{"id":106428,"date":"2019-07-13T13:40:55","date_gmt":"2019-07-13T16:40:55","guid":{"rendered":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=106428"},"modified":"2019-07-13T13:40:55","modified_gmt":"2019-07-13T16:40:55","slug":"belas-monstruosidades-elementos-para-uma-contraofensiva-progressista-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=106428","title":{"rendered":"Belas monstruosidades: elementos para uma contraofensiva progressista # 1"},"content":{"rendered":"<p><em>Esconder a realidade das pessoas s\u00f3 faz com que elas estejam despreparadas para enfrentar os eventuais desafios que venham a surgir. Imensa parte do nosso problema de incapacidade de luta efetiva vem de que a esquerda hoje \u00e9 uma esquerda institucionalista, lacradora, cheirosa e no pom-pom, dominada por um bando de universit\u00e1rio classe m\u00e9dia branca social-banana que arrota palavras de ordem e conclus\u00f5es sofisticad\u00edssimas, mas na hora do \u201cvamo-ver\u201d deixa o pov\u00e3o tomar na tarraqueta sozinho. O campo progressista de luta ou engrossa o couro ou n\u00e3o ter\u00e1 qualquer chance de vencer. Como diria minha m\u00e3e: se n\u00e3o quer brincar n\u00e3o desce pro playground.<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-106466\" src=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Untitled-collage-43-1.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Untitled-collage-43-1.jpg 800w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Untitled-collage-43-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Untitled-collage-43-1-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 24pt;\"><strong>Belas monstruosidades: elementos para a organiza\u00e7\u00e3o de uma contraofensiva progressista no Brasil # 1<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>Por Fernando Nogueira Martins Jr., para o Duplo Expresso<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>\u201c\u00c9 mil vezes mais f\u00e1cil se tornar um acad\u00eamico radical do que um oper\u00e1rio militante: o primeiro curso de a\u00e7\u00e3o leva \u00e0 editora Penguin Books Ltd., e o segundo \u00e0 lista negra.\u201d<br \/>\n<\/em>Jock Young, \u201cCriminologia da Classe Trabalhadora\u201d<\/span><\/p>\n<p>1. Hoje, agora, n\u00e3o h\u00e1 qualquer resist\u00eancia de f\u00f4lego ao avan\u00e7o do estado de exce\u00e7\u00e3o antipovo e antinacional no pa\u00eds. Apesar de textos fortes, de v\u00eddeos bacanas, de falas engajadas, (quase) nada \u00e9 feito de efetivo e eficaz para barrar a ofensiva ultradireitista liberal-conservadora. Mesmo o incans\u00e1vel combate do Duplo Expresso ainda \u00e9 muito pouco para que se consiga bater de frente pesadamente com a banca entreguista genocida lambe-botas da gringalhada. Caso o quadro n\u00e3o se reverta, de alguma maneira, no curto-m\u00e9dio prazo (ou apenas no curto prazo \u2013 talvez seja mais tarde do que pensamos&#8230;), n\u00e3o haver\u00e1 pa\u00eds para se salvar, n\u00e3o haver\u00e1 Brasil para nossos filhos e netos e bisnetos.<\/p>\n<p>2. O diagn\u00f3stico \u00e9 claro, e vem sendo repetido \u00e0 exaust\u00e3o por muita gente: o campo progressista est\u00e1 bovinamente ap\u00e1tico, n\u00e3o entra na luta, e as massas devastadas pela pobreza e pela humilha\u00e7\u00e3o assim permanecem, bovinamente aceitando a hiperexplora\u00e7\u00e3o (t\u00edpica de um pa\u00eds dependente e subdesenvolvido como o nosso) e mesmo o exterm\u00ednio (cada vez mais intenso e impune, em especial contra a juventude negra, pobre e perif\u00e9rica). O Brasil, reprimarizado em sua economia, tamb\u00e9m \u00e9 reprimarizado politicamente: um fazend\u00e3o cada vez maior, cheio de gado nos latif\u00fandios, e cheio de gado nos progressismos \u2013 atuais e potenciais.