{"id":104880,"date":"2019-05-25T17:37:45","date_gmt":"2019-05-25T20:37:45","guid":{"rendered":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=104880"},"modified":"2019-05-25T17:37:45","modified_gmt":"2019-05-25T20:37:45","slug":"geisel-e-o-golpe-da-banca-parte-2-de-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=104880","title":{"rendered":"Geisel e o Golpe da Banca  |  Parte 2 de 3"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Pedro Pinho*, para o Duplo Expresso:<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Governo Geisel<\/b><\/p>\n<p>Ernesto Beckmann Geisel (03\/08\/1907 a 12\/09\/1996) presidiu o Brasil entre os dias 15 de mar\u00e7o de 1974 e de 1979.<\/p>\n<p>Em breve sum\u00e1rio, procurarei demonstrar sua condi\u00e7\u00e3o nacionalista (tendo efetivamente o Brasil acima de tudo) que caracterizou seu mandato. N\u00e3o estarei com isso defendendo \u2013 e tenho convic\u00e7\u00e3o que o luterano Geisel tamb\u00e9m n\u00e3o apoiou \u2013 a covardia da tortura e os infamantes assassinatos ocorridos no per\u00edodo de sua gest\u00e3o. A interfer\u00eancia no II Ex\u00e9rcito (S\u00e3o Paulo) \u00e9 um exemplo desta oposi\u00e7\u00e3o do Presidente.<\/p>\n<p>H\u00e1 a \u00f3tica \u00fanica, sobretudo pela esquerda identit\u00e1ria que tem apoiado no Brasil e no exterior o jogo do neoliberalismo, de ver em todos governos militares a nega\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e o vi\u00e9s fascista.<\/p>\n<p>Pergunto: Temos democracia no Brasil? Temos democracia nas col\u00f4nias financeiras (ainda que na\u00e7\u00f5es com representa\u00e7\u00e3o na Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas \u2013 ONU \u2013, e com substitui\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica de dirigentes)? Ter\u00e3o maior participa\u00e7\u00e3o nos destinos nacionais os habitantes desses pa\u00edses do que aqueles que vivem nas &#8220;ditaduras&#8221; russa, chinesa ou venezuelana? O que diferencia um cidad\u00e3o turco de um haitiano?<\/p>\n<p>Dividirei o Governo Geisel nas a\u00e7\u00f5es da pol\u00edtica exterior com a pol\u00edtica cultural, e da pol\u00edtica tecnol\u00f3gica industrial. Tratarei das legisla\u00e7\u00f5es formadoras da cidadania e farei coment\u00e1rios sobre a organiza\u00e7\u00e3o do Estado. N\u00e3o pretendo ser exaustivo em quaisquer dessas \u00e1reas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_104886\" aria-describedby=\"caption-attachment-104886\" style=\"width: 828px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-104886 size-full\" src=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Geisel-1974-por-\u00a9O-Estada\u0303o.jpg\" alt=\"\" width=\"828\" height=\"523\" srcset=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Geisel-1974-por-\u00a9O-Estada\u0303o.jpg 828w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Geisel-1974-por-\u00a9O-Estada\u0303o-300x189.jpg 300w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Geisel-1974-por-\u00a9O-Estada\u0303o-768x485.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 828px) 100vw, 828px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-104886\" class=\"wp-caption-text\">Ernesto Geisel \u2013 15\/mar\/1974 por \u00a9 O Estad\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Pol\u00edtica Externa e Cultural<\/b><\/p>\n<p>A pol\u00edtica externa mostra um aspecto da soberania. Sua independ\u00eancia n\u00e3o \u00e9 uma agress\u00e3o a outros Estados Nacionais, mas, ao contr\u00e1rio, um caminho para a multipolaridade, um conv\u00edvio internacional pac\u00edfico.