=\"font-weight: 400\">Considerando a sistematiza\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es genocidas praticadas na pol\u00edtica nazista e outras experi\u00eancias hist\u00f3ricas similares\u00a0 em sua estrutura, \u00e9 poss\u00edvel conceber uma constru\u00e7\u00e3o te\u00f3rica que estabele\u00e7a uma continuidade sequencial, ou seja, peri\u00f3dica, para caracterizar esse fen\u00f4meno moderno. <\/span><b>Essa caracteriza\u00e7\u00e3o \u00e9 feita levando em considera\u00e7\u00e3o os objetivos desse processo, que \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o, destrui\u00e7\u00e3o e reorganiza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sociais como base para o dom\u00ednio pol\u00edtico e para a constitui\u00e7\u00e3o de novas formas de hegemonia e de organiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o de trabalho. <\/b>Feierstein\u00a0apresenta-nos uma\u00a0classifica\u00e7\u00e3o de etapas ou m\u00f3dulos do processo do genoc\u00eddio dentro dos termos que temos apresentado a reflex\u00e3o que a seguir apresentamos:\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif;font-size: 10pt\">Leia mais sobre o tema em:\u00a0<strong><em>Feierstein, D. (2007): El genocidio como pr\u00e1ctica social. Entre el nazismo y la experiencia argentina. Buenos Aires: FCE. 2007.<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\"><b>FASE 1. DISCURSO RADICAL DE POLARIZA\u00c7\u00c3O SOCIAL\u00a0<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\"><span style=\"font-weight: 400\">Inicialmente, \u00e9 necess\u00e1rio salientar que a primeira condi\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica genocida \u00e9 o racismo ou o \u00f3dio de uma parte da sociedade, ou seja, <\/span><b>o discurso de eliminar a vida do outro, do inimigo, como s\u00edmbolo de medidas sanit\u00e1rias e prote\u00e7\u00e3o da vida de outros socialmente aceitos.<\/b><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\"><span style=\"font-weight: 400\">Em outras palavras, a rela\u00e7\u00e3o com a no\u00e7\u00e3o de sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 evidente nessa manifesta\u00e7\u00e3o inicial do fen\u00f4meno. Essa forma sanit\u00e1ria, de limpeza, tamb\u00e9m pode ser constitu\u00edda por meio de um discurso de simboliza\u00e7\u00e3o de um mal social que determinado grupo infrinja ao todo social (n\u00e3o \u00e9 por acaso que Bolsonaro levanta a bandeira do socialismo como dem\u00f4nio, mal social a ser combatido no seu discurso de posse e em encontros p\u00fablicos, e que outros em seu governo professam de forma sensacionalista em\u00a0 <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=IwcF1MFR7Is\">varrer a corrup\u00e7\u00e3o do pa\u00eds)<\/a><\/span><span style=\"font-weight: 400\">. Aqui, cenas de nudez provocativa, de atos de sexualidade ou de intimidade excretora, ainda que utilizados como ato simb\u00f3lico de rebeldia por parte de setores da esquerda, cumprem um papel estrat\u00e9gico em sentido contr\u00e1rio ao da emancipa\u00e7\u00e3o da sociedade brasileira e complementam refor\u00e7ando este mesmo discurso de demoniza\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\"><span style=\"font-weight: 400\">Isso se faz, rompendo certas formas de relacionamento social, mudando o que era solidariedade e cr\u00edtica e convertendo em relacionamentos heter\u00f4nomos e individualistas (sintoma que \u00e9 homologado pelas pr\u00e1ticas do identitarismo lacrador)<\/span><span style=\"font-weight: 400\">. Para isso, a elei\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas, as formas de pr\u00e1ticas s\u00e3o todas elei\u00e7\u00f5es em favor do cumprimento de um objetivo. Para uma melhor compreens\u00e3o, devemos considerar os per\u00edodos que constituem a a\u00e7\u00e3o que come\u00e7a com a constru\u00e7\u00e3o negativa da identidade do sujeito escolhido como \u201coutro\u201d at\u00e9 seu exterm\u00ednio definitivo, estabelecido em um plano material e simb\u00f3lico, ou seja, o m\u00e9todo genocida em m\u00f3dulos ou etapas.