<\/p>\n<p>3. Como sair do choror\u00f4 eterno \u2013 e t\u00e3o confort\u00e1vel \u2013 de se reconhecer impotente, mas \u201cdo lado certo da Hist\u00f3ria\u201d? Estar \u201ccerto\u201d NADA significa se tal certeza n\u00e3o tem efetividade e realidade no concreto da vida cotidiana das pessoas. Por exemplo, de nada adianta saber da ilegalidade da viol\u00eancia policial se esse saber n\u00e3o tem for\u00e7a para parar a matan\u00e7a dos nossos jovens. E esse \u00e9 um dos problemas mais graves do nosso campo: sabemos o que acontece, analisamos bem, mas n\u00e3o nos preocupamos o bastante para transformar nossos saberes e nossas an\u00e1lises em instrumentos (ou mesmo armas) nas m\u00e3os do povo, aptos a imprensar contra a parede \u2013 com direito a faca no pesco\u00e7o \u2013 a canalha vende-p\u00e1tria racista e elitista que hoje guia os rumos do pa\u00eds. Nosso problema, j\u00e1 desde h\u00e1 muito tempo, \u00e9 o PODER, sem o qual tudo \u00e9 ilus\u00e3o. E parte da nossa desgra\u00e7a \u00e9 determos um saber (acad\u00eamico, militante, popular) que n\u00e3o se traduz em nenhum poder social real. Somos boc\u00f3s bem pensantes debatendo as mis\u00e9rias do pa\u00eds enrolados em requintados cachec\u00f3is, tomando um bom vinho com boas companhias. No fundo, um suave jazz-samba nos leva a lembrar, ainda que involuntariamente, que o horror dos cad\u00e1veres pretos e mutilados n\u00e3o se apresentar\u00e1 \u00e0 nossa branca e bem ordenada porta.<\/p>\n<p>4. Podemos pensar alguns elementos para sairmos da letargia e da paralisia pol\u00edtica. E algumas pessoas, ao ver o teor brutal e pol\u00eamico desses elementos, podem achar que falar desse tipo de coisa \u201cn\u00e3o ajuda em nada\u201d, pois assusta as pessoas e faz com que alguns recuem do necess\u00e1rio enfrentamento pol\u00edtico. <em>Eu discordo<\/em>. Por duas raz\u00f5es: 1) Porque esconder a realidade das pessoas s\u00f3 faz com que elas estejam despreparadas para enfrentar os eventuais desafios que venham a surgir. Imensa parte do nosso problema de incapacidade de luta efetiva vem de que a esquerda hoje \u00e9 uma esquerda institucionalista, lacradora, cheirosa e no pom-pom, dominada por um bando de universit\u00e1rio classe m\u00e9dia branca social-banana que arrota palavras de ordem e conclus\u00f5es sofisticad\u00edssimas, mas na hora do \u201cvamo-ver\u201d deixa o pov\u00e3o tomar na tarraqueta sozinho. O campo progressista de luta ou engrossa o couro ou n\u00e3o ter\u00e1 qualquer chance de vencer. Como diria minha m\u00e3e: se n\u00e3o quer brincar n\u00e3o desce pro <em>playground<\/em>. 2) Porque espantar quem quer que seja n\u00e3o ir\u00e1 piorar nossa situa\u00e7\u00e3o. <em>N\u00e3o temos como estar mais derrotados e arrebentados e de m\u00e3os amarradas do que j\u00e1 estamos. <\/em>Estamos no fundo do po\u00e7o: impotentes, infiltrados at\u00e9 as entranhas pela quinta-coluna direitista (tanto a p\u00f3s-moderna quanto a liberal-conservadora, que no fundo s\u00e3o <em>a mesma coisa<\/em>) de dentro e de fora do pa\u00eds, sem grana, sem poder institucional, sem movimentos sociais vibrantes e na ofensiva (MST e MTST inclu\u00eddos), com um Estado de Exce\u00e7\u00e3o policial-penal de perfil protofascista avan\u00e7ando r\u00e1pido e violentamente. Estamos <em>catastroficamente derrotados<\/em>. E daqui do fundo do po\u00e7o agora s\u00f3 temos como subir. <em>Ou reagimos ou seremos aniquilados<\/em>. E nesse quadro terr\u00edvel sempre se mostra uma boa op\u00e7\u00e3o enxotar os progressistas de ocasi\u00e3o, que n\u00e3o tremem de indigna\u00e7\u00e3o diante da destrui\u00e7\u00e3o do Brasil e que n\u00e3o est\u00e3o dispostos a arriscar nada em nome do nosso pa\u00eds e do nosso povo.