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica exterior foi conduzida, por todo mandato Geisel, pelo Embaixador <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Azeredo_da_Silveira\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Antonio Francisco Azeredo da Silveira<\/strong><\/a>. Este promoveu verdadeira mudan\u00e7a no Itamarati. O Brasil saiu do alinhamento autom\u00e1tico aos EUA para a an\u00e1lise de seus interesses guiando cada posicionamento nas quest\u00f5es internacionais.<\/p>\n<p>O Brasil foi o primeiro pa\u00eds a reconhecer o governo de abril de 1974, que derrubou o salazarismo, da Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos em Portugal. Tamb\u00e9m foi o primeiro a reconhecer o <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Movimento_Popular_de_Liberta%C3%A7%C3%A3o_de_Angola\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>MPLA Partido do Trabalho<\/strong><\/a> como representante do Estado Angolano. O Brasil reatou rela\u00e7\u00f5es com a Rep\u00fablica Popular da China e ampliou sua representa\u00e7\u00e3o na \u00c1frica e na \u00c1sia.<\/p>\n<p>Celebrou o <strong><a href=\"https:\/\/cpdoc.fgv.br\/producao\/dossies\/FatosImagens\/AcordoNuclear\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Acordo Nuclear com a Alemanha<\/a><\/strong> e denunciou o Tratado Militar, em 1977, com os EUA. Buscou a defesa da gest\u00e3o brasileira da nossa Amaz\u00f4nia, respondendo \u00e0s agress\u00f5es de entidades estrangeiras de &#8220;defesa da ecologia&#8221;, firmando com a Bol\u00edvia, Col\u00f4mbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela, em 1978, o Tratado de Coopera\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia.<sup>DE1<\/sup><\/p>\n<p>Em sua tese de doutorado, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), &#8220;A pol\u00edtica externa (in)dependente em tr\u00eas tempos: autonomia e crises nos governos Quadros\/Goulart, Geisel e Lula\/Rousseff&#8221;, em 2018, Leonardo Pace Alves escreve sobre o per\u00edodo Geisel:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: right;\">O Brasil n\u00e3o s\u00f3 se percebia como uma \u201cpot\u00eancia emergente\u201d, mas tamb\u00e9m parecia ser tratado dessa forma por alguns pa\u00edses. A assinatura de memorandos de entendimento com as\u00a0 pot\u00eancias\u00a0 industrializadas (Fran\u00e7a, Inglaterra,\u00a0 Alemanha\u00a0 Ocidental,\u00a0 Jap\u00e3o\u00a0 e EUA)\u00a0 tinha\u00a0 o efeito\u00a0 de\u00a0 corroborar\u00a0 essa leitura.\u00a0 Esses\u00a0 mecanismos\u00a0 de\u00a0 consulta bilaterais\u00a0 visavam,\u00a0 entre outras coisas, \u00e0 facilita\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o das diverg\u00eancias t\u00f3picas, as quais o governo Geisel tinha consci\u00eancia\u00a0 de\u00a0 que\u00a0 tenderiam\u00a0 a\u00a0 crescer\u00a0 como\u00a0 resultado\u00a0 da\u00a0 pr\u00f3pria\u00a0 ascens\u00e3o \u00a0do\u00a0 pa\u00eds.\u00a0 O acercamento\u00a0 a\u00a0 esses\u00a0 pa\u00edses tamb\u00e9m\u00a0 objetivava\u00a0 reduzir\u00a0 a\u00a0 depend\u00eancia\u00a0 do\u00a0 Brasil\u00a0 vis-\u00e0-vis\u00a0 os EUA,\u00a0 diversificando-a.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(\u2026) ao\u00a0 proporcionar\u00a0 a\u00a0 abertura\u00a0 de\u00a0 novos\u00a0 mercados\u00a0 por\u00a0 meio\u00a0 da\u00a0 universaliza\u00e7\u00e3o dos\u00a0 contatos\u00a0 internacionais,\u00a0 a\u00a0 diplomacia\u00a0 concorria\u00a0 para\u00a0 alavancar\u00a0 o\u00a0 desenvolvimento\u00a0 da economia\u00a0 brasileira,\u00a0 cuja\u00a0 transforma\u00e7\u00e3o\u00a0 estrutural\u00a0 se\u00a0 tornou a\u00a0 principal\u00a0 meta\u00a0 do\u00a0 II\u00a0 PND\u00a0 a partir\u00a0 de\u00a0 1975.