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Tudo come\u00e7a com a constru\u00e7\u00e3o de uma alteridade negativa, ou estigmatiza\u00e7\u00e3o: escolher o tipo humano \u201cnegativo\u201d sob uma constru\u00e7\u00e3o social de distin\u00e7\u00e3o recuperada e ampliada ou criada. Isso tamb\u00e9m permite estabelecer um par\u00e2metro oposto de \u201ccidad\u00e3o normal\u201d, pertencente \u00e0 esp\u00e9cie humana, ao nacional, ao correspondente &#8220;cidad\u00e3o de bem&#8221;. Essa pr\u00e1tica faz sentido em que se identifica uma &#8220;necessidade&#8221; moderna de recuperar as no\u00e7\u00f5es de distin\u00e7\u00e3o de grupo, dentro de uma estrutura de comportamentos e de um territ\u00f3rio, para formar a unidade homogeneizada do Estado Nacional. No caso europeu, a figura do judeu foi capaz de dar conta de muitas dessas necessidades: constru\u00edda e \/ ou refor\u00e7ada pela Igreja crist\u00e3 medieval, poderia ser facilmente selecionada como a imagem protot\u00edpica do&#8221; outro n\u00e3o padronizado &#8221; e, portanto, como a figura que representaria, no n\u00edvel mais exagerado e estereotipado, aos membros das &#8220;outras esp\u00e9cies&#8221;.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Portanto, na articula\u00e7\u00e3o do discurso biol\u00f3gico, pol\u00edtico e psicol\u00f3gico, a figura do judeu estava localizada no centro da cena, acompanhada pelos outros \u201coutros\u201d tamb\u00e9m atacados: ciganos, eslavos, homossexuais, dissidentes pol\u00edticos, pregui\u00e7osos, desempregados, criminosos, prostitutas, drogados, loucos, como equivalentes depreci\u00e1veis.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Assim, a &#8220;solu\u00e7\u00e3o genocida&#8221; sem uma hegemonia pr\u00e9via nas constru\u00e7\u00f5es da alteridade, sem um consenso sobre essa constru\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica da &#8220;alteridade negativa&#8221;, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Para seu cumprimento: nas regi\u00f5es terrritoriais (Pol\u00f4nia, Hungria, Rom\u00eania) em que essa concep\u00e7\u00e3o j\u00e1 estava latente ou manifesta nos processos de identifica\u00e7\u00e3o anteriores, as duas fases seguintes puderam ser implementadas com relativa rapidez (mesmo em alguns lugares em que j\u00e1 estavam presentes). Pelo contr\u00e1rio, em sociedades mais modernizadas e \/ ou emancipadas, como a pr\u00f3pria Alemanha, Holanda, Dinamarca, o processo foi muito mais lento. Por outro lado, em alguns casos (a Dinamarca) impediu-se a aniquila\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica e completa de suas popula\u00e7\u00f5es judaicas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\"><b>FASE 2. ASS\u00c9DIO\u00a0<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">O ass\u00e9dio \u00e9 o segundo momento do m\u00e9todo genocida. \u00c9 a passagem de um momento reflexivo, para a\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\"><span style=\"font-weight: 400\">Nesta fase, destaca-se um salto qualitativo, que come\u00e7a a construir o caminho da reflex\u00e3o para a a\u00e7\u00e3o. <a href=\"http:\/\/BERGER, Peter; LUCKMANN, Thomas. A constru\u00e7\u00e3o social da realidade: tratado de sociologia do conhecimento. Petr\u00f3polis, RJ: Vozes, 1985.\">Berger e Luckman<\/a><\/span><span style=\"font-weight: 400\"> sugerem que, a fim de quebrar a possibilidade de uma subjetividade diferente (ou construir uma nova representa\u00e7\u00e3o da sociedade), as representa\u00e7\u00f5es rebeldes de tal interpreta\u00e7\u00e3o no pr\u00f3prio campo objetivo devem ser destru\u00eddas. Ou seja, a exist\u00eancia de uma fra\u00e7\u00e3o &#8220;n\u00e3o normalizada&#8221; mina a pr\u00f3pria normaliza\u00e7\u00e3o e, portanto, o ataque a ela \u00e9 uma necessidade para a socializa\u00e7\u00e3o bem-sucedida do resto. \u00c9 nesse sentido que a <\/span><b>negativiza\u00e7\u00e3o da alteridade<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> n\u00e3o pode ser localizada apenas em um plano simb\u00f3lico.