{"id":104732,"date":"2019-05-18T16:03:05","date_gmt":"2019-05-18T19:03:05","guid":{"rendered":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=104732"},"modified":"2019-05-18T21:21:45","modified_gmt":"2019-05-19T00:21:45","slug":"geisel-e-o-golpe-da-banca-parte-1-de-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=104732","title":{"rendered":"Geisel e o Golpe da Banca  |  Parte 1 de 3"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Pedro Pinho*, para o Duplo Expresso:<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>\n<p>Beto Almeida, Geraldo Lino, Romulus Maya e outros amigos, leitores e editores, costumam sugerir que eu apresente maiores informa\u00e7\u00f5es sobre o que denomino <strong>o primeiro golpe da Banca no Brasil<\/strong>\u00a0\u2013 a guerra h\u00edbrida na sucess\u00e3o do presidente Ernesto Geisel.<\/p>\n<p>Banca \u00e9 a forma abreviada pela qual designo o sistema financeiro internacional. A guerra h\u00edbrida, que envolve trapa\u00e7as, mentiras, amea\u00e7as e for\u00e7a, armada ou econ\u00f4mica, \u00e9 t\u00edpica a\u00e7\u00e3o da Banca.<\/p>\n<p>Atender este pedido possibilita-me ampliar a resposta para uma leitura de nossa hist\u00f3ria e dos eventos fundamentais dos s\u00e9culos XX e XXI, que se imp\u00f5em agressivamente contra a humanidade, contra o Brasil e nossa vida individual.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Antecedentes<\/b><\/p>\n<p>No <i>British Imperialism 1688-2015<\/i>, de Peter J. Cain e Antony G. Hopkins (Routledge, NY, 2016, 3\u00aa ed.),<sup>[DE 1]<\/sup> l\u00ea-se que, em 1939, a <em>&#8220;Pax Britanica&#8221;<\/em> foi trocada pela <em>&#8220;Pax Americana&#8221;<\/em>.<\/p>\n<p>Em 1930, a d\u00edvida p\u00fablica externa brasileira estava dividida em t\u00edtulos brit\u00e2nicos (65%), estadunidenses (30%) e franceses (5%), conforme o FGV CPDOC. Ao fim de 1954, a d\u00edvida externa de 1,3 bilh\u00f5es de d\u00f3lares estadunidenses (USD) era inferior a de 1930, mas, praticamente, toda em moeda dos Estados Unidos da Am\u00e9rica (EUA).<\/p>\n<p>Em 1941, o ent\u00e3o Capit\u00e3o Severino Sombra de Albuquerque publica <a href=\"https:\/\/www.estantevirtual.com.br\/livros\/cap-s-sombra\/as-duas-linhas-de-nossa-evolucao-politica\/2425193082\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><i>As Duas Linhas de Nossa Evolu\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica<\/i> <\/a>(Zelio Valverde Editor, Rio), quais sejam, nas palavras do autor: &#8220;uma Liberal Revolucion\u00e1ria, outra Rea\u00e7\u00e3o Org\u00e2nica Nacional&#8221;. Busquemos compreend\u00ea-las.<\/p>\n<p>Acrescenta o futuro General Sombra: &#8220;Se pud\u00e9ssemos resumir em duas palavras o sentido de nossa conclus\u00e3o pol\u00edtico hist\u00f3rica, dir\u00edamos que substitu\u00edmos o signo da liberdade pelo da nacionalidade&#8221;. Referia-se ao antes e ao depois da Revolu\u00e7\u00e3o de 1930.<\/p>\n<p>Escrito no Estado Novo de Vargas, de quem Sombra foi ora aliado ora opositor, embora percebendo estas diferen\u00e7as no comportamento pol\u00edtico, n\u00e3o as associou \u00e0 economia mundial. Esta passava do financismo mercantil ingl\u00eas (liberal) para o industrialismo estadunidense. Um imperialismo que envolvia toda uma na\u00e7\u00e3o, distinto do imperialismo financeiro, de uma aristocracia desvinculada de seu povo; o dinheiro sem p\u00e1tria, como visto por Marx.