{"id":107669,"date":"2019-09-20T20:23:51","date_gmt":"2019-09-20T23:23:51","guid":{"rendered":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=107669"},"modified":"2019-09-20T20:27:30","modified_gmt":"2019-09-20T23:27:30","slug":"uma-breve-historia-da-banca-as-transformacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=107669","title":{"rendered":"Uma Breve Hist\u00f3ria da Banca &#8211; As Transforma\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Pedro Augusto Pinho<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\"><b>Ascens\u00e3o e Queda<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Por todo s\u00e9culo XIX, acompanhando a expans\u00e3o inglesa, a banca dominou a economia. Por\u00e9m as antigas 13 col\u00f4nias do norte da Am\u00e9rica, independentes desde 1783, cresciam, incorporavam novos territ\u00f3rios, pelas armas e pelo dinheiro, e colocavam o Estado para suportar os custos e as perdas da industrializa\u00e7\u00e3o.\u00a0 Chegavam ao fim do s\u00e9culo XIX avan\u00e7ando sobre as col\u00f4nias asi\u00e1ticas dos imp\u00e9rios europeus.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Politicamente, a banca estava na Inglaterra (terra mater) entre conservadores e entre liberais, na C\u00e2mara dos Comuns.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">As estat\u00edsticas fornecidas por Cain &amp; Hopkins (obra j\u00e1 citada), as classifica\u00e7\u00f5es de Ellis Archer Wasson (The English Historical Review, vol. 106, no. 420, jul\/1991) e dados obtidos na Wikipedia nos permitem montar o quadro evolutivo da banca e da ind\u00fastria, na representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, da segunda metade do s\u00e9culo XIX aos momentos que precedem a I Grande Guerra.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Em 1868, apenas com liberais e conservadores, a representa\u00e7\u00e3o &#8211; fundi\u00e1ria e mercantil financeira &#8211;\u00a0 da banca totalizava mais da metade da House of Commons, 316 assentos, estando a representa\u00e7\u00e3o industrial com somente 58 eleitos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Em 1910, al\u00e9m de liberais e conservadores, majorit\u00e1rios, por\u00e9m com representantes de partidos irlandeses e trabalhista, os fundi\u00e1rios e financeiros mercantis ainda somavam a maioria com 181 parlamentares, mas a ind\u00fastria j\u00e1 avan\u00e7ara para 129 membros.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">A queda da banca n\u00e3o est\u00e1 necessariamente associada ao encolhimento do Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico, mas o acompanha, em grande medida, Os citados historiadores Cain &amp; Hopkins consideram a chamada Crise Baring, de 1890, um ponto de inflex\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Baring Bros, prestigiosa empresa da City, concedeu o substancial empr\u00e9stimo de 17 milh\u00f5es de libras esterlinas \u00e0 Argentina. Lembro ao caro leitor que a Argentina prosperou, entre o fim do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do XX, como informal col\u00f4nia inglesa, fornecedora de bens prim\u00e1rios.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">A Argentina n\u00e3o teve como honrar a d\u00edvida e este fato, na an\u00e1lise das autoridades inglesas, poderia gerar uma crise internacional de liquidez. A banca que vive das d\u00edvidas sofreria seriamente. Revelando os estreitos liames do mundo das finan\u00e7as, o Banco da Inglaterra garantiu, com a subscri\u00e7\u00e3o total da d\u00edvida argentina, a solidez do Baring.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Coloco nas palavras dos j\u00e1 citados historiadores ingleses, em tradu\u00e7\u00e3o livre, sua avalia\u00e7\u00e3o:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">&#8220;As pr\u00e1ticas do Banco (da Inglaterra) n\u00e3o eram conspirat\u00f3rias: seu presidente (governor) realmente acreditava que a melhor maneira de enfrentar a crise era aumentando a for\u00e7a das redes informais que possibilitavam o cavalheiresco controle capitalista do financiamento&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\"><span style=\"font-weight: 400\">Na passagem dos s\u00e9culos XIX para XX, ocorreu o &#8220;encilhamento&#8221; no Brasil. Este fen\u00f4meno de especula\u00e7\u00e3o financeira na bolsa de valores tamb\u00e9m eclodiu nos EUA, em Nova Iorque, em col\u00f4nias inglesas, como a Austr\u00e1lia, e tamb\u00e9m foi causa do que se passou na Argentina. Estes fatos est\u00e3o relatados com detalhes em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">3 Industrialistas Brasileiros &#8211; Mau\u00e1-Rui Barbosa-Simonsen<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, de Heitor Ferreira Lima (Editora Alfa-Omega, SP, 1976).