{"id":108119,"date":"2019-10-13T15:44:34","date_gmt":"2019-10-13T18:44:34","guid":{"rendered":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=108119"},"modified":"2019-10-15T17:05:50","modified_gmt":"2019-10-15T20:05:50","slug":"genocidio-tupiniquim-e-o-comportamento-de-indiferenca-e-anestesia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=108119","title":{"rendered":"Genoc\u00eddio tupiniquim e o comportamento de indiferen\u00e7a e anestesia\u00a0"},"content":{"rendered":"<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"OCDE: vergonha! (de todos os lados) \u2013 D.E. 11\/out\/2019\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/s7vgvCMsBA0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\"><em><span style=\"font-size: 10pt\">No v\u00eddeo acima o tema \u00e9 tratado logo na primeira parte do programa.<\/span><\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\">\u00c9poca da elimina\u00e7\u00e3o. \u00c9 poss\u00edvel pensar que passamos por um tempo assim: tempo de precariedade material, simb\u00f3lica e das rela\u00e7\u00f5es humanas. Considerar esse pressuposto seria melhor para entender o tema que apresentamos a seguir. Ademais, existe um prop\u00f3sito pol\u00edtico para o mesmo, tratemos desse tema delicado para evitar que seus vest\u00edgios agora presentes se convertam em uma triste trag\u00e9dia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Marx considerando a dualidade servo versus senhor extra\u00edda do pensamento de Hegel, nos destacava que essa din\u00e2mica foi realocada no capitalismo por meio da no\u00e7\u00e3o de igualdade (no contrato, igualdade jur\u00eddica), associada a ideologia da liberdade do &#8220;cidad\u00e3o&#8221; (aquele que tem condi\u00e7\u00f5es do exerc\u00edcio do direito). Pode-se considerar que no passado, o escravo, o servo, era ligado ao propriet\u00e1rio como sua extens\u00e3o de bens ou obedi\u00eancia (vassalagem: condi\u00e7\u00e3o material e moral de subordina\u00e7\u00e3o) e que a posteriori, o assalariado fez-se ligado a uma rela\u00e7\u00e3o invis\u00edvel, o contrato jur\u00eddico que o deslocou para uma suposta condi\u00e7\u00e3o de equival\u00eancia abstrata (o contrato legal que iguala todos como sujeitos de direito), mas que nas rela\u00e7\u00f5es sociais concretas manteve condi\u00e7\u00f5es novas de puro submetimento.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Mas a classe tradicional prolet\u00e1ria, dos trabalhadores, transformou-se nos \u00faltimos tempos? H\u00e1 uma nova interpreta\u00e7\u00e3o acerca do proletariado, expressada entre muitos por <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=5nJBb_ZHMh4\">Diego Fusaro<\/a>, que d\u00e1 conta de um precariado ampliado: que inclui o trabalhador n\u00e3o assalariado e os que n\u00e3o conseguem incluir-se no trabalho. O proletariado era a classe social que viu-se no passado em grande atividade de luta social e organiza\u00e7\u00e3o corporativa, nacionalista e revolucion\u00e1ria. Agora, temos um achatamento das condi\u00e7\u00f5es de vida (reduzindo-se direitos sociais) e igualando de forma escalonada a sociedade por meio de marcas de hierarquiza\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica manifestadas por bens e formas de consumo.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Uma decorr\u00eancia desse mecanismo \u00e9 perceber a todos em um mesmo panorama simb\u00f3lico, o do consumo e a gera\u00e7\u00e3o uniforme e universal de subalternidade ideol\u00f3gica. Essa ali\u00e1s, seria a marca desse novo setor que supera de forma regressiva o antigo proletariado, claro que essa subordina\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica vem somada a um\u00a0 progressivo e &#8220;inevit\u00e1vel&#8221; avan\u00e7o de sua fragilidade material. Isso porque n\u00e3o h\u00e1 mais uma velha burguesia, ou uma oligarquia nacional claramente demarcada, mas uma diminui\u00e7\u00e3o at\u00e9 sua destrui\u00e7\u00e3o em processo, j\u00e1 que a mesma tamb\u00e9m se precariza. Sinais dos tempos de digitaliza\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o do consumo &#8220;libertador&#8221; do cart\u00e3o de cr\u00e9dito.