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Em 1976, o Brasil participou da Confer\u00eancia Internacional de Apoio aos Povos do Zimb\u00e1bue (antiga Rod\u00e9sia) e da Nam\u00edbia, realizada em Mo\u00e7ambique, e da Confer\u00eancia Mundial de A\u00e7\u00e3o contra o Apartheid, realizada na Nig\u00e9ria.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos aspectos culturais, muitas vezes esquecidos na defini\u00e7\u00e3o do Estado Nacional, iniciarei com uma refer\u00eancia a Get\u00falio Vargas.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi apenas a presen\u00e7a de Heitor Villa-Lobos e seu imenso projeto de canto orfe\u00f4nico nas escolas p\u00fablicas, nem a presen\u00e7a de Carlos Drummond de Andrade, no Gabinete Gustavo Capanema,<sup>[DE2]<\/sup> ou, ainda, a cria\u00e7\u00e3o do Servi\u00e7o de Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (Sphan), mas o suplemento dominical &#8220;Pensamento da Am\u00e9rica&#8221;, que circulou em <strong><a href=\"https:\/\/bndigital.bn.gov.br\/artigos\/a-manha-rio-de-janeiro-1941\/\">A Manh\u00e3<\/a><\/strong>, jornal oficial do Estado Novo, de agosto de 1941 a fevereiro de 1948, que mostra a proje\u00e7\u00e3o cultural do Estado Brasileiro em seus vizinhos americanos, incluindo os EUA, divulgando um &#8220;esp\u00edrito pan-americano&#8221;.<\/p>\n<p>Esta a\u00e7\u00e3o de Vargas est\u00e1 retratada em <a href=\"https:\/\/books.google.com.br\/books\/about\/Am%C3%A9rica_aracn%C3%ADdea.html?id=5wG9x5-zA2QC&amp;source=kp_book_description&amp;redir_esc=y\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Am\u00e9rica Aracn\u00eddea<\/strong><\/a>, de Ana Luiza Beraba (Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, RJ, 2008) e mostra a compreens\u00e3o e a dimens\u00e3o, dadas pelo nosso primeiro estadista, da amplitude na compreens\u00e3o da soberania.<\/p>\n<p>Geisel voltou para dentro do pa\u00eds a dimens\u00e3o cultural criando a Funda\u00e7\u00e3o Nacional de Artes \u2013 Funarte \u2013 em 1975. O acervo das manifesta\u00e7\u00f5es folcl\u00f3ricas brasileiras, que \u00e9 de extraordin\u00e1rio valor nas mais diversas dimens\u00f5es, deve-se \u00e0 equipe congregada na Funarte e foi, em sua quase totalidade, constru\u00eddo nos Governos Geisel e Figueiredo.<\/p>\n<p>A Funarte esteve presente em todo territ\u00f3rio nacional, em pesquisas, em espet\u00e1culos, na forma\u00e7\u00e3o de bandas musicais, desenvolvendo uma, at\u00e9 ent\u00e3o in\u00e9dita, a\u00e7\u00e3o do Estado para registro e difus\u00e3o da cultura brasileira.<\/p>\n<p>A permanente oposi\u00e7\u00e3o das m\u00eddias comerciais a um projeto deste porte evitou a mobiliza\u00e7\u00e3o popular pela manuten\u00e7\u00e3o e crescimento das a\u00e7\u00f5es da Funarte. N\u00e3o ficarei surpreendido se o Governo Bolsonaro extinguir a <a href=\"http:\/\/www.funarte.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Funarte<\/a>, distribuindo por entidades descentralizadas (e at\u00e9 privadas), seu acervo de import\u00e2ncia imensur\u00e1vel para a nacionalidade brasileira.<\/p>\n<p>\u00c9 pertinente tratar, neste universo cultural, da a\u00e7\u00e3o das m\u00eddias.<\/p>\n<p>Em 1941, <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Henry_Luce\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Henry Luce<\/strong><\/a>, propriet\u00e1rio do complexo de comunica\u00e7\u00f5es que tinha, entre outros, as revistas Time, Life e Fortune, instado por David Rockefeller, \u00a0convocou os estadunidenses a \u201caceitar de todo o cora\u00e7\u00e3o nosso dever e oportunidade, como a na\u00e7\u00e3o mais poderosa do mundo, o pleno impacto de nossa influ\u00eancia para objetivos que consideremos convenientes e por meios que julguemos apropriados\u201d (Herbert I. Schiller, <a href=\"https:\/\/www.estantevirtual.com.br\/livros\/herbert-i-schiller\/o-imperio-norte-americano-das-comunicacoes\/4193093472\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>O Imp\u00e9rio Norte-americano das Comunica\u00e7\u00f5es<\/strong><\/a>, Vozes, Petr\u00f3polis, 1976).