<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\"><b>Chegada da Banca ao Brasil<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">A banca desembarca com a fam\u00edlia real portuguesa em nosso territ\u00f3rio. A Inglaterra, suportando Portugal, ter\u00e1 no Brasil, a partir de 1808 e at\u00e9 1889, uma col\u00f4nia de segundo n\u00edvel. Apenas como curiosidade perpassarei as Leis n\u00ba 3.396 e 3.397, ambas de 24\/11\/1888, que, respectivamente, or\u00e7am a receita e fixa a despesa do Imp\u00e9rio Brasileiro, para 1889.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">A receita geral do Imp\u00e9rio somou 147.200.000$000 e a despesa 153.148.442$297.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Desta \u00faltima se conhece que:<\/span><\/p>\n<ol>\n<li><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">a) a fam\u00edlia Imperial onerava o Tesouro, apenas com os gastos pessoais, em 1.091.900$000;<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">b) os senadores custavam 540.000$000 e os deputados 750.000$000;<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">c) a Marinha gastaria 11.313.619$125 e o Ex\u00e9rcito 15.031.706$173; e<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\"><span style=\"font-weight: 400\">d) os encargos financeiros (juros, amortiza\u00e7\u00f5es, comiss\u00f5es e corretagens) somavam 47.504.111$000 (valores em moeda da \u00e9poca, apud Liberato de Castro Carreira, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Hist\u00f3ria Financeira e Or\u00e7ament\u00e1ria do Imp\u00e9rio do Brasil<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, Senado Federal, MEC, Bras\u00edlia, 1980, 2 vol.).<\/span><\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Na citada obra de Castro Carreira, constatamos que, em 1885 e 1886, a despesa maior do Imp\u00e9rio estava na \u00e1rea financeira, sendo mais de quatro vezes a do Ex\u00e9rcito e mais do que o dobro de toda despesa com as For\u00e7as Armadas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\"><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 o inequ\u00edvoco sinal da preced\u00eancia da banca no or\u00e7amento brasileiro. E, sem surpresa, lemos no financista franc\u00eas, liberal, Paul Leroy-Beaulieu (1843-1916) elogios \u00e0 &#8220;sabedoria dos homens de Estado&#8221; que colocam as despesas financeiras com preced\u00eancia \u00e0s da sa\u00fade e da educa\u00e7\u00e3o (P. L-B, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">De la colonisation chez les peuples modernes<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">,Guillaumin,\u00a0 Paris, 1882).<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Este predom\u00ednio da banca sofre o rev\u00e9s da Revolu\u00e7\u00e3o de 1930 e do empoderamento industrial com a supremacia estadunidense sobre a inglesa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">No per\u00edodo denominado os 30 gloriosos, onde o mundo conheceu progresso econ\u00f4mico e social &#8211; de 1945 a 1975 &#8211; a banca n\u00e3o foi parte do poder, mas da oposi\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\"><b>Reconquista do Poder<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">A banca usou a especula\u00e7\u00e3o e a farsa para conquista do poder. No entanto, at\u00e9 sua nova m\u00e1scara no s\u00e9culo XX, ela usava a d\u00edvida como principal arma.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Vejamos, por exemplo, os tra\u00e7ados das ferrovias na \u00cdndia e, tamb\u00e9m, no Brasil. Foram constru\u00eddas com o objetivo de fazer chegar aos portos os produtos prim\u00e1rios para exporta\u00e7\u00e3o e internalizar os produtos industriais importados. Estas ferrovias foram financiadas pela banca de modo a manter estes pa\u00edses sempre sob seu jugo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">A economia industrial, desenvolvida com maior profici\u00eancia pelos Estados Unidos da Am\u00e9rica (EUA), tem sua expans\u00e3o na demanda dos produtos. Cria\u00e7\u00e3o e conquistas de mercado, pesquisas tecnol\u00f3gicas para novos produtos passam a ser os objetivos, substituindo a imposi\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas do per\u00edodo da banca.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Surge ent\u00e3o, como oposi\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento industrial, o ambientalismo. Colocam a polui\u00e7\u00e3o como respons\u00e1vel pela degrada\u00e7\u00e3o da qualidade do ar, por doen\u00e7as e, como amea\u00e7a m\u00e1xima, pelo fim do homem na Terra.