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Este desenvolvimento recente de cria\u00e7\u00e3o de uma nova e ampliada classe precarizada tem rela\u00e7\u00e3o direta com a concentra\u00e7\u00e3o de recursos econ\u00f4micos e pol\u00edticos por parte de uma aristocracia financeira internacional que investe novos processos de fragiliza\u00e7\u00e3o contra mecanismos culturalmente reproduzidos de manuten\u00e7\u00e3o de coletividades, a saber: o Estado nacional. Combinado a isso, as grandes marcas de produtos garantem a convers\u00e3o da no\u00e7\u00e3o de sujeito coletivo para a de indiv\u00edduo, sujeito de direito&#8221; consumista e cosmopolita&#8221;, e conta com a massifica\u00e7\u00e3o de ideologias produzidas e reproduzidas por aparelhos de ideologia associados a mecanismos de intensifica\u00e7\u00e3o e modula\u00e7\u00e3o da percep\u00e7\u00e3o, da compreens\u00e3o individual e de rela\u00e7\u00f5es sociais em que na internet gera-se uma apar\u00eancia experimentada cotidianamente de um novo sentido comum. Um &#8220;novo sentido comum&#8221; que \u00a0\u00e9 reiterado e naturalizado atrav\u00e9s de dispositivos de intelig\u00eancia artificial que interagem todo o tempo com as pessoas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Gera-se, portanto, um car\u00e1ter de naturaliza\u00e7\u00e3o desse novo submetimento das pessoas que em sua l\u00f3gica interna condiciona os &#8220;sujeitos&#8221; por meio de etiquetamento moral e comportamental de formas de coletividades experimentadas atrav\u00e9s de tra\u00e7os generalizados, previamente estabelecidos como um produto\/tribo, estandardizados de costume, de sexualidade, de caracter\u00edsticas \u00e9tnicos e culturais emp\u00e1ticas, mas de forma pr\u00e1tica a criar espa\u00e7os de exce\u00e7\u00e3o, tribaliza\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o da no\u00e7\u00e3o de integra\u00e7\u00e3o dos sujeitos ao nacional.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Por isso, surgem movimentos pol\u00edticos e de manifesta\u00e7\u00e3o est\u00e9tica que apontam para a &#8220;afirma\u00e7\u00e3o da identidade&#8221; mas subordina-se a modelos e formas morais em que\u00a0 mistura-se a no\u00e7\u00e3o de direito (em um mundo que o direito nacional se desfaz com o Estado), ao seu &#8220;exerc\u00edcio&#8221; por meio de plataformas de express\u00e3o individual ou por meio de organiza\u00e7\u00f5es &#8220;sem fins lucrativos&#8221; (n\u00e3o estatais, de direitos de grupos) dotadas de discursos que difundidos internacionalmente, normalizam e universalizam matrizes anglo sax\u00f4nicas. Isso muda o car\u00e1ter de movimentos que no passado encontravam liame direto nas lutas ampliadas do proletariado nacional, e no caso brasileiro inclu\u00edam o movimento negro, de povos origin\u00e1rios, de mulheres, gays (que agora encontram sua &#8220;totaliza\u00e7\u00e3o&#8221; na sigla LGBTQ+).<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Portanto a cr\u00edtica aqui apresentada n\u00e3o diz respeito ao car\u00e1ter moral dessas bandeiras (se elas s\u00e3o ou n\u00e3o justas), mas se foca na no\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de articula\u00e7\u00e3o e na forma de apresenta\u00e7\u00e3o de suas pol\u00edticas no atual cen\u00e1rio de guerra n\u00e3o convencional e guerra comercial que se alastra pelo mundo e que tem incid\u00eancia clara sob a sociedade brasileira, que se fragiliza, fragmentando-se e buscando rearticular suas a\u00e7\u00f5es de luta institucional e standards em experi\u00eancias de fora.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Este cen\u00e1rio de fragmenta\u00e7\u00e3o expressa-se em m\u00faltiplos coletivos desarticulados e\u00a0 submetidos a plataformas comuns de a\u00e7\u00e3o que reproduzem a l\u00f3gica de disputas da sociedade americana entre conservadores e liberais, permitindo modular o impacto de suas a\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas. E n\u00e3o por acaso (enquanto totalidade do precariado) assimilando de forma acr\u00edtica, ou com resist\u00eancia limitada, a redu\u00e7\u00e3o constante de suas condi\u00e7\u00f5es materiais de vida e de direitos sociais. Assimilam com isso a redu\u00e7\u00e3o progressiva do car\u00e1ter de resist\u00eancia social que antes foram capazes de desenvolver para fazer frente a investidas autorit\u00e1rias, em per\u00edodos de ditadura na Am\u00e9rica Latina, quando tinham como modo de articula\u00e7\u00e3o comum a no\u00e7\u00e3o de povo brasileiro (nacional) e de Estado forte.