<\/p>\n<p>Mas Sombra cuidava apenas da express\u00e3o pol\u00edtica do poder. O Poder \u00e9 muitas vezes decomposto para an\u00e1lise, al\u00e9m do pol\u00edtico, no poder psicossocial, no poder militar e no poder econ\u00f4mico. H\u00e1 quem desloque dos poderes psicossocial e econ\u00f4mico, como uma express\u00e3o pr\u00f3pria, o poder cient\u00edfico-tecnol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Volto a Cain e Hopkins, em tradu\u00e7\u00e3o livre:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: right;\">As subst\u00e2ncia e ideologia do Imp\u00e9rio (brit\u00e2nico) sobreviveram \u00e0 I Grande Guerra. A elite cavalheiresca permaneceu no comando; atitudes imperiais eram condutoras; pol\u00edticas coloniais continuaram a ganhar a batalha da miss\u00e3o civilizadora. \u00a0A vers\u00e3o brit\u00e2nica do governo liberal unido a um imp\u00e9rio liberal ainda teve o poder de perman\u00eancia. O modelo n\u00e3o foi substitu\u00eddo at\u00e9 1940. Os defensores do estado intervencionista, que o substituiu, se sentiam confiantes de que tinham as ferramentas necess\u00e1rias para melhorar o imp\u00e9rio e dar-lhe uma nova vida. O r\u00e1pido aumento da domin\u00e2ncia estadunidense significou que parte do antigo imp\u00e9rio brit\u00e2nico seria ocupado. A invas\u00e3o dos amig\u00e1veis GIs foi seguida pela flotilha de publicidade, pl\u00e1sticos, sedutoras fantasias hollywoodianas, capturando para o american way of life os desmoralizados consumidores brit\u00e2nicos.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Na Conclus\u00e3o e no Posf\u00e1cio da citada obra, Cain e Hopkins, fazendo refer\u00eancia \u00e0 velha corrup\u00e7\u00e3o, com a qual a Inglaterra se assenhoreou das resolu\u00e7\u00f5es do Tratado de Viena em 1815, mostram ser este o caminho para reconquista da &#8220;miss\u00e3o civilizadora&#8221; pela aristocracia financeira. Portanto, a inclus\u00e3o dos capitais da droga e de todos os il\u00edcitos, \u00e9 uma consequ\u00eancia do pr\u00f3prio poder financeiro (vide o \u00f3pio e o HSBC, na China), e n\u00e3o apenas uma das decorr\u00eancias das desregula\u00e7\u00f5es dos anos 1980.<\/p>\n<p>Seria pedir muito ao Capit\u00e3o Sombra, em 1940, antever a s\u00e9rie de crises que levaria o sistema financeiro internacional \u2013 a Banca \u2013 a se empoderar, agora com nova estrutura de a\u00e7\u00e3o e a ideologia &#8220;neoliberal&#8221;.<\/p>\n<p>Mas Sombra viu a dualidade nacional\/liberal, o que ainda hoje causa perplexidade e pasmo para muitos colegas de profiss\u00e3o e mesmo para a academia e pol\u00edticos brasileiros. Neste s\u00e9culo XXI temos agu\u00e7ado o antagonismo Soberania (nacionalismo) versus Globalismo (neoliberalismo).<\/p>\n<p>Esta dualidade ser\u00e1 usada para aplicar no General Ernesto Geisel, um presidente que prossegue a obra nacionalista de Get\u00falio Vargas, o golpe que o impede ter como sucessor um presidente da sua mesma linha, e chega ao fim outro ciclo de tentativa do empoderamento do Estado Nacional Brasileiro.<\/p>\n<p>Na minha leitura, tivemos como projeto ou como a\u00e7\u00e3o, quatro oportunidades (ou \u00e1timos) de deixarmos a gest\u00e3o colonizada por um Estado Soberano:<\/p>\n<p>A primeira, que \u00e9 objeto de recente livro <a href=\"http:\/\/www.capaxdei.com.br\/product\/o-homem-que-inventou-o-brasil-um-retrato-de-jose-bonifacio-de-andrada-e-silva\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><i>O homem que inventou o Brasil: Um retrato de Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio de Andrada e Silva <\/i><\/a>de Geraldo Lu\u00eds Lino (Capax Dei, RJ, 2019) e dos pertinentes coment\u00e1rios do doutorando <a href=\"https:\/\/youtu.be\/LhP7OufCXTY?t=889\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Felipe Quintas no Duplo Expresso<\/a> (17\/03\/2019), coube a Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio de Andrada e Silva (ver J.B. de Andrada e Silva, <i>Projetos para o Brasil<\/i>, Companhia das Letras\/Editora Schwarcz, SP, 2005).