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Recentes pesquisas antropol\u00f3gicas evidenciam que civiliza\u00e7\u00f5es da costa oriental do M\u00e9xico foram destru\u00eddas por acidentes naturais que ocorriam, aproximadamente, a cada seis s\u00e9culos, ap\u00f3s a passagem de El Ni\u00f1o ou La Ni\u00f1a. O volume e velocidade com que surgiam as mega inunda\u00e7\u00f5es n\u00e3o tinham qualquer rela\u00e7\u00e3o com a a\u00e7\u00e3o humana, inclusive por ocorrerem antes da \u00e9poca crist\u00e3. Ver, a prop\u00f3sito, o programa do Discovery Civilization &#8220;Civiliza\u00e7\u00e3o Inundada&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">A grande fraude que a banca usar\u00e1, no in\u00edcio da reconquista do poder, est\u00e1 ligada \u00e0 ecologia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Tanto que as crises econ\u00f4mico-financeiras que provocar\u00e1 a partir da segunda metade do s\u00e9culo XX come\u00e7am como o que denominaram &#8220;crises do petr\u00f3leo&#8221;, o poluidor motor da industrializa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">As &#8220;crises&#8221; foram, na verdade, instrumentos da banca para causar estragos na civiliza\u00e7\u00e3o industrial, retroceder a economia at\u00e9 o ponto em que poderiam administr\u00e1-la e, um objetivo que surge aliado \u00e0 ideologia neoliberal, destruir os Estados Nacionais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Esta ser\u00e1 a nova m\u00e1scara da banca, a defesa do meio ambiente, do Estado m\u00ednimo, e de quest\u00f5es transcorrentes e identit\u00e1rias que a identifiquem com a liberdade, sendo por isso muito conveniente aliar-se a outra farsa: a ideologia neoliberal.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\"><b>Sum\u00e1rio das Crises<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">As crises ter\u00e3o tr\u00eas prop\u00f3sitos, n\u00e3o necessariamente simult\u00e2neos, ao longo de suas eclos\u00f5es: combater a economia industrial, empoderar a moeda escolhida pela banca &#8211; o d\u00f3lar estadunidense (USD) &#8211; e promover, inclusive internamente, isto \u00e9, dentro do sistema financeiro, a concentra\u00e7\u00e3o de renda.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Identificamos dois caminhos constru\u00eddos pela banca. Um de natureza psicossocial que tratar\u00e1 das quest\u00f5es ecol\u00f3gicas, ainda hoje permanentes. Outro de natureza econ\u00f4mica e pol\u00edtica, que servir\u00e1 para as data\u00e7\u00f5es que se seguem.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Mas \u00e9 importante deixar registrado que a banca, usando suas m\u00faltiplas m\u00e1scaras, confundiu a pol\u00edtica partid\u00e1ria de tal sorte que conservadores ingleses e socialistas franceses adotavam as mesmas propostas econ\u00f4micas e sociais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Governo e oposi\u00e7\u00e3o, no dom\u00ednio da banca, n\u00e3o ter\u00e3o mais diverg\u00eancias de conte\u00fado, ambos atuar\u00e3o em conson\u00e2ncia com os interesses do sistema financeiro internacional. E as m\u00eddias tem sido, desde o primeiro momento, o instrumnto da vocaliza\u00e7\u00e3o das palavras de ordem e dos interesses rentistas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\"><b>1971<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> &#8211; Fim do acordo de\u00a0 Bretton Woods. Alguns analistas atribuem aos gastos excessivos dos EUA no exterior e especialmente com a Guerra do Vietn\u00e3. Mas a fixa\u00e7\u00e3o de um imut\u00e1vel padr\u00e3o monet\u00e1rio nem mesmo salvou a Inglaterra da derrocada de seu imenso Imp\u00e9rio. \u00c9 uma das teorias econ\u00f4micas que desdenha a realidade da vida e dos interesses sociais. Na sequ\u00eancia, Richard Nixon desvalorizou o USD, aumentou a taxa de juros e criou um cen\u00e1rio para crises. Mas \u00e9 sempre importante lembrar que o d\u00f3lar estadunidense passou a ser a &#8220;moeda oficial&#8221; das transa\u00e7\u00f5es petroleiras, gra\u00e7as aos acordos dos EUA com pa\u00edses \u00e1rabes exportadores, em especial a Ar\u00e1bia Saudita.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Para o Brasil, estas crises dos anos 1970 ir\u00e3o desembocar na &#8220;crise da d\u00edvida&#8221;, uma das armas da banca para definir a sucess\u00e3o do Presidente Ernesto Geisel.