{"id":107928,"date":"2019-10-02T06:30:56","date_gmt":"2019-10-02T09:30:56","guid":{"rendered":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=107928"},"modified":"2019-10-02T00:58:39","modified_gmt":"2019-10-02T03:58:39","slug":"militancia-z-descobrindo-a-politica-contra-a-doutrinacao-da-tv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=107928","title":{"rendered":"Milit\u00e2ncia Z &#8211; Descobrindo a pol\u00edtica contra a Doutrina\u00e7\u00e3o da TV\u00a0"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>Apenas flashes da minha mem\u00f3ria infantil sobre as elei\u00e7\u00f5es de 89<\/strong>\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Nos idos do final dos anos 80, a professora da primeira ou segunda s\u00e9rie pediu que cri\u00e1ssemos um jingle para um candidato de mentirinha, uma crian\u00e7a da turma, escolhida pelos alunos. Geralmente ganhava o aluno que destacava-se em lideran\u00e7a e comunica\u00e7\u00e3o. A inten\u00e7\u00e3o era fazer uma simula\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que pr\u00f3ximo daquela data realmente haveria elei\u00e7\u00f5es presidenciais e governamentais. Apesar da pouca idade, recordo-me de coisas talvez banais, mas que minha mente de crian\u00e7a guardou para a minha mente de adulta. A mesma mente, de certa maneira. Talvez com um pouco de imagina\u00e7\u00e3o misturada com realidade.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Lembro-me de Collor versus Lula. Collor era o homem que andava de jet-sky e que sei l\u00e1 por que motivo falavam riam de algo que passou na televis\u00e3o a respeito de \u201calgo roxo\u201d. Ele praticava cooper ao redor de um lago. \u00c9 a imagem que tenho daquilo que era mostrado na TV. E foi o que minha mente apreendeu. A televis\u00e3o comunicava de maneira extremamente perspicaz, desde os desenhos feitos para vender brinquedos, at\u00e9 campanhas eleitorais. Anos mais tarde inclusive, escreveu Gilberto Dimenstein \u201cComo n\u00e3o ser enganado nas elei\u00e7\u00f5es\u201d, o que tornou-se leitura escolar.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mas voltando ao aprendizado sobre elei\u00e7\u00f5es na escola, o que hoje leva-me a reflex\u00e3o \u00e9 o fato de que aquela representa\u00e7\u00e3o n\u00e3o compreendeu debate sobre propostas. N\u00e3o foi explanado, nem da maneira mais simples sobre democracia e constitui\u00e7\u00e3o, sendo que aquela era a primeira elei\u00e7\u00e3o p\u00f3s ditadura do Brasil. Havia um peso gigantesco sob a situa\u00e7\u00e3o vivida naquele momento. Pass\u00e1vamos por um marco hist\u00f3rico na nossa fr\u00e1gil e recente democracia, hoje ainda mais demolida. De crian\u00e7a, recordo-me de tantas coisas, das m\u00fasicas das campanhas daquele ano, dos jornais, do rosto dos candidatos, por que pensar que na nossa idade n\u00e3o pud\u00e9ssemos compreender o que realmente significava um processo eleitoral democr\u00e1tico.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O meu olhar de adulta com 37 anos ao rememorar a \u201cmusiquinha\u201d criada na escola para o candidato da sala de aula, faz-me pensar no princ\u00edpio do marketing pol\u00edtico. A escola apenas repetia a televis\u00e3o. E foi isso o que me foi ensinado a respeito das elei\u00e7\u00f5es quando aos sete ou oito anos fizemos uma simula\u00e7\u00e3o de voto. Havia urna, havia o que representava o secreto, embora cada sala seguramente votaria em seu pr\u00f3prio candidato. Tudo bem, foi um exerc\u00edcio l\u00fadico para adentrar no assunto mais falado no pa\u00eds naquele momento. Mais falado al\u00e9m da infla\u00e7\u00e3o, da subida dos pre\u00e7os, das dificuldades di\u00e1rias.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">N\u00e3o fui uma crian\u00e7a que se envolvia ou participava, n\u00e3o por pirra\u00e7a. Tinha dificuldade de relacionamento interpessoal e atividades com envolvimento de muitas pessoas deixavam-me acuada. Entretanto, n\u00e3o por isso, o pensamento, aqui posso dizer cr\u00edtico, fazia-me entender que tudo aquilo um tanto rid\u00edculo, pela obviedade do candidato a ser votado. A atividade era obrigat\u00f3ria, e aprendi ali que o voto tamb\u00e9m era, meio sem querer. O l\u00fadico, sim ensina. E talvez tenhamos perdido a chance de fortalecer nas crian\u00e7as daquela gera\u00e7\u00e3o, minha gera\u00e7\u00e3o, o desejo pela mudan\u00e7a, ou pela perman\u00eancia dela. A import\u00e2ncia da luta contra a ditadura. Tanto foi \u201censinado\u201d naquele per\u00edodo, ent\u00e3o porque n\u00e3o na democracia se est\u00e1vamos aos p\u00e9s da liberdade de express\u00e3o?