<\/p>\n<p>A segunda, que est\u00e1 aguardando uma obra que articule o positivismo ga\u00facho, o tenentismo dos anos 1920, e desague e fa\u00e7a \u00e1gua com os acordos pol\u00edticos da Revolu\u00e7\u00e3o de 1930, mas chega a nossos dias pelos Manuais da Escola Superior de Guerra (ESG), denominaria da perman\u00eancia do positivismo na pol\u00edtica nacionalista brasileira.<\/p>\n<p>A terceira, quando Get\u00falio Vargas consegue usar a fragilidade dos Imp\u00e9rios no advento da II Guerra Mundial, para implementar, ainda antes da deposi\u00e7\u00e3o de 1945 e em seu mandato eletivo encerrado com o suic\u00eddio (1954), o mais completo Estado Nacional Brasileiro at\u00e9 ent\u00e3o formalizado.<\/p>\n<p>O quarto e \u00faltimo, surge no golpe de Costa e Silva em 1967, e vai aproveitar a fragilidade do modelo colonial estadunidense, o industrialismo dependente, para criar novos elementos formadores do Estado Nacional, com Em\u00edlio Garrastazu M\u00e9dici (30\/10\/1969 a 15\/03\/1974) e Ernesto Geisel.<\/p>\n<p>Iniciava com a sucess\u00e3o de Geisel o desmonte, a desconstru\u00e7\u00e3o<sup>[DE2]<\/sup> do Estado Nacional Brasileiro. E se imp\u00f5e, como tamb\u00e9m assinalam J. W. Bautista Vidal e Gilberto Felisberto Vasconcellos (Ocaso dos Combust\u00edveis F\u00f3sseis e o Novo Colonialismo, in <i>Brasil Civiliza\u00e7\u00e3o Suicida<\/i>, Editora Na\u00e7\u00e3o do Sol, Bras\u00edlia, 2000):<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: right;\">\u2026a implanta\u00e7\u00e3o no Brasil do Novo Colonialismo (que) come\u00e7ou em 1979 e fundamenta-se no predom\u00ednio absoluto do dinheiro de controle externo e na desvaloriza\u00e7\u00e3o dos recursos naturais locais e do mundo f\u00edsico.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Para que entendamos o projeto nacional e a oposi\u00e7\u00e3o, o golpe, que o inviabiliza, \u00e9 preciso juntar as quatro vertentes que comp\u00f5e tal projeto: a constru\u00e7\u00e3o da cidadania, a proje\u00e7\u00e3o internacional, o projeto cultural e o dom\u00ednio tecnol\u00f3gico industrial. E, como \u00e9 \u00f3bvio, a estrutura organizacional do Estado que impe\u00e7a seu dom\u00ednio por um \u00fanico e eventualmente antag\u00f4nico segmento.<\/p>\n<p>Nas duas a\u00e7\u00f5es para o Brasil Soberano, personalizadas por Get\u00falio Vargas e M\u00e9dici-Geisel, houve falhas. Quer nos componentes do projeto, quer na forma de suas implementa\u00e7\u00f5es. As for\u00e7as que o destru\u00edram agiram nestas falhas.<\/p>\n<p>As for\u00e7as opostas em 1945\/1954 eram do industrialismo estadunidense e, em 1979, do financismo. Este, fortemente ingl\u00eas, desvinculado de qualquer Estado Nacional, como a autonomia de Bancos Centrais e de institui\u00e7\u00f5es financeiras nacionais e internacionais.<\/p>\n<p>Se a II Grande Guerra facilitou o projeto Vargas, a disputa pelo poder no mundo capitalista entre o industrialismo e o financismo, com cl\u00edmax nos anos 1970, possibilitou as a\u00e7\u00f5es de Em\u00edlio M\u00e9dici e de Ernesto Geisel.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da express\u00e3o pol\u00edtica, descrita pelo General Sombra, h\u00e1 a express\u00e3o psicossocial, de enorme import\u00e2ncia.