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\"><b>1973<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> &#8211; Primeira crise do petr\u00f3leo. H\u00e1 duas considera\u00e7\u00f5es relevantes sobre 1973.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">A mais evidente \u00e9 a solidez do acordo EUA-OPAEP (Organiza\u00e7\u00e3o dos Pa\u00edses \u00c1rabes Exportadores de Petr\u00f3leo). A outra \u00e9 a viabiliza\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o no Mar do Norte. A aventura petroleira offshore j\u00e1 ocupa extensa literatura. Vou me referir apenas ao que se vincula a esta crise. O pre\u00e7o do petr\u00f3leo cru, em moeda constante, estava praticamente imut\u00e1vel, igual ou inferior a 1 USD, desde antes da II Grande Guerra. Era consequ\u00eancia do modelo colonial de exporta\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias primas. Os pre\u00e7os dos derivados, por outro lado, variaram extraordinariamente. Em 1959, descobriu-se g\u00e1s natural no litoral holand\u00eas. E, no ano seguinte, os pa\u00edses do Mar do Norte tra\u00e7aram entre si as fronteiras para explora\u00e7\u00e3o dos recursos naturais. Em 1968, com dois anos de perfura\u00e7\u00f5es, foram descobertos sinais de hidrocarbonetos e logo ap\u00f3s uma descoberta comercial. Os custos da produ\u00e7\u00e3o eram muito altos para justificarem a produ\u00e7\u00e3o aos pre\u00e7os pagos pelas grandes petroleiras (majors). A Guerra do Yom Kippur foi usada para explicar o aumento de US$ 2,50 para US$ 11,50, o barril.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\"><b>1979<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> &#8211; A derrocada do t\u00edtere estadunidense no Ir\u00e3, Reza Pahlevi, e a nova Rep\u00fablica Isl\u00e2mica, serviram como pretexto para novos aumento que chegaram ao pre\u00e7o nominal de USD 50\/barril.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Podemos ent\u00e3o concluir que estas crises, dos anos 1970, abriram as portas para o grande feito da banca nos anos 1980: a desregula\u00e7\u00e3o das finan\u00e7as, come\u00e7ando na Inglaterra de Margaret Thatcher, passando pelos EUA de Ronald Reagan e tomando todo mundo, com a simb\u00f3lica queda do Muro de Berlim (1989) e o fim da Uni\u00e3o das Rep\u00fablicas Socialistas Sovi\u00e9ticas (URSS).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Gosto de definir o ano de 1990 como do surgimento da nova banca.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Se a banca fora formada pelos capitais da aristocracia inglesa, e a aqueles vieram se somar \u00e0s bilion\u00e1rias fam\u00edlias estadunidenses, belgas, holandesas, su\u00ed\u00e7as, japonesas e outras ao longo do s\u00e9culo XX, agora, com as desregula\u00e7\u00f5es, os capitais il\u00edcitos, do narcotr\u00e1fico, dos contrabandos de armas e \u00f3rg\u00e3os humanos, de toda corrup\u00e7\u00e3o internacional, encontraram a porta aberta para lavarem e investirem legalmente os ganhos do crime.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Se a gest\u00e3o da banca fora dos Rothschild, dos Morgan, Rockefeller, Grosvenor, Walden, Rothermere e outros bilion\u00e1rios, hoje est\u00e1 entregue a executivos (Chief Executive Officers &#8211; CEO) que s\u00e3o mais sens\u00edveis aos argumentos marginais. Esta \u00e9, entre diversas outras mazelas, uma das raz\u00f5es do aparente desconcerto que frequentemente nos deixa perplexos com decis\u00f5es da banca. Se houve, em certo momento, uma inseguran\u00e7a internacional que se poderiam gerar Estados Narcotraficantes, hoje \u00e9 o mundo que vive sob suas prioridades.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">A este respeito temos o fato ocorrido nos EUA, no in\u00edcio de julho de 2019, com a apreens\u00e3o de navio do JP Morgan, um dos grandes fundos financeiros internacionais, com US$ 2,78 trilh\u00f5es em aplica\u00e7\u00f5es (agosto de 2018), que carregava 1 bilh\u00e3o de d\u00f3lares em coca\u00edna (https:\/\/revistaforum.com.br\/global\/navio-do-banco-jp-morgan-e-apreendido-com-20-toneladas-de-cocaina-no-valor-de-us-1-bilhao). Este navio tem capacidade para 10.000 containers.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Passemos a relatar as crises da consolida\u00e7\u00e3o do poder da banca.<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Crise de 1987 &#8211; Em 19 de outubro de 1987, a Bolsa de New York despenca e os ativos s\u00e3o depreciados em 22,6%. Atinge tamb\u00e9m a Europa e a \u00c1sia. Penso que foi um teste para o mecanismo que transferiria bens p\u00fablicos para cobrir os d\u00e9ficits especulativos pela via das privatiza\u00e7\u00f5es. As consequ\u00eancias n\u00e3o cabem neste artigo mas merecem uma cuidadosa an\u00e1lise as falhas e os erros que vem sendo cometidos neste novo gerenciamento voltado unicamente para o lucro. Os casos Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais, poderiam ser inclu\u00eddos como exemplares.