<\/p>\n<p>Este <i>deep state<\/i> dos EUA sabia que a luta do imperialismo n\u00e3o se restringia a aspectos econ\u00f4micos, mercantis e financeiros. Como ser\u00e1 um slogan posteriormente muito divulgado, qualquer domina\u00e7\u00e3o precisa &#8220;conquistar cora\u00e7\u00f5es e mentes&#8221;. \u00a0\u00c9 parte do que denomino pedagogia colonial.<\/p>\n<p>A censura pr\u00e9via vinha desde (Humberto de Alencar) Castello Branco. Na verdade, sempre existiu a censura na comunica\u00e7\u00e3o de massa, desde quando ela se assumiu como atividade comercial, suplantando ou afogando qualquer vi\u00e9s cultural. Em 1968, informa Nelson Werneck Sodr\u00e9 (<a href=\"https:\/\/www.estantevirtual.com.br\/livros\/nelson-werneck-sodre\/sintese-de-historia-da-cultura-brasileira\/4146681822\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>S\u00edntese de Hist\u00f3ria da Cultura Brasileira<\/strong><\/a>, Bertrand Brasil, RJ, 1999), o Congresso Mundial das Sociedades de Autores e Compositores, em Viena, apelara aos 34 pa\u00edses ali representados que oferecessem adequada prote\u00e7\u00e3o contra a &#8220;destruidora for\u00e7a do r\u00e1dio e da televis\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Por algum tempo houve certa ambiguidade, mais em edi\u00e7\u00f5es de livros e m\u00fasicas do que na imprensa, em todas suas formas, onde espa\u00e7os e tempos s\u00e3o calculados em valores monet\u00e1rios.<\/p>\n<p>Lembro meu primeiro dia de &#8220;foca&#8221;, em 1964, nos Di\u00e1rios Associados, \u00e0 rua 7 de abril, em S\u00e3o Paulo, quando o chefe de reportagem me ensinou: &#8220;seja objetivo, evite adjetivo, responda apenas o &#8220;que&#8221;, &#8220;quem&#8221;, &#8220;onde&#8221;, &#8220;quando&#8221; e, se for o caso, &#8220;porque&#8221;. O espa\u00e7o \u00e9 que paga nosso sal\u00e1rio&#8221;. Esta \u00faltima afirma\u00e7\u00e3o, no caso dos Associados, tinha mais do que uma interpreta\u00e7\u00e3o (!).<\/p>\n<p>A imprensa, principalmente a escrita, nos anos 1970, administrava uma tens\u00e3o objetivando sua economia empresarial. Foi o per\u00edodo de crescimento do Sistema Globo, eliminando seus concorrentes. Apenas na \u00e1rea da televis\u00e3o recordemos a sa\u00edda da TV Excelsior (1970), TV Rio (1977), TV Tupi (1980) e as sucessivas mudan\u00e7as de controle da TV Record.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Tecnol\u00f3gico<\/b><\/p>\n<p>Na verdade, bastaria &#8220;Desenvolvimento&#8221;, como subt\u00edtulo. Mas de tal forma, nestes tempos da sem\u00e2ntica da banca, restringiu-se o conceito de desenvolvimento, algumas vezes, por incr\u00edvel que pare\u00e7a, pelo indicador inexpressivo da pontua\u00e7\u00e3o das Bolsas de Valores Mobili\u00e1rios, que julguei melhor acrescentar (consciente de estar tamb\u00e9m limitando) econ\u00f4mico e tecnol\u00f3gico.<\/p>\n<p>De acordo com os dados estat\u00edsticos do IBGE e do Banco Central do Brasil, o crescimento m\u00e9dio anual do Produto Interno Bruto (PIB) nacional foi, para o Governo Geisel, 6,37%. Embora a Carta IEDI &#8211; Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial &#8211; de 18\/04\/2019, assinale que &#8220;j\u00e1 nos anos 1970, o setor manufatureiro come\u00e7a a perder participa\u00e7\u00e3o no PIB&#8221;, mesmo esta perda n\u00e3o sendo homog\u00eanea, nem em intensidade nem nos campos de a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As mais importantes iniciativas de Geisel se deram nas \u00e1reas das tecnologias de ponta para o s\u00e9culo XX, que avan\u00e7ariam no s\u00e9culo XXI: inform\u00e1tica, nuclear e novas energias, onde se destaca o pr\u00f3-\u00e1lcool. A tecnologia aeroespacial deveu-se ao Triunvirato Militar que mediou os per\u00edodos Costa e Silva e M\u00e9dici. Faltou, no entanto, a biotecnologia.