<\/p>\n<p>5. Talvez o primeiro elemento a se apresentar seja passar pelo nosso horizonte necess\u00e1rio, caso nossas lutas se prestem a ser efetivas. E esse horizonte \u00e9 a <em>criminaliza\u00e7\u00e3o, a repress\u00e3o policial, a tranca. Ou pior. <\/em>Sintetizando: toda e qualquer luta social que incomode a elite, o status quo, os interesses imperiais, <em>ser\u00e1 tratada como criminosa e seus membros ser\u00e3o tratados como bandidos<\/em>. SEMPRE foi assim, hoje n\u00e3o vai ser diferente. As ag\u00eancias do sistema penal (Pol\u00edcias, MP, Judici\u00e1rio, Sistema Prisional) SEMPRE foram usadas n\u00e3o para proteger direitos da popula\u00e7\u00e3o, mas para defender, \u00e0 for\u00e7a e pelas armas, a \u201cordem\u201d, entendida esta como a situa\u00e7\u00e3o em que os que t\u00eam muito ganham cada vez mais e os que t\u00eam menos ganham cada vez menos. E quem n\u00e3o t\u00eam nada (ou quem se rebela contra o estado de coisas) ganha algo : tranca e bala na cabe\u00e7a. A t\u00edtulo de ilustra\u00e7\u00e3o, e apenas quanto \u00e0 hist\u00f3ria da luta por direitos no s\u00e9culo XX <em>dentro <\/em>do marco do chamado \u201cEstado de Direito\u201d: Mahatma Gandhi era um criminoso, e passou v\u00e1rios anos encarcerado por buscar a independ\u00eancia de seu povo diante de uma domina\u00e7\u00e3o colonial assassina e racista<sup><a id=\"post-106457-footnote-ref-2\" href=\"#post-106457-footnote-2\">[1]<\/a><\/sup>; Martin Luther King tamb\u00e9m foi preso muitas vezes, brutalizado pela pol\u00edcia, e era vigiado sem interrup\u00e7\u00e3o pelo <em>Federal Bureau of Investigation<\/em> (FBI) e por setores da Intelig\u00eancia do Ex\u00e9rcito estadunidense por ser uma \u201cpessoa perigosa\u201d<sup><a id=\"post-106457-footnote-ref-3\" href=\"#post-106457-footnote-3\">[2]<\/a><\/sup>; Angela Davis, fil\u00f3sofa e crimin\u00f3loga norte-americana<sup><a id=\"post-106457-footnote-ref-4\" href=\"#post-106457-footnote-4\">[3]<\/a><\/sup> ainda viva, quando era pr\u00f3xima do Partido dos Panteras Negras na d\u00e9cada de 1960 e lutava fortemente em prol dos direitos da popula\u00e7\u00e3o negra em seu pa\u00eds, entrou para a lista dos dez mais procurados pelo FBI e foi alvo de uma das maiores ca\u00e7adas humanas j\u00e1 realizadas. Foi absolvida de todas as acusa\u00e7\u00f5es (internacionalmente reconhecidas como infundadas), principalmente devido \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o mundial para sua soltura<sup><a id=\"post-106457-footnote-ref-5\" href=\"#post-106457-footnote-5\">[4]<\/a><\/sup>; Nelson Mandela, Pr\u00eamio Nobel da Paz, ex-presidente da \u00c1frica do Sul, amargou vinte e sete anos de cadeia simplesmente por exigir o fim da discrimina\u00e7\u00e3o racial assassina e humilhante que imperava em seu pa\u00eds \u2013 o que lhe custou o t\u00edtulo de \u201cterrorista internacional\u201d perante os \u00f3rg\u00e3o de seguran\u00e7a dos EUA at\u00e9 meados dos anos 2000<sup><a id=\"post-106457-footnote-ref-6\" href=\"#post-106457-footnote-6\">[5]<\/a><\/sup>. Militantes em prol do direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o como Julian Assange ou mesmo pessoas comuns com esp\u00edrito democr\u00e1tico como Edward Snowden s\u00e3o considerados criminosos perigos\u00edssimos e altos traidores, perseguidos implacavelmente por todo o globo, coagidos ao ex\u00edlio ou ao mais opressivo c\u00e1rcere privado, correndo o risco de serem condenados at\u00e9 mesmo \u00e0 morte, apenas por terem informado o p\u00fablico sobre os grav\u00edssimos crimes que certas pot\u00eancias estatais cometeram e cometem contra a humanidade<sup><a id=\"post-106457-footnote-ref-7\" href=\"#post-106457-footnote-7\">[6]<\/a><\/sup>. E no Brasil podemos ver claramente isso se desenrolar: ilustrando, temos os militantes de base, populares, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) sendo sumariamente executados devido \u00e0s suas reivindica\u00e7\u00f5es de direitos <em>j\u00e1 previstos na Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica<\/em>: direito \u00e0 seguran\u00e7a alimentar, \u00e0 moradia, ao cumprimento real e concreto da fun\u00e7\u00e3o social da propriedade (de onde decorre o justo direito \u00e0 terra), neste pa\u00eds das