<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Acredito que o que aprendi realmente sobre elei\u00e7\u00f5es foi em casa. Minha fam\u00edlia nunca denominou-se classe m\u00e9dia, embora tiv\u00e9ssemos televis\u00e3o e geladeira. Lembro do livro escolar falar em classe A, B, C, AB, BC. Princ\u00edpio de geografia humana. J\u00e1 era o empregar de uma ideologia enfraquecedora de classes, divisora entre quem tem mais e quem tem menos. Eram os valores que hoje s\u00e3o e est\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Meus pais sempre relataram suas origens, dificuldades, necessidades extremas de sobreviv\u00eancia. Eu e meu irm\u00e3o t\u00ednhamos certa no\u00e7\u00e3o de que trabalhar era dif\u00edcil,\u00a0 assim como adquirir dinheiro. Caso ped\u00edssemos algo de desejo de crian\u00e7a, pergunt\u00e1vamos aos nossos pais se era caro, se seria poss\u00edvel comprar. Ou nem ped\u00edamos, nunca nos exced\u00edamos. Sab\u00edamos que os tempos eram dif\u00edceis. Mas pra mim, era simplesmente dif\u00edcil. Eu n\u00e3o tinha compara\u00e7\u00e3o de um antes e depois. Praticamente nasci no que se chamou de Estado Democr\u00e1tico de Direito. A Constitui\u00e7\u00e3o Federativa do Brasil nasceu quando nasci. Eu nem sabia que o terror da ditadura estava colado ao nosso tempo. Parecia-me uma conquista antiga. Fotos e v\u00eddeos em preto e branco. Eu era uma crian\u00e7a com menos de 10.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Aqui falo de lembran\u00e7as infantis, do presidente Sarney aparecendo na TV com o seu jarg\u00e3o \u201cbrasileiros e brasileiras\u201d. Meu pai falava imitando, eu repetia sem saber que se tratava de ironia pura. Era um momento de possibilidade de mudan\u00e7a naqueles dif\u00edceis tempos, vindos de outros dif\u00edceis tempos, nascidos de dif\u00edceis tempos. A hist\u00f3ria do Brasil foi e \u00e9 constru\u00edda disso. Para os mais pobres, sempre tempos dif\u00edceis.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Eu ouvia sobre elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o apenas na escola e em casa perguntas sobre aquele momento eram respondidas. Eu sentia no peito a esperan\u00e7a do Lula, como heran\u00e7a familiar, sim. Sem a menor vergonha de dizer. \u201cBrilharia uma estrela\u201d. Fui achincalhada na escola por dizer-me petista, ou nas minhas palavras da \u00e9poca, por dizer simplesmente que gostava de Lula e preferia ele a Collor. Estudava em uma escola particular por meio de bolsa e do esfor\u00e7o absurdo dos meus pais que sempre colocaram o estudo em primeiro lugar. Era um valor familiar carregado nas costas com o sofrimento: estudar nos traria uma seguran\u00e7a e estabilidade financeira maior.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os pais dos alunos da minha escola em sua maioria eram \u201ccolloridos\u201d. O irm\u00e3o mais velho de algum deles dizia que votaria nele porque ele era bonito. Eu n\u00e3o entendia. Mas o que ele dizia aparecia na TV.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por que votariam num homem feio que diziam bonito, que gostava de esportes e que \u201cca\u00e7aria maraj\u00e1s\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">_M\u00e3e, o que \u00e9 maraj\u00e1?\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Pobre m\u00e3e, hoje penso. Explicar o que era maraj\u00e1 e explicar tudo. Fui e sou a menina dos porqu\u00eas. Sem fase. Perguntei durante inf\u00e2ncia, adolesc\u00eancia, vida adulta.\u00a0 Eu n\u00e3o consegui a tal palavra \u201cmaraj\u00e1\u201d e continuava a perguntar o porqu\u00ea de tudo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Trazendo para os dias de hoje, \u00e9 estranho e absurdo que digam que escolas doutrinem crian\u00e7as com o comunismo, o marxismo, seja o que for. Que professores estejam dispostos a tal doutrina\u00e7\u00e3o e que como escrito no plano de governo do atual presidente Jair Bolsonaro, isso iria acabar. Leio as apostilas do ensino m\u00e9dio de quando estudei e \u00e9 claro o liberalismo econ\u00f4mico exposto como salva\u00e7\u00e3o. Os livros de hist\u00f3ria eram tendenciosos quanto a hist\u00f3ria, rasos e amenizavam a explora\u00e7\u00e3o escravista, entre outras coisas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Sou de uma gera\u00e7\u00e3o de pessoas que s\u00e3o um tapeware vazio, f\u00e1cil de serem preenchidos, porque n\u00e3o possuem mem\u00f3ria, criticidade e possuem uma necessidade de serem preenchidos. O que foi que nos faltou para acreditar com tanta facilidade em not\u00edcias falsas? E nisto baseou-se a elei\u00e7\u00e3o de 2018. Al\u00e9m de currais eleitorais igrejas neopentecostais com membros que acreditam nas mentiras do \u201cmessias\u201d batizado em Israel. Um projeto que vivenciei em parte na passagem da adolesc\u00eancia para a vida adulta, mas que n\u00e3o percebi na \u00e9poca a gravidade do que se tratava. Pastores candidatos subindo ao p\u00falpito com a promessa de que Deus estaria no \u201cpoder\u201d. L\u00edderes espirituais usando de sua autoridade para arrebanhar votos. E como isso foi feito! Simplesmente nojento de se ver, desculpem-me a palavra.