<\/p>\n<p>Vou ater-me apenas \u00e0 inform\u00e1tica. \u00c9 um caso exemplar de manuten\u00e7\u00e3o do nosso estado colonial. Se nenhuma outra raz\u00e3o existisse para confirmar o golpe, o futuro da inform\u00e1tica daria o mais forte motivo.<\/p>\n<p>Em dezembro de 2017, o presidente Donald Trump apresentou a Estrat\u00e9gia Nacional de Seguran\u00e7a para os Estados Unidos da Am\u00e9rica (EUA), de onde transcrevo em tradu\u00e7\u00e3o livre:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: right;\">A resposta da Am\u00e9rica aos desafios e oportunidades da era cibern\u00e9tica determinar\u00e1 nossa prosperidade e seguran\u00e7a futuras. Durante a maior parte da nossa hist\u00f3ria, os Estados Unidos conseguiram proteger a terra natal controlando seus dom\u00ednios terrestre, a\u00e9reo, espacial e mar\u00edtimo. Hoje, o ciberespa\u00e7o oferece aos atores estatais e n\u00e3o-estatais a capacidade de fazer campanhas contra os interesses pol\u00edticos, econ\u00f4micos e de seguran\u00e7a dos Estados Unidos sem nunca passar fisicamente pelas fronteiras. Os ataques cibern\u00e9ticos oferecem aos oponentes oportunidades de baixo custo para danificar ou interromper seriamente pontos cr\u00edticos da infraestrutura, prejudicar nossas empresas, enfraquecer nossas redes federais e atacar os dispositivos que os americanos usam todos os dias para se comunicar e realizar neg\u00f3cios. A vulnerabilidade da infraestrutura dos EUA a ataques cibern\u00e9ticos, f\u00edsicos e eletromagn\u00e9ticos, significa que os advers\u00e1rios podem interromper o comando e controle militares, as opera\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias e financeiras, a rede el\u00e9trica e os meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A Rep\u00fablica Popular da China criou, em setembro de 1987, a empresa Huawei, que domina hoje, em 2019, a ind\u00fastria mundial de equipamentos de inform\u00e1tica e de telecomunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em artigo publicado na revista <strong><a href=\"https:\/\/www.academia.edu\/10574376\/Minicomputadores_brasileiros_nos_anos_1970_uma_reserva_de_mercado_democr%C3%A1tica_em_meio_ao_autoritarismo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Hist\u00f3ria, Ci\u00eancia e Sa\u00fade \u2013 Manguinhos<\/a><\/strong>, em 2013, Ivan da Costa Marques, professor na UFRJ e ex-presidente da Computadores Brasileiros &#8211; Cobra, afirma:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: right;\">No come\u00e7o de 1980&#8243;, nos informa\u00a0 &#8220;o Brasil foi um dos poucos pa\u00edses em que empresas sob controle local conseguiram suprir uma parte significativa do mercado interno de minicomputadores com marcas e tecnologias pr\u00f3prias. Equipes de engenheiros e t\u00e9cnicos brasileiros haviam absorvido a tecnologia de produtos originalmente licenciados e efetivamente conceberam e projetaram sistemas completos (hardware e software) de minicomputadores e diversos outros artefatos de computa\u00e7\u00e3o, colocados no mercado por empresas brasileiras com sucesso econ\u00f4mico e t\u00e9cnico.