<\/p>\n<p>A Banca procurou desconstruir qualquer discurso que a colocasse como protagonista do golpe de 1979. Para tanto fez uso, entre outros, de dois jornalistas \u2013 <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Andr%C3%A9_Gustavo_Stumpf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Andr\u00e9 Gustavo Stumpf<\/a> e <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Merval_Pereira\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Merval Pereira Filho<\/a>. Ambos, ainda em dezembro de 1978, envolvendo e manipulando o jornalista Mino Carta, publicaram pela Editora Brasiliense (RJ, 1979), a obra de fic\u00e7\u00e3o &#8220;<i>A Segunda Guerra: Sucess\u00e3o de Geisel<\/i>&#8220;, trazendo para a quest\u00e3o da abertura pol\u00edtica a \u00fanica luta desta sucess\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao buscar confundir a candidatura de Costa e Silva, como Primeira Guerra, tentam colocar na mente do leitor que Figueiredo \u2013 o coronel que s\u00f3 foi a general-de-brigada com as promo\u00e7\u00f5es de mar\u00e7o de 1969 \u2013, j\u00e1 estava fadado a ser presidente desde a escolha de M\u00e9dici.<\/p>\n<p>Toda m\u00eddia, a comunica\u00e7\u00e3o de massa nas m\u00faltiplas manifesta\u00e7\u00f5es, s\u00f3 apresentaram a abertura, o retorno dos cassados e a anistia &#8220;ampla, geral e irrestrita&#8221; como temas do embate sucess\u00f3rio. E interessava \u00e0s partes \u2013 oposi\u00e7\u00e3o e governo \u2013 esta polaridade. Ou por j\u00e1 estarem envolvidos com a Banca, ou pela ingenuidade do que ocorria no mundo, com repercuss\u00f5es inclusive no Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Os anos 1970<\/b><\/p>\n<p>Esta d\u00e9cada foi de fundamental import\u00e2ncia para a derrota do industrialismo na luta que travava com o financismo.<\/p>\n<p>A jugular do industrialismo atingida pela Banca foi o petr\u00f3leo. Extremamente vulner\u00e1vel, tanto pela ampla gama de usos, ou por estar presente na civiliza\u00e7\u00e3o do consumo de massa, ou pela indisfar\u00e7\u00e1vel polui\u00e7\u00e3o ambiental. Em 1973, o petr\u00f3leo cru dispara de US$ 2,00 para US$ 13,00 o barril, e chega em 1979 ao valor de at\u00e9 US$ 52,00. O mundo inteiro se curva a nova realidade. Uns tentando a volta ao passado, outros investindo no futuro.<\/p>\n<p>O Brasil optara pelo modelo cl\u00e1ssico de desenvolvimento industrial com a chegada de Costa e Silva ao poder, em 1967. Este modelo se repetiria no I Plano Nacional de Desenvolvimento (I PND), com M\u00e9dici, Reis Veloso\u00a0 e Delfim. Prosseguiria no II PND de Geisel. A &#8220;ilha de prosperidade no oceano revolto&#8221; era o desconhecimento das novas for\u00e7as emergentes.<\/p>\n<p>Para mim, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o lembrar a advert\u00eancia que Oswaldo Aranha escreve como Pref\u00e1cio ao <a href=\"https:\/\/www.estantevirtual.com.br\/livros\/maria-martins\/asia-maior-o-planeta-china\/2523870263\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">&#8220;<i>\u00c1sia Maior \u2013 O Planeta China<\/i>&#8220;<\/a>, da escultora Maria Martins (Edi\u00e7\u00e3o Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, RJ, 1958), &#8220;a China foi transformada em terra de todos e cada vez menos dos chineses&#8221;. E, assim, a artista pl\u00e1stica n\u00e3o descreveria uma &#8220;revolu\u00e7\u00e3o&#8221;, mas faria uma &#8220;revela\u00e7\u00e3o&#8221;, &#8220;na China, viste, observaste e amaste o Brasil&#8221;, esclarece Aranha.