<\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">O momento de ass\u00e9dio \u00e9 definido pela necessidade de atacar a fra\u00e7\u00e3o \u201cn\u00e3o normalizada\u201d que foi estigmatizada anteriormente, a fim de afirmar os riscos para a sociedade que se &#8220;apodera&#8221; e ent\u00e3o se estabelece sintomas de \u201cnormalidade\u201d nesse rito. A Lava Jato em seu discurso midiatizado celebrava suas opera\u00e7\u00f5es como fatos her\u00f3icos que tranformavam para melhor, a sociedade brasileira, por exemplo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Para isso, em primeiro grau, s\u00e3o estabelecidas a\u00e7\u00f5es repressivas de natureza f\u00edsica, supostamente espont\u00e2neas e exercidas por grupos de vanguarda violentos que olham para o &#8220;outro&#8221; e, por meio dessa viol\u00eancia, testam o grau e a qualidade das respostas das v\u00edtimas, estabelecendo com isso desenvolvimento t\u00e9cnico e quantitativo de sua a\u00e7\u00e3o repressiva.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">A culpa simb\u00f3lica \u00e9 transformada, atrav\u00e9s de crises, em uma falha material, em uma causalidade que resulta (por silogismos complicados que o senso comum nunca verifica cuidadosamente), explicando as priva\u00e7\u00f5es e os problemas do presente. Para analisar posteriormente, as a\u00e7\u00f5es de ass\u00e9dio de natureza jur\u00eddica, ou seja, a cria\u00e7\u00e3o de leis que praticam atos discriminat\u00f3rios pelo aparato estatal.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Com isso, cada vez mais se produz uma exclus\u00e3o externa, produzida por uma expuls\u00e3o do espa\u00e7o comum atrav\u00e9s de atos de ass\u00e9dio (na sociedade atual isso se d\u00e1 por meios de comunica\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o de ataque moral nas redes de comunica\u00e7\u00e3o de internet) e uma exclus\u00e3o definitiva do espa\u00e7o social, que gera um terceiro momento caracterizado pelo Isolamento.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\"><b>FASE 3. ISOLAMENTO DE SETORES<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Isolamento, que leva \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o para outro espa\u00e7o f\u00edsico, separado da popula\u00e7\u00e3o comum, com condi\u00e7\u00f5es de vida prec\u00e1ria e humilhante e com condi\u00e7\u00e3o reduzida de sobreviv\u00eancia. Essa circunst\u00e2ncia em nosso cen\u00e1rio atual de guerra de comunica\u00e7\u00e3o e desinforma\u00e7\u00e3o tem como componentes operativos: empresas pres\u00eddio, isolamento simb\u00f3lico setorial de internet impulsionados pela dicotomia bolsonaristas versus identit\u00e1rios (que potencializam o ataque posterior aos esquerdistas em geral e a popula\u00e7\u00f5es de menor poder aquisitivo esquerdistas, conservadores, ou n\u00e3o posicionados).<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Essa limita\u00e7\u00e3o estabelece no plano jur\u00eddico a diferen\u00e7a constru\u00edda na primeira etapa no plano de representa\u00e7\u00e3o. Quebrou a concep\u00e7\u00e3o de &#8220;outro universal&#8221; e aceitou a exist\u00eancia de um &#8220;outro negativo&#8221;, tenta regular seus espa\u00e7os, buscando limitar seus movimentos, suas possibilidades de desenvolvimento e suas pr\u00f3prias pr\u00e1ticas. Tem como pano de fundo a justificativa de limpar a sociedade, gerar seguran\u00e7a, o que se v\u00ea em avan\u00e7o no caso brasileiro atual.