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Deste mesmo artigo de Costa Marques, que teve ativa participa\u00e7\u00e3o em diversos eventos na \u00e1rea da inform\u00e1tica, transcrevo pela exatid\u00e3o e por conhecer a seriedade e corre\u00e7\u00e3o do autor:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: right;\">Na primeira metade da d\u00e9cada de 1970, professores, alunos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e pesquisadores projetaram diversos produtos de inform\u00e1tica. Nesta mesma \u00e9poca, alguns bir\u00f4s estatais de processamento de dados investiram em laborat\u00f3rios de produtos. Nos laborat\u00f3rios de organiza\u00e7\u00f5es militares, artefatos de inform\u00e1tica recebiam aten\u00e7\u00e3o especial.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Havia uma grande diversidade de interesses e abordagens, mas praticamente todas as interven\u00e7\u00f5es, fossem elas nos congressos ou nos peri\u00f3dicos, compartilhavam a ideia de que dominar a tecnologia dos computadores era uma quest\u00e3o estrat\u00e9gica para um pa\u00eds como o Brasil.<\/p>\n<\/blockquote>\n<div class=\"mceTemp\"><\/div>\n<p>Em 15 de julho de 1976 \u00e9 publicada, no Di\u00e1rio Oficial, a Resolu\u00e7\u00e3o 1, da Coordena\u00e7\u00e3o das Atividades de Processamento Eletr\u00f4nico de Dados (CAPRE). Ali fora anunciada a pol\u00edtica nacional de inform\u00e1tica para os minicomputadores. Havia ent\u00e3o o perfeito entrosamento entre o secret\u00e1rio-executivo da CAPRE \u2013 Ricardo Sauer, gestor da reserva de mercado na inform\u00e1tica \u2013, e o presidente do BNDE \u2013 Marcos Vianna, gestor do programa de substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Posi\u00e7\u00e3o oposta, favor\u00e1vel \u00e0s empresas estrangeiras, principalmente \u00e0 IBM, era defendida por Jos\u00e9 Dion de Melo Teles, do Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq) e, no governo Figueiredo, presidente do <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Serpro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>SERPRO<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>Ponto de inflex\u00e3o na nossa hist\u00f3ria da inform\u00e1tica foi a <strong><a href=\"http:\/\/www.snh2015.anpuh.org\/resources\/anais\/39\/1439738614_ARQUIVO_MARCELOVIANNA_GT39-TRABALHOCOMPLETO.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Comiss\u00e3o Cotrim<\/a><\/strong>, criada em dezembro de 1978, com elementos do Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es (SNI), ent\u00e3o conduzido pelo general Figueiredo, do CNPq e do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, de onde saiu o embaixador Paulo Cotrim, coordenador da Comiss\u00e3o.<\/p>\n<p>No XXVIII Simp\u00f3sio Nacional de Hist\u00f3ria, realizado em Florian\u00f3polis, em julho de 2015, Marcelo Vianna apresenta o trabalho &#8220;Seguran\u00e7a Nacional e Autonomia Tecnol\u00f3gica \u2013 o avan\u00e7o do Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es sobre o campo da Inform\u00e1tica brasileira (1978-1980)&#8221;, onde se l\u00ea:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: right;\">O\u00a0 processo\u00a0 de\u00a0 interven\u00e7\u00e3o\u00a0 realizado\u00a0 pelo\u00a0 Servi\u00e7o\u00a0 Nacional\u00a0 de\u00a0 Informa\u00e7\u00f5es (SNI) no campo\u00a0 da\u00a0 Inform\u00e1tica\u00a0 brasileira\u00a0 entre\u00a0 os\u00a0 anos\u00a0 de\u00a0 1978\u00a0 e\u00a0 1980\u00a0 teve\u00a0 como principal\u00a0 efeito afastar\u00a0 os\u00a0 condutores\u00a0 da\u00a0 Pol\u00edtica\u00a0 Nacional\u00a0 de Inform\u00e1tica\u00a0 (PNI) atrav\u00e9s\u00a0 da\u00a0 cria\u00e7\u00e3o\u00a0 de\u00a0 um novo\u00a0 \u00f3rg\u00e3o\u00a0 gestor,\u00a0 a\u00a0 Secretaria\u00a0 Especial\u00a0 de\u00a0 Inform\u00e1tica\u00a0 (SEI), pelo Decreto n.\u00ba 84.067, de 08.10.1979.