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Por outro lado \u00e9 cada vez mais preocupante que na Am\u00e9rica Latina, estes movimentos se fa\u00e7am mais porosos e abertos a influ\u00eancia de discursos e atores externos que promovam um &#8220;novo olhar&#8221; para essas coletividades atrav\u00e9s de standards e ferramentas de a\u00e7\u00e3o que n\u00e3o lhes s\u00e3o pr\u00f3prias e assim sendo neutralizam seu car\u00e1ter popular reivindicat\u00f3rio buscando apagar qualquer refer\u00eancia de nacional popular que se fez presente na primeira metade do s\u00e9culo XX, ou no populismo democr\u00e1tico instaurado contra as ditaduras na segunda metade deste mesmo s\u00e9culo.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Esta fragilidade que passa a determinar cada vez mais a performance dos partidos (cada vez menos presentes nas disputas de natureza socioecon\u00f4micas) e dos movimentos (cada vez mais presentes nas disputas das minorias) encontra-se em progressivo desenvolvimento, enquanto que no momento atual ocorre em paralelo o avan\u00e7o de uma gest\u00e3o estatal que promete &#8220;toler\u00e2ncia zero&#8221;. Portanto promovem um comportamento pol\u00edtico que desloca as lutas pr\u00f3prias do proletariado por direitos socioecon\u00f4micos para uma dimens\u00e3o de menor amplitude e articulam em suas atua\u00e7\u00f5es pol\u00edticas a defesa de seu territ\u00f3rio simb\u00f3lico enquanto grupo minorit\u00e1rio e n\u00e3o do nacional (como grupo ampliado) e por conseguinte abandonam lutas relacionadas a estrutura material do Estado. Os partidos de trabalhadores, socialistas, trabalhistas se convertem cada vez mais em partidos de minorias.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\">No discurso atual dos partidos prop\u00f5em-se discretamente lutar contra a opress\u00e3o do Estado Total (o flagelo do fascismo). Mas, n\u00e3o defendendo o &#8220;antiquado&#8221;, &#8220;populista&#8221;, &#8220;autorit\u00e1rio&#8221; Estado assentado em matrizes nacional e populares\u00a0 que na Am\u00e9rica Latina, mas sobretudo no Brasil n\u00e3o mereceu da academia e nem mesmo da esquerda brasileira o adjetivo de <em>Estado de bem estar<\/em>, mas sim, o adjetivo pejorativo de estado populista autorit\u00e1rio. No discurso e na pr\u00e1tica, esta nova esquerda n\u00e3o possui manifestada, no conjunto dos diferentes movimentos fragmentados, for\u00e7a e articula\u00e7\u00e3o para evitar o avan\u00e7o de um estado neoliberal de policiamento permanente frente ao precariado. Pelo menos n\u00e3o neste momento.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Vejamos, por exemplo que a proposta de muitos dos governadores eleitos, de esquerda e de direita, e do Presidente da Rep\u00fablica, inclui a &#8220;melhoria e humaniza\u00e7\u00e3o&#8221; do sistema penitenci\u00e1rio por meio de &#8220;empresas pres\u00eddio&#8221;, que seguindo o modelo estadunidense hegem\u00f4nico do setor (mais de 90% de todas as unidades prisionais privadas no mundo s\u00e3o estadunidenses)\u00a0 buscar\u00e3o assimilar apenados n\u00e3o perigosos em sua &#8220;ressocializa\u00e7\u00e3o&#8221;. J\u00e1 que este modelo adapta-se a uma sociedade sem emprego e ao avan\u00e7o de processos de extin\u00e7\u00e3o de direitos sociais com aumento da pol\u00edtica de &#8220;toler\u00e2ncia zero&#8221; contra o inimigo abstrato do terror e narcotr\u00e1fico.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Mas fora da f\u00f3rmula marketinizada pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o que n\u00e3o explica de fato o fen\u00f4meno da viol\u00eancia, mas narra diariamente o mesmo como terror permanente (o fen\u00f4meno &#8220;Datena&#8221;), n\u00e3o se tem produzido uma resist\u00eancia em forma de discurso e dispositivos cient\u00edficos (nem mesmo nos c\u00edrculos da academia, tanto quanto nos partidos progressistas e de esquerda) frente ao aparelhamento crescente do Estado Total. Esse processo estrutural pode, portanto, avan\u00e7ar e assimilar formas de tecnologia social de genoc\u00eddio, que como pudemos testemunhar em diversos momentos de nossa hist\u00f3ria regional, pode converter-se, por outro lado, em genoc\u00eddio de &#8216;maiorias&#8217; \u00e9tnicas subalternizadas e em <a href=\"http:\/\/Feierstein, D. : El genocidio como pr\u00e1ctica social. Entre el nazismo y la experiencia argentina. Buenos Aires: FCE. 2007.