concentra\u00e7\u00f5es de terra protegidas legalmente, das grilagens e dos escandalosos latif\u00fandios<sup><a id=\"post-106457-footnote-ref-8\" href=\"#post-106457-footnote-8\">[7]<\/a><\/sup>. Dentre in\u00fameros outros casos, em v\u00e1rios momentos da Hist\u00f3ria, dentro e fora do Brasil. Enfim: se o campo progressista n\u00e3o levar essa NECESS\u00c1RIA realidade em conta, n\u00e3o saber\u00e1 construir t\u00e1tica e estrat\u00e9gia adequadas, n\u00e3o saber\u00e1 gerir racionalmente os riscos e ser\u00e1 derrotado uma e outra e outra vez. Se der bom (na efetividade da luta), vai dar ruim (na necess\u00e1ria rea\u00e7\u00e3o do aparelho policial-penal de Estado). E se n\u00e3o estivermos preparados, seremos neutralizados ou destru\u00eddos.<\/p>\n<p>6. Um outro elemento a se verificar \u00e9 a imbecilidade que \u00e9 fazer enfrentamentos pol\u00edticos na base da ciranda e do bate-fofo p\u00f3s-moderno bicho-grilo \u201cart\u00edstico\u201d e cheio de amor e dancinhas e saraus de <em>p\u00e9ssima<\/em> poesia. Dentre as in\u00fameras cr\u00edticas a se fazer quanto a essa palha\u00e7ada infantil\u00f3ide filoestadunidense travestida de a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u201cavan\u00e7ada\u201d vale a pena a gente fazer uma, das mais indigestas: <em>nem s\u00f3 de amor se faz a luta<\/em>. Ali\u00e1s, talvez nem seja o amor \u2013 ou a esperan\u00e7a \u2013 o afeto central para o enfrentamento pol\u00edtico eficaz e sustent\u00e1vel. Em palavras mais diretas: precisamos de mais <strong>\u00d3DIO<\/strong> a nos mobilizar para a luta. Se voc\u00ea ama seu pa\u00eds, seu povo, as pessoas que junto a voc\u00ea vivem e tentam construir suas fam\u00edlias e o Brasil com dignidade e generosidade, voc\u00ea necessariamente ODEIA tudo o que nega isso: a corja liberal-conservadora entreguista, o protofascismo governante, a rapina imperialista. Veja: a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 ser cr\u00edtico ou desgostar. A quest\u00e3o \u00e9 ODIAR. Um \u00f3dio domado pela Raz\u00e3o e pela clareza pol\u00edtica, \u00e9 certo. Mas \u00f3dio mesmo assim, em chamas, forte e potente. \u00c9 esse \u00f3dio que vai te fazer continuar na luta, mesmo depois de uma grande derrota; \u00e9 esse \u00f3dio que vai te manter focado quando um monte de distra\u00e7\u00f5es tentar te confundir ou te desestabilizar; \u00e9 esse \u00f3dio que vai te dar for\u00e7as para continuar mesmo quando tudo parecer perdido. Perdemos t\u00e3o retumbantemente as \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es porque, dentre outras coisas, n\u00e3o soubemos mobilizar o justo \u00f3dio, a santa ira do povo brasileiro, massacrado, humilhado, cuspido na cara todo dia pelas elites. A\u00ed me vem um retardado como Bolsonaro e, com um discurso alucinante e beirando o neonazismo, conseguiu capturar esses afetos em massa, intensos mas sem dire\u00e7\u00e3o ou clareza de conte\u00fado, que tomam dezenas de milhares de brasileiros e brasileiras. As pessoas queriam \u201cuma dose violenta de qualquer coisa\u201d, para que n\u00e3o se sentissem t\u00e3o abandonadas, para se sentirem potentes, capazes de lutar contra o que as massacra; Haddad s\u00f3 tinha o bom mocismo t\u00edpico do neoliberal classe-m\u00e9dia intelectualizada branca <em>chic <\/em>estilo New York\/Paris que come na m\u00e3o da banca financeirista; Bolsonaro apontou um inimigo para as massas pisoteadas pelo estado de coisas: o \u201c<em>Sistema\u201d<\/em> \u2013 corrupto, contra o pov\u00e3o. E identificou esse Sistema com a esquerda (como antes o fascismo e o nazismo j\u00e1 tinham feito). Ganhou de lavada. Moral da hist\u00f3ria: se n\u00f3s n\u00e3o mobilizarmos o \u00d3dio do Povo e apontarmos o Inimigo a ser combatido (e esse inimigo existe sim<sup><a id=\"post-106457-footnote-ref-9\" href=\"#post-106457-footnote-9\">[8]<\/a><\/sup>) <em>algu\u00e9m vai fazer isso \u2013 <\/em>mesmo que seja um Inimigo inventado, como fez Bolsonaro e como antes fez Hitler e Mussolini<sup><a id=\"post-106457-footnote-ref-10\" href=\"#post-106457-footnote-10\">[9]<\/a><\/sup>.