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Tullo Vigevani (<a href=\"https:\/\/www.estantevirtual.com.br\/livros\/tullo-vigevani\/o-contencioso-brasil-x-estados-unidos-da-informatica\/3959336105\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>O Contencioso Brasil X Estados Unidos da Inform\u00e1tica<\/strong><\/a>, Editora Alfa Omega-EDUSP, SP, 1995) esclarece:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: right;\">A an\u00e1lise <i>ex post facto <\/i>permite iniciar um esbo\u00e7o de interpreta\u00e7\u00e3o das raz\u00f5es do lento e progressivo debilitamento do bloco da Pol\u00edtica Nacional de Inform\u00e1tica. A interven\u00e7\u00e3o dos militares dos \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a deu-se com a impl\u00edcita retirada dos \u00f3rg\u00e3os econ\u00f4micos e de planejamento.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Do artigo citado de Costa Marques:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: right;\">Sem constrangimento, os coron\u00e9is do SNI interrogaram de forma intimidante um grande n\u00famero de profissionais de inform\u00e1tica e grampearam seus telefones. E, logo, instalou-se entre estes um tal clima de medo que aos mais ir\u00f4nicos inspirou at\u00e9 brincadeiras de aut\u00eantico humor negro.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Voltando a Vigevani, ele se refere ao pessoal burocr\u00e1tico, substituindo t\u00e9cnicos, favor\u00e1veis \u00e0 &#8220;internacionaliza\u00e7\u00e3o da economia&#8221;.<\/p>\n<p>J\u00e1 no governo Figueiredo, o Ministro das Comunica\u00e7\u00f5es, coronel <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Haroldo_Corr%C3%AAa_de_Mattos\"><strong>Haroldo Corr\u00eaa de Mattos<\/strong><\/a>, que se colocara a favor das pretens\u00f5es brasileiras no contencioso com os EUA, &#8220;controlar o capital \u00e9 condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, mas n\u00e3o \u00e9 suficiente&#8221; (Estado de S. Paulo, 11\/02\/1979) passa a criticar a lei para inform\u00e1tica, abrigando os grupos brasileiros que se articulavam com interesses econ\u00f4micos e pol\u00edticos estadunidenses (entrevista ao Jornal do Brasil, 01\/09\/1984).<\/p>\n<p>A linha geral adotada pelo presidente Figueiredo foi a da cr\u00edtica ao protecionismo, \u00e0 reserva de mercado, \u00e0 substitui\u00e7\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Fica evidente a radical mudan\u00e7a na gest\u00e3o brasileira da inform\u00e1tica, do Governo Geisel para o Figueiredo. Justamente na tecnologia que provocou a mais profunda altera\u00e7\u00e3o que a sociedade conheceu nos \u00faltimos cinquenta anos e diferencia na\u00e7\u00f5es soberanas de na\u00e7\u00f5es col\u00f4nias. Em muito demonstra a situa\u00e7\u00e3o dependente que se encontra o Brasil hoje.<\/p>\n<figure id=\"attachment_104893\" aria-describedby=\"caption-attachment-104893\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-104893 size-large\" src=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/COBRA-\u2013-Jornal-do-Brasi_12jul1984_edit-1024x847.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"662\" srcset=\"https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/COBRA-\u2013-Jornal-do-Brasi_12jul1984_edit-1024x847.jpg 1024w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/COBRA-\u2013-Jornal-do-Brasi_12jul1984_edit-300x248.jpg 300w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/COBRA-\u2013-Jornal-do-Brasi_12jul1984_edit-768x635.jpg 768w, https:\/\/duploexpresso.com\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/COBRA-\u2013-Jornal-do-Brasi_12jul1984_edit.jpg 2017w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-104893\" class=\"wp-caption-text\">Propaganda no Jornal do Brasil de 12 de julho de 1984 comemorando os dez anos da empresa nacional da \u00e1rea da Inform\u00e1tica<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p><em><strong>* Pedro Augusto Pinho<\/strong> \u00e9 av\u00f4, administrador aposentado.