\">genoc\u00eddio pol\u00edtico<\/a>.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\"><strong>O genoc\u00eddio como tecnologia social\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\">O genoc\u00eddio n\u00e3o \u00e9 um ato de maldade de alguns, ainda que em meio a isso existam atores com caracter\u00edsticas e exerc\u00edcio de atos gravados por tons de extrema crueldade. Ele \u00e9 mais que uma disposi\u00e7\u00e3o ps\u00edquica e \u00e9 mais que um adjetivo de etiquetamento frente a um advers\u00e1rio pol\u00edtico. <strong><em>O genoc\u00eddio \u00e9 uma t\u00e9cnica, uma tecnologia de mudan\u00e7a de uma cultura em determinado espa\u00e7o territorial ou nacionalmente, por isso \u00e9 relevante pens\u00e1-lo neste momento.<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif;font-size: 10pt\">Leia mais sobre o tema em:\u00a0<strong><em>Feierstein, D. (2007): El genocidio como pr\u00e1ctica social. Entre el nazismo y la experiencia argentina. Buenos Aires: FCE. 2007.<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Ademais, essa tecnologia pode ser estudada, j\u00e1 que como t\u00e9cnica desenvolvida e empregada em diversos processos hist\u00f3ricos, agora novamente encontra relev\u00e2ncia no cen\u00e1rio nacional brasileiro frente a sintomas sociais que podem sistemicamente consolidar-se. Quando em casos de genoc\u00eddio ocorrem ju\u00edzos condenat\u00f3rios posteriores, o conhecimento dos modos de qualifica\u00e7\u00e3o e entendimento de atos judicializados a respeito disso nos impede, muitas vezes, de entender de forma profunda como aquela sociedade chegou a permitir o progresso do mesmo, porque tais ju\u00edzos se limitam ao campo da compensa\u00e7\u00e3o do dano, t\u00edpica da forma jur\u00eddica do contrato. Modernamente tem-se buscado trabalhar com formas de resgate da dimens\u00e3o da verdade hist\u00f3rica, observando-se relatos dos diferentes atores implicados no processo. Mas tais procedimentos s\u00f3 tem impacto social, se s\u00e3o popularizados e assimilados como importantes para a coletividade que no passado se viu submetida a tais pr\u00e1ticas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Uma das caracter\u00edsticas a tomar-se em conta, portanto, \u00e9 a de que o genoc\u00eddio seja observado como um processo de constru\u00e7\u00e3o de dispositivos sociais din\u00e2micos e n\u00e3o somente como um ato de viol\u00eancia f\u00edsica e extin\u00e7\u00e3o de grupos. O genoc\u00eddio seria nesse sentido um processo em que se produz, por meio de atos de terror, a transforma\u00e7\u00e3o da identidade de um povo. E \u00e9 um problema que as na\u00e7\u00f5es devem considerar desde uma perspectiva de soberania popular, ou de soberania de sua cultura nacional.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Por isso que no per\u00edodo de viol\u00eancia que agora passamos no Brasil, causa preocupa\u00e7\u00e3o que diversos de seus elementos sejam observados em avan\u00e7o sist\u00eamico e que n\u00e3o seja percebido em paralelo uma cr\u00edtica al\u00e9m da que esteja calcada em uma compara\u00e7\u00e3o imediata com o que se deu na ditadura militar. Isso \u00e9 preocupante porque no per\u00edodo anterior, o estabelecimento de um regime de for\u00e7a se deu dentro de evidente tomada do poder por for\u00e7as c\u00edvico-militares e pela presen\u00e7a dos dispositivos armados na ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio nacional, o que era muito evidente. Ocorre que agora esta ocupa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica de poder desenvolve-se\u00a0 de outra maneira, dentro dos marcos da &#8220;Democracia formal&#8221; (sustentada pela no\u00e7\u00e3o de direitos de minorias), conservando como no\u00e7\u00e3o da disputa pol\u00edtica quase que exclusiva, a l\u00f3gica de disputas eleitorais.