<\/p>\n<p>7. A ciranda babaca p\u00f3s-moderna fragment\u00e1ria, em meio \u00e0 sua milit\u00e2ncia ensolarada e saltitante, valoriza como \u00fanica forma de comunica\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o do povo a horizontaliza\u00e7\u00e3o das conversas e o di\u00e1logo. Nada mais fofo e democr\u00e1tico. <em>E nada mais inefetivo<\/em>. Como a pr\u00e1tica da comunica\u00e7\u00e3o social nos mostra (com amparo em estudo de Semi\u00f3tica e de Psicologia e na tradi\u00e7\u00e3o honrosa da AgitProp revolucion\u00e1ria) a for\u00e7a dos meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa vem, dentre outras fontes, do seu car\u00e1ter <em>unidirecional<\/em>, <em>impositivo<\/em>, <em>vertical<\/em>. Se algo est\u00e1 errado, \u00e9 preciso dizer \u201cN\u00c3O\u201d, \u201cBASTA!\u201d, \u201cISSO \u00c9 INACEIT\u00c1VEL\u201d \u2013 sem espa\u00e7o para falseamento ou discuss\u00e3o, e n\u00e3o \u201ccolocar isso para discuss\u00e3o e debate para ver como chegamos a uma conclus\u00e3o consensual\u201d. Construir narrativas e vis\u00f5es de mundo dialogicamente, conversando e convencendo um por um \u00e9 bom para refinar valores democr\u00e1ticos, nunca para consolid\u00e1-los em massa. Primeiro vem a apresenta\u00e7\u00e3o e a persuas\u00e3o sobre quais s\u00e3o os valores e as conclus\u00f5es a que temos que chegar; o di\u00e1logo vem depois, para aprofundar e para sofisticar os argumentos e as compreens\u00f5es que j\u00e1 foram tomadas como suas pelas pessoas, pelas massas. Primeiro a apresenta\u00e7\u00e3o\/persuas\u00e3o\/convencimento; depois o di\u00e1logo\/debate\/discuss\u00e3o. Isso porque o di\u00e1logo coloca emissor e receptor das mensagens em um mesmo n\u00edvel, e isso necessariamente retira legitimidade da mensagem do emissor (\u201ccomo algu\u00e9m \u2018no meu n\u00edvel\u2019 pode dizer para mim como as coisas s\u00e3o e como eu devo interpretar certos fatos e fen\u00f4menos?\u201d N\u00e3o, n\u00e3o, n\u00e3o&#8230;\u201d). Quem fala de igual pra igual comigo n\u00e3o pode me impor verdade alguma. A impot\u00eancia do campo progressista no Brasil vem tamb\u00e9m dessa covardia de n\u00e3o querer dizer a verdade, doa a quem doer.<sup><a id=\"post-106457-footnote-ref-11\" href=\"#post-106457-footnote-11\">[10]<\/a><\/sup> Dizer a verdade para o outro \u2013 pra essa cachorrada pseudoprogressista \u2013 \u00e9 algo \u201cviolento demais\u201d, \u201cviol\u00eancia simb\u00f3lica autorit\u00e1ria\u201d, \u201cn\u00e3o respeita a vis\u00e3o de mundo do outro, t\u00e3o respeit\u00e1vel quanto a minha\u201d. Portanto, dizer com todas as letras que o imperialismo estadunidense est\u00e1 dando um golpe no Brasil e que temos que combat\u00ea-lo com todas as nossas for\u00e7as (afirmando, por consequ\u00eancia, que qualquer pessoa que n\u00e3o concorde com essa conclus\u00e3o est\u00e1 ERRADA) \u00e9 algo \u201cditatorial\u201d, \u201cn\u00e3o cab\u00edvel para a esquerda democr\u00e1tica\u201d. Pra resumir: precisamos ter a coragem de DIZER A VERDADE, aquela que temos apresentar n\u00e3o para debate, mas para esclarecimento geral da popula\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso emitir diretamente e numa dire\u00e7\u00e3o s\u00f3 (de emissor para receptor) \u2013 num verdadeiro \u201cbombardeio semi\u00f3tico progressista\u201d<sup><a id=\"post-106457-footnote-ref-12\" href=\"#post-106457-footnote-12\">[11]<\/a><\/sup> \u2013 para as massas do povo brasileiro a palavra da resist\u00eancia, da democracia real, da dignidade humana, do antifascismo, do nacionalismo progressista. <em>Sem abrir para debate. Sem espa\u00e7o de incerteza ou d\u00favida. Sem espa\u00e7o para que nosso povo permane\u00e7a parado, ou desesperan\u00e7ado, ou rebaixado na concep\u00e7\u00e3o que tem de si mesmo <\/em>(\u201cn\u00e3o adianta fazer nada\u201d, \u201cpobre nasceu pra se lascar mesmo\u201d, \u201cde que adianta lutar?