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Aqui \u00e9 estabelecido um laborat\u00f3rio para a forma\u00e7\u00e3o de um ex\u00e9rcito ou agentes genocidas, com sua pr\u00f3pria ideologia e t\u00e9cnicas baseadas no colapso das v\u00edtimas, no desaparecimento da repulsa moral, na desumaniza\u00e7\u00e3o, na opera\u00e7\u00e3o como uma horda, na agress\u00e3o coletiva de superioridade num\u00e9rica diante de indiv\u00edduos desarmados. Al\u00e9m disso, o isolamento reorganiza o espa\u00e7o da organiza\u00e7\u00e3o do trabalho, gera novas posi\u00e7\u00f5es, legitima a necessidade de ordem posta em a\u00e7\u00e3o com autoritarismo atrav\u00e9s da viol\u00eancia (aparelhos aqui: prisioniza\u00e7\u00e3o privatizada ou p\u00fablica e grupos policiais ou milicianos de exterm\u00ednio).<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\"><b>Din\u00e2micas internas de destrui\u00e7\u00e3o da mobiliza\u00e7\u00e3o popular<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\"><b>No espa\u00e7o interno dos exclu\u00eddos, as condi\u00e7\u00f5es de exclus\u00e3o s\u00e3o estimuladas a fim de criar um colapso nas rela\u00e7\u00f5es sociais. <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Aqui mais uma vez o car\u00e1cter conservador e autorit\u00e1rio da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">performance<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> atual de grupos identit\u00e1rios organizados em ongs e redes sociais que exigem como forma inflex\u00edvel que suas bandeiras sejam consagradas dentro de uma \u00fanica no\u00e7\u00e3o de esquerda gera uma tens\u00e3o interna que n\u00e3o colabora para gera\u00e7\u00e3o de consensos, este \u00e9 um caldo de cultura inicial que poder\u00e1 gerar em processos futuros a acusa\u00e7\u00e3o interna de inimigos (inicialmente acusados atacarem a &#8220;esquerda&#8221;). O instrumento de dela\u00e7\u00e3o em processos que ameacem posteriormente a esquerda, pode levar a uma intensifica\u00e7\u00e3o desses processos. Antes disso, por\u00e9m, etiquetam-se movimentos nacionais e populares e os tomam como grupos de direita, entregando a no\u00e7\u00e3o de nacionalismo para o uso da propaganda neoliberal hard de Bolsonaro.\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\"><b>FASE 4. FISSURA SELECIONADA DOS QUE DEVEM SER SACRIFICADOS &#8211; SOCIEDADE X9<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Ap\u00f3s, ou dinamicamente integrado aos anteriores um quarto momento ou m\u00f3dulo se d\u00e1 com o enfraquecimento sistem\u00e1tico, que implica diferenciar aqueles que devem e podem ser exterminados por condi\u00e7\u00f5es sociais t\u00e9cnicas espec\u00edficas, esse processo envolve tr\u00eas tipos de fissura: a f\u00edsica, a psicol\u00f3gica e a que ocorre por meio da sele\u00e7\u00e3o daqueles que devem morrer, ou ser eliminados, primeiro.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">O colapso moral, a dela\u00e7\u00e3o, a destrui\u00e7\u00e3o de la\u00e7os de intimidade e confian\u00e7a s\u00e3o estabelecidos como cen\u00e1rio de um ambiente sufocante e aterrorizante, com o objetivo de reduzir as for\u00e7as de resist\u00eancia das v\u00edtimas que naturalizam a condi\u00e7\u00e3o de extrema subordina\u00e7\u00e3o e perda de qualquer perspectiva de vida. Um ambiente de exterm\u00ednio toma forma.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Essas formas encontram pot\u00eancia em processos de viol\u00eancia interna e persegui\u00e7\u00e3o dentro da pr\u00f3pria esquerda ou de partidos de mesma linhagem.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\"><b>FASE 5. Exterm\u00ednio localizado de grupos e\/ou de massa<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Naturalmente, entra um quinto momento, que \u00e9 o da aniquila\u00e7\u00e3o material, isto \u00e9, do exterm\u00ednio dos corpos f\u00edsicos e das condi\u00e7\u00f5es culturais e simb\u00f3licas que representam um antagonismo \u00e0 normalidade. Os corpos n\u00e3o representam identidades mais espec\u00edficas, mas muitos objetos desprez\u00edveis. Os assassinatos e desaparecimentos sucessivos s\u00e3o produzidos em uma cadeia de produ\u00e7\u00e3o na qual o valor \u00e9 matar e humilhar.