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Veja-se que a \u00faltima ditadura militar argentina, por exemplo, foi resultante de um alto n\u00edvel de conflitividade e a\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia que se iniciou no per\u00edodo de ex\u00edlio e posteriormente dentro do pr\u00f3prio per\u00edodo do \u00faltimo mandato de Juan Domingo Per\u00f3n. Esta divis\u00e3o social foi geradora de um processo profundo e estruturado de viol\u00eancia de estado, antes menos estruturado e posteriormente consolidado em campos de concentra\u00e7\u00e3o em todo o pa\u00eds. Por isso nos preocupa que poucas vozes se manifestem com a adequada preocupa\u00e7\u00e3o e disposi\u00e7\u00e3o de gerar mobiliza\u00e7\u00e3o e articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para evitar o avan\u00e7o de processos como este no Brasil.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Isso se deu, no caso argentino, porque durante o ex\u00edlio, Per\u00f3n contou e apoiou a milit\u00e2ncia de esquerda peronista: Juventude Peronista, Montoneros (bra\u00e7o armado), entre outros, mas ap\u00f3s seu retorno n\u00e3o conseguiu re-estabelecer uma conviv\u00eancia de setores, j\u00e1 em forte conflito naquela ocasi\u00e3o, dentro e sob o guarda-chuva do peronismo.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\">O Peronismo como fen\u00f4meno populista congregava setores desde a direita conservadora at\u00e9 a esquerda revolucion\u00e1ria, mas em seu retorno Per\u00f3n exigiu um recuo da parte de setores esquerdistas que quiseram fazer avan\u00e7ar o movimento para um desenvolvimento progressivo de um regime socialista. E Per\u00f3n, al\u00e9m de n\u00e3o abrir m\u00e3o da divis\u00e3o de lideran\u00e7a, acabou abrindo maior espa\u00e7o e alicer\u00e7ando-se nos movimentos de direita que come\u00e7aram a intensificar ataques violentos contra estes outros setores tamb\u00e9m peronistas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Assim, j\u00e1 dentro de uma din\u00e2mica conflitiva estimulada, antes de seu retorno e da vit\u00f3ria de H\u00e9ctor C\u00e1mpora em 1973, no per\u00edodo ilegal em que Per\u00f3n esteve no ex\u00edlio, conformou-se um desastroso antagonismo interno dentro do movimento que liderava, de tal sorte, que fez culminar posteriormente na forma\u00e7\u00e3o da &#8220;Triple A&#8221; dentro de seu governo. O mesmo peronismo que anteriormente foi capaz de gerar coes\u00e3o popular entre setores muito distintos, \u00a0foi fragmentado em n\u00facleos opositores levando o l\u00edder populista a um isolamento at\u00e9 sua morte, e a consequente tomada de poder de setores de terror estatal, culminando dentro de um tradicional bloco de conviv\u00eancia pol\u00edtica diversificada, na instala\u00e7\u00e3o de um cen\u00e1rio social fragmentado e na divis\u00e3o para finalmente dar-se o ingresso de uma ditadura militar violent\u00edssima.<\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Voltando-se para a quest\u00e3o do genoc\u00eddio como tecnologia social, deve-se considerar que esse processo de aniquilamento \u00e9 seguido por formas de representa\u00e7\u00e3o e pr\u00e1ticas de terror que se fazem presentes no quotidiano hist\u00f3rico de muitas <a href=\"http:\/\/Santos, Theotonio dos. Socialismo o Fascismo: el nuevo car\u00e1cter de la dependencia y el dilema latinoamericano, Buenos Aires, Editora Periferia, 1972.\">sociedades latino americanas<\/a> e que irrompem em cen\u00e1rios de crise pol\u00edtico econ\u00f4micas radicais.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Na matriz da sociedade brasileira, o flagelo da escravid\u00e3o se naturalizou de tamanha forma, que a conviv\u00eancia com atos de viol\u00eancia diferenciadas de setores de classe mais pobres, de negros e da popula\u00e7\u00e3o lgbt sempre foi observado pelo &#8220;sentido comum&#8221; como situa\u00e7\u00f5es normais a naturalizar n\u00edveis muito altos de viol\u00eancia f\u00edsica e de exclus\u00e3o social nos estratos de classe subalternos durante todo o s\u00e9culo XX.