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u2022 \u2022 \u2022 \u2022 \u2022<\/p>\n<p>DE1 \u2013 Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado de Coopera\u00e7\u00e3o Amaz\u00f4nica \u2013 OTCA<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>|<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>ata e avalia\u00e7\u00e3o do Semin\u00e1rio Internacional &#8220;O Futuro do Tratado de Coopera\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia\u201d , em Manaus (BRA), 13 a 15 de agosto de 2002, do <a href=\"https:\/\/acervo.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/documents\/10D00529.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>acervo do Instituto Socioambintal \u2013 ISA<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>DE2 \u2013 Criado em 1930, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade P\u00fablica, foi ocupado inicialmente por Francisco Campos at\u00e9 julho de 1934, quando assume <strong>Gustavo Capanema<\/strong>, que permanecer\u00e1 no cargo at\u00e9 1945, apadrinhado por Alceu Amoroso Lima, lideran\u00e7a intelectual representativa do pensamento cat\u00f3lico. Como ministro, cerca-se de modernistas e intelectuais como Carlos Drummond de Andrade (chefe de gabinete), M\u00e1rio de Andrade (autor do anteprojeto de cria\u00e7\u00e3o do Servi\u00e7o do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional) e Rodrigo Melo Franco de Andrade (respons\u00e1vel pela implanta\u00e7\u00e3o do SPHAN e seu diretor por trinta anos). J\u00e1 no Estado Novo de Vargas,<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>encaminha ao Congresso o Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o em 1937 e inicia as reformas de ensino, de n\u00edveis (prim\u00e1rio e secund\u00e1rio) e modalidades (ensino t\u00e9cnico profissional: industrial, comercial, normal e agr\u00edcola), em 1942.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste segundo artigo da s\u00e9rie, Pedro Pinho relaciona a\u00e7\u00f5es promovidas pelo governo de Ernesto Geisel com \u00eanfase na pol\u00edtica externa e cultural, bem como no desenvolvimento econ\u00f4mico e tecnol\u00f3gico. Ao questionar sobre a realidade de nossa democracia, o autor aponta quest\u00f5es para que possamos refletir o quanto as causas identit\u00e1rias (fechadas em si) favorecem o jogo neoliberal, bem como a singularidade com a qual o espectro dito mais progressista de nossa sociedade simplifica os governos militares.<\/p>\n","protected":false},"author":30,"featured_media":104881,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[773,977,1995,2,1599,6],"tags":[2352,2812,908,2811],"class_list":["post-104880","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-economia","category-globalismo-financista-vs-soberanismo","category-home","category-pedro-augusto-pinho","category-redacao","tag-cobra","tag-desenvolvimento-economico-e-tecnologico","tag-geisel","tag-politica-externa-e-cultural"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/104880","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/30"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=104880"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/104880\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/104881"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=104880"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=104880"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=104880"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}