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A Igreja com projetos eleitorais de curto, m\u00e9dio e longo prazo. Elabora\u00e7\u00e3o da tomada do poder com uma linguagem que arrebanhou a juventude com c\u00e2nticos incr\u00edveis, superprodu\u00e7\u00f5es de shows, palestras e vendas dos chamados \u201cartigos evang\u00e9licos\u201d, al\u00e9m da cria\u00e7\u00e3o de l\u00edderes poderosos em suas palavras, influenciadores no brasil inteiro. Era a palavra de Deus, afinal Linguagens diferentes apresentando o mesmo projeto da Igreja no Estado, como uma necessidade e ordenamento b\u00edblico.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mas n\u00e3o era sobre isso que falava. Deixando as lembran\u00e7as adolescentes e na verdade misturando sentimentos agora de uma grande derrota perante uma cegueira. Essa derrota, desde o golpe atual eu senti na garganta e de maneira muito amarga. Porque guardo no peito uma alegria triste: a lembran\u00e7a da imagem do meu irm\u00e3o desenhando uma estrela vermelha e colando do lado de fora da porta da sala de casa. Aquele desenho de crian\u00e7a, imperfeito, por\u00e9m cheio de esperan\u00e7a. Ele cantava a m\u00fasica Lula-l\u00e1. E foi um momento t\u00e3o emocionante, \u00e9 uma lembran\u00e7a que transborda emo\u00e7\u00f5es diferentes, n\u00e3o sei se por tudo o que aconteceu em seguida. Uma lembran\u00e7a que me aperta o peito e traz l\u00e1grimas. Talvez pela &#8220;esperan\u00e7a singela&#8221; do rosto de um menino. Uma esperan\u00e7a que me contagiou.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Nunca tire a esperan\u00e7a de uma crian\u00e7a.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ainda que tenha ganhado a elei\u00e7\u00e3o o tal ca\u00e7ador de maraj\u00e1s. Hoje sei o significado. Mas prefiro a lembran\u00e7a da espera infantil por um bom futuro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Hoje sei com certeza que a Esperan\u00e7a tornou-se Luta.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>Marcele Luize, jornalista e escritora.<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Constitui\u00e7\u00e3o Federativa do Brasil nasceu quando nasci. Eu nem sabia que o terror da ditadura estava colado ao nosso tempo. Parecia-me uma conquista antiga. Fotos e v\u00eddeos em preto e branco. Eu era uma crian\u00e7a com menos de 10.\u00a0<br \/>\nEu ouvia sobre elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o apenas na escola e em casa perguntas sobre aquele momento eram respondidas. Eu sentia no peito a esperan\u00e7a do Lula, como heran\u00e7a familiar, sim. Sem a menor vergonha de dizer. \u201cBrilharia uma estrela\u201d. Fui achincalhada na escola por dizer-me petista, ou nas minhas palavras da \u00e9poca, por dizer simplesmente que gostava de Lula e preferia ele a Collor.<br \/>\nRememorem! Tragam a mem\u00f3ria o que lhes foi dito. Fomos doutrinados pela televis\u00e3o, mais tarde pela internet e sempre para o consumo.<br \/>\nLeia, debata, e aumente esta corrente de Luta!<\/p>\n","protected":false},"author":30,"featured_media":107929,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[3121,3123,3122,3120,3115,3118,413,1085,109,251,49,1008,3034,3116,3119,1669,3124,3117,158,3113,274,89,3114],"class_list":["post-107928","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-home","tag-3121","tag-cacador-de-marajas","tag-collor","tag-constituicao-federal","tag-formacao-politica","tag-geracoes","tag-globo","tag-globo-golpista","tag-golpe","tag-jose-sarney","tag-lula","tag-lula-livre","tag-marcele-luize","tag-meios-de-comunicacao","tag-memoria-politica","tag-militancia-digital","tag-militantes-petistas","tag-neopentecostais","tag-populismo","tag-psicanalise","tag-pt","tag-rede-globo","tag-sujeito-politico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/107928","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/30"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=107928"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/107928\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/107929"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=107928"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=107928"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=107928"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}