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Agora em per\u00edodos de Bolsonaro isso \u00e9 reavivado midiaticamente, como forma de gest\u00e3o social por meio da guerra de desinforma\u00e7\u00e3o e de agendamento combinado (reativo a mesma agenda) de meios hegem\u00f4nicos e setores partid\u00e1rios de esquerda (reacion\u00e1rios ou conservadores na sua atua\u00e7\u00e3o frente a sintomas e a\u00e7\u00f5es de amea\u00e7a social estruturada no Estado), como por exemplo, se verifica na aus\u00eancia de atua\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as de esquerda e na falta de den\u00fancia frente \u00e0 amea\u00e7a do denominado &#8220;Patriot Act Tabajara&#8221;, que possui tr\u00eas instrumentos de a\u00e7\u00e3o centrais identificados:<\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\"><strong>Projeto de Lei 2418\/2019 &#8211; legaliza monitoramento de aplicativos de troca instant\u00e2nea de mensagens.<\/strong><\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\"><strong>Projeto de Lei 1595\/2019 &#8211; estabelece for\u00e7as &#8220;antiterroristas&#8221;.<\/strong><\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\"><strong>Projeto de Lei 443\/2019 &#8211; transforma crimes comuns, milit\u00e2ncia pol\u00edtica e ATO P\u00daBLICO\/ OCUPA\u00c7\u00c3O em &#8220;terrorismo&#8221;.\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\">O problema est\u00e1 na falta de den\u00fancia de todos estes dispositivos levados a tramita\u00e7\u00e3o por meio de processos de aprova\u00e7\u00e3o por comiss\u00f5es legislativas, sem passar por vota\u00e7\u00e3o em plen\u00e1rio, ocultando-se de forma pouco democr\u00e1tica, um tema t\u00e3o sens\u00edvel, mesmo com a participa\u00e7\u00e3o de parlamentares de partidos de esquerda.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\"><strong>O \u00faltimo per\u00edodo de Per\u00f3n, montoneros e seu renascimento com N\u00e9stor Kirchner (exemplo de rearticula\u00e7\u00e3o da cultura popular &#8211; arma contra a fragmenta\u00e7\u00e3o social)<\/strong><\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Vejamos que uma das possibilidades de ressurgimento da cultura de esquerda dentro do peronismo, depois da degenera\u00e7\u00e3o completa das tend\u00eancias conservadoras ao redor desta mesma cultura social, por meio do fracasso do neoliberalismo menemista, se deu na presid\u00eancia de N\u00e9stor Kirchner, e s\u00f3 foi poss\u00edvel refazer-se, porque preliminarmente existiu um amplo movimento plural e n\u00e3o fragmentado em pluridisciplinares-identidades, focado na defesa intransigente de direitos fundamentais da pessoa humana como forma de defesa da Democracia Nacional.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Como n\u00e3o era fragment\u00e1rio, n\u00e3o insistiu na no\u00e7\u00e3o de dolo e vingan\u00e7a ante a outro setor (a direita peronista que no passado se investiu contra a esquerda e juventude), e o fez reunificar-se (conservadores e progressistas dentro do peronismo) sob a premissa de recuperar o pa\u00eds, atrav\u00e9s do car\u00e1ter nacional e popular superando outras dimens\u00f5es pol\u00edticas e acomodando as mesmas. Essa foi a ferramenta que permitiu reestruturar a cultura pol\u00edtica argentina depois da fragmenta\u00e7\u00e3o decorrente da crise de 2001 que fragilizou a cultura pol\u00edtica na sociedade argentina, dentro do marco da democracia formal.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Nestor Kirchner, presidente da Na\u00e7\u00e3o Argentina entre 2003 a 2007, por sua origem militante na juventude peronista, somado a uma tradi\u00e7\u00e3o de dentro e de fora do peronismo que construiu bandeiras e standarts de direitos humanos sempre vinculados \u00e0 no\u00e7\u00e3o popular e n\u00e3o puramente institucional (materializada em partidos e ongs) ou de identidades fragmentadas, impulsionou uma pol\u00edtica de mem\u00f3ria (dos crimes de estado do passado), verdade (instaurando o conhecimento p\u00fablico e escolar desses processos) e justi\u00e7a (que se fizessem julgados os que cometeram crimes de les\u00e3o contra direitos fundamentais para impedir que ocorressem retrocessos hist\u00f3ricos), mas n\u00e3o o fez reduzido ao espa\u00e7o acad\u00eamico ou de setores elitizados da sociedade, mas como parte do processo de reconstru\u00e7\u00e3o nacional, incluindo e n\u00e3o dividindo. Por isso obteve \u00eaxito em seu momento.