\u201d). Hoje, mais do que nunca, \u00e9 preciso ser violentamente democr\u00e1tico, bombardeando sem interrup\u00e7\u00e3o o nosso povo com as melhores analises, com as melhores conclus\u00f5es, com as melhores aspira\u00e7\u00f5es e desejos, com o melhor que o genu\u00edno amor ao povo e \u00e0 Na\u00e7\u00e3o pode produzir. S\u00f3 assim o trabalhador e a trabalhadora, soterrados sob a hiperexplora\u00e7\u00e3o, a m\u00eddia golpista e a ind\u00fastria cultura, vai poder ter alguma chance de um dia parar \u2013 mesmo embaixo desse soterramento \u2013 e concluir que o Brasil \u00e9 deles tamb\u00e9m, que essa vida miser\u00e1vel econ\u00f4mica e espiritualmente n\u00e3o \u00e9 o que Deus reservou para eles, e que \u00e9 poss\u00edvel sim ter um pa\u00eds de todos para todos, com liberdade, igualdade, solidariedade e dignidade.<\/p>\n<p>Continua&#8230;<\/p>\n<p>____________<br \/>\n<strong>Notas:<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li id=\"post-106457-footnote-2\">Gandhi foi preso 13 vezes entre 1908 e 1942, tendo permanecido encarcerado por 5 anos, 2 meses e 10 dias aproximadamente. Cf. BOMBAY SARVODAYA MANDAL; GANDHI RESEARCH FOUNDATION. <strong>Years of arrests &amp; imprisonment of Mahatma Gandhi. <\/strong>Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.mkgandhi.org\/arrestofmahatma.htm&gt;. Acesso em: 30 mai. 2019. <a href=\"#post-106457-footnote-ref-2\">\u2191<\/a><\/li>\n<li id=\"post-106457-footnote-3\">Martin Luther King foi preso por 29 vezes, sendo conduzido para carceragens policiais (<em>jails<\/em>) e n\u00e3o penitenci\u00e1rias (<em>prisons<\/em>). Cf. KING, Coretta Scott. The meaning of the King Holiday. <strong>The King Center. <\/strong>Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.thekingcenter.org\/meaning-king-holiday&gt;. Acesso em: 30 mai. 2019. <a href=\"#post-106457-footnote-ref-3\">\u2191<\/a><\/li>\n<li id=\"post-106457-footnote-4\">Angela Davis \u00e9 uma das grandes refer\u00eancias no feminismo interseccional (que articula g\u00eanero, ra\u00e7a e classe). Sobre o tema, vide DAVIS, Angela Yvonne. <strong>Mujeres, raza y clase.<\/strong> Madri: Ediciones Akal, 2005. Para o pensamento criminol\u00f3gico da pensadora, vinculada \u00e0 linha abolicionista, vide, p. ex., DAVIS, Angela Yvonne. <strong>A democracia da aboli\u00e7\u00e3o: <\/strong>para al\u00e9m do imp\u00e9rio das pris\u00f5es e da tortura. Rio de Janeiro: DIFEL, 2009. <a href=\"#post-106457-footnote-ref-4\">\u2191<\/a><\/li>\n<li id=\"post-106457-footnote-5\">HAILER, Marcelo. Angela Davis: a mulher mais perigosa do mundo. <strong>Revista F\u00f3rum, <\/strong>28 jan. 2015. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.revistaforum.com.br\/2015\/01\/28\/angela-davis\/&gt;. Acesso em: 30 mai. 2019; DAVIS, Angela Yvonne. <strong>Angela Davis: <\/strong>an autobiography. Nova Iorque: Random House, 1988. <a href=\"#post-106457-footnote-ref-5\">\u2191<\/a><\/li>\n<li id=\"post-106457-footnote-6\">NELSON MANDELA FOUNDATION. Biography of Nelson Mandela. <strong>The Nelson Mandela Foundation. <\/strong>Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.nelsonmandela.org\/content\/page\/biography&gt;. Acesso em: 30 mai. 2019; MANDELA, Nelson. <strong>Long walk to freedom. <\/strong>Boston: Little, Brown and Company, 1994. Por causa do r\u00f3tulo de \u201cterrorista\u201d, Mandela s\u00f3 podia entrar nos EUA \u2013 no mais das vezes, para comparecer \u00e0 sede da ONU \u2013 com uma autoriza\u00e7\u00e3o especial do governo americano; essa situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 mudou em 2008, quando um senador americano denunciou o descalabro da situa\u00e7\u00e3o toda e pediu a retirada do nome de Mandela do rol de \u201cterroristas internacionais\u201d. Vide WINDREM, Robert. US government considered Nelson Mandela a terrorist until 2008. <strong>NBC News, <\/strong>7 dez. 2013. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.nbcnews.com\/news\/other\/us-government-considered-nelson-mandela-terrorist-until-2008-f2D11708787&gt;. Acesso em: 30 mai. 2019; DEWEY, Caitlin. Why Nelson Mandela was on a terrorist watch list in 2008. <strong>Washington Post, <\/strong>7 dez. 2013. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.washingtonpost.com\/news\/the-fix\/wp\/2013\/12\/07\/why-nelson-mandela-was-on-a-terrorism-watch-list-in-2008\/&gt;. Acesso em: 30 mai. 2019. A atitude conservadora do governo dos EUA era compreens\u00edvel dentro do contexto da luta contra o <em>apartheid<\/em>: durante os anos em que ficou preso, e mesmo depois da liberta\u00e7\u00e3o, Nelson Mandela tinha como companheiros militantes no CNA (Congresso Nacional Africano) muitos membros do Partido Comunista Sul-africano; e mais, Mandela e o CNA <strong>n\u00e3o abandonaram a luta armada<\/strong> \u2013 empreendida pelo bra\u00e7o militar do CNA, o <em>Umkhonto we Sizwe<\/em> (\u201cLan\u00e7a da Na\u00e7\u00e3o\u201d) \u2013 enquanto o Apartheid n\u00e3o foi completamente desmantelado. LAING, Aislinn. Nelson Mandela\u2019s Spear of the Nation: the ANC\u2019s armed resistance. <strong>The Telegraph, <\/strong>Johanesburgo, 5 fev. 2011. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.telegraph.co.uk\/news\/worldnews\/africaandindianocean\/southafrica\/8304153\/Nelson-Mandelas-Spear-of-the-Nation-the-ANCs-armed-resistance.html&gt;. Acesso em: 31 mai. 2019. <a href=\"#post-106457-footnote-ref-6\">\u2191<\/a><\/li>\n<li id=\"post-106457-footnote-7\">ASSANGE, Julian. <strong>Cipherpunks: <\/strong>a liberdade e o futuro da internet. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2013; COURAGE Foundation. <strong>Free Snowden: <\/strong>in support of Edward Snowden. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/edwardsnowden.com\/&gt;. Acesso em: 31 mai. 2019. <a href=\"#post-106457-footnote-ref-7\">\u2191<\/a><\/li>\n<li id=\"post-106457-footnote-8\">SCALABRIN, Leandro Gaspar. O crime de ser MST. In: BUHL, Kathrin; KOROL, Claudia. <strong>Criminaliza\u00e7\u00e3o dos protestos e movimentos sociais. <\/strong>S\u00e3o Paulo: Instituto Rosa Luxemburgo Stiftung, 2008. p. 247-252; BARREIRA, C\u00e9sar. <strong>Cr\u00f4nica de um massacre anunciado: <\/strong>Eldorado dos Caraj\u00e1s. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.scielo.br\/pdf\/spp\/v13n4\/v13n4a14.pdf&gt;. Acesso em: 31 mai. 2019; ASSESSORIA DE COMUNICA\u00c7\u00c3O TERRA DE DIREITOS. Trabalhadores rurais sem terra s\u00e3o mortos no Paran\u00e1 em massacre com a participa\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Militar. <strong>Terra de Direitos, <\/strong>08 abri. 2016. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/terradedireitos.org.br\/2016\/04\/08\/trabalhadores-rurais-sem-terra-sao-mortos-no-parana-em-massacre-com-a-participacao-da-policia-militar\/&gt;. Acesso em: 31 mai. 2019. <a href=\"#post-106457-footnote-ref-8\">\u2191<\/a><\/li>\n<li id=\"post-106457-footnote-9\">\u201cTer um inimigo \u00e9 importante, n\u00e3o apenas para definir a nossa identidade, mas tamb\u00e9m para arranjarmos um obst\u00e1culo em rela\u00e7\u00e3o ao qual seja medido o nosso sistema de valores, e para mostrar, no afront\u00e1-lo, o nosso valor. Portanto, quando o inimigo n\u00e3o existe, h\u00e1 que constru\u00ed-lo.