<\/p>\n<p>M\u00e9dici, olimpicamente, mantinha o projeto de industrializa\u00e7\u00e3o brasileira, com as mesmas pessoas que serviriam a Geisel: Jo\u00e3o Paulo dos Reis Veloso e Marcos Pereira Vianna (presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico).<\/p>\n<p>Devemos a eles o projeto e a execu\u00e7\u00e3o competente do Programa de Substitui\u00e7\u00e3o das Importa\u00e7\u00f5es, base do desenvolvimento industrial brasileiro.<\/p>\n<p>J\u00e1 que mencionei Mino Carta, permitam-me cit\u00e1-lo: &#8220;\u2026\u00e9 do conhecimento at\u00e9 do mundo mineral, que\u2026&#8221; as ind\u00fastrias de ponta incentivam o surgimento de outras ind\u00fastrias e prestadoras de servi\u00e7o, num saud\u00e1vel desenvolvimento que, a partir da economia, aumenta a demanda de m\u00e3o de obra e gera empregos bem pagos e amplia o com\u00e9rcio local, nacional. Muda a sociedade.<\/p>\n<p>Esta era a ideia que norteava os PNDs, mas a qual se opunha a Banca. Para esta, todos os ganhos deveriam fluir para o sistema financeiro, quer pela poderosa e corruptora arma da d\u00edvida, quer pela apropria\u00e7\u00e3o de todos meios de produ\u00e7\u00e3o unicamente pelo capital financeiro. Denomino este conjunto de primeiro objetivo da Banca; o segundo \u00e9 promover a permanente concentra\u00e7\u00e3o de renda, objetivo autof\u00e1gico e malthusiano.<\/p>\n<p>\u00c9 importante entender os objetivos da Banca e suas estrat\u00e9gias: criar e manter a d\u00edvida (veja que nenhum governo depois de Vargas se empenhou na auditoria da d\u00edvida), corromper todo sistema jur\u00eddico e pol\u00edtico (obtido em elevado grau no Brasil, desde a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988), para que possamos entender, em parte, alguns eventos de pouca nitidez.<\/p>\n<p>Enfatizo o dom\u00ednio dos capitais oriundos de a\u00e7\u00f5es il\u00edcitas &#8211; produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de drogas, contrabando de armas e \u00f3rg\u00e3os humanos &#8211; que est\u00e3o cada vez mais se apossando do controle da Banca.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio dos anos 2000, v\u00ednhamos observando transforma\u00e7\u00f5es no controle e direcionamento dos capitais da Banca. Estes sa\u00edram de Funda\u00e7\u00f5es, escrit\u00f3rios jur\u00eddicos e de contabilidade, para empresas captadoras de recursos e gestoras de fundos financeiros. Os gestores passam a ser profissionais e n\u00e3o ficam nas fam\u00edlias bilion\u00e1rias. Os conselhos tamb\u00e9m se profissionalizam e, assim, os capitais il\u00edcitos empoderam-se.<\/p>\n<p>J\u00e1 nos parece bastante n\u00edtido atualmente, o que o <a href=\"https:\/\/www.google.com\/search?q=define%3Apercuciente&amp;oq=define%3Apercuciente&amp;aqs=chrome..69i57j69i58.7375j0j7&amp;sourceid=chrome&amp;ie=UTF-8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">percuciente<\/a> analista Romulus Maya, co-fundador do Duplo Expresso, chamou &#8220;narco-evangelist\u00e3o&#8221;. Recomendo enfaticamente que se leia <a href=\"https:\/\/duploexpresso.com\/?p=104505\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">&#8220;Geopol\u00edtica da droga, os EUA e os golpes na Am\u00e9rica Latina&#8221;<\/a> , que est\u00e1 nesta atual\u00edssima esfera da Banca e de suas a\u00e7\u00f5es no Brasil.