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\"><strong>O bruto cen\u00e1rio brasileiro atual &#8211; cultura da naturaliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia e a amplifica\u00e7\u00e3o de desinforma\u00e7\u00e3o<\/strong><\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\">No Brasil, a aceita\u00e7\u00e3o e justifica\u00e7\u00e3o de processos de viol\u00eancia da parte de atores armados do Estado encontra justificativa na postura de aceita\u00e7\u00e3o por parte do poder judici\u00e1rio e minist\u00e9rio p\u00fablico em rela\u00e7\u00e3o a como se produz a gest\u00e3o do processo investigativo e da pr\u00e9via acusa\u00e7\u00e3o em que se verifica j\u00e1 como pressuposto que o agente p\u00fablico narra uma vers\u00e3o verdadeira da <em>notitia criminis<\/em> como tamb\u00e9m, da naturaliza\u00e7\u00e3o do uso excessivo da for\u00e7a por parte desses agentes estatais, quase que constituindo uma forma tradicional de viol\u00eancia no pa\u00eds, em que fiscalizar e julgar n\u00e3o passa por exigir diferentes protocolos de atua\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a p\u00fablica, de forma robusta, e com hierarquia baseada na legalidade, racionalidade e observ\u00e2ncia do Estado de Direito. Ao contr\u00e1rio, estes setores se puseram mais fortemente ativos em a\u00e7\u00f5es com apelo popular de standards relacionados a no\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica de corrup\u00e7\u00e3o instaurada pelos processos do Mensal\u00e3o e Lava Jato.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\">O atual cen\u00e1rio \u00e9 agravado pelo est\u00edmulo de viol\u00eancia protagonizado pela narrativa de dois dem\u00f4nios (se o policial \u00e9 mal e violento, \u00e9 porque do outro lado h\u00e1 um bandido cruel que o ataca tamb\u00e9m), associada ao fen\u00f4meno da narrativa \u00a0&#8220;Datena&#8221; de naturaliza\u00e7\u00e3o cotidiana da sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a (uma narrativa que combina um car\u00e1ter opinativo e pouco t\u00e9cnico de fatos de viol\u00eancia com abordagem policial e com permanente est\u00edmulo de tens\u00e3o social que n\u00e3o necessariamente corresponde a evid\u00eancia de inseguran\u00e7a social na pr\u00e1tica).<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\">At\u00e9 h\u00e1 poucos anos atr\u00e1s, se podia verificar em estudos relacionados a sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a em grandes e m\u00e9dias cidades na Am\u00e9rica Latina, que estas concentravam maior impress\u00e3o e sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a\u00a0 justo em <a href=\"http:\/\/KESSLER, Gabriel. 2009. El sentimiento de inseguridad. Sociolog\u00eda del temor al delito. Buenos Aires: Siglo XXI Editores.\">lugares mais seguros<\/a>. Ou seja, incidiam em estratos sociais que viviam em lugares com pouca manifesta\u00e7\u00e3o de fen\u00f4menos criminais e de viol\u00eancia concreta, por isso, estes estratos sociais tinham e t\u00eam maior propens\u00e3o a difundir discursos de viol\u00eancia simb\u00f3lica e da no\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia com maior associa\u00e7\u00e3o a sua dimens\u00e3o simb\u00f3lica e moralista ou como pol\u00edtica instrumentalizada de forma restrita ao discurso contra viol\u00eancia. E por isso tamb\u00e9m trata-se de um setor social propenso a aceitar pol\u00edticas de toler\u00e2ncia zero. O que explica a &#8220;rea\u00e7\u00e3o conservadora pelos costumes&#8221; de setores de classe m\u00e9dia nos \u00faltimos anos.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Mas, agora a mera sensa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia j\u00e1 n\u00e3o parece ser uma verdade em absoluto, \u00e0 medida que atos de viol\u00eancia no cen\u00e1rio brasileiro encontram-se alastrados por todo o territ\u00f3rio nacional, dada a banaliza\u00e7\u00e3o da mesma pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o e pelos discursos pol\u00edticos em voga. E claro, pela atual pol\u00edtica de seguran\u00e7a p\u00fablica nacional que tem enfoque em repress\u00e3o dura e n\u00e3o tem preocupa\u00e7\u00e3o com abordagens de redu\u00e7\u00e3o de danos.