\u201d ECO, Umberto. Construir o inimigo e outros ensaios ocasionais. Lisboa: Gradiva, 2011. N\u00f3s n\u00e3o precisamos fazer essa constru\u00e7\u00e3o, pois o inimigo existe e faz seus estragos: \u00e9 a elite rapineira antipovo brasileira, \u00e9 a banca financista nacional e internacional, \u00e9 o imperialismo estadunidense. <a href=\"#post-106457-footnote-ref-9\">\u2191<\/a><\/li>\n<li id=\"post-106457-footnote-10\">Tese n\u00ba 12 sobre o Conceito de Hist\u00f3ria, de Walter Benjamin (\u00e9 minha tese preferida, e vai com meus destaques): \u201cO sujeito do conhecimento hist\u00f3rico \u00e9 a pr\u00f3pria classe combatente e oprimida. Em [Karl] Marx, ela aparece como a \u00faltima classe escravizada, como a classe vingadora que consuma a tarefa de liberta\u00e7\u00e3o em nome das gera\u00e7\u00f5es de derrotados. Essa consci\u00eancia, reativada durante algum tempo no movimento espartaquista [de Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht, cujo nome homenageava o escravo gladiador tr\u00e1cio Spartacus, l\u00edder de uma hist\u00f3rica revolta na Roma antiga], foi sempre inaceit\u00e1vel para a socialdemocracia. Em tr\u00eas dec\u00eanios, ela quase conseguiu extinguir o nome de [Auguste] Blanqui [c\u00e9lebre revolucion\u00e1rio franc\u00eas do s\u00e9culo XIX, hoje bastante esquecido], cujo eco abalara o s\u00e9culo passado. Preferiu atribuir \u00e0 classe oper\u00e1ria o papel de salvar gera\u00e7\u00f5es <em>futuras<\/em>. Com isso, ela a privou das suas melhores for\u00e7as. A classe oper\u00e1ria desaprendeu nessa escola tanto o \u00f3dio como o esp\u00edrito de sacrif\u00edcio. Porque um e outro se alimentam da imagem dos <em>antepassados escravizados<\/em>, <em>e n\u00e3o dos descendentes liberados<\/em>.\u201d <a href=\"#post-106457-footnote-ref-10\">\u2191<\/a><\/li>\n<li id=\"post-106457-footnote-11\">BRECHT, Bertolt. As cinco dificuldades para escrever a verdade. In: <strong>Revista Prosa Verso e Arte. <\/strong>Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.revistaprosaversoearte.com\/as-cinco-dificuldades-para-escrever-verdade-bertolt-brecht\/&gt;. Acesso em: 15 jun. 2019. <a href=\"#post-106457-footnote-ref-11\">\u2191<\/a><\/li>\n<li id=\"post-106457-footnote-12\">FERREIRA, Wilson Roberto Vieira. Bombas semi\u00f3ticas brasileiras (2013-2016): por que aquilo deu nisso? <strong>Cinegnose<\/strong>. Dispon\u00edvel em &lt;https:\/\/cinegnose.blogspot.com\/2017\/07\/bombas-semioticas-brasileiras-2013-2016.html&gt;. Acesso em 11 jun. 2019. <a href=\"#post-106457-footnote-ref-12\">\u2191<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esconder a realidade das pessoas s\u00f3 faz com que elas estejam despreparadas para enfrentar os eventuais desafios que venham a surgir. Imensa parte do nosso problema de incapacidade de luta efetiva vem de que a esquerda hoje \u00e9 uma esquerda institucionalista, lacradora, cheirosa e no pom-pom, dominada por um bando de universit\u00e1rio classe m\u00e9dia branca social-banana que arrota palavras de ordem e conclus\u00f5es sofisticad\u00edssimas, mas na hora do \u201cvamo-ver\u201d deixa o pov\u00e3o tomar na tarraqueta sozinho. O campo progressista de luta ou engrossa o couro ou n\u00e3o ter\u00e1 qualquer chance de vencer. Como diria minha m\u00e3e: se n\u00e3o quer brincar n\u00e3o desce pro playground.<\/p>\n","protected":false},"author":30,"featured_media":106466,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17,2,14],"tags":[347,2960,2961,47,66,125,1291,2620,930],"class_list":["post-106428","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-analise-de-conjuntura","category-home","category-politica-2","tag-bolsonaro","tag-bovino","tag-contraofensiva","tag-entreguismo","tag-esquerda","tag-imperialismo","tag-odio","tag-progressismo","tag-soberania-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/106428","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/30"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=106428"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/106428\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/106466"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=106428"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=106428"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=106428"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}