<\/p>\n<p>Muitas vezes as men\u00e7\u00f5es aos Estados \u2013 EUA, Israel \u2013 e n\u00e3o ao sistema, revelam uma realidade passada. Como o perigo comunista, sobrevivendo \u00e0 forjada crise de 2008, ou os inquisidores medievais (nesta c\u00f3pia protestante rediviva de 1553 ressuscitada por Olavo Carvalho \u2013 os neopentecostais, buscando cientistas e outros <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Miguel_Servet\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Miguel Servet<\/a> para fazerem arder nas fogueiras. A dualidade que temos, como pontos extremos, s\u00e3o <strong>a Na\u00e7\u00e3o, a cultura e a soberania dos Estados<\/strong>, de um lado, e, de outro, <strong>a Globaliza\u00e7\u00e3o, a pasteuriza\u00e7\u00e3o, a homogeneiza\u00e7\u00e3o universal, o neoliberalismo<\/strong>. A seguir, publicaremos mais reflex\u00f5es e melhores informa\u00e7\u00f5es sobre o Governo Geisel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p><em><strong>* Pedro Augusto Pinho<\/strong> \u00e9 av\u00f4, administrador aposentado.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u2022 \u2022 \u2022 \u2022 \u2022<\/p>\n<p>DE1 \u2013 Quem se interessar pelo livro <i>British Imperialism 1688-2015<\/i>, de Peter J. Cain e Antony G. Hopkins, poder\u00e1 descarregar a vers\u00e3o inglesa na \u00edntegra <a href=\"https:\/\/mega.nz\/#!bhgGSChB!qgKGXLjzxtP_I9EsWM2k1CCPMsJAHmmlNrQW0pNmsYo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>aqui<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>DE2 \u2013 &#8220;Desconstru\u00e7\u00e3o&#8221; \u00e9 uma palavra roubada por Jair Bolsonaro da corrente desconstrutivista apresentada pelo fil\u00f3sofo franc\u00eas Jacques Derrida, mas que ele provavelmente a aplique apenas em um sentido literal de desmanche. O desconstrutivismo foi um movimento cr\u00edtico que questionou o p\u00f3s-estruturalismo de Michel Foucalt, e tornou-se conhecido depois da leitura por Derrida do ensaio <em>&#8220;A estrutura, o signo e o jogo no discurso das ci\u00eancias humanas&#8221;<\/em> em uma confer\u00eancia na Johns Hopkins University, em 1966.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do ponto de vista econ\u00f4mico-desenvolvimentista, Pedro Pinho abre uma nova s\u00e9rie de artigos onde descreve o que seria primeiro grande golpe do sistema financista internacional contra o nacionalismo brasileiro: a sucess\u00e3o de Geisel. Foi ali que a Banca conseguiu conduzir-nos em uma dire\u00e7\u00e3o oposta aquela que poderia al\u00e7ar-nos a uma condi\u00e7\u00e3o de pot\u00eancia internacional. A precariza\u00e7\u00e3o induzida do Estado Nacional \u2013 nunca magro o suficiente para a est\u00e9tica neoliberal \u2013 continua a impor um quadro de anorexia social aos brasileiros. <\/p>\n","protected":false},"author":30,"featured_media":104735,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[773,977,1995,2,1599,6],"tags":[1529,1842,908,71,2552],"class_list":["post-104732","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-economia","category-globalismo-financista-vs-soberanismo","category-home","category-pedro-augusto-pinho","category-redacao","tag-globalismo","tag-banca","tag-geisel","tag-nacionalismo","tag-sistema"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/104732","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/30"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=104732"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/104732\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/104735"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=104732"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=104732"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/duploexpresso.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=104732"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}