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Esse componente e o avan\u00e7o de processos em oposi\u00e7\u00e3o modulada, por disputas &#8216;discursivas&#8217; nas redes de internet, entre &#8220;direita bolsonaro&#8221; x &#8220;progressismo neoliberal fragmentado (PT, PSDB, PSOL e outros)&#8221; pode gerar o mesmo fen\u00f4meno de dessensibiliza\u00e7\u00e3o que se reputa a situa\u00e7\u00f5es de adapta\u00e7\u00e3o a viol\u00eancia quando n\u00e3o se pode reagir concretamente, dada a natureza adaptativa do que aqui denominamos &#8220;processos de dessensibiliza\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Por isso Feierstein reputa fundamental entender como nos &#8220;alienamos&#8221; dos processos de viol\u00eancia em que vivemos. Este autor tenta encontrar fundamentos em processos muito mais prim\u00e1rios para explicar por que um ser vivo \u00e9 &#8220;adapt\u00e1vel&#8221; ao ponto de perder o registro de sensa\u00e7\u00f5es frente a situa\u00e7\u00f5es em que algu\u00e9m n\u00e3o tem capacidade de agir concretamente.<\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Quando um sistema nervoso \u00e9 submetido a uma agress\u00e3o contra a qual ele n\u00e3o tem chance de reagir (em guerras de comunica\u00e7\u00e3o-desinforma\u00e7\u00e3o isso se intensifica), a \u00fanica resposta adaptativa \u00e9 diminuir sua conex\u00e3o (des sensibiliza\u00e7\u00e3o), a fim de tornar sua continuidade de vida poss\u00edvel. A dor \u00e9 um alerta para a a\u00e7\u00e3o, mas se a a\u00e7\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel, a dor se torna in\u00fatil.<\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Em um pr\u00f3ximo texto, buscaremos apresentar de forma espec\u00edfica elementos desse processo de tecnologia social e alguns vest\u00edgios de seu desenvolvimento no atual cen\u00e1rio brasileiro, frente a adapta\u00e7\u00e3o da sociedade brasileira \u00e0 intensifica\u00e7\u00e3o de processos de viol\u00eancia e dada sua fragmenta\u00e7\u00e3o social super estimulada por meios digitais de socializa\u00e7\u00e3o (internet), excesso de informa\u00e7\u00e3o, desinforma\u00e7\u00e3o constante e guerra institucional dentro de aparatos estatais.<\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\"><em><strong>Luiz Ferreira J\u00fanior \u00e9 advogado, Mestre em Direitos Humanos \u2013 Universidade de San Mart\u00edn (Argentina) e Mestre em Comunica\u00e7\u00e3o Midi\u00e1tica \u2013 UNESP.<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9poca da elimina\u00e7\u00e3o. \u00c9 poss\u00edvel pensar que passamos por um tempo assim: tempo de precariedade material, simb\u00f3lica e nas rela\u00e7\u00f5es humanas, seria melhor para entender o tema. Tratemos desse tema delicado para evitar que seus vest\u00edgios agora presentes se convertam em uma triste trag\u00e9dia. Neste artigo apresenta-se a no\u00e7\u00e3o de genoc\u00eddio como t\u00e9cnica social de constru\u00e7\u00e3o, destrui\u00e7\u00e3o e reorganiza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sociais como base para o dom\u00ednio pol\u00edtico e para a constitui\u00e7\u00e3o de novas formas de hegemonia e de organiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o de trabalho.<br \/>\nN\u00e3o deixe de ler, debater e compartilhar. <\/p>\n","protected":false},"author":30,"featured_media":108120,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3032,14],"tags":[3143,932,3145,1552,3146,75,199,3144,3141,3142],"class_list":["post-108119","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-luiz-ferreira-jr","category-politica-2","tag-autoritarismo","tag-brasil","tag-diego-fusaro","tag-genocidio","tag-glebalizacao","tag-globalizacao","tag-guerra-hibrida","tag-relacoes-sociais","tag-sociedade-fragmentada","tag-tecnologia-social"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/108119","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/30"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=108119"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/108119\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/108120"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=108119"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=108119"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=108119"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}