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">As pr\u00e1ticas sociais genocidas n\u00e3o culminam com sua realiza\u00e7\u00e3o material, isto \u00e9, com a aniquila\u00e7\u00e3o material e a sele\u00e7\u00e3o de tipos humanos como concretos de uma \u201calteridade negativa\u201d, a \u00faltima etapa ocorre na esfera simb\u00f3lica e ideol\u00f3gica, atrav\u00e9s da representa\u00e7\u00e3o e narra\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia traum\u00e1tica, cria-se um novo imagin\u00e1rio, que afirma diretamente uma nova identidade de uma negativa que se consolida.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\"><b>FASE 6. Novo regime e nova realidade social<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">A conformidade com essa tecnologia \u00e9 estabelecida com a &#8220;realiza\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica&#8221; de pr\u00e1ticas sociais genocidas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Al\u00e9m disso, levando em considera\u00e7\u00e3o as pr\u00e1ticas genocidas como tecnologia de poder, tr\u00eas pontos principais de contradi\u00e7\u00f5es t\u00edpicos da rela\u00e7\u00e3o de poder com a modernidade, quest\u00f5es de igualdade, soberania e empatia podem ser propostas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">A igualdade \u00e9 o fundamento da no\u00e7\u00e3o de modernidade. E \u00e9 atrav\u00e9s dele que os par\u00e2metros de subvers\u00e3o s\u00e3o estabelecidos, a no\u00e7\u00e3o de igualdade possibilitou a mobiliza\u00e7\u00e3o de valores e a\u00e7\u00f5es, em diferentes momentos, contra fatores de hegemonia social. At\u00e9 mesmo a revolu\u00e7\u00e3o burguesa, prometeu igualdade a plebe, para com ela tomar o poder mon\u00e1rquico e gestar uma nova ordem.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Ocorre tamb\u00e9m que os direitos sociais s\u00e3o uma prova disso. Contra essa dimens\u00e3o, a distin\u00e7\u00e3o por ra\u00e7a e a id\u00e9ia de racismo \u00e9 a vari\u00e1vel usada para compatibilizar a no\u00e7\u00e3o de igualdade entre homens realmente diferentes. Iguais na diferen\u00e7a e s\u00f3cio culturalmente hierarquizados.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\"><b>CHAVES DE IMPEDIMENTO DESTE PROCESSO EM DESENVOLVIMENTO NO BRASIL<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Fator central \u00e9 a dinamiza\u00e7\u00e3o do discurso de soberania nacional e sua rela\u00e7\u00e3o com a no\u00e7\u00e3o de modernidade, de supera\u00e7\u00e3o do velho, do antigo que agora \u00e9 o terror e um modelo \u00fanico de escassez combinada com especula\u00e7\u00e3o financeira como \u00fanico caminho para a classe m\u00e9dia. Veja que a modernidade n\u00e3o \u00e9 legitimada pela simples posse ou id\u00e9ia de propriedade, mas pela defesa e prote\u00e7\u00e3o de direitos fundamentais como a vida e bens compartilhados (inclusive quando foi impulsionada pelas revolu\u00e7\u00f5es burguesas atrav\u00e9s do Iluminismo). Portanto, o assassinato formalizado por uma tecnologia estatal nesse caso fica esvaziado de justificativa, frente a defesa de interesses comuns que colocam a comunidade toda em risco. Mas esta din\u00e2mica deve ser impulsionada de modo a gerar a no\u00e7\u00e3o de povo em que as diferen\u00e7as comp\u00f5em um todo.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Dentro da sistem\u00e1tica do discurso de estados modernos, a necessidade de estabelecer uma estrutura de identidade nacional gerou a id\u00e9ia da prote\u00e7\u00e3o da vida e dos valores de todas as pessoas dentro de um padr\u00e3o &#8220;nacional&#8221;. Em alguns casos, como vimos na experi\u00eancia europ\u00e9ia, alguns grupos foram escolhidos como o n\u00e3o normal, e combinou-se a id\u00e9ia de modernidade com a elimina\u00e7\u00e3o material e \/ ou simb\u00f3lica de judeus e ciganos, sempre criminalizados por sua condi\u00e7\u00e3o cultural.