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Crise de 1990 &#8211; Da bolha imobili\u00e1ria japonesa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Crise de 1992 \u2013 Sistema Monet\u00e1rio Europeu<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Crise de 1994 \u2013 \u201cEl Horror de Diciembre\u201d no M\u00e9xico<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Crise de 1997 \u2013 &#8220;Crise dos Gigantes Asi\u00e1ticos\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Crise de 1998 \u2013 Finan\u00e7as da R\u00fassia<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Crise de 1999 \u2013 Crise da reelei\u00e7\u00e3o de FHC<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Crise de 2000 \u2013 Ponto com ou da Bolha da Internet<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Crise de 2001-2002: \u201cA crise argentina\u201d. O Governo n\u00e3o possu\u00eda fundos para manter a paridade fixa do peso ante o d\u00f3lar e, perante a sa\u00edda de capitais, imp\u00f4s restri\u00e7\u00f5es \u00e0 retirada de dep\u00f3sitos banc\u00e1rios, uma medida conhecida como Corralito. Em dezembro de 2001, Buenos Aires suspendeu o pagamento da d\u00edvida, de quase US$ 100 bilh\u00f5es. Em janeiro de 2002, o presidente Eduardo Duhalde se viu obrigado a terminar com a paridade e transformou em pesos os dep\u00f3sitos banc\u00e1rios em d\u00f3lares. Uma boa li\u00e7\u00e3o para o Roberto Campos Neto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Todas estas crises, de 1990 a 2002, surgiram, na realidade, dos dois \u00fanicos objetivos permanentes da banca; sob m\u00e1scaras diversas foram transferidos ativos p\u00fablicos e privados em todo mundo para o sistema financeiro e, como \u00f3bvio, promovendo concentra\u00e7\u00e3o de renda.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">As crises de 2008 a 2010, tendo como epicentros os EUA e a Uni\u00e3o Europeia (Gr\u00e9cia, Espanha, It\u00e1lia), em meu modesto entender, representam o rearranjo interno da banca pela ascend\u00eancia do capital marginal. Esta nova configura\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o se completou o que nos indica o eclodir de uma nova &#8220;crise&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif\">Pedro Augusto Pinho, av\u00f4, administrador aposentado<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: helvetica, arial, sans-serif\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por todo s\u00e9culo XIX, acompanhando a expans\u00e3o inglesa, a banca dominou a economia. Por\u00e9m as antigas 13 col\u00f4nias do norte da Am\u00e9rica, independentes desde 1783, cresciam, incorporavam novos territ\u00f3rios, pelas armas e pelo dinheiro, e colocavam o Estado para suportar os custos e as perdas da industrializa\u00e7\u00e3o.\u00a0 Chegavam ao fim do s\u00e9culo XIX avan\u00e7ando sobre as col\u00f4nias asi\u00e1ticas dos imp\u00e9rios europeus.<br \/>\nA queda da banca n\u00e3o est\u00e1 necessariamente associada ao encolhimento do Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico, mas o acompanha, em grande medida, Os citados historiadores Cain &amp; Hopkins consideram a chamada Crise Baring, de 1890, um ponto de inflex\u00e3o. N\u00e3o deixe de ler, compartilhar e debater. <\/p>\n","protected":false},"author":30,"featured_media":107672,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17,2736,2986,1599,20],"tags":[293,936,3038,932,2134,2871,386],"class_list":["post-107669","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-analise-de-conjuntura","category-geopolitica","category-guerra-hibrida","category-pedro-augusto-pinho","category-politica-internacional","tag-america-latina","tag-argentina","tag-banca-internacional","tag-brasil","tag-estados-unidos","tag-historia-da-banca","tag-inglaterra"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/107669","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/30"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=107669"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/107669\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/107672"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=107669"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=107669"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=107669"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}