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Na Am\u00e9rica Latina encontramos ant\u00eddoto na conforma\u00e7\u00e3o de nossa modernidade atrav\u00e9s de din\u00e2micas nacionais e populares que inclu\u00edam e n\u00e3o necessitavam de um terceiro negativo como fator de coes\u00e3o. Isso deve ser resgatado imediatamente, e n\u00e3o deixar nas m\u00e3os do atual governo a sua descaracteriza\u00e7\u00e3o. Tamanha descaracteriza\u00e7\u00e3o, que a intelig\u00eancia nacional tem aceitado a no\u00e7\u00e3o de nacionalismo para um agente pol\u00edtico que privatiza e transfere bens e riquezas nacionais, em grande parte de aparato p\u00fablico para empresas e estados estrangeiros. Visivelmente uma desconex\u00e3o cognitiva de realidade, ou cinismo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">O \u00faltimo sintoma basilar da modernidade e naturalmente contradit\u00f3rio nas rela\u00e7\u00f5es internas que se produz na esfera social \u00e9 a no\u00e7\u00e3o de autonomia. O que est\u00e1 relacionado \u00e0 identidade constitu\u00edda pelo cidad\u00e3o cr\u00edtico e que faz da diferen\u00e7a sua condi\u00e7\u00e3o de afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 um sintoma que gera desequil\u00edbrio social e, \u00e0s vezes, desordem das formas tradicionais de articula\u00e7\u00e3o. Contra esse &#8220;sintoma perigoso&#8221;, as pr\u00e1ticas de genoc\u00eddio visam produzir uma identidade homog\u00eanea e uma narrativa da realidade contra a cr\u00edtica e a\u00e7\u00e3o de luta pol\u00edtica (contra baderneiros a\u00e7\u00e3o de opress\u00e3o do Estado, ou o seu reverso, a esquerda politicamente correta, que n\u00e3o se prop\u00f5em a a\u00e7\u00f5es consequentes frente a instaura\u00e7\u00e3o de um regime de for\u00e7a) e baseadas em fundamentos individualistas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\"><span style=\"font-weight: 400\">Tr\u00eas sintomas b\u00e1sicos de um mundo sempre em transi\u00e7\u00e3o, <\/span><b>o da modernidade, a defesa dos direitos humanos e da dignidade humana<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> s\u00e3o essenciais para que a estabiliza\u00e7\u00e3o social ocorra em sintonia com a diferen\u00e7a individual e coletiva e a autodetermina\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">A modernidade por meio de movimentos nacionais e populares s\u00e3o a marca hist\u00f3rica do s\u00e9culo XX na Am\u00e9rica Latina sob press\u00e3o permanente de mecanismos de transfer\u00eancia de riquezas para pa\u00edses centrais via: controle do Estado por elites entreguistas, controle da economia por empresas multinacionais estrangeiras (avan\u00e7a isso com privatiza\u00e7\u00f5es), Estado fraco e subordina\u00e7\u00e3o a pol\u00edticas e valores estrangeiros, d\u00edvidas externa e securitiza\u00e7\u00e3o de recursos nacionais em favor do sistema financeiro (bancos internacionais), privatiza\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos (previd\u00eancia, \u00e1gua e recursos energ\u00e9ticos), privatiza\u00e7\u00e3o ou neutraliza\u00e7\u00e3o de empresas e setores estrat\u00e9gicos para o desenvolvimento de um projeto de soberania nacional (opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica simulada ou telecatch).\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Um movimento, discurso em diversas esferas institucionais e al\u00e9m dela, com forma de apar\u00eancia simplificada e com capacidade de ser repetido e defendido em diferentes estratos sociais, associados a novas formas de propaga\u00e7\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o como redes sociais, deve urgentemente ser ativado.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\"><em><strong>Luiz Ferreira J\u00fanior \u00e9 advogado, Mestre em Direitos Humanos \u2013 Universidade de San Mart\u00edn (Argentina) e Mestre em Comunica\u00e7\u00e3o Midi\u00e1tica \u2013 UNESP.<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste texto Luiz Ferreira Jr apresenta as v\u00e1rias fases do processo de genoc\u00eddio como tecnologia social e alguns vest